Professora costura redes e cria espaço de leitura para alunos de escola pública no ES

IA na educação: desafios e oportunidades – O Assunto #1577
Professora inova para incentivar leitura e cria varanda literária no ES
Com muita criatividade e paixão pela educação, uma professora de Linhares, no Norte do Espírito Santo, se propôs criar boas memórias para os alunos da alfabetização: costurou 10 redes de descanso para aproximar as crianças do universo dos livros.
Ariane Francisco Rodrigues é professora do Centro de Educação Infantil Municipal (CEIM) Joelma Rocha Vieira. A ideia de criar um espaço de leitura com redes surgiu quando a diretora da escola, Gisele Soares, descobriu que Ariane, além de pedagoga, costurava há mais de 10 anos.
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“A Gisele veio com essa ideia depois que descobriu que eu costurava. Isso aconteceu no Dia dos Pais, quando fiz umas capas para uma atividade. Aí ela me chamou e disse: ‘Estou com uma ideia de um espaço para leitura’. Eu achei ótimo e topei”, disse a professora.
O espaço foi batizado como Varanda Literária.
Criança lê um livro deitada na rede costurada por professora em Linhares, no ES.
Reprodução/TV Gazeta
Pedagoga há 4 anos, Ariane costurou as redes na própria casa. Ela espera que todo esforço em proporcionar momentos de acolhimento, como os das redes e dos livros, permaneça na memória dos estudantes.
“Foi algo feito com amor, com carinho, pensando nas crianças e também no futuro delas."
Como as redes foram feitas?
🧵 Tecido usado: gorgurinho
🎨 Motivo da escolha: estampas lúdicas e coloridas, pensadas para encantar as crianças
📏 Dimensão: cerca de 1 metro por rede
⏳ Tempo de produção: aproximadamente 1 mês para confeccionar todas
💰 Recursos: toda a produção foi custeada com verbas da escola
"Queremos que, quando crescerem e lembrarem da leitura, pensem: ‘Poxa, eu participei de um projeto bacana, eu gostava de estar ali.’ Para mim, foi e é muito especial fazer parte desse projeto literário”, falou a professora.
Professora Ariane Francisco Rodrigues costurou redes para que crianças leiam em escola do ES
Reprodução/TV Gazeta
Ela acredita que todas as ações que contribuem positivamente para a vida dos pequenos estudantes representam um benefício para o futuro deles.
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“Tudo o que é feito para contribuir com a vida escolar das crianças é muito benéfico. Tudo o que agrega, que acrescenta algo à vida do aluno, me deixa com o coração feliz. Fico muito contente em poder usar a minha arte, a costura, para proporcionar esses momentos", falou.
"Como profissional, penso que amanhã, quando eu olhar para trás, vou poder dizer: ‘Eu contribuí, deixei um grãozinho na vida de cada criança’”
A colaboração entre a escola e as famílias
Além do papel da equipe pedagógica, as famílias participam do processo de aprendizado dos alunos dentro de sua própria realidade.
Um exemplo é o pai de uma das crianças, o metalúrgico Gutyerre Soeiro Gomes, que ajudou na instalação da estrutura que sustenta as redes. Foram três dias de trabalho até que tudo ficasse pronto, em julho deste ano.
Crianças deitadas em redes de leitura em projeto de escola no ES.
Reprodução/TV Gazeta
“A gente executou a parte de solda e montagem, medimos as redes, calculamos o espaço de uma criança para outra e fizemos a instalação no local”, contou o pai.
A leitura incentivada desde a infância
A escola atende 243 crianças de um a cinco anos que, mesmo ainda não sabendo ler, já estão em contato com os livros.
“A ideia é estimular a leitura na primeira infância, porque, embora nossas crianças ainda não leiam, sabemos da importância do contato com o livro, com as histórias e com a linguagem poética”, explicou a diretora do CEIM, Gisele Soares.
Crianças usam redes costuradas por professora como espaço de leitura em escola do ES
Reprodução/TV Gazeta
De acordo com a diretora, o espaço tem sido muito aproveitado pelas crianças e já se tornou motivo de orgulho na cidade.
