Por que colocar o celular atrás da cabeça faz a música ‘abraçar’ você?

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Por que colocar o celular atrás da cabeça faz a música 'abraçar' você?
As redes sociais estão repletas de trends e desafios que nos colocam em posições um tanto constrangedoras em público. Uma das mais recentes pede que você ouça determinada música com o celular na horizontal, posicionando-o atrás da cabeça ou abaixo do queixo.
📱E o efeito realmente faz o “mico” valer a pena: esses áudios dão uma impressão de espacialidade, de imersão, como se o som estivesse saindo de vários cantos diferentes ao seu redor.
Desde 2020, vídeos com essas trilhas sonoras bombam nas redes sociais. Na última semana, a brincadeira ressurgiu após a jornalista Fernanda Gentil postá-la no Instagram e obter milhões de visualizações.
🎶O que justifica o efeito?
Celular atrás da cabeça produz sensação 'espacial' ao reproduzir sons estéreo
Reprodução/Redes sociais
Para decifrar a sensação de “som em 360 graus”, é preciso começar pela anatomia. As orelhas, posicionadas de lados opostos da cabeça, captam o mesmo ruído com mínimas diferenças de tempo e de intensidade.
Se você estiver dirigindo e ouvir a sirene da ambulância, vai saber para qual espelho retrovisor olhar primeiro: o direito ou o esquerdo. Assim como uma presa, andando distraída pela selva, conseguirá adivinhar de que lado vem o rugido do predador.
Essas variações são processadas pelo cérebro, que as traduz em localização espacial.
Se o estímulo chega primeiro à direita, a origem é identificada nesse lado. São diferenças mínimas, chamadas de ITD (Interaural Time Difference/diferença de tempo) e de ILD (Interaural Level Difference/diferença de intensidade), que permitem perceber de onde algo vem.
Celular atrás da cabeça
Arte/g1
Rodrigo de Marsillac, produtor musical da TV Globo, explica que o próprio formato da orelha ajuda nesse processo:
“As dobras funcionam como filtros. Quando o som vem da frente, ele entra com uma filtragem de frequência; quando vem de trás, com outra. É isso que permite ao cérebro distinguir as direções.”
Essas pistas auditivas formam imagens mentais que nos orientam no espaço.
🎧Que tipo de música permite esse efeito?
Home Theater permite que o som saia de vários canais diferentes
Divulgação
Antes de entender exatamente o sentido de colocar o celular atrás da cabeça ou próximo ao queixo, é preciso saber que tipo de áudio está tocando nos vídeos virais.
Vamos a uma retrospectiva musical para começar: os primeiros aparelhos de reprodução trabalhavam com um único canal. Todos os instrumentos e vozes saíam pelo mesmo alto-falante, sem profundidade.
“Era um falante só reproduzindo tudo”, lembra o músico Hugo Calçada. “Quando passamos a ter duas fontes, pudemos distribuir melhor os elementos — voz de um lado, guitarra de outro. A partir daí, nasceu a sensação de espacialidade.”
Foi a chegada do estéreo: ao distribuir sons entre canais esquerdo e direito, a música passou a ocupar um campo mais amplo, estimulando o cérebro a reconstruir a noção de profundidade.
No cinema, a inovação foi além. O surround espalha caixas de som pela sala, criando a impressão de que o áudio vem de qualquer direção.
“O home theater reproduz esse princípio do cinema: duas caixas na frente, duas atrás e uma central. Assim, você distingue se algo vem da esquerda, da direita ou de trás durante o filme”, explica Calçada.
📱Por que o truque do celular funciona?
Celulares costumam ter saída de áudio também embaixo
Marcelo Brandt/G1
A maioria dos celulares atuais tem dois alto-falantes: um na parte de cima, outro mais embaixo.
Quando se posiciona o smartphone na horizontal — atrás da cabeça ou perto do queixo—, cada alto-falante fica voltado para um ouvido. Isso faz o som percorrer trajetórias diferentes até os canais auditivos.
Lembra-se da explicação da ambulância ou do rugido do leão? O cérebro interpreta essa diferença mínima de recepção dos áudios e já a associa com localização/espacialidade.
“Cada alto-falante projeta o áudio para um ouvido distinto, e essas diferenças de tempo e intensidade reforçam a sensação de envolvimento”, explica Thiago Abdalla, professor de produção musical e estúdio da Faculdade Santa Marcelina.
