Plataforma do Lá vem o Enem lança 2º tema para correção gratuita de redação; vagas são limitadas

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar
Estudantes podem treinar redação para o Enem com texto sobre impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho
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O Lá vem o Enem 2025 lançou, nesta sexta-feira (19), o segundo tema para correção gratuita na plataforma do projeto, que é "O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro".
📝 Entre na plataforma de correção gratuita de redações
Para participar, os estudantes precisam se inscrever no site oficial do projeto. A correção é feita por professores parceiros.
A plataforma oferece materiais de apoio e permite baixar a folha de redação, que tem o mesmo formato do exame oficial. Quem não tiver impressora pode usar uma folha pautada A4. Após concluir o texto, é necessário tirar uma foto de boa qualidade e enviar pelo próprio site.
As vagas são limitadas! Serão corrigidas 800 redações. Os participantes recebem um relatório detalhado com notas e observações sobre cada competência da prova.
O que é o Lá vem o Enem
O Lá vem o Enem é um projeto da Rede Paraíba voltado para preparação de estudantes para o exame. Nesta quinta edição, as TVs Cabo Branco e Paraíba, a CBN Paraíba, a Cabo Branco FM, além de portais como o g1 Paraíba e Jornal da Paraíba, produzem conteúdos que ajudam candidatos a se preparar para provas e dão espaço para professores compartilharem assuntos relevantes.
O projeto oferece materiais focados em temas atuais que têm grande chance de cair na prova, ajudando estudantes a treinar redações de forma prática e objetiva.
Acesse o site do Lá vem o Enem, faça sua redação sobre crimes cibernéticos e garanta a correção gratuita.
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Ciências da Natureza no Enem: veja temas que mais caem na prova e como se preparar

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar
Segundo domingo de prova do Enem, em 16 de novembro, tem matemática e ciências da natureza, com biologia, química e física.
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No segundo dia de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, em 16 de novembro, os candidatos encaram as áreas de Matemática e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Esta reúne 45 questões de biologia, física e química.
Professores ouvidos pelo g1 consideram esses exercícios a "cara do Enem": exigem a aplicação dos conteúdos das disciplinas em situações do cotidiano – como impactos das atividades humanas no ambiente, circuitos elétricos residenciais e tratamento de resíduos. Questões interdisciplinares, que misturam os assuntos das três matérias, também aparecem.
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Rodrigo Machado, professor de Química e coordenador da área de Ciências da Natureza do Curso Anglo ressalta que, embora a prova tenha essa característica de ser bem contextualizada, ainda é bastante conteudista. Para ter um bom desempenho, é preciso dominar o essencial dos temas mais cobrados de cada disciplina.
"Apesar de existir uma distribuição entre itens fáceis, médios e difíceis, os alunos não consideram a prova fácil. Costumam achar complicada", comenta o professor.
Confira abaixo os temas mais recorrentes em biologia, química e física no Enem. A lista reúne os tópicos que mais apareceram em edições anteriores, a partir de levantamentos do Curso Anglo (2019-2024) e do SAS Educação (2009-2024), com comentários de especialistas de cada área.
🧬 Temas de biologia mais cobrados no Enem
Ecologia e meio ambiente (desequilíbrios em ecossistemas, ciclos biogeoquímicos, relações ecológicas, poluição e sustentabilidade)
Biotecnologia e engenharia genética (transgênicos, clonagem, uso de DNA, técnicas laboratoriais)
Doenças e saúde humana (principalmente viroses, parasitoses, prevenção e vacinação)
Citologia e bioquímica (metabolismo energético, organelas, respiração celular)
Evolução, seres vivos e fisiologia humana (seleção natural, origem da vida, classificação e características dos grupos, sistemas do corpo humano)
“Os dois temas mais incidentes são ecologia e biotecnologia. O centro da questão é sempre a biologia tradicional: o aluno precisa aplicar esses conceitos a problemas do cotidiano", reforça Gabriel Mendes, professor de Biologia do Curso Anglo.
➡️ Em ecologia, é frequente itens sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente – e como reverter ou mitigar tais cenários. "Agricultura verde, medidas contra poluição, ou efeitos da instalação de uma nova tecnologia, como uma usina", exemplifica. A biotecnologia aparece vinculada a inovações ou situações reais.
