Enem: veja estratégias para administrar o tempo durante a prova e evitar desespero

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Estratégias para administrar o tempo no Enem
Quem vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos próximos dois domingos, 9 e 16 de novembro, já sabe que a prova envolve concentração e estratégia. Mais do que dominar os conteúdos estudados, saber administrar o tempo é essencial para garantir um bom desempenho. ⏳
Relembre a divisão da prova:
1º dia de Enem: máximo de 5h30 para resolver 90 questões objetivas (45 de Linguagens e 45 de Ciências Humanas), mais a redação;
2º dia de Enem): máximo de 5h para resolver outras 90 questões (45 de Matemática e 45 de Ciências da Natureza).
“O Enem é conhecido por ser uma prova extensa, com enunciados longos e que exigem bastante interpretação textual, independentemente da área do conhecimento”, ressalta Ana Cláudia Rodrigues, coordenadora da Turma Enem do Poliedro Curso.
O estudante que realizou simulados ao longo do ano deve estar familiarizado com o estilo de prova e bem treinado para responder ao volume de questões dentro do tempo disponível.
Professores destacam que, para além das sugestões, o plano de prova deve ser individual, de acordo com o perfil, ritmo e o nível de preparo do aluno. Cabe a cada um identificar a ordem de resolução que funciona melhor e criar técnicas próprias para ter organização, foco e tranquilidade durante o exame.
⏰ Dicas práticas para gerenciar o tempo no Enem
Comece pelas questões fáceis e médias, garantindo pontos e confiança;
Leia o enunciado antes do texto de apoio, para direcionar a leitura;
Crie metas por hora: resolva cerca de 20 questões/hora no segundo dia, por exemplo;
No primeiro dia, separe pelo menos uma hora para fazer a redação, que tem peso importante na nota final;
Reserve 20 a 30 minutos para o gabarito para evitar correria;
Faça pausas curtas a cada 1h30, alongue-se e coma algo leve.
A principal recomendação dos professores é começar pelas questões de nível fácil e médio, que podem ser resolvidas mais rapidamente. Além de otimizar a resolução, essa escolha é estratégica também para a nota final, calculada pela Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Esse modelo, em resumo, valoriza o candidato que acerta as questões fáceis e médias e reduz a pontuação de quem acerta apenas as difíceis, porque entende que pode ter sido "chute".
ENTENDA: Como funciona a TRI? Por que duas pessoas com acertos iguais tiram notas diferentes no Enem?
Enem: mais do que dominar os conteúdos estudados, saber administrar o tempo é essencial para garantir um bom desempenho.
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Busque por enunciados e textos curtos, ou imagens, gráficos e tabelas simples. Isso ajuda a ganhar confiança e ritmo.
O professor Jeferson Petronilho, coordenador da Escola SEB Lafaiete, acrescenta que vale começar por exercícios relacionados a temas que o aluno domina.
Na hora de resolver o item, Ana Cláudia orienta começar pelo enunciado e pelas alternativas, grifando o comando da questão. "Só depois siga para o texto de apoio – isso direciona a leitura e poupa tempo", diz.
Se, após essa primeira leitura dinâmica, o exercício parecer complicado, circule e siga para o próximo.
"Não sabe uma questão? Pule e volte mais tarde. Não há problema algum em não resolver a prova de ponta a ponta. Temos a tendência de querer nos debruçar sobre uma questão e tentar resolvê-la imediatamente, mas isso pode mais atrapalhar do que ajudar", resume Ana Cláudia.
✅ Vale criar metas de resolução para uma melhor gestão do tempo. “No segundo dia, por exemplo, o candidato precisa resolver 90 questões em 5 horas. Separando 30 minutos para o gabarito e imprevistos, a meta seria de 20 questões por hora”, ela calcula.
O controle pode ser feito com base nas marcações de tempo feitas pelos fiscais de 30 em 30 minutos, já que não é permitido usar relógio durante a prova. Assim, o estudante consegue medir se está no ritmo adequado ou se precisa acelerar.
É importante reservar um tempo para preencher o cartão-resposta. Ana Cláudia recomenda cerca de 30 minutos para a tarefa. Esse também é o momento para revisar eventuais questões que o aluno possa ter deixado passar ou sinalizado para rever no final.
