Entenda como Chay Suede e uma feijoada gourmet viraram questão de vestibular da Unicamp

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo
Professora explica questão 22 de humanidades da prova Q e X
Uma foto publicada por Chay Suede em 2022 voltou a ganhar destaque neste fim de semana – desta vez, não nas redes sociais, mas na 1ª fase do Vestibular da Unicamp 2026.
O story, que mostrava o registro de uma "feijoadinha deliciosa", como definiu o ator na época, virou tema de uma questão de sociologia na prova aplicada no último domingo (26).
Feijoada de rico?
🍽️ A publicação mostrava uma versão “gourmet” da tradicional feijoada brasileira, elaborada pela chef Helena Rizzo com técnicas da gastronomia molecular. No lugar de carne de porco, feijão e muita farofa, o prato trazia esferas de caldo de feijão preto, couve e pedaços de laranja.
Chay Suede postou feijoada polêmica em 2022
Reprodução
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Como a feijoada do Chay virou questão da Unicamp?
A questão da Unicamp usou o episódio para discutir conceitos ligados a gosto, distinção social e estilos de vida, como explicou a professora de humanidades Mariana Moro, durante resolução comentada transmitida pelo g1 Campinas logo após a prova (assista ao vídeo acima).
“Uma questão que traz pra gente duas sensações brasileiras, a feijoada e o Chay Suede”, brincou.
“Quando a gente faz a análise, fica explícito pra gente que ele está trabalhando a questão de cultura e a questão de classe e, também, uma questão de estética. Por isso, na nossa banca de correção, a gente considerou, inclusive, essa questão como interdisciplinar de filosofia e sociologia”.
Confira a questão e as alternativas na íntegra:
Texto 1 – A imagem acima reproduz uma postagem feita pelo ator Chay Suede sobre uma feijoada que havia consumido em um restaurante de luxo. As reações na rede social do ator incluíram comentários como "se isso é feijoada de rico, eu prefiro morrer pobre".
Texto 2 – A forma como as pessoas vivenciam as diferentes classes deve gerar as probabilidades dessas pessoas terem certos gostos, certos estilos de vida. No caso das classes altas, essa lógica é a do desinteresse ou da não-necessidade. Uma vez afastada de toda a urgência da vida pela sobrevivência e pela reprodução, os sujeitos das classes altas possuem uma relação de distanciamento com o mundo. Esse distanciamento transforma o senso de distinção em senso estético nessa classe. O senso estético é a noção de que o belo se dá pela forma, e não pela função,
A partir dos textos, é correto afirmar que a polêmica associada à postagem:
a) demonstra que a formação do gosto está mais relacionada a juízos pessoais, pois as práticas alimentares são guiadas por necessidades de sobrevivência e não produzem distinção social.
b) representa uma aproximação social das classes altas em relação às populares, pois reduz a distância simbólica entre o universo do luxo e o popular, limitando o alcance da distinção social.
c) demonstra que o gosto está mais relacionado a experiências de classe e menos a juízos pessoais, pois simboliza o gosto das classes altas pelo belo e um senso estético formado pela necessidade.
d) Representa uma prática de distinção social das classes altas em relação às populares, pois simboliza um senso estético que valoriza a forma e aquilo que não é necessário, em vez da função.