“As crianças ficaram completamente encantadas, adoram o espaço, e os adultos também. É o resultado lindo de um trabalho em equipe. Nossa varanda literária ganhou uma proporção que nem imaginávamos quando pensamos no projeto, e isso é muito bacana”, pontuou a diretora.
Crianças da alfabetização são incentivadas a ler desde cedo.
Reprodução/TV Gazeta
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Crianças dormem e aprendem melhor quando há controle de tela, aponta estudo

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Celular proibido nas escolas?
Crianças cujos pais têm regras rígidas sobre o uso de smartphones à noite dormem em média 40 minutos diários a mais, o que melhora sua saúde e rendimento acadêmico, aponta uma pesquisa recente da Universidade de Genebra, na Suíça.
O estudo, realizado mediante questionários aplicados em 329 estudantes suíços com idade entre 13 e 15 em 2021, mostrou que aqueles que eram proibidos pelos pais de usar o smartphone no quarto ou à noite chegavam a dormir mais de quatro horas e meia extras por semana.
Já outros tipos de restrições, como limitar o tempo diário em frente a uma tela ou estabelecer uma hora para deitar-se, não tiveram efeito significativo sobre a quantidade de horas dormidas.
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Um outro estudo, realizado em 2020 pela Unisanté, de Lausanne, também na Suíça, constatou que jovens de 14 anos tinham 12 vezes mais chances de passar mais de quatro horas por dia em frente a uma tela em 2020 que em 2012. Tal exposição excessiva afeta negativamente a duração e a qualidade do sono.
Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
Mais descansados e com melhores notas
Segundo os pesquisadores de Genebra, mais tempo de sono – numa idade em que o recomendado é dormir pelo menos nove horas – tem efeitos benéficos sobre a memória, a atenção e a estabilidade emocional, além de reduzir o risco de ansiedade e depressão.
"Os pais, portanto, têm um papel central a desempenhar. O envolvimento deles influencia diretamente a saúde e o sucesso da criança", pontuou o doutorando do Departamento de Neurociência Básica e principal autor do estudo, Kevin Mammeri, em declaração à Universidade de Genebra. "Esse limite precisa ser estabelecido antes dos 15 anos; depois disso, é mais difícil corrigir maus hábitos."
As escolas também devem se envolver nisso, trabalhando para conscientizar os estudantes sobre a importância do sono em um momento em que "muitos ficam na cama com o celular, sem uma distinção clara sobre onde eles dormem e onde acessam a internet", afirma a pesquisadora e neurocientista Virginie Sterpenich, que liderou o estudo.
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Enem: os 7 principais erros que os candidatos cometem na redação

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Redação nota mil no Enem: alunos de escola pública que atingiram pontuação dão dicas
Quem pretende concorrer a uma vaga no ensino superior usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sabe que cada ponto é valioso. Na prova de redação, deslizes que parecem pequenos podem acarretar em perdas significativas na nota.
Para evitar isso, é importante ter clareza do que o Enem espera dos candidatos e os erros mais frequentes. Confira abaixo quais são e por que descontam pontos.
📆 O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro, sendo a redação parte do primeiro dia de exame, em que os participantes também encaram 90 questões objetivas de Linguagens e Ciências Humanas.
1. Não elaborar um projeto de texto
A Cartilha de Redação do Enem 2025 destaca que planejar o texto antes de escrevê-lo é essencial para garantir clareza, coerência e boa argumentação. Esse planejamento, feito no espaço destinado ao rascunho, ajuda o candidato a definir a tese, organizar os argumentos e preparar a proposta de intervenção.
Embora a banca corretora não tenha acesso a esse "bastidor", um texto bem estruturado mostra que o candidato tinha um projeto claro desde o início, o que é valorizado na competência 3 da Matriz de Referência.
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Além de facilitar o processo de escrita, ter uma boa organização do texto garante que os critérios cobrados pelo exame sejam atendidos e diminui a chance de erros mais graves.
2. Problemas linguísticos
Erros de gramática, ortografia e pontuação, quando frequentes, comprometem a nota na competência 1, que avalia o domínio escrita formal da língua portuguesa. O texto deve seguir as regras da norma padrão e apresentar estrutura sintática correta e clara.
