Antídoto do metanol inibe enzimas do fígado e impede formação de venenos tóxicos; entenda

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?
Metanol: fígado vira 'vilão' e transforma bebida adulterada em veneno silencioso
O Brasil corre atrás de um medicamento que pode significar a diferença entre a vida e a morte em casos de intoxicação por metanol. Trata-se do fomepizol, antídoto considerado referência mundial para esse tipo de envenenamento. Ele não tem registro no país e precisa ser importado de forma emergencial.
A busca ganhou urgência depois da identificação de casos em São Paulo e em Pernambuco. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já acionou agências internacionais para importar o produto e lançou um edital para encontrar fornecedores que possam entregar o produto rapidamente ao Ministério da Saúde.
O que é o fomepizol
O fomepizol pertence à classe dos inibidores da álcool desidrogenase (ADH), enzima do fígado responsável por metabolizar tanto o etanol quanto o metanol. No caso do metanol, esse metabolismo é perigoso porque gera compostos altamente tóxicos — como o formaldeído e o ácido fórmico.
Quando o paciente recebe fomepizol, a droga bloqueia a ADH e interrompe essa transformação nociva. O metanol circula “intacto” no organismo, sem virar veneno, e pode ser eliminado naturalmente ou com ajuda da hemodiálise.
A hepatologista Natália Trevizoli, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a droga é considerada “mais precisa, segura e rápida, sem causar os efeitos de intoxicação do etanol”.
Segundo ela, quando administrado cedo, o fomepizol impede a formação de ácido fórmico, protegendo olhos, cérebro e fígado, reduzindo o risco de sequelas irreversíveis.
Ministério da Saúde recebe 41 notificações de intoxicação por metanol; 37 delas em São Paulo
Reprodução/TV Globo
Como funciona o etanol puro
Na ausência do fomepizol, hospitais recorrem ao etanol grau farmacêutico como alternativa. O princípio é semelhante: o etanol também disputa a mesma enzima (ADH) e retarda o metabolismo do metanol.
“O etanol entra como antídoto, para competir com a ADH, manter a enzima ocupada e evitar que o quadro evolua”, explica a hepatologista do Hospital Nove de Julho Lisa Saud.
Segundo a médica, esse uso precisa ser endovenoso e é restrito a 32 centros de referência do Sistema Único de Saúde (SUS). “Na prática clínica de hospitais privados, não é algo disponível.”
Natália Trevizoli reforça que etanol e fomepizol funcionam como “bloqueadores” da ADH, mas lembra a diferença fundamental:
“O fomepizol é um tratamento mais preciso, seguro e rápido. O etanol, em excesso, também intoxica o organismo.”
Mesmo com fomepizol ou etanol, há situações em que o dano já está instalado.
“Se o paciente chega acidótico, com sinais oculares ou neurológicos, muitas vezes é indispensável associar hemodiálise, que atua como filtro externo para retirar rapidamente o metanol e seus metabólitos”, detalha Trevizoli.
Alertas pelo Brasil
Os alertas começaram em São Paulo, em meados de setembro, onde a maioria dos pacientes foi atendida após consumir bebidas adulteradas. Pernambuco, Recife e Distrito Federal também notificaram casos suspeitos, incluindo mortes em investigação.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação para acompanhar a evolução dos registros e coordenar ações com estados e municípios. Até que o fomepizol seja disponibilizado, médicos seguem recorrendo à hemodiálise e ao etanol farmacêutico nos centros especializados.

Brasileiros que estudam em Portugal enfrentam aluguéis caros e dificuldade para encontrar moradia

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?
Estudar em Portugal está caro demais?
Brasileiros que estudam em Portugal estão sofrendo com a alta do aluguel no país. Nos últimos três anos, o preço médio pago por um quarto aumentou 50%.
De acordo com o Observatório do Alojamento Estudantil, a média de valor pago por quarto era de € 275 por mês em 2024. Em 2025, o valor mensal saltou para € 415 em 2025 – o equivalente a mais de R$ 2,5 mil.
Para os mais de 11 mil universitários brasileiros que vivem em Portugal, esses valores são um grande desafio.
Universidade fica em Coimbra, em Portugal
Divulgação/Universidade de Coimbra
"O aluguel é praticamente mais da metade do meu orçamento aqui no Porto", conta o estudante Angelo Gomes Pescarini, estudante de Ciências da Computação.