Outros temas da prova da Unicamp
A primeira fase do vestibular também abordou:
Estilista Zuzu Angel e como ela usava a moda como protesto na ditadura militar
Studio Ghibli, direito autoral e inteligência artificial
Conflitos no Oriente Médio
Escalas e cálculo de área de figuras geométricas
Função cúbica
Mudanças climáticas e o papel da química na remoção de CO₂ na atmosfera
Eficiência energética, o combustível de aviação e o aquecimento global
Canção “Alvorada”, do Cartola
Preconceito linguístico
Produção de patentes
Tarifaço do Trump
Evolução
Genética
Ampliação da plataforma continental na costa do litoral
Cálculo de percentagem usando o conclave que elegeu o papa como contexto
Cálculos sobre baterias e ambientes refrigerados
Nacionalidade e cidadania baseada no local de nascimento ou princípio sanguíneo
Rousseau e o contrato social
Tráfico de escravizados em Buenos Aires e Rio de Janeiro
Organização Mundial da Saúde e a definição de gênero
Noção de gosto com uma foto de uma feijoada gourmet postada pelo Chay Suede
Krenak e a relação entre a natureza e os humanos
Zonas climáticas da África
Incels e a questão da masculinidade na vida adulta
Defesa da liberdade acadêmica em Harvard no contexto da pressão do governo Trump
'Tom provocativo e contemporâneo'
Victória da Cunha, de 29 anos, quer cursar administração no campus de Limeira (SP). Ela já chegou a ingressar na Unicamp logo após o ensino médio, mas acabou mudando de caminho. Segundo ela, com o tempo vem mais maturidade para escolher uma profissão e, por isso, decidiu retomar o sonho de estudar na universidade para valorizar a carreira.
Victória disse ter gostado da prova, destacando que “a Unicamp tem muito tom provocativo contemporâneo” e que questões com temas atuais, como inteligência artificial e até memes, aproximam o conteúdo dos jovens. Para ela, o maior desafio continua sendo a parte de exatas.
Unicamp 2026: candidatos fazem prova da 1ª fase em Campinas
Thomaz Marostegan/g1
Literatura
Candidatos também relataram que a prova abordou o livro “A Vida Não É Útil”, de Ailton Krenak. A obra está na lista de indicações para a prova deste ano – confira a relação abaixo:
Prosas seguidas de odes mínimas (José Paulo Paes)
Olhos d’água (Conceição Evaristo)
A vida não é útil (Ailton Krenak)
Casa Velha (Machado de Assis)
Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (Lima Barreto)
No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie)
Morangos mofados – Contos escolhidos (Caio Fernando Abreu)
Canções escolhidas (Cartola)
Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)
Unicamp 2026: estudantes relatam preparativos e ansiedade antes do vestibular
A 1ª fase
O exame deste domingo (26) começou às 9h e tem duração de cinco horas. No total, 61.698 candidatos participam do exame.
A prova da primeira fase é composta de 72 questões de múltipla escolha, distribuídas da seguinte maneira:
12 questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa
12 questões de matemática
7 questões de história
7 questões de geografia
3 questões de filosofia
3 questões de sociologia
7 questões de física
7 questões de química
7 questões de biologia
7 questões de inglês
Cada questão tem quatro alternativas e vale um ponto.
VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e região
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PND: veja os gabaritos preliminares da Prova Nacional Docente, conhecida como ‘Enem dos Professores’

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo
Enem dos Professores: prova vai ajudar na seleção de profissionais em todo o país
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, nesta terça-feira (28), as versões preliminares do gabarito das questões objetivas e o padrão de resposta da questão discursiva da Prova Nacional Docente (PND). Os documentos estão disponíveis no portal oficial do instituto e podem ser consultados aqui.
Os participantes têm o prazo de dois dias para interpor recursos no Sistema PND: entre esta terça e a quarta-feira (29). Segundo o Inep, os resultados dessas solicitações serão divulgados em 10 de novembro, um dia antes da versão final do gabarito.
O resultado final das provas está previsto para 10 de dezembro.
O que é PND? Criada pelo Ministério da Educação (MEC), a PND avalia o nível de conhecimento e a formação de futuros professores nas licenciaturas. Além disso, auxilia estados e municípios na seleção de docentes para suas redes de ensino. O exame integra o programa Mais Professores para o Brasil, que reúne iniciativas de reconhecimento, qualificação do magistério da educação básica e incentivo à docência em todo o país.
Problemas na aplicação da prova
Participantes reclamam de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Redes sociais
Nas redes sociais, participantes criticaram enunciados e estruturas das questões, e relataram problemas na aplicação em alguns dos locais de prova.
Abaixo, confira o que os principais motivos de reclamação e veja o que dizem MEC e Inep, responsáveis pelo exame.
