Carteira Nacional Docente: professores já podem solicitar benefício; veja passo a passo para acessar descontos

Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard
Como deve ser a Carteira Nacional Docente.
Reprodução/Redes sociais
Professores de todo o país poderão solicitar, a partir desta quinta-feira (16), a Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) — documento oficial que dará descontos em eventos culturais, como teatros, shows e cinemas, além de abatimentos de 15% no valor da diária dos hotéis associados.
Abaixo, veja o passo a passo de como solicitar o benefício:
Acesse o sistema Mais Professores, com a conta gov.br. Você verá seus dados pessoais e vínculos com instituições de ensino.
Verifique e confirme as informações apresentadas. Caso haja erro, será preciso entrar em contato com a instituição empregadora para correção.
Em seguida, informe endereço completo e contatos (e-mail e telefone).
Depois, faça o upload de uma foto dentro dos parâmetros exigidos.
O sistema exibirá uma prévia da CNDB com foto e dados completos.
Se tudo estiver correto, confirme a emissão.
Por fim, será disponibilizada a versão digital da carteira, que pode ser baixada imediatamente e já dará acesso aos benefícios do programa.
Tire dúvidas abaixo:
✏️O que é a Carteira Nacional de Docente no Brasil?
É um documento oficial de identificação destinado exclusivamente a professores das redes pública e privada, em todos os níveis da educação básica e superior. Ele terá validade em todo o país e faz parte do programa Mais Professores para o Brasil, criado para valorizar a categoria.
💰Quais as vantagens de ter a carteira?
Entrada com desconto em eventos culturais, como cinema, teatro e shows.
Acesso a cartão de crédito pela Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil sem cobrança de anuidade.
Direito a 15% de desconto em diárias de hotéis, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional).
Outras vantagens serão anunciadas oficialmente em outubro, segundo o MEC.
🧑‍🏫Quem pode ter o documento?
Todos os professores da rede pública e privada, sejam federais, estaduais ou municipais, têm direito à carteira. Cabe aos estados e municípios manterem as informações atualizadas para garantir a emissão.
Veja vídeos de Educação:
Nas escolas sem notas e sem provas, quais alunos se dão bem?

Carteira Nacional Docente: professores poderão pedir documento a partir desta quinta; benefício dá desconto em shows, cinemas e hotéis

Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard
Como deve ser a Carteira Nacional Docente.
Reprodução/Redes sociais
Professores de todo o país poderão solicitar, a partir desta quinta-feira (16), a Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) — documento oficial de identificação reconhecido em todo o território nacional.
💰A partir dele, os docentes terão descontos em eventos culturais, como teatros, shows e cinemas, além de abatimentos de 15% no valor da diária dos hotéis associados.
A emissão será feita pela plataforma Mais Professores, com acesso via conta gov.br. Mais abaixo, veja o passo a passo para solicitá-la.
Como solicitar o documento?
Ao acessar o sistema Mais Professores, o docente verá seus dados pessoais e vínculos com instituições de ensino.
Ele deve verificar e confirmar as informações apresentadas. Caso haja erro, será preciso entrar em contato com a instituição empregadora para correção.
Em seguida, deve informar endereço completo e contatos (e-mail e telefone).
Depois, fazer o upload de uma foto dentro dos parâmetros exigidos.
O sistema exibirá uma prévia da CNDB com foto e dados completos.
Se tudo estiver correto, o professor deve confirmar a emissão.
Por fim, será disponibilizada a versão digital da carteira, que pode ser baixada imediatamente e já dá acesso aos benefícios do programa.
✏️O que é a Carteira Nacional de Docente no Brasil?
É um documento oficial de identificação destinado exclusivamente a professores das redes pública e privada, em todos os níveis da educação básica e superior. Ele terá validade em todo o país e faz parte do programa Mais Professores para o Brasil, criado para valorizar a categoria.
💰Quais as vantagens de ter a carteira?
Entrada com desconto em eventos culturais, como cinema, teatro e shows.
Acesso a cartão de crédito pela Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil sem cobrança de anuidade.
Direito a 15% de desconto em diárias de hotéis, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional).
Outras vantagens serão anunciadas oficialmente em outubro, segundo o MEC.
📝Como solicitar a carteira?
O professor deve se cadastrar no site do programa Mais Professores para o Brasil.
