‘Igualdade de oportunidades’, diz professora sobre provas do Enem no arquipélago do Bailique, no AP

Enem: como lidar com nervosismo e ‘apagão’ na prova? Veja técnicas para manter a calma
Ribeirinhos puxam embarcações para não ficarem isolados após seca de rios no Amapá
Após cinco anos, estudantes do arquipélago do Bailique, região ribeirinha de Macapá (AP), vão realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sem precisar enfrentar longas viagens de barco até a capital do Amapá.
Até então, os candidatos precisavam viajar por até 16 horas em embarcações, enfrentando maré forte, sol intenso e noites dormindo em redes, para chegar a Macapá e fazer a prova.
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Ao g1, a professora Ciane Saldanha, que acompanha há anos a preparação dos estudantes, descreve o momento como de “alívio e gratidão”.
“Esse 'sacrifício' era real, eram horas, às vezes dias, de barco, dormindo em redes, chegando exaustos para fazer a prova. Agora melhorou 100%”, disse.
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Decisão Judicial
No mês de setembro, a Justiça Federal do Amapá determinou que em 2025 as provas do Enem fossem realizadas na própria comunidade. A decisão atendeu a uma recomendação do Ministério Público Federal no Amapá que considera os riscos enfrentados pelos alunos, que antes viajavam até 16 horas de barco para realizar o exame.
As provas serão realizadas na escola Cláudio dos Santos Barbosa, com apoio logístico do estado. O Inep havia alegado critérios técnicos para não aplicar o exame no local, mas a Justiça entendeu que as condições da região justificam a medida.
Motivação
Segundo a professora, os alunos estão mais motivados e confiantes, prontos para mostrar o resultado de meses de estudo.
“Como educadora, é um orgulho imenso ver a juventude ribeirinha encarar o Enem com esperança prática. O que mais me emociona é ver a igualdade de oportunidades ser concretizada”, afirmou.
Esperança de um futuro melhor
Estudantes do arquipélago do Bailique vão fazer o Enem 2025 na comunidade
Ciane Saldanha/divulgação
Este ano, 172 estudantes vão fazer o exame na comunidade nos dias 9 e 16 de novembro, na Escola Cláudio dos Santos Barbosa. A professora explica que agora é o momento de finalmente mostrar o aprendizado, que antes, por conta da longa viagem, acabava sendo consumido pelo cansaço.
“Eles entendem que, agora, a régua que medirá seu sucesso é a dedicação, e não a distância. Cada aluno motivado representa uma nova possibilidade para a comunidade, seja com um futuro advogado, professor ou médico voltando para o Bailique, se Deus quiser”, finalizou a professora.
Professora Ciane Saldanha sempre acompanha os estudantes do Bailique nas provas do Enem
Arquivo pessoal/Ciane Saldanha
Sobre o arquipélago do Bailique
Comunidades do Bailique sofrem com problemas de erosão
Divulgação/Orleano Marques
O arquipélago do Bailique fica localizado a cerca de 160 km de Macapá e o acesso é feito via fluvial. É formado por oito ilhas, 52 comunidades e cerca de 8 mil habitantes. A região enfrenta fenômenos como a erosão das margens dos rios (conhecida como 'terras caídas') e o aumento da salinidade da água, o que dificulta o acesso à água potável.
MPF pede volta de provas presenciais do Enem no arquipélago do Bailique, no Amapá
Erosão atingiu estrutura da Escola Bosque no Bailique
Helton Sarges/Arquivo pessoal
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VÍDEOS: Enem 2025 começa hoje, veja o que você precisa para não perder a prova

VÍDEOS: Enem 2025 começa hoje, veja o que você precisa para não perder a prova O g1 vai divulgar no domingo (9), a partir das 18h30, o gabarito extraoficial do primeiro dia do Enem 2025.. Serão corrigidas as 90 questões das provas de linguagens e ciências humanas.. A correção será feita ao vivo com professores do curso Anglo, que também comentarão a redação.. Ao longo do dia, o g1 fará cobertura em tempo real do exame.

