Gabarito do Enamed gera polêmica em questão sobre comunidades ribeirinhas: ‘Nem o Inep está a favor dos indígenas?’

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Arquivo pessoal
O gabarito do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado em versão preliminar nesta quarta-feira (22), gerou protesto de candidatos nas redes sociais. A questão polêmica é a 24, do caderno 2, sobre atendimento a populações ribeirinhas e a aldeias indígenas.
A pergunta, direcionada a estudantes de medicina, aborda o desafio dos profissionais de saúde em compreender diferenças culturais de seus pacientes. Dois exemplos são expostos:
"um indígena da etnia Tikuna não aceita ser atendido sozinho e insiste na presença de um pajé da comunidade";
"uma mulher ribeirinha evita contato visual durante a consulta e responde às perguntas apenas com monossílabos".
Gabarito do Enamed aponta resposta polêmica como correta em questão sobre indígenas
Reprodução
➡️A prova questiona: o que os profissionais deveriam fazer? Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a resposta correta seria a D: "estabelecer rotinas padronizadas uniformes de atendimento para ribeirinhos e indígenas".
Segundo candidatos e especialistas, essa alternativa é problemática justamente porque ignora as diferenças culturais e promove uma generalização — pressupõe que grupos com tradições, valores e modos de relação distintos possam ser atendidos da mesma forma. Isso contraria princípios básicos de atenção primária.
✏️Questionado pelo g1 sobre a possibilidade de alteração ou anulação do gabarito, o órgão não comentou este caso especificamente — apenas reforçou o cronograma previsto no edital e afirmou que é possível contestar as respostas até 27 de outubro. Os resultados definitivos sairão apenas em 5 de dezembro.
À reportagem, a médica sanitarista Sofia Mendonça, coordenadora do Projeto Xingu/Unifesp, afirmou que a alternativa D “não é adequada”, porque o atendimento aos povos indígenas “segue fluxos diferentes dos ribeirinhos e de outras populações tradicionais”. Segundo ela, o erro da questão está em propor “condutas uniformes” para grupos com culturas distintas.
“É preciso preparar médicos e profissionais para atuar em contextos interculturais, com escuta, diálogo e reconhecimento da diversidade de saberes”, diz Mendonça. "Não é engessando as condutas, uniformizando, que você vai resolver essas questões. Elas envolvem outros modos de pensar o mundo e o adoecimento. Isso demanda conhecimento, interação e negociação.”
A professora destacou que a resposta mais coerente seria a alternativa B: "promover espaços formativos para a equipe assistencial, reconhecendo saberes e práticas das populações atendidas".
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O que é Enamed?
A prova, aplicada no último domingo (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi criada para unificar instrumentos já existentes:
o Enade, que mede a qualidade dos cursos de graduação;
e o Enare, exame objetivo para ingresso em residência médica de acesso direto.
Ou seja: a nota servirá tanto para avaliar as faculdades de Medicina quanto para selecionar residentes.
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🩺Cronograma de gabaritos
Gabarito preliminar: 22 de outubro
Recursos sobre o gabarito: 22 a 27 de outubro
Divulgação do gabarito definitivo e resultado final: 5 de dezembro
🩺Por que o Enamed é importante?
O Ministério da Educação (MEC) considera que o Enamed cria um “ciclo virtuoso” entre os exames —porque a nota obtida poderá ser usada como critério de entrada em programas de residência.
Os estudantes passam a ter, portanto, mais um incentivo para participar do exame. Isso gera resultados confiáveis tanto para avaliar o ensino oferecido pelas universidades quanto para estruturar o Sistema Único de Saúde, que depende da formação de novos médicos.
🩺Novidade na forma de avaliação
Diferentemente do Conceito Enade, que apresentava limitações, o Enamed divulgará os resultados em escalas de desempenho. Essa metodologia mostra se os estudantes atingiram os padrões esperados ao final da graduação, tornando a análise mais precisa e útil para:
monitorar a qualidade dos cursos;
subsidiar políticas de regulação e financiamento;
qualificar o processo de ingresso em residências.
🩺Como é a estrutura do Enamed? Quais instrumentos foram aplicados?
O exame é composto por:
Prova teórica: 100 questões de múltipla escolha, com igual número de perguntas por área.
