UnB expulsa aluno que filmava aulas para expor na web e criticar professores e estudantes

Câmara aprova criação de Sistema Nacional da Educação que cria prontuário com trajetória escolar dos alunos
Estudante da UnB Wilker Leão foi suspenso de duas disciplinas do curso de história.
A Universidade de Brasília (UnB) decidiu expulsar o estudante Wilker Leão de Sá, condenado pela Justiça por calúnia e difamação contra um professor da instituição.
A decisão obtida pelo g1 foi publicada na noite desta quinta-feira (4), assinada pela reitora Rozana Reigota Naves. Segundo o documento, Wilker cometeu faltas disciplinares graves, como:
Reincidir em falta cominada com a pena máxima de suspensão — ou seja, repetir uma falta grave que já tem como punição máxima a suspensão;
Caluniar, injuriar ou difamar membro da comunidade universitária;
Desacatar membros dos corpos docente, discente ou técnico-administrativo;
Praticar atos que violem os direitos humanos;
Praticar atos incompatíveis com os valores da Universidade.
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O processo disciplinar será encaminhado ainda ao Ministério Público Federal (MPF), à OAB/DF, à Polícia Federal e à Advocacia-Geral da União, entre outras áreas da própria UnB.
Em nota, a UnB confirmou que o estudante "foi excluído da instituição e está impedido de realizar novos registros de matrícula". Ele ainda pode recorrer da decisão.
O g1 tenta contato com Wilker Leão.
Veja o documento:
Decisão da reitora da Universidade de Brasília pela exclusão do aluno Wilker Leão de Sá
Reprodução
Aluno já tinha sido suspenso
Em dezembro do ano passado, a UnB suspendeu Wilker Leão de duas disciplinas – História da África e História do Brasil – por 60 dias. A medida foi tomada porque, segundo a UnB, e estudante "atrapalhava as aulas".
Na época, a universidade justificou que, ao gravar as aulas e publicar o conteúdo nas redes sociais sem autorização dos envolvidos, o aluno atrapalha a explicação do conteúdo e também os outros estudantes matriculados nas disciplinas (saiba mais abaixo).
Condenado por injúria e difamação
Estudante Wilker Leão é suspenso por 60 dias de duas disciplinas do curso de história.
Redes sociais/Reprodução
Em agosto, Wilker Leão já havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal por difamação e injúria contra um professor da disciplina de História da África.
O estudante gravou e divulgou em redes sociais vídeos das aulas sem autorização, com comentários ofensivos e depreciativos contra um professor.
De acordo com a Justiça, o estudante atingiu a honra do professor ao expor o que chamava de "doutrinação comunista" no curso de história.
A juíza Ana Cláudia Loiola de Morais Mendes entendeu que houve "violação à honra objetiva" do docente.
Wilker foi condenado inicialmente a 2 anos e 3 meses de detenção em regime aberto, mas teve a pena convertida em duas multas de 15 salários mínimos cada — uma destinada ao professor e a outra a uma entidade social escolhida pela Justiça.
Ele também deverá pagar R$ 5 mil em honorários advocatícios. O g1 entrou em contato com Wilker, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Seis vídeos foram analisados pela Justiça
A decisão levou em conta seis vídeos publicados por Wilker entre outubro e novembro de 2024. A Justiça concluiu que eles continham ofensas à honra do professor e violavam sua imagem e privacidade. São eles:
18/10/2024: Wilker chama a aula de "bobagem" e diz que o professor "fugiu" do debate. Continuou filmando mesmo após o pedido para interromper a gravação.
23/10/2024: Vídeo com a imagem do professor e legenda "Prof Brabão". Wilker o chama de "comunista" e fala em doutrinação.
30/10/2024: Post intitulado "Essa é a cara do professor valentão que se acha general", com imagem e voz do docente, em tom depreciativo.
07/11/2024: Novas publicações com as legendas “professor Brabão dobrou a aposta” e “tá querendo socializar meu capital?”.