1- Enunciado das questões
Grande parte das reclamações ligadas à PND é de participantes que criticam algumas das questões presentes na prova por:
Situações muito hipotéticas e pouco objetivas.
Contextos administrativos, não conteudistas.
Enunciados grandes, repetitivos e potencialmente confusos.
Situações generalistas e amplamente teóricas.
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
Internauta comenta sobre a Prova Nacional Docente de 2025.
Reprodução/X
2- Problemas na aplicação
Vídeos gravados na Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em São Paulo (SP), denunciam a suposta falta de espaço nas salas de aula para comportar todos os participantes. Como resultado, diversos participantes foram alocados em outros ambientes da escola, como pátios e refeitório, com mesas compartilhadas e falta de fiscalização adequada.
Os candidatos reclamaram sobre a falta de infraestrutura das escolas e atrasos durante o processo de aplicação do exame. Outros relatos de problemas também circulam nas redes sociais, inclusive acompanhados de imagens das salas de aplicação e dos cadernos de prova.
Internauta reclama de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Threads
Internautas reclamam de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Instagram
O Ministério da Educação (MEC) foi procurado para comentar sobre os problemas relatados e os riscos de vazamento pelas imagens registradas dentro do ambiente de aplicação, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
O que diz o Inep
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o braço do Ministério da Educação responsável pelo exame. Procurado pela reportagem, o Inep informou que tomou as devidas providências e que avalia os relatórios de aplicação para garantir os direitos dos participantes. Confira a nota na íntegra.
Assim que tomou conhecimento dos relatos de possíveis intercorrências na aplicação da Prova Nacional Docente por meio de seu sistema de monitoramento, o Inep notificou a empresa aplicadora – Fundação Getúlio Vargas – para que fossem tomadas todas as providências contratuais previstas.
A empresa aplicadora afirmou que ao ser noticiada pelo Inep adotou de forma imediata ações de remanejamento, buscando assegurar o atendimento a todos.
⁠Os relatórios de avaliação estão sendo minuciosamente analisados para garantir as condições de equidade e pleno direitos dos participantes.
⁠O Inep reitera seu compromisso com a lisura da execução dos seus exames e reforça que serão adotadas todas as medidas necessárias para que nenhum participante seja prejudicado.
O que diz a CNTE
Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) destaca a importância da PND para a valorização dos professores, mas cobra um posicionamento do MEC sobre as situações filmadas durante a aplicação. Cofira um trecho da nota:
No tocante à sua realização, ontem, a CNTE tem recebido diversos vídeos, áudios e mensagens de texto denunciando situações incompatíveis com a aplicação do exame, as quais não se sabem se têm origem no MEC, nas redes de ensino ou na empresa contratada para aplicar a prova, de modo que aguardamos o pronunciamento urgente do Ministério da Educação, a fim de elucidar os diversos problemas que parecem ter ocorrido em diferentes lugares.
Reiteramos a importância da PND como etapa da valorização da carreira docente, sobretudo para superar os altos índices de contratos temporários no magistério, e esperamos que a confiabilidade neste processo de seleção de professores seja plenamente garantida, buscando, assim, a adesão de mais redes de ensino no país.

Sisu 2026: com nova regra, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo
Sisu aceitará notas de anos anteriores no Enem 2026
Pela primeira vez, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permitirá que os candidatos usem notas das três edições mais recentes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — 2023, 2024 e 2025 — para buscarem uma vaga em universidades públicas.
🤔Será que as notas de corte vão aumentar? Quem levará vantagem após a nova regra? Para entender quais serão os impactos práticos dessa mudança, o g1 ouviu sete professores e coordenadores de colégios e cursinhos pré-vestibular. Veja mais abaixo, nesta reportagem, as possibilidades levantadas.
Em resumo:
Notas de corte devem subir nos cursos mais concorridos.
Candidatos veteranos terão vantagem sobre os novatos.
