Unesp 2026: veja o que você precisa saber para mandar bem na prova

Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Instituto de Química da Unesp de Araraquara
Amanda Rocha/g1
📚 Atenção, candidatos! As inscrições para o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), uma das maiores da América Latina, chegam ao fim no dia 8 de outubro.
Na região da EPTV Central, afiliada da TV Globo, são oferecidas 1,1 mil vagas distribuídas entre 22 cursos nos campi localizados em Araraquara (SP), Rio Claro (SP) e São João da Boa Vista (SP).
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💻 O g1 São Carlos realiza o projeto "Vestibulou", que busca levar informação de qualidade e dicas para estudantes que prestarão as principais provas do país.
As inscrições para a nova edição do vestibular da Unesp devem ser feitas exclusivamente pela internet e custam R$ 210 (leia abaixo).
O abatimento de 75% da taxa é garantido aos quase 400 mil alunos matriculados no terceiro ano da rede estadual paulista.
Abaixo, o g1 mostra tudo o que você precisa saber para mandar bem na prova:
Unesp de São João da Boa Vista (SP) oferece 62 vagas
Divulgação
🗓️ Calendário e dinâmica das provas
A prova elaborada pela Fundação para o Vestibular da Universidade Paulista (Fuvest) é aplicada em duas etapas:
1ª fase: 2 de novembro (conhecimentos gerais)
Etapa composta por prova com 90 questões de múltipla escolha, contemplando os conhecimentos da Base Nacional Comum Curricular do ensino médio
2ª fase: 7 e 8 de dezembro (conhecimentos específicos)
Etapa composta por 24 questões discursivas. No último dia, os candidatos elaboram uma redação em gênero dissertativo e respondem a outras 12 questões discursivas
Em ambos os casos, a duração é de 5 horas. Carreiras como música, artes e arquitetura também exigem provas de habilidades, que serão aplicadas entre 16 e 22 dezembro.
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📱 Cursos na região
As unidades da Unesp em Araraquara, Rio Claro e São João da Boa Vista contam com 1.113 vagas disponíveis entre os seguintes cursos de graduação:
Araraquara (678 vagas entre 10 cursos)
Administração Pública;
Ciências Econômicas;
Ciências Sociais;
Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia;
Engenharia Química;
Farmácia;
Letras;
Odontologia;
Pedagogia;
Química.
Rio Claro (373 vagas entre 10 cursos)
Ciências da Computação;
Ciências Biológicas;
Ecologia;
Educação Física;
Engenharia Ambiental;
Física;
Geografia;
Geologia;
Matemática;
Pedagogia.
São João da Boa Vista (62 vagas entre dois cursos)
Engenharia Aeronáutica;
Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações.
📝 Inscrições seguem disponíveis
As inscrições para o público geral seguem abertas até as 23h59 do dia 8 de outubro, com a taxa integral de R$ 210. Os interessados devem se inscrever única e exclusivamente pelo site da Vunesp.
🤔 Quem tem direito a desconto
A Unesp oferece um benefício específico para os cerca de 400 mil alunos que estão cursando o último ano do ensino médio na rede pública estadual paulista, incluindo escolas da Secretaria da Educação e do Centro Paula Souza.
Para este grupo, a taxa de inscrição tem uma redução de 75%, fixada em R$ 52,50. A inscrição para esses estudantes deve ser feita dentro do mesmo prazo dos demais candidatos.
Em 22 de setembro, a Unesp divulgou resultado dos pedidos de isenção e de redução de 50% da taxa de inscrição. A consulta pode ser feita nos portais da Unesp e da Fundação Vunesp, organizadora do exame.
Unesp divulgou resultado de isenção e redução da taxa do Vestibular 2026 em 22 de setembro
Ares Soares
Aspecto geral
Para este processo seletivo, são oferecidas 5.867 vagas distribuídas entre 136 cursos de graduação em 24 cidades do estado de São Paulo. São elas:
Araçatuba (112 vagas);
Araraquara (678);
Assis (309);
Bauru (899);
Botucatu (478);
Dracena (62);
Franca (328);
Guaratinguetá (243);
Ilha Solteira (234);
Itapeva (58);
Jaboticabal (224);
Marília (351);
Ourinhos (46);
Presidente Prudente (461);
Registro (56);
Rio Claro (373);
Rosana (50);
São João da Boa Vista (62);
São José do Rio Preto (344);
São José dos Campos (96);
São Paulo (185);
São Vicente (64);
Sorocaba (64);
Tupã (90).
