Metanol x etanol: qual é a diferença e por que há risco de envenenamento

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Quais são os sintomas da intoxicação causada por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas
Mortes registradas após o consumo de bebida alcoólica adulterada em cidades do estado de São Paulo fizeram muita gente se perguntar: afinal, qual a diferença entre etanol e metanol?
Bebidas alcoólicas contêm etanol. Esse é o mesmo álcool encontrado, em concentrações diferentes, em produtos de uso doméstico, combustível e antissépticos.
O metanol também é um álcool, com características bem parecidas às do etanol. Ambos são incolores, inflamáveis e têm cheiros semelhantes. Mas a estrutura química deles são diferentes, e isso faz com que o metanol seja extremamente impróprio para consumo.
Fórmulas químicas do etanol e metanol
Os dois álcoois possuem as seguintes fórmulas químicas:
Etanol: C₂H₆O
Metanol: CH₃OH
Enquanto o etanol tem dois átomos de carbono, o metanol possui apenas um. Esse único átomo de carbono faz toda a diferença e transforma o metanol no "álcool do mal" quando ingerido.
O átomo extra de carbono no metanol o torna muito mais tóxico do que o etanol e faz com que ele seja processado de maneira diferente em nossos corpos.
Como metanol e etanol são utilizados
Apesar de não ser seguro para consumo humano, o metanol tem diversas aplicações legítimas na indústria.
Ele é usado na fabricação de formaldeído (o famoso formol), ácido acético, tintas, solventes e plásticos, e está presente em produtos como anticongelantes, limpa-vidros e removedores de tint
Também já foi utilizado como combustível em carros de corrida e pequenos motores, mas em condições seguras e controladas.
No Brasil, uma das principais funções do metanol é servir de matéria-prima para a produção de biodiesel, em um processo químico chamado de transesterificação.
Fora disso, ele não deve ser comercializado diretamente para consumo humano ou adicionado em grande escala a combustíveis comuns.
O etanol também é muito versátil, o que lhe permite aplicações diversas de acordo com as variações de concentração.
<20% → bebidas leves (vinhos e cervejas).
20% a 50% → bebidas fortes (destilados, licores), cosméticos (perfumes, tônicos).
70% → antissépticos de pele e superfícies.
95% a 99% → combustível, usos laboratoriais e de indústria.
Como o metanol e o etanol são metabolizados no corpo
O que torna o metanol tóxico é a maneira que ele é metabolizado, ou decomposto, em nossos corpos.
O etanol é metabolizado em um composto químico chamado acetaldeído. O acetaldeído é tóxico, mas é rapidamente convertido em acetato (também conhecido como ácido acético, encontrado no vinagre). Gerar um ácido pode parecer ruim, mas o acetato, na verdade, produz energia e cria moléculas importantes no corpo.
Em contrapartida, o metanol é metabolizado em formaldeído, um produto químico utilizado em colas industriais e para embalsamar cadáveres, por exemplo. E, em seguida, em ácido fórmico – o produto químico presente em algumas picadas de formiga que causa tanta dor.
Ao contrário do acetato, que o corpo utiliza, o ácido fórmico envenena as mitocôndrias, que são as centrais energéticas das células.
Como resultado, uma pessoa exposta ao metanol pode entrar em acidose metabólica grave, que é quando há acúmulo excessivo de ácido no corpo.
O envenenamento por metanol pode causar náuseas, vômitos e dor abdominal. A acidose causa então depressão do sistema nervoso central, o que pode fazer com que as pessoas com envenenamento por metanol fiquem inconscientes e entrem em coma, além de causar danos à retina, levando à perda da visão. Isso ocorre porque as retinas são repletas de mitocôndrias ativas e sensíveis a danos.
A morte não é inevitável se apenas uma pequena quantidade de metanol tiver sido consumida, e o tratamento rápido reduzirá significativamente os danos.
No entanto, podem ocorrer danos permanentes à visão mesmo em doses não letais se o tratamento não for administrado rapidamente.
O que envolve o tratamento?