“Uma boa ideia é ir transferindo para o gabarito a cada 10 ou 15 questões feitas, evitando a correria no final”, acrescenta Petronilho.
➡️ Em caso de fadiga mental, mudar a área de conhecimento pode ser uma alternativa. Por exemplo, se o estudante está empacado na prova de Matemática, pode fazer uma pausa e iniciar as questões de Ciências da Natureza, retornando mais tarde para a outra frente.
Mas tome cuidado para isso não virar um “ping-pong” constante, alerta o professor.
➡️ Outra dica é usar marcações simples, que ajudam na organização: escrever um “ok” em questões que tem certeza da resposta; um ponto de interrogação nas que ficou em dúvida entre alternativas; e um “x” nas que não tem ideia de como fazer.
Redação: fazer no começo, na metade da prova, ou deixar para o fim?
Assim como a forma de resolução das provas objetivas, a escolha do momento ideal para a redação depende do perfil do aluno.
“Fazer no começo é adequado para quem tem mais facilidade para escrever. No meio da prova, é uma boa opção dar um respiro entre as áreas. Já quem lê e escreve muito rápido pode deixar para o final”, pensa Jeferson.
Para Ana Cláudia, a melhor estratégia é começar pela redação. "O início da prova é quando o foco e a memória estão mais preparados – competências decisivas para a escrita de uma boa redação de vestibular", defende.
O que 5 redações nota mil do Enem têm em comum? Professores analisam 'segredos' dos textos
Mesmo que o aluno opte por deixar para concluir a redação mais tarde, vale usar esse primeiro momento para ler a proposta com cuidado, planejar o texto e já rascunhar algumas partes.
Independente da escolha, a recomendação é reservar entre 1h e 1h20 para a redação. Lembrando que, depois de escrever o rascunho, é preciso passar o texto à limpo na folha definitiva, que será entregue à banca. Isso também demanda certo tempo.
Importância das pausas
“Dificilmente conseguimos nos manter 100% focados por horas seguidas. Incluir momentos espaçados para ir ao banheiro, se alimentar ou beber água pode aumentar o rendimento e a concentração”, orienta Ana Cláudia.
A primeira hora de prova é o momento de maior eficiência – evite pausar nesse momento. Fora isso, a coordenadora sugere ao menos duas pausas ao longo da tarde. Aproveite a ida ao banheiro para fazer um breve alongamento e lavar o rosto.
A alimentação deve ser leve. Prepare lanches que podem ser consumidos rapidamente e que vão saciar o apetite, como uma barrinha de cereais, uma castanha, ou uma fruta seca.
Alimentação e sono antes do Enem: saiba o que ajuda e o que atrapalha
Quanto à hidratação, “é importante beber água aos poucos, aos goles, evitando exageros que possam atrapalhar o rendimento”, diz Petronilho.
O professor acrescenta que "esticar os braços, as pernas, fechar os olhos por cerca de 30 segundos e respirar fundo por umas cinco vezes ajuda o aluno a retomar o seu ponto de equilíbrio”.
“São estratégias muito simples e que podem reduzir substancialmente a fadiga mental causada por longos períodos de foco na mesma tarefa”, conclui Ana Cláudia.

PND: divulgada data de reaplicação para nove escolas do país; veja data e lista das instituições

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Candidatos reclamam de desorganização na aplicação do 'Enem dos Professores'
A Prova Nacional Docente (PND) será reaplicada em 30 de novembro em nove escolas do país. As provas aplicadas em 26 de outubro nestas instituições serão desconsideradas e os candidatos precisarão refazer o exame (entenda mais abaixo.) A informação foi divulgada em uma edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (5).
A nova aplicação acontece após candidatos registrarem em vídeos de diversos problemas nos locais de prova. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou as irregularidades denunciadas e explicou que, entre os motivos para a reaplicação, estão: superlotação de salas, ausência de condições adequadas de aplicação e realização da prova em locais inadequados sem as condições especificadas pelo Inep.
👉🏾 A PND foi anunciada em janeiro deste ano como uma maneira de avaliar a qualidade da formação oferecida em Licenciaturas e como alternativa na seleção de professores de educação básica para a rede pública. O exame foi aplicado nacionalmente em 26 de outubro, considerando a adesão por estados e municípios.