Além de 31 cidades do Estado de São Paulo, os candidatos podem optar por realizar as provas em Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR) e Uberlândia (MG).
🎯 Sistema de Cotas
A universidade mantém o Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública (SRVEBP), que destina 50% das vagas de cada curso para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas.
Dentro dessa cota, 35% das vagas são reservadas para candidatos que se autodeclarem pretos, pardos ou indígenas. O sistema inclui também as 934 vagas oferecidas por meio do Provão Paulista.
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Sylvia Bloom, a secretária que juntou milhões de dólares copiando os investimentos dos advogados para os quais trabalhava

Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Sylvia Bloom e seu marido, Raymond Margolies.
Arquivo de família/BBC
Existe um episódio na vida da secretária Sylvia Bloom que, para quem a conheceu, mostra exatamente como ela vivia.
No dia 11 de setembro de 2001, quando caminhava para seu escritório nas proximidades do World Trade Center, em Nova York (EUA), totalmente imerso no caos ocasionado pelos ataques, veio a recomendação de que ela voltasse para casa.
Bloom, então com 84 anos de idade, pegou um ônibus.
"Não um táxi; um ônibus", destacou sua sobrinha e inventariante, Jane Lockshin.
A decisão pode parecer insignificante. Mas, para seu círculo de conhecidos, a retratava de corpo inteiro. Bloom vivia sem extravagâncias, mesmo com toda a fortuna que havia acumulado.
Àquela altura, Bloom já era dona de milhões de dólares, que ela juntou com um método simples, mas peculiar. Ela copiava os investimentos feitos pelos advogados do escritório Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, onde trabalhou como secretária por 67 anos.
Sua história foi mantida em segredo até 2018, dois anos depois da sua morte. Foi quando veio a público que parte da sua fortuna seria doada para a fundação Henry Street Settlement, na zona leste de Nova York, para financiar bolsas de estudos para jovens desfavorecidos.
O montante era de nada mais, nada menos que US$ 6,24 milhões (cerca de R$ 33,2 milhões) — a maior doação feita àquele serviço social por um único indivíduo, em seus mais de 125 anos de história.
Outros US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,6 milhões) seriam doados a outras instituições beneficentes.
Mas quem era essa perspicaz nova-iorquina e o que a levou a acumular tanta riqueza em benefício de outras pessoas?
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'Inteligente e astuta'
Sylvia Bloom nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 1919. Ela era filha de um casal de imigrantes da Europa oriental e cresceu em momentos difíceis.
Nos seus primeiros anos de vida, a Grande Depressão, iniciada em 1929, atingia duramente os norte-americanos e a família de Bloom não era exceção.
Foi neste contexto que ela estudou em diversas escolas públicas. Segundo o jornal The New York Times, Bloom chegou a terminar seus estudos em aulas noturnas, para poder trabalhar durante o dia.
Em 1947, ela foi uma das primeiras funcionárias do recém-fundado escritório de advocacia de Wall Street Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, que hoje tem presença global e mais de 1,3 mil juristas espalhados por mais de 16 escritórios em várias partes do mundo.
Foi ali que ela idealizou um esquema que lhe permitiu investir seu modesto salário de secretária.
A Grande Depressão, iniciada em 1929, representou grandes desafios para famílias como a de Sylvia Bloom.
Getty Images via BBC
"Era uma nova-iorquina inteligente e astuta", declarou Lockshin ao programa de rádio BBC OS, do Serviço Mundial da BBC, em 2018.
"No final dos anos 1940 e na década de 1950, quando ela começou a trabalhar, as secretárias faziam de tudo para seus chefes: conciliação de contas, pagamento de faturas e, quando o chefe queria comprar ações, ele dizia à sua secretária: 'Ligue para o meu corretor e compre mil ações da AT&T.'"
"Sylvia, então, ligava para o seu próprio corretor e comprava 100 ações da AT&T", conta ela.
A secretária jurídica, que se lamentava por não ter podido estudar Direito, se casou com o bombeiro municipal Raymond Margolies, que, depois de se aposentar, se tornou professor.
Os familiares de Bloom relatam que nem seu esposo, nem ninguém do seu círculo, tinha conhecimento da fortuna que ela acumulou ao longo dos anos.
Bloom não teve filhos e viveu com seu marido em um modesto apartamento alugado no Brooklyn, até a morte dele, em 2002.
Pouco antes da sua morte, aos 96 anos, ela se aposentou e passou seus últimos dias em uma casa de repouso.