Por um lado, regra pode favorecer quem tem possibilidade de fazer cursinho por anos; por outro, alunos de baixa renda ganham segunda chance de ingresso após terem desistido de fazer o Enem.
Ociosidade pode cair com número maior de candidatos. Ao mesmo tempo, haverá provavelmente mudanças de curso entre quem já estava matriculado — causando o abandono das vagas "originais".
“Colecionadores de aprovação” influenciarão ainda mais as notas parciais.
Candidatos poderão usar notas das últimas três edições do Enem no Sisu 2026
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Entenda a seguir.
➡️Como era antes? Desde a criação do programa, em 2010, a única nota aceita era a do ano imediatamente anterior ao do processo seletivo. Por exemplo: no Sisu 2025 (em janeiro de 2025), foram computadas as notas do Enem 2024 (aplicado em novembro de 2024). No Sisu 2024, consideraram-se as notas do Enem 2023. E assim por diante.
📖Notas de corte devem subir nos cursos mais disputados
De acordo com os especialistas entrevistados, é muito provável que as notas de corte dos cursos mais concorridos (como medicina) sejam ainda mais altas no Sisu 2026.
“Se cada candidato usa sua melhor nota dos últimos três anos, você está empurrando o topo da curva para cima”, afirma Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações educacionais do SAS Educação.
“O funil desses cursos de altíssima demanda deixa de ser de uma geração e passa a ser de três gerações, com a melhor versão de cada pessoa. Em termos práticos, fica mais difícil entrar nos cursos já difíceis.”
➡️Nos cursos menos disputados, a nota de corte deve permanecer estável ou até cair um pouco, por causa da baixa procura por vagas.
“Os candidatos passam a ter mais opções: podem optar por utilizar notas de outros anos em cursos mais concorridos”, explica Zeid Sakr, head de operações das Escolas SEB.
⚖️Ansiedade aumenta de um lado e diminui do outro
A mudança diminui a pressão sentida pelo candidato que se dedicou nos últimos anos, mas que “bateu na trave” e não foi aprovado por pouquíssimos pontos. Por exemplo: se ele enfrentou problemas pessoais em 2025 ou, nos domingos de prova, não se sentiu bem, terá a possibilidade de usar novamente as notas de 2023 ou de 2024.
“Em linhas gerais, a mudança tende a tranquilizar os candidatos veteranos. Atua como um fator de redução da ansiedade e do estresse”, afirma Raul Celestino de Toledo Soares Neto, Coordenador Pedagógico do Poliedro Curso SP.
Celedônio concorda. “Diminui essa lógica cruel do que é fazer tudo num dia só — e, se ele for mal, perdeu o ano.”
Por outro lado, os novatos provavelmente se sentirão em desvantagem, já que disputarão uma vaga com quem terá três “cartas na manga”, pondera o professor do SAS Educação.
“O aluno que está fazendo pela primeira vez o ensino médio vai chegar competindo com veteranos mais experientes e com maior maturidade”, diz. “Para aquele adolescente que está tentando medicina pela primeira vez, vindo direto do terceiro ano do ensino médio, a vida dele ficou mais difícil.”
Outro fator que pode atrapalhar os estreantes do Enem é a novidade “aos 45 do segundo tempo”.
“Acho que é uma mudança que, no geral, é ruim — principalmente pelo timing péssimo. Está muito perto das provas. Isso aumenta a tensão e cria dose extra de ansiedade nos candidatos”, afirma Rodrigo Magalhães, professor da Plataforma AZ.
💰Reforço de desigualdades ou maior acesso à universidade?
Heitor Ribeiro, coordenador do Curso Anglo, afirma que a decisão do Ministério da Educação amplia o acesso ao ensino superior.
“Mais pessoas poderão tentar uma vaga sem ficarem restritas exclusivamente à edição do ano. Isso aumenta as oportunidades e reduz a pressão”, explica.
“Alunos de baixa renda, que por motivos pessoais ou de trabalho não consigam se preparar bem ou mesmo participar do exame em 2025, poderão utilizar notas de 2023 ou 2024 para disputar uma vaga. Isso oferece uma segunda chance real para quem não pode estar em condições ideais todos os anos.”