Ele diz que quando chegou ao Porto, em 2023, pagava € 575 por mês para morar em uma residência estudantil.
E mesmo ficando esse ano e já achando que estava caro, eles falaram que ia subir [o aluguel] para o próximo ano. E eu acho que hoje o mesmo quarto que eu morei já está por mais de € 700. E tinham outros quartos um pouco maiores também nessa residência. Então, eu acredito que tenham coisas lá por quase € 800 ou € 900. Um quarto que seja de 17 a 20 metros quadrados, né?
Hoje, Angelo divide um apartamento com outros dois estudantes. Ele paga € 400 por mês e mora perto de um bairro considerado perigoso no Porto.
"Realmente, por ter vindo do Brasil, a nossa percepção de perigo é outra. A gente até se sente mais confortável por ter uma rua limpa, por ter bastante comércio perto, por ter um parque perto. Mas, para os portugueses, para outras pessoas que eu já falei dessa região aqui também, eles sim acham chocante, assim, acham diferente, acham ruim. E acho que isso altera, sim, o valor do imóvel. Porque, para todas as pessoas que eu falo que moro perto da região da Pasteleira, imediatamente já falam que a Pasteleira é ponto de droga, é ponto de crime, de violência", acrescenta Angelo.
A busca pela nova casa não foi uma tarefa simples para Angelo, que encontrou uma grande concorrência.
"E mandei mensagem acho que para mais de 100 pessoas, para conseguir dez respostas e duas visitas. Porque as coisas aqui são de um dia para o outro. Se você visitou uma casa que você quer, é fechar o contrato no final da visita, não tem um dia de espera", conta Angelo.
"Eu cheguei a visitar dez quartos num dia. Vi várias pessoas pedindo o valor antecipado para você poder apenas visitar um local, e isso não se faz", aponta a estudante Gabriela Carvalho.
Gabriela chegou ao Porto neste semestre para cursar um mestrado em oncologia. Ela se deparou com aluguéis mais altos do que o planejado inicialmente.
"O mais barato que eu achei foi € 370 mais despesas, e o mais caro foi já € 600 por um quarto, ou até mesmo um estúdio de € 500 a € 800. A maioria dos relatos que eu escuto é o problema de não fazerem contrato. Não vão estar declarando [impostos] e, se quiserem fazer o contrato, tem um acréscimo de 28% sobre o preço, então assim também sobe ainda mais o valor. Eu conheço casos de pessoas que deixaram de vir para a universidade porque não conseguiam achar casa", ressalta Gabriela.
O Porto – no norte do país – está entre as cidades com preço médio mais alto de aluguel por um quarto: são € 400 por mês. O recorde é da capital Lisboa, onde o preço médio chega a € 500. Esse valor representa mais da metade do salário mínimo de Portugal, que é € 870.
"Eu vejo que isso também é uma dificuldade muito grande para os portugueses, cada vez mais até, porque a procura é maior, os valores são muito mais altos", observa Gabriela.
O aumento nos preços dos quartos está ligado à baixa oferta de imóveis. Portugal virou um destino muito procurado, tanto por turistas quanto por imigrantes. Isso acaba encarecendo os aluguéis. E, para alguns brasileiros, fica impossível se bancar aqui.
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Enem 2025: O que pode zerar a redação (e como evitar)

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?
São muitas as preocupações dos milhões de estudantes que vão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Até o candidato mais preparado já pensou nos piores cenários, como: E se eu zerar a redação?
O medo não é infundado: segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mais de 132 mil candidatos obtiveram nota zero na redação em 2023 – cerca de 5% dos participantes. A prova, que neste ano será aplicada em 9 de novembro, tem peso decisivo na nota final.
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O que zera a redação do Enem?
Conforme determinado na Cartilha do Participante, disponibilizada pelo Inep, a redação receberá nota 0 (zero) se apresentar uma das características a seguir:
Fuga total ao tema
Não obediência ao formato dissertativo-argumentativo
Folha de redação em branco ou com até 7 linhas escritas (10 linhas no sistema Braille, no caso dos candidatos com deficiência visual)
Cópia de textos da prova (linhas copiadas serão desconsideradas na contagem do mínimo)
Parte deliberadamente desconectada do tema proposto
Nome, assinatura, rubrica ou outra forma de identificação no espaço destinado ao texto
Impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação
Texto escrito em língua estrangeira
Texto com letra ilegível
Na imagem, trecho da redação de estudante que recebeu nota 980 na edição passada do Enem.