"O aluno tem de interpretar como determinada tecnologia funciona, ou como um fenômeno ocorreu, relacionando, novamente, com os conceitos da disciplina", antecipa Mendes.
Doenças também aparecem com recorrência. Além de conseguir identificar as principais, o candidato deve conhecer agentes causadores, formas de transmissão e medidas de prevenção e controle.
💡 Temas de física mais cobrados no Enem
Eletrodinâmica (circuitos elétricos, potência, consumo de energia)
Termologia (calorimetria e termodinâmica)
Mecânica (dinâmica, cinemática, forças, energia e movimento)
Ondulatória (reflexão, refração, difração, tipos de onda)
"Esses tópicos correspondem a cerca de 70% do total de questões da prova, porém são matérias extensas e com um grande número de conceitos", analisa Otávio Oliveira, professor de Física do Sistema de Ensino Fibonacci.
➡️ Para lidar com esse volume de assuntos, é ideal que o aluno saiba, ao menos, o essencial de cada tema da disciplina: "Em mecânica, é importante treinar questões de cinemática básica, além de entender as relações entre força, movimento, energia e momento linear. Em eletricidade, conhecer as características das cargas e circuitos elétricos, especialmente os residenciais. Em ondulatória, dominar as propriedades das ondas e fenômenos relacionados", detalha Oliveira.
Ele reforça a importância da estratégia. "As questões mais difíceis contribuem menos para uma boa nota geral. Muitas envolvem cálculos, e mais de uma etapa para chegar à solução. Deixar essas para o final já dá certa vantagem ao candidato", recomenda.
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🧪 Temas de química mais cobrados no Enem
Química orgânica (funções orgânicas, reações, polímeros, combustíveis e biomoléculas)
Química ambiental (poluição, tratamento de resíduos, reciclagem e sustentabilidade)
Físico-Química (soluções, pH, eletroquímica, termoquímica, cinética e equilíbrio)
Química geral e inorgânica (estequiometria, estrutura atômica, ligações químicas, tabela periódica, reações ácido-base, separação de misturas, propriedades dos materiais)
Assim como em biologia e física, "as questões de química do Enem têm caráter contextual e interdisciplinar, e exigem a capacidade de interpretar situações do cotidiano e relacioná-las com conceitos químicos", aponta Wellington Campos, autor de Química do Sistema de Ensino pH.
"É esperado que o estudante saiba analisar gráficos, tabelas, textos e imagens, além de resolver problemas que envolvem raciocínio lógico e interpretação de fenômenos naturais e tecnológicos", acrescenta.
➡️ Campos destaca os exercícios que abordam poluição atmosférica, como emissão de gases por automóveis e formação da chuva ácida. A resolução envolve oxirredução, propriedades de ácidos e bases, e comportamento de gases. "O exame pede que o estudante relacione isso a soluções sustentáveis, como o uso de biocombustíveis, tratamento de efluentes e controle de emissões de poluentes", destaca o professor.
Outro tópico frequente é alimentação – com itens sobre composição e pH de alimentos, transformações químicas durante o cozimento, processos de conservação, valor nutricional e impactos na saúde humana.
"São questões que cobram funções orgânicas, propriedades físico-químicas, e efeitos da temperatura e do pH nas reações. Também é crucial compreender interações moleculares para interpretar fenômenos como solubilidade e mudanças de estado físico", recomenda.
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É consenso entre professores ouvidos pelo g1: nesses dois meses antes do Enem, a prioridade deve ser revisar os principais tópicos de cada disciplina e resolver edições anteriores da prova.
"É uma estratégia essencial, pois permite identificar padrões e familiarizar-se com a linguagem utilizada no exame. Pratique a leitura atenta e a análise crítica das situações apresentadas", destaca Wellington Campos.
Quanto aos exercícios interdisciplinares, que costumam intimidar alguns alunos, Rodrigo Machado, do Anglo, diz não ter segredo: "Estudando bem cada disciplina de forma independente, o aluno conseguirá resolver esses problemas quando aparecerem", tranquiliza.

Ensino da democracia será incluído nas escolas; MEC diz que programa pode alcançar 1 milhão de estudantes

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar
Crianças de escola pública na Biblioteca do Amanhã no Rio Comprido
Divulgação / Secretaria Municipal de Cultura/Arquivo
A pouco mais de um ano para as novas eleições presidenciais e em meio a um efervescente cenário de embates político-partidários, o Brasil irá inserir o ensino da democracia, oficialmente, nas salas de aula. O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta-feira (17/9) a portaria 642, instituindo no país o Programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade.
