Só 20% das escolas públicas têm laboratório de ciências no fundamental II; falta de investimento leva a ‘fuga de cérebros’ e crença em fakes

Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões
Laboratório da UFTM, em Uberaba
Ana Cristina Resende Gonçalves/UFTM
Apenas 20% das escolas públicas de anos finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano) têm laboratórios de ciência à disposição dos alunos. No ensino médio, o índice não chega à metade do total de colégios (46,9%), aponta o Anuário Brasileiro da Educação Básica, divulgado nesta quinta-feira (25) pela ONG Todos Pela Educação.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, quando não há investimentos suficientes em infraestrutura nem incentivo a atividades práticas, os alunos:
passam a ter mais dificuldade de entender conceitos científicos abstratos — reforçando a tendência já registrada em avaliações recentes, como Pisa e TIMMS, em que o Brasil ficou bem abaixo da média internacional nesta área do conhecimento;
não demonstram interesse em disciplinas como física, química e biologia;
têm menor chance de optar por carreiras ligadas à ciência.
Veja, nesta reportagem, os impactos disso.
Nem metade das escolas públicas tem laboratório de ciências.
Arte: Veronica Medeiros/g1
O estudo também mostra que:
💦Itens básicos, como acesso à água potável, ligação de energia elétrica, banheiros e cozinha, estão presentes em 95% das escolas públicas. Mas a situação é crítica em estados específicos, como no Acre, em que água potável só existe em 62,9% dos estabelecimentos, e em Roraima, onde apenas 72,3% contam com banheiros.
📖As bibliotecas ou salas de leitura estão disponíveis em menos da metade (47,2%) das escolas de anos iniciais do ensino fundamental – justamente as que atendem alunos em fase de alfabetização.
🌡️Conforto térmico também aparece como algo raro: apenas 38,7% das salas de aula em uso contam com algum equipamento, como ar-condicionado.
🖥️A conectividade melhorou nos últimos anos – 95,4% das escolas públicas têm acesso à internet. Mas só 44,5% seguem os parâmetros (como velocidade de conexão) adequados para o uso pedagógico.
Desinteresse dos alunos e crença em fakes
“A forma mais atraente de ensinar um conteúdo é demonstrar as suas várias implicações e aplicações – até visuais. Quem não se fascina com experimentos, mudança de cor, formação de fumaça numa reação?", questiona Elisa Orth, secretária geral da Sociedade Brasileira de Química e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná.
“Tantos conceitos químicos, físicos e biológicos podem ser muito mais facilmente compreendidos quando combinados com experimentos práticos… É uma forma de melhorar o ensino e de incitar futuros cientistas. Um país soberano precisa disso”, diz.
E mais: o laboratório é o espaço ideal para ensinar como funciona o método científico.
“Está muito fácil, atualmente, desacreditar a ciência. As pessoas acham que basta ter uma opinião para desenvolver uma teoria. É preciso saber que tudo envolve observação, hipóteses, testes, análises e verificações. Isso ajuda a não acreditar em qualquer besteira da internet”, explica Márcia Barbosa, membro da Academia Mundial de Ciências, vice- presidente do International Science Council e reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Nem metade das escolas públicas tem laboratório de ciências.
Arte: Veronica Medeiros/g1
Sobrecarga de professores e necessidade constante de investimentos
É possível aprender ciência sem laboratório? Sim, mas caberá ao professor mais uma atribuição, dentre tantas outras que ele já tem: desenvolver experimentos e aplicações práticas que sejam de baixo custo e que possam ser executados na própria sala de aula.
“A falta de laboratórios prejudica o repertório de recursos para os professores ensinarem — e dificulta o engajamento dos jovens”, diz Manoela Miranda, gerente de Políticas Públicas do Todos pela Educação.
Rafaela Lima, docente da rede pública do Rio de Janeiro e youtuber do canal Mais Ciências, diz que a solução é tentar usar outros recursos de apoio.
“A gente acaba tentando suprir essa limitação com vídeos, simuladores e animações, para que o aluno consiga vislumbrar um pouco mais o conteúdo na prática”, diz.