Conforme a Cartilha de Redação, são considerados desvios:
convenções da escrita — acentuação, ortografia, uso de hífen, emprego de letras maiúsculas e minúsculas e separação silábica (translineação);
gramaticais — regência verbal e nominal, concordância verbal e nominal, tempos e modos verbais, pontuação, paralelismos sintático, morfológico e semântico, emprego de pronomes e crase;
escolha de registro — adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal e/ou de marcas de oralidade;
escolha vocabular — emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são usadas em seu sentido correto e são apropriadas ao contexto em que aparecem.
As falhas na estrutura sintática incluem períodos truncados (ponto final separando duas orações que deveriam constituir um mesmo período), justaposição (uma vírgula no lugar de um ponto final que deveria indicar o fim da frase), ausência de termos ou excesso de palavras.
Para alcançar a nota máxima de 200 pontos nesta competência, é importante que os períodos do texto apresentem complexidade, sendo bem articulados e variados.
Enem 2025: checklist para revisar a redação e garantir mais pontos
3. Problemas de coesão e coerência
Esse tipo de falha aparece quando o texto não estabelece ligações claras entre as ideias, o que pode ocorrer pelo uso incorreto de conectivos, repetições desnecessárias ou falta de continuidade entre os parágrafos.
A competência 4 avalia se o candidato demonstra domínio dos mecanismos linguísticos que estruturam a argumentação, ou seja, se organiza o texto de forma lógica e fluida.
Para garantir clareza, é preciso usar recursos de coesão, como os operadores argumentativos – palavras e expressões que marcam relações de semelhança, oposição, causa ou conclusão (assim como, porém, por isso, portanto etc.). Preposições, conjunções e advérbios também ajudam no encadeamento de ideias.
"Na produção da sua redação, você deve utilizar variados recursos linguísticos que garantam as relações de continuidade essenciais à elaboração de um texto coeso", esclarece o documento.
Enem 2025: prova será nos dias 9 e 16 de novembro.
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4. Fuga ao tema e/ou ao tipo textual
Conforme discriminado na cartilha, a redação recebe nota zero se apresentar problemas como ter até 7 linhas escritas, letra ilegível, impropérios, desenhos e outras características (veja aqui).
Mas os erros mais graves e comuns são fugir ao tema ou não seguir o formato dissertativo-argumentativo, avaliados na competência 2. Ela verifica se o candidato compreende a proposta e desenvolve o tema de forma adequada.
"Por isso, a dupla natureza desse tipo textual: é argumentativo porque defende um ponto de vista, uma opinião, e é dissertativo porque utiliza explicações para justificá-lo", explica a cartilha.
Entregar poemas, narrativas ou relatos pessoais, por exemplo, é fugir ao tipo exigido pelo Enem e resulta em anulação.
Quanto ao desvio do tema proposto, que também compromete a nota, há dois cenários possíveis:
Fuga total ao tema: quando nem o assunto mais amplo nem o tema específico proposto são desenvolvidos, a redação recebe zero.
Fuga parcial/tangenciamento ao tema: quando o texto aborda só parcialmente, de forma ampla, o assunto a que o tema está vinculado. Não zera a prova, mas a perda de pontos pode ser significativa, já que afeta as Competências 2, 3 e 5.
5. Argumentação insuficiente
A argumentação sustenta e justifica a tese apresentada na introdução do texto. Quando é superficial ou genérica, a redação perde força e clareza.
A competência 3 avalia justamente a capacidade do candidato de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos para defender seu ponto de vista. A nota é bastante prejudicada quando a argumentação é construída com frases vagas, exemplos irrelevantes, informações soltas, repetitivas ou contraditórias.
Uma boa argumentação exige clareza, consistência e lógica, além de exemplos que reforcem a tese.
