Por que o Ceará lidera o índice de alfabetização no Brasil?

Governo vai lançar plataforma para ajudar alunos na preparação para o Enem, anuncia ministro da Educação
Ceará é destaque nacional na alfabetização
O Ceará é o estado brasileiro com a maior proporção de crianças alfabetizadas na idade certa: 85,3% dos alunos matriculados no 2º ano do ensino fundamental sabem ler e escrever com autonomia em 2025, segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Ministério da Educação, divulgado em julho. A taxa supera a média nacional, que foi de 59,2%. A meta geral era de 60%.
Para 2030, o objetivo do MEC é chegar aos 80%, taxa que só foi alcançada, desde já, pelas escolas cearenses. Por isso, as estratégias adotadas pelo Ceará inspiraram a política de alfabetização em regime de colaboração em 25 estados. Ainda que o ensino fundamental seja de responsabilidade dos municípios, os governos estaduais fornecem apoio técnico e financeiro às prefeituras para que melhorem os indicadores.
Alfabetização infantil
Divulgação
"No Ceará, a secretaria estadual e os municípios aprenderam a alfabetizar. O Brasil ainda está em um estágio anterior", avalia o gerente de políticas educacionais da organização Todos Pela Educação, Ivan Gontijo. "Essa política já vem sendo implementada desde 2007, são quase 20 anos de expertise acumulada. Isso explica o sucesso em relação aos outros estados, e, ainda que já tenha alcançado patamares altos, consegue evoluir".
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Avanço gradual
Os bons resultados da alfabetização do Ceará em 2025 contrastam com a realidade dos municípios cearense de 20 anos atrás. Diante do baixo desempenho, a cidade de Sobral foi pioneira na transformação da política educacional.
Durante o mandato do então prefeito, Cid Gomes, hoje senador, a secretaria de Educação definiu metas para o letramento na idade certa (até 7 anos), além do aumento dos investimentos no setor, que levaram o município ao topo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as cidades com mais de 70 mil habitantes nos anos 2000.
Em 2004, todo o estado acompanhou esse processo. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) daquele ano apontavam que 55% das crianças cearenses apresentavam desempenho ruim em leitura e escrita ao final da 4ª série.
Por conta dessa conjuntura, deputados da Assembleia Legislativa instituíram o Comitê Cearense para a Eliminação do Analfabetismo Escolar. Em seguida, a atuação dos parlamentares resultou na criação do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) pelo governo estadual.
A partir de 2015, outros estados passaram a reproduzir essa estratégia, como Pernambuco, Espírito Santo e Piauí. Em 2022, com a nomeação do ex-governador do Ceará Camilo Santana para o Ministério da Educação, parte da equipe da secretaria de Educação do estado foi para o governo federal, entre eles a ex-secretária-executiva da pasta, Izolda Cela, que implementou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Estratégia e incentivo
Dessa forma, a experiencia de Sobral foi ampliada e adotada nas demais cidades. O pilar da estratégia que fortaleceu o ensino fundamental foi a cooperação entre o estado e os municípios. As avaliações para monitorar a evolução da aprendizagem e a preparação do material didático são centralizadas pelo estado e distribuídas às prefeituras.
Inspirada no exemplo do Ceará, uma emenda constitucional de 2020 criou o ICMS Educacional. Essa medida estabelece que uma parcela do imposto estadual deve ser destinada aos municípios conforme indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem.
A ação serve como incentivo aos prefeitos, já que o dinheiro recebido por esse mecanismo não é vinculado, ou seja, os gestores podem definir livremente como o recurso será usado.
Professora e alunos em sala de aula.
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Alunos, pais e professores
Mais uma medida foi o foco na capacitação de professores em práticas de alfabetização baseadas em evidências. Deusiran Nascimento é diretora da escola de ensino fundamental Joaquim José Monteiro, no município de Cruz (CE), que obteve a maior nota do país no Ideb em 2021 (9,1). Ela explica que, a cada bimestre, os professores passam por uma formação continuada. "Alguns professores são fragilizados na prática de sala de aula, e temos que atualizá-los".