O tratamento consiste principalmente em cuidados de suporte, como intubação e ventilação mecânica para ajudar o paciente a respirar.
Mas também pode envolver medicamentos como o fomepizol (que inibe a geração de ácido fórmico tóxico) e diálise para remover o metanol e seus metabólitos do corpo.
*Com informações do The Conversation Brasil.
Bebidas contaminadas com metanol foram responsáveis pela morte de duas pessoas em São Paulo, uma terceira morte está sendo investigada.
Reprodução/TV Globo/Fantástico

Miguel, Rafael e Gabriel, os anjos que são reverenciados em três diferentes religiões

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Afresco atribuído a Giotto mostra São Francisco tendo a visão de um anjo
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Na Bíblia, os anjos aparecem sempre que há a necessidade de narrar alguma comunicação divina ao ser humano. Na tradição popular, cada um tem o seu, como um protetor, um segurança pessoal. Nas artes, pintores e escritores muitas vezes os retrataram e os incluíram em suas obras.
Literalmente, a palavra "anjo" significa "mensageiro". "Vem do latim 'angelus' que, por usa vez, deriva do grego 'ángelos', e esta é a forma helênica usada para traduzir [do Antigo Testamento] o termo hebraico 'malakh', que significa mensageiro", explica à BBC News Brasil o teólogo Kenner Terra, pastor da Igreja Batista de Água Branca, doutor em ciências da religião e autor do livro Coragem para Ser.
Terra completa que a figura se refere à "alguém que transmite algum comunicado". "Nas tradições judaica e cristã antigas, anjos são mensageiros e agentes celestial a serviço de Deus", afirma.
Nos textos que compõem a Bíblia, esses seres aparecem cumprindo diversas funções: participam de guerras, integram exércitos celestiais, protegem pessoas e povos, levam mensagens divinas, cumprem os desígnios de Deus, organizam o cosmos e articulam as estações do ano.
"Os anjos são criaturas puramente espirituais, criadas por Deus, dotadas de inteligência e vontade livre, cuja finalidade é servir ao Senhor", define à BBC News Brasil o teólogo, escritor e padre católico Alex Nogueira, autor do livro Bom Dia, Meu Deus, e reitor do Seminário de Teologia Divino Mestre.
"Algumas classes de anjos também possuem a especialíssima missão de auxiliar os homens no caminho da salvação. Eles são mensageiros de Deus e, embora invisíveis, estão constantemente presentes na história da salvação, desde o Antigo Testamento até a missão de Cristo e da Igreja."
"A figura de alguém que é anunciador e que muitas vezes aparece como provedor está presente em várias outras culturas religiosas", contextualiza à BBC News Brasil o pesquisador de textos sagrados Thiago Maerki, associado da Hagiography Society, dos Estados Unidos.
Cristianismo
Gravura do século 19 traz Dante e Beatriz, em referência à Divina Comédia, com anjos no Paraíso, em ilustração de Gustave Doré
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Na tradição cristã, diversos pensadores buscaram teorizar a respeito dos anjos — existe até um ramo da teologia denominado angeologia. No final do século 5 ao início do século 6, um filósofo que se identificava pelo pseudônimo de Dionísio, o Areopagita — em referência a um convertido de Atenas mencionado em texto bíblico do apóstolo Paulo — escreveu obras que se tornaram pilares para o entendimento acerca dessas criaturas.
"Ele foi um dos pioneiros a propor um sistema, uma hierarquia específica para os anjos", diz Maerki. "Sua classificação acabou se tornando a mais conhecida."
Dionísio buscou organizar a crença e estabeleceu uma hierarquia divina para os anjos. Segundo seu pensamento, seriam nove as ordens angélicas. No topo, estariam os serafins, seguidos pelos querubins e pelos tronos. Então viriam as dominações, as virtudes e as potestades. Por fim, os principados, os arcanjos e os anjos. Ele explicava que essa organização não se referia a uma pretensa superioridade — todos gozariam de igual importância. Essa hierarquia explicava quais estariam mais próximos de Deus.
