Unicamp abre inscrições para vestibular com base na nota do Enem; edição terá cotas para pessoas trans

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Unicamp
Reprodução/EPTV
A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) abriu nesta quarta-feira (1º) as inscrições para o processo seletivo Enem-Unicamp 2026.
Neste ano, a modalidade conta com cotas para pessoas transexuais, travestis e não-binários. Os candidatos poderão utilizar sua pontuação exclusivamente da edição do Enem de 2025.
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As inscrições deverão ser feitas exclusivamente no site oficial da Comvest, no período de 1° a 20 de outubro de 2025.
Os candidatos devem preencher um formulário online e pagar a taxa de inscrição no valor de R$ 45 até o dia 21 de outubro.
Os inscritos no Vestibular Unicamp 2026 com isenção da taxa estão isentos para esse processo.
Vaga por grupo
As vagas para essa modalidade são destinadas para os seguintes grupos:
Pessoas candidatas que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública (ou que tenham obtido a certificação do ensino médio pelo Enem até o ano de 2016 ou a partir de 2025 ou exames oficiais)
Pessoas candidatas que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública e sejam autodeclaradas pretas, pardas ou indígenas
Pessoas candidatas optantes por cotas para Pessoa com Deficiência (PCD)
Pessoas candidatas optantes por cotas trans, travestis ou não binárias
Aqueles que tenham cursado algum período do ensino médio em instituição privada, mesmo sendo bolsista, não podem concorrer as vagas nesta modalidade, com exceção dos candidatos optantes pela reserva de vagas PCD e pessoas trans.
A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) abriu nesta quarta-feira (1) as inscrições para o processo seletivo Enem-Unicamp 2026.
Bárbara Camilotti/g1
Cotas étnico-raciais
Para ter o direito as cotas por critério étnico-racial, os candidatos autodeclarados pretos ou pardos deverão possuir traços fenotípicos que o caracterizem como negros ou pardos.
Eles também deverão preencher o campo específico de autodeclaração no formulário de inscrição e, caso convocados, deverão ser submetidos a uma Comissão de Averiguação, designada pela Diretoria Executiva de Direitos Humanos, para validação da autodeclaração.
Os estudantes que optarem pelas vagas indígenas deverão apresentar a documentação exigida pelo Edital, durante o procedimento de matrícula.
Cotas para pessoas trans
Para ter o direito as vagas, os alunos deverão fazer sua autodeclaração prevista no artigo 14-K da Deliberação CONSU-A-032/2017, preencher o campo específico de inscrição e anexar um relato de vida, com a descrição da trajetória da transição de gênero e o processo de afirmação da identidade de gêneros
A verificação do relato de vida será realizada por uma Comissão de Verificação designada pela Comvest, administrada por docente e comporta por um discente e um funcionário, com representação da Comissão de Gênero e Sexualidade da DEDH, sendo, dentre eles, pelo menos uma pessoa trans, travesti ou não-binária.
Cotas para pessoas com deficiência
Para os estudantes que têm o direito, eles deverão atestar sua deficiência de acordo com artigo 14-B da Deliberação CONSU-A-032/2017. Também precisarão comprovar, por meio da documentação exigida, atenderem ao perfil estabelecido no Edital do processo.
O documento médico deverá:
Ter sido expedido no prazo máximo de cinco anos a contar da data de início da inscrição, por um especialista na área
Conter a descrição da deficiência e o Código Internacional de Doenças (CID) ou Classificação Internacional de Funcionalidades (CIF), referente à deficiência devidamente detalhada e justificada pelo(a) profissional
Ser preenchido com letra legível, pelo especialista na área, e conter sua assinatura e carimbo, com o respectivo registro no CRM e/ou no conselho de classe, sob pena de ser considerado documento inválido
A análise dos documentos médicos será realizada por uma junta de especialistas designada pela Comvest, com a participação da Diretoria Executiva de Apoio ao Estudantil e da Diretoria Executiva de Direitos Humanos.