Quanto aos alunos, Nascimento diz que o acompanhamento da aprendizagem é feito por etapas, desde o primeiro ano, quando os alunos já são leitores de frases curtas. "Nas turmas de alfabetização criamos projetos de leitura", afirma. Além disso, todos os meses, os alunos são avaliados para que os professores identifiquem falhas no processo de letramento. "Com isso, desenvolvemos atividades personalizadas dependendo do nível de escrita e leitura."
Além disso, os professores e coordenadores mantêm contato direto com a família dos alunos. "Tem grupos das famílias no WhatsApp. Como aqui é um vilarejo, vamos às casas, todo mundo se conhece. Montamos cantinhos da leitura em casa com os pais, para que acompanhem a evolução das crianças", explica a educadora.
Para verificar a eficácia desse trabalho, o governo estadual faz uma avaliação periódica do PAIC, por meio do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (SpAece). Os testes traçam um diagnóstico da educação no estado e permite que sejam planejadas intervenções onde há defasagem de ensino.
Quanto falta material, é a própria equipe da escola que tem de se virar para arrecadar material. "Fizemos campanhas para arrecadar livros, às vezes imprimimos, compramos material. Este ano entrou um recurso para a educação infantil que antes não tinha. Até então, a última vez que veio livro do governo federal foi em 2019. Agora que voltou a vir".
Resultados positivos
Nascimento diz que antes do fim do ano letivo já vê resultado do esforço. "Hoje aqui na nossa escola, estamos em agosto, a maioria da turma já é de leitores de texto. Já tivemos casos de alunos do segundo ano vindos de São Paulo que não sabia o alfabeto, nem conhecia as letras nem fazer o nome, mas aqui foi alfabetizado".
O desempenho na alfabetização do Ceará foi reconhecido pelo governo federal nesta segunda-feira (11/08), durante a entrega do Prêmio MEC da Educação Brasileira, na categoria de melhores resultados para essa prática. O prêmio de R$ 500 mil tem de ser aplicado na infraestrutura das escolas e valoriza.
Limitações
Mesmo com a mobilização de toda essa política, ainda há limitações. Isso porque a estratégia das escolas no Ceará foca na alfabetização no âmbito institucional, ou seja, promove a aprendizagem para quem está matriculado em escolas. Quem está fora das instituições de ensino fica à margem da política, como é o caso dos analfabetos funcionais.
De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 93% dos brasileiros com 15 anos ou mais são alfabetizados no Brasil e 7% são analfabetos. No entanto, apesar da alfabetização se aproximar da universalização, cerca de 29% desses adultos são analfabetos funcionais.
O nível de leitura e escrita desse grupo é considerado rudimentar, segundo a ONG Analfabetismo Funcional, o que significa que são capazes de compreender informações explícitas e números com os quais estão familiarizados, mas não conseguem decodificar textos mais longos ou operações matemáticas mais complexas.
"O que a gente precisa é fechar essa torneira, que é garantir que as pessoas sejam alfabetizadas na idade certa. E ser alfabetizado na idade certa, no Brasil, é no início do fundamental", argumenta Gontijo. "Se a pessoa não se alfabetizar na idade certa, ela vai tendo muita dificuldade ao longo da sua trajetória escolar e não só na disciplina de língua portuguesa, não consegue resolver uma questão de geografia, ou resolver um problema de matemática. Se a gente consegue garantir uma base muito bem feita, a trajetória dessas crianças vai ser muito mais fácil".
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Em ‘modo educação’, ChatGPT imita filósofo e só faz perguntas ao aluno, sem dar respostas diretas; veja se funciona

Governo vai lançar plataforma para ajudar alunos na preparação para o Enem, anuncia ministro da Educação
‘Modo socrático’ do ChatGPT responde perguntas de alunos… com outras perguntas
Amanhã é dia de prova de matemática. Você precisa saber tudo sobre trigonometria. Em vez de perguntar ao ChatGPT “como calcular o cosseno”, prefere digitar:
👩‍💻:“Por favor, acione o método socrático de estudo”.