Será invalidada a aplicação de 26 de outubro das seguintes instituições:
IEMA Pleno Rio Anil – São Luís (MA)
Escola Estadual Professor Guilherme Hallais França – Vespasiano (MG)
EE Brigadeiro Gavião Peixoto – São Paulo (SP)
EE Dr Celso Gama – Santo André (SP)
Unaerp Guarujá – Guarujá (SP)
EE Pastor João Nunes – Guarulhos (SP)
EMEF Antonia E Artur Begbie – São Paulo (SP)
EE Deputado Geraldino Dos Santos – São Paulo (SP)
Eci E.F.M Maria De Lourdes Araújo – Santa Rita (PB)
Participantes reclamam de problemas na Prova Nacional Docente 2025.
Reprodução/Redes sociais
Os participantes que realizaram o exame nestes locais estão automaticamente incluídos na reaplicação e devem verificar a página do participante da PND (pnd.inep.gov.br/pnd/) para conferir as novas informações.
Com a anulação do valor das provas aplicadas nestes locais, as recomendações são:
quem participou da aplicação com objetivo de utilizar o resultado em processos seletivos para docentes deve refazer o exame para ter uma nota válida.
Já os estudantes concluintes dos cursos de licenciaturas e participantes do Enade das Licenciaturas que realizaram a PND como avaliação teórica terão direito de participação na reaplicação, mas ficam dispensados desta participação para fins de regularidade perante o Enade.
A data da reaplicação também é a mesma para os participantes que enfrentaram problemas logísticos no dia do exame. Para ter direito à nova data, o candidato precisa solicitar a reaplicação na página do participante até 23h59 de 8 de novembro.
Todos que participarão da reaplicação terão acesso a um novo cartão de confirmação de inscrição com número de inscrição, a data, a hora e o local da prova, a indicação de atendimento especializado e tratamento pelo nome social, e orientações para a prova. Ainda não há data para a divulgação do novo documento.

Alimentação e sono antes do Enem: saiba o que ajuda e o que atrapalha

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Veja os horários do Enem 2025
Faltando poucos dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), surge todo tipo de preocupação: devo revisar matérias nos dias anteriores ou descansar? Vale dobrar a dose de café para ter mais energia na hora da prova? E o que levar de lanche para consumir durante o exame?
Buscar estratégias de última hora para turbinar a concentração e o rendimento é um reflexo do nervosismo, que é natural na véspera do exame.
Mas não há fórmulas milagrosas: especialistas destacam que o mais importante é manter a alimentação equilibrada e ter boas noites de sono, para que o cérebro possa consolidar o que foi estudado ao longo do ano.
🍴 O que comer antes do Enem?
A nutricionista Tatiana Palotta Minari, pesquisadora na área de crononutrição e sono, explica que, nos dias que antecedem o exame, o ideal é fazer refeições regulares e variadas. “Fontes de carboidrato como arroz, batata-doce, aveia e feijão fornecem energia de forma gradual e sustentada”, diz.
As proteínas magras, como ovos, frango e peixe, ajudam na síntese de neurotransmissores ligados ao foco e à memória.
Já alimentos ricos em ômega-3, como linhaça, chia e peixes como salmão e sardinha, têm efeito anti-inflamatório e favorecem a saúde cerebral.
Frutas e vegetais também são indispensáveis por serem fontes de antioxidantes e vitaminas do complexo B, que contribuem para o bom funcionamento do sistema nervoso.
“É recomendável evitar mudanças bruscas na dieta, porque o corpo e o cérebro funcionam melhor com previsibilidade”, orienta Tatiana.
Alimentação equilibrada: nas vésperas do Enem, prefira refeições leves e de fácil digestão, como arroz, verduras e legumes cozidos e uma carne magra.
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A nutricionista Helena Queiroz acrescenta que alimentos que contêm nutrientes como triptofano, magnésio e selênio ajudam a manter o equilíbrio de neurotransmissores como serotonina e dopamina, que influenciam diretamente o humor e o controle da ansiedade.