Capitaneado pela Secretaria de Educação Básica do MEC, o programa tem por objetivo contribuir para que crianças e adolescentes desenvolvam as capacidades necessárias ao pleno exercício da cidadania e à "participação autônoma, responsável e solidária na vida social democrática”. Para isso, a iniciativa estabelece parâmetros para coordenar ações desenvolvidas pelo governo federal, estados, municípios e Distrito Federal.
A adesão de estados e municípios é voluntária, mas espera-se que o programa chegue a 1 milhão de estudantes por ano. A ideia é estimular redes estaduais e municipais de educação a inserir na rotina de ensino e aprendizagem temas abordando o que é e para que serve a democracia, como são estruturados os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, assim como questões relacionadas ao exercício da cidadania e da democracia no dia a dia, como a participação social na estruturação das políticas públicas.
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Para isso, o MEC irá criar uma Matriz Nacional de Saberes em educação cidadã e também estruturas que permitam a execução da política, como currículos, material didático e cursos para formação de professores, em parceria com entidades da administração pública e vinculadas aos poderes Legislativo e Judiciário.
Caberá aos estados e municípios desenvolver as ações necessárias para que suas escolas tenham acesso aos documentos e aos materiais. A expectativa é que cada estado e município designe um responsável por conduzir a política localmente, após aderir à iniciativa.
O programa foi apresentado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM), Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele nasceu da mobilização de 120 instituições da sociedade civil, reunidas na Rede Nacional de Educação Cidadã (Rede NEC), e tem como inspiração políticas de países como Alemanha e França.
"A gente quer possibilitar que os estudantes se exponham à democracia e aprendam que a política é importante, que desenvolvam a crença da autoeficácia, ou seja, que o jovem entende que se ele agir e se organizar, consegue fazer a mudança”, afirma João Tavares, advogado e diretor executivo da Rede NEC.
Espera-se que os alunos aprendam a reconhecer, compreender e valorizar a Constituição Federal e os fundamentos do Estado democrático de direito; os fundamentos, as características e os procedimentos do processo de votação; sobre o pluralismo de ideias e a importância do diálogo inclusivo, pacífico, tolerante e construtivo; e a valorizar as múltiplas expressões da diversidade humana.
Também está prevista a elaboração e execução de um plano de monitoramento e avaliação da implementação do programa, bem como uma pesquisa bianual para sistematizar as experiências.
Haverá ainda um apoio financeiro a quem aderir ao programa, por meio das dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual ao Ministério da Educação. Estratégias e prazos para a implementação de ações complementares para as populações específicas serão estabelecidos, no futuro, pelo MEC.
Promessa não cumprida
O Brasil já estabelece na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a formação cidadã como uma das finalidades da educação básica. A própria Constituição Federal de 1988 também estabelece que um dos objetivos da educação é preparar para o exercício da cidadania, sendo esta uma competência do Conselho Nacional de Educação.
Entretanto, defende Tavares, o processo de redemocratização do Brasil, iniciado em 1985, depois do fim do regime militar, deixou como promessa não cumprida a democratização do sistema político e da cultura democrática. "Existe uma frase do Norberto Bobbio (filósofo e político italiano, 1909-2004) que diz que a educação para a cidadania é uma das promessas não cumpridas da democracia”, afirma.
Em 2022, o Brasil participou pela primeira vez do ICCS (International Civic and Citizenship Study, em inglês), o maior estudo internacional dedicado à educação cívica e cidadania. A ideia era avaliar o quanto estudantes do 8º ano do ensino fundamental estavam preparados para atuar como cidadãos num mundo globalizado, explica Maribel Sevilla, coordenadora da pesquisa no país. Na escala, em comparação a outros 22 países, o Brasil ficou em último.
"Os resultados mostram que os alunos acham que eles não estão estudando ou sendo preparados para engajamento político futuro, ou seja, para ter uma carreira política ou atuar como cidadão junto às instituições cívicas, sociais e políticas”, afirma Sevilla. O estudo também está servindo de referência para orientar o programa em criação pelo MEC.
De acordo com o professor, cientista político e diretor do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas, um problema existente é que os temas cidadania e direitos e deveres na sociedade vêm sendo levados às salas de aula desde a proclamação da República, em maior ou menor escala. Contudo, sempre acabaram a serviço dos interesses do regime político vigente no Brasil.