Oficialmente, a Igreja Católica determina que o dia 29 de setembro é o dia dos arcanjos. Que seriam três: Gabriel, Miguel e Rafael. No dia 2 de outubro, por sua vez, é a festa dos Santos Anjos da Guarda.
"A terminologia arcanjo vem do grego e significa 'anjo principal' ou 'chefe dos anjos'", conta à BBC News Brasil o escritor e pesquisador J. Alves, autor do livro Os Santos de Cada Dia. De acordo com ele, os arcanjos seriam os "enviados por Deus para cumprir uma missão na história da salvação".
Segundo o Evangelho, é Gabriel, por exemplo, que aparece para Maria anunciando a ela sua gravidez de Jesus.
Alves ensina que ao longo do séculos de cristianismo, teólogos se dedicaram a explicar quais seriam as funções de alguns anjos. Assim, ficou consolidado que Miguel seria o "guardião do povo de Deus e guerreiro contra o mal". Gabriel, o "mensageiro da força de Deus, aquele que anuncia os mistérios da encarnação". E Rafael, o "médico e consolador, expressão da misericórdia divina".
Outras crenças
Apesar de ser uma crença muito forte no meio cristão, sobretudo no católico, os anjos não são figuras que nasceram nessa religião — e não são exclusividade da fé de seus praticantes.
"A crença na existência dos anjos é comum, mas a dimensão litúrgica e devocional, como festas próprias, orações específicas e invocação dos arcanjos é muito mais característica do catolicismo", situa Nogueira.
Mas começou muito antes. "A crença em anjos é anterior ao cristianismo. No judaísmo antigo, eles aparecem em visões proféticas e foram influenciados pela angeologia persa após o exílio babilônico", comenta Alves. "Culturas mesopotâmicas e egípcias também falavam em seres mensageiros e guardiões."
"A crença em seres celestiais a serviço dos deuses ou de uma estrutura hierárquica no ambiente divino tem paralelos em outras culturas para além do mundo bíblico", complementa Terra. "Na cultura persa, especialmente no zoroastrismo, por exemplo, não se fala exatamente em anjos como no judaísmo e no cristianismo, mas encontramos seres espirituais intermediários entre Ahura Mazda, o Deus supremo, e os seres humanos, os quais são classificados também em hierarquias.
"Essa tradição influenciou profundamente a tradição bíblica e as crenças do judaísmo do segundo templo", diz ele.
É uma visão comum aos outros especialistas. "A crença em seres espirituais mensageiros já existe em culturas antigas", confirma o padre Nogueira. "Povos mesopotâmicos, egípcios e persas falavam de espíritos intermediários entre o divino e os homens." Ele pondera, contudo, que "a fé católica" não seria derivada "dessas tradições, mas da revelação de Deus ao povo de Israel, registrada nas Escrituras".
"A fé cristã bebe sobretudo do judaísmo, do qual herda elementos da vasta tradição rabínica sobre anjos e arcanjos", salienta Alves.
"Os anjos são anteriores à Bíblia e aparecem, por exemplo, na Mesopotâmia e no Egito. Eles não tinham os nomes de anjos, mas, tinham as mesmas funções dos anjos", conta à BBC News Brasil o hagiólogo José Luís Lira, professor na Universidade Estadual do Vale do Acaraú e fundador da Academia Brasileira de Hagiologia.
Nas chamadas tradições abraâmicas, ou seja, o conjunto de crenças abarcado pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo, há mais semelhanças que diferenças entre o significado desses seres místicos.
"No islamismo, inclusive, o arcanjo Gabriel teria aparecido ao profeta Maomé [o fundador do islã]", ressalta Lira.
Padre Nogueira contextualiza que, no judaísmo, eles costumam ser considerados "servos e mensageiros de Deus". No cristianismo, "além disso participam do mistério da salvação em Cristo". E no islamismo, "desempenham funções semelhantes, como Gabriel que transmite a revelação a Maomé".