➡️A dinâmica do diálogo automaticamente fica invertida, e é a ferramenta que faz uma série de questões a você. Será que essa técnica realmente é útil? Funciona? Quais seus pontos fracos e fortes? O g1 testou, com a ajuda de sete professores, e fez uma análise mais abaixo, nesta reportagem.
De cara, o robozinho já avisa:
🤖: “Claro! Em vez de simplesmente te entregar respostas prontas, eu vou te fazer perguntas guiadas que te ajudem a pensar criticamente, investigar a fundo e chegar às conclusões por conta própria”.
E começa a conversa:
🤖Chat: O que você entende por cosseno?
👩‍💻Aluno: Não faço a menor ideia do que seja.
🤖Chat: Perfeito — a melhor resposta para começar o método socrático é justamente essa: “não sei”. Porque agora podemos construir o entendimento do zero, com base em perguntas guiadas. Vamos lá: Você já ouviu falar em triângulo retângulo?
👩‍💻Aluno: Sim, com ângulo reto.
🤖Chat: Em um triângulo retângulo, você sabe como chamamos os lados?
E, assim, o papo vai se desenrolando. Abaixo, descubra:
Por que “modo socrático”?
Em que casos essa ferramenta é mais útil? E quando pode atrapalhar?
Qual tipo de aluno tem mais a ganhar com o método?
Que tipo de pergunta o ChatGPT faz?
O sistema gera boas imagens?
Quais as principais vantagens?
E os pontos fracos?
Por que “modo socrático”?
Criado pelo filósofo grego Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.), o método socrático é uma forma de diálogo que estimula o participante a examinar criticamente suas próprias ideias. Em vez de oferecer respostas prontas, o questionador conduz a conversa com perguntas sucessivas, levando o outro a identificar possíveis falhas em seu raciocínio e a buscar uma compreensão mais profunda do tema.
O processo costuma ser dividido em dois momentos:
Ironia – fase em que se expõem incoerências ou contradições no pensamento do interlocutor.
Maiêutica – etapa em que ele é guiado a um “parto das ideias”, elaborando novos conceitos a partir de sua própria reflexão.
Mais do que um exercício intelectual, essa técnica valoriza o diálogo, o autoconhecimento e a análise crítica como instrumentos de aprendizagem. Ao longo dos séculos, consolidou-se como uma das bases do pensamento crítico e da filosofia ocidental.
Ricardo Salgado Gonçalves, coordenador de Filosofia e Sociologia do Colégio Bandeirantes (SP), faz uma ressalva à nomenclatura de “método socrático” da inteligência artificial.
“Sócrates se colocava na posição de estéril em ‘Só sei que nada sei’, ou seja, tinha consciência da sua ignorância. É algo que se opõe ao Chat GPT, que ‘sabe de tudo’ e, com isso, ensina”, diz.
Em que casos essa ferramenta é mais útil? E quando pode atrapalhar?
O método é mais eficiente para revisar conteúdo e organizar ideias do que para aprender um tema pela primeira vez.
ChatGPT disponibiliza método socrático de estudos
Montagem de IA/ChatGPT
O professor Idelfranio Moreira, gerente executivo de Inovações do SAS, simulou ser um aluno do 2º ano do ensino médio. Veja o depoimento dele após usar a ferramenta de estudo socrático do ChatGPT:
"De início, até funcionou bem. As perguntas de partida foram bem direcionais. O chat sempre dando instruções e incentivo. Entretanto, a certa altura, as coisas complicaram, relatei minha dificuldade e a ajuda que ele forneceu não foi útil, não me ajudou a entender.
Pedi imagens e o output não foi bom. Insisti e ele retornou imagens como as que eu poderia encontrar numa busca no Google.
