Mulheres maduras têm que buscar educação financeira

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento
Desinformação e desigualdade de gênero lançam uma sombra sobre o futuro feminino. Educação financeira para mulheres: desinformação e desigualdade de gênero jogam uma sombra sobre o futuro feminino
Joel Fotos para Pixabay
Na terça-feira, o assunto do blog foi o impacto da menopausa na vida financeira das mulheres. A coluna de hoje é um desdobramento natural do tema: como a falta de informação sobre como cuidar do dinheiro compromete o futuro feminino, tema de seminário on-line a que assisti no fim do mês passado. O cenário é desafiador quando fazemos uma lista das adversidades que temos pela frente. As três principais:
Desigualdade salarial: as pensões de aposentadoria das mulheres são de 30% a 40% menores que as dos homens.
Interrupções na carreira, para cuidar dos filhos ou de alguém da família, chegam a ultrapassar dois anos e impedem ou dificultam a ascensão profissional.
Aos 65 anos, globalmente, as mulheres vivem 2,5 anos a mais que os homens, têm maiores gastos com saúde e menor probabilidade de terem um cônjuge.
Joanne Yoong, pesquisadora da University of South California, afirmou que, normalmente, as mulheres jovens são o foco dos programas de educação financeira, quando, na verdade, as mais velhas também deveriam ser prioridade. Ela citou uma experiência realizada em três países asiáticos (Singapura, Malásia e Indonésia), em 2008, na qual mulheres de baixa renda, entre 40 e 59 anos, se reuniam em 12 sessões semanais com aulas sobre orçamento, poupança, endividamento, investimentos e negociação. A partir daí, cada uma elaborava seu plano individual. Dez anos depois, as participantes se sentiam menos estressadas em relação ao futuro.
Cindy Cox-Roman, presidente da HelpAge, instituição internacional que ajuda idosos a reivindicar seus direitos, apresentou The Understanding America Study, um levantamento com 10 mil entrevistas:
“Além de pouca confiança na administração dos seus recursos, as mulheres têm vergonha de falar do assunto. Elas podem até controlar o orçamento, mas não são preparadas para investir com segurança. Menos de 30% se sentem tranquilas sobre o futuro, sendo que, entre as afrodescendentes, o percentual é mais baixo: 19%”.
Um teste de educação financeira – o S&P Global FinLit Survey, que é regularmente aplicado em mais de 140 países – mostra que apenas 35% dos homens e 30% das mulheres dominam noções básicas para lidar com seu dinheiro. São quatro perguntas, que reproduzo aqui (as respostas estão no fim do texto):
Supondo que você tem alguma reserva financeira, o que é mais seguro fazer? A) Aplicar em um investimento; B) Aplicar em diversos investimentos; C) Não sabe.
Imagine que, nos próximos dez anos, os preços dos artigos que você compra dobrem. Se sua renda também dobrar, você: A) Comprará menos do que hoje em dia; B) Comprará mais do que hoje; C) Comprará a mesma quantidade; D) Não sabe.
Se você fizer um empréstimo de 100 reais, qual o menor valor para pagar a dívida? A) R$ 105; B) R$ 100 mais 3%; C) Não sabe.
Se sua poupança estiver no banco por dois anos e a instituição remunerar essa quantia em 15% ao ano, o banco vai depositar mais dinheiro em sua conta no segundo ano do que no primeiro ou será o mesmo valor? A) Mais; B) O mesmo valor; C) Não sabe.
Esta é uma variante da pergunta 4: suponha que você tenha R$ 100 investidos e que o banco remunere tal valor em 10% ao ano. Se não fizer nenhuma retirada, quanto terá depois de cinco anos? A) Mais que R$ 150; B) R$ 150; C) Menos que R$ 150; D) Não sabe.
RESPOSTAS: 1B; 2C; 3B; 4A; 5A