Em outras palavras, o truque com o celular é uma simulação rudimentar do que aconteceria se estivéssemos de fone, por exemplo, ouvindo um áudio como os que viralizaram.
O efeito é mais perceptível em músicas com grande riqueza estéreo, que exploram ambiências, reverberações e sobreposição de instrumentos. São essas que costumam aparecer nos vídeos da trend.
“Produções de lo-fi, R&B contemporâneo, pop atmosférico ou trilhas cinematográficas costumam explorar não só o que é tocado, mas onde cada elemento habita no espaço sonoro”, acrescenta Abdalla.
🔊Como os produtores criam a sensação de espaço?
O efeito imersivo pode nascer na gravação ou na mixagem.
Durante a captação:
Técnicas como XY, ORTF, Blumlein e Mid/Side gravam em dois canais para preservar diferenças entre os lados.
O microfone chamado binaural usa “orelhas artificiais”, feitas de silicone ou borracha, separadas por um objeto que simula a nossa cabeça. Dessa forma, elas captam o áudio exatamente como o ser humano o perceberia.
O áudio ambisônico é ainda mais avançado: grava o campo sonoro em todas as direções, sendo base para experiências de realidade virtual e formatos como Dolby Atmos.
Na pós-produção:
O engenheiro define a posição de cada som no espaço por meio de recursos da mesa de edição.
Efeitos de reverberação estéreo e equalização dinâmica reforçam a noção de distância e de movimento.
“Os softwares de edição permitem escolher quanto de cada instrumento vai para cada canal. O produtor decide se quer o cantor mais à esquerda ou o piano mais ao fundo — é isso que cria a imersão”, detalha Calçada.
🧠Conclusão: Ao posicionar o celular atrás da cabeça e sentir a música “abraçando” você, está experimentando um fenômeno psicoacústico — uma ilusão criada por diferenças de tempo, volume e frequência entre os lados direito e esquerdo.
Ou seja: física, biologia e arte articuladas para enganar (com boas intenções) seu cérebro.

Dia do Médico: curso de Medicina mais caro do país tem mensalidade de quase R$ 16 mil; veja ranking

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Medicina segue como curso mais concorrido da Fuvest 2026; veja ranking
Que Medicina é um curso caro, isso todos sabem. Mas você sabia que, para se tornar médico no Brasil, é preciso desembolsar até R$ 15.777,76 por mês?
Esse é o valor aproximado cobrado pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma das mais caras do país segundo o levantamento do g1. São mais de 10 salários mínimos por mês para os ingressantes de 2026.
🩺Para este Dia do Médico (18), o g1 montou um ranking com as 10 graduações mais caras do país — todas acima do patamar de R$ 12 mil. Essas instituições estão entre dezenas que foram consultadas. Algumas delas ainda não divulgaram os valores para o ano que vem ou se recusaram a informar os valores atualizados. Depois, veja o cenário de concorrência nas redes pública e privada.
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💰 Mensalidades para 2026
Universidade do Grande Rio (Unigranrio) Barra da Tijuca (RJ) – R$ 15.777,76
Universidade Veiga de Almeida – UVA – Botafogo (RJ) – R$ 14.900,00
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) – Curitiba (PR) – R$ 14.718,13
Faculdade São Leopoldo Mandic – Campinas (SP) – R$ 14.578,00
Centro Universitário Ingá (UNINGÁ) – Maringá (PR) – 14.087,24
Faculdade São Leopoldo Mandic – Araras (SP) – R$ 13.878,00
Faculdade São Leopoldo Mandic – Limeira (SP) – R$ 13.878,00
Universidade São Francisco (USF) – Bragança Paulista (SP) – R$ 13.762,56
Universidade do Grande Rio (Unigranrio) Duque de Caxias – R$ 13.122,99
Centro Universitário Claretiano (Ceuclar) – Rio Claro (SP) – R$ 12.799,00
Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba
Divulgação/PUC-PR
👩‍🎓 Concorrência em universidades públicas e privadas
De acordo com o Censo da Educação Superior, Medicina foi o 9º curso em número de matrículas em 2024, com 283.594 estudantes.