A fundação Henry Street Settlement conta que, no seu funeral, em 2016, "um colega disse que ela teria sido uma excelente advogada: era inteligente, analítica, paciente, sábia e leal".
Os que a conheciam destacavam "sua seca ironia, sua risada contagiosa e seu sorriso radiante". Outros prestavam tributo ao seu caráter e às suas qualidades pessoais: "profissional, leal, modesta, honesta, generosa, dedicada e com uma ética profissional implacável".
"Era sincera, sem pretensões e uma pensadora totalmente independente. Sua mente era aguda e suas palavras, precisas."
A surpresa
Sua sobrinha ficou a cargo do testamento, após a morte de Bloom, em 2016. E foi assim que ela descobriu que sua tia, na verdade, era milionária.
"Foi um momento de 'oh, meu Deus!", contou Lockshin repetidas vezes, recordando o dia em que analisou as contas de Bloom.
"Sylvia me pediu que fosse inventariante do seu testamento", explicou ela à BBC.
"Eu sabia que ela queria deixar a maior parte do seu patrimônio para obras beneficentes e, especificamente, criar bolsas de estudos para crianças necessitadas. Ela confiava em mim para me encarregar disso, o que, na verdade, me comoveu muito. Eu não tinha ideia de qual era o total do seu patrimônio quando ela morreu."
"Comecei, então, a analisar suas contas", prosseguiu Lockshin.
"Fiz uma folha de cálculo, anotei US$ 3 milhões [cerca de R$ 16 milhões] em uma corretora, US$ 1 milhão [R$ 5,3 milhões] em outra… E, quando terminei de reunir todos os bens da herança, a soma era de mais de US$ 9 milhões [cerca de R$ 48 milhões]. Eu não tinha ideia."
"Sylvia era uma pessoa muito reservada. Ela mantinha seus assuntos para ela mesma e suas finanças eram privadas", destacou ela.
"Ela e meu tio moravam em um apartamento de um quarto no Brooklyn. Eles viajavam…"
"Meu tio adorava jogar e eles costumavam ir para Las Vegas. Sylvia era fascinada por Elvis e chegou a vê-lo em Las Vegas. Também viajaram pela Europa, iam à ópera. Viviam bem, mas não de forma extravagante."
Mas, se o montante surpreendeu Lockshin e toda a família, o que não foi nenhuma surpresa foi o destino que Bloom desejava que tivesse aquele dinheiro.
Como filha da Grande Depressão e da educação pública, parecia um gesto natural que ela quisesse deixar sua fortuna para jovens sem recursos poderem estudar.
"Ela me deixou a instrução de fazer a doação a uma organização que oferecesse oportunidades educativas a jovens de baixa renda", contou Lockshin.
"Tia Sylvia, que conseguiu seu grau universitário em aulas noturnas, sempre valorizou a educação e queria que seu patrimônio beneficiasse quem tivesse oportunidades educacionais limitadas."
As bolsas de estudo
Lockshin era tesoureira da fundação Henry Street Settlement e foi ela quem deu a feliz notícia aos seus membros sobre a milionária doação de sua tia.
"Estávamos todos boquiabertos, simplesmente impressionados", recordou ao The New York Times o diretor-executivo da instituição na época, David Garza.
Na mesma reportagem, Paul Hyams, do departamento de Recursos Humanos do escritório de advocacia onde Bloom trabalhou, detalhou sua surpresa ao saber da fortuna acumulada pela secretária.
"Ela nunca falava de dinheiro, nem levava uma vida de luxo", contou ela. "Não se ostentava, nem queria chamar atenção."
A doação feita por Sylvia Bloom foi empregada para fornecer bolsas de estudos a jovens necessitados de Nova York.
Getty Images via BBC
Com o dinheiro doado, a fundação Henry Street Settlement, criou o fundo de bolsas de estudo Bloom-Margolies, em memória de Bloom, seu marido e sua irmã Ruth.
O fundo financia um programa que "atende estudantes do nono ano até o fim da universidade, oferecendo gratuitamente orientação universitária, preparação para o SAT [o exame padronizado de admissão para universidades nos Estados Unidos], tutorias, visitas a campus universitários e apoio contínuo aos participantes até se formarem".
Devido ao tamanho da doação, a fundação criou um fundo de dotação, para que os juros financiem as bolsas de forma permanente", detalha a entidade, no seu website.
Durante entrevista à imprensa canadense, em 2018, Jane Lockshin respondeu a uma pergunta sobre qual seria a reação de Sylvia Bloom ante toda a atenção recebida com as suas doações: "Ela ficaria com vergonha."