Acredito que um aluno iniciante pode introduzir-se em alguns assuntos, mas chega um momento em que não dá para progredir. Um aluno avançado deve se beneficiar mais.
Pedi questões do assunto no ENEM. Ele apontou, corretamente, quatro questões. Mas, quando pedi orientação para responder a mais simples, ele comentou e resolveu por mim!"
Para quem busca uma resposta rápida, especialmente na véspera de uma prova, perguntar diretamente à ferramenta pode ser mais produtivo.
A dinâmica de diálogo e de construção de conhecimento leva tempo — isso pode ser um impeditivo para quem busca dinamismo e rapidez, explica Mário Abbondati, coordenador de Tecnologia Educacional do Colégio Bandeirantes.
"O método é eficiente para uma aprendizagem profunda, mas se torna muito longo e exaustivo caso o aluno queira obter uma resposta direta”, diz.
Professor testou a ferramenta do método socrático
Arquivo pessoal
Qual tipo de aluno tem mais a ganhar com o método?
A maior parte dos especialistas consultados afirma que o método beneficia principalmente alunos mais avançados, já que as perguntas do ChatGPT são abertas e exigem um certo conhecimento prévio para que o diálogo avance significativamente. Até é possível responder “não sei” ou “não faço ideia”, mas a disciplina será pouco aprofundada nesses casos.
Nada impede, no entanto, que um aluno mais “cru” seja beneficiado, desde que ele realmente esteja disposto a aprender e disponha de tempo. A ferramenta adapta-se bem à faixa etária e à série informadas pelo estudante.
Que tipo de pergunta o ChatGPT faz?
No modo socrático, a abrangência da pergunta vai depender do grau de domínio que o aluno tem do assunto. Se as respostas demonstrarem um desconhecimento maior da disciplina, as questões “voltarão várias casinhas” na escala de complexidade.
Isso conduz o estudante na elaboração gradual do conteúdo. O objetivo das perguntas é justamente estimular a construção de conhecimento por meio da reflexão e do raciocínio.
O sistema gera boas imagens?
Imagens geradas pelo ChatGPT não foram didáticas
Arquivo pessoal
O uso de imagens nem sempre é adequado. A pessoa pode se deparar com desenhos um tanto incompreensíveis:
Quando o usuário pede para que a IA capriche mais no desenho, ela costuma ficar “desnorteada”.
"As imagens não foram tão boas. De início, pedi para ele gerar um infográfico com as informações, mas ele enviou um arquivo doc. Também solicitei determinadas obras de arte, e ele me deu o nome do quadro, sem imagem e sem um link”, diz Vinícius Beltrão, professor de português do SAS Educação.
“Depois, testei a geração de mapas mentais, mas as informações apresentadas pelo ChatGPT não foram suficientes. Muito confusas, inclusive. Você precisa ficar pedindo para ele atualizar a imagem, colocar mais informações, mas ele se perde na hora de fazer isso."
Quais as principais vantagens?
É extremamente útil para revisar tópicos já estudados, organizar ideias e identificar possíveis lacunas no conhecimento.
Promove a construção profunda do conhecimento, incentivando a reflexão e a investigação. Isso pode levar a uma aprendizagem mais sólida do que a promovida apenas pela “decoreba”.
Pode ajudar a mostrar questões sobre determinado tema que já caíram no Enem e em outros vestibulares. É um sistema de busca mais rápido do que procurar no Google. Mas é preciso deixar claro que a intenção não é saber a resposta logo de cara.
O tom positivo de incentivo estimula o aluno a melhorar suas respostas e a persistir. O sistema adapta-se à linguagem para engajar o estudante, tornando a interação mais leve e amigável.
Funciona como um excelente guia de estudos e pode ser usado para ajuste fino de conceitos complexos.
As informações geralmente parecem corretas e atualizadas. A única exceção encontrada foi a respeito dos Estados Unidos: o sistema não reconhece Donald Trump como presidente atual do país — informou erroneamente que é Joe Biden. Ao mesmo tempo, explica de maneira certa os motivos e impactos das tarifas comerciais impostas recentemente pelo governo americano e as zonas de conflito entre Rússia e Ucrânia.