Ao mesmo tempo, os candidatos que tiverem a possibilidade de fazer o Enem todo ano ficarão inevitavelmente à frente dos demais.
Ribeiro não vê a questão como uma mudança significativa no quesito de desigualdade. “Candidatos com maior poder aquisitivo costumam ter acesso a uma preparação mais prolongada e prestam a prova por vários anos, o que já lhes dá certa vantagem competitiva. A mudança não cria essa vantagem.”
Não é um posicionamento consensual. Celedônio, do SAS Educação, vê a modificação da regra como mais uma vantagem a quem tem maior poder aquisitivo.
“Se você pode bancar cursinho bom por dois anos e sentar para fazer o Enem três vezes, você acumula chances maiores e escolhe a sua melhor nota. Isso favorece quem tem mais recursos”, afirma.
Sakr, das Escolas SEB, segue a mesma linha de raciocínio e diz que “a mudança pode ampliar as desigualdades e beneficiar aqueles que já têm mais oportunidades.”
👩‍🏫Ociosidade das vagas diminuirá?
As instituições de ensino públicas buscam formas de combater a baixa ocupação de vagas.
Por um lado, com mais candidatos podendo se inscrever no Sisu, a chance de preencher as turmas é maior, diz Celedônio.
Por outro, passa a haver uma maior mobilidade de alunos que, já matriculados em algum curso, queiram usar a nota “antiga” do Enem para mudar de área e se inscrever em outra instituição. A vaga original, nesse caso, ficará ociosa, explica Magalhães.
👻O medo dos ‘fantasmas’
Quem participa do Sisu lida com o sistema como uma Bolsa de Valores: durante o período de inscrição, pode mudar suas opções de curso com base nas notas de corte parciais divulgadas diariamente.
Ia tentar Odontologia, mas percebeu que está muito longe do desempenho mínimo esperado? Há a possibilidade de editar a própria inscrição e pleitear uma oportunidade em outra graduação.
Pois bem: há os famosos “colecionadores de aprovação”, que entram no sistema apenas para poderem dizer depois que “passaram na universidade X”. Eles não vão efetivar a matrícula, porque nunca pretenderam entrar no curso.
“Tudo bem, a vaga irá para a reclassificação. Mas precisamos ver como a maior presença deles pode alterar as notas de corte iniciais”, diz Magalhães, da Plataforma AZ.
🖥️Possibilidade de erro técnico?
O Sisu apresentou diversos problemas técnicos nos últimos anos:
Sisu 2025: alunos reclamam que resultado foi divulgado com um dia de atraso e em formato que dificulta saber classificação
Após falha no site do Sisu 2025, aprovados 'perdem' vaga no dia seguinte: 'já tinha comemorado nas redes', diz aluna
Sisu 2024: MEC divulgou lista errada de aprovados porque não havia terminado de analisar todas as categorias de cotas
O fato de permitir que cada CPF do candidato seja associado a três edições diferentes do Enem tornará o processo seletivo bem mais complexo, afirmam os professores. Espera-se, evidentemente, que o sistema tenha sido adaptado da melhor maneira.
Outras dúvidas
🎓Mas e se a prova do outro ano tiver sido mais fácil? O sistema de correção do Enem é chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI): a nota final não é a simples soma do número de acertos. Essa técnica mede a coerência no desempenho — se o estudante tiver acertado as questões mais difíceis e errado as mais simples provavelmente "chutou" as alternativas. Consequentemente, ganhará menos pontos do que aquele que respondeu corretamente as fáceis e errou só as difíceis.
Uma das justificativas do uso de TRI é justamente possibilitar a comparação de notas em diferentes provas.
🎓Como funcionará a seleção? De acordo com o Ministério da Educação (MEC), será considerada a pontuação que gerar a melhor média ponderada no curso escolhido.