No ano passado, foram ofertadas 13.698 novas vagas em instituições públicas para cursos de Medicina, e 97% delas foram ocupadas. Já nas instituições privadas, foram 41.715 vagas ofertadas com 92,3% de ocupação.
Apenas para as vagas públicas, foram 695.147 mil candidatos. Isso significa que haviam 51 candidatos para cada nova vaga ofertada no ano.
Na rede privada, a competitividade é significativamente menor, com apenas 9 candidatos por vaga em 2024.
IMAGEM ILUSTRATIVA – Alunos da Universidade São Judas, que não está entre as 10 mais caras do país.
Divulgação
🏫 Cresce número de cursos de Medicina no Brasil
Em 2024, um levantamento da Federação Mundial de Educação Médica (WFME, na sigla e inglês), em parceria com a FAIMER, apontou o Brasil com o 2º país com mais faculdades de Medicina no mundo, com 389 cursos.
Neste mês, um levantamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou, atualmente, o país já tem 494 escolas médicas.
A pesquisa indicou que apenas entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação de 77 novos cursos.
Graças a isso, o país conta com 50.974 vagas anuais de graduação em Medicina, das quais 80% estão em instituições privadas.
A expectativa era de que o número fosse ainda maior, já que, em 2023, o Ministério da Educação publicou um edital para criar novos cursos de Medicina em universidades privadas de todo o país.
No entanto, a iniciativa do âmbito do Programa Mais Médicos está suspensa após ser adiada pela quarta vez, e deve ser revista pelo MEC e pelo Ministério da Saúde em até 120 dias da suspensão.
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Entenda o que é ‘lastro’ e não erre nas piadas sobre Odete Roitman, de ‘Vale Tudo’

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'Vale Tudo' no Enem: morte de Odete vira questão de matemática; qual seria sua nota?
Nós não temos lastro nem intimidade para uma agressão dessa monta, mas o g1 precisa dizer: algumas pessoas por aí estão fazendo graça com a grande frase de Odete Roitman e parafraseando a vilã de "Vale Tudo" de um jeito um tanto… equivocado.
😅Mas, calma, meu bem: ajudaremos você a entender exatamente o que é "lastro" e arrasar nas piadas, stories e grupos de Whatsapp nesta sexta-feira (17), dia da exibição do último capítulo da novela das 9.
No contexto de Odete, lastro é usado no sentido figurado, mas o termo significa também, segundo os dicionários "Aurélio", "Michaelis", "Priberam" e "Houaiss":
⚓na navegação: material pesado (como pedras, ferro ou água) colocado no porão de navios para equilibrar o peso e manter o calado da embarcação;
✈️na aviação: sacos de areia usados em balões para compensar a perda de gás e equilibrar o voo;
💰na economia: reserva de valor — geralmente ouro — que serve de garantia à emissão de papel-moeda;
🚒na mecânica: peso adicional em tratores e máquinas para dar maior estabilidade ou eficácia no trabalho com o solo.
Perceba que, em todos os casos, o lastro é algo que dá a base necessária para que outra ação ocorra: o navio fique equilibrado, o papel-moeda tenha validade, os tratores se estabilizem… Funciona como um recurso que dá garantia ou embasamento a outro processo.
➡️No sentido figurado, o princípio é o mesmo: base, fundamento, solidez ou credibilidade em contextos abstratos. É o suporte necessário para garantir firmeza e segurança de uma proposta, relação, teoria ou argumento.
"Lastro já era originalmente o peso que navios, balões e dirigíveis carregam para terem firmeza e estabilidade. A partir daí, surgiram os sentidos figurados. O primeiro: o que se come para poder beber. Uma pessoa que bebe de estômago vazio pode ser prejudicada. É a comida que vai sustentá-la", explica Daniel Fonseca, professor de Linguagens do Curso Anglo (SP).
Na frase de Odete, “Não temos lastro nem intimidade para uma agressão dessa monta”, o termo significa vínculo, histórico ou fundamento emocional que justificaria, sustentaria e daria legitimidade a uma atitude violenta.
"Odete está dizendo que não há uma base fortemente construída para que a pessoa aja daquela forma", diz o docente.
Seria possível substituir por: "Não temos [base, respaldo emocional, algo que sustente] uma agressão dessa monta".
Veja outros usos figurados da palavra:
“O artigo é interessante, mas falta lastro (fundamento) para sustentar as conclusões.”