“O momento mais apropriado [para usar a ferramenta] me parece ser após o estudo de determinado conteúdo, funcionando como uma revisão. Como o aluno precisará responder a perguntas e não receberá a resposta ‘pronta’, é necessário que tenha uma base prévia para que o diálogo atue como um pequeno teste, permitindo identificar lacunas de aprendizagem”, diz Rodrigo Magalhães, professor da Plataforma AZ.
E os pontos fracos?
Pode ser muito longo e exaustivo para quem busca respostas diretas e rápidas.
“Geralmente, a galera que entra no ChatGPT para fazer uma pergunta quer dinamismo. Mas o aluno precisa saber que o método socrático é uma fonte de estudo não para consulta, e sim para uma construção do saber”, diz Jeferson Petronilho, da Escola SEB Lafaiete.
Existe o risco de haver "trapaça". A qualquer momento, se o estudante fizer uma pergunta direta, o ChatGPT vai respondê-la de prontidão. Não há um mecanismo de controle.
Como já explicado nesta reportagem, as perguntas abertas exigem um certo nível de conhecimento prévio do aluno, o que pode limitar o benefício para quem tem pouco domínio do tema.
O tom positivo das respostas, embora incentive o estudante, pode, em alguns casos, não deixar claro quando houver uma falha grave por parte do aluno. A ferramenta fica tão concentrada em instigar o usuário que acaba não demonstrando a incorreção tão explicitamente. Essa “generosidade” excessiva pode prejudicar o jovem.
“O excesso de elogios ou reforços positivos pode gerar uma falsa sensação de progresso e de domínio do conteúdo”, explica Magalhães, da Plataforma AZ.
ChatGPT é excessivamente compreensivo e, em alguns momentos, leva o aluno à falsa impressão de domínio do conteúdo
g1
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ChatGPT modo educação: IA adota método socrático e tenta virar ferramenta de estudo; veja avaliação

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Amanhã é dia de prova de matemática. Você precisa saber tudo sobre trigonometria. Em vez de perguntar ao ChatGPT “como calcular o cosseno”, prefere digitar:
👩‍💻:“Por favor, acione o método socrático de estudo”.
➡️A dinâmica do diálogo automaticamente fica invertida, e é a ferramenta que faz uma série de questões a você. Será que essa técnica realmente é útil? Funciona? Quais seus pontos fracos e fortes? O g1 testou, com a ajuda de sete professores, e fez uma análise mais abaixo, nesta reportagem.
De cara, o robozinho já avisa:
🤖: “Claro! Em vez de simplesmente te entregar respostas prontas, eu vou te fazer perguntas guiadas que te ajudem a pensar criticamente, investigar a fundo e chegar às conclusões por conta própria”.
E começa a conversa:
🤖Chat: O que você entende por cosseno?
👩‍💻Aluno: Não faço a menor ideia do que seja.
🤖Chat: Perfeito — a melhor resposta para começar o método socrático é justamente essa: “não sei”. Porque agora podemos construir o entendimento do zero, com base em perguntas guiadas. Vamos lá: Você já ouviu falar em triângulo retângulo?
👩‍💻Aluno: Sim, com ângulo reto.
🤖Chat: Em um triângulo retângulo, você sabe como chamamos os lados?
E, assim, o papo vai se desenrolando. Abaixo, descubra:
Por que “modo socrático”?
Em que casos essa ferramenta é mais útil? E quando pode atrapalhar?
Qual tipo de aluno tem mais a ganhar com o método?
Que tipo de pergunta o ChatGPT faz?
O sistema gera boas imagens?
Quais as principais vantagens?
E os pontos fracos?
Por que “modo socrático”?