Reprodução/Luísa Barbosa
Fuga ao tema e formato
Segundo Tanay Gonçalves, professora de redação da plataforma Professor Ferretto, os critérios mais "perigosos" estão relacionados à Competência 2 da Matriz de Referência do exame (veja abaixo), que compreende a adequação ao tema e ao gênero dissertativo-argumentativo. "Se o aluno entregar, por exemplo, um poema ou uma carta no lugar de uma dissertação, a prova será zerada", ressalta.
Cartilha do participante do Enem explica as cinco competências avaliadas na redação.
Inep
No caso de fuga ao tema, há dois cenários possíveis:
Fuga total ao tema: quando nem o assunto mais amplo nem o tema específico proposto são desenvolvidos, a redação recebe zero. Exemplo: se o tema proposto for "a visibilidade das pessoas em condição de rua", e o candidato escrever sobre violência doméstica.
Fuga parcial/tangenciamento ao tema: quando o texto aborda só parcialmente, de forma ampla, o assunto a que o tema está vinculado. Não zera a prova, mas a perda de pontos pode ser significativa, já que afeta as Competências 2, 3 e 5 e impede notas acima de 40 em todas elas.
Cópia de textos da prova
Outro ponto de atenção é a cópia de informações dos textos de apoio fornecidos na prova de redação ou no caderno de questões de Linguagens e Ciências Humanas.
Trechos que apresentarem cópia integral ou parcial não entram na contagem mínima de linhas escritas. Assim, se restarem sete ou menos de autoria própria, a redação é automaticamente anulada.
O material do Inep explica que "a recorrência de cópia é avaliada negativamente e fará que sua redação tenha uma pontuação mais baixa ou, até mesmo, seja anulada como cópia".
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No primeiro caso, o candidato recebe apenas 80 dos 200 pontos possíveis na Competência 2 se "desenvolve o tema recorrendo à cópia de trechos dos textos motivadores ou apresenta domínio insuficiente do texto dissertativo-argumentativo, não atendendo à estrutura com proposição, argumentação e conclusão".
Vale lembrar que essa competência (veja o quadro abaixo) também avalia a capacidade de o aluno apresentar repertório sociocultural próprio.
Competência 2 da redação do Enem.
g1
Como evitar que a redação seja zerada?
Antes de tudo, o candidato deve fazer "uma boa leitura dos textos motivadores e da frase temática, pois são esses os elementos que norteiam a escrita da redação", lembra Maysa Barreto, assistente pedagógica da plataforma Redação Nota 1000.
A redação deve contemplar a proposta indicada na frase-tema de forma integral. Deixar o tema subentendido, por exemplo, não é suficiente. Isso porque ela "deve ser compreendida, até mesmo, por um(a) leitor(a) que não tenha tido acesso à proposta de redação na qual ela foi baseada", orienta a Cartilha.
Para garantir a adequação, "mencione o tema pelo menos quatro vezes ao longo da redação – considerando os quatro parágrafos da estrutura básica da dissertação", recomenda Tanay.
A repetição do tema não precisa ser literal em todas as menções. "Colocar todas as palavras-chave e seus sinônimos ao longo da redação, garantindo uma boa progressão temática: elas são os substantivos, adjetivos e advérbios presentes na frase tema", indica Maysa. Quanto ao critério de cópia, ela frisa:
"O Enem quer uma produção autoral. É possível aproveitar ideias que surgirem ao longo da leitura, como as razões da persistência do problema. Mas, se a maior parte da redação for cópia ou paráfrase de textos apresentados pela banca, a redação é zerada", alerta Maysa.
️💡No dia da prova, antes de passar o texto do rascunho para a folha de redação, vale fazer um checklist considerando as cinco competências avaliadas pelo Enem. Assim, o aluno se certifica de que todos os requisitos foram atendidos e não há erros graves que possam levar ao zero.
O que o Enem considera como 'parte deliberadamente desconectada do tema proposto'?