Sergipe tem mais de 78 mil inscritos no Enem, diz Inep

Enem: como lidar com nervosismo e ‘apagão’ na prova? Veja técnicas para manter a calma
Caderno de provas do Enem
Ana Carolina Moreno/G1/Arquivo
Neste domingo (9), 78.344 pessoas devem fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Sergipe, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Entre os inscritos, as mulheres são maioria com cerca de 47.861 candidatas, ou 61,09% do total. Já os homens são 30.483 (38,91%).
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As provas serão aplicadas em 33 municípios do estado. Os que concentram o maior número de inscrições são: Aracaju (28.462), Itabaiana (5.103), Nossa Senhora do Socorro (4.864), Lagarto (4.226) e São Cristóvão (3.400).
Enem 2025: g1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo1 terá gabarito extraoficial e fará a correção da prova ao vivo
🗓️ Datas das provas
O Enem 2025 será aplicado em dois domingos de novembro
9 de novembro
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol)
45 questões de ciências humanas
Redação
16 de novembro
45 questões de matemática
45 questões de ciências da natureza
🖋️ O que levar no dia da prova
RG ou outro documento oficial com foto (documentos digitais também são válidos)
Caneta esferográfica transparente com tinta na cor preta (leve pelo menos duas para o caso de uma falhar)
Cartão de confirmação de inscrição
Lanche (ideal é levar alimentos que deem energia, como chocolates, castanhas e barras de cereal) e água em garrafa transparente (a embalagem não deve ter rótulo). O lanche poderá ser vistoriado pelo fiscal de sala.
Dica: Como são cinco horas e meia de exame, é recomendado que o candidato vá com uma roupa confortável e calçados que não o apertem.
Exemplos de documentos digitais de identificação que serão aceitos pelo Inep:
e-Título
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital
RG Digital
O candidato deve apresentar o aplicativo oficial ao fiscal — capturas de tela não serão válidas. Após a entrada na sala de aula, o uso do celular continuará vetado.
Horários de aplicação (no fuso de Brasília)
Portões abrem às: 12h
Portões fecham às: 13h
Prova começa às: 13h30
Aplicação da prova no 1º dia acaba às: 19h
Aplicação da prova no 2º dia acaba às: 18h30
O candidato só deixa o local de aplicação com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos que antecedem o término da prova.
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Enem 2025 começa neste domingo para 4,8 milhões de inscritos; veja horários e mais regras

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Veja como vai ser a cobertura do g1 no Enem 2025
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 será aplicado em 9 e 16 de novembro em todo o país – com exceção de Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, onde as provas serão em 30 de novembro e 7 de dezembro.
Neste domingo (9), a prova é composta por 90 questões objetivas (dividas entre Linguagens e Ciências Humanas) e uma redação. No próximo domingo (16), serão mais 90 questões (Matemática e Ciências da Natureza).
A partir das 18h30 deste domingo (9), será possível acompanhar no g1 o gabarito extraoficial das questões objetivas. A correção da prova será feita em programa ao vivo, com professores do Curso Anglo, que também comentarão a prova de redação.
COBERTURA EM TEMPO REAL: acompanhe por aqui
PROGRAMA AO VIVO COM PROFESSORES: será transmitido na página do g1, no YouTube e no TikTok
Ao longo do domingo, o g1 também fará a cobertura em tempo real, com a movimentação dos candidatos nos locais de exame, a divulgação do tema da redação e eventuais boletins divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Mais de 4,8 milhões de candidatos estão inscritos em todo o país para fazer o exame, que serve de acesso para diversas universidades. Quem ainda não sabe onde vai fazer a prova, pode conferir como acessar o cartão de confirmação para não se confundir na última hora.
Enem 2025: g1 terá programa de correção ao vivo, com comentários de professores.
g1
Que horas abre o portão do Enem?
Nos dois domingos de aplicação, os portões abrem ao meio-dia e fecham às 13h – e, depois desse horário, nenhuma entrada será permitida. A prova começa pontualmente às 13h30. O Enem segue o horário oficial de Brasília.
Que horas acaba o Enem?
No primeiro dia de Enem (9), os candidatos têm até as 19h para realizar a prova, totalizando 5 horas e 30 minutos de duração. Já no segundo dia (16), a prova vai até as 18h30, em um máximo de 5 horas de duração.
A saída da sala é permitida a partir das 15h30, mas sem o caderno de questões. Só é possível deixar a sala com o caderno em mãos faltando 30 minutos para o fim do exame: portanto, após as 18h30 no primeiro dia e após as 18h no segundo.
🕑 Atenção ao fuso horário
Se você mora ou fará a prova em munícipios do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul, o horário local está uma hora a menos em relação ao horário de Brasília. Assim, o exame começa às 12h30 no horário local.
No caso do Acre, estado com duas horas a menos, a prova será aplicada às 11h30 no horário local.
Pode levar o cartão de confirmação para o Enem? E mochila?
Sobre o Enem 2025
O Enem 2025 será aplicado em dois domingos de novembro (menos em Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, onde as provas serão em 30 de novembro e 7 de dezembro).
9 de novembro
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas; e
redação.
16 de novembro
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
⌚ Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 1º dia: 19h
Término das provas no 2º dia: 18h30
O candidato só poderá sair com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos que antecedem o término da prova.

