PND: participantes reclamam de questões generalistas, situações hipotéticas e problemas na aplicação; saiba o que dizem MEC e Inep

Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar
Enem dos Professores: prova vai ajudar na seleção de profissionais em todo o país
A aplicação da Prova Nacional Docente (PND), que ocorreu no domingo (26), tem dado o que falar nas redes sociais. Participantes criticam enunciados e estruturas das questões, e relatam problemas na aplicação em alguns dos locais de prova.
A PND foi anunciada em janeiro deste ano como uma maneira de avaliar a qualidade da formação oferecida em Licenciaturas e como alternativa na seleção de professores de educação básica para a rede pública. O exame foi aplicado nacionalmente no domingo, considerando a adesão por estados e municípios.
A prova faz parte do programa Mais Professores para o Brasil e tem a mesma matriz da avaliação teórica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas.
Participantes reclamam de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Redes sociais
Abaixo, confira o que os principais motivos de reclamação, relatos de participantes e o que dizem MEC e Inep, responsáveis pelo exame.
Enunciado das questões
Grande parte das reclamações ligadas à PND é de participantes que criticam algumas das questões presentes na prova por:
Situações muito hipotéticas e pouco objetivas.
Contextos administrativos, não-conteudista.
Enunciados grandes, repetitivos e potencialmente confusos.
Situações generalistas e amplamente teóricas.
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Problemas na aplicação
Vídeos gravados na Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em São Paulo (SP), denunciam a suposta falta de espaço nas salas de aula para comportar todos os participantes. Como resultado, diversos participantes foram alocados em outros ambientes da escola, como pátios e refeitório, com mesas compartilhadas e falta de fiscalização adequada.
Os participantes reclamaram sobre a falta de infraestrutura das escolas e atrasos durante o processo de aplicação do exame. Outros relatos de problemas também circulam nas redes sociais, inclusive acompanhados de imagens das salas de aplicação e dos cadernos de prova.
Internauta reclama de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Threads
Internautas reclamam de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Instagram
O Ministério da Educação (MEC) foi procurado para comentar sobre os problemas relatados e os riscos de vazamento pelas imagens registradas dentro do ambiente de aplicação, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
O que diz o Inep
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o braço do Ministério da Educação responsável pelo exame. Procurado pela reportagem, o Inep informou que tomou as devidas providências e que avalia os relatórios de aplicação para garantir os direitos dos participantes. Confira a nota na íntegra.
Assim que tomou conhecimento dos relatos de possíveis intercorrências na aplicação da Prova Nacional Docente por meio de seu sistema de monitoramento, o Inep notificou a empresa aplicadora – Fundação Getúlio Vargas – para que fossem tomadas todas as providências contratuais previstas.
A empresa aplicadora afirmou que ao ser noticiada pelo Inep adotou de forma imediata ações de remanejamento, buscando assegurar o atendimento a todos.
⁠Os relatórios de avaliação estão sendo minuciosamente analisados para garantir as condições de equidade e pleno direitos dos participantes.
⁠O Inep reitera seu compromisso com a lisura da execução dos seus exames e reforça que serão adotadas todas as medidas necessárias para que nenhum participante seja prejudicado.
O que diz a CNTE
Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) destaca a importância da PND para a valorização dos professores, mas cobra um posicionamento do MEC sobre as situações filmadas durante a aplicação. Cofira um trecho da nota:
No tocante à sua realização, ontem, a CNTE tem recebido diversos vídeos, áudios e mensagens de texto denunciando situações incompatíveis com a aplicação do exame, as quais não se sabem se têm origem no MEC, nas redes de ensino ou na empresa contratada para aplicar a prova, de modo que aguardamos o pronunciamento urgente do Ministério da Educação, a fim de elucidar os diversos problemas que parecem ter ocorrido em diferentes lugares.
Reiteramos a importância da PND como etapa da valorização da carreira docente, sobretudo para superar os altos índices de contratos temporários no magistério, e esperamos que a confiabilidade neste processo de seleção de professores seja plenamente garantida, buscando, assim, a adesão de mais redes de ensino no país.