13/11/2024: Caricatura semelhante ao professor e comentários desdenhosos sobre temas discutidos em sala, como escravidão e capitalismo. “Isso aqui é doutrinação ou não é?”, escreveu o aluno.
19/11/2024: Vídeo com o termo “transgeneral” e insinuações de que o professor teria suspendido a aula "protelando isso com intenções mesmo de enrolar".
Confusão com ex-presidente e senador
Youtuber provoca Bolsonaro e causa confusão em Brasília
Wilker Leão é formado em direito e conhecido por publicar vídeos políticos nas redes sociais. Ele soma mais de dois milhões de seguidores no X, YouTube , TikTok e Instagram.
O estudante também ficou conhecido por abordar políticos e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.
Em uma das ocasiões, em agosto de 2022, chegou a se envolver em uma confusão com o ex-presidente (veja o vídeo acima).
Em fevereiro do ano seguinte, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) tomou o celular da mão de Wilker, após se envolver em uma discussão com ele. Na ocasião, o youtuber começou a questionar Randolfe, de forma repetitiva, sobre a opinião dele a respeito de terrorismo e assédio político (veja o vídeo abaixo).
Em discussão, senador Randolfe Rodrigues toma celular de youtuber
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Choro, ‘looks’ de R$ 10 mil e pressão: como funciona a Rush Week, disputa de universitárias para irmandades nos EUA

Câmara aprova criação de Sistema Nacional da Educação que cria prontuário com trajetória escolar dos alunos
Looks de R$ 17 mil e pressão: como funciona a Rush Week, seleção para irmandades nos EUA
Uma jovem americana, aluna de uma universidade privada no Texas (EUA), mostra no TikTok seu “lookinho” para uma semana decisiva da vida universitária. Ela ostenta uma bolsa de US$ 1,9 mil (mais de R$ 10 mil), da Yves Saint-Laurent, e uma pulseira de US$ 5 mil (R$ 27,2 mil), da Van Cleef, para conquistar a “vida grega” com a qual tanto sonha: pertencer a uma irmandade como Delta Delta Delta, Alpha Phi ou Kappa Kappa Gamma.
O que define essas irmandades? São aqueles “clubes” exclusivos que você talvez tenha visto em “Legalmente Loira” (Elle Woods era presidente da fictícia Delta Nu) ou em “A Casa das Coelhinhas” (Shelley pertencia à Zeta Alpha Zeta). Em resumo: organizações sociais de estudantes em universidades dos EUA, identificadas por letras do alfabeto grego.
👛Ainda não sabemos qual será o destino da candidata ao final da “Rush Week”: são, em geral, sete dias de recrutamento, sempre no início do semestre acadêmico. A dona da Saint-Laurent disputará com outras centenas de adversárias uma vaga em uma das concorridas repúblicas da instituição onde estudam.
“As meninas que tiverem interesse precisam ir a todas as casas no primeiro dia. No segundo, começam as eliminações. A cada etapa, vai afunilando mais”, conta ao g1 Julia Whitaker, membro da Kappa Delta em uma universidade da Flórida. “Neste ano, foram 800 candidatas no processo de recrutamento. A gente conversa com elas e vê se quer ser amiga, sabe? Não é uma entrevista.”
✉️O processo seletivo termina de um dos dois jeitos a seguir, no chamado “bid day” (dia da decisão final), quando são entregues os envelopes com os resultados:
saltos ornamentais, lágrimas de alegria, gritos agudos e um novo look para a festa de recepção – afinal, a candidata foi aprovada em uma das irmandades!;
choro e maquiagem da Dior borrada, com um longo depoimento no TikTok sobre rejeição, decepção de não ter entrado na irmandade que desejava e pressão psicológica.
Americana chora ao ser reprovada na Rush Week
Reprodução/Redes sociais
A segunda opção foi vivida por Tilly, uma americana que, dentro do próprio carro, gravou um desabafo sobre a seleção para a vida grega da Universidade de Missouri.