“O candidato ganhou força porque tem lastro (apoio) entre prefeitos e deputados.”
“A startup cresceu rápido, mas sem lastro (base sólida) para sustentar a expansão.”
“Ele fala com autoridade porque tem lastro acadêmico (formação consistente).”
“É um líder com lastro moral (credibilidade), alguém em quem as pessoas confiam.”
E o que é monta?
A outra palavra pouco usual na frase de Odete é "monta". Nesse contexto, é usada no sentido figurado de “tamanho”, “proporção”, “intensidade” ou “grau”.
👉 "Não temos lastro nem intimidade para uma agressão dessa monta [dessa proporção, dessa intensidade].
Aproveite o clima de aprendizado e teste seus conhecimentos no clima de "Vale Tudo", com conteúdos que caem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Odete Roitman (Debora Bloch)
Globo/ Beatriz Damy

Enem 2025: como reconhecer as competências avaliadas na redação

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Como reconhecer as competências avaliadas na redação do Enem
A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é avaliada conforme cinco competências, estabelecidas na Matriz de Referência, documento que orienta os corretores quanto aos parâmetros que devem verificar no texto de cada candidato.
Por isso, é primordial que o aluno bem-preparado saiba exatamente o que é cobrado, para identificar o domínio das competências no próprio texto e aumentar as chances de alcançar uma boa pontuação.
📆 O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro, sendo a redação parte do primeiro dia de exame, em que os participantes também encaram 90 questões objetivas de Linguagens e Ciências Humanas.
Cada competência reúne aspectos específicos e recebe nota entre 0 e 200 pontos – que, somados, resultam na nota máxima de 1.000 pontos. São elas:
Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Os corretores utilizam níveis de desempenho (de 0 a 5) que descrevem o grau de atendimento aos critérios. Um texto que demonstra domínio pleno da competência, com inadequações raras, atinge o nível máximo de 200 pontos. Enquanto isso, a redação com falhas pontuais é classificada em níveis intermediários. Já aquela com desvios graves recebe notas muito baixas ou até zero na competência.
➡️ Como funciona a atribuição de notas? O texto passa pelo crivo de dois avaliadores, e a nota final do participante é a média aritmética das duas notas atribuídas.
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As cinco competências não são avaliadas de forma isolada. Deve haver coerência entre elas, o que garante a unidade do texto. Os aspectos exigidos estão interligados e se articulam para formar uma redação coesa e convincente. Assim, o corretor consegue perceber se o candidato domina o gênero dissertativo-argumentativo de forma global.
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O que pode zerar a redação (e como evitar)
Um mês para o Enem: o que estudar e como se preparar para cada área da prova?
Enem 2025: Prova será aplicada em 9 e 16 de novembro.
Bruna Araújo/MEC
Competência 1
A primeira competência avaliada é o domínio da norma formal escrita da língua portuguesa. Ou seja, se o candidato sabe usar corretamente a gramática.
Desvios da norma padrão, quando frequentes, comprometem a nota nessa competência. A presença de registro informal, marcas de oralidade ou gírias também prejudica a pontuação.
🚨 Atenção: escrita formal não é sinônimo de usar termos difíceis para impressionar o corretor. Se não tiver segurança sobre o significado de uma palavra que soa bonita, evite usá-la na redação.
Redação do Enem ou 'cover' de Machado de Assis?
Conforme a Cartilha de Redação do Enem, são considerados desvios:
convenções da escrita — acentuação, ortografia, uso de hífen, emprego de letras maiúsculas e minúsculas e separação silábica (translineação);
gramaticais — regência verbal e nominal, concordância verbal e nominal, tempos e modos verbais, pontuação, paralelismos sintático, morfológico e semântico, emprego de pronomes e crase;
escolha de registro — adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal e/ou de marcas de oralidade;
escolha vocabular — emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são usadas em seu sentido correto e são apropriadas ao contexto em que aparecem.
Veja como a nota da competência 1 é composta:
Competência 1 da redação do Enem 2022.
g1
Competência 2
Para "gabaritar" a segunda competência, é preciso estar familiarizado com o formato de texto dissertativo-argumentativo pedido na prova. Segundo a cartilha, o candidato "deve evitar elaborar um texto de caráter apenas expositivo, devendo assumir claramente um ponto de vista".