"Em boa parte da história, esse tipo de conteúdo foi utilizado dentro das escolas como de doutrinação do regime vigente. Getúlio Vargas, por exemplo, distorceu completamente a ideia de educação para o exercício da cidadania e implementou conteúdos dentro das escolas de louvor à sua ditadura”, lembra.
Isso se repetiu, segundo Dantas, no regime militar (1964-1985) com as disciplinas Educação Moral e Cívica e também Organização Social e Política do Brasil (OSPB). "Eram disciplinas que doutrinavam os indivíduos a entenderem o sentido de se viver num país governado da forma como era governado”, afirma.
Mas, ao invés de reformular os currículos à luz da democracia, o sistema educacional brasileiro optou por retirá-los de sala de aula. Esse hiato na história deixou um desfalque estrutural, pois professores não foram formados nem matrizes curriculares pensadas para colocar em prática o que está previsto na Constituição e na LDB.
"O MEC hoje pode contribuir de uma maneira muito significativa tentando, minimamente, construir um conteúdo basilar mínimo daquilo que precisa ser ensinado em termos de política, democracia e cidadania dentro da sala de aula”, afirma Dantas.
Segundo Tavares, a expectativa é que o programa do MEC também crie as condições para que o tema democracia e educação cidadã não seja deixado de lado frente a questões consideradas mais urgentes, como a melhoria da infraestrutura das escolas e a qualificação geral dos professores e educadores.
Há alguns países no mundo que já têm iniciativas de educação cidadã em âmbito nacional. A França tem uma diretoria dentro do Ministério da Educação que promove a educação para a democracia, assim como o Reino Unido. Na Alemanha, há uma agência criada em 1952, após o fim da Segunda Guerra, com orçamento próprio e independência para definir diretrizes de formação de professores e material didático para fortalecer a cultura democrática no país. Na América Latina, há iniciativas incipientes no Chile e na Colômbia.
Diferença entre educar e doutrinar
De acordo com a Rede NEC, a educação cidadã é o conjunto de competências, habilidades, atitudes, valores e emoções que preparam as pessoas para atuar de forma mais consciente e engajada numa democracia. Mais do que ensinar o conceito de democracia, é também explicar como ela se pratica e demonstrar a crianças e jovens que eles podem ter um papel ativo nela.
Por isso, a educação cidadã abarca um guarda-chuva de temas que precisam ser tratados pelas diferentes instituições que compõem uma sociedade democrática, como as mudanças climáticas, o combate à desinformação, ética no ambiente digital e o combate à violência doméstica e de gênero.
Além disso, passa também por municiar a população sobre as competências e deveres dos diferentes entes políticos. Para Tavares, é ir além da democracia formal, é pensar numa democracia social. Esta segunda passa por ensinar os estudantes a participar, cobrar e entender o seu lugar como cidadãos. "A gente sempre puxa para o lado das políticas públicas, da institucionalidade, porque a alavanca para grandes mudanças sociais. Em escala, está em você entender e se apropriar da política, da importância da política”, defende Tavares.
Isso, porém, é diferente de doutrinação política, pontua Tavares. "É importante isso ser feito de forma suprapartidária, pois educação cidadã é diferente de doutrinação. A doutrinação não necessariamente é pejorativa, mas ela é de função constitucional dos partidos políticos”, explica.
Segundo Dantas, há uma diferença entre educar e doutrinar. "Educar significa construir e transmitir valores minimamente desejáveis para uma sociedade. A democracia é, indiscutivelmente, um valor desejável na sociedade brasileira”, diz. Doutrinar, segundo ele, é apresentar apenas um caminho para chegar a parte dos valores desejados pela sociedade.
O papel de um programa nacional é justamente preparar o professor para que ele não leve para dentro da sala de aula suas preferências ideológicas. Para fazer isso, entretanto, o Brasil precisa vencer o momento de polarização política atual.
"As pesquisas com professores mostram que eles não se sentem confortáveis abordando temáticas associadas à política dentro da sala de aula, não só por uma questão de falta de preparo, mas também por ameaças e insegurança. Nós precisamos, em alguma medida, arrefecer o sentimento de que existem verdades absolutas na política”, pondera Dantas.