“Sou tímida, achei que fosse um jeito de fazer amigos, mas ninguém falou comigo ao longo da semana. Não sei se pareço malvada, mas prometo que não sou. A Rush é tão difícil”, disse, aos prantos, em um vídeo com milhares de visualizações.
Nos comentários, ela recebeu apoio de outras meninas que, nos últimos anos, foram rejeitadas pelas Alfas, Deltas e afins.
Para Bruna Camilo, pesquisadora de gênero e doutora em sociologia, a cultura tão forte de repúblicas gregas nos EUA pode expor meninas que já estão fragilizadas psicologicamente.
“Elas querem sentir que pertencem a algo. Isso seria um conceito bonito de acolhimento, de fazer parte de uma nova família, mas acaba frequentemente sendo uma dinâmica sobre se encaixar em determinados padrões. Elas se sujeitam a isso para se sentirem amadas. É como se [os atuais membros] dissessem: ‘vocês precisam ser como nós para terem vida social.”
➡️Por um lado, há quem diga que participar dessas repúblicas facilita a criação de laços com novos colegas e ajuda a formar uma rede de contatos útil para a vida profissional. Já quem critica a cultura das casas gregas levanta discussões sobre padrões estéticos, preconceito de raça ou de classe, consumismo e controle da liberdade individual.
“É algo muito forte nos Estados Unidos. Desde criança, essas meninas sonham em fazer parte de uma irmandade — às vezes, porque a mãe também participou. É uma pressão familiar e cultural”, diz Julia.
Membros de irmandades fazem coreografias para atrair novas alunas
Reprodução/Redes sociais
Tire suas dúvidas abaixo:
O que determina se alguém vai ou não ser aprovado?
Alunas recebem resultado da Rush Week
Reprodução/Redes sociais
Primeiro: é preciso ter dinheiro para se inscrever no processo seletivo (as taxas chegam a U$S 375) e ainda investir nas unhas, no cabelo e nas roupas. São ao menos 5 looks especiais.
Segundo: a dinâmica exige estrutura emocional, já que a semana de seleção é acompanhada no mundo inteiro na trend “RushTok” ou “BamaRushTok” (específica do Alabama). Participantes relatam que sofrem pressão psicológica ao longo do processo seletivo.
Terceiro: é preciso demonstrar afinidade com os membros da casa. As conversas têm de fluir bem para que a candidata não seja “dropped” (descartada). Também há critérios como desempenho acadêmico, apresentação de cartas de recomendação e disponibilidade para atividades filantrópicas.
“Elas olham suas notas, pensam se você é uma menina que pode dar problema para a irmandade e também observam se vai ser alguém com vontade de grow [crescer] dentro da casa, como ser assistente, presidente, vice-presidente”, conta Julia.
Baby, surfista brasileira que entrou na irmandade Kappa Kappa Gama, na Califórnia, em 2017, explica que pode haver o “mismatched”: a menina faz uma lista das irmandades em que aceitaria entrar e deixa de fora justamente as que teriam aceitado seu nome.
“É difícil falar isto, mas estar em uma irmandade dentro do universo da vida grega significa sua popularidade. As pessoas usam camisetas e mochilas com o nome [da república] para mostrar que fazem parte daquilo. Dá um status”, diz.
“Se entrar em alguma casa que não é tão popularmente bem ranqueada, pode ser melhor nem aceitar.”
A rejeição é um baque para a maioria, diz Baby. “Imagina: você está há uma semana indo para aquelas casas, conversando com as meninas, mas nenhuma te quis. Deve ser a pior situação, né? Porque você deve ficar: ‘nossa, o que que será que tem de errado comigo?”, conta.
Quanto custa estar na associação?