O acesso é feito com login Gov.br (CPF e senha).
Durante o cadastro, será necessário informar vínculo de docência, município e estado de atuação.
As informações serão verificadas em bases oficiais, como Receita Federal e Censo Escolar.
O prazo de emissão dependerá da confirmação e disponibilidade desses dados.
🧑‍🏫Quem pode ter o documento?
Todos os professores da rede pública e privada, sejam federais, estaduais ou municipais, têm direito à carteira. Cabe aos estados e municípios manterem as informações atualizadas para garantir a emissão.
Veja vídeos de Educação:
Nas escolas sem notas e sem provas, quais alunos se dão bem?

Prova Nacional Docente: Inep disponibiliza cartão de inscrição com local de prova

Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard
Educadora angolana é recebida pelos alunos com canto e festa
Os professores inscritos na Prova Nacional Docente (PND) já podem consultar seu local de prova. A informação consta no cartão de confirmação de inscrição, disponibilizado nesta quarta-feira (15) pelo Inep.
A informação pode ser consultada no site https://pnd.inep.gov.br/pnd/, utilizando o login Gov.br.
Além do local de prova, o cartão informa o número de inscrição, data e horários do exame, além de indicar se o participante terá atendimento especializado ou tratamento por nome social.
A PND vai funcionar de maneira semelhante a um concurso nacional e unificado para selecionar professores de educação básica que lecionarão nas redes públicas de ensino do país, e será aplicada em 26 de outubro.
Professor em sala de aula da rede de ensino do Piauí
Divulgação/Seduc
🚨 A PND não substituirá os concursos públicos, e sim servirá como uma alternativa aos processos seletivos voltados a professores que visa auxiliar na captação de profissionais com a formação adequada.
Além de avaliar a Formação Geral Docente (FGD), para todos os participantes, a prova vai testar áreas específicas. O participante deve indicar a área específica na qual deseja ser avaliado no ato de inscrição. São elas:
Artes Visuais
Biologia
Ciências Sociais
Computação
Educação Física
Filosofia
Física
Geografia
História
Letras Português
Letras Português e Espanhol
Letras Português e Inglês
Letras Inglês
Matemática
Música
Química
Pedagogia
Estrutura da prova
A PND terá 5h30 de duração e será composta por uma parte de formação geral docente, comum aos cursos de todas as áreas, e uma de componente específico, próprio de cada área de avaliação das Licenciaturas.
Formação geral:
30 questões de múltipla escolha, envolvendo situações-problema, com conteúdos transversais pedagógicos comuns a todas as áreas que serão avaliadas (FGD); e
uma questão discursiva para avaliar clareza, coerência, coesão, estratégias argumentativas, vocabulário e gramática adequados à norma padrão da língua portuguesa.
Componente específico:
50 questões de múltipla escolha envolvendo situações-problema e estudos de caso.
A estrutura será dividida da seguinte maneira:
Prova teórica: vai medir o desempenho do participante em relação a conteúdos das diretrizes curriculares nacionais das áreas avaliadas, habilidades de adaptação do desdobramento de conteúdos e competências de compreensão de temas específicos de sua profissão e assuntos contemporâneos.
Questionário para o participante do Enade das Licenciaturas 2025: vai coletar informações sobre o perfil do estudante e o contexto de seus processos formativos. Essa etapa vai ajudar a na compreensão dos resultados teóricos e práticos do Enade e no processo de avaliação dos cursos de graduação e das instituições de ensino.
Questionário contextual: destinado a coletar informações que permitam caracterizar o perfil do participante e o contexto de seus processos formativos.
Questionário de percepção de prova: vai coletar informações para medir a percepção dos participantes em relação à prova, auxiliando, também, na compreensão dos resultados.
Calendário da PND 2025
Aplicação das provas: 26 de outubro
Divulgação das versões preliminares do gabarito das questões objetivas e do padrão de resposta da questão discursiva: 28 de outubro
Recurso da versão preliminar do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 28 a 29 de outubro
Resultado do recurso da versão preliminar do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 10 de novembro
Divulgação final do gabarito e do padrão de resposta da questão discursiva: 11 de novembro
Divulgação da correção preliminar da resposta da questão discursiva: 25 de novembro
Recurso da correção da resposta da questão discursiva: 25 e 26 de novembro
Divulgação do resultado final da PND: 10 de dezembro

‘Professores da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade, mas são desvalorizados’, diz pesquisadora de Harvard

Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard
'Professores da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade'
“Ser levada a sério é o maior desafio.” É assim que Elisangela Lima, de 47 anos, define seu principal obstáculo como professora de educação infantil no Brasil. Ela trabalha em uma creche pública conveniada à prefeitura de São Paulo: são 10 horas por dia dedicadas a uma turma de 25 crianças (de 3 e 4 anos).