Tavares defende que é preciso aplicar no Brasil um princípio disseminado na Alemanha, país que visitou ao ser escolhido como um "Young Global Changer" (YGC) pela Global Solutions Initiative, rede de think tanks baseada em Berlim que fornece propostas a organizações internacionais como o G20 e o G7. "Eles repetem que o que é controverso na sociedade tem que ser trazido como controverso para a sala de aula", lembra.
Iniciativas nos três Poderes
Mesmo antes de ter um programa nacional, a educação cidadã já é o mote de iniciativas de organizações dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo nacionais. A Corregedoria Geral da União (CGU), por exemplo, tem um programa de educação cidadã coordenado pela Secretaria de Integridade Pública, voltado para estudantes, professores e escolas da Educação Básica, incluindo os ensinos fundamental e médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
De acordo com o órgão, a iniciativa é realizada desde 2007 e atingiu cerca de 6,3 milhões de estudantes e 22,3 mil escolas, por meio de seis projetos diferentes. Entre os temas abordados, estão a autoestima, o combate ao bullying, a democracia, a participação social, a transparência, a preservação do meio ambiente, o combate à corrupção, entre outros.
Um dos programas mais antigos do Brasil é o "Cidadania e Justiça também se aprendem na escola”, mantido pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que nasceu no interior do Paraná, em 1993, quando o atual desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Roberto Bacellar era juiz na comarca de Umuarama.
Tudo começou por meio de uma cartilha, que ensinava direitos e deveres e como resolver conflitos, iniciativa do próprio Bacellar a pedido do ex-presidente da AMB Francisco de Paula Xavier Neto. Na época, o magistrado havia regressado da Alemanha, onde havia visto cartilhas semelhantes sendo entregues em pontos de ônibus e estações de metrô, e quis promover algo semelhante no Brasil.
Bacellar decidiu expandir a ideia, depois da sugestão de um publicitário, e levar as cartilhas para as escolas. Desde então, nunca parou. Hoje o programa já chegou a 7 milhões de crianças e a todos os estados da federação, incluindo a ida de juízes e outros funcionários do judiciário às escolas, visitas aos tribunais de justiça, produção cultural, práticas de justiça restaurativa e mediação.
O projeto também tem parcerias com outros órgãos, como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o que permite levar urnas eletrônicas que já não estão em utilização pelo sistema eleitoral às escolas. De acordo com Bacellar, um dos objetivos é também fazer com que as crianças sejam estimuladas a ver o lado positivo de cada cargo do poder, inclusive dos cargos eletivos da política.
"Eles fazem simulações, julgamentos, fazem peças de teatro. É uma coisa maravilhosa, porque daí vem a criatividade deles e eles trazem algumas coisas inovadoras”, afirma Bacellar.
O uso da criatividade dos alunos, por exemplo, já os levou a usar os ensinamentos para julgar o rio Atuba, em Curitiba, por ter entrado na casa deles. O debate abriu espaço para falar de mata ciliar, as árvores, assoreamento do rio e ocupação irregular, depois virou matéria jornalística e terminou se transformando numa ação civil pública do Ministério Público para despoluir o curso d'água.
"Eles perceberam que são agentes de transformação. Ali, para mim, despertou a cidadania. Aquelas crianças nunca mais vão ser as mesmas, né?”, diz Bacellar.

‘Mostre a todos o quão alto você é’: trend tem dois erros de matemática que distorcem realidade; entenda

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar
‘Mostre o quão alto você é’: trend tem dois erros de matemática
“Mostre a todos o quão alto você é”: essa é a proposta de uma trend que dominou as redes sociais e mobilizou até atletas da Seleção Brasileira de vôlei. O problema é que a brincadeira, apesar de divertida, tem um erro grave de… matemática.
📏Como funciona? Quem participa do "desafio" coloca uma foto de si mesmo em um gráfico no qual o eixo y (vertical) marca a altura da pessoa em centímetros. O resultado leva a comparações como esta abaixo, entre a líbero Marcelle e o central Judson Nunes:
Trend compara altura de pessoas diferentes
Reprodução/Redes sociais
➡️E qual é o erro? Veja o exemplo abaixo.
Trend tem erros de matemática que distorcem a realidade
Arte/g1
Um homem, de 1,60 m, fica com a cabeça batendo no quarto “risquinho” do eixo y.