Meninas postam vídeos dos 'looks' ao longo da Rush Week
Reprodução/Redes sociais
O investimento financeiro para entrar em uma irmandade americana pode ser alto. Para o ano letivo de 2025-2026, as taxas de novos membros em qualquer uma das 19 irmandades da Universidade do Alabama são, em média, de US$ 4.750 (R$ 25,8 mil) por semestre, incluindo custos com plano de refeições. Em unidades específicas, como a Alpha Chi Omega do Alabama, os valores podem chegar a US$ 5.532 (R$ 30 mil) a cada 6 meses.
Não há regra ou padrão nacional: Baby pagou cerca de US$ 2.500 (R$ 13,5 mil) semestrais, sem incluir moradia.
👠Além das taxas, há gastos com roupas, maquiagem e acessórios para se encaixar nos padrões de determinadas irmandades, especialmente nas do sul do país.
A professora Destinee Moreh faz sucesso nas redes sociais com vídeos de análises dos looks. Com base nas marcas mencionadas pelas próprias candidatas, ela calcula quanto cada aspirante às irmandades gastou. Uma estudante da Universidade do Estado do Arizona, por exemplo, gastou por volta de US$ 2 mil com apenas um "look", aponta Destinee.
“Muitas meninas se veem como mulheres donas de si e têm uma fantasia de feminismo liberal”, comenta a pesquisadora Bruna Camilo. “Mas o discurso de empoderamento por trás do ‘tem que ter’ não é sobre autonomia da mulher, é sobre aceitar padrões.”
Qual é a agenda de uma aluna de irmandade?
Coreografia de casa grega para atrair novas candidatas à irmandade
Reprodução/Redes sociais
Participar de uma irmandade exige tempo e dedicação. As atividades incluem:
eventos de filantropia;
estudos em grupo;
festas com fraternidades masculinas;
encontros com outras repúblicas;
reuniões regulares.
“Todo domingo, temos uma reunião obrigatória. Se não puder ir, precisa mandar uma justificativa. Caso contrário, você vai ficar perdido e não saber de quais eventos participar”, explica Julia.
Baby relembra que o engajamento é cobrado constantemente. Após ouvir “convocações” para que fosse mais ativa na irmandade, a jovem percebeu que não estava dando conta da demanda e decidiu sair da casa, embora adorasse a experiência de morar lá.
As próprias associações alertam: “Entrar em uma fraternidade ou irmandade exige um grande compromisso de tempo. Você deve ter certeza de que consegue se dedicar a cada aspecto da organização, incluindo educação, filantropia, eventos do capítulo e eventos sociais. Fraternidades e irmandades não são como clubes, ou seja, você não pode simplesmente desistir quando quiser. É importante ler com atenção tudo o que for solicitado para assinar!”, afirma uma delas, no formulário de inscrição.
Esta cultura existe no Brasil?
Segundo Bruna Camilo, a experiência brasileira não chega nem perto do que acontece nos Estados Unidos.
“Nas federais brasileiras, há 10 ou 15 anos, as batalhas para alunos entrarem em repúblicas ainda eram absurdas, como em Ouro Preto (MG). No início dos anos 2000, havia situações ofensivas, que ameaçavam a integridade física dos participantes. Isso vem mudando”, diz. “Nos EUA, por outro lado, essa tradição ainda é muito forte.”
O fascínio pelas irmandades americanas também aparece nas redes sociais entre brasileiros: “Mal posso esperar”, “Meu Deus, o que vai ser de mim quando o RushTok acabar?” e “Por que não temos irmandades no Brasil???” são alguns dos comentários.
Baby ressalta a diferença em termos de oportunidades: “No Brasil, você passa pelo mesmo processo de trote, mas não tem nem metade do valor de estar numa república lá fora. Nos Estados Unidos, a rede da sua república é muito maior. Em qualquer emprego que eu quiser, haverá alguém que trabalhou lá na irmandade, e eu conseguirei contato com essa pessoa por eu estar na república. Realmente, abre qualquer porta.”