Ela também destaca a importância de, nas escolas que já dispõem de laboratório, haver um investimento constante na estrutura e na compra de suprimentos.
“Eu trabalho, por exemplo, num colégio público muito antigo, que até tem o espaço, mas só com equipamentos de 20-30 anos atrás. Alguns itens são permanentes, como modelos do corpo humano e vidros. Mas é necessário comprar reagentes e outros produtos. Nosso laboratório está quase sem uso há muito tempo”, conta.
Nem metade das escolas públicas tem laboratório de ciências.
Arte: Veronica Medeiros/g1
Quem vai querer ser cientista?
É possível que o aluno, em uma aula prática instigante, entenda melhor a teoria e abandone a ideia de que as disciplinas científicas são “impossíveis”.
“Há inúmeros preconceitos — por exemplo, que [ciência] é coisa de homem ou que só quem tem notas altas pode seguir esse caminho. Então, ao dar a oportunidade para o estudante ter contato com laboratórios de ciências ainda nessa fase inicial de formação, pode conseguir instigá-lo e inspirá-lo antes que ele passe a odiar química e física”, diz Elisa Orth.
Como consequência, o aluno terá mais chance de seguir uma carreira ligada a esses campos de conhecimento.
➡️Márcia, da UFRGS, diz que o Brasil já enfrenta um apagão de engenheiros.
“É preciso mostrar aos jovens que eles podem, sim, fazer um experimento e entendê-lo. Isso não é algo exclusivo de países no exterior. Eu mesma só me senti atraída pela ciência porque tive contato com ela no ensino médio e passei noites ajudando a montar o laboratório da escola", afirma. "Mas pegar na mão do estudante e ajudá-lo exige recursos”, afirma.
E Elisa ainda acrescenta que isso“não é gasto, é investimento com inúmeras consequências” positivas.
“Ter aula de laboratório na escola não serve apenas para formar futuros cientistas — o que é fundamental —, mas também para formar futuros cidadãos.”
Como a química e a matemática ajudam a medir as calorias de um alimento?

Linguagens no Enem: veja os temas que mais caem na prova e dicas para uma melhor interpretação

Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões
Enem 2025: No primeiro dia de prova, candidatos resolvem 90 questões, divididas entre Ciências Humanas e Linguagens, além da redação.
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Em 9 de novembro, quem prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 terá 5 horas e 30 minutos para responder a 90 questões de múltipla escolha, divididas entre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas, além da redação.
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O bloco de Linguagens reúne conteúdos de português, literatura, línguas estrangeiras, artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação (TIC). Professores adiantam ao g1 que a prova é interdisciplinar, contextualizada e privilegia a interpretação de textos.
🔠 Temas de Português mais cobrados no Enem
Levantamentos do Curso Anglo (2019-2024) e do SAS Educação (2009-2024) mostram que os temas de português que mais apareceram em edições anteriores da prova são:
Interpretação de texto (competência leitora, apreensão de sentido, análise do discurso)
Gêneros textuais (estrutura, finalidade e contexto de produção)
Literatura brasileira (Machado de Assis, Drummond, Clarice Lispector e modernismo)
Uso e funcionamento da língua (gramática, coesão e coerência, variação linguística, semântica e estilística)
Impacto e função das TIC; mundo digital
"O Enem valoriza a leitura crítica e cobra o uso prático da língua", tranquiliza Heric José Palos, coordenador de Português do Curso Etapa.
Enquanto mais de 70% da prova corresponde às competências de interpretação, o repertório teórico ajuda a identificar o que determinado exercício está cobrando.
"Além da interpretação, é importante reforçar pontuação, concordância, regência, uso de pronomes, funções da linguagem, coesão e coerência textual, além de noções de variação linguística", recomenda Palos.
Outro ponto bastante explorado pela prova é a relação entre linguagem verbal e não verbal – como gráficos, tabelas, tirinhas e charges. Para interpretá-los bem, preste atenção em todas as informações disponíveis: título, legendas, escalas, elementos visuais e demais dados.