Esse item corresponde às reflexões do participante sobre o próprio exame, bilhetes para os corretores, mensagens políticas, orações, músicas ou trechos de poemas.
➡️ Isso não impede o uso de uma mensagem de protesto ou uma letra de música, por exemplo, como parte do repertório, desde que as passagens estejam devidamente articuladas à argumentação construída. Ou seja, não apareçam de forma isolada.
"Em suma, para ter sua redação anulada por esse critério, é preciso que você insira, de forma proposital, pontual e desarticulada, elementos estranhos ao tema e ao seu projeto de texto e/ou que atentem contra a seriedade do exame", resume a Cartilha do Candidato.
Ferir os direitos humanos pode zerar a redação?
Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Enem não poderia mais zerar automaticamente a redação de candidatos que desrespeitem os direitos humanos.
O que ainda pode acontecer é ter a nota zerada na Competência 5 da Matriz de Referência – que avalia, em até 200 pontos, a capacidade do estudante de "elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos". Entenda no link abaixo como funciona e quais cuidados tomar:
Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos

Metanol: fígado vira ‘vilão’ e transforma bebida adulterada em veneno silencioso; entenda

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?
Metanol: fígado vira 'vilão' e transforma bebida adulterada em veneno silencioso
Ao ingerir uma bebida alcoólica adulterada com metanol, é justamente o fígado — órgão que costuma proteger nosso organismo de toxinas — que vira o grande “vilão” no processo de intoxicação.
➡️Por quê? Em vez de metabolizar a substância para que ela seja processada facilmente, ele a transforma em compostos ainda mais perigosos, capazes de provocar cegueira e de levar à morte:
formaldeído, muito reativo, mas rapidamente convertido em…
…ácido fórmico, considerado o verdadeiro veneno neste quadro.
“O fígado é como o ‘laboratório químico’ do corpo. Sua principal função é transformar substâncias tóxicas em compostos menos perigosos, por meio de enzimas”, explica Felipe Lukacievicz Barbosa, coordenador do curso de Farmácia da Universidade Positivo.
“No caso do etanol (álcool comum), essa estratégia funciona bem. Já no do metanol, ele gera compostos que atacam as células. É um veneno silencioso.”
Nesta reportagem, hepatologistas e professores explicam:
como o fígado metaboliza substâncias como o etanol e o metanol;
por que o metanol, em especial, vira veneno dentro do organismo;
o papel das mitocôndrias na perda de energia celular;
os efeitos da acidose metabólica provocada pelo ácido fórmico;
como o tratamento age para impedir que a intoxicação avance.
Por que o fígado age corretamente com o etanol?
Quando alguém ingere etanol, tomando cerveja ou vinho, por exemplo, o fígado cumpre sua função:
converte esse tipo de álcool, por meio da enzima ADH (álcool desidrogenase), em acetaldeído;
em seguida, outra enzima, a ALDH (aldeído desidrogenase), transforma o acetaldeído em acetato, que é descartado pelo organismo sem grandes danos.
Os problemas de saúde costumam surgir a médio ou a longo prazo: as células do fígado (hepatócitos), após anos de consumo abusivo, podem sofrer um dano crônico e cumulativo, levando a quadros de cirrose e de insuficiência hepática.
🔴Com o metanol, a história é completamente diferente. Ele também é um álcool (tanto que termina com “ol”), mas com apenas um átomo de carbono, e não dois.
O fígado, que não está habituado a receber esse tipo de substância, “se atrapalha”: ao tentar metabolizar o metanol, acaba fabricando os dois compostos extremamente tóxicos mencionados no início da reportagem (o formaldeído e o ácido fórmico).
“É como se o fígado acreditasse que está cumprindo sua função, mas, em vez de neutralizar [o metanol], produz substâncias ainda mais perigosas”, explica Natália Trevizoli, hepatologista do Hospital Sírio-Libanês (SP).
Lisa Saud, médica especialista do Hospital 9 de Julho (SP), traça uma comparação:
“O etanol pode provocar consequências em 10 ou 15 anos de abuso. Já o metanol age em poucas horas. É um mecanismo totalmente diferente”, explica.
Por que o ácido fórmico é tão danoso?