Prós e contras de participar de uma irmandade nos EUA
Segundo os entrevistados, os seguintes pontos devem ser levados em conta acerca da experiência de integrar uma irmandade:
💍Prós
Rede de contatos: facilita conexões profissionais e pessoais que podem abrir portas no mercado de trabalho.
Amizade e comunidade: oferece um senso de pertencimento e suporte social, principalmente para estudantes longe de casa.
Desenvolvimento de liderança: há oportunidades de ocupar cargos e participar ativamente da gestão da casa.
Experiência social: proporciona acesso a eventos, festas e atividades filantrópicas que integram a vida universitária.
Organização e engajamento: incentiva a disciplina e a participação em projetos coletivos.
💸Contras
Alto custo: taxas de adesão, moradia, roupas, maquiagem e acessórios podem somar milhares de dólares por semestre.
Pressão estética e social: expectativa é de que a candidata siga padrões de beleza, de comportamento e de consumo.
Comprometimento de tempo: reuniões, eventos sociais e filantrópicos exigem dedicação intensa em uma fase já agitada da vida.
Exclusão e competição: alunas podem ser rejeitadas com base em aparência, popularidade ou status econômico.
Risco psicológico: pressão por aceitação, medo de rejeição e necessidade de se enquadrar podem afetar a saúde mental.
“A preocupação vai ser aprender uma profissão ou a prioridade é estar em irmandade? É preciso tomar cuidado para que um espaço de emancipação não vire de alienação social e de controle de corpos”, afirma Bruna Camilo.
Vídeos de Educação

Demover: qual o significado do verbo usado por advogado e como uso em julgamento liga ex-presidente a golpe

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Advogado diz que ex-ministro tentou demover Bolsonaro, e Cármen Lúcia pergunta: 'Demover de quê?'
Após o advogado do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira dizer em resposta à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia que seu cliente tentou demover Bolsonaro de adotar uma medida de exceção, uma discussão surgiu nas redes sociais sobre o uso do verbo.
"Vossa Senhoria por 5 vezes disse que o réu [Paulo Sérgio Nogueira] 'estava atuando para demover o Presidente da República'. Demover de quê?", perguntou a ministra.
"Demover de adotar qualquer medida de exceção”, respondeu Andrew Fernandes, que representa o ex-ministro.
o verbo demover no Novo Dicionário Aurélio.
Ardilhes Moreira/g1
No contexto da fala do advogado, o uso do verbo demover está correto, já que foi aplicado no sentido de dissuadir, de mudar o propósito.
De acordo com o Novo Dicionário Aurélio, demover tem origem no latim e é um verbo transitivo direto, que também pode ser bitransitivo, e tem a seguinte sentido:
Tirar ou mudar de lugar; deslocar; remover
Fazer renunciar a um intuito; dissuadir, despersuadir
Afastar, desviar, despersuadir, dissuadir
Com isso, o advogado de Paulo Sérgio Nogueira dá indícios de contradição ao que disse a defesa de Bolsonaro, que declarou que o e-presidente não agiu contra a democracia.
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Concluir EJA aumenta chances de trabalho com carteira assinada e melhora renda de jovens em quase R$ 100, revela pesquisa

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As letras que têm nomes diferentes no 'ABC do Nordeste'
Quem conclui a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem melhores condições no mercado de trabalho, como formalização do vínculo empregatício e melhora na renda. É o que revela a pesquisa inédita "Educação de Jovens e Adultos: Acesso, Conclusão e Impactos sobre Empregabilidade e Renda", divulgada nesta quinta-feira (4).
✏️ EJA é uma modalidade de ensino focada em pessoas a partir dos 15 anos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade regular. A proposta é viabilizar a formação nas etapas em um tempo reduzido, já que o diploma pode ser obtido em até 2 anos, a depender do nível de ensino desejado.
O estudo — que é resultado de uma parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Itaú Educação e Trabalho, com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2014 a 2022, — ainda mostra que:
jovens de 19 a 29 anos que concluem a EJA aumentam em 7 pontos percentuais suas chances de conseguir um emprego formal, e
eleva uma renda média de R$ 1.372 para R$ 1.474, um aumento de 4,5%.