No Dia das Mães, alguns conselhos para essas eternas equilibristas

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento
Livro recém-lançado da psicóloga Cecília Russo Troiano ensina a conciliar maternidade e vida profissional Em 2007, a psicóloga e empresária Cecília Russo Troiano realizou uma pesquisa, sobre a difícil arte de conciliar maternidade e vida profissional, que virou livro. Doze anos depois, voltou ao tema e coletou respostas de 1.300 mães que trabalham fora, desta vez incluindo os pais. O resultado é o recém-lançado “Vida de equilibrista na contemporaneidade: reflexões e provocações sobre a convivência entre família e trabalho”, no qual destrincha esses desafios:
Cecília Troiano, autora de “Vida de equilibrista na contemporaneidade: reflexões e provocações sobre a convivência entre família e trabalho”
Divulgação: Vivian Koblinski
“Para alcançar postos altos na cultura corporativa, não dá para esperar o filho na porta de casa quando chega o ônibus da escola. Você pode ser vice-presidente ou mãe do ano, mas não ambos! Então, resgato um dos meus mantras: não é possível tirar dez em tudo… é preciso se contentar com menos”.
Ao reunir depoimentos de pessoas de diferentes regiões do país, notou as semelhanças dos sentimentos em relação ao tema: “olhando as respostas, consigo visualizar um tripé de sustentação da identidade da equilibrista. Ela é muito feliz com a maternidade, sente-se sobrecarregada e trabalha para ter independência financeira. Você se identifica?”, pergunta (sabendo muito bem a resposta).
Ao longo dos últimos 16 anos, afirma que os temas que abordou na primeira obra, como a culpa das mulheres, a sobrecarga de trabalho e a capacidade para se adaptar às situações, jamais se esgotam. Por isso, decidiu manter a estrutura do livro anterior, atualizando os dados a partir de estudos mais recentes. Na sua opinião, apesar da maior participação masculina na criação dos filhos, o território doméstico ainda é, fundamentalmente, uma responsabilidade das mães:
“Não apenas a culpa e as cobranças da mulher equilibrista continuaram ao longo dos últimos 15 anos, mas o fenômeno das redes sociais amplificou algumas sensações. Elas viraram um espaço de modelos idealizados de maternidade, de retratos coloridos e sorridentes da família perfeita. Sem falar em dicas e comentários nocivos que classificam as atitudes em certo ou errado… eles criam tensão, fazem o sentimento de culpa aumentar, geram ansiedade e até depressão”.
Segundo a autora, o segredo é saber transitar entre dois papeis aparentemente antagônicos: o da “mãe maravilha” e da “mãe desesperada”. “Ambas existem e são verdadeiras. Somos um pouco de cada uma delas, todos os dias. Vivemos essas polaridades de modo intenso, cotidiano e visceral. Aí está a beleza da maternidade: é ser um pouco perfeitinha e um pouco atrapalhada”, ensina. Mãe de um casal de filhos já adultos, enfatiza a importância de buscar o equilíbrio entre tantas demandas: “precisamos cuidar de nós mesmas para sermos boas cuidadoras”. Para o Dia das Mães, compartilho as dicas de Cecília para suas leitoras:
Culpe-se menos.
Não se ache uma supermulher. Ser mulher já é super.
Planeje-se mais.
Respire mais.
Saiba delegar.
Divida mais.
Exercite-se mais.
Menos celular.
Mais cara a cara.
Mais ar livre.
Divirta-se mais.
Agradeça mais.
Cobre menos.
Cuide-se mais.
Curta mais os momentos.
Corra menos.
Respeite-se mais.
Namore mais.
Escolha mais.
Viva mais.
Capa do livro: conselhos para as mulheres equilibrarem maternidade e vida profissional
Reprodução

Depois de receber críticas no passado, reposição hormonal volta a ganhar defensores