Intoxicação por metanol: como é feita a análise das bebidas apreendidas
1- ‘Fábrica de energia’ afetada
O ácido fórmico ataca justamente as mitocôndrias, organelas responsáveis pela respiração celular. Ele inibe a ação da enzima citocromo c oxidase, essencial para a produção de ATP (molécula orgânica que armazena energia).
“Sem ATP, é como se tirássemos os tecidos da tomada. Eles deixam de ter energia para funcionar”, explica Marcus Barbosa, médico e professor da Unifran.
Os primeiros a sofrer são aqueles que mais dependem de energia:
no nervo óptico → o que explica os casos de cegueira registrados na Grande São Paulo;
no sistema nervoso central → provocando sonolência, confusão mental e, em casos graves, coma.
2- Sangue mais ácido
Além de cortar a energia celular, o ácido fórmico ainda reduz o pH do sangue, tornando-o mais ácido.
“O organismo humano precisa manter o pH em torno de 7,40. Quando esse valor cai, ocorre a chamada acidose metabólica, que faz várias funções entrarem em colapso”, afirma Felipe Lukacievicz Barbosa, farmacêutico e professor da Universidade Positivo.
Ele lista as principais consequências:
coração: arritmias e perda de força contrátil;
rins: agravamento de lesões;
músculos: fadiga intensa;
respiração: aumento da frequência, em uma tentativa de compensar o desequilíbrio químico.
A professora Meire de Bartolo, do Colégio Bandeirantes, faz uma analogia: “É como se os peixes de um aquário estivessem nadando em água que ficou ácida de repente. Eles não resistem. No corpo humano, esse ‘aquário’ é o sangue, e as células são os peixes”, diz.
“O nervo óptico será particularmente afetado tanto por essa acidose metabólica quanto pela falta de energia. Ele é constituído de células nervosas (neurônios) que são altamente sensíveis à redução de pH sanguíneo e que demandam muita energia para seu funcionamento.”
➡️Em resumo, após a ingestão de metanol, as etapas são:
Absorção gastrointestinal rápida → distribuição na água corporal → passagem predominante pelo fígado para oxidação → formação de ácido fórmico → acúmulo sistêmico, atingindo principalmente os olhos e o sistema nervoso central.
“Uma fração pequena pode ser eliminada inalterada por pulmões e rins, mas é insuficiente para proteger o organismo”, diz Natália Trevizoli, do Sírio-Libanês.
O papel do fígado no tratamento
O fato de o fígado ser o responsável por converter o metanol em veneno explica por que os antídotos usados — como fomepizol (que não é comercializado no Brasil) e o etanol — agem justamente nesse órgão.
“Eles competem com o metanol pela mesma enzima, a álcool desidrogenase”, detalha Natália Trevizoli. É como se mantivessem essas enzimas ocupadas.
“Bloqueiam a primeira reação, impedindo que o metanol vire formaldeído e ácido fórmico. Isso dá tempo para o corpo eliminar a substância antes que ela cause sequelas irreversíveis”.
Mas, para que isso funcione, é necessário agir rapidamente, antes que o quadro evolua para cegueira, falência múltipla de órgãos e morte.
Existe alguma outra situação em que o fígado também aja de forma perigosa?
Como o metanol aparece na bebida alcóolica — e por que isso gera lucro para alguns?
Getty Images
Trevizoli, do Sírio-Libanês, cita dois exemplos:
Um caso bastante conhecido é o do etilenoglicol, usado como anticongelante em radiadores de carros e em sistemas de refrigeração. É altamente tóxico para humanos.
“Quando o fígado tenta processar essa substância, ele acaba gerando ácidos que danificam os rins e levam à acidose”, diz a hepatologista.
Há também o uso do paracetamol em superdosagem.
“Nessa situação, o fígado transforma o remédio em um metabólito altamente reativo, chamado NAPQI, que pode causar falência hepática”, afirma a médica.
“O mesmo órgão que deveria nos proteger contra substâncias nocivas acaba, em alguns casos, fabricando compostos ainda mais tóxicos.”
Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano.
Arte/g1

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?

O que muda no ensino de matemática após novo decreto do MEC?
‘Mostre o quão alto você é’: trend tem dois erros de matemática
O decreto que institui o Compromisso Nacional Toda Matemática foi publicado nesta quinta-feira (2) no Diário Oficial da União (DOU). O objetivo da nova política é fortalecer o ensino da matemática na educação básica por meio da oferta de apoio técnico e financeiro às redes de ensino que aderirem à iniciativa.