Por que média ponderada? Ao fazer o Enem, os candidatos alcançam determinada pontuação em cada uma das provas (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática, Linguagens e Redação). Ao se inscreverem no Sisu, a média será diferente dependendo do curso e da universidade escolhidos. Por exemplo: é possível que a graduação em Física atribua um peso maior à nota de Matemática do que um de Jornalismo, que dará maior importância para Ciências Humanas.
Será possível usar mais de uma edição do Enem na mesma inscrição? Até a mais recente atualização desta reportagem, o Inep não havia esclarecido se seria possível usar a nota de uma edição na 1ª opção de curso e de outra na 2ª opção.
A regra de usar as últimas edições da prova no Sisu vale para quem participou como treineiro? Não. Ou seja, só as notas válidas no ano de conclusão do ensino médio (ou em posteriores) poderão ser usadas.
🎓O que é o Sisu
O Sisu é o sistema do governo federal que permite aos estudantes concorrer gratuitamente a vagas em universidades públicas de todo o país, utilizando a nota do Enem.
Desde 2024, o programa passou a ter edição única anual, com oferta de cursos cujas aulas começam no primeiro ou no segundo semestre.
Na edição de 2025, foram disponibilizadas 261,7 mil vagas em 6.851 cursos de 124 instituições públicas. Ao todo, 254,8 mil candidatos foram aprovados, sendo 128 mil na ampla concorrência, 111 mil por cotas e 14 mil por políticas afirmativas próprias das universidades.

Sisu 2026: nova regra deve aumentar notas de corte de cursos concorridos, dizem professores; veja o que muda

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo
Sisu aceitará notas de anos anteriores no Enem 2026
Pela primeira vez, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permitirá que os candidatos usem notas das três edições mais recentes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — 2023, 2024 e 2025 — para buscarem uma vaga em universidades públicas.
🤔Será que as notas de corte vão aumentar? Quem levará vantagem após a nova regra? Para entender quais serão os impactos práticos dessa mudança, o g1 ouviu sete professores e coordenadores de colégios e cursinhos pré-vestibular. Veja mais abaixo, nesta reportagem, as possibilidades levantadas.
Em resumo:
Notas de corte devem subir nos cursos mais concorridos.
Candidatos veteranos terão vantagem sobre os novatos.
Por um lado, regra pode favorecer quem tem possibilidade de fazer cursinho por anos; por outro, alunos de baixa renda ganham segunda chance de ingresso após terem desistido de fazer o Enem.
Ociosidade pode cair com número maior de candidatos. Ao mesmo tempo, haverá provavelmente mudanças de curso entre quem já estava matriculado — causando o abandono das vagas "originais".
“Colecionadores de aprovação” influenciarão ainda mais as notas parciais.
Candidatos poderão usar notas das últimas três edições do Enem no Sisu 2026
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Entenda a seguir.
➡️Como era antes? Desde a criação do programa, em 2010, a única nota aceita era a do ano imediatamente anterior ao do processo seletivo. Por exemplo: no Sisu 2025 (em janeiro de 2025), foram computadas as notas do Enem 2024 (aplicado em novembro de 2024). No Sisu 2024, consideraram-se as notas do Enem 2023. E assim por diante.
📖Notas de corte devem subir nos cursos mais disputados
De acordo com os especialistas entrevistados, é muito provável que as notas de corte dos cursos mais concorridos (como medicina) sejam ainda mais altas no Sisu 2026.
“Se cada candidato usa sua melhor nota dos últimos três anos, você está empurrando o topo da curva para cima”, afirma Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações educacionais do SAS Educação.
“O funil desses cursos de altíssima demanda deixa de ser de uma geração e passa a ser de três gerações, com a melhor versão de cada pessoa. Em termos práticos, fica mais difícil entrar nos cursos já difíceis.”
➡️Nos cursos menos disputados, a nota de corte deve permanecer estável ou até cair um pouco, por causa da baixa procura por vagas.
“Os candidatos passam a ter mais opções: podem optar por utilizar notas de outros anos em cursos mais concorridos”, explica Zeid Sakr, head de operações das Escolas SEB.