Ao relacionar texto e imagem, é preciso estar pronto para "captar ironias, críticas e sentidos implícitos", destaca Vanessa Botasso, coordenadora de Redação do Poliedro Curso Campinas.
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A interdisciplinaridade, característica forte do Enem, não fica de fora aqui. Os itens trazem assuntos atuais ligados a tecnologia e sociedade, uso das redes sociais, diversidade cultural, problemas ambientais, direitos humanos, inclusão e respeito às diferenças, diz a professora.
O aluno "deve acompanhar debates e suas representações na mídia", buscando construir repertório amplo. A indicação também vale para as outras áreas do conhecimento cobradas pelo exame, principalmente redação.
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➡️ A estratégia de estudo indicada é a mesma de outras disciplinas: resolver questões de provas anteriores, cronometrando o tempo. É uma maneira eficiente de "treinar leitura rápida e interpretação crítica, além de manter contato com diferentes gêneros textuais", diz o professor.
Para a redação, além da escrita propriamente dita, a dica é que o candidato faça a leitura e análise de redações nota mil.
No dia da prova, o "plano de ataque" pode ser "fazer uma leitura rápida para localizar questões familiares e mais curtas, que devem ser prioridade", reforça Vanessa. Gráficos e textos longos podem ficar para mais tarde, e questões difíceis devem ser puladas, sempre marcando dúvidas para revisar antes de preencher o gabarito.
⏰ Lembre-se que o tempo de prova será "disputado" com mais 45 exercícios de Ciências Humanas e a redação: a professora recomenda que o aluno reserve pelo menos 1h20 para a produção do texto, preferencialmente no início da prova.
📖 Literatura no Enem
Diferente de outros vestibulares, o Enem não é uma prova com lista de leituras obrigatórias – mas tem, sim, alguns favoritos. A disciplina aparece "integrada à cultura e à história, cobrando reconhecimento de estilos de época, características de gêneros e temas sociais", observa Palos.
Alguns autores recorrentes no exame são Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Guimarães Rosa e autores contemporâneos. Os professores também recomendam estudar modernismo, romantismo e realismo, e estar atento a manifestações culturais populares, como cordel e música popular brasileira.
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🗣️ Línguas estrangeiras no Enem: qual escolher?
O exame conta com apenas cinco questões de língua estrangeira – as duas opções aparecem no caderno de prova, e o candidato deve escolher somente uma para responder: Inglês ou Espanhol.
➡️ Opte por Inglês se for o idioma "com o qual teve mais contato ao longo de seus anos escolares e eventuais cursos preparatórios", orienta Mariana Billia, coordenadora de Inglês do Etapa. "Se você se sente mais seguro com o vocabulário e as estruturas do inglês, essa é a escolha mais sensata. Os falsos cognatos, que são poucos, não devem ser um impeditivo".
➡️ Opte por Espanhol se "tiver conhecimento do idioma, pelo menos no nível instrumental, ou não possuir familiaridade com o inglês", pondera Vivian Motta, coordenadora de Espanhol do Etapa. Para quem não domina nenhum dos dois, escolher o espanhol traz a chance de acertar algumas questões, "já que brasileiros escolarizados costumam ter capacidade mínima para ler e interpretar um texto no idioma".
Inglês
"A prova não exige fluência; o foco está na capacidade de compreender a mensagem central de diferentes gêneros textuais", ressalta Mariana.
A interpretação exigida na prova é de nível prático. Assim, a maior preocupação não deve ser com gramática avançada: o segredo é adotar uma estratégia de leitura eficiente, focada na conexão precisa entre o enunciado, o texto e as alternativas, diz a professora.
"Ler primeiro o comando, para entender se ele pede uma ideia geral ou um detalhe específico. Isso direciona sua atenção para a informação que realmente precisa ser encontrada no texto, economizando tempo e evitando distrações", explica.
Espanhol
A orientação para as questões de Espanhol segue a mesma linha: a compreensão de textos de diferentes gêneros é a essência. A gramática, ainda que seja um recurso importante, não aparece de maneira isolada, ressalta Vivian Motta.
"Dedique tempo à leitura de materiais atuais, como artigos jornalísticos e literários que abordam questões contemporâneas e temas ligados à diversidade cultural", recomenda a professora.