Criado pelo filósofo grego Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.), o método socrático é uma forma de diálogo que estimula o participante a examinar criticamente suas próprias ideias. Em vez de oferecer respostas prontas, o questionador conduz a conversa com perguntas sucessivas, levando o outro a identificar possíveis falhas em seu raciocínio e a buscar uma compreensão mais profunda do tema.
O processo costuma ser dividido em dois momentos:
Ironia – fase em que se expõem incoerências ou contradições no pensamento do interlocutor.
Maiêutica – etapa em que ele é guiado a um “parto das ideias”, elaborando novos conceitos a partir de sua própria reflexão.
Mais do que um exercício intelectual, essa técnica valoriza o diálogo, o autoconhecimento e a análise crítica como instrumentos de aprendizagem. Ao longo dos séculos, consolidou-se como uma das bases do pensamento crítico e da filosofia ocidental.
Ricardo Salgado Gonçalves, coordenador de Filosofia e Sociologia do Colégio Bandeirantes (SP), faz uma ressalva à nomenclatura de “método socrático” da inteligência artificial.
“Sócrates se colocava na posição de estéril em ‘Só sei que nada sei’, ou seja, tinha consciência da sua ignorância. É algo que se opõe ao Chat GPT, que ‘sabe de tudo’ e, com isso, ensina”, diz.
Em que casos essa ferramenta é mais útil? E quando pode atrapalhar?
O método é mais eficiente para revisar conteúdo e organizar ideias do que para aprender um tema pela primeira vez.
ChatGPT disponibiliza método socrático de estudos
Montagem de IA/ChatGPT
O professor Idelfranio Moreira, gerente executivo de Inovações do SAS, simulou ser um aluno do 2º ano do ensino médio. Veja o depoimento dele após usar a ferramenta de estudo socrático do ChatGPT:
"De início, até funcionou bem. As perguntas de partida foram bem direcionais. O chat sempre dando instruções e incentivo. Entretanto, a certa altura, as coisas complicaram, relatei minha dificuldade e a ajuda que ele forneceu não foi útil, não me ajudou a entender.
Pedi imagens e o output não foi bom. Insisti e ele retornou imagens como as que eu poderia encontrar numa busca no Google.
Acredito que um aluno iniciante pode introduzir-se em alguns assuntos, mas chega um momento em que não dá para progredir. Um aluno avançado deve se beneficiar mais.
Pedi questões do assunto no ENEM. Ele apontou, corretamente, quatro questões. Mas, quando pedi orientação para responder a mais simples, ele comentou e resolveu por mim!"
Para quem busca uma resposta rápida, especialmente na véspera de uma prova, perguntar diretamente à ferramenta pode ser mais produtivo.
A dinâmica de diálogo e de construção de conhecimento leva tempo — isso pode ser um impeditivo para quem busca dinamismo e rapidez, explica Mário Abbondati, coordenador de Tecnologia Educacional do Colégio Bandeirantes.
"O método é eficiente para uma aprendizagem profunda, mas se torna muito longo e exaustivo caso o aluno queira obter uma resposta direta”, diz.
Professor testou a ferramenta do método socrático
Arquivo pessoal
Qual tipo de aluno tem mais a ganhar com o método?
A maior parte dos especialistas consultados afirma que o método beneficia principalmente alunos mais avançados, já que as perguntas do ChatGPT são abertas e exigem um certo conhecimento prévio para que o diálogo avance significativamente. Até é possível responder “não sei” ou “não faço ideia”, mas a disciplina será pouco aprofundada nesses casos.
Nada impede, no entanto, que um aluno mais “cru” seja beneficiado, desde que ele realmente esteja disposto a aprender e disponha de tempo. A ferramenta adapta-se bem à faixa etária e à série informadas pelo estudante.
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No modo socrático, a abrangência da pergunta vai depender do grau de domínio que o aluno tem do assunto. Se as respostas demonstrarem um desconhecimento maior da disciplina, as questões “voltarão várias casinhas” na escala de complexidade.
Isso conduz o estudante na elaboração gradual do conteúdo. O objetivo das perguntas é justamente estimular a construção de conhecimento por meio da reflexão e do raciocínio.