Esse tipo textual tem dupla natureza: argumentativo porque defende uma opinião, e dissertativo porque utiliza explicações para justificá-la. Para isso, a estrutura esperada inclui introdução, desenvolvimento e conclusão.
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Além da adequação ao gênero textual, o respeito ao tema apresentado na proposta de redação também é fundamental e é avaliado na competência 2. Há dois cenários em que os prejuízos podem ser grandes: fuga total ao tema (quando nem o assunto mais amplo nem o tema específico proposto são desenvolvidos) e fuga parcial ou tangenciamento ao tema (quando o texto aborda só parcialmente, de forma ampla, o assunto a que o tema está vinculado).
🚨 No primeiro caso, a redação recebe nota zero. Se há tangenciamento, a prova não é zerada, mas a perda de pontos pode ser significativa, já que afeta várias competências – afinal, o candidato não respondeu ao recorte proposto pela frase-tema.
A competência 2 também avalia a presença de repertório sociocultural: uma informação, um fato, uma citação ou uma experiência vivida que, de alguma forma, esteja relacionada ao tema e contribua como argumento para a discussão proposta. Nesse ponto, a cartilha também alerta para o uso de "repertório de bolso" (entenda por que isso é problemático).
Veja como a nota da competência 2 é composta:
Competência 2 da redação do Enem 2022.
g1
Competência 3
A terceira competência da redação avalia a capacidade do participante de selecionar, relacionar, organizar e interpretar fatos, opiniões e argumentos para defender seu ponto de vista acerca da situação-problema do tema proposto. Ou seja, como o aluno vai argumentar, com base em dados e informações, para reforçar sua opinião na redação.
A argumentação sustenta e justifica a tese apresentada na introdução do texto. Quando é superficial ou genérica, a redação perde força e clareza.
Por isso, a nota é bastante prejudicada quando a argumentação é construída com frases vagas, exemplos irrelevantes, informações soltas, repetitivas ou contraditórias. Uma boa argumentação exige clareza, consistência e lógica, além de exemplos, dados ou alusões pertinentes (o tal repertório sociocultural), que reforcem a tese.
Se as referências apresentadas não tiverem relação direta com o tema, a nota será reduzida.
Para ir bem nesta competência, o aluno deve construir repertório cotidianamente, sempre refletindo sobre como poderia aplicar os conhecimentos de diferentes áreas em temas de redação.
Confira como a nota da competência 3 é constituída:
Competência 3 da redação do Enem 2022.
g1
Competência 4
A competência 4 vai avaliar a coesão do texto, que garante a unidade textual.
O desempenho é insuficiente nessa competência quando o texto não estabelece ligações claras entre as ideias, o que pode ocorrer pelo uso incorreto de conectivos, repetições desnecessárias ou falta de continuidade entre os parágrafos.
Os avaliadores vão considerar as conexões entre as partes do texto. Ou seja, as ligações entre as palavras na frase, entre as frases no parágrafo e, especialmente, entre os parágrafos na progressão do texto.
Além disso, para garantir uniformidade na correção, há um critério que exige que pelo menos dois parágrafos se iniciem com o que é chamado de operador argumentativo, um tipo de recurso de coesão.
É um termo que estabelece uma relação lógica entre o parágrafo que se inicia e o parágrafo anterior – e marca relações de semelhança, oposição, causa ou conclusão (assim como, porém, por isso, portanto etc.). Preposições, conjunções e advérbios também ajudam no encadeamento de ideias.
🚨 A variedade também será observada. "Na produção da sua redação, você deve utilizar variados recursos linguísticos que garantam as relações de continuidade essenciais à elaboração de um texto coeso", esclarece a cartilha.
O documento recomenda que seja evitado:
ausência de articulação entre orações, frases e parágrafos;
ausência de paragrafação (texto elaborado em um único parágrafo);
emprego de conector (preposição, conjunção, pronome relativo, alguns advérbios e locuções adverbiais) que não estabeleça relação lógica entre dois trechos do texto e prejudique a compreensão da mensagem;
repetição ou substituição inadequada de palavras sem se valer dos recursos oferecidos pela língua (pronome, advérbio, artigo, sinônimo).