Entre 19 e 24 anos, a probabilidade de formalização aumenta para 9,6 pontos percentuais, e
a renda mensal aumenta de R$ 1.302 para R$ 1.400, uma valorização de 7,5%.
Além disso, a pesquisa reforça que o impacto do diploma de ensino médio da EJA é imediato, já que esses efeitos foram observados em um intervalo de 1 ano após a conclusão da etapa.
Programa EJA Profissionalizante EAD, em Palmas
Divulgação/Sesi
Rosalina Soares, superintendente de Conhecimento da Fundação Roberto Marinho, avalia que a EJA possui funções "reparadora, equalizadora e qualificadora" que são válidas e urgentes, como mostra o estudo.
Concluir a EJA gera resultados imediatos e concretos na vida das pessoas: abre portas para empregos formais, amplia a renda e fortalece perspectivas de futuro. Mas, diante da magnitude do desafio educacional brasileiro, apenas políticas públicas consistentes e contínuas poderão garantir que a modalidade cumpra plenamente seu papel transformador.
Matrícula e permanência em queda
Apesar dos benefícios atrelados à conclusão da EJA, a etapa vem sofrendo com quedas constantes no número de matrículas e de permanência, e até de oferta de vagas pelo país.
Em 2024, foram registradas apenas 2,4 milhões de matrículas na modalidade, menos da metade das 4,9 milhões de matrículas de 2008. Além disso, mais de mil municípios não incluíram a EJA na oferta de suas redes no ano passado.
A pesquisa também evidenciou que, apensar do avanço da modalidade atreleada à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT), a oferta ainda é baixa. Apensas 13% dos municípios ofertaram esta modalidade em 2024.
Mas a oferta não é o único problema a ser enfrentado, já que os jovens com ensino fundamental e médio incompletos têm mais chances de evadir do que migrar para a EJA, segundo o levantamento.
Jovens de 18 a 20 anos com ensino fundamental incompleto, têm 27% de probabilidade de evadir.
O mesmo grupo tem 12,7% chance de migrar para a EJA.
Entre aqueles com o ensino médio incompleto, os índices caem para 6,4% e 1,5%, respectivamente.
O risco de evasão aumenta se o jovem for homem, negro, resida em área rural, tenha menor renda domiciliar per capita e/ou esteja trabalhando.
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A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (3) um projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Educação, projeto que vai instituir o “Identificador Nacional Único do Estudante”, uma espécie de prontuário do aluno que reunirá toda sua trajetória escolar. O projeto volta para nova análise do Senado.
O autor da proposta, deputado Rafael Brito (MDB-AL), afirma que o objetivo é manter um registro unificado com todas as informações sobre a vida escolar do estudante: dados de permanência, evasão escolar, grau de aprendizagem e possíveis transferências, por exemplo.
O registro unificado pretende dar mais subsídios para os educadores na atenção a este aluno. “Isso significa que, se ele mudar de estado, por exemplo, todo o seu histórico educacional irá junto, de forma automática e integrada. Esse prontuário permitirá acompanhar o desempenho, dificuldades e desafios de cada estudante", disse.
Números do governo confirmam atraso da educação no Brasil
O projeto cria a Infraestrutura Nacional de Dados da Educação, que fará o manejo dos dados educacionais. A união ficará responsável pela nova estrutura, através do Ministério da Educação.
A base de dados será de uso obrigatório por todas as bases de registros administrativos de ensino, tanto da União, quanto de estados, municípios e Distrito Federal.
Segundo o projeto, o identificador também poderá ser usado como fonte para indicadores nacionais e regionais de fluxo escolar, mobilidade estudantil, evasão e resultados.
Curso gratuito sobre equidade racial na educação é oferecido em Sorocaba
Prefeitura de Sorocaba/Divulgação