Unesp 2026: acompanhe o plantão tira-dúvidas ao vivo

Sisu 2026: com nova regra para uso do Enem, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas
Unesp 2026: acompanhe o plantão tira-dúvidas ao vivo Professores de química, matemática, história e física discutem temas que devem cair na prova da 1ª fase. 1ª fase do vestibular da Universidade Estadual Paulista será no domingo (2) com 90 questões de múltipla escolha.. No total, 65.218 mil inscritos disputam 7.690 vagas em 136 cursos de graduação distribuídos em 24 cidades de SP.. A segunda fase será realizada nos dias 7 e 8 de dezembro.

‘Eu só queria escolher um nome africano para o meu filho’: congolês relata constrangimento ao registrar bebê em cartório da Grande SP

Sisu 2026: com nova regra para uso do Enem, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas
Congolês sofre para registrar bebê com nome africano em cartório de SP
O professor de francês Abed Betoko, de 36 anos, nascido no Congo e naturalizado brasileiro em 2016, afirma que enfrentou dificuldades e que se sentiu humilhado ao tentar registrar seu filho com um nome africano: Zion Nzobale Costa Betoko.
Segundo o docente, na última segunda-feira (27), foi preciso discutir por mais de 1 hora com os oficiais de um cartório de Arujá, na Grande São Paulo, para que aceitassem o nome composto “Zion Nzobale”.
“Falei: se ‘Zion’, que nem é em português, é aceito, por que 'Nzobale' não pode? Por que preciso justificar? Qual é o problema de ser um nome africano? Para mim, o filtro usado foi racista”, conta Betoko ao g1.
O congolês diz que pediram a ele documentos do bisavô e do tataravô da criança, mesmo diante da explicação de que “Nzobale” não é sobrenome.
“Eu sei que, no Brasil, não podemos escolher nomes que criem constrangimento para a criança. Mas minha cultura é vergonhosa? É um claro desprezo a tudo o que se relaciona à África. Ainda abri as redes sociais para mostrar que existem vários Nzobale no Congo”, afirma.
➡️Procurado pela reportagem, o cartório não havia respondido aos questionamentos até a mais recente atualização deste texto.
Abed e a esposa registram momento do parto, em 21 de outubro
Arquivo pessoal
Mais abaixo, saiba o que significa o nome escolhido pelo casal.
Afinal, o que diz a legislação brasileira?
Busca nas redes sociais mostra que Nzobale é um nome comum fora do Brasil
Reprodução/Redes sociais
📝De acordo com o tabelião e especialista em direito notarial e registral Rui Gustavo Camargo Viana, a Lei de Registros Públicos (artigo 55, parágrafo 1º) apenas estipula que os cartórios evitem nomes que exponham a pessoa ao ridículo.
“Isso não se aplica a nomes étnicos, como africanos, indígenas ou judaicos. A escolha precisa ser vista à luz da cultura em que a criança está inserida”, afirma.
“Nome ‘ridículo’ não quer dizer nome incomum. Não cabe ao cartório de jeito nenhum dificultar a atribuição de um nome apenas porque ele não é da nossa tradição”, afirma.
➡️Viana explica que, pela legislação brasileira, a prática proibida é a de inventar um sobrenome que não existe entre os antepassados do bebê. No caso de Zion, não há irregularidades: são “Costa” (da mãe) e “Betoko” (do pai).
“Pode ter havido uma confusão por parte dos oficiais no sentido de achar que Nzobale era sobrenome. Como, na verdade, é um nome composto, a regra no Brasil é pela liberdade e pelo respeito à diversidade.”
Por que o casal escolheu ‘Nzobale’?
Abed Betoko dá aula de francês no Brasil
Arquivo pessoal
Abed conta que escolheu o nome por causa de uma tradição familiar. “Minhas tataravós, quando tinham filhos, geralmente viam os bebês morrerem no nascimento. Um dia, uma delas sonhou que a mãe, já falecida, dava um conselho: fazer um mingau de uma árvore chamada Nzobale e dar ao bebê. Quando acordou, ela fez isso. E a criança sobreviveu”, diz o professor.
“Por isso, quando meu filho nasceu, eu sabia que ele precisava ter esse nome. ‘Nzobale’ significa cura. É por causa dessa planta que eu estou aqui.”