Uma mulher, medindo 1,80 m, está posicionada na marca correspondente à sua altura no gráfico – ou seja, no oitavo “risquinho”.
Se o homem está no 4º “risco”, e a mulher, no 8º, ela, em tese, teria o dobro do tamanho dele. Mas é uma conclusão falsa! Essa diferença chocante entre os dois, ilustrada no gráfico, só seria real se as alturas fossem 1,60 m e… 3.20 m.
🔎“Seria o equivalente a um gráfico de barras, em que comparamos comprimentos. O principal é: o eixo vertical precisa sempre começar do zero. O da trend já parte de 1,40 — por isso, leva a distorções”, explica Fernanda Peres, especialista em estatística aplicada.
Neste caso da altura, é só uma brincadeira, claro. Mas é preciso ficar atento: o mesmo erro pode ser cometido propositalmente por alguém que queira manipular dados de uma pesquisa eleitoral, por exemplo.
“Em eleição, já vi candidato postando gráfico que não começa do zero e distorce a realidade”, diz Peres. “Essa alteração pode fazer com que um aumento de 2% na intenção de votos pareça algo muito maior. Se a pessoa não prestar atenção, vai ser influenciada por isso.”
E há um segundo elemento da trend que, analisando sob a ótica da matemática, também compromete o resultado. Perceba que, quando a fotinho da pessoa mais alta é colocada no gráfico, não é só na vertical que o tamanho é ampliado — na lateral, também, para a imagem não ficar deformada.
Esteticamente, sem dúvidas, fica mais harmônico. Mas imagine se fosse um gráfico de barras: comparar uma barra fininha com uma mais larga traria a impressão de uma diferença mais gritante entre os índices.
Gráfico mostra os erros matemáticos do gráfico
Arte/g1
Como ficaria o gráfico sem os erros?
Gráfico mostra proporções reais entre duas pessoas de alturas diferentes
Arte/g1
Em resumo, para a trend ficar matematicamente correta, precisaria:
ajustar a escala e começar o eixo y com zero, e não com 1,40 (se formos mais rigorosos, também podemos mencionar a necessidade de citar a unidade de medida no gráfico);
esticar a foto apenas na vertical, sem alterar sua largura.
“São detalhes que, vistos na internet, podem passar batido. Dependendo do contexto, a pessoa acaba correndo o risco de ser influenciada”, afirma a especialista em estatística. “E mais: o Enem gosta bastante de análise descritiva de gráficos.”
Se uma trend dessa cair na prova, você já sabe…
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Trend ensina a levantar pessoa com dois dedos; qual é o ‘segredo’?

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar

Matemática no Enem: veja os temas que mais caem na prova e como estudar
Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. No segundo dia de exame, os candidatos enfrentam 90 questões de múltipla escolha: 45 de matemática e 45 de ciências da natureza.
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Em 16 de novembro, no segundo final de semana de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os candidatos enfrentarão 90 questões de múltipla escolha – sendo metade delas de matemática. A prova é cansativa e pode assustar, mas merece atenção especial, já que costuma resultar em notas altas.
Professores reforçam que a melhor forma de se preparar para o Enem nessa reta final é estudar os conteúdos de maior incidência e ter uma estratégia para o dia do exame. A seguir, o g1 lista os temas mais cobrados em matemática e traz dicas de como se preparar.
🔢 Temas mais cobrados em matemática no Enem
Analisando os últimos anos do exame, levantamentos feitos pelo Curso Anglo (2019-2024) e pelo SAS Educação (2009-2024) mostram que os tópicos que mais caem no exame são:
Grandezas e medidas (razão, proporção direta e indireta, unidades de medidas, escalas)
Estatística e probabilidade (porcentagem, medidas de tendência central, análise de dados, gráficos e tabelas, análise combinatória)
Geometria plana (área, perímetro, semelhança/escala, ângulos notáveis, trigonometria no triângulo retângulo)
Geometria espacial (volume, prisma e cilindro)
Funções (de 1º e 2º grau, equações e sistemas de equações)
Sérgio Ghiu, professor e autor de matemática do Sistema de Ensino pH, resume o que esperar da prova:
"Questões contextualizadas, com forte ênfase em leitura de gráficos e tabelas, modelagem de situações do cotidiano e resolução de problemas. Isso envolve números e operações, grandezas e medidas, geometria plana e espacial, funções, estatística, probabilidade e pensamento algébrico”.