Questionário do Estudante (para concluintes de Medicina inscritos no Enade) – obrigatório
Questionário Contextual (para os demais participantes) – obrigatório
Questionário de Percepção de Prova
Os dados dos questionários não influenciam a pontuação no Enare, e serão utilizados penas para fins estatísticos e avaliação da educação superior.
Enamed: alunos de medicina farão o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica
Adobe Stock

Enamed: confira os gabaritos preliminares da prova para estudantes de Medicina

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Os gabaritos preliminares do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 foram divulgados nesta quarta-feira (22). O gabarito definitivo e o resultado final do exame serão divulgados em 5 de dezembro. (Veja o calendário completo mais abaixo.)
Gabarito do caderno 1 do Enamed 2025 – (preliminar)
Gabarito preliminar Enamed prova 1
Reprodução/Inep
Gabarito do caderno 2 do Enamed 2025 – (preliminar)
Gabarito preliminar Enamed prova 2
Reprodução/Inep
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Sobre o Enamed 2025
A prova, aplicada no último domingo (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi criada para unificar instrumentos já existentes:
o Enade, que mede a qualidade dos cursos de graduação;
e o Enare, exame objetivo para ingresso em residência médica de acesso direto.
Ou seja: a nota servirá tanto para avaliar as faculdades de Medicina quanto para selecionar residentes.
🩺Cronograma de gabaritos
Gabarito preliminar: 22 de outubro
Recursos sobre o gabarito: 22 a 27 de outubro
Divulgação do gabarito definitivo e resultado final: 5 de dezembro
🩺Por que o Enamed é importante?
O Ministério da Educação (MEC) considera que o Enamed cria um “ciclo virtuoso” entre os exames —porque a nota obtida poderá ser usada como critério de entrada em programas de residência.
Os estudantes passam a ter, portanto, mais um incentivo para participar do exame. Isso gera resultados confiáveis tanto para avaliar o ensino oferecido pelas universidades quanto para estruturar o Sistema Único de Saúde, que depende da formação de novos médicos.
🩺Novidade na forma de avaliação
Diferentemente do Conceito Enade, que apresentava limitações, o Enamed divulgará os resultados em escalas de desempenho. Essa metodologia mostra se os estudantes atingiram os padrões esperados ao final da graduação, tornando a análise mais precisa e útil para:
monitorar a qualidade dos cursos;
subsidiar políticas de regulação e financiamento;
qualificar o processo de ingresso em residências.
🩺Como é a estrutura do Enamed? Quais instrumentos foram aplicados?
O exame é composto por:
Prova teórica: 100 questões de múltipla escolha, com igual número de perguntas por área.
Questionário do Estudante (para concluintes de Medicina inscritos no Enade) – obrigatório
Questionário Contextual (para os demais participantes) – obrigatório
Questionário de Percepção de Prova
Os dados dos questionários não influenciam a pontuação no Enare, e serão utilizados penas para fins estatísticos e avaliação da educação superior.
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Crianças e adolescentes assistem mais a vídeos de influenciadores digitais do que a séries e filmes, diz pesquisa

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Vídeos de influenciadores digitais são o formato mais visto por crianças e adolescentes brasileiros na internet. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada nesta quarta-feira (22), 46% dos usuários de 9 a 17 anos assistem a esse tipo de conteúdo várias vezes ao dia.
Em seguida, aparecem séries, filmes e programas (35%), tutoriais (29%) e vídeos de pessoas jogando videogame (23%).
O estudo, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra também dados específicos da faixa etária de 11 a 17 anos. Estes são os tipos favoritos de vídeo deles:
66%: de pessoas abrindo embalagens;
65%: de tutoriais ;
61%: de produtos recebidos de marcas;
54%: de visitas a lojas ou eventos;
53%: de divulgação de jogos de apostas;
52%: de desafios com marcas;
39%: de sorteios ou concursos.
📱Metade pediu aos pais algum produto após ver propaganda
Criança mexe em um smartphone enquanto ouve música com fones de ouvido
Anne-Sophie Bost/AltoPress/PhotoAlto
Uma das consequências da exposição excessiva a redes sociais é o contato constante com publicidade. Mais da metade dos usuários de 11 a 17 anos afirmou ter visto propaganda digital em diferentes plataformas:
Redes sociais: 55%
Sites de vídeo: 52%
Televisão: 52%
Jogos on-line: 26%
Do total, 51% pediram algum produto após ver propaganda na internet. As preferências variam por gênero:
Meninas: 33% pediram materiais escolares, e 20%, livros, revistas e gibis;
Meninos: 27% pediram jogos ou videogames, e 15%, moedas virtuais para jogos.