"Ela odiaria, mas acredito que aceitaria o fato de que a quantidade de atenção dedicada ao seu fundo de bolsas de estudo e às organizações que receberam sua doação seria benéfica para as entidades."
* Com informações do programa BBC OS e de Isabel Caro, da BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
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‘Disputa por cérebros’: enquanto EUA afastam estrangeiros, China cria visto para atrair alunos e profissionais

Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Pesquisador realiza testes no Centro de Inovação Avançada de Genômica da Universidade de Pequim, na China
Wang Zhao/AFP
Um novo tipo de visto para estrangeiros entra em vigor na China nesta quarta-feira (1º), com um objetivo principal: atrair jovens talentos do mundo inteiro nas áreas de ciência e tecnologia. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, é uma tentativa clara de ultrapassar os Estados Unidos na “disputa global por cérebros”.
“O governo chinês pensou em atrair os alunos que estão sendo rejeitados pelos americanos”, afirma à reportagem Liao Kuo Pin, sócio da consultoria BLC.
➡️O governo de Donald Trump vem demonstrando um posicionamento contrário à presença de imigrantes nas universidades e no mercado de trabalho:
intensificou ações para cancelar e limitar a emissão de novos vistos estudantis, restringindo a entrada de estudantes internacionais em diversas universidades norte-americanas;
enfrentou uma batalha jurídica contra a Universidade Harvard, em uma tentativa de proibir a matrícula de alunos vindos de outros países;
aumentou o número de detenções e de deportações de estrangeiros;
afirmou, neste mês, que cobrará 100 mil dólares anuais de empresas que optarem por manter no quadro um funcionário com o visto H-1B. Essa categoria é amplamente usada na contratação de imigrantes em empresas de tecnologia.
✈️Na contramão dessa tendência, a China criou o visto K, que facilita a entrada de jovens profissionais estrangeiros formados nas áreas STEM (sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
Eles não precisarão sequer comprovar vínculo empregatício ao pedir o documento – podem obter o direito de se mudar para o país asiático e, só depois, procurar uma vaga. E a validade também deve ser mais extensa.
Ao g1, George CHEN, sócio e presidente da consultoria americana The Asia Group, diz que, há apenas vinte anos, a China era ainda conhecida como o “país imitador”. O cenário mudou completamente.
“Hoje, fala-se sobre quão cedo a China pode ultrapassar os Estados Unidos em diversos aspectos de tecnologia e inovação, incluindo inteligência artificial e design de chips”, explica.
“O presidente Xi Jinping falou repetidamente sobre a importância da autossuficiência em inovação. Para alcançar esse objetivo, a China agora percebe que precisa abrir mais os olhos e atrair talentos de fora do país, além de tornar todo o processo muito mais fácil e atraente — daí, o programa de visto K.”
🧳Os detalhes sobre essa nova modalidade ainda não haviam sido divulgados até a mais recente atualização desta reportagem. Não se sabe ainda, por exemplo, qual é a faixa etária considerada “jovem” pelo governo chinês — nem se haverá alguma lista de países prioritários na emissão dos vistos.
“Essa situação pode iniciar um movimento de virada do jogo. Os EUA sempre foram um ímã de talentos”, afirma Ricardo Leães, professor de Relações Internacionais da ESPM.
“Não será algo imediato, do dia para a noite, mas é possível que os americanos comecem a perder para a China nessa disputa. O cenário de caça às bruxas que o presidente americano implementou foi um grande presente ao governo chinês.”
E não é só uma questão de formar uma mão de obra mais qualificada na academia e nas empresas: há questões estratégicas tanto de soft power (aquele poder “invisível, de influência) quanto de segurança nacional envolvidas.
“A China tem 40 programas de pós-graduação em terras raras. São tecnologias fundamentais até para aplicações militares, como precisão de mísseis ou fabricação de caças. Eles [chineses] sabem: o país que avança na tecnologia fica em vantagem.”
Pode ser um destino interessante para os brasileiros?
A facilidade no processo de obtenção de vistos para profissionais das áreas de ciência e de tecnologia é um elemento que pesa a favor da China. Mas não bastará garantir essa primeira etapa para reter talentos, e sim investir na adaptação dos estrangeiros ao país.
“O idioma é muito diferente, apesar de muitas empresas já usarem o inglês. E é um país muito mais distante, com fuso horário diferente. A China precisará mostrar que é atrativa para os pesquisadores”, diz Leães.