Sobre o nível de dificuldade, o professor diz que, embora possam ser observadas variações pontuais nas últimas edições, especialmente em itens mais longos ou com maior leitura, não houve rupturas no perfil tradicional da prova. “A contextualização segue forte, assim como a cobrança de raciocínio proporcional, leitura de representações e geometria operacional. Em 2024, vimos uma prova dentro do esperado", lembra.
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Na reta final de estudos e revisões, Ghiu enfatiza a orientação de “foco cirúrgico” nos temas de maior incidência, que tem maior retorno – ou seja, que rendem pontos importantes para os candidatos. Garantir questões de nível fácil e médio é mais importante, para a nota final da prova, do que investir muito tempo em um exercício difícil (entenda mais abaixo por que).
O professor sugere que o aluno resolva provas de anos anteriores, sobretudo de 2020 a 2024, no formato real, com gabarito do Inep. Depois, fazer uma análise pós-prova para mapear erros recorrentes – que podem ser compilados em um caderno de erros. “Registrar os ‘gatilhos’ que levam ao equívoco, como converter unidades, checar escalas e estimar antes de calcular", evitando a repetição de falhas.
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Para reforçar, é uma boa pedida resolver listas temáticas dos principais assuntos do exame, alternando entre eles. Ghiu aconselha que o candidato dedique de 1h a 1h30 por dia a essa frente.
🧠 Estratégias para resolver a prova de matemática no Enem
A prova é longa e exige não só domínio do conteúdo, mas também resistência e uma boa estratégia de gestão de tempo. Ghiu indica um caminho possível para quem ainda não tem um “plano de ataque” para chamar de seu. A ideia é que a prova seja feita em três passadas:
Primeira passada (60 a 70 minutos): Resolver questões mais curtas e diretas, como as de proporção e porcentagem, leitura de gráfico e funções lineares. Marcar os exercícios “cascudos” para depois;
Segunda passada (70 a 80 minutos): Resolver questões de geometria com desenho e de funções quadrática e exponencial;
Terceira passada (tempo restante): Resolver questões de estatística e probabilidade e os itens que exigirem maior leitura.
O professor enumera algumas dicas extras, como reconhecer padrões em exercícios – quando um mesmo molde pode ser aplicado em contextos diferentes. Isso agiliza a resolução, por exemplo, de questões que envolvem proporção, função, média ponderada. Em geometria, apostar em rascunhos das figuras é o segredo. “Fazer um esboço limpo e anotar dados chaves, como as unidades, reduz erros de área e volume”, exemplifica.
Também pode ajudar seguir a chamada “regra 2-2-1":
“Se após dois minutos [de resolução] o candidato ainda não destravou a ideia, e após duas tentativas o caminho segue opaco, faça uma marcação no exercício e siga para o próximo. Volte para ele no fim”, explica Ghiu.
Outro ponto é fazer uma “checagem dimensional”. “Antes do chute, confira se o tamanho/ordem de grandeza da resposta faz sentido”, alerta o professor. Isso evita erros frequentes como esquecer de converter centímetros para metros ou trocar escalas. Exemplo: Se a questão pede área, o resultado deve estar em unidades quadradas (m², cm²). Ou, se o que se busca é o volume, a resposta deve estar em unidades cúbicas (m³, cm³).
🎖️ Por que as notas médias de matemática no Enem são relativamente mais altas?
A metodologia de correção da prova, conhecida como TRI (Teoria de Resposta ao Item), considera o nível de dificuldade de cada questão e analisa o padrão de respostas do candidato – visando coerência pedagógica, ou seja, que o estudante demonstre proficiência nos assuntos abordados.
Entenda como funciona a TRI
Enem 2025: Como usar a IA para estudar na reta final (e o que evitar)
Em outras palavras, a TRI recompensa o candidato que acerta de forma consistente. Assim, o aluno que garante os itens de nível fácil e médio tira uma nota mais alta do que aquele que acerta somente itens considerados difíceis, porque a correção interpreta isso como acertos ao acaso (o famoso “chutômetro”).
O candidato que vai além e acerta as questões mais difíceis depois de garantir as fáceis e médias aumenta ainda mais sua nota na disciplina. É isso que diferencia os candidatos, em muitos casos: matemática é uma das áreas de maior impacto na nota final dos estudantes que buscam vagas em cursos concorridos como Medicina e Engenharias.