Vivian acrescenta que o aluno pode dedicar um tempo para adquirir conhecimento básico sobre autores e obras de destaque da literatura hispânica, como Eduardo Galeano, Mario Benedetti, Julio Cortázar, Miguel de Cervantes, Isabel Allende e Jorge Luis Borges.
"Muitas séries e filmes em espanhol – disponíveis nas plataformas de streaming – são releituras de obras literárias relevantes ou tratam de temas muito presentes na sociedade. Explorar esses recursos é uma ótima estratégia para ampliar a compreensão da língua, enriquecer o repertório cultural e fortalecer a preparação para a prova", indica a professora.
🎨 Artes e educação física no Enem
Artes e educação física aparecem na prova de Linguagens geralmente em questões interdisciplinares, abordando temas como movimentos artísticos – modernismo, barroco, impressionismo –, leitura de obras, esporte, corpo, saúde, lazer e cidadania, elenca Vanessa Botasso, do Poliedro.
O levantamento do SAS Educação destaca itens relacionados à Idade Contemporânea, compreensão do papel social da arte, contextos históricos, resistência e identidade. Já as questões que englobam educação física trazem discussões como corpo, atividade física e promoção da saúde nas várias faixas etárias, além da conceituação de jogos, brincadeiras e esporte.

‘Academia LED’: estudantes de Comunicação podem ganhar até R$ 10 mil para produzirem reportagens; veja quem pode participar

Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões
Academia LED – Jornalismo Globo na Universidade lança edital no Recife
Estudantes matriculados em cursos de graduação em Comunicação podem concorrer a prêmios de R$ 10 mil para produzirem reportagens. A premiação faz parte da edição Nordeste da Academia LED – Jornalismo Globo na Universidade.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até as 23h59 do dia 31 de outubro no site do Movimento LED. Podem participar estudantes maiores de 18 anos, com vínculo ativo nos cursos Jornalismo, Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Estudos de Mídia ou Rádio e TV.
O tema desta edição é ‘Inovação nas cidades: onde o Nordeste se reinventa’, e os participantes devem propor pautas que destaquem soluções criativas, inteligência coletiva e iniciativas locais que inspiram o Brasil.
Ao todo, serão 10 alunos premiados, e cada um levará R$ 10 mil. A seleção será feita em quatro etapas, com avaliação técnica e banca de profissionais da Globo.
Para se inscrever, além de preencher um formulário, é preciso enviar:
uma descrição da pauta (até 2.000 caracteres) relacionada com a temática ‘Inovação nas cidades: Onde o Nordeste se reinventa’;
um vídeo de até 1 minuto defendendo a proposta;
hipóteses a investigar e fontes previstas;
referências de base para a apuração;
indicação do formato (texto, vídeo, podcast, etc.);
documento que comprove o vínculo acadêmico.
Os selecionados para participar do projeto também vão fazer uma imersão de uma semana na redação da Globo e mais três dias em uma afiliada local. Os conteúdos desenvolvidos serão publicados em plataformas da Globo.
Lançamento do edital
A apresentadora do Fantástico, Poliana Abritta, participou do lançamento do edital da 'Academia LED', no Recife
Reprodução/TV Globo
O edital do projeto, que está na sua segunda edição, foi lançado na terça-feira (23) durante uma aula aberta realizada na Universidade Católica de Pernambuco no Recife.
O evento contou com a participação da jornalista Poliana Abritta, apresentadora do Fantástico; da repórter Bianka Carvalho e do apresentador Márcio Bonfim, que são jornalistas da Globo Pernambuco.
Para a estudante Malu Rocha, que participou do evento, poder escutar os jornalistas falarem sobre suas trajetórias é uma forma de complementar sua formação.
"Esta aqui é um divisor de águas nas nossas vidas de estudante e aqui eu pretendo aumentar os meus conhecimentos e dar um 'up' na vida jornalística. […] Eu estou concluindo e pretendo fazer minha pós-graduação na área investigativa", contou Malu à TV Globo.