“A maioria das pessoas acha que é só cuidar e brincar. E não é assim — exige formação e planejamento. Estamos formando cidadãos”, afirma.
👩‍🏫Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, o g1 explica por que os docentes dessa etapa desempenham uma função tão relevante para o país — e como, ainda assim, não são reconhecidos.
Em entrevista à reportagem, Dana McCoy, professora da Universidade Harvard e co-presidente do Programa de Desenvolvimento Humano e Educação (HDE) da instituição americana, reforça que a tendência mundial ainda é esta: desvalorizar os profissionais de creches (instituições para bebês de 0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos).
Unidade de Educação Infantil na cidade de SP
Reprodução/Prefeitura de São Paulo
“Eu ficaria feliz se pelo menos recebessem o mesmo que os outros professores”, afirma ela, que esteve em São Paulo neste mês para o Simpósio Internacional de Educação Infantil da Fundação Bracell.
“Eles não só ensinam leitura e matemática, mas também ajudam a desenvolver o ‘todo’ da criança: auxiliam na regulação emocional, nas relações sociais, no cuidado físico.”
McCoy diz que eles não têm um status compatível com o impacto que são capazes de produzir.
“Fazem o trabalho mais importante de toda a sociedade. O futuro econômico e a capacidade de inovação nascem nas creches e pré-escolas, porque é lá que as habilidades fundamentais serão desenvolvidas”, afirma.
Dana McCoy é professora de Harvard e estuda sobre a primeira infância
Divulgação
Veja 4 fatores que demonstram o peso da fase escolar inicial:
🧠Os primeiros anos de vida são os mais importantes para o aprimoramento do sistema neurológico. Experiências educativas nessa etapa estimulam áreas do cérebro responsáveis por linguagem, raciocínio lógico e criatividade.
👶A interação com outras crianças em ambientes educativos favorece o desenvolvimento de habilidades sociais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos.
📉O acesso à educação infantil de qualidade ajuda a diminuir disparidades socioeconômicas: reduz em 65% o risco de um indivíduo cometer crimes violentos no futuro e em 20% a probabilidade de não ter um trabalho (de acordo com estudo de Sneha, Garcia, Hojman e Heckman, de 2016).
💪Ambientes estimulantes e acolhedores contribuem para a formação de autoestima, autonomia e segurança emocional dos alunos.
Em resumo: programas de educação infantil melhoram os resultados dos alunos não só em aprendizado e em habilidades acadêmicas, mas também em bem-estar emocional, saúde física, autonomia e desenvolvimento motor.
“Os investimentos que fazemos em políticas e programas voltados para a primeira infância têm maior retorno do que em qualquer outro período da vida. Claro que nunca é tarde para investir, mas, se quisermos ter o maior benefício possível para cada dólar investido, esse é o momento ideal”, explica a professora de Harvard.
'Algumas crianças só se alimentam na escola'
Elisangela é professora em escola de educação infantil pública
Arquivo pessoal
Nos casos de alunos que vivem em contextos de vulnerabilidade, a escola acaba assumindo funções que inicialmente nem seriam atribuídas a ela.
Um exemplo básico: o mais importante para uma criança nos primeiros anos de vida é ter uma relação forte e afetiva com um adulto que realmente se importe com ela. Se não houver essa possibilidade na família, é o professor que acaba assumindo o papel, por mais sobrecarregado que já esteja.
“Caso seja uma educação infantil de alta qualidade, com um professor dedicado e afetuoso, isso pode proteger alguém dos impactos negativos e das adversidades vividas em casa”, afirma McCoy, de Harvard.
Elisangela, professora citada no início da reportagem, conta que, na sua turma de 25 alunos, há três com deficiência. Um deles, com paralisia cerebral, ainda está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter acesso a terapias.
“Enquanto a aprovação não sai, a gente tenta desenvolvê-lo com o que tem aqui dentro da escola”, diz Elisangela, citada no início da reportagem.