Em resumo, a política deve proporcionar uma abordagem articulada para uma melhor formação dos professores, apoio com materiais específicos para o ensino de matemática, avaliação e definição de metas de aprendizado, reconhecimento de boas práticas de ensino, entre outros pontos.
A ideia é garantir que todas as redes que aderirem ao compromisso tenham o mesmo nível de preparação e capacidade para impulsionar o aprendizado da matemática por parte do aluno.
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“Estamos lançando o ‘Compromisso Toda Matemática’ para apoiar a formação de professores e apoiar tecnicamente e financeiramente as redes de educação básica para melhorar a aprendizagem da matemática”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, na Cerimônia Nacional de Premiação da 19ª Obmep que ocorreu na segunda-feira (30).
Aluno faz atividade de matemática. Imagem ilustrativa.
Reprodução/Pexels
De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2022, 73% dos estudantes brasileiros apresentaram um desempenho insuficiente em matemática. Isso significa que, na época, 7 a cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não sabiam resolver problemas matemáticos simples.
Isso colocou o Brasil abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e é este quadro que o Compromisso Nacional Toda Matemática quer reverter.
A política está estruturada em cinco eixos:
Governança e gestão: Prevê a criação de instâncias de articulação e acompanhamento, como o Comitê Nacional Gestor (Comat) e a Rede Nacional de Ancoragem (Renamat), além de comitês estratégicos nos estados. O objetivo é coordenar políticas, monitorar resultados e apoiar a implementação das ações do programa.
Formação de profissionais da educação: O MEC oferecerá apoio técnico e financeiro para capacitar gestores e professores, priorizando práticas pedagógicas eficazes, baseadas em evidências. Também está prevista a revisão de cursos de licenciatura em Pedagogia e Matemática, para reforçar a formação docente em conteúdos e metodologias.
Orientação curricular: Envolve diretrizes nacionais para fortalecer a implementação do currículo de matemática nas redes de ensino. Inclui a disponibilização de materiais didáticos suplementares e recursos pedagógicos que apoiem estratégias de progressão curricular e práticas diversificadas de ensino.
Avaliação da aprendizagem: Abrange avaliações formativas feitas pelas escolas, avaliações em larga escala dos sistemas de ensino e o Saeb, realizado pelo Inep. Essas avaliações servirão para medir níveis adequados de aprendizagem, definir metas anuais e orientar políticas públicas e ações pedagógicas.
Reconhecimento e compartilhamento de boas práticas: Estabelece estratégias para premiar e divulgar práticas inovadoras e eficazes de professores, gestores e secretarias. Entre as ações, estão concursos, mostras pedagógicas e apoio a olimpíadas de professores de matemática, estimulando a disseminação de experiências de sucesso.
A adesão ao Compromisso será voluntária, ou seja, cada rede de ensino deverá sinalizar seu interesse me fazer parte da iniciativa e receber o apoio do MEC para a implementação. Caberá ao MEC coordenar a formulação, implementação e monitoramento das políticas. O cronograma de adesão ainda não foi divulgado.
Critérios de prioridade serão adorados para determinar a ordem de atendimento das redes pelo programa. Será considerado:
a proporção de estudantes do ensino fundamental e ensino médio com aprendizagem em matemática abaixo do adequado;
as características socioeconômicas, étnico-raciais e de gênero; e
a presença de estudantes que compõem o público-alvo da educação especial e da educação bilíngue de surdos.
De acordo com o MEC, o programa terá um orçamento previsto de aproximadamente R$ 70 milhões, ainda em 2025. Essa verba deve ser voltada à formação de professores e gestores escolares, à disponibilização de materiais didáticos suplementares e a outros recursos pedagógicos.
Parte desse valor (R$ 20 milhões) será enviada direto às escolas pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Toda Matemática. A decisão sobre quais escolas receberão mais apoio vai levar em conta o desempenho dos alunos nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
"Os demais R$ 50 milhões deverão vir dos PDDEs Escola das Adolescências e Recomposição das Aprendizagens, destinados à melhoria da aprendizagem por meio da implementação de clubes de letramento nas escolas para os anos finais do ensino fundamental", explicou a pasta.