O resultado preliminar da análise será divulgado na área logada do candidato, na página da Comvest no dia 05 de janeiro de 2026.
Convocações
Haverá até cinco chamadas para matrícula online. As datas do calendário de matrícula coincidirão com as datas das chamadas do Vestibular Unicamp 2026, sendo a primeira convocação no dia 23 de janeiro de 2026, para matrícula online nos dias 26 e 27 de janeiro de 2026.
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Como é a Universidad de Chile, que superou a USP como melhor instituição de ensino superior da América Latina

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USP perde liderança para universidade chilena em ranking de melhores da América Latina
A Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC) foi eleita a melhor universidade da América Latina, superando a Universidade de São Paulo (USP), que liderou o ranking nos últimos anos. O resultado marca uma mudança importante e reforça a ascensão da universidade chilena nos índices internacionais de ensino superior.
Fundada em 1888, a UC se consolidou como uma das mais tradicionais e respeitadas universidades da América Latina.
Em 1930, recebeu do Papa Pio XI o título de "Pontifícia". Desde então, consolidou sua identidade acadêmica e garantiu o desenvolvimento de uma rede de ex-alunos influentes na sociedade chilena.
Entre os ex-alunos da instituição, estão dois presidentes do Chile. Eduardo Frei Montalva, que ocupou a presidência de 1964 a 1970, se graduou em Direito pela UC. Já Sebastián Piñera, que liderou o país em duas ocasiões (2010-2014 e 2018-2022), se formou em Economia.
Com cinco campi, incluindo o principal na capital Santiago, a universidade se destaca pela ampla oferta acadêmica distribuída em 18 faculdades.
Entre as principais estão Arquitetura, Engenharia, Medicina, Direito e Física, áreas em que a instituição chilena possui centros de pesquisa renomados, como o Instituto de Astrofísica, além de forte produção científica e impacto acadêmico.
PUC do Chile, em Santiago
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Principais cursos e faculdades da Universidad de Chile
A universidade oferece formação em "todas as áreas do conhecimento", graças às suas 18 faculdades, que incluem 26 escolas e institutos, 7 institutos interdisciplinares, o programa UC College e o Campus Villarrica. Destacam-se as faculdades de:
Arquitetura, Desenho e Estudos Urbanos
Engenharia
Medicina
Direito
Física (com o Instituto de Astrofísica muito ativo)
Agronomia e Engenharia Florestal
Artes
Ciências Biológicas
Ciências Sociais
Comunicações
Letras
Educação
Filosofia
Matemática
Química
Teologia
História, Geografia e Ciências Políticas
A instituição não é pública, e tem mensalidades que variam de acordo com a área e o curso. Um estante de Direito, por exemplo, precisa desembolsar, em média, 7,7 milhões de pesos chilenos (cerca de R$ 43 mil) por ano.
A anuidade do curso de Arquitetura é de 8,5 milhões de pesos (R$ 47 mil). Para se graduar em Engenharia na UC, é preciso pagar 9,5 milhões de pesos (R$ 56 mil) ao ano, e Medicina chega a custar 10 milhões de pesos (R$ 56 mil).
Em 2024, a UC Chile tinha mais de 38,5 mil alunos matriculados em algum de seus cursos. Destes, 31,7 mil eram alunos de graduação, e os outros quase 7 mil alunos cursavam mestrado, doutorado ou outra especialização.
Por que a UC Chile é referência na América Latina?
Produção científica consistente, com publicações em revistas de alto impacto e grupos de pesquisa de excelência.
Internacionalização ativa, com convênios que atraem estudantes e pesquisadores de várias partes do mundo.
Alta empregabilidade, já que seus formados são disputados no mercado de trabalho chileno e internacional.
Infraestrutura moderna, incluindo hospitais universitários, centros culturais e laboratórios de ponta.
Alto volume de produção científica, sendo responsável por parte significativa da produção ensino superior chileno.