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento
Estudo canadense indica o tratamento para os sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e distúrbios de sono Os primeiros sintomas relacionados à diminuição da produção do estrogênio, o principal hormônio feminino, podem surgir dez anos antes da menopausa. Pior: problemas como ondas de calor, suores noturnos e distúrbios de sono, entre outros, com frequência se estendem por mais de uma década após o fim dos ciclos menstruais – com impacto bastante negativo na qualidade de vida de qualquer mulher. Uma nova revisão de estudos, publicada ontem na revista “Canadian Medical Association Journal”, avança no resgate da terapia de reposição hormonal, recomendando o tratamento para quem não apresenta fatores de risco, como explica a médica Iliana Lega, professora da Universidade de Toronto e coautora do trabalho:
Mulheres e menopausa: reposição hormonal volta a ganhar defensores
Fotorech para Pixabay
“Perimenopausa e pós-menopausa podem levar a um quadro de sofrimento físico e mental. Apesar da existência de diversas formas de intervenção, o medo relacionado ao risco da terapia de reposição hormonal, aliado à falta de conhecimento sobre as alternativas existentes, impediu que muitas pacientes recebessem qualquer tipo de tratamento”.
O Women's Health Initiative, estudo que lançou uma sombra de dúvidas sobre a reposição hormonal, completou 21 anos sendo questionado porque seu encaminhamento continha falhas. No entanto, o estrago foi grande: a informação fez com que um grande número de médicos deixasse de prescrever o tratamento para suas pacientes.
Em coluna publicada em abril, o blog já havia apresentado trabalho realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, mostrando o mesmo tipo de relação entre a idade da menopausa, a utilização de terapia hormonal e a Doença de Alzheimer: altos níveis da proteína tau, presentes no processo da enfermidade, só haviam sido observados em mulheres que começaram a fazer reposição hormonal tardiamente.
Hoje, há evidências de uma possível redução de risco de doença coronariana através da reposição, no caso de pacientes abaixo dos 60 ou que iniciam o tratamento precocemente.
De acordo com o levantamento, os principais benefícios da reposição são:
Redução das ondas de calor em até 90% em pacientes com sintomas de moderados a severos.
Melhora do perfil lipídico e possível diminuição do risco de diabetes tipo 2.
Menor risco de fraturas ósseas.
Sobre os contras:
Embora estudos anteriores tivessem indicado aumento do risco de câncer de mama, ele é baixo para quem está na faixa entre 50 e 59 anos e para quem inicia a reposição nos primeiros dez anos a partir da menopausa.
Outras pesquisas mostram um aumento de chances de acidente vascular cerebral (derrame) em mulheres acima dos 60 anos que iniciaram a reposição dez anos depois da menopausa.
Quem apresenta algum fator de risco (histórico de câncer de mama e subtipos de câncer endometrial, doença coronariana ou mutação pró-trombótica) ou não quer fazer o tratamento pode utilizar terapias não hormonais para aliviar os sintomas.

Filme mostra um Japão distópico que encoraja a eutanásia dos idosos

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento
Chie Hayakawa, diretora de 'Plano 75', diz que seu país está cada vez mais intolerante com os cidadãos frágeis: velhos, deficientes e pessoas em situação de vulnerabilidade social Um programa governamental encoraja os cidadãos a partir dos 75 anos a se submeter à eutanásia. É dessa forma que a diretora Chie Hayakawa apresenta um Japão distópico no filme “Plan 75” (“Plano 75”). “Não se trata de algo tão impossível”, afirmou em entrevista ao jornal “The Guardian”. A obra, que já foi apresentada em mostras de cinema e recebeu um prêmio no Festival de Cannes em 2022, entrou em cartaz no Reino Unido, mas não tem data de estreia no Brasil.
Cena do filme “Plano 75”, da diretora Chie Hayakawa: idosos encorajados a se submeter a eutanásia
Divulgação
O Japão tem perto de 30% da população composta por idosos e é o país que envelhece mais rapidamente no mundo. A expectativa de vida dos 126 milhões de japoneses é de 85 anos, sendo que, para as mulheres, chega a 87.7 anos (a do homens está em 81). E também vem encolhendo: a taxa de natalidade é de 1.3 filho por casal, abaixo dos 2.1 necessários para manter a população estável. Na ficção, tal cenário leva a uma crise social e econômica que o governo pretende resolver através do extermínio consentido dos velhos.
Apesar de incensado como uma nação que respeita os idosos, a realidade não tem sido tão acolhedora. Recentemente, o primeiro-ministro, Fumio Kishida, afirmou que o envelhecimento da população representa um risco para a sociedade. No filme, os “candidatos” se preocupam em ser um fardo e recebem um bônus para pequenas auto-indulgências no fim da vida, antes de serem submetidos à eutanásia.
A diretora optou por um estilo de documentário: a trama começa com a notícia de um atirador que abriu fogo contra idosos numa instituição de longa de permanência. Na sua opinião, o Japão vem se tornando um país cada vez mais intolerante com seus cidadãos mais frágeis: os velhos, os deficientes, as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Ela diz que a “banalidade do mal”, expressão cunhada pela filósofa Hannah Arendt para descrever a política de extermínio nazista, foi uma de suas inspirações: “a burocracia se encarrega de desumanizar tudo”.
Cartaz do filme
Reprodução