Enem: como lidar com nervosismo e ‘apagão’ na prova? Veja técnicas para manter a calma

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Como controlar a ansiedade durante o Enem?
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 será aplicado nos próximos dois domingos, 9 e 16 de novembro. Durante a prova, pode acontecer de o candidato enfrentar picos de ansiedade e até o temido “apagão”, quando tudo parece sumir da cabeça e o desespero bate.
Ficar nervoso é normal. O importante é não se deixar levar pela crise: a situação é reversível e, com algumas técnicas simples, é possível recuperar o foco e garantir um bom desempenho.
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O que acontece no cérebro durante o “apagão”
Segundo o médico psiquiatra Arthur Danila, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, o chamado “apagão” não significa perda real de memória, mas um bloqueio momentâneo de acesso às informações.
🧠 Ele explica que um pico de estresse ativa o sistema de ameaça do cérebro – especialmente a amígdala – e eleva os níveis de hormônios como adrenalina e cortisol.
Esse estado, diz o médico, “otimiza reflexos de sobrevivência, mas reduz a eficiência do córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio, tomada de decisão e memória de trabalho”.
Em outras palavras, é como tentar abrir muitos arquivos em um computador sobrecarregado.
Ao mesmo tempo, o hipocampo, que atua na recuperação de lembranças, também fica menos eficiente.
“A memória está lá, mas o caminho de busca fica congestionado, daí o típico ‘deu branco’ e a sensação de urgência”, explica Danila.
Essa é uma "resposta fisiológica previsível a uma avaliação de ameaça e, por isso mesmo, reversível".
A ansiedade intensa, segundo o psiquiatra, “sequestra os recursos cognitivos” e desvia a atenção para preocupações recorrentes e pensamentos catastróficos, como o medo de errar ou de reprovar – “se errei aqui, acabou tudo”.
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Isso reduz a capacidade de concentração e deixa o raciocínio mais lento. Compreender um enunciado nesses momentos parece um esforço gigantesco.
"O manejo do estresse é, portanto, tão importante e estratégico quanto o conteúdo estudado", destaca Danila.
Enem: prova é nos próximos dois domingos, 9 e 16 de novembro.
Bruna Araújo/MEC
Como antecipar uma crise na hora da prova?
Antes de uma crise acontecer, o corpo costuma dar sinais como respiração curta, mãos frias e suadas, coração acelerado, rigidez na mandíbula e nos ombros, "frio na barriga" e urgência para ir ao banheiro.
No campo mental, é comum a leitura repetitiva, visão "em tunel", irritabilidade, sensação de pânico, bloqueio e vontade de abandonar a questão.
Para antecipar esse cenário, Danila recomenda que o estudante faça pequenos “check-ins” emocionais durante a prova. “Em uma escala de 0 a 10, avalie o nível de tensão. Se estiver acima de 6, pare por menos de dois minutos e aplique um protocolo de regulação, com técnicas de respiração ou meditação.”
Quanto antes um ciclo ansioso for percebido, mais cedo é possível intervir e evitar que se amplifique.
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Técnicas para manter a calma durante o Enem 🧘🏻
Para evitar uma crise, o especialista recomenda que os candidatos apliquem algumas técnicas antes de começar o exame, e até mesmo na noite anterior:
Respiração com expiração prolongada: inspirar por 4 segundos e expirar por 6 a 8;
“Suspiro fisiológico”: duas pequenas inspirações nasais seguidas de uma expiração longa no início da prova;
Técnicas de grounding: identificar conscientemente o que se vê, ouve e sente no momento;
Escrita expressiva: na véspera, escreva por 8 a 10 minutos sobre preocupações e medos, o que ajuda a “descarregar” a mente e libera memória de trabalho para a concentração;
Simular previamente o contexto da prova, incluindo tempo e ruídos, e fazer um checklist logístico (trajeto, documentos, materiais) diminui a incerteza e reduz a sensação de "ameaça".
Se o aluno perceber que está entrando em desespero no meio da prova, o foco é “desengatar” o modo de ameaça e “assumir o volante”.
Danila indica um protocolo rápido: parar por 60 a 90 segundos, respirar lentamente, nomear mentalmente as sensações (“taquicardia”, “mãos frias”, “pensamento catastrófico”) e depois retomar a prova de forma objetiva.
“Leia apenas o comando da questão, anote três palavras-chave que acionem a lembrança e, se não houver avanço em 30 a 45 segundos, siga para a próxima”, orienta.
⚓ Ancoragens sensoriais discretas, como sentir os pés no chão ou tocar o polegar no indicador enquanto repete mentalmente uma frase de foco, como “volte para a pergunta”, ajudam a puxar a atenção para o presente.
Pequenas pausas também são bem-vindas, desde que curtas, intencionais e definidas previamente. Levantar-se para ir ao banheiro, beber água e alongar pescoço e ombros ajuda a aliviar a tensão muscular, a respiração, e sinaliza ao cérebro que o ambiente é seguro.
"O critério é simples: pausas curtas para manutenção do desempenho, não longas o suficiente para virar estratégia de fuga", resume o psiquiatra.