Ministra dos Povos Indígenas defende que AGU se posicione contra a redução do Parque Nacional do Jamanxim

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação
Em ofício enviado à Advocacia Geral da União, Sônia Guajajara argumentou que a alteração nos limites do parque não poderia ter sido feita por Medida Provisória. Nos governos Temer e Bolsonaro, AGU foi favorável à redução dos limites para permitir a passagem da Ferrogrão. A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, durante audiência no Senado
Edilson Rodrigues/Agência Senado
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, defendeu que a Advocacia Geral da União (AGU) mude seu entendimento e passe a ser contra a redução da área do Parque Nacional do Jamanxim, uma unidade de conservação no Pará.
A redução foi feita via Medida Provisória no governo de Michel Temer (MDB) para permitir a passagem da Ferrogrão, ferrovia que vai ligar o Mato Grosso ao norte do Pará.
Nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, a AGU foi favorável à redução dos limites do parque.
Em ofício enviado à AGU, o Ministério dos Povos Indígenas argumenta que a redução da área do Parque Nacional do Jamanxim, fere a Constituição por ter sido feito via MP, e defende a necessidade consulta prévia aos povos indígenas.
Questionada pelo g1, a AGU afirma que o pedido de revisão do entendimento feito pela ministra Guajajara está sob análise.
O parque do Jamanxim é habitado por diversas comunidades indígenas, entre elas Munduruku, Kayapó e Apiaká.
"A redução do