Forte atuação em pesquisa de ponta, com programas em astrofísica, biotecnologia, gestão das águas e mais.
Excelência acadêmica reconhecida em rankings mundiais como QS e Times Higher Education.
O ranking QS avalia critérios como reputação acadêmica, empregabilidade, impacto das pesquisas, citações por docente e internacionalização. A UC se destacou nesses indicadores, evidenciando o crescimento e o equilíbrio no cenário do ensino superior latino-americano.
Nas últimas décadas, a universidade investiu em internacionalização, ampliando programas de dupla titulação, promovendo intercâmbio de estudantes e atraindo professores estrangeiros. Essas medidas reforçaram sua presença em rankings globais e ampliaram a colaboração com instituições de outros países.
De acordo com a QS, a liderança da UC em 2025 reflete avanços consistentes em pesquisa, impacto acadêmico e reputação.
A nova liderança da instituição reforça o papel da universidade como referência internacional e a competitividade do ensino superior na América Latina.
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Simulados: como e por que usar na preparação para o Enem

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Revisão de conteúdos e resistência: usar simulados na preparação para o Enem é importante, recomendam professores.
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Fazer provas antigas pode ser a melhor estratégia de estudo para a reta final até o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 – aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. É o que recomendam os professores consultados pelo g1.
"Há uma diferença entre dominar o conhecimento das disciplinas e aprender a aplicá-lo", avalia Vinicius Figueiredo, coordenador pedagógico do Colégio e Pré-vestibular Bernoulli. Entram em cena os simulados.
Nas últimas semanas antes do exame, tanto quem estudou o ano todo quanto quem deixou a preparação para a última hora pode usar os simulados como ferramenta para identificar o que deve ser prioridade.
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Estar familiarizado com o estilo e linguagem das questões que compõem a prova é tão importante quanto a bagagem teórica. Isso permite que o aluno ganhe agilidade de leitura e interpretação de texto, habilidade central em todas as áreas do exame.
"Além de medir conhecimento, o Enem também mede a capacidade de manter o desempenho sob pressão. Por isso, os simulados são fundamentais: ajudam a treinar o tempo de prova, a lidar com a quantidade de questões e a identificar as maiores fragilidades", acrescenta Leonardo Paes Monteiro, gerente sênior de Ensino Médio da Fundação Bradesco.
🧾 Como inserir simulados na rotina de estudos?
Num cenário ideal, vale separar ao menos dois dias para fazer uma edição anterior do Enem (ou simulado no mesmo estilo), do início ao fim, dentro do tempo estimado.
"Caso o estudante não tenha tempo suficiente, realizar simulados em blocos de testes com um tempo proporcional pode ser uma alternativa", recomenda Vanessa Passarelli, coordenadora de Futuro e Carreiras do Colégio Bandeirantes.
Figueiredo sugere mini-simulados diários, de 1 a 2 horas, para avançar sem sobrecarga. Por exemplo: segunda-feira para química, terça para humanas, quarta para matemática, e assim por diante.
⏰ Por que reproduzir as condições da prova?
"O Enem exige muito mais do que conhecimento teórico: é preciso gerir o tempo, manter a concentração e controlar a ansiedade. Competências que, ao contrário do conteúdo, não se aprendem nos livros – são desenvolvidas com prática", ressalta Figueiredo.
Não à toa, o Enem é conhecido como prova de resistência: no primeiro domingo, são 5h30 para resolver 90 questões e escrever uma redação; no segundo, mais 5h para outras 90. Preparação física e emocional fazem parte da equação.
Além de cronometrar o tempo de resolução durante os simulados, vale reproduzir todas as condições reais do exame: desligar aparelhos eletrônicos, preencher o gabarito, usar caneta esferográfica preta e até separar um lanche e uma garrafa d'água.
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Linguagens no Enem
"Quem vivencia essa experiência diversas vezes ao longo do ano chega mais confiante no dia da prova", destaca Monteiro.