⚖️Ansiedade aumenta de um lado e diminui do outro
A mudança diminui a pressão sentida pelo candidato que se dedicou nos últimos anos, mas que “bateu na trave” e não foi aprovado por pouquíssimos pontos. Por exemplo: se ele enfrentou problemas pessoais em 2025 ou, nos domingos de prova, não se sentiu bem, terá a possibilidade de usar novamente as notas de 2023 ou de 2024.
“Em linhas gerais, a mudança tende a tranquilizar os candidatos veteranos. Atua como um fator de redução da ansiedade e do estresse”, afirma Raul Celestino de Toledo Soares Neto, Coordenador Pedagógico do Poliedro Curso SP.
Celedônio concorda. “Diminui essa lógica cruel do que é fazer tudo num dia só — e, se ele for mal, perdeu o ano.”
Por outro lado, os novatos provavelmente se sentirão em desvantagem, já que disputarão uma vaga com quem terá três “cartas na manga”, pondera o professor do SAS Educação.
“O aluno que está fazendo pela primeira vez o ensino médio vai chegar competindo com veteranos mais experientes e com maior maturidade”, diz. “Para aquele adolescente que está tentando medicina pela primeira vez, vindo direto do terceiro ano do ensino médio, a vida dele ficou mais difícil.”
Outro fator que pode atrapalhar os estreantes do Enem é a novidade “aos 45 do segundo tempo”.
“Acho que é uma mudança que, no geral, é ruim — principalmente pelo timing péssimo. Está muito perto das provas. Isso aumenta a tensão e cria dose extra de ansiedade nos candidatos”, afirma Rodrigo Magalhães, professor da Plataforma AZ.
💰Reforço de desigualdades ou maior acesso à universidade?
Heitor Ribeiro, coordenador do Curso Anglo, afirma que a decisão do Ministério da Educação amplia o acesso ao ensino superior.
“Mais pessoas poderão tentar uma vaga sem ficarem restritas exclusivamente à edição do ano. Isso aumenta as oportunidades e reduz a pressão”, explica.
“Alunos de baixa renda, que por motivos pessoais ou de trabalho não consigam se preparar bem ou mesmo participar do exame em 2025, poderão utilizar notas de 2023 ou 2024 para disputar uma vaga. Isso oferece uma segunda chance real para quem não pode estar em condições ideais todos os anos.”
Ao mesmo tempo, os candidatos que tiverem a possibilidade de fazer o Enem todo ano ficarão inevitavelmente à frente dos demais.
Ribeiro não vê a questão como uma mudança significativa no quesito de desigualdade. “Candidatos com maior poder aquisitivo costumam ter acesso a uma preparação mais prolongada e prestam a prova por vários anos, o que já lhes dá certa vantagem competitiva. A mudança não cria essa vantagem.”
Não é um posicionamento consensual. Celedônio, do SAS Educação, vê a modificação da regra como mais uma vantagem a quem tem maior poder aquisitivo.
“Se você pode bancar cursinho bom por dois anos e sentar para fazer o Enem três vezes, você acumula chances maiores e escolhe a sua melhor nota. Isso favorece quem tem mais recursos”, afirma.
Sakr, das Escolas SEB, segue a mesma linha de raciocínio e diz que “a mudança pode ampliar as desigualdades e beneficiar aqueles que já têm mais oportunidades.”
👩‍🏫Ociosidade das vagas diminuirá?
As instituições de ensino públicas buscam formas de combater a baixa ocupação de vagas.
Por um lado, com mais candidatos podendo se inscrever no Sisu, a chance de preencher as turmas é maior, diz Celedônio.
Por outro, passa a haver uma maior mobilidade de alunos que, já matriculados em algum curso, queiram usar a nota “antiga” do Enem para mudar de área e se inscrever em outra instituição. A vaga original, nesse caso, ficará ociosa, explica Magalhães.
👻O medo dos ‘fantasmas’
Quem participa do Sisu lida com o sistema como uma Bolsa de Valores: durante o período de inscrição, pode mudar suas opções de curso com base nas notas de corte parciais divulgadas diariamente.