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Quando o usuário pede para que a IA capriche mais no desenho, ela costuma ficar “desnorteada”.
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“Depois, testei a geração de mapas mentais, mas as informações apresentadas pelo ChatGPT não foram suficientes. Muito confusas, inclusive. Você precisa ficar pedindo para ele atualizar a imagem, colocar mais informações, mas ele se perde na hora de fazer isso."
Quais as principais vantagens?
É extremamente útil para revisar tópicos já estudados, organizar ideias e identificar possíveis lacunas no conhecimento.
Promove a construção profunda do conhecimento, incentivando a reflexão e a investigação. Isso pode levar a uma aprendizagem mais sólida do que a promovida apenas pela “decoreba”.
Pode ajudar a mostrar questões sobre determinado tema que já caíram no Enem e em outros vestibulares. É um sistema de busca mais rápido do que procurar no Google. Mas é preciso deixar claro que a intenção não é saber a resposta logo de cara.
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E os pontos fracos?
Pode ser muito longo e exaustivo para quem busca respostas diretas e rápidas.
“Geralmente, a galera que entra no ChatGPT para fazer uma pergunta quer dinamismo. Mas o aluno precisa saber que o método socrático é uma fonte de estudo não para consulta, e sim para uma construção do saber”, diz Jeferson Petronilho, da Escola SEB Lafaiete.
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Como já explicado nesta reportagem, as perguntas abertas exigem um certo nível de conhecimento prévio do aluno, o que pode limitar o benefício para quem tem pouco domínio do tema.
O tom positivo das respostas, embora incentive o estudante, pode, em alguns casos, não deixar claro quando houver uma falha grave por parte do aluno. A ferramenta fica tão concentrada em instigar o usuário que acaba não demonstrando a incorreção tão explicitamente. Essa “generosidade” excessiva pode prejudicar o jovem.
“O excesso de elogios ou reforços positivos pode gerar uma falsa sensação de progresso e de domínio do conteúdo”, explica Magalhães, da Plataforma AZ.
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A menina prodígio de 10 anos que virou a mais jovem mestre de xadrez

Governo vai lançar plataforma para ajudar alunos na preparação para o Enem, anuncia ministro da Educação
Bodhana foi selecionada para fazer parte da equipe feminina da Inglaterra nas Olimpíadas de Xadrez em 2024
BBC
Uma prodígio do xadrez de 10 anos, do noroeste de Londres, se tornou a pessoa mais jovem a ganhar o título de mestre internacional feminina (WIM, na sigla em inglês).
Bodhana Sivanandan, de Harrow, também se tornou a jogadora mais jovem a derrotar um grande mestre de xadrez durante o Campeonato Britânico de Xadrez de 2025, realizado no início deste mês.
Em 2024, Bodhana foi considerada a pessoa mais jovem a representar a Inglaterra internacionalmente em qualquer esporte, ao ser selecionada para a equipe feminina da Inglaterra na Olimpíada de Xadrez, na Hungria.
Seu pai, Siva, disse anteriormente à BBC que não fazia ideia de onde vinha o talento da filha, já que nem ele e nem a esposa, ambos engenheiros, eram bons no xadrez.
A Federação Internacional de Xadrez disse em sua conta na rede social X que Bodhana "conquistou a vitória contra o grande mestre Peter Wells, de 60 anos, na última rodada do Campeonato Britânico de Xadrez de 2025, em Liverpool".
A federação acrescentou: "A vitória de Sivanandan, aos 10 anos, cinco meses e três dias, bate o recorde de 2019 da americana Carissa Yip (10 anos, 11 meses e 20 dias)".
O novo título de Bodhana — mestre internacional feminina — é o segundo mais alto concedido exclusivamente a mulheres, ficando atrás apenas do grande mestre feminina.
O título de grande mestre é o mais alto que um jogador de xadrez pode ter e é mantido por toda a vida.