➡️ Estratégia personalizada: é uma boa oportunidade, também, para testar caminhos possíveis e descobrir o que funciona melhor para você. Se prefere, por exemplo, começar pela redação ou deixá-la para depois.
Enem 2025: Como usar a IA para estudar na reta final (e o que evitar)
🎯 A importância da análise de desempenho
Os simulados são um ótimo termômetro para reconhecer os pontos fracos: a partir dos próprios erros, o aluno pode redirecionar os estudos para revisar os tópicos que ainda não domina. "O treino pelo treino não gera desenvolvimento consistente. Resolver a prova e não analisar depois é desperdiçar sua principal função: diagnosticar", argumenta Figueiredo.
Até porque, o número de acertos, sozinho, não é o melhor parâmetro para alinhar as expectativas. O Enem adota um método de correção conhecido como Teoria de Resposta ao Item (TRI), que qualifica cada item a partir de alguns parâmetros; são eles que vão determinar as notas finais.
A análise, portanto, deve ser quantitativa e qualitativa, considerando "acertos por matéria e características dos erros apresentados", frisa Vanessa Passarelli.
➡️ Monteiro sugere que o aluno reflita sobre três pontos após cada simulado:
O que eu errei?
Por que eu errei? Foi falta de conteúdo, interpretação, estratégia ou gestão do tempo?
Como deveria ter feito?
"Quando o aluno organiza seu estudo com base em indicadores claros, como o curso que deseja, a nota de corte anterior e seu desempenho atual, ele passa a enxergar o caminho de forma mais objetiva e entende que ainda há tempo para evoluir", aponta Monteiro.
Vinicius Figueiredo recomenda olhar para os resultados com equilíbrio: os simulados são parte do processo, não um julgamento final.
"Se o estudante for duro demais consigo mesmo, corre o risco de se desmotivar. É importante olhar para os resultados com espírito construtivo", destaca.
❌ Encarar o simulado como se fosse o próprio Enem pode ser prejudicial. "Essa visão só aumenta a pressão e a ansiedade. Entenda como um ensaio para a prova, em que os erros são não apenas esperados, mas fundamentais para o aprendizado. Não transforme o treino em mais um motivo de cobrança excessiva", recomenda Figueiredo.
O professor lembra que, na reta final, é importante equilibrar a rotina de estudo com momentos de descanso e práticas de autocuidado, como terapia, esportes ou momentos de lazer com os amigos.
💡 Onde fazer simulados para o Enem?
O candidato pode baixar e imprimir as edições antigas do Enem (disponíveis no site do Inep, com gabarito), ou optar por simulados com exercícios inéditos, desde que formulados no mesmo modelo. Nesse caso, escolha provas disponibilizadas por cursinhos, plataformas e instituições de referência.
Alunos matriculados em pré-vestibulares têm acesso a simulados presenciais, que aplicam todas as regras da prova. Quem estuda sozinho pode segui-las em casa, ou trocar de ambiente. Busque lugares silenciosos, como uma biblioteca.
➡️ Alguns cursos e plataformas oferecem simulados gratuitos abertos ao público, em formato on-line ou até presencial. A Plataforma AZ lançará, a partir do dia 30, materiais de estudo que incluem simulados feitos por especialistas.
A plataforma Acelere no Enem também oferece simulados que permitem treinar a rotina da prova e, depois, verificar a nota seguindo os critérios usados no exame.
O Curso Objetivo costuma realizar simulados abertos e presenciais; participantes têm acesso à correção, desempenho por área do conhecimento e classificação geral. As provas são disponibilizadas no site depois.

USP perde liderança para universidade chilena em ranking de melhores da América Latina; veja lista

Ranking global de universidades mostra queda nas notas da maioria das instituições brasileiras
A Universidade de São Paulo (USP) caiu para a segunda colocação no "QS World University Rankings 2026: América Latina e Caribe", divulgado nesta quarta-feira (1º). Quem assumiu a liderança na lista de melhores instituições de ensino da região foi a Universidad de Chile (UC).