Ia tentar Odontologia, mas percebeu que está muito longe do desempenho mínimo esperado? Há a possibilidade de editar a própria inscrição e pleitear uma oportunidade em outra graduação.
Pois bem: há os famosos “colecionadores de aprovação”, que entram no sistema apenas para poderem dizer depois que “passaram na universidade X”. Eles não vão efetivar a matrícula, porque nunca pretenderam entrar no curso.
“Tudo bem, a vaga irá para a reclassificação. Mas precisamos ver como a maior presença deles pode alterar as notas de corte iniciais”, diz Magalhães, da Plataforma AZ.
🖥️Possibilidade de erro técnico?
O Sisu apresentou diversos problemas técnicos nos últimos anos:
Sisu 2025: alunos reclamam que resultado foi divulgado com um dia de atraso e em formato que dificulta saber classificação
Após falha no site do Sisu 2025, aprovados 'perdem' vaga no dia seguinte: 'já tinha comemorado nas redes', diz aluna
Sisu 2024: MEC divulgou lista errada de aprovados porque não havia terminado de analisar todas as categorias de cotas
O fato de permitir que cada CPF do candidato seja associado a três edições diferentes do Enem tornará o processo seletivo bem mais complexo, afirmam os professores. Espera-se, evidentemente, que o sistema tenha sido adaptado da melhor maneira.
Outras dúvidas
🎓Mas e se a prova do outro ano tiver sido mais fácil? O sistema de correção do Enem é chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI): a nota final não é a simples soma do número de acertos. Essa técnica mede a coerência no desempenho — se o estudante tiver acertado as questões mais difíceis e errado as mais simples provavelmente "chutou" as alternativas. Consequentemente, ganhará menos pontos do que aquele que respondeu corretamente as fáceis e errou só as difíceis.
Uma das justificativas do uso de TRI é justamente possibilitar a comparação de notas em diferentes provas.
🎓Como funcionará a seleção? De acordo com o Ministério da Educação (MEC), será considerada a pontuação que gerar a melhor média ponderada no curso escolhido.
Por que média ponderada? Ao fazer o Enem, os candidatos alcançam determinada pontuação em cada uma das provas (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática, Linguagens e Redação). Ao se inscreverem no Sisu, a média será diferente dependendo do curso e da universidade escolhidos. Por exemplo: é possível que a graduação em Física atribua um peso maior à nota de Matemática do que um de Jornalismo, que dará maior importância para Ciências Humanas.
Será possível usar mais de uma edição do Enem na mesma inscrição? Até a mais recente atualização desta reportagem, o Inep não havia esclarecido se seria possível usar a nota de uma edição na 1ª opção de curso e de outra na 2ª opção.
A regra de usar as últimas edições da prova no Sisu vale para quem participou como treineiro? Não. Ou seja, só as notas válidas no ano de conclusão do ensino médio (ou em posteriores) poderão ser usadas.
🎓O que é o Sisu
O Sisu é o sistema do governo federal que permite aos estudantes concorrer gratuitamente a vagas em universidades públicas de todo o país, utilizando a nota do Enem.
Desde 2024, o programa passou a ter edição única anual, com oferta de cursos cujas aulas começam no primeiro ou no segundo semestre.
Na edição de 2025, foram disponibilizadas 261,7 mil vagas em 6.851 cursos de 124 instituições públicas. Ao todo, 254,8 mil candidatos foram aprovados, sendo 128 mil na ampla concorrência, 111 mil por cotas e 14 mil por políticas afirmativas próprias das universidades.

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo

Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo O g1 vai divulgar no domingo (9), a partir das 18h30, o gabarito extraoficial do primeiro dia do Enem 2025.. Serão corrigidas as 90 questões das provas de linguagens e ciências humanas.. A correção será feita ao vivo com professores do curso Anglo, que também comentarão a redação.. Ao longo do dia, o g1 fará cobertura em tempo real do exame.