Unicamp 2026: Piracicaba tem aumento na abstenção, mesmo com a menor taxa de ausência do vestibular em 15 anos

Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar
Candidatos conferem locais de prova da 1ª fase da Unicamp no campus da Fumep em Piraicaba
Beatriz Bisan/g1
A primeira fase do Vestibular 2026 da Unicamp em Piracicaba (SP) registrou aumento no número de ausências em comparação ao ano anterior: de 4,02%, em 2025, para 4,36%, no de 2026. Os dados são da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest). Dos 1.605 inscritos para realizarem a prova na Fumep de Piracicaba, 70 faltaram.
O cenário vai na contramão do resultado geral. Ao todo, 57.718 das 61.698 pessoas habilitadas fizeram a prova neste domingo (26), o que fez com que a primeira fase do Vestibular 2026 da Unicamp registrasse a menor abstenção em 15 anos, com taxa de 6,45% — veja comparativo abaixo.
Em Limeira (SP), também houve queda no número de ausências: de 6,39%, em 2025, para 6,21%, em 2026. Na cidade, 1.706 pessoas estavam aptas a realizar a prova, e 106 faltaram.
De Fernanda Torres a feijoada gourmet e Studio Ghibli: veja o que caiu na 1ª fase da Unicamp 2026
Confira o gabarito extraoficial e resolução comentada da 1ª fase do vestibular
"Isso é algo que demonstra que o horário da prova, no período da manhã, é exitoso, não foi apenas do ano passado. É um dado muito relevante para podermos informar, do ponto de vista da participação das candidatas e candidatos, no vestibular Unicamp. Sobre a prova, em linhas gerais, nós não tivemos nenhuma intercorrência, apenas questões pontuais", detalhou José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest.
Em Campinas, a abstenção foi de 7,7% e em São Paulo de 5,6%. As cidades com menor percentual de ausentes foram Valinhos, com 3,5%, e São João da Boa Vista, com 3,6% de ausentes.
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A prova foi aplicada em 31 cidades do Estado de São Paulo e nas capitais: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.
Unicamp 2026: estudantes relatam preparativos e ansiedade antes do vestibular
Índices de abstenção nos últimos 15 anos
2026: 6,45%
2025: 7,1%
2024: 6,9%
2023: 8,1%
2022: 7,7%
2021: 13,8%
2020: 8,27%
2019: 8,6%
2018: 9,02%
2017: 8,64%
2016: 8,2%
2015: 8%
2014: 6,9%
2013: 7,6%
2012: 7,4%
2011: 6,9%
2010: 5,3%
Pedro Pereira prestou a 1ª fase da Unicamp como treineiro, aos 16 anos, e foi acompanhado de sua mãe, Márcia Pereira, na Fumep, em Piracicaba (SP)
Beatriz Bisan
Unicamp 2026: mãe de treineiro cadeirante relata desafios para garantir acessibilidade no vestibular
A 1ª fase
O exame deste domingo (26) começou às 9h e teve duração de cinco horas. Ela foi composta por 72 questões de múltipla escolha, distribuídas da seguinte maneira:
12 questões de matemática
12 questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa
7 questões de cada uma das seguintes disciplinas: inglês, biologia, química, física, história e geografia
3 questões de filosofia
3 questões de sociologia
Cada questão tem quatro alternativas e vale um ponto. Não há redação nesta fase.
FOTOS: 1ª fase do vestibular da Unicamp 2026
Calendário
1ª fase: 26 de outubro 2025
2ª fase: 30 de novembro de 2025 e 1º de dezembro de 2025
Provas de Habilidades Específicas (exceto Música): 3 a 5 de dezembro de 2025
Divulgação dos aprovados em 1ª chamada: 23 de janeiro de 2026
Matrícula virtual da 1ª chamada: 26 e 27 de janeiro de 2026
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Sisu 2026 aceitará notas do Enem 2023, 2024 e 2025

Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar
Enem 2024, 2ºdia
Mateus Santos/g1
Pela primeira vez, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permitirá o uso das notas das três edições mais recentes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — 2023, 2024 e 2025 — para seleção dos candidatos em universidades públicas.