Além disso, 63% pesquisaram produtos na internet e 44% buscaram informações sobre marcas no último ano.
🖥️85% dos usuários têm perfil em ao menos uma plataforma digital
O WhatsApp é a plataforma mais usada “várias vezes ao dia” por crianças e adolescentes, seguido por YouTube, Instagram e TikTok:
WhatsApp: 53% (várias vezes ao dia) e 15% (todos os dias ou quase todos)
YouTube: 48% (várias vezes ao dia)
Instagram: 48% (várias vezes ao dia) e 11% (todos os dias ou quase todos)
TikTok: 46% (várias vezes ao dia) e 11% (todos os dias ou quase todos)
O estudo mostra ainda que 85% dos usuários de 9 a 17 anos possuem perfil em pelo menos uma plataforma digital. A proporção cresce com a idade:
64% entre 9 e 10 anos;
79% entre 11 e 12 anos;
91% entre 13 e 14 anos;
99% entre 15 e 17 anos.
🖱️Celular vence TV entre os dispositivos mais usados
O levantamento aponta que 92% da população de 9 a 17 anos usa internet, o que equivale a 24,5 milhões de crianças e adolescentes — proporção estável em relação à edição anterior.
O celular continua sendo o principal meio de acesso (96%), seguido por:
Televisão: 74%
Computador: 30%
Videogame: 16%
Dispositivos vestíveis ou assistentes pessoais: 7% cada
Pela primeira vez, a pesquisa investigou a frequência de uso dos aparelhos:
74% usam o celular várias vezes ao dia
35% assistem à TV diariamente
8% usam computador de mesa ou portátil todos os dias
📶Atividades on-line: trabalhos escolares dominam uso
As atividades mais comuns continuam ligadas à escola e à busca de informações:
81% pesquisaram para trabalhos escolares
70% buscaram informações sobre temas de interesse
48% leram ou assistiram notícias
31% procuraram informações sobre saúde
A criação de conteúdo também é expressiva:
33% produziram vídeo, música ou imagem e postaram;
20% escreveram e publicaram ideias ou pensamentos.
⌨️65% dos usuários de 9 a 17 anos usaram IA generativa
Pela primeira vez, a TIC Kids Online analisou o uso de inteligência artificial generativa (IA) por esse público:
59% usaram IA para pesquisas escolares ou estudos;
42% para buscar informações;
21% para criar conteúdo;
10% para conversar sobre emoções.
No total, 65% dos usuários de 9 a 17 anos usaram IA generativa para alguma dessas finalidades.
O uso é mais frequente entre adolescentes de 15 a 17 anos do que entre crianças de 9 a 10 anos — por exemplo, 68% contra 37% no caso das pesquisas escolares.

Como pais e professores podem ajudar na reta final do Enem sem aumentar a pressão

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Por que colocar o celular atrás da cabeça faz a música 'abraçar' você?
Ansiedade, oscilação de humor, autocobrança e sobrecarga são comuns na reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ter o suporte da família e dos professores faz a diferença nesse momento, quando a preparação envolve também gestão emocional e rotina equilibrada.
Ao g1, especialistas reforçam que os pais e a escola têm papéis complementares no caminho até o vestibular. Enquanto os professores reforçam os conteúdos importantes e orientam quanto às estratégias de prova, cabe aos pais assegurar o apoio emocional e logístico para que uma rotina saudável seja mantida.
"Não descuidar do sono, da alimentação, da hidratação e do exercício físico pode fazer muita diferença no resultado final", aponta Idelfrânio Moreira, gerente executivo de ensino e inovações do SAS Educação.
📆 O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. No primeiro domingo de provas, os candidatos encaram Linguagens, Ciências Humanas e redação; no segundo, será a vez de Matemática e Ciências da Natureza.
Pode ser um desafio oferecer ajuda sem transformar a prova em uma fonte de tensão e cobrança dentro de casa. Moreira lembra que o Enem "acaba sendo um evento importante para a família toda", logo, é natural que os pais tenham as próprias aflições.