Apesar da queda de nossa principal representante, há dois fatores positivos na edição atual do estudo:
a USP continua como destaque regional em produção científica e colaboração internacional;
o Brasil segue sendo o país mais representado no levantamento, com 130 universidades classificadas — 34 a mais que no ano passado. O número é quase o dobro do registrado por México e Colômbia, que aparecem com 67 cada.
“As universidades brasileiras dominam o ranking, com várias instituições constantemente entre as melhores. O desempenho excepcional em impacto e produtividade em pesquisa reforça a força acadêmica do país e seu papel de liderança no futuro do ensino superior na região”, afirmou Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS.
Veja quais as melhores 10 universidades (duas dividem o 6º lugar), segundo o ranking:
Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC) – Chile
Universidade de São Paulo (USP) – Brasil
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – Brasil
Tecnológico de Monterrey – México
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Brasil
Unesp – Brasil e Universidade do Chile – Chile (empate)
Universidade dos Andes – Colômbia
Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) – México
Universidade de Buenos Aires (UBA) – Argentina
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‘Disputa por cérebros’: enquanto EUA afastam estrangeiros, China cria visto para atrair alunos e profissionais de fora

‘Disputa por cérebros’: enquanto EUA afastam estrangeiros, China cria visto para atrair alunos e profissionais de fora
Pesquisador realiza testes no Centro de Inovação Avançada de Genômica da Universidade de Pequim, na China
Wang Zhao/AFP
Um novo tipo de visto para estrangeiros entra em vigor na China nesta quarta-feira (1º), com um objetivo principal: atrair jovens talentos do mundo inteiro nas áreas de ciência e tecnologia. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, é uma tentativa clara de ultrapassar os Estados Unidos na “disputa global por cérebros”.
“O governo chinês pensou em atrair os alunos que estão sendo rejeitados pelos americanos”, afirma à reportagem Liao Kuo Pin, sócio da consultoria BLC.
➡️O governo de Donald Trump vem demonstrando um posicionamento contrário à presença de imigrantes nas universidades e no mercado de trabalho:
intensificou ações para cancelar e limitar a emissão de novos vistos estudantis, restringindo a entrada de estudantes internacionais em diversas universidades norte-americanas;
enfrentou uma batalha jurídica contra a Universidade Harvard, em uma tentativa de proibir a matrícula de alunos vindos de outros países;
aumentou o número de detenções e de deportações de estrangeiros;
afirmou, neste mês, que cobrará 100 mil dólares anuais de empresas que optarem por manter no quadro um funcionário com o visto H-1B. Essa categoria é amplamente usada na contratação de imigrantes em empresas de tecnologia.
✈️Na contramão dessa tendência, a China criou o visto K, que facilita a entrada de jovens profissionais estrangeiros formados nas áreas STEM (sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
Eles não precisarão sequer comprovar vínculo empregatício ao pedir o documento – podem obter o direito de se mudar para o país asiático e, só depois, procurar uma vaga. E a validade também deve ser mais extensa.
Ao g1, George CHEN, sócio e presidente da consultoria americana The Asia Group, diz que, há apenas vinte anos, a China era ainda conhecida como o “país imitador”. O cenário mudou completamente.
“Hoje, fala-se sobre quão cedo a China pode ultrapassar os Estados Unidos em diversos aspectos de tecnologia e inovação, incluindo inteligência artificial e design de chips”, explica.
“O presidente Xi Jinping falou repetidamente sobre a importância da autossuficiência em inovação. Para alcançar esse objetivo, a China agora percebe que precisa abrir mais os olhos e atrair talentos de fora do país, além de tornar todo o processo muito mais fácil e atraente — daí, o programa de visto K.”
🧳Os detalhes sobre essa nova modalidade ainda não haviam sido divulgados até a mais recente atualização desta reportagem. Não se sabe ainda, por exemplo, qual é a faixa etária considerada “jovem” pelo governo chinês — nem se haverá alguma lista de países prioritários na emissão dos vistos.