Ou seja: o aluno que fez o Enem 2023, por exemplo, e que nem chegou a se inscrever na edição atual da prova também poderá concorrer a vagas por meio do programa.
A mudança está prevista no Edital nº 22/2025, publicada no Diário Oficial da União e disponível na página do Sisu. Até então, apenas a nota da edição mais recente do exame era aceita.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Critério que permite comparar notas
Mas e se a prova do outro ano tiver sido mais fácil? O sistema de correção do Enem é chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI): a nota final não é a simples soma do número de acertos. Essa técnica mede a coerência no desempenho — se o estudante tiver acertado as questões mais difíceis e errado as mais simples provavelmente "chutou" as alternativas. Consequentemente, ganhará menos pontos do que aquele que respondeu corretamente as fáceis e errou só as difíceis.
Uma das justificativas do uso de TRI é justamente possibilitar a comparação de notas em diferentes provas.
Dois participantes acertaram 5 respostas. Veja só como aquele que errou justamente as mais fáceis tirou uma nota menor do que o ouro, que errou as difíceis
Reprodução/Inep
🎓Como funcionará a seleção?
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), será considerada a pontuação que gerar a melhor média ponderada no curso escolhido.
✏️Por que média ponderada? Ao fazer o Enem, os candidatos alcançam determinada pontuação em cada uma das provas (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática, Linguagens e Redação). Ao se inscreverem no Sisu, a média será diferente dependendo do curso e da universidade escolhidos. Por exemplo: é possível que a graduação em Física atribua um peso maior à nota de Matemática do que um de Jornalismo, que dará maior importância para Ciências Humanas.
✏️Até a mais recente atualização desta reportagem, o Inep não havia esclarecido se seria possível usar a nota de uma edição na 1ª opção de curso e de outra na 2ª opção.
✏️A regra de usar as últimas edições da prova no Sisu não vale para quem participou como treineiro — ou seja, só as notas válidas no ano de conclusão do ensino médio (ou em posteriores) poderão ser usadas.
A novidade busca ampliar as oportunidades de ingresso no ensino superior, permitindo que o candidato escolha o melhor desempenho obtido nas últimas provas.
🎓Prazos e adesão das universidades
A mudança já aparece no edital de adesão das instituições de ensino superior ao Sisu 2026, cujo prazo vai desta segunda-feira (27) a 28 de novembro. Todas as etapas devem ser realizadas pela plataforma Sisu Gestão.
As universidades e institutos federais interessados precisam ter finalizado a ocupação das vagas da última edição em que participaram. Durante o período de adesão, será possível reabrir e ajustar o termo de participação antes da assinatura final.
🎓O que é o Sisu
O Sisu é o sistema do governo federal que permite aos estudantes concorrer gratuitamente a vagas em universidades públicas de todo o país, utilizando a nota do Enem.
Desde 2024, o programa passou a ter edição única anual, com oferta de cursos cujas aulas começam no primeiro ou no segundo semestre.
Na edição de 2025, foram disponibilizadas 261,7 mil vagas em 6.851 cursos de 124 instituições públicas. Ao todo, 254,8 mil candidatos foram aprovados, sendo 128 mil na ampla concorrência, 111 mil por cotas e 14 mil por políticas afirmativas próprias das universidades.

De Fernanda Torres a feijoada gourmet e Studio Ghibli: veja o que caiu na 1ª fase da Unicamp 2026

Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar
Unicamp 2026: prova da 1ª fase abordou Fernanda Torres, Studio Ghibli e feijoada postada por Chay Suede
Reprodução/TV Globo/Divulgação/Instagram
A primeira fase do vestibular 2026 da Unicamp, neste domingo (26), abordou temas como a participação da atriz Fernanda Torres no filme “Ainda Estou Aqui” e memes com a personagem Nazaré Tedesco, da novela “Senhora do Destino”.
O exame também discutiu a noção de gosto com uma foto de uma feijoada gourmet postada pelo ator Chay Suede em 2022.