Ele afirma que pretende contar a Zion Nzobale, quando ele crescer, o que ocorreu ao tentar registrá-lo.
“Vou ensinar o Zion a valorizar esse nome. Não podemos ceder. Quanto mais pessoas adotarem nomes africanos, mais comum isso vai se tornar. Se eu não tivesse mentalidade forte, teria ficado com vergonha das minhas raízes.”

MEC decide reaplicar ‘Enem dos Professores’ em 11 escolas do Brasil após relatos de problemas na aplicação da prova

Candidatos reclamam de desorganização na aplicação do 'Enem dos Professores'
O Ministério da Educação (MEC) decidiu reaplicar a Prova Nacional Docente (PND), conhecida como Enem dos Professores, em 11 escolas do Brasil após o relato de diversos problemas na aplicação do teste. A decisão do ministro Camilo Santana, divulgada nesta terça-feira (28), ocorre um dia após o SP2 mostrar a desorganização em diversos colégios em que a prova foi aplicada.
Entre os problemas, foram relatadas salas superlotadas, pessoas fazendo a prova no pátio da escola, outras no refeitório e muitas dividindo as mesmas mesas e carteiras. Professores ainda relataram que muitos fizeram a prova de maneira coletiva, trocando informações sobre as questões e até mesmo filmando o questionário.
Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em data ainda não definida será aplicada uma prova reserva, “comparável segundo parâmetros da Teoria da Resposta ao Item, a mesma metodologia do Enem”.
O SP2 recebeu ao menos dez vídeos confirmando os relatos dos professores de escolas de diversas regiões do Brasil, incluindo estados como Piauí e Rio de Janeiro.
Alguns participantes ainda reclamaram de questões da prova, dizendo que os enunciados eram grandes, repetitivos e confusos. Os professores disseram, ainda, que as situações mostradas nos enunciados eram muito hipotéticas e pouco objetivas.
A Prova Nacional Docente foi aplicada em 2.637 locais de 751 municípios brasileiros. O novo exame não terá cobranças adicionais para os professores ou o MEC. A Fundação Getulio Vargas, responsável pela aplicação, foi procurada, mas informou que não se manifestaria sobre o assunto.
A PND foi anunciada em janeiro deste ano como uma maneira de avaliar a qualidade da formação oferecida em Licenciaturas e como alternativa na seleção de professores de educação básica para a rede pública. O exame foi aplicado nacionalmente no domingo, considerando a adesão por estados e municípios.
A prova faz parte do programa Mais Professores para o Brasil e tem a mesma matriz da avaliação teórica do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) das Licenciaturas.
O Ministério da Educação ainda não informou quantos professores precisarão fazer o teste novamente.
O que é a PND
A primeira edição da prova foi realizada no domingo (26). A avaliação poderá ser usada por estados e municípios para selecionar novos profissionais para atuar na rede pública.
A PND foi anunciada em janeiro deste ano como uma maneira de avaliar a qualidade da formação oferecida em Licenciaturas e como alternativa na seleção de professores de educação básica para a rede pública.
A prova faz parte do programa Mais Professores para o Brasil e tem a mesma matriz da avaliação teórica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas.
Os objetivos gerais da prova são:
Subsidiar os entes federativos na seleção de profissionais qualificados para suas redes de ensino;
Estimular a realização de concursos públicos e induzir o aumento de professores efetivos nas redes de ensino do Brasil;
Conferir parâmetros para autoavaliação dos participantes da prova, com vistas à continuidade de sua formação e à inserção no trabalho docente;
Fornecer subsídios para a formulação e avaliação de políticas públicas de formação inicial e continuada de professores.

Unicamp 2026: confira gabarito oficial da 1ª fase do vestibular

Sisu 2026: com nova regra para uso do Enem, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas
Unicamp 2026: candidatos fazem prova da 1ª fase em Campinas
Thomaz Marostegan/g1
A Unicamp divulgou, nesta quarta-feira (29), o gabarito oficial da 1ª fase do Vestibular 2026. Ao todo, 57.718 dos 61.698 candidatos inscritos fizeram a prova no domingo (26). Foi a menor abstenção em 15 anos.