Bianka Carvalho destacou a importância da inovação na formação do jornalismo durante o lançamento do edital da 'Academia LED'
Reprodução/TV Globo
A apresentadora do Fantástico, Poliana Abritta, falou sobre a importância de aliar prática com teoria que o projeto do Movimento LED traz aos estudantes.
"Quando a gente se reúne para um bate-papo em que a gente vai interagir, eu acho que sai tanta coisa, aflora tanta coisa, que, às vezes, a gente se surpreende mais do que a gente entrega. Quando eu estava na universidade, se eu tivesse tido a chance de um projeto como esse, eu mergulharia de cabeça. A vida acadêmica, aliada à vida prática, dá a chance do futuro jornalista de experimentar o melhor dos dois mundos", declarou Poliana.
Após passar pelo estado, a iniciativa segue para a Bahia e o Ceará. Bianka Carvalho também vai participar do lançamento em Fortaleza.
"É muito massa participar de um encontro como esse porque aqui está tudo muito fresco. Inovação que a gente hoje, no mercado, aprende e tenta aplicar, esses meninos já nasceram com isso, com inovação no pensamento, faz parte do DNA deles. E agora está fazendo do nosso", disse Bianka.
O jornalista Márcio Bonfim, que apresenta o NE2, destacou o compromisso com o jornalismo sério e responsável que os futuros profissionais de comunicação precisam ter.
"Essa é uma oportunidade que a Globo traz de nós, profissionais de televisão, do vídeo, vir para cá para encontrar com esses jovens, para gente conversar um pouco. E o que eu levo? Eu levo vários sorrisos, olhares com muita esperança da nossa profissão. Eu acredito no jornalismo sério, no jornalismo de credibilidade, no nosso trabalho para informar as pessoas", declarou Márcio Bonfim.
Márcio Bonfim destacou a importância do jornalismo sério durante a aula de lançamento do edital da 'Academia LED'
Reprodução/TV Globo
Próximas aulas no Nordeste
A programação das aulas abertas segue na quinta-feira (25), em Salvador, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com os jornalistas Andreia Silva, Vanderson Nascimento, do Bahia Meio-Dia, e Maurício Ferraz, do Fantástico.
Em seguida, o evento será realizado em Fortaleza, na segunda-feira (29), na Universidade de Fortaleza (Unifor), com Bianka Carvalho, da Globo Pernambuco; Aline Oliveira, da TV Verdes Mares; e Sonia Bridi, repórter especial do Fantástico.
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Universidade federal abre 80 vagas de Medicina exclusivas para sem-terra e quilombolas; entidades criticam falta de isonomia

Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões
Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fica em Caruaru
UFPE/Divulgação
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aplicará, em 5 de outubro, uma prova que selecionará 80 alunos para uma turma de Medicina formada exclusivamente por pessoas sem-terra e quilombolas.
➡️A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Educação para Áreas da Reforma Agrária (Pronera) — existente desde 1998 para estimular a educação no campo. É a primeira vez que essa política pública oferta vagas em Medicina (os cursos em andamento, até então, eram em áreas como pedagogia da terra, direito, agronomia, engenharia agrícola, medicina veterinária e zootecnia).
Entidades médicas protestaram contra a criação de 80 vagas reservadas apenas para beneficiários do Pronera, que são:
assentados;
acampados cadastrados pelo INCRA;
quilombolas;
educadores do campo;
egressos de cursos do INCRA
e integrantes do Programa Nacional de Crédito Fundiário.
"A criação de um processo seletivo exclusivo, paralelo ao sistema nacional, sem utilização do Enem e do Sisu [Sistema de Seleção Unificada] como critérios de acesso, afronta os princípios da isonomia e do acesso universal, além de comprometer a credibilidade acadêmica e representar um precedente grave e perigoso para a educação médica no Brasil", afirmam, em nota, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), o Sindicato dos Médicos, a Associação Médica de Pernambuco e a Academia Pernambucana de Medicina.
Diante das críticas, a UFPE afirma que as vagas oferecidas pelo Pronera são extras e não afetam em nada aquelas ofertadas usualmente no Sisu.