“Há também crianças que só se alimentam aqui dentro. Eu sei que algumas delas precisam da creche também para isso.”
O que falta aos professores?
Dana McCoy divide as necessidades dos docentes em dois aspectos:
🔴Níveis básicos de segurança e de estrutura: por quantas crianças cada professor é responsável? Há acesso a brinquedos, livros, água potável e banheiros infantis? O ambiente é seguro e estimulante?
No Brasil, apenas 35% das escolas públicas de educação infantil têm área verde. Nem metade (41%) disponibiliza parquinho, e 30% não possuem material pedagógico específico para crianças, segundo microdados do Censo Escolar da Educação Básica, formulado pelo Inep e analisado pela ONG Todos Pela Educação.
🔴Qualidade processual: a remuneração é compatível com a função desempenhada pelos professores? Eles estão sobrecarregados emocionalmente ou recebem cuidados? Os currículos são completos? Todos receberam a formação adequada?
“Precisamos oferecer condições para que eles próprios estejam bem. Só assim poderão fazer esse trabalho essencial de cuidar e interagir com as crianças”, diz Dana McCoy.
Segundo ela, houve, historicamente, uma tendência nas políticas públicas e nas pesquisas sobre educação infantil de focar apenas na criança — e de ver no educador alguém que apenas transmite conteúdos, “como se ele não fosse um ser humano, mas um ‘agente de entrega’”. “Isso está começando a mudar”, diz.
➡️Entre os avanços, especificamente no Brasil, estão a instituição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) com diretrizes sobre a creche e a pré-escola, e a instituição de um piso salarial nacional para todos os professores.
Mas nem sempre os documentos e decisões públicas são respeitados no dia a dia. No caso da remuneração, como os responsáveis pelo pagamento são as redes de ensino, cada estado e município oficializa seus valores. Segundo pesquisa do QueroBolsa, professores de educação infantil recebem, em média, R$ 2.604,57, bem abaixo do piso (R$ 4.867,77, para a jornada de 40 horas semanais).
🔽A sociedade tende a subvalorizar o trabalho de cuidado de crianças pequenas.
“Historicamente, isso foi visto como responsabilidade das famílias, especialmente das mães, que faziam esse trabalho sem apoio social e sem remuneração. Há, portanto, uma dimensão de gênero muito forte”, diz McCoy.
No Brasil, as mulheres representam 97% dos professores de creche e 94% dos de pré-escola.
Formação frágil dos pedagogos agrava o quadro
✏️No Brasil, outro obstáculo é a qualidade na formação dos professores. Na creche, dos 373.181 docentes, 19% estudaram até o ensino fundamental ou médio, sem faculdade. A situação é parecida na pré-escola, em que, dos 366.042 professores, 17% não têm graduação.
E, mesmo no caso daqueles que cursaram pedagogia, existe outro problema: a baixa qualidade dos cursos oferecidos, principalmente à distância.
“Estudos que avaliaram os currículos dos cursos de pedagogia mostram que eles não estão tão voltados para a educação infantil. Quando essas disciplinas existem, são muito teóricas e pouco voltadas para a prática docente”, diz Abuchaim, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
“O professor acaba não tendo uma formação inicial que realmente o prepare para o que encontrará em sala de aula.”
Veja questões que os professores enfrentam na educação infantil e que requerem a formação em pedagogia, e não apenas "instinto" ou "improviso":
saber colocar intencionalidade educativa nas brincadeiras e no convívio entre todos, para que mais habilidades sejam desenvolvidas;
conhecer os objetivos da etapa de ensino e conseguir organizar o processo escolar para dar conta de todos esses eixos.
conseguir elaborar atividades adequadas à idade de cada criança e aos objetivos de aprendizagem a serem atingidos;
fazer uma observação sistemática de cada aluno, para monitorar o desenvolvimento dele;
saber rever o próprio trabalho e, quando necessário, mudar a estratégia pedagógica.
É um ciclo: quanto mais atrativa for a carreira, mais bem preparados estarão os professores. E quanto mais qualificados eles forem, melhor será a educação oferecida às crianças — especialmente nas regiões mais vulneráveis.
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Por que o alto nº de professores temporários é ruim para o Brasil?