"Os anjos desempenham um papel importante em outras religiões não-cristãs, tais como judaísmo e islamismo", confirma à BBC News Brasil o teólogo Jônatas de Mattos Leal, doutor pela Andrews University, em Michigan, nos Estados Unidos, e reitor no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia.
Leal conta, por exemplo, que o islã menciona quatro arcanjos: Izrail, Mikail, Israfil e Jibrail — este último é o equivalente a Gabriel. E lembra que "a ideia de seres celestiais que atuam como intermediários" aparece, além do zoroatrismo, também em mitologias ancestrais babilônicas, romanas e gregas.
'O Anjo da guarda', pintura do alemão Bernhard Plockhorst, feita no século 19
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Tradição popular
Se as teologias e as diversas religiosidades institucionais trataram de sistematizar e normatizar as funções e os papéis dos anjos, as tradições populares trataram de transformar a figura em um simpático faz-tudo: de guarda-costas particular a auxiliador para tudo.
"A religiosidade popular costuma traduzir ideias a partir de necessidades e práticas cotidianas", comenta Terra. "A crença em anjo da guarda, por exemplo, tem suas raízes no evangelho de Mateus, no qual Jesus diz que os pequeninos têm anjos que contemplam a face do Pai. Este é o principal texto para defender a ideia de anjo da guarda."
Ele lembra que pensadores cristãos antigos, como Gregório de Nissa (330-394), Basilio de Cesareia (330-379) e Tomás de Aquino (1225-1274), "também defenderam a existência de anjos que cuidam de maneira particular de cada pessoa".
Nogueira afirma que a "devoção ao anjo da guarda" é o melhor exemplo da presença da figura no meio popular. "A Igreja ensina que cada pessoa possui um anjo designado por Deus para proteger e guiar. Isso deu origem a orações simples, difundidas entre crianças, mas também a uma confiança cotidiana dos fiéis em sua proteção", contextualiza ele.
"Na cultura popular, surgiram expressões e analogias para se chegar ao sagrado. A célebre discussão medieval sobre 'quantos anjos cabem na ponta de uma agulha' não era, de fato, uma questão literal, mas um modo filosófico de refletir sobre a natureza incorpórea dos anjos", reflete o padre. "Outras tradições, como representá-los com asas ou em formas infantis, os 'anjinhos', refletem tanto influências artísticas quanto a imaginação popular que buscava tornar visível o invisível."
O teólogo Leal ressalta que "a Bíblia não menciona explicitamente a ideia de que cada pessoa tem um anjo guardião". "Contudo, há diversas ocasiões em que pessoas são livradas pessoalmente através da operação de anjos protetores", pondera. "O envolvimento pessoal de anjos, no Novo Testamento, está implícito [em diversas passagens]."
"Biblicamente falando, a possibilidade de cada pessoa ter um anjo guardião está aberta, embora não seja afirmada", conclui ele.
"Os anjinhos estão nas imagens de Nossa Senhora e até aos recém-nascidos falecidos ou àqueles que morrem no ventre da mãe, se costuma de dizer que é um anjo, que foi direto ao céu", comenta o hagiólogo Lira.
Alves acrescenta que o acolhimento aos anjos na religiosidade popular foi um fenômeno que ocorreu "com grande afeto". "A devoção ao anjo da guarda remonta à Idade Média", diz o pesquisador, frisando que foi oficializada uma festa litúrgica dedicada à figura em 1608.
'A Assunção da Virgem', de Francesco Botticini, obra do século 15, mostra três hierarquias e nove ordens de anjos, cada uma com características diferentes
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Arte e cultura
A figura passou a ser uma constante em produções artísticas, compondo telas e afrescos e integrando narrativas literárias. "Há uma tradição muito grande na iconografia, na pintura, de retratar o anjo sempre envolto por luminosidade e com asas", nota Maerki.
"A figura do anjo da guarda está presente. A arte cristã difundiu amplamente sua imagem, moldando o imaginário popular", ilustra Alves. "Os anjos entraram também na linguagem comum, em expressões como 'foi salvo por um anjo' e 'parece um anjo' e em anedotas, como a expressão 'sexo dos anjos', que ironiza as discussões bizantinas sobre sua natureza espiritual."