A instituição também reforça que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) "dá autonomia universitária para definir o número de vagas, incluindo a abertura de vagas supranumerárias, especialmente quando destinadas a políticas públicas específicas". A possibilidade da criação de oportunidades extras também é prevista pelo Ministério da Educação (MEC).
Abaixo, veja como funcionará o processo seletivo para as 80 vagas de sem-terras e quilombolas:
✏️Na ampla concorrência, podem participar candidatos de fora do Pronera?
Não. O edital deixa claro que apenas beneficiários do Pronera poderão concorrer a essas 80 vagas. Metade delas será reservada para cotas (ex-alunos de escola pública, pessoas de baixa renda, pretos, pardos e pessoas com deficiência).
✏️Como funciona a seleção?
As inscrições, gratuitas, ficaram abertas de 10 a 20 de setembro de 2025. Quem enviou os documentos para comprovar a associação ao Pronera terá de:
fazer uma prova de redação presencial (peso 6), em 5 de outubro, com tema ligado à questão agrária, à educação do campo ou à saúde da população rural;
apresentar o histórico escolar (notas de Português, Biologia e Química do Ensino Médio; peso 4).
✏️Quando saem os resultados?
26/09/25: resultado da análise das comissões (PcD e heteroidentificação)
30/09/25: inscrições homologadas
05/10/25 – prova de redação
14/10/25: resultado preliminar
16/10/25: resultado final
✏️Quando começam as aulas?
Em 20 de outubro de 2025, no campus da UFPE em Caruaru, no turno integral (manhã e tarde).
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Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões

Ciências Humanas no Enem: veja os tópicos mais cobrados e abordagem das questões
Enem 2025: Primeiro dia de exame é em 9 de novembro. Candidatos resolvem 90 questões, divididas entre Ciências Humanas e Linguagens, além da redação.
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No primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, em 9 novembro, os candidatos deverão responder a 90 questões de múltipla escolha, divididas entre Linguagens e Ciências Humanas, além da redação. Na contagem regressiva para a prova, professores orientam reforçar os tópicos mais recorrentes, sempre de olho em como são abordados.
Confira abaixo os temas de história, geografia, filosofia e sociologia que mais caem no Enem – a lista tem como base edições anteriores do exame, a partir de análises do Curso Anglo (2019-2024) e do SAS Educação (2009-2024). O g1 também reuniu dicas de professores para cada disciplina.
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🧾 Como é a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias no Enem
O aluno que vem se preparando para o Enem sabe que interpretação de texto é a principal habilidade para resolver a prova – e conta muito no bloco de Humanas. As questões podem vir também acompanhadas de imagens, gráficos, tabelas e mapas, exigindo uma boa capacidade de análise, ressalta Thomas Wisiak, coordenador de História do Curso e Colégio Etapa.
"O foco da prova de Ciências Humanas não é o domínio de conteúdo em si, mas saber lidar com o conhecimento adquirido no Ensino Médio para identificar e compreender problemas e seus respectivos contextos, apontando causas, consequências e possíveis soluções", diz o professor.
Rodrigo Magalhães, professor de Geografia e diretor do Colégio e Curso AZ, também atenta para o volume de leitura no primeiro dia de exame. Para economizar tempo, ele recomenda que, antes de tudo, o aluno leia o enunciado do exercício com atenção e identifique o comando. Em seguida, poderá ler o texto de apoio de forma direcionada e analisar as alternativas com mais precisão, sem precisar voltar ao texto várias vezes.
➡️ Questões interdisciplinares: O diálogo entre conteúdos é uma característica do Enem, presente em especial na prova de humanas, destaca Magalhães. "Aparecem, por exemplo, itens que relacionam aspectos geográficos a momentos da história. Sociologia também pode vir associada às outras disciplinas, em questões sobre grupos e movimentos sociais na história, ou com conceitos ligados a desigualdade e segregação socioespacial".