Nesta edição, nenhuma questão foi anulada. Clique e confira o gabarito oficial da 1ª fase por prova:
Provas Q e X
Provas R e Y
Provas S e Z
Provas T e W
Questão gerou dúvida entre professores
No domingo, logo após a prova, o g1 transmitiu a resolução comentada com apoio do Oficina do Estudante. Durante o programa, a questão 55 da prova Q e X gerou dúvidas entre os professores.
Na análise de Liliane Negrão, tanto a alternativa A, quanto a D, poderiam estar corretas. De acordo com o gabarito oficial, a alternativa correta é a A.
VEJA AS EXPLICAÇÕES EM VÍDEO AQUI
Veja a questão na íntegra e o comentário dos professores do cursinho:
Unicamp 2025 – 1ª fase – A rua é nóix! Sempre com letra minúscula, porque não é o Nós da totalidade, uma vez que não sabemos exatamente quem ou quantos somos, quem faz parte ou não, quem está dentro ou fora. Mas, se pegar para um, vai pegar pra geral. O nóix é sempre mais que um. Mesmo sozinho, na missão, existe algo para além da presença física do eu e do outro. Assumindo nossas ancestralidades, convivemos com os espíritos daqueles que já se foram. O nóix opera pela lógica dos bondes de galera, do lado A ou lado B. Quem é amigo fecha com a gente, quem é alemão rala. Porque o fechamento é o fundamento ético das ruas. Recebe-se quem chega de boa, na paz, mas, se vacila, vai. Com i e x, o nóix demarca um sotaque, um registro local, um lugar, o Pretuguês de Lélia Gonzalez. Desobedecendo à instituída norma culta, o nóix – escrito ou falado – revela sua potência operando à margem da obediência à linguagem fonética dominante. O nóix é a potência da contaminação diferencial das diversidades de um povo em tempos e espaços múltiplos, que se repete numa atmosfera espectral que ultrapassa a lógica temporal predominante.
(Adaptado de MORAES, M. J. D. A rua é nóix, Revista Cult, ed. 271, 1 jul. de 2021.)
a) sociocultural, pois esses termos se referem a grupos demarcados distintamente: enquanto Nós é bem delimitado, nóix diz respeito a uma coletividade difusa, mas marcada por compartilhar vivências específicas.
b) gramatical, pois esses termos não pertencem à mesma classe de palavras: enquanto Nós é um pronome típico da norma culta, nóix é um substantivo popular que serve à expressão da diversidade.
c) histórica, pois esses termos caracterizam os indivíduos em função do seu passado: enquanto Nós abrange aqueles sem ancestralidade, nóix reúne os que assumem os ancestrais como parte de sua história.
d) política, pois esses termos revelam uma polarização na forma de se relacionar com o poder: enquanto Nós simboliza o apoio à opressão social, nóix caracteriza uma rejeição aos poderes instituídos.
Alternativa A: A alternativa trata a distinção entre Nós e nóix como política, uma vez que os termos marcam uma diferença entre grupos. Enquanto “nóix” rejeita a norma padrão, “Nós” simboliza o apoio à opressão social o que fica evidente no texto a partir da oposição, pois “nóix” opera “à margem da obediência à linguagem fonética dominante” de modo que aquilo situado em oposição a “nóix”, ou seja, “Nós” está condicionado à obediência da fonética dominante. Assim “obediência” e “dominância” se estabelecem como marcadores da opressão indicada na alternativa D.
Alternativa D: A alternativa trata a distinção entre Nós e nóix como política, uma vez que os termos marcam uma diferença entre grupos. Enquanto “nóix” rejeita a norma padrão, “Nós” simboliza o apoio à opressão social o que fica evidente no texto a partir da oposição, pois “nóix” opera “à margem da obediência à linguagem fonética dominante” de modo que aquilo situado em oposição a “nóix”, ou seja, “Nós” está condicionado à obediência da fonética dominante. Assim “obediência” e “dominância” se estabelecem como marcadores da opressão indicada na alternativa D
1ª fase
A 1ª fase do vestibular da Unicamp é constituída por uma única prova de conhecimentos gerais sobre as áreas do conhecimento desenvolvidas no ensino médio, incluindo questões interdisciplinares. Não há redação nesta fase.