Nas vésperas do Enem, o estômago pode estar mais sensível por conta da ansiedade. Nesses dias, é melhor fazer refeições leves e de fácil digestão, como arroz, verduras e legumes cozidos e uma carne magra. Também são recomendadas frutas, grãos integrais, ovos, soja e oleaginosas.
⚠️ Tatiana alerta para alimentos ultraprocessados e muito gordurosos, como frituras e fast food, que podem causar sonolência, desconforto gastrointestinal ou até mal-estar.
Fuja, também, de doces em excesso. Eles provocam picos de glicemia seguidos de queda, afetando o humor e a concentração, explica a nutricionista.
Helena reforça: “Evite consumir alimentos ou preparações que você não esteja acostumado a comer. Isso ajuda a prevenir reações indesejadas do organismo”.
Para quem é vegano, ela sugere opções simples como arroz integral com lentilhas e legumes, salada com abacate e sementes ou um prato de grão-de-bico com vegetais cozidos.
➡️ Uma sugestão de cardápio para os dias de prova, de acordo com as nutricionistas, é:
Café da manhã reforçado: pão integral ou tapioca com ovo ou queijo branco; uma fruta como banana ou maçã; iogurte natural ou leite, e café ou chá suave, se já for hábito;
Almoço simples (se houver tempo antes da prova): arroz, feijão, carne magra e legumes são opções seguras.
Castanhas são boas opções de lanche durante o Enem. Elas fornecem energia e ajudam na saciedade.
Pexels / Marina Leonova
🥪 O que levar para comer durante a prova?
O lanche escolhido para levar para a sala de prova também merece atenção. São boas opções:
Frutas frescas de fácil consumo, como banana, maçã, goiaba e uva;
Frutas secas;
Mix de castanhas;
Sanduíches naturais (de frango ou atum);
Chocolate meio amargo.
"Evite alimentos com cheiro forte ou que possam derreter", alerta Tatiana. Para não atrapalhar a própria concentração e a de outros candidatos, fuja também de alimentos com embalagens barulhentas.
A nutricionista confirma que o chocolate meio amargo (até 70%), uma recomendação clássica para vestibulandos, é uma boa opção. Ele contém substâncias estimulantes, mas deve ser consumido com moderação.
"O chocolate pode causar picos e quedas rápidas de açúcar no sangue, o que nem sempre é benéfico para o desempenho prolongado", acrescenta Helena.
💧 Hidratação é essencial: não esqueça de levar uma garrafinha de água, que ajuda a manter o corpo ativo e a mente alerta.
Estudante carrega garrafa de água para fazer a segunda prova do Enem 2024 em Ribeirão Preto, SP
Érico Andrade/g1
☕ Cuidado com o café: a cafeína é um estimulante que atua no sistema nervoso central. Em excesso, pode aumentar a ansiedade, a urgência para ir ao banheiro e prejudicar o sono. Sendo assim, deve ser consumida com cautela, especialmente na véspera e no dia da prova.
“Mantenha o padrão habitual e afaste as últimas doses do horário de dormir”, orienta o psiquiatra Arthur Danila, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.
💤 Durma bem antes da prova
Falando em sono, Danila explica que o desempenho cognitivo do dia da prova é, em grande parte, construído na semana anterior.
O sono consolida a memória dos conteúdos estudados na fase NREM (responsável pelo descanso físico e reparo do corpo) e integra aspectos emocionais no REM (momento em que ocorrem os sonhos vívidos).
"Mesmo duas noites curtas já prejudicam a atenção sustentada, a velocidade de processamento e a autorregulação", destaca.
O ideal, segundo ele, é garantir de 7 a 9 horas de sono por noite, com horários estáveis. Além disso, evitar “virar a noite” na véspera e, se necessário recorrer a sonecas, que sejam breves.
"Em síntese, a memória se fortalece à noite, e a prova apenas cobra o que o estilo de vida permitiu consolidar", conclui o psiquiatra.

Como IA pode ajudar estudantes a se preparar para o Enem

Professor de licença médica vence reality show e causa debate sobre saúde mental
Provas objetivas e de redação serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro
Getty Images via BBC
Ferramentas de inteligência artificial entraram de vez na rotina de estudantes em cursinhos e professores que os preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, e outras avaliações.