➡️ Atualidades: Embora a prova seja elaborada a partir de um banco de questões, com muitos itens criados anos antes, ainda podem surgir temas atuais, mas não necessariamente imediatos. Magalhães explica a abordagem: "É interessante entender o que está acontecendo na geopolítica mundial, a relação com a ONU e os conflitos que se arrastam há alguns anos, como na Faixa de Gaza ou entre Rússia e Ucrânia. E até o contexto brasileiro: quando pensamos em política e sociedade, questões de filosofia e sociologia podem abordar isso", ressalta o professor.
"Dificilmente o Enem pergunta sobre o que está acontecendo agora. As questões são feitas com antecedência, e o mundo muda muito rápido. Mas, muitas vezes, essas questões se relacionam com alguma causa ou fato histórico, que explicam o que levou até ali", explica.
Wisiak recomenda que o estudante acompanhe análises e discussões publicadas na imprensa sobre grandes temas da atualidade, variando as fontes em busca de diferentes perspectivas. "Temas com maior influência costumam ser ciência, tecnologia, meio ambiente natural, direitos humanos, migrações, conflitos internacionais e nova ordem mundial", destaca.
🏛️ Temas de história mais cobrados no Enem
História do Brasil: Brasil Colônia (trabalho escravo, ciclos econômicos do açúcar, ouro e café), Brasil Império (Independência e Segundo Reinado), Primeira República (República Velha), Abolição, Era Vargas, Ditadura Militar e redemocratização
História Contemporânea: Era das Revoluções (Francesa e Industrial), Guerras Mundiais, Guerra Fria, Neocolonialismo e regimes totalitários
História geral: Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), Idade Média (feudalismo, Igreja e Cruzadas) e Idade Moderna (Renascimento, Reforma, Iluminismo e Grandes Navegações)
Movimentos sociais e historiografia: História e cultura afro-brasileira e indígena, lutas por direitos, diversidade sociocultural; memória e patrimônio
Luiz Carlos Rodrigues, consultor pedagógico e professor de História do SAS Educação, explica que a disciplina aparece de forma cada vez mais contextualizada na prova. Os exercícios não se limitam à memorização de nomes e datas: também exigem leitura crítica das fontes históricas.
"O importante não é decorar, mas compreender. Mais do que fatos isolados, o que se busca é a noção de processo histórico: entender causas, consequências, permanências e mudanças. A ponte entre passado e presente é frequente. Muitas vezes, o estudante é convidado a analisar o mundo atual à luz da História, com olhar crítico sobre a sociedade em que vive", diz Rodrigues.
O professor acrescenta que essa análise deve ser feita com distanciamento. "O estudante precisa ser capaz de distinguir opinião de fato histórico e relacionar fontes visuais, como charges, pinturas e mapas, ao contexto em que foram produzidas. Ou seja, entendê-los como expressões de uma época, e não como verdade absoluta", recomenda.
➡️ Paralelos históricos: O Enem costuma cobrar conexões entre História Geral e do Brasil. Rodrigues destaca algumas: O Iluminismo europeu, por exemplo, aparece ligado à Independência e às primeiras Constituições; a Revolução Industrial, à escravidão, ao café e à economia nacional. Também são comuns correlações com a África (escravidão, tráfico negreiro, cultura afro-brasileira) e com os Estados Unidos (Doutrina Monroe, Guerra Fria e seus reflexos na política externa e na Ditadura Militar).
➡️ Conteúdos ligados à atualidade também são destacados pelo professor, como ditaduras, democracia, direitos humanos e desigualdade social. "Lembre-se de que o norteador da leitura é sempre o universo ético, nunca o moral", pondera. Ou seja, ler a partir de critérios universais, e não valores pessoais.
Enem 2025: Como usar a IA para estudar na reta final (e o que evitar)
🗺️ Temas de geografia mais cobrados no Enem
Urbanização, industrialização e desenvolvimento econômico: mundo do trabalho, transportes, comércio, mobilidade, segregação e outros fenômenos
Geografia agrária e meio ambiente: agricultura, pecuária e outras atividades econômicas, conflitos de terras, uso do solo e impactos humanos na natureza
Geografia física: clima, vegetação, relevo, solos, recursos hídricos, energia; cartografia e interpretação de mapas
Globalização, geopolítica e relações internacionais: fronteiras, fluxos migratórios, blocos econômicos, disputas territoriais, distribuição de riqueza, demografia, mudança climática
Para Rodrigo Magalhães, um tema que exige cuidado é geografia física. "São assuntos bem conceituais e que vão exigir que o aluno de fato conheça o conteúdo", diz. Em questões focadas em Brasil, espaço agrário e espaço urbano devem ser priorizados.