6. Uso de repertório de bolso
É um erro comum entre os candidatos e foi destacado pela primeira vez na Cartilha de Redação 2025. O termo "repertório de bolso" se refere ao uso de citações e referências prontas, decoradas e genéricas, que aparecem em muitos textos sem relação real com o tema. ➡️ SAIBA MAIS
A presença de repertório sociocultural é avaliada pela competência 2 da Matriz de Referência, que mede se o candidato consegue utilizar conhecimentos de diferentes áreas de conhecimento para reforçar a tese e os argumentos construídos. O problema não está em citar autores ou fatos conhecidos por si só, mas em fazê-lo de forma superficial.
O candidato deve, portanto, ter olhar crítico ao empregar o repertório escolhido. Para ser considerado produtivo, esses exemplos precisam ser pertinentes ao assunto, bem contextualizados e articulados aos argumentos e à tese.
Enem 2025: como estudar usando filmes, séries e outras obras
7. Proposta de intervenção inadequada ou incompleta
A competência 5 avalia, em até 200 pontos, a capacidade do estudante de elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado pela frase-tema, respeitando os direitos humanos. Em outras palavras, uma iniciativa que enfrente ou resolva a questão.
Apresentada na conclusão da redação, a proposta deve ser concreta, específica e coerente com a argumentação desenvolvida ao longo do texto, apresentando cinco elementos fundamentais: ação, agente, meio de execução, finalidade, e algum detalhamento.
A nota será severamente prejudicada em caso de ausência de proposta de intervenção, ou apresentação de propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com o tema.
Além disso, essa proposta deve respeitar os direitos humanos universais, como vida, liberdade, segurança, justiça e educação. O candidato que ferir esses direitos pode ter a nota zerada na competência, perdendo os 200 pontos possíveis.
Redação do Enem: nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos

‘Professores da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade, mas são desvalorizados’, diz pesquisadora de Harvard

IA na educação: desafios e oportunidades – O Assunto #1577
'Professores da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade'
“Ser levada a sério é o maior desafio.” É assim que Elisangela Lima, de 47 anos, define seu principal obstáculo como professora de educação infantil no Brasil. Ela trabalha em uma creche pública conveniada à prefeitura de São Paulo: são 10 horas por dia dedicadas a uma turma de 25 crianças (de 3 e 4 anos).
“A maioria das pessoas acha que é só cuidar e brincar. E não é assim — exige formação e planejamento. Estamos formando cidadãos”, afirma.
👩‍🏫Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, o g1 explica por que os docentes dessa etapa desempenham uma função tão relevante para o país — e como, ainda assim, não são reconhecidos.
Em entrevista à reportagem, Dana McCoy, professora da Universidade Harvard e co-presidente do Programa de Desenvolvimento Humano e Educação (HDE) da instituição americana, reforça que a tendência mundial ainda é esta: desvalorizar os profissionais de creches (instituições para bebês de 0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos).
Unidade de Educação Infantil na cidade de SP
Reprodução/Prefeitura de São Paulo
“Eu ficaria feliz se pelo menos recebessem o mesmo que os outros professores”, afirma ela, que esteve em São Paulo neste mês para o Simpósio Internacional de Educação Infantil da Fundação Bracel.
“Eles não só ensinam leitura e matemática, mas também ajudam a desenvolver o ‘todo’ da criança: auxiliam na regulação emocional, nas relações sociais, no cuidado físico.”
McCoy diz que eles não têm um status compatível com o impacto que são capazes de produzir.
“Fazem o trabalho mais importante de toda a sociedade. O futuro econômico e a capacidade de inovação nascem nas creches e pré-escolas, porque é lá que as habilidades fundamentais serão desenvolvidas”, afirma.
Dana McCoy é professora de Harvard e estuda sobre a primeira infância
Divulgação
Veja 4 fatores que demonstram o peso da fase escolar inicial:
🧠Os primeiros anos de vida são os mais importantes para o aprimoramento do sistema neurológico. Experiências educativas nessa etapa estimulam áreas do cérebro responsáveis por linguagem, raciocínio lógico e criatividade.
👶A interação com outras crianças em ambientes educativos favorece o desenvolvimento de habilidades sociais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos.
📉O acesso à educação infantil de qualidade ajuda a diminuir disparidades socioeconômicas: reduz em 65% o risco de um indivíduo cometer crimes violentos no futuro e em 20% a probabilidade de não ter um trabalho (de acordo com estudo de Sneha, Garcia, Hojman e Heckman, de 2016).