➡️ A prova também abordou temas como:
Estilista Zuzu Angel e como ela usava a moda como protesto na ditadura militar
Studio Ghibli, direito autoral e inteligência artificial
Conflitos no Oriente Médio
Escalas e cálculo de área de figuras geométricas
Função cúbica
Mudanças climáticas e o papel da química na remoção de CO₂ na atmosfera
Eficiência energética, o combustível de aviação e o aquecimento global
Canção “Alvorada”, do Cartola
Preconceito linguístico
Produção de patentes
Tarifaço do Trump
Evolução
Genética
Ampliação da plataforma continental na costa do litoral
Cálculo de percentagem usando o conclave que elegeu o papa como contexto
Cálculos sobre baterias e ambientes refrigerados
Nacionalidade e cidadania baseada no local de nascimento ou princípio sanguíneo
Rousseau e o contrato social
Tráfico de escravizados em Buenos Aires e Rio de Janeiro
Organização Mundial da Saúde e a definição de gênero
Noção de gosto com uma foto de uma feijoada gourmet postada pelo Chay Suede
Krenak e a relação entre a natureza e os humanos
Zonas climáticas da África
Incels e a questão da masculinidade na vida adulta
Defesa da liberdade acadêmica em Harvard no contexto da pressão do governo Trump
'Tom provocativo e contemporâneo'
Victória da Cunha, de 29 anos, quer cursar administração no campus de Limeira (SP). Ela já chegou a ingressar na Unicamp logo após o ensino médio, mas acabou mudando de caminho. Segundo ela, com o tempo vem mais maturidade para escolher uma profissão e, por isso, decidiu retomar o sonho de estudar na universidade para valorizar a carreira.
Victória disse ter gostado da prova, destacando que “a Unicamp tem muito tom provocativo contemporâneo” e que questões com temas atuais, como inteligência artificial e até memes, aproximam o conteúdo dos jovens. Para ela, o maior desafio continua sendo a parte de exatas.
Unicamp 2026: candidatos fazem prova da 1ª fase em Campinas
Thomaz Marostegan/g1
Literatura
Candidatos também relataram que a prova abordou o livro “A Vida Não É Útil”, de Ailton Krenak. A obra está na lista de indicações para a prova deste ano – confira a relação abaixo:
Prosas seguidas de odes mínimas (José Paulo Paes)
Olhos d’água (Conceição Evaristo)
A vida não é útil (Ailton Krenak)
Casa Velha (Machado de Assis)
Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (Lima Barreto)
No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie)
Morangos mofados – Contos escolhidos (Caio Fernando Abreu)
Canções escolhidas (Cartola)
Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)
Unicamp 2026: estudantes relatam preparativos e ansiedade antes do vestibular
A 1ª fase
O exame deste domingo (26) começou às 9h e tem duração de cinco horas. No total, 61.698 candidatos participam do exame.
A prova da primeira fase é composta de 72 questões de múltipla escolha, distribuídas da seguinte maneira:
12 questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa
12 questões de matemática
7 questões de história
7 questões de geografia
3 questões de filosofia
3 questões de sociologia
7 questões de física
7 questões de química
7 questões de biologia
7 questões de inglês
Cada questão tem quatro alternativas e vale um ponto.
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Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar

Unicamp 2026: 1ª fase tem relatos de desafios para garantir acessibilidade, ansiedade e apoio familiar
Unicamp 2026: estudantes relatam preparativos e ansiedade antes do vestibular
A primeira fase do vestibular 2026 foi aplicada neste domingo (26) e foi marcada por relatos de dificuldades no acesso para pessoas com deficiência, rotinas dedicadas à prova, ansiedade e apoio familiar.
Entre os candidatos, figuraram jovens conciliam trabalho e estudo, vestibulandos experientes e estreantes que lidam com a pressão da prova – confira abaixo.
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Os candidatos responderam 72 questões ao longo de cinco horas. Este é o segundo ano consecutivo que a universidade aplica a prova no período da manhã. No ano passado, a mudança foi avaliada positivamente pela Comvest, comissão que organiza o vestibular.