📚 Cada questão da prova de conhecimentos gerais vale um ponto. Assim, a prova da 1ª fase vale até 72 pontos. A distribuição das questões se dá da seguinte forma:
12 questões de matemática
12 questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa
7 questões de cada uma das seguintes disciplinas: inglês, biologia, química, física, história e geografia
3 questões de filosofia
3 questões de sociologia
2ª fase
A segunda fase é constituída por provas com questões dissertativas. As provas têm uma parte comum para todos os candidatos e uma parte diversificada segundo a área de conhecimento do curso escolhido como primeira opção.
Cada questão dissertativa vale quatro pontos, cada uma contendo dois itens, valendo dois pontos cada. As provas obedecem à seguinte distribuição:
➡️ Primeiro dia (redação e 10 questões)
Prova de redação (composta por duas propostas de textos, e o candidato escolhe e desenvolve apenas uma proposta);
Prova de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa, com 6 questões;
Prova interdisciplinar com 2 questões de língua inglesa e 2 ciências da natureza.
➡️ Segundo dia (18 questões)
Todos os candidatos: prova de matemática, com 6 questões para cursos da área de exatas/tecnológicas e 4 questões para os demais; prova interdisciplinar de ciências humanas, com 2 questões.
Candidatos de ciências biológicas/saúde: biologia (7 questões) e química (5 questões);
Candidatos de ciências exatas/tecnológicas: física (5 questões) e química (5 questões);
Candidatos de ciências humanas/artes: geografia (5 questões), história (5 questões), filosofia (1 questão) e sociologia (1 questão).
Vestibular Unicamp 2026 — 2ª fase
Datas: 30 de novembro e 1º de dezembro
Início da prova: 9h
Término da prova: 14h
Duração: 5 horas
Quando deve sair o resultado da primeira chamada?
Confira como foi a 1ª fase do vestibular da Unicamp
A previsão para a divulgação da 1ª lista de aprovados é em 23 de janeiro de 2026, com a matrícula virtual agendada para começar às 9h de 26 de janeiro e se encerrar às 17h de 27 de janeiro.
A divulgação da 2ª lista está prevista para 2 de fevereiro, com a matrícula agendada para iniciar às 9h de 3 de fevereiro e encerrar às 17h de 4 de fevereiro.
A 3ª chamada está prevista para 9 de fevereiro, e, ao todo, estão previstas oito chamadas.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Sisu 2026: com nova regra para uso do Enem, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas

Sisu 2026: com nova regra para uso do Enem, notas de corte devem subir ou cair? Veja análise de especialistas
Sisu aceitará notas de anos anteriores no Enem 2026
Pela primeira vez, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permitirá que os candidatos usem notas das três edições mais recentes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — 2023, 2024 e 2025 — para buscarem uma vaga em universidades públicas.
🤔Será que as notas de corte vão aumentar? Quem levará vantagem após a nova regra? Para entender quais serão os impactos práticos dessa mudança, o g1 ouviu sete professores e coordenadores de colégios e cursinhos pré-vestibular. Veja mais abaixo, nesta reportagem, as possibilidades levantadas.
Em resumo:
Notas de corte devem subir nos cursos mais concorridos.
Candidatos veteranos terão vantagem sobre os novatos.
Por um lado, regra pode favorecer quem tem possibilidade de fazer cursinho por anos; por outro, alunos de baixa renda ganham segunda chance de ingresso após terem desistido de fazer o Enem.
Ociosidade pode cair com número maior de candidatos. Ao mesmo tempo, haverá provavelmente mudanças de curso entre quem já estava matriculado — causando o abandono das vagas "originais".
“Colecionadores de aprovação” influenciarão ainda mais as notas parciais.
Candidatos poderão usar notas das últimas três edições do Enem no Sisu 2026
Lívia Ferreira/ g1 Piauí
Entenda a seguir.
➡️Como era antes? Desde a criação do programa, em 2010, a única nota aceita era a do ano imediatamente anterior ao do processo seletivo. Por exemplo: no Sisu 2025 (em janeiro de 2025), foram computadas as notas do Enem 2024 (aplicado em novembro de 2024). No Sisu 2024, consideraram-se as notas do Enem 2023. E assim por diante.