💪Ambientes estimulantes e acolhedores contribuem para a formação de autoestima, autonomia e segurança emocional dos alunos.
Em resumo: programas de educação infantil melhoram os resultados dos alunos não só em aprendizado e em habilidades acadêmicas, mas também em bem-estar emocional, saúde física, autonomia e desenvolvimento motor.
“Os investimentos que fazemos em políticas e programas voltados para a primeira infância têm maior retorno do que em qualquer outro período da vida. Claro que nunca é tarde para investir, mas, se quisermos ter o maior benefício possível para cada dólar investido, esse é o momento ideal”, explica a professora de Harvard.
'Algumas crianças só se alimentam na escola'
Elisangela é professora em escola de educação infantil pública
Arquivo pessoal
Nos casos de alunos que vivem em contextos de vulnerabilidade, a escola acaba assumindo funções que inicialmente nem seriam atribuídas a ela.
Um exemplo básico: o mais importante para uma criança nos primeiros anos de vida é ter uma relação forte e afetiva com um adulto que realmente se importe com ela. Se não houver essa possibilidade na família, é o professor que acaba assumindo o papel, por mais sobrecarregado que já esteja.
“Caso seja uma educação infantil de alta qualidade, com um professor dedicado e afetuoso, isso pode proteger alguém dos impactos negativos e das adversidades vividas em casa”, afirma McCoy, de Harvard.
Elisangela, professora citada no início da reportagem, conta que, na sua turma de 25 alunos, há três com deficiência. Um deles, com paralisia cerebral, ainda está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter acesso a terapias.
“Enquanto a aprovação não sai, a gente tenta desenvolvê-lo com o que tem aqui dentro da escola”, diz Elisangela, citada no início da reportagem.
“Há também crianças que só se alimentam aqui dentro. Eu sei que algumas delas precisam da creche também para isso.”
O que falta aos professores?
Dana McCoy divide as necessidades dos docentes em dois aspectos:
🔴Níveis básicos de segurança e de estrutura: por quantas crianças cada professor é responsável? Há acesso a brinquedos, livros, água potável e banheiros infantis? O ambiente é seguro e estimulante?
No Brasil, apenas 35% das escolas públicas de educação infantil têm área verde. Nem metade (41%) disponibiliza parquinho, e 30% não possuem material pedagógico específico para crianças, segundo microdados do Censo Escolar da Educação Básica, formulado pelo Inep e analisado pela ONG Todos Pela Educação.
🔴Qualidade processual: a remuneração é compatível com a função desempenhada pelos professores? Eles estão sobrecarregados emocionalmente ou recebem cuidados? Os currículos são completos? Todos receberam a formação adequada?
“Precisamos oferecer condições para que eles próprios estejam bem. Só assim poderão fazer esse trabalho essencial de cuidar e interagir com as crianças”, diz Dana McCoy.
Segundo ela, houve, historicamente, uma tendência nas políticas públicas e nas pesquisas sobre educação infantil de focar apenas na criança — e de ver no educador alguém que apenas transmite conteúdos, “como se ele não fosse um ser humano, mas um ‘agente de entrega’”. “Isso está começando a mudar”, diz.
➡️Entre os avanços, especificamente no Brasil, estão a instituição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) com diretrizes sobre a creche e a pré-escola, e a instituição de um piso salarial nacional para todos os professores.
Mas nem sempre os documentos e decisões públicas são respeitados no dia a dia. No caso da remuneração, como os responsáveis pelo pagamento são as redes de ensino, cada estado e município oficializa seus valores. Segundo pesquisa do QueroBolsa, professores de educação infantil recebem, em média, R$ 2.604,57, bem abaixo do piso (R$ 4.867,77, para a jornada de 40 horas semanais).
🔽A sociedade tende a subvalorizar o trabalho de cuidado de crianças pequenas.
“Historicamente, isso foi visto como responsabilidade das famílias, especialmente das mães, que faziam esse trabalho sem apoio social e sem remuneração. Há, portanto, uma dimensão de gênero muito forte”, diz McCoy.