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Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard

Dia dos Professores: ‘docentes da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade’, diz pesquisadora de Harvard
'Professores da educação infantil fazem o trabalho mais importante da sociedade'
“Ser levada a sério é o maior desafio.” É assim que Elisangela Lima, de 47 anos, define seu principal obstáculo como professora de educação infantil no Brasil. Ela trabalha em uma creche pública conveniada à prefeitura de São Paulo: são 10 horas por dia dedicadas a uma turma de 25 crianças (de 3 e 4 anos).
“A maioria das pessoas acha que é só cuidar e brincar. E não é assim — exige formação e planejamento. Estamos formando cidadãos”, afirma.
👩‍🏫Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, o g1 explica por que os docentes dessa etapa desempenham uma função tão relevante para o país — e como, ainda assim, não são reconhecidos.
Em entrevista à reportagem, Dana McCoy, professora da Universidade Harvard e co-presidente do Programa de Desenvolvimento Humano e Educação (HDE) da instituição americana, reforça que a tendência mundial ainda é esta: desvalorizar os profissionais de creches (instituições para bebês de 0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos).
Unidade de Educação Infantil na cidade de SP
Reprodução/Prefeitura de São Paulo
“Eu ficaria feliz se pelo menos recebessem o mesmo que os outros professores”, afirma ela, que esteve em São Paulo neste mês para o Simpósio Internacional de Educação Infantil da Fundação Bracel.
“Eles não só ensinam leitura e matemática, mas também ajudam a desenvolver o ‘todo’ da criança: auxiliam na regulação emocional, nas relações sociais, no cuidado físico.”
McCoy diz que eles não têm um status compatível com o impacto que são capazes de produzir.
“Fazem o trabalho mais importante de toda a sociedade. O futuro econômico e a capacidade de inovação nascem nas creches e pré-escolas, porque é lá que as habilidades fundamentais serão desenvolvidas”, afirma.
Dana McCoy é professora de Harvard e estuda sobre a primeira infância
Divulgação
Veja 4 fatores que demonstram o peso da fase escolar inicial:
🧠Os primeiros anos de vida são os mais importantes para o aprimoramento do sistema neurológico. Experiências educativas nessa etapa estimulam áreas do cérebro responsáveis por linguagem, raciocínio lógico e criatividade.
👶A interação com outras crianças em ambientes educativos favorece o desenvolvimento de habilidades sociais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos.
📉O acesso à educação infantil de qualidade ajuda a diminuir disparidades socioeconômicas: reduz em 65% o risco de um indivíduo cometer crimes violentos no futuro e em 20% a probabilidade de não ter um trabalho (de acordo com estudo de Sneha, Garcia, Hojman e Heckman, de 2016).
💪Ambientes estimulantes e acolhedores contribuem para a formação de autoestima, autonomia e segurança emocional dos alunos.
Em resumo: programas de educação infantil melhoram os resultados dos alunos não só em aprendizado e em habilidades acadêmicas, mas também em bem-estar emocional, saúde física, autonomia e desenvolvimento motor.
“Os investimentos que fazemos em políticas e programas voltados para a primeira infância têm maior retorno do que em qualquer outro período da vida. Claro que nunca é tarde para investir, mas, se quisermos ter o maior benefício possível para cada dólar investido, esse é o momento ideal”, explica a professora de Harvard.
'Algumas crianças só se alimentam na escola'
Elisangela é professora em escola de educação infantil pública
Arquivo pessoal
Nos casos de alunos que vivem em contextos de vulnerabilidade, a escola acaba assumindo funções que inicialmente nem seriam atribuídas a ela.
Um exemplo básico: o mais importante para uma criança nos primeiros anos de vida é ter uma relação forte e afetiva com um adulto que realmente se importe com ela. Se não houver essa possibilidade na família, é o professor que acaba assumindo o papel, por mais sobrecarregado que já esteja.
“Caso seja uma educação infantil de alta qualidade, com um professor dedicado e afetuoso, isso pode proteger alguém dos impactos negativos e das adversidades vividas em casa”, afirma McCoy, de Harvard.
Elisangela, professora citada no início da reportagem, conta que, na sua turma de 25 alunos, há três com deficiência. Um deles, com paralisia cerebral, ainda está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter acesso a terapias.
“Enquanto a aprovação não sai, a gente tenta desenvolvê-lo com o que tem aqui dentro da escola”, diz Elisangela, citada no início da reportagem.