Veja como a nota da competência 4 é constituída:
Competência 4 da redação do Enem 2022.
g1
Competência 5
A quinta e última competência cobrada na redação do Enem é a apresentação de uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Em outras palavras, uma iniciativa que enfrente ou resolva a questão. Apresentada na conclusão da redação, a proposta deve ser concreta, específica e coerente com a argumentação desenvolvida ao longo do texto, apresentando cinco elementos fundamentais:
A ação: o que é possível apresentar como solução para o problema;
O agente: quem deve executá-la;
A maneira: como viabilizar essa solução;
O resultado: qual efeito ela pode alcançar;
Detalhamento de um dos elementos anteriores: que outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta.
A nota será severamente prejudicada em caso de ausência de proposta de intervenção ou apresentação de propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com o tema.
Além disso, é fundamental que a proposta seja feita respeitando os direitos humanos. Isto é, a proposta de intervenção não pode, por exemplo, atentar contra a integridade física ou sugerir linchamento. A redação que não seguir essa orientação será zerada na competência 5, perdendo os 200 pontos possíveis.
SAIBA MAIS: Nota pode ser zero na competência 5 em caso de desrespeito aos direitos humanos
Confira como a nota da competência 5 é composta:
Competência 5 da redação do Enem 2022.
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Veja tudo o que você precisa saber sobre o Vestibular Indígena 2026: Unicamp e UFSCar

Veja tudo o que você precisa saber sobre o Vestibular Indígena 2026: Unicamp e UFSCar
Estudantes durante prova do vestibular indígena da Unicamp
Antoninho Perri/SEC Unicamp
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) divulgaram nesta quinta-feira (16) o edital para o Vestibular Indígena unificado 2026.
As inscrições são gratuitas estão e devem ser feitas pela internet entre 3 e 28 de novembro. Podem se inscrever gratuitamente todos os estudantes indígenas que fizeram escola pública.
As provas acontecem em seis cidades no Brasil. Ao todo, são 195 vagas para o vestibular.
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Vagas
Cinco anos após primeiro vestibular indígena da Unicamp, cinco alunos concluíram cursos
As universidades disponibilizam neste processo 195 vagas, divididas entre a Unicamp (130) e a UFSCar (65). Os candidatos podem escolher até dois cursos durante a inscrição, sendo um em cada instituição.
O inscrito precisa comprovar que pertence a uma das etnias indígenas do território nacional por meio de uma documentação a ser entregue no dia da prova.
Os editais com as regras e as vagas por curso estão disponíveis nos sites das respectivas instituições: UFSCar e Unicamp.
Candidatos inscritos, mas que não compareceram e não justificaram em provas de dois ou mais processos anteriores terão a inscrição recusada. No entanto, pode ser feito pedido de recurso entre 5 e 9 de dezembro que será analisado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest).
A lista de candidatos aptos para fazer a prova será publicada dia 5 de dezembro de 202, e a lista final, pós-recurso, no dia 12 de dezembro de 2025.
As provas
As provas serão realizadas no domingo, 11 de janeiro, nas seguintes cidades:
Campinas (SP)
Campo Grande (MS)
Recife (PE)
Santarém (PA)
São Gabriel da Cachoeira (AM)
Tabatinga (AM)
A prova será em língua portuguesa, composta de 50 questões de múltipla escolha e uma redação:
Linguagens e códigos (14 questões);
Ciências da Natureza (12 questões);
Matemática (12 questões);
Ciências Humanas (12 questões).
Os candidatos ao curso de Licenciatura em Música da Unicamp e da UFSCar, além das provas acima, deverão realizar a Prova de Habilidades Específicas em Música, com o envio eletrônico de vídeos, no período de 3 de novembro a 8 de dezembro de 2025, pela página da Comvest na internet.
Os candidatos aprovados serão convocados em até cinco chamadas para matrícula, conforme o calendário a seguir. As matrículas serão realizadas de maneira online, a partir do site da Comvest.
Calendário- Vestibular Indígena 2026
Percurso formativo
Os aprovados no Vestibular Indígena para vagas na Unicamp serão matriculados em um programa com disciplinas "formativas". A medida pretende reduzir a evasão durante o curso, mas foi criticada por alguns estudantes envolvidos.
O percurso formativo é obrigatório, e vai reunir aulas de disciplinas gerais e específicas. Após o cumprimento das exigências do ProFIIVI (dois semestres), os estudantes iniciarão os cursos para os quais foram convocados.
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