Se em um primeiro momento houve mais desconfiança sobre o uso, cursos ouvidos pela reportagem agora dizem que a IA foi incorporada de diversas formas na rotina de suas instituições, seja no apoio ao planejamento de aulas e de estudos, material didático e até elaboração de exercícios.
"No início a gente teve muita repulsa. Mas o avanço da tecnologia não tem mais volta. No futuro, redações poderão ser corrigidas por IA. É importante que os alunos entendam a tecnologia", diz Juliana Tavares, supervisora pedagógica do Descomplica, startup que oferece cursinho para o Enem e cursos à distância de graduação e pós.
Ela lembra que o próprio Ministério da Educação já aderiu à tecnologia: o ministério disponibiliza um aplicativo de estudos para o Enem com correção automatizada de redação e assistente virtual com IA.
Professores relatam que tiveram de trazer o assunto para a sala de aula para evitar que alunos usassem as ferramentas de forma incorreta, que pudesse prejudicar os estudos.
"Não adianta dizer para os alunos não usarem e ficarem só com o que falamos em sala", diz o diretor pedagógico do Colégio Oficina do Estudante Campinas, Célio Tasinafo.
"Antes da IA os alunos já recorriam ao Google para encontrar resoluções diferentes daquelas que a gente oferecia."
➡️ A principal dica é que estudantes usem essas ferramentas como um apoio para as tarefas que já faziam antes, não como um substituto do material didático ou das conversas com professores.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será realizado nos dias 9 e 16 de novembro. Instituído em 1998, o exame é o principal método de ingresso ao ensino superior do Brasil.
As notas do Enem podem ser usadas para acesso ao Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, o Programa Universidade Para Todos, o Prouni, e também para obter financiamento estudantil com o Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies.
O que todos os temas de redação do Enem têm em comum?
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Desenvolver planos de estudo
Embora a preferência dos cursinhos seja a de desenvolver sistemas próprios (de acesso exclusivo a seus alunos) para uso da IA, de forma que a tecnologia seja alimentada por conteúdo desenvolvido dentro da própria empresa, professores ouvidos pela BBC News Brasil apontaram que também é possível usar ferramentas externas, como o ChatGPT, da OpenAI, ou o Gemini e o NotebookLM, do Google, para algumas funções.
O professor de física Emerson Júnior, do Cursinho da Poli, diz que essas ferramentas cometiam muito mais erros nos primeiros anos de funcionamento. E que hoje estão mais confiáveis, embora ainda necessitem de revisão humana.
Ele avalia que uma das formas mais úteis é pedir a essas ferramentas que ajudem a elaborar planos de estudos, de forma a organizar as prioridades do aluno. O resultado pode ser fornecido até em forma de planilha pela ferramenta.
Diz também que a qualidade das respostas depende de como os prompts (o que é digitado pelo usuário) são feitos.
"Não seja acomodado e preguiçoso com as IAs. Aprenda a perguntar. O aluno que não é um questionador não é um bom aluno. Ele precisa ser um bom perguntador para obter respostas coerentes."
"Não peça para a IA resolver a equação, mas explique passo a passo como se resolve, para que surjam outras dúvidas. Para que a cabeça comece a pensar", sugere o professor de química Filippo Fogaccia, do Objetivo.
Em outras palavras: a recomendação é não esperar que a IA resolva problemas ou traga resultados dos exercícios prontos, mas ajude o estudante a resolvê-los por conta própria.
Resumir conteúdos da aula
Outra prática que vem sendo adotada é a de IAs assistentes que resumem conteúdos dados em sala de aula. Esse tipo de ferramenta transcreve o áudio de aulas gravadas em vídeo e então permite que os alunos enviem perguntas diretamente em um chat, que responderá com base naquele texto transcrito, a qualquer momento.
A ideia é que os estudantes possam revisar ou tirar dúvidas sobre pontos específicos enquanto assistem aos vídeos.
O assistente do Descomplica, por exemplo, é usado para dividir as aulas em tópicos ou fazer resumo, por exemplo.
Uma das recomendações dos professores é que esses resumos sejam usados em aulas que os alunos já dominam ou que não são prioridade, apenas como forma de revisão de conteúdo, antes de fazer os exercícios.