“Há também crianças que só se alimentam aqui dentro. Eu sei que algumas delas precisam da creche também para isso.”
O que falta aos professores?
Dana McCoy divide as necessidades dos docentes em dois aspectos:
🔴Níveis básicos de segurança e de estrutura: por quantas crianças cada professor é responsável? Há acesso a brinquedos, livros, água potável e banheiros infantis? O ambiente é seguro e estimulante?
No Brasil, apenas 35% das escolas públicas de educação infantil têm área verde. Nem metade (41%) disponibiliza parquinho, e 30% não possuem material pedagógico específico para crianças, segundo microdados do Censo Escolar da Educação Básica, formulado pelo Inep e analisado pela ONG Todos Pela Educação.
🔴Qualidade processual: a remuneração é compatível com a função desempenhada pelos professores? Eles estão sobrecarregados emocionalmente ou recebem cuidados? Os currículos são completos? Todos receberam a formação adequada?
“Precisamos oferecer condições para que eles próprios estejam bem. Só assim poderão fazer esse trabalho essencial de cuidar e interagir com as crianças”, diz Dana McCoy.
Segundo ela, houve, historicamente, uma tendência nas políticas públicas e nas pesquisas sobre educação infantil de focar apenas na criança — e de ver no educador alguém que apenas transmite conteúdos, “como se ele não fosse um ser humano, mas um ‘agente de entrega’”. “Isso está começando a mudar”, diz.
➡️Entre os avanços, especificamente no Brasil, estão a instituição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) com diretrizes sobre a creche e a pré-escola, e a instituição de um piso salarial nacional para todos os professores.
Mas nem sempre os documentos e decisões públicas são respeitados no dia a dia. No caso da remuneração, como os responsáveis pelo pagamento são as redes de ensino, cada estado e município oficializa seus valores. Segundo pesquisa do QueroBolsa, professores de educação infantil recebem, em média, R$ 2.604,57, bem abaixo do piso (R$ 4.867,77, para a jornada de 40 horas semanais).
🔽A sociedade tende a subvalorizar o trabalho de cuidado de crianças pequenas.
“Historicamente, isso foi visto como responsabilidade das famílias, especialmente das mães, que faziam esse trabalho sem apoio social e sem remuneração. Há, portanto, uma dimensão de gênero muito forte”, diz McCoy.
No Brasil, as mulheres representam 97% dos professores de creche e 94% dos de pré-escola.
Formação frágil dos pedagogos agrava o quadro
✏️No Brasil, outro obstáculo é a qualidade na formação dos professores. Na creche, dos 373.181 docentes, 19% estudaram até o ensino fundamental ou médio, sem faculdade. A situação é parecida na pré-escola, em que, dos 366.042 professores, 17% não têm graduação.
E, mesmo no caso daqueles que cursaram pedagogia, existe outro problema: a baixa qualidade dos cursos oferecidos, principalmente à distância.
“Estudos que avaliaram os currículos dos cursos de pedagogia mostram que eles não estão tão voltados para a educação infantil. Quando essas disciplinas existem, são muito teóricas e pouco voltadas para a prática docente”, diz Abuchaim, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
“O professor acaba não tendo uma formação inicial que realmente o prepare para o que encontrará em sala de aula.”
Veja questões que os professores enfrentam na educação infantil e que requerem a formação em pedagogia, e não apenas "instinto" ou "improviso":
saber colocar intencionalidade educativa nas brincadeiras e no convívio entre todos, para que mais habilidades sejam desenvolvidas;
conhecer os objetivos da etapa de ensino e conseguir organizar o processo escolar para dar conta de todos esses eixos.
conseguir elaborar atividades adequadas à idade de cada criança e aos objetivos de aprendizagem a serem atingidos;
fazer uma observação sistemática de cada aluno, para monitorar o desenvolvimento dele;
saber rever o próprio trabalho e, quando necessário, mudar a estratégia pedagógica.
É um ciclo: quanto mais atrativa for a carreira, mais bem preparados estarão os professores. E quanto mais qualificados eles forem, melhor será a educação oferecida às crianças — especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Vídeos de Educação
Por que o alto nº de professores temporários é ruim para o Brasil?
Censo Escolar mostra precarização dos professores e descumprimento de meta nas creches