No mundo contemporâneo, ganhou também a cultura pop. Não há brasileiro das últimas décadas, por exemplo, que não conheça o personagem Anjinho, conhecido por tentar defender sobretudo o Cebolinha em suas aventuras atrapalhadas no universo da Turma da Mônica, criado pelo quadrinista Mauricio de Sousa.
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Tumi Mboup: o que significa nome de origem africana que pais de BH escolheram para a filha, mas não conseguem registrar

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Fábio Rodrigo Vicente Tavares, Kelly Cristina da Silva e a filha deles, Tumi Mboup.
Arquivo pessoal
Com origem africana, o nome Tumi Mboup, escolhido por um casal de Belo Horizonte para a filha recém-nascida, foi barrado no cartório. A escolha da historiadora Kelly Cristina da Silva e do sociólogo Fábio Rodrigo Vicente Tavares para a criança vai além de uma decisão afetiva: é um ato de reafricanização e resistência ao processo de colonização, segundo eles.
Após uma primeira tentativa de registro barrada, tendo sido aceito só o primeiro nome, o casal faz uma nova investida em outro cartório e aguarda a resposta de uma solicitação judicial.
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Enquanto isso, sem registro de nome e certidão de nascimento, a criança fica sem atendimento em posto de saúde. Os pais também ficam sem poder ter licença-maternidade e licença-paternidade.
Significado do nome
Mas qual é exatamente o significado do nome escolhido pelos dois brasileiros moradores de Belo Horizonte?
O primeiro nome, Tumi, escolhido pela mãe, significa lealdade. Mboup, proposto pelo pai, é um sobrenome comum no Senegal e em mais de 30 países africanos, principalmente na África Ocidental.
A escolha é considerada pelos pais uma forma de homenagear o intelectual senegalês Cheikh Anta Diop, autor de "A Unidade Cultural da África Negra".
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Conexão com as raízes
O casal afirma que a escolha do nome é também uma forma de “localização mental” e de conexão com as raízes.
"Queremos que, ao olhar para nós, Tumi Mboup saiba que nossa origem é África. E não falo de uma questão meramente afetiva. O nome é uma questão política, tanto para mim quanto para Kelly, que é uma historiadora e que que estuda as questões raciais", diz Fábio.
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Por que o cartório barrou o nome?
A menina nasceu em 22 de setembro. De acordo com Fábio, a primeira tentativa de registro foi feita dois dias depois, no Hospital Sofia Feldman, que possui uma extensão do Cartório de Venda Nova, em BH.
No local, o nome foi recusado sob a alegação de que Mboup seria um sobrenome, e não um segundo nome composto.
Após a negativa, Fábio seguiu a orientação da atendente e procurou outro cartório, no Terceiro Subdistrito, no Centro da capital mineira. Ele entrou com uma solicitação judicial para autorização do registro e aguarda resposta até o dia 2 de outubro.
O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mas até a última atualização desta reportagem não havia obtido resposta.
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Como bolha de ar ajudou nadador chinês que não tem os braços a levar o ouro no Mundial Paralímpico?

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O nadador chinês Jincheng Guo já havia se destacado nas Paralimpíadas de Paris, em 2024, por lançar uma técnica inovadora nas piscinas: um “escudo” feito de uma bolha de ar, posicionado à frente da cabeça. Nesta semana, a estratégia voltou a lhe render medalhas no Mundial Paralímpico de Natação, em Singapura — o atleta, que não tem os braços, já faturou até o ouro na modalidade dos 50 metros livres.
Não sabemos se Guo gostava de física na escola, mas podemos atestar que o sucesso dele, aliado à sua impressionante destreza na água, tem total relação com a ciência. O g1 entrevistou professores para entender os “segredos aquáticos” que impulsionam o atleta chinês ao pódio. Veja abaixo:
🫧O ‘escudo’ invisível: como funciona?