O exame abordou temas como a participação da atriz Fernanda Torres no filme “Ainda Estou Aqui” e memes com a personagem Nazaré Tedesco, da novela “Senhora do Destino”. A prova também discutiu a noção de gosto com uma foto de uma feijoada gourmet postada pelo ator Chay Suede em 2022. Confira os assuntos abordados aqui.
Nesta reportagem você confere:
Desafios para garantir acessibilidade
Jovens conciliam trabalho e estudo
Amizade que impulsiona
Nervosismo e rotina dedicada
Virada de rumo
Desafios para garantir acessibilidade
Pedro Pereira presta a 1ª fase da Unicamp como treineiro, aos 16 anos, e vai acompanhado de sua mãe, Márcia Pereira, na Fumep, em Piracicaba (SP)
Beatriz Bisan
Em Piracicaba (SP), o estudante Pedro Paulo, de 16 anos, prestou a 1ª fase do vestibular da Unicamp como treineiro para a área de Ciências da Natureza. Pedro é cadeirante e precisa de um monitor durante a realização da prova, mas a mãe, Márcia Pereira Carvalho, relatou dificuldades para garantir o atendimento acessível.
“Não é [um processo fácil]. Tanto é que veio errado, veio dizendo que estava com monitor só para o segundo dia, daí ele teve que fazer [a inscrição] de novo”, contou Márcia.
Segundo ela, o pedido exige o preenchimento de formulário, envio de laudo médico e documento de identificação pelo site da universidade. O processo, no entanto, teve falhas e precisou ser repetido.
A mãe também demonstrou preocupação com possíveis barreiras físicas no local. “Você está vendo a escada ali? Eu não sei o que vou fazer”, disse, ao observar o acesso principal à Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba (Fumep), onde o filho faria a prova.
A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) informou que o prédio da Fumep tem entrada acessível para pessoas com mobilidade reduzida. A instituição afirmou que candidatos com solicitações deferidas recebem atendimento garantido no dia da prova. No caso de Pedro, a solicitação de um transcritor e uma cadeira especial na sala foi registrada e atendida normalmente.
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Jovens conciliam trabalho e estudo
Luke Hades Delfino Souza, de 23 anos, e Maria Eduarda Barbosa, de 18 anos, enfrentam jornadas duplas para tentar conquistar uma vaga na Unicamp.
Marcelo Gaudio / Bruna Azevedo
A dedicação é o que move jovens como Luke Hades Delfino Souza, de 23 anos, e Maria Eduarda Barbosa, de 18 anos, que enfrentam jornadas duplas para tentar conquistar uma vaga na Unicamp.
Luke divide o tempo entre o estágio e o cursinho popular à noite. Já conseguiu uma bolsa integral do Prouni para cursar Pedagogia em uma universidade particular, mas não abre mão do sonho de estudar na Unicamp. “É meu sonho desde criança”, afirma.
Maria quer seguir carreira como professora de Educação Física ou Ciências do Esporte. “Sempre quis ser professora de Educação Física. Gosto desse ramo de esportes”, disse. Ela faz cursinho popular aos sábados e trabalha em uma loja de semijoias em Campinas.
“O mais difícil tem sido conciliar estudo e trabalho. Escuto podcasts e vejo videoaulas no trabalho mesmo, vou anotando os pontos que marcam”, explicou.
Moradora de Campinas (SP), Maria vive com a mãe e o irmão mais novo e ajuda nas despesas de casa. “Quero dar uma estabilidade para os dois”, afirmou. Apesar do cansaço e da ansiedade, ela mantém a esperança. “Depois da prova, vou ver minha namorada, acho que isso vai acalmar um pouco”, disse.
Amizade que impulsiona
Melissa e Elisa são amigas de infância e optaram por ir juntas prestar a prova como treino: 'É um porto seguro'.
Bruna Azevedo
Amigas desde os quatro anos, Elisa e Melissa se conheceram ainda na educação infantil. “Foi quando eu tava brincando sozinha. Aí falaram pra mim que tinha chegado uma menina nova que tinha minha idade. Eu perguntei se ela queria brincar comigo, e a gente começou a brincar”, contou Elisa.