"São muitas aulas, mas cada aluno tem uma matéria com maior peso na nota. O aluno já chega sabendo o que terá naquela aula", diz Claudio Hansen, do Descomplica.
Há o risco de que os alunos usem só resumos ou respostas prontas geradas pela IA?
Hansen diz que o objetivo da ferramenta não deve ser responder a perguntas, mas ajudar o estudante a encontrar a resposta.
"Imagine que o aluno está em uma aula (online) de quarenta minutos. Mas ele se esqueceu de qual parte do vídeo está. É como se o aluno levantasse a mão numa aula e pedisse ao professor para repetir um conceito."
Embora esse tipo de ferramenta esteja dentro de plataformas dos próprios cursinhos, é possível ter resultados semelhantes em plataformas como o Google NotebookLM, que consegue transcrever vídeos no Youtube e depois responder a perguntas do usuário somente com base no conteúdo do vídeo.
O próprio Youtube, hoje, disponibiliza abaixo dos players de vídeo a transcrição da fala de seus vídeos, que pode ser pesquisada palavra a palavra.
Plataforma paga usa IA para resumir transcrição da fala de professores e tirar dúvidas com chabot.
Descomplica via BBC
Os 'prompts' não podem ser genéricos
A vantagem — e a desvantagem — dos modelos de linguagem é que eles são treinados em uma quantidade gigantesca de informações. Por isso, podem não oferecer um bom resultado quando o objetivo do usuário é resolver um problema específico, como elaborar ou explicar questões de um exame como o Enem.
➡️ Para que isso seja feito da forma mais adequada, explicam professores, o ideal é que o aluno mostre à IA exemplos concretos do exame que pretende realizar, com questões da disciplina específica.
"Alunos chegavam no plantão de dúvidas com questões geradas por IA que sequer tinham relação com as provas. Era uma montanha de possibilidades que tendia mais a atrapalhar do que ajudar", lembra Celso Tasinafo, do Colégio Oficina do Estudante.
Se o aluno só escrever em um chatbot que "quer exercícios de termologia", exemplifica, o resultado não será satisfatório. "É preciso especificar a universidade, o processo seletivo."
Tasinafo sugere que o aluno busque na internet PDFs que contenham exercícios dos Enems de outros anos (o governo federal disponibiliza todas as provas e gabaritos de outros anos) e utilize esse material para dar exemplos aos chatbots de como elaborar questões — esses arquivos podem ser anexados ao chat.
"Diga que está enviando questões de Física dos últimos 3 anos, por exemplo, e que gostaria que o chat elaborasse questões com a mesma estrutura", diz.
'Alunos não devem substituir o material que estão acostumados a usar pela IA'
‼️ Uma preocupação comum aos especialistas ouvidos pela reportagem é que essas IAs abertas podem sugerir conteúdos de estudo ou exercícios que não estavam previstos na grade do estudante, o que pode causar ansiedade e receio de não ter estudado o suficiente.
Daí a ideia de usar ferramentas próprias, para tentar controlar um pouco mais o fluxo desse conteúdo.
"Em uma IA aberta (como o ChatGPT), ao perguntar, ela vai te jogar um zilhão de conteúdos", diz Marcello Vannini, diretor de tecnologia de informação do grupo Unip Objetivo.
"Procuramos entregar pro aluno aquilo que não vai criar esse tipo de angústia nele. Entrega o que ele precisa receber no momento dentro do processo educacional."
Célio Tasinafo, da Oficina do Estudante, reforça que a IA deve ser um material adicional, de apoio, e de forma nenhuma substituir o material didático tradicional e o apoio de professores.
"É uma ferramenta muito poderosa e útil. Mas o estudante não está tão familiarizado com a IA como está com o material tradicional. Ainda mais a essa altura, faltando tão pouco tempo para as provas. O risco é do aluno ficar mais inseguro por ter acesso a uma ferramenta com muita informação, que pode fazer ele se sentir mal e despreparado."
Ele sugere que a IA seja incorporada à forma de estudo a que o aluno já está acostumado.
Uma sugestão, por exemplo, é enviar um arquivo em PDF com questões de uma determinada disciplina (ex: Física) do Enem para um desses chatbots e então pedir a elaboração de questões com base naquele material enviado.