Bolha de ar fica presa à frente da cabeça de Guo
Reprodução/Redes sociais
Ao observar as provas de 50 metros livres, percebe-se que, enquanto Guo se movimenta, um "escudo" de bolha de ar permanece fixo junto à sua cabeça.
➡️A física básica nos ensina que o ar oferece muito menos resistência ao movimento do corpo do que a água. Por isso, é mais fácil se mover em ambientes externos do que dentro de uma piscina.
A técnica de Guo explora essa diferença. Ao mergulhar e nadar quase na superfície, o atleta chinês expira devagar e de forma contínua, alimentando essa camada gasosa que se forma bem à sua frente.
Dessa forma, a cabeça do nadador entra em contato com o ar da bolha, e não diretamente com a água da piscina. Isso tem um efeito fascinante: reduz o chamado arrasto hidrodinâmico — a resistência que a água oferece ao movimento.
"Na natação, o arrasto é o principal obstáculo da velocidade. No caso da bolha, cria-se uma camada de ar (película) à frente do nadador, reduzindo o atrito de Guo com a água", afirma Francisco de Assis Cavallaro, geofísico e professor de engenharia na Universidade Cruzeiro do Sul.
Consequentemente, ele ganha mais velocidade.
🫧Como essa bolha não se desfaz nem estoura?
A resposta está na combinação da precisão técnica de Guo e de um conceito chamado tensão superficial.
Leandro Felix de Oliveira, analista de ensino de Física da Fundação Bradesco, define a ideia: "A tensão superficial é a força que mantém as moléculas da água mais unidas na superfície, como se fosse uma membrana elástica. No caso do nadador, ela age como uma barreira que segura a bolha de ar em frente à cabeça dele".
Ou seja: o nadador utiliza a tensão superficial, essa "película", como uma barreira de retenção. Ao entrar na água de forma suave, manter a estabilidade ao longo de todo o percurso e levantar a cabeça pouquíssimas vezes para respirar, essa tensão não é rompida, permitindo que a bolha continue intacta até o final da prova.
🏊‍♂️Thiago Almeida, professor de Física da Escola SEB Lafaiete, analisa a possibilidade de atletas sem deficiência usarem essa técnica. Nadadores que movimentam os braços criam uma zona de agitação e turbulência na água, dificultando a formação e a manutenção de uma bolha estável.
“O nadador que bater os braços vai ter naturalmente um arrasto associado à quebra da tensão superficial. Guo, nadando na superfície, não fica quebrando toda hora essa tensão – ou seja: não é ‘segurado’ pela água”, explica.
Mesmo entre outros atletas paralímpicos que nadam apenas com as pernas, a reprodução da técnica de Guo é difícil, dada a necessidade de extrema precisão e de controle respiratório para prender e empurrar o ar ao longo da prova.

‘Comprimentar’, ‘discrever’, ‘mandato de prisão’: 12 erros de português provocados por palavras parecidas

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Parônimos costumam gerar erros de português
Evellyn Carvalho/Pexels
Cuidado: se seu chefe pedir para que você ratifique um documento durante uma reunião, não é preciso alterar o texto ou procurar erros! "Ratificar" significa confirmar ou validar — basicamente o oposto de "retificar", que é corrigir.
✏️É mais um caso de uma dupla de parônimos da língua portuguesa: palavras que carregam sentidos diferentes, apesar de serem parecidas na escrita e/ou na pronúncia.
Claro que, em alguns casos, é possível presumir pelo contexto que houve uma confusão. Se alguém disser a você que "o COMPRIMENTO cordial é importante em encontros de trabalho", é possível entender que, na verdade, o falante quis dizer CUMPRIMENTO. Não haveria por que se referir a uma medida em centímetros ou metros em uma frase como essa.
➡️Mas, tanto na variante oral quanto na escrita, exemplos como o citado no início da reportagem podem prejudicar a clareza da mensagem. E mais: em contextos formais, é importante seguir a norma padrão da língua e não cometer esses "escorregões".