“É um país conhecido por ser mais fechado. Mas, se fizerem um esforço grande, de venda mesmo, vão atrair os maiores talentos.”
Veja, abaixo, os custos estimados por Pin, da consultoria BLC, para um brasileiro que decidir fazer a graduação na China:
Mensalidades: R$ 5.745 a R$ 23.506 (há bolsas de estudos oferecidas pelo governo chinês
Acomodação: em geral, custo é baixo e já vem incluído em auxílios estudantis
Custo de vida em grandes cidades: R$ 51 mil por ano
Custo de vida em cidades menores: R$ 33 mil por ano
“A preferência dos chineses vai ser sempre receber quem fala mandarim. As próprias universidades vão ajudar quem quiser aprender o básico. Não é simples: são necessários de 2 a 3 anos de dedicação”, afirma Pin. "Os interessados devem se organizar com antecedência."
Acuados por Trump, estudantes estrangeiros apagam redes e evitam sair de casa

Mensalidades de escolas particulares terão reajuste de 9,8% em 2026, diz pesquisa; famílias devem ser informadas a partir de outubro

Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Crianças na escola no Piauí
Carlos Trinca/EPTV
As mensalidades das escolas particulares devem subir, em média, 9,8% na virada de 2025 para 2026, prevê um levantamento da empresa de consultoria Grupo Rabbit. É um valor que, se concretizado, representará mais do que o dobro da inflação esperada para o próximo ano (4,81%).
"O reajuste não tem relação direta apenas com o índice inflacionário, mas com a necessidade de manter o funcionamento da escola, cobrindo gastos como salários de professores e tarifas de serviços públicos", afirma Amábile Pacios, vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).
"A lei estabelece que a correção pode ocorrer uma vez por ano e deve considerar tanto as despesas fixas — como aluguel, energia e água — quanto possíveis melhorias, como a inclusão de uma nova disciplina. São esses dois princípios que orientam qualquer planilha de custos.”
➡️Ela refere-se à Lei º 9.870/1999, que regula essas cobranças — e que obriga as instituições de ensino a informarem as novas taxas com, no mínimo, 45 dias de antecedência em relação ao prazo final de matrículas.
Segundo Pacios, os colégios privados tendem a divulgar as novas mensalidades já em outubro.
Nos últimos anos, os índices de aumento foram os seguintes:
9,3% em 2023/2024;
9,5% em 2024/2025.
Lucratividade em queda
Apesar dos reajustes sucessivos, a rentabilidade média do setor caiu para 14%, considerada muito baixa para empresas prestadoras de serviços, afirma o levantamento.
A educação infantil foi a etapa mais afetada, já que concedeu descontos próximos de 25% durante a pandemia — e ainda não recuperou integralmente sua margem de lucro. As demais etapas de ensino conseguiram implementar aulas on-line durante a Covid-19 e tiveram um impacto menor.
O estudo traz, por outro lado, um sinal positivo para o setor: em abril de 2025, as rematrículas alcançaram o recorde de 83%. A evasão para escolas mais baratas foi baixa, resultado atribuído à gestão mais eficiente e às estratégias de negociação com as famílias.
Amábile confirma a tendência, mas pondera que o avanço não é uniforme: “A lucratividade está muito difícil. Apenas os grandes grupos conseguem manter margens", diz.
Vídeos de Educação
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Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos

Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Só 12 estudantes tiram nota 1.000 na redação do Enem
A nota da redação é uma das mais importantes na composição da nota final no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro em 2025. A correção da prova (que vale até 1.000 pontos) leva em consideração cinco competências e costuma despertar uma série de receios nos candidatos.
Uma dessas inseguranças diz respeito aos direitos humanos: o aluno que, em sua produção textual ferir esses direitos, pode perder nota.
"O desrespeito aos direitos humanos pode se manifestar por meio de ofensas ou de apologia à violência a algo ou alguém, por exemplo, bem como através do ferimento de direitos que estão estabelecidos em documentos oficiais da lei e que podem ser considerados crimes de acordo com o Código Penal Brasileiro", explica Maysa Barreto, assistente pedagógica da plataforma Redação Nota 1000.
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Desde 2017, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o edital do exame deixou de estabelecer a possibilidade de zerar a redação como um todo caso ocorra desrespeito aos direitos humanos.
O que ainda pode acontecer é ter a nota zerada na Competência 5 da Matriz de Referência – que avalia, em até 200 pontos, a capacidade do estudante de "elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos".
Cartilha do participante do Enem explica as cinco competências avaliadas na redação.