📖Notas de corte devem subir nos cursos mais disputados
De acordo com os especialistas entrevistados, é muito provável que as notas de corte dos cursos mais concorridos (como medicina) sejam ainda mais altas no Sisu 2026.
“Se cada candidato usa sua melhor nota dos últimos três anos, você está empurrando o topo da curva para cima”, afirma Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações educacionais do SAS Educação.
“O funil desses cursos de altíssima demanda deixa de ser de uma geração e passa a ser de três gerações, com a melhor versão de cada pessoa. Em termos práticos, fica mais difícil entrar nos cursos já difíceis.”
➡️Nos cursos menos disputados, a nota de corte deve permanecer estável ou até cair um pouco, por causa da baixa procura por vagas.
“Os candidatos passam a ter mais opções: podem optar por utilizar notas de outros anos em cursos mais concorridos”, explica Zeid Sakr, head de operações das Escolas SEB.
⚖️Ansiedade aumenta de um lado e diminui do outro
A mudança diminui a pressão sentida pelo candidato que se dedicou nos últimos anos, mas que “bateu na trave” e não foi aprovado por pouquíssimos pontos. Por exemplo: se ele enfrentou problemas pessoais em 2025 ou, nos domingos de prova, não se sentiu bem, terá a possibilidade de usar novamente as notas de 2023 ou de 2024.
“Em linhas gerais, a mudança tende a tranquilizar os candidatos veteranos. Atua como um fator de redução da ansiedade e do estresse”, afirma Raul Celestino de Toledo Soares Neto, Coordenador Pedagógico do Poliedro Curso SP.
Celedônio concorda. “Diminui essa lógica cruel do que é fazer tudo num dia só — e, se ele for mal, perdeu o ano.”
Por outro lado, os novatos provavelmente se sentirão em desvantagem, já que disputarão uma vaga com quem terá três “cartas na manga”, pondera o professor do SAS Educação.
“O aluno que está fazendo pela primeira vez o ensino médio vai chegar competindo com veteranos mais experientes e com maior maturidade”, diz. “Para aquele adolescente que está tentando medicina pela primeira vez, vindo direto do terceiro ano do ensino médio, a vida dele ficou mais difícil.”
Outro fator que pode atrapalhar os estreantes do Enem é a novidade “aos 45 do segundo tempo”.
“Acho que é uma mudança que, no geral, é ruim — principalmente pelo timing péssimo. Está muito perto das provas. Isso aumenta a tensão e cria dose extra de ansiedade nos candidatos”, afirma Rodrigo Magalhães, professor da Plataforma AZ.
💰Reforço de desigualdades ou maior acesso à universidade?
Heitor Ribeiro, coordenador do Curso Anglo, afirma que a decisão do Ministério da Educação amplia o acesso ao ensino superior.
“Mais pessoas poderão tentar uma vaga sem ficarem restritas exclusivamente à edição do ano. Isso aumenta as oportunidades e reduz a pressão”, explica.
“Alunos de baixa renda, que por motivos pessoais ou de trabalho não consigam se preparar bem ou mesmo participar do exame em 2025, poderão utilizar notas de 2023 ou 2024 para disputar uma vaga. Isso oferece uma segunda chance real para quem não pode estar em condições ideais todos os anos.”
Ao mesmo tempo, os candidatos que tiverem a possibilidade de fazer o Enem todo ano ficarão inevitavelmente à frente dos demais.
Ribeiro não vê a questão como uma mudança significativa no quesito de desigualdade. “Candidatos com maior poder aquisitivo costumam ter acesso a uma preparação mais prolongada e prestam a prova por vários anos, o que já lhes dá certa vantagem competitiva. A mudança não cria essa vantagem.”
Não é um posicionamento consensual. Celedônio, do SAS Educação, vê a modificação da regra como mais uma vantagem a quem tem maior poder aquisitivo.
“Se você pode bancar cursinho bom por dois anos e sentar para fazer o Enem três vezes, você acumula chances maiores e escolhe a sua melhor nota. Isso favorece quem tem mais recursos”, afirma.
Sakr, das Escolas SEB, segue a mesma linha de raciocínio e diz que “a mudança pode ampliar as desigualdades e beneficiar aqueles que já têm mais oportunidades.”
👩‍🏫Ociosidade das vagas diminuirá?