Observação: Ninguém deve ser desvalorizado ou discriminado pela sua forma de falar ou de escrever. O objetivo desta reportagem é explicar como se manter alinhado à variante formal da língua, especialmente em reuniões ou e-mails de trabalho — e garantir que a informação seja transmitida de forma clara.
Abaixo, revise os casos de parônimos já citados no texto, veja outros 10 exemplos e nunca mais se confunda ao usá-las no dia a dia:
📏Comprimento x 🤜Cumprimento
Comprimento: medida de extensão. Ex.: “O comprimento da sala é 5 metros.”
Cumprimento: saudação, ato de cumprimentar. Ex.: “Dei os cumprimentos aos convidados.”
✅Ratificar x ❌Retificar
Ratificar: confirmar, validar. Ex.: “O conselho ratificou a decisão.”
Retificar: corrigir, ajustar. Ex.: “É preciso retificar os erros no documento.”
🫥Emergir x 🤿Imergir
Emergir: vir à tona, aparecer. Ex.: “O submarino emergiu do mar.”
Imergir: mergulhar, submergir. Ex.: “O mergulhador imergiu na água.”
👐Cessão x 🎬Sessão x 🍎Seção
Cessão: ato de ceder algo. Ex.: “Houve a cessão do terreno após a audiência de conciliação.”
Sessão: período destinado a uma atividade. Ex.: “A sessão do cinema começou às 20h.”
Seção: divisão ou departamento. Ex.: “Comprei a sobremesa na seção de frutas do supermercado.”
📝Descrição x 🤫Discrição
Descrição: ato de descrever, ou seja, de enumerar características e propriedades de algo ou alguém. Ex.: “A testemunha fez uma descrição detalhada do acidente.”
Discrição: qualidade de ser reservado ou cauteloso. Ex.: “O amante agiu com muita discrição.”
🫵Tachar x 💰Taxar
Tachar: criticar, acusar. Ex.: “Foi tachado de irresponsável.”
Taxar: cobrar tributo ou preço. Ex.: “Taxaram o produto importado.”
❌Infligir x 👮‍♂️Infringir
Infligir: impor algo negativo. Ex.: “Infligiram a pena ao réu.”
Infringir: violar lei ou regra. Ex.: “O motorista infringiu as normas de trânsito.”
🕊️Descriminar x 🚨Discriminar
Descriminar: isentar de culpa, inocentar. Ex.: “O juiz descriminou o réu do crime menor.”
Discriminar: diferenciar, tratar de forma desigual. Ex.: “Não se deve discriminar ninguém por raça ou gênero." "Discrimine tudo o que está na caixa, item por item."
🗳️Mandato x 🚓Mandado
Mandato: período de duração de um cargo eleitoral; autorização que alguém confere a outra pessoa para agir em seu nome. Ex.: “O mandato do prefeito dura quatro anos.”
Mandado: ordem judicial. Ex.: “A polícia cumpriu o mandado de busca e apreensão.”
➕Censo x 👨‍⚖️Senso
Censo: levantamento estatístico. Ex.: “O censo será realizado este ano para mostrar o tamanho da população.”
Senso: julgamento, percepção. Ex.: “Ele tem senso de responsabilidade.”
🎹Concerto x 🛻Conserto
Concerto: apresentação musical. Ex.: "Fui a um concerto de piano no teatro."
Conserto: reparo. Ex.: "O conserto do carro na oficina foi caro."
✨Eminente x ⌚Iminente
Eminente: notável, destacado. Ex.: "Ele é um cientista eminente."
Iminente: prestes a acontecer. Ex.: "Vai chover muito — o perigo na estrada é iminente."
🚙🚕Tráfego x 💊Tráfico
Tráfego: movimento de veículos. Ex.: "O tráfego está congestionado na avenida."
Tráfico: comércio ilícito. Ex.: "Tráfico de drogas é crime."
Vídeos
Corroborar, assertivo: 4 'escorregões' erros de português comuns no mundo corporativo