Bodhana jogou vários jogos simultaneamente no Festival de Xadrez em Londres, em 2024
BBC

Bodhana começou a jogar xadrez aos cinco anos, durante a pandemia de covid-19. Segundo ela, o xadrez faz com que ela se sinta "bem" e a ajuda em "várias outras coisas, como matemática e cálculo".
Em entrevista à BBC durante sua visita ao Chess Fest (Festival de Xadrez, na tradução livre para o português), realizado na Trafalgar Square, no centro de Londres, em julho de 2024, ela contou como conheceu o jogo.
"Em 2020, tinha a covid, e um dos amigos do meu pai estava voltando para a Índia. Ele tinha alguns brinquedos e jogos, e nos deu. Em uma das sacolas, eu vi um tabuleiro de xadrez, e me interessei pelas peças", contou.
"Eu queria usar as peças como brinquedos. Mas meu pai disse que eu podia jogar o jogo, e eu comecei a partir dali."
O pai de Bodhana afirma que não há um histórico de excelência no xadrez na família
BBC
O pai de Bodhana, Siva, disse que "ninguém na família" tinha familiaridade com o xadrez antes da filha começar a jogar.
"Eu tentei descobrir se algum dos meus primos ou outra pessoa da família joga, mas ninguém tem energia ou habilidade para o xadrez, ninguém participou de eventos de xadrez", contou.
"No geral, estamos felizes com tudo que está acontecendo. Espero que ela se divirta, jogue bem e tenha um bom desempenho."
A menina disse que espera alcançar seu objetivo final: se tornar uma grande mestre.
Malcolm Pein, um mestre internacional de xadrez que comanda uma instituição beneficente responsável por levar o jogo a cerca de 250 mil crianças de escolas públicas, disse que Bodhana está abrindo caminho para meninas e mulheres em um jogo tradicionalmente dominado por homens.
"Ela é tão centrada, tão modesta, e ao mesmo tempo é absolutamente brilhante no xadrez. Ela pode facilmente se tornar a campeã mundial feminina, ou talvez, uma campeã mundial geral. E, com certeza, acredito que ela vai ser uma grande mestre."
Mais inteligentes? Raros? 3 mitos e 1 verdade sobre canhotos

Governo vai lançar plataforma para ajudar alunos na preparação para o Enem, anuncia ministro da Educação

Governo vai lançar plataforma para ajudar alunos na preparação para o Enem, anuncia ministro da Educação
Camilo Santana se reúne com Lula para discutir rumos do ensino médio
O governo federal planeja lançar uma plataforma para ajudar os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a se preparar para a prova. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, nesta quarta-feira (13).
“Ela [a plataforma] vai permitir que o aluno, o jovem, possa se preparar para o Enem. Inclusive, fazer a redação e a própria plataforma corrigir. Vai ser um estímulo”, disse Camilo em entrevista ao Bom Dia, Ministro, uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O chefe da pasta não detalhou quais funcionalidades a plataforma deve ter ou qual é a previsão de lançamento, mas garantiu que a ideia está trabalhando na criação da plataforma, que deve se chamar MEC Enem.
Siga o canal do g1 Enem no WhatsApp
Camilo Santana falou ainda de uma segunda ferramenta que também deve ser disponibilizada para os estudantes, o MEC Livros, que visa estimular a leitura.
O MEC Livros é uma plataforma de acesso à leitura de livros digitais. Vai permitir estimular a leitura. Você está em uma parada de ônibus, bota lá o QR Code e vai ter acesso a uma biblioteca digital.
Enem 2024, 2ºdia
Mateus Santos/g1
Sobre o Enem 2025
Em 2025, as provas serão aplicadas em 9 e 16 de novembro em boa parte do país. Cidades da região metropolitana de Belém terão datas alternativas por causa da COP30.
9 de novembro
O candidato deverá fazer:
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
16 de novembro
A prova trará:
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 1º dia: 19h
Término das provas no 2º dia: 18h30