Desde então, as duas seguiram juntas. Agora, aos 16 e 17 anos, elas enfrentam mais um desafio lado a lado: a 1ª fase do vestibular da Unicamp 2026, como treineiras. Mesmo com o nervosismo, elas se apoiam. “É um porto seguro”, disse Melissa.
A mãe de Elisa, Aline Oliveira, é enfermeira e trabalha há 28 anos no Hospital de Clínicas da Unicamp. “Eu acho que nessa fase em que os nossos filhos são treineiros, a preocupação é mais dos pais, na verdade”, afirmou.
Fabiana José, corretora de seguros e mãe de Melissa, também acompanha de perto a rotina da filha. “Apesar de não estar valendo, elas têm aí de uma série de provas. Então, toda semana é estudo. Todo final de semana tem envolvimento com alguma prova pra treinar”, contou.
Ela reforça a importância da amizade entre as duas jovens. “Elas que optaram por vir juntas. Para elas é importante. Uma apoia a outra.”
Nervosismo e rotina dedicada
Vestibulandos relatam nervosismo e rotina de estudos para a 1ª fase do vestibular da Unicamp 2026.
Marcelo Gaudio
Rafaela, que tenta o curso de Medicina pela primeira vez, chegou ao local de prova tomada pela ansiedade. “Estou muito ansiosa, muito nervosa também, não consegui dormir à noite”, contou.
Ela afirma que sentiu dificuldades na preparação. “Estudar foi um desafio mesmo. Eu fui atrás das provas antigas, vendo o que eles davam nas últimas vezes e esperar que isso ajude”, relatou.
Emily e Heloísa, ambas com 18 anos, também enfrentaram o momento com nervosismo, mas com esperança. As duas são as primeiras de suas famílias a tentar ingressar no ensino superior e prestam a prova para Fonoaudiologia e Ciências Sociais, respectivamente.
Emily contou que recebeu palavras de incentivo de um professor, o que ajudou a acalmar: “Ele falou que estaria tudo bem se a gente não passasse, e que teria outras chances também.”
Já Gabriel Henrique dos Santos, de 20 anos, está na segunda tentativa e se preparou sozinho, sem cursinho. “Todos os dias eu me programava para estudar uma matéria, então era uma matéria por dia, em média de 4, 5 horas”, disse.
Inspirado pelo filme “Mãos Talentosas”, sobre o neurocirurgião Ben Carson, Gabriel decidiu seguir a carreira médica ainda na infância. “Por conta do Ben Carson, eu decidi fazer medicina”, afirmou.
Virada de rumo
Vestibulandos estreantes e mais experientes prestaram a 1ª fase da Unicamp 2026.
Marcelo Gaudio
Clara, de 20 anos, decidiu trocar o curso de direito pela medicina e presta o vestibular da Unicamp pela primeira vez. A mudança de planos veio em março, ainda durante o primeiro ano da faculdade.
“Este ano está sendo mais como um teste, para ano que vem, se Deus quiser, arrebentar”, disse Clara, que se prepara com cursinho online e conta com o apoio da família. “Até uma pena se torna leve quando ela é dividida”, afirmou.
Já Guilherme, também de 20 anos, morador de Sumaré (SP), faz a prova pela terceira vez e tenta uma vaga em Ciências Econômicas. “Este é o primeiro ano que estou prestando de verdade. Estudei bastante, então estou confiante”, disse.
Ele fez cursinho popular e conciliou os estudos com o trabalho na própria instituição. “Trabalhava lá e estudava lá. Meus momentos de lazer também eram lá, conversando com a galera”, contou.
Apesar dos desafios, Guilherme acredita que o apoio dos pais é fundamental.
“Eles me incentivam bastante a fazer faculdade. Não querem para mim o que eles não tiveram acesso”, afirmou.
Unicamp 2026: candidatos fazem prova da 1ª fase em Campinas
Thomaz Marostegan/g1
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