💡 Outra dica é que os estudantes criem projetos dentro dos chats, de forma que a IA lembre dos pedidos anteriores e siga sempre o mesmo padrão de resposta.
"Instruímos também que o aluno crie um projeto, para que a IA lembre tudo que você já pediu e perguntou, ficando tudo em um único chat."
Correção de redações
Ministério da Educação lançou aplicativo que usa IA para ajudar candidatos a estudar para o Enem.
Ministério da Educação
A startup Descomplica criou um sistema de correção de redação com apoio de IA que usou textos de outras redações e também a cartilha oficial do próprio Enem.
Uma das vantagens é que a ferramenta, que é paga, consegue dividir as competências exigidas do candidato na redação e dizer o que está bom e o que precisa melhorar.
✍🏻 "Uma correção que levava dias agora é feita em poucos minutos", diz Juliana Tavares. "Não podemos só dar uma nota. É importante explicar no que o aluno errou, por que a nota é aquela, e então dar sugestão de melhorias."
Ela conta que a tecnologia precisa passar por revisões constantes para evitar erros. E lembra de uma situação em que a IA confundiu John Locke, o filósofo inglês, com Loki, o irmão de Thor no universo da Marvel, em uma redação. "Precisamos tomar esse cuidado e revisão com corretores humanos."
E como o estudante deve aproveitar esse tipo de tecnologia?
"Com a oferta de temas para estudar na hora que quiser e a consistência na correção", avalia Claudio Hansen, professor de Geografia e Atualidades e gerente pedagógico do Descomplica.
Ele diz também que o feedback mais rápido ajuda na organização de um cronograma de estudos. "O aluno tem uma carga muito grande pra estudar. Antes você enviava uma redação e levava dias para receber resposta. Isso impactava na organização do aluno."
No Objetivo, uma ferramenta própria de análise de redações recebe os textos, dá um feedback automático e há também uma avaliação por um professor.
"Por mais que seja uma IA que tem os limites feitos por nós, sempre colocamos a figura do professor dentro do processo", diz Marcello Vannini, que é diretor de tecnologia de informação do grupo Unip Objetivo.
A ideia, explica, é revisar a avaliação feita e acrescentar mais informações, se necessário.
Um dos requisitos obrigatórios é que o aluno escreva o texto à mão antes de submeter à plataforma.
"O aluno baixa uma folha de redação e escreve, não digita. No dia em que for fazer a prova do Enem, ele vai ter de escrever, não digitar em um computador", diz Vannini.

Professor de licença médica vence reality show e causa debate sobre saúde mental

Professor de licença médica vence reality show e causa debate sobre saúde mental
Professor de licença médica vence reality show e causa debate sobre saúde mental
Um professor de uma escola pública da Alemanha que estava de licença médica há um ano venceu um reality show de culinária, e a participação do docente na competição reacendeu uma polêmica no país.
O caso levantou uma discussão que pautou até debates entre deputados estaduais no país, considerando que o profissional, de 35 anos, é funcionário público.
Além disso, o tema das licenças médicas é polêmico na Alemanha.
Um caso que se tornou público recentemente expôs que uma professora ficou de licença remunerada por 16 anos, sem nunca ter precisado passar por um perito.
Síndrome de burnout é considerada doença ocupacional
Marley Lima/SupCom-ALE-RR
Já no caso mais recente, há uma divisão na opinião pública.
De um lado, os números demonstram o cenário: só na Renânia do Norte-Vestfália, estado onde o docente mora, mais de 1.300 funcionários públicos estão de licença há mais de seis meses. E só metade foi ao médico perito do estado.
De outro, a defesa pelo direito: boa parte da população não concorda com a polêmica do caso e acredita que a discussão é vazia. Alguns apontam que a licença pode ter sido dada ao professor por burnout, depressão ou qualquer outra doença psíquica — motivos válidos para o afastamento das atividades profissionais.
Sala de aula no RS
Agência RBS
Além disso, o sistema educacional alemão está com déficit de 11 mil professores, o que, segundo alguns, está causando sobrecarga e colapso mental nos profissionais em atuação.
Há ainda quem defenda que o direito do professor de exercer um hobby, e critique o fato de o colocarem no centro de um debate polêmico, especialmente sem saber o que o levou à licença médica.
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