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento

Quem eu seria sem esse pensamento: autoconsciência para acabar com o sofrimento
Aos 80 anos, Byron Katie continua atuando para divulgar “O trabalho”, método que criou na década de 1980 Na edição 2023 do Wisdom 2.0, realizada no fim de abril, tive o prazer de conhecer a figura ao mesmo tempo frágil e poderosa de Byron Katie. Aos 80 anos, ela continua na ativa para ensinar seu método, conhecido como “O trabalho” (“The work”), cujo objetivo é grandioso: acabar com o sofrimento através da meditação e autoconsciência.
Byron Katie, autora do método, conhecido como “O trabalho”, cujo objetivo é acabar com o sofrimento através da meditação e autoconsciência
Reprodução
“Dê espaço para seus pensamentos, medite sobre suas crenças, sobre o que provoca seu sofrimento. Observe o que o ego oferece, deixe passado e presente flutuarem, irem e virem, como um pêndulo. E questione: será realmente verdadeiro o que me perturba ou foi algo que ‘colou’ na minha mente?”, indagou para a plateia.
Uma pergunta serve de guia para seu método, que já foi objeto de estudos científicos que comprovaram o aumento do bem-estar das pessoas que o adotaram: “quem eu seria sem esse pensamento?”. Assim funciona o processo de desconstrução do sofrimento, que vem atraindo adeptos há décadas. Katie conseguiu vencer uma depressão severa, que a impedia de sair do quarto. Numa manhã de 1986, teve o que descreve como um entendimento que mudou sua vida: “acordei num estado de alegria que perdura até hoje”.
Autora de inúmeros best-sellers, apresentou “O trabalho” em seu livro “Ame a realidade”. No evento, conduziu uma rápida sessão com Soren Gordhamer, criador do Wisdom.2, que contou que era ridicularizado quando criança porque a família não ia à igreja. Os outros meninos diziam que ele iria para o inferno e, além de vergonha, passou anos achando que não tinha valor.
“Visite a causa do sofrimento até ele não ser mais capaz de provocar dor. Pense em quem se transformou, em tudo que construiu, como aqueles garotos não têm qualquer poder sobre você”, ensinou.
Quem quiser, pode baixar aqui o PDF com as perguntas do método, que servem como ponto de partida para enxergar os problemas. O roteiro inclui ainda “inversões” que questionam as crenças arraigadas. Para ajudar a entender o processo, imaginemos a situação “Fulano não me compreende”. As perguntas:
Isso é verdade?
Você pode saber com absoluta certeza que isso é verdade?
O que acontece, como você reage, quando acredita nesse pensamento?
Quem você seria sem esse pensamento?
O passo seguinte é fazer a inversão do conceito que pretende questionar e encontrar três exemplos para cada uma dessas inversões. Elas serão a oportunidade de vivenciar o oposto da declaração original. Para a situação “Fulano não deveria gritar comigo”, algumas inversões possíveis seriam: “Fulano deveria gritar comigo”; “Eu não deveria gritar com Fulano”; “Eu não deveria gritar comigo”. Muitas reflexões surgem daí: na minha cabeça, não paro de repetir os gritos dele? Quem está fazendo mais mal a mim mesma: Fulano, que gritou, ou eu, repetindo isso na minha mente à exaustão? Afinal, por que nos apegamos a algo que pode não ser verdade ou não significa mais nada para nós?