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A proposta de intervenção, exigida na conclusão do texto dissertativo-argumentativo no modelo Enem, deve conter uma sugestão de iniciativa que enfrente ou resolva a questão apresentada no tema.
Ela deve ser coerente com a argumentação desenvolvida ao longo do texto, concreta, detalhada e específica. Por isso, além da ação interventiva, o candidato deve indicar o agente social competente para executá-la, de acordo com o âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário, social, político, governamental.
Também deve apontar o meio de execução da ação, sua finalidade e algum outro detalhamento. No total, portanto, uma ótima proposta de intervenção apresenta cinco elementos fundamentais.
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O que o Enem considera desrespeito aos direitos humanos?
A Cartilha do Participante, disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, esmiúça os critérios considerados no processo de correção da redação. Sobre os direitos humanos, esclarece:
"Pode-se dizer que determinadas ideias e ações serão sempre avaliadas como contrárias aos direitos humanos, tais como: defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de 'justiça com as próprias mãos'; incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, opinião política, condição física, origem geográfica ou socioeconômica; explicitação de qualquer forma de discurso de ódio (voltado contra grupos sociais específicos)", diz o texto.
A avaliação leva em conta, sobretudo, as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, estabelecidas pelo artigo 3.º da Resolução n.º 1 de 30 de maio de 2012. Uma boa proposta de intervenção apresentada pelo candidato deve levar em conta os seguintes pontos:
Dignidade humana
Igualdade de direitos
Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades
Laicidade do Estado
Democracia na educação
Transversalidade, vivência e globalidade
Sustentabilidade socioambiental
👤 Declaração Universal dos Direitos Humanos: É o documento base para essas diretrizes, criado em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ele dispõe de 30 artigos que estabelecem os direitos humanos fundamentais, considerados universais e inalienáveis, como o direito à vida, liberdade, segurança pessoal, justiça, educação, saúde, trabalho digno e mais aspectos. Tais normas reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos, e regem o modo como se vive individualmente e em sociedade.
Exemplo de proposta de intervenção zerada
Para ilustrar um possível caso de desrespeito aos direitos humanos na redação do Enem, consideremos um tema hipotético, a partir de uma discussão que está em alta: a adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais. Maysa propões dois cenários:
✔️ "Um candidato pode formular uma proposta de intervenção respeitando os direitos humanos quando pede que o Estado, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o qual é responsável pela defesa dos direitos da Criança e do Adolescente, garanta a fiscalização de conteúdos impróprios expondo os menores de idade de forma indevida, com o fim de diminuir o consumo e a exposição da imagem de infantes nas redes sociais", exemplifica
❌ "Entretanto, caso o estudante formule uma proposta de intervenção solicitando que os adultos incentivadores e consumidores de tal conteúdo sejam punidos com castração química, que fere o princípio constitucional da dignidade do homem, a sua proposta será zerada por violação dos direitos humanos", compara Maysa.
O que mais pode zerar a proposta de intervenção?
O desrespeito aos direitos humanos não é a única situação que pode resultar em nota zero na Competência 5. Maysa Barreto aponta outros três cenários:
➡️ Ausência de proposta de intervenção: Para que a proposta seja válida, o aluno precisa demonstrar o desejo de resolver os problemas apresentados. "Essa intenção costuma aparecer no uso de verbos no imperativo – como 'deve', 'crie', 'faça' – depois da indicação de um agente, como o Poder Legislativo ou o Ministério Público";
➡️ Cópia integral de proposta: O candidato pode ter essa competência zerada quando, "em vez de propor uma solução autoral, escreve a proposta com trechos copiados do enunciado da prova, dos textos de apoio ou do caderno de questões";
➡️ Proposta de intervenção não relacionada ao assunto: Outro cenário que resulta em zero é quando as soluções apresentadas pelo estudante são "incompatíveis com a proposta temática".
O emprego de agente e ação nulos também prejudica a pontuação na competência. "O agente é nulo quando é expresso por palavras que não permitem identificar precisamente quem fará a ação proposta, como os termos alguém, ninguém ou você", destaca Maysa. Enquanto isso, a ação é considerada nula "quando não há o desejo de intervenção ou é muito vaga, como 'medidas devem ser feitas' ou 'ações precisam ser realizadas'".
"É importante ressaltar que as soluções devem ser inovadoras, ou seja, não podem ser iniciativas já feitas na sociedade. Isso não significa que a banca deseja ideias mirabolantes, mas podem ser, por exemplo, ampliações de programas já existentes", alerta Maysa.