"A prova exige pensar na dinâmica da cidade – nas desigualdades, na segregação socioespacial – e também nas questões do campo – o avanço do agronegócio, a concentração de terras, como isso impacta o meio ambiente", exemplifica.
➡️ Meio ambiente, um tema favorito do Enem, não aparece somente na prova de Ciências da Natureza. "Nossa relação, como sociedade, com a natureza, tanto no sentido das atividades de conservação quanto das ações predatórias", destaca Magalhães.
➡️ Crise da globalização é outro ponto de atenção. "O assunto está em voga, com os nacionalismos cada vez mais fortes, tarifas, fechamento de fronteiras. Isso vai, justamente, contra todo o processo de globalização que vivemos nos últimos anos", acrescenta o professor.
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💭 Filosofia e sociologia no Enem: qual a abordagem?
Geralmente, os alunos acabam priorizando os estudos de geografia e história, deixando temas de filosofia e sociologia em segundo plano. Por isso, saber o conteúdo dessas disciplinas (que, inclusive, aparecem muito em itens interdisciplinares) pode diferenciar o candidato na hora do exame.
"O Enem privilegia a interpretação crítica e a aplicação conceitual em vez da 'decoreba'. A memorização, porém, não é descartada: funciona como um vocabulário conceitual que deve ser reconhecido e aplicado ao caso do enunciado", diz Gregor Castro Erbiste, editor de avaliações do SAS Educação.
Filosofia
Filosofia política e contrato social
Moral, ética e justiça
Filosofia antiga (Pré-socráticos, Sócrates, Platão, Aristóteles)
Filosofia moderna (Racionalismo, Empirismo, Idealismo alemão)
Filosofia contemporânea (Existencialismo, Escola de Frankfurt)
Epistemologia e Filosofia medieval
✅ Para quem precisa otimizar tempo na reta final, Erbiste indica revisar conceitos-chave como contrato social (Hobbes, Locke e Rousseau), virtude e prudência (Aristóteles), dever e autonomia (Kant), método e dúvida (Descartes) e a crítica da indústria cultural (autores de Frankfurt).
Nos últimos anos de Enem, tópicos sobre política e ética se mantêm no topo, mas há movimentos notáveis: "Cresce a presença de Epistemologia (verdade, método, critérios de conhecimento) e de Filosofia medieval (fé-razão, lei natural, Agostinho e Tomás de Aquino), enquanto Descartes perde um pouco de espaço", aponta Erbiste.
➡️ Dica de estudo: "Em Filosofia, ter vantagem significa interpretar bem e aplicar conceitos a situações concretas. Vale treinar a leitura de excertos, charges, notícias e dados, sempre perguntando: 'Qual conceito filosófico está envolvido nesse problema?' e 'Como esse conceito se articula às dimensões sociais presentes no enunciado?'"
Sociologia
Cidadania, direitos e deveres
Democracia e movimentos sociais
Estado e política
Trabalho e desigualdade
Cultura, mídia e indústria cultural
Identidade e diversidade
Erbiste destaca que, nas últimas edições da prova, cresceu a presença de temas como identidade e diversidade (marcadores como raça, gênero e sexualidade) e discussões sobre trabalho, cultura e sociedade (precarização, socialização e interseccionalidades). Itens sobre desigualdade e políticas públicas, e dilemas da sociedade contemporânea (vigilância, desinformação e tecnopolítica) também seguem em alta.
➡️ Nas revisões, novamente, o foco deve ser em conceitos-chave como cidadania, esfera pública, estratificação e mobilidade, socialização, indústria cultural e opinião pública, buscando conhecer os pensamentos de autores estruturantes – lista que inclui Marx, Durkheim, Bourdieu, Habermas, Adorno, Stuart Hall, Nancy Fraser e Bauman, entre outros