As instituições de ensino públicas buscam formas de combater a baixa ocupação de vagas.
Por um lado, com mais candidatos podendo se inscrever no Sisu, a chance de preencher as turmas é maior, diz Celedônio.
Por outro, passa a haver uma maior mobilidade de alunos que, já matriculados em algum curso, queiram usar a nota “antiga” do Enem para mudar de área e se inscrever em outra instituição. A vaga original, nesse caso, ficará ociosa, explica Magalhães.
👻O medo dos ‘fantasmas’
Quem participa do Sisu lida com o sistema como uma Bolsa de Valores: durante o período de inscrição, pode mudar suas opções de curso com base nas notas de corte parciais divulgadas diariamente.
Ia tentar Odontologia, mas percebeu que está muito longe do desempenho mínimo esperado? Há a possibilidade de editar a própria inscrição e pleitear uma oportunidade em outra graduação.
Pois bem: há os famosos “colecionadores de aprovação”, que entram no sistema apenas para poderem dizer depois que “passaram na universidade X”. Eles não vão efetivar a matrícula, porque nunca pretenderam entrar no curso.
“Tudo bem, a vaga irá para a reclassificação. Mas precisamos ver como a maior presença deles pode alterar as notas de corte iniciais”, diz Magalhães, da Plataforma AZ.
🖥️Possibilidade de erro técnico?
O Sisu apresentou diversos problemas técnicos nos últimos anos:
Sisu 2025: alunos reclamam que resultado foi divulgado com um dia de atraso e em formato que dificulta saber classificação
Após falha no site do Sisu 2025, aprovados 'perdem' vaga no dia seguinte: 'já tinha comemorado nas redes', diz aluna
Sisu 2024: MEC divulgou lista errada de aprovados porque não havia terminado de analisar todas as categorias de cotas
O fato de permitir que cada CPF do candidato seja associado a três edições diferentes do Enem tornará o processo seletivo bem mais complexo, afirmam os professores. Espera-se, evidentemente, que o sistema tenha sido adaptado da melhor maneira.
Outras dúvidas
🎓Mas e se a prova do outro ano tiver sido mais fácil? O sistema de correção do Enem é chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI): a nota final não é a simples soma do número de acertos. Essa técnica mede a coerência no desempenho — se o estudante tiver acertado as questões mais difíceis e errado as mais simples provavelmente "chutou" as alternativas. Consequentemente, ganhará menos pontos do que aquele que respondeu corretamente as fáceis e errou só as difíceis.
Uma das justificativas do uso de TRI é justamente possibilitar a comparação de notas em diferentes provas.
🎓Como funcionará a seleção? De acordo com o Ministério da Educação (MEC), será considerada a pontuação que gerar a melhor média ponderada no curso escolhido.
Por que média ponderada? Ao fazer o Enem, os candidatos alcançam determinada pontuação em cada uma das provas (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática, Linguagens e Redação). Ao se inscreverem no Sisu, a média será diferente dependendo do curso e da universidade escolhidos. Por exemplo: é possível que a graduação em Física atribua um peso maior à nota de Matemática do que um de Jornalismo, que dará maior importância para Ciências Humanas.
Será possível usar mais de uma edição do Enem na mesma inscrição? Até a mais recente atualização desta reportagem, o Inep não havia esclarecido se seria possível usar a nota de uma edição na 1ª opção de curso e de outra na 2ª opção.
A regra de usar as últimas edições da prova no Sisu vale para quem participou como treineiro? Não. Ou seja, só as notas válidas no ano de conclusão do ensino médio (ou em posteriores) poderão ser usadas.
🎓O que é o Sisu
O Sisu é o sistema do governo federal que permite aos estudantes concorrer gratuitamente a vagas em universidades públicas de todo o país, utilizando a nota do Enem.
Desde 2024, o programa passou a ter edição única anual, com oferta de cursos cujas aulas começam no primeiro ou no segundo semestre.
Na edição de 2025, foram disponibilizadas 261,7 mil vagas em 6.851 cursos de 124 instituições públicas. Ao todo, 254,8 mil candidatos foram aprovados, sendo 128 mil na ampla concorrência, 111 mil por cotas e 14 mil por políticas afirmativas próprias das universidades.