No Brasil, as mulheres representam 97% dos professores de creche e 94% dos de pré-escola.
Formação frágil dos pedagogos agrava o quadro
✏️No Brasil, outro obstáculo é a qualidade na formação dos professores. Na creche, dos 373.181 docentes, 19% estudaram até o ensino fundamental ou médio, sem faculdade. A situação é parecida na pré-escola, em que, dos 366.042 professores, 17% não têm graduação.
E, mesmo no caso daqueles que cursaram pedagogia, existe outro problema: a baixa qualidade dos cursos oferecidos, principalmente à distância.
“Estudos que avaliaram os currículos dos cursos de pedagogia mostram que eles não estão tão voltados para a educação infantil. Quando essas disciplinas existem, são muito teóricas e pouco voltadas para a prática docente”, diz Abuchaim, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
“O professor acaba não tendo uma formação inicial que realmente o prepare para o que encontrará em sala de aula.”
Veja questões que os professores enfrentam na educação infantil e que requerem a formação em pedagogia, e não apenas "instinto" ou "improviso":
saber colocar intencionalidade educativa nas brincadeiras e no convívio entre todos, para que mais habilidades sejam desenvolvidas;
conhecer os objetivos da etapa de ensino e conseguir organizar o processo escolar para dar conta de todos esses eixos.
conseguir elaborar atividades adequadas à idade de cada criança e aos objetivos de aprendizagem a serem atingidos;
fazer uma observação sistemática de cada aluno, para monitorar o desenvolvimento dele;
saber rever o próprio trabalho e, quando necessário, mudar a estratégia pedagógica.
É um ciclo: quanto mais atrativa for a carreira, mais bem preparados estarão os professores. E quanto mais qualificados eles forem, melhor será a educação oferecida às crianças — especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Vídeos de Educação
Por que o alto nº de professores temporários é ruim para o Brasil?
Censo Escolar mostra precarização dos professores e descumprimento de meta nas creches

IA na educação: desafios e oportunidades – O Assunto #1577

IA na educação: desafios e oportunidades – O Assunto #1577
Mais da metade dos professores brasileiros diz ter incorporado a inteligência artificial à rotina de trabalho. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no início de outubro: 56% dos docentes no país usam a tecnologia para preparar aulas e buscar novas formas de ensino — um índice 20 pontos percentuais acima da média dos países desenvolvidos. O dado reforça como, mesmo em um cenário de desigualdade tecnológica, a IA foi rapidamente absorvida em práticas educacionais.
Um avanço que vem acompanhado de obstáculos. A mesma pesquisa aponta que 64% dos professores afirmam não ter o conhecimento nem as habilidades necessárias para usar ferramentas de IA, e seis em cada dez dizem que as escolas onde trabalham carecem de infraestrutura adequada para lidar com esse tipo de ferramenta.
Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Nara Fernandes de Oliveira, professa que explica como a inteligência artificial já mudou a maneira como ela prepara aulas. Nara, que leciona no Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica (RJ), dá exemplos de como a inteligência artificial está sendo usada, na prática, em sala e na relação com os alunos. E quais são os desafios com os quais ela se depara. Neste dia dos professores, Nara responde se ela teme pelo futuro da profissão a partir do uso desse tipo de tecnologia.
Para explicar como a IA pode apoiar o processo de aprendizado sem substituir o esforço cognitivo dos estudantes, Victor recebe Paulo Blikstein, professor livre-docente da Escola de Educação e diretor do Centro Lemann de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia. Ele detalha de que forma a inteligência artificial pode ser usada para desenvolver habilidades essenciais no ensino.
Convidados: Nara Fernandes de Oliveira, professora da rede pública do RJ, e Paulo Blikstein, professor livre-docente da Escola de Educação e Diretor do Centro Lemann de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia (EUA)
O que você precisa saber:
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TESTE: Em 'modo educação', ChatGPT imita filósofo e só faz perguntas ao aluno, sem dar respostas diretas
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Hoje na apresentação: Victor Boyadjian.
O uso da IA nas escolas
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
Alunos fazem treinamento para uso responsável da IA.
Ascom Seduc