“Essa situação pode iniciar um movimento de virada do jogo. Os EUA sempre foram um ímã de talentos”, afirma Ricardo Leães, professor de Relações Internacionais da ESPM.
“Não será algo imediato, do dia para a noite, mas é possível que os americanos comecem a perder para a China nessa disputa. O cenário de caça às bruxas que o presidente americano implementou foi um grande presente ao governo chinês.”
E não é só uma questão de formar uma mão de obra mais qualificada na academia e nas empresas: há questões estratégicas tanto de soft power (aquele poder “invisível, de influência) quanto de segurança nacional envolvidas.
“A China tem 40 programas de pós-graduação em terras raras. São tecnologias fundamentais até para aplicações militares, como precisão de mísseis ou fabricação de caças. Eles [chineses] sabem: o país que avança na tecnologia fica em vantagem", diz o professor da ESPM.
Pode ser um destino interessante para os brasileiros?
A facilidade no processo de obtenção de vistos para profissionais das áreas de ciência e de tecnologia é um elemento que pesa a favor da China. Mas não bastará garantir essa primeira etapa para reter talentos, e sim investir na adaptação dos estrangeiros ao país.
“O idioma é muito diferente, apesar de muitas empresas já usarem o inglês. E é um país muito mais distante, com fuso horário diferente. A China precisará mostrar que é atrativa para os pesquisadores”, diz Leães.
“É um país conhecido por ser mais fechado. Mas, se fizerem um esforço grande, de venda mesmo, vão atrair os maiores talentos.”
Veja, abaixo, os custos estimados por Pin, da consultoria BLC, para um brasileiro que decidir fazer a graduação na China:
Mensalidades: R$ 5.745 a R$ 23.506 (há bolsas de estudos oferecidas pelo governo chinês)
Acomodação: em geral, custo é baixo e já vem incluído em auxílios estudantis
Custo de vida em grandes cidades: R$ 51 mil por ano
Custo de vida em cidades menores: R$ 33 mil por ano
“A preferência dos chineses vai ser sempre receber quem fala mandarim. As próprias universidades vão ajudar quem quiser aprender o básico. Não é simples: são necessários de 2 a 3 anos de dedicação”, afirma Pin. "Os interessados devem se organizar com antecedência."
E outros países?
A China é o maior exemplo de país que busca atrair talentos renegados pelos Estados Unidos. Mas há outras iniciativas pontuais no mundo, como:
⭕Coreia do Sul: O chefe de gabinete da presidência da Coreia do Sul, Kang Hoon-sik, afirmou no início desta semana que orientou os ministérios a buscar estratégias para aproveitar as mudanças nos Estados Unidos e, assim, atrair cientistas e engenheiros estrangeiros.
Em setembro do ano passado, o governo criou o K-Tech Pass, um novo tipo de visto destinado a profissionais formados nas 100 universidades mais bem colocadas do mundo. A expectativa é conceder mil vistos desse tipo até 2030.
⭕Reino Unido: Por um lado, em 2025, novas regras aumentaram as exigências de qualificação para o visto de trabalhador qualificado, exceto para áreas estratégicas com escassez de mão de obra e alguns setores essenciais para a economia britânica.
Ministros e setores empresariais pressionam por uma redução de custos e simplificação dos processos de visto, argumentando que políticas rígidas podem afastar talentos promissores.
Ao mesmo tempo, o governo reforçou que pretende facilitar o ingresso de cientistas, pesquisadores, profissionais de design e especialistas digitais, especialmente por meio do visto Global Talent, já existente e voltado para líderes comprovados ou profissionais promissores em tecnologia digital, ciência, academia e artes.
⭕Alemanha: Sem entrar em detalhes, o chefe da associação digital alemã Bitkom, Bernhard Rohleder, afirmou à Reuters que "a nova política dos EUA pode ser uma oportunidade para a Alemanha e a Europa atraírem os melhores talentos".
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