"Para cuidar do outro, é preciso cuidar de si primeiro: em caso de ansiedade ou agitação dos pais, o cuidado deve começar consigo mesmo", alerta Moreira.
Atitudes como manter o diálogo aberto, respeitar os momentos de descanso e evitar comparações ajudam a preservar a autoconfiança do estudante. "O aluno que se importa em fazer uma boa prova e quer muito o resultado já se cobra o suficiente – às vezes, mais que o necessário. O papel da família está no acolhimento emocional e no incentivo", nota.
Por isso, é importante ter "conversas francas sobre os possíveis resultados e imaginar cenários futuros, para que o estudante sinta segurança", recomenda Moreira.
Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro.
Érico Andrade/g1
O psicólogo Eduardo Takayuki Katto, do Curso Anglo, ressalta que o estresse relacionado ao vestibular não começa somente há algumas semanas das provas, mas acompanha o aluno durante todo o ano letivo.
Katto indica que os pais se informem sobre as provas, conversem com os professores e com os próprios filhos, para entender as estratégias e objetivos pretendidos.
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O primeiro passo para conseguir dar o suporte necessário é entender o que vem pela frente e ter empatia com a realidade do adolescente, sabendo de antemão que o desafio não se limita ao alto volume de conteúdos para estudar.
Ao longo do ano, o jovem precisa ser lembrado do próprio progresso, principalmente nos momentos de exaustão, em que a autoconfiança oscila.
➡️ Frases motivadoras como "você não está atrasado, está no seu próprio tempo”, por exemplo, fortalecem o estudante, enquanto falas como “fulano passou direto do colégio” e “eu não precisei de cursinho, basta se esforçar” desestabilizam, e devem ser evitadas.
"Os vestibulares não avaliam apenas o conhecimento acumulado ao longo dos meses e anos de preparação, mas também como o candidato consegue lidar com os diferentes desafios apresentados, sejam físicos ou emocionais – muitas vezes, uma mistura dos dois", destaca Katto.
Às vésperas do Enem, e principalmente nos dias de prova, o ideal é que o aluno se sinta tranquilo e amparado, para poder concentrar toda a energia em fazer o seu melhor.
Comunicação entre escola, aluno e família
A preparação para o Enem e outros vestibulares é mais efetiva quando escola e família estão alinhadas. Reuniões, grupos de mensagem e conversas informais podem ajudar a identificar sinais de sobrecarga e, quando necessário, a acionar profissionais capazes de oferecer suporte especializado aos estudantes, como psicólogos e outros especialistas.
Pais e professores não têm a capacidade de tornar o processo menos pesado, lembra o psicólogo, mas podem dividir alguns dos fardos carregados pelos estudantes.
"A ansiedade e cansaço fazem parte do processo, precisamos considerar estes fatores ao oferecer conselhos e suporte, respeitando os limites do jovem e sua autonomia", diz Katto.
➡️ Além de guiar o aluno pela revisão dos principais temas cobrados no Enem, na organização o tempo de estudo e nas estratégias para o dia da prova, oferecer apoio emocional também faz parte do papel dos educadores.
Quando o professor demonstra empatia pelas dificuldades dos alunos e confiança no potencial de cada um, há ganhos significativos na redução da ansiedade coletiva que, naturalmente, se estende por toda a turma.
"É muito comum a perda da rotina quanto maior a ansiedade para o grande dia da prova. A escola também pode ajudar discutindo aspectos como hidratação, alimentação, exercícios, sono e momentos de lazer", aponta Moreira.
Moreira acrescenta: os estudantes e suas respectivas famílias são diferentes e vivem contextos diversos. "As ações podem variar, mas para todos vale o princípio de que escola, família e estudantes devem ter um mesmo foco e objetivo: a prova e a aprovação".
🟢 Boas práticas para pais e professores na preparação para o Enem, de acordo com os especialistas
Garantir uma rotina equilibrada: boas condições de sono, alimentação e horários regulares de estudos (com pausas) ajudam o cérebro a funcionar melhor;
Ambiente tranquilo: ter um espaço sem interrupções em casa contribui para o rendimento e concentração;
Gestos e palavras de motivação: pequenas ações, como preparar um lanche saudável ou oferecer palavras de incentivo, transmitem segurança e mostram ao estudante que ele não está sozinho;
Momentos de lazer: lembrar a importância do descanso, inclusive promovendo momentos de descontração em família – esperar que o estudante mantenha 100% de foco o tempo todo é irreal e desgastante, e pode resultar em fadiga cognitiva;
Diálogo aberto: conversar e ouvir desabafos sem interromper ou minimizar preocupações, e evitar transformar o Enem em tema constante de tensão nas trocas familiares;
Procurar a escola: para alinhar expectativas e identificar sinais de ansiedade e estresse exacerbados;
Oferecer ajuda em vez de interferir rigidamente: confiar nas estratégias que o aluno já vem aplicando e estimular sua autonomia, ficando à disposição para colaborar com ajustes;
Evitar cobrar resultados com base em comparações: mencionar o desempenho ou sucesso de conhecidos pode pressionar mais que incentivar, assim como reforçar frases simplistas que geram culpa ou ansiedade, como "basta se esforçar mais";
Valorizar pequenas conquistas: lembrar que o processo é mais importante que o resultado imediato.

Técnicas de memorização no Enem: o que realmente funciona e quando não usar

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Nas últimas semanas de estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o senso de urgência pode levar o aluno a adotar estratégias que mais prejudicam do que ajudam, como a popular "decoreba".
A memorização é um dos pilares do estudo, mas trata-se de um caminho bem mais complexo do que apenas gravar informações aos montes. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam como esse processo acontece no cérebro e em quais situações é válido decorar um conteúdo para a prova – e também quando evitar.
📆 O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. No primeiro domingo de provas, os candidatos encaram Linguagens, Ciências Humanas e redação; no segundo, será a vez de Matemática e Ciências da Natureza.
Como o cérebro memoriza e o que prejudica esse processo
A memorização é um processo mental e ativo que acontece principalmente no hipocampo, localizado no lobo temporal. Ela envolve três etapas principais: a codificação, o armazenamento e a recuperação.
🧠 Quando aprendemos algo novo, o cérebro cria conexões entre neurônios. São as chamadas sinapses. "Se esse conteúdo é revisado e usado, essas conexões se fortalecem – é a chamada potenciação de longo prazo (PLP)", explica Robson Batista Dias, psicólogo especialista em neuropsicologia e professor de pós-graduação da Rhema Neuroeducação.
Quanto mais o estudante retoma e aplica o conteúdo, mais estáveis são as conexões e mais fácil fica resgatar aquele conhecimento mais tarde.
"O cérebro precisa ser treinado. Cada vez que revisamos, sinalizamos ao cérebro que aquela informação é importante, o que consolida o aprendizado e reduz o esquecimento", explica Dias.
Por outro lado, quando o estudante apenas “decora” um conteúdo, sem associação de significado, o cérebro guarda a informação como se fosse uma anotação provisória, na memória de curto prazo. Ela tem capacidade limitada, e o que é registrado tende a ser esquecido em poucos dias.
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Ou seja: na ânsia de dar conta do grande volume de matérias antes da prova, o candidato pode acabar complicando o próprio desempenho. Isso porque, além das conexões serem mais frágeis, há um limite para a quantidade de informações que o cérebro consegue reter em um curto período.
"Decoreba" no Enem: especialistas explicam como a memorização acontece no cérebro e quando funciona (ou não) nos estudos.
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Aprender é apenas uma das etapas da memória. Para que uma informação seja de fato armazenada, outros processos cognitivos devem acontecer – e muita coisa pode interferir em todo esse caminho.
💤 É durante o sono que o cérebro consolida o que foi aprendido. Por isso, segundo Dias, o sono de má qualidade é o principal vilão nesse processo. Outros fatores que também atrapalham são:
sobrecarga de estudos sem pausas adequadas, resultando em fadiga cognitiva;
estresse e ansiedade, que elevam o cortisol e dificultam o registro das informações;
falta de rotina e organização, que impede o cérebro de criar previsibilidade e foco;
hábitos multitarefas, como querer estudar enquanto mexe no celular, que reduzem a profundidade da atenção.
Como reconhecer as competências avaliadas na redação do Enem
Técnicas de memorização que funcionam
🛑 Métodos puramente mecânicos e repetitivos, como reler o mesmo trecho várias vezes sem refletir sobre o conteúdo, "podem até ajudar um pouquinho, mas compreender e aplicar é o que consolida e garante o sucesso na aprendizagem", lembra Dias.
Por isso, quando for realmente vantajoso memorizar informações de uma disciplina, prefira estratégias comprovadas por evidências científicas. Dias destaca algumas, ideais para semanas que antecedem o Enem, pois fortalecem a memória de longo prazo e reduzem a necessidade de "maratonar" conteúdos na véspera:
prática de recuperação (ou "resgate ativo"): tentar lembrar o conteúdo sem consultar o material (com flashcards, resumos mentais e resolução de exercícios);
revisão espaçada: revisar o conteúdo em intervalos progressivos de tempo (1 dia, 3 dias, 7 dias…);
elaboração: explicar o conteúdo com as próprias palavras, conectando com experiências pessoais.
Quando usar – e quando não usar
Embora a prova do Enem contemple a extensa bagagem do ensino médio, é também bastante contextualizada. As questões valorizam a interpretação como principal habilidade.
"A memorização isolada não substitui a compreensão. Ela perde a efetividade quando o conteúdo exige raciocínio e aplicação, não apenas lembrança – caso do Enem", destaca Dias.
André Ricardo de Castro, autor de Química e diretor do Colégio Fibonacci, confirma que a simples "decoreba" não é útil para esse modelo de prova. "As questões visam aferir habilidades e competências. Datas específicas ou nomes complexos raramente foram exigidos nas edições do exame desde 2009", ressalta.
Determinadas disciplinas ou conteúdos podem até se beneficiar dessa estratégia, mas em momentos pontuais. Castro destaca, por exemplo, que certas fórmulas de física e termos da biologia e da química precisam ser gravados para a prova de Ciências da Natureza.
Enem: o que estudar e como se preparar para cada área da prova?
Nesses casos, como já vimos, o melhor caminho é criar associações com algo que o aluno já domine. "Se isso não for possível, a criação de histórias e mnemônicos é útil, desde que sejam desenvolvidos pelo próprio aluno, pois isso facilitará a memorização", sugere o professor.
➡️ Mnemônicos (ou macetes) são aquelas associações que facilitam o resgate da informação, como palavras, frases, siglas, imagens ou rimas.
Por outro lado, a prova de Matemática, por exemplo, trabalha a resolução de problemas a partir do raciocínio lógico. "Decorar alguns supostos atalhos pode induzir o aluno a caminhos errados, consumindo tempo de prova ou encaminhando a resposta para um dos distratores (alternativas incorretas)", ressalta Castro.
Também não é vantajoso para a prova de Linguagens. "É sempre muito interpretativa e nunca exigiu conhecimentos gramaticais complexos. Não faz nenhum sentido decorar regras gramaticais e ortográficas para resolvê-la", acrescenta o professor.
Vale destacar, ainda, a redação. Conforme a Cartilha de Redação 2025, o candidato que utilizar o chamado "repertório de bolso" na argumentação do texto pode perder pontos. O exame espera que o aluno apresente exemplos que combinem com o tema, e não ideias e modelos previamente decorados para encaixar em qualquer proposta.
Redação do Enem: como usar repertório sociocultural sem “forçar” ou cair em modelos prontos
🚨 Cuidado com os truques do TikTok. Isso pode criar uma falsa sensação de preparo ou até prejudicar o estudante.
"Não há atalhos para um alto desempenho. Os 'macetes' e dicas distribuídos pelas redes sociais não são capazes de desenvolver as habilidades e competências adquiridas em 12 anos de educação básica", avalia André Castro.
Para o professor, tais artifícios levam, no máximo, ao acerto de uma ou outra questão – com muita “sorte”.
O impacto na nota seria pouco significante, considerando que a prova apresenta 180 questões objetivas e que a pontuação final é calculada pela Teoria de Resposta ao Item, um modelo estatístico que valoriza a coerência pedagógica em vez de itens acertados ao acaso.
🤨 É importante também verificar a fonte, ou seja, quem está produzindo o conteúdo. "Há professores que publicam materiais de qualidade nas redes sociais, mas também influenciadores que, apesar de famosos, não são especialistas nem entendem da preparação para esse tipo de exame".
"É preferível passar menos tempo nas redes e mais tempo se dedicando aos estudos, utilizando técnicas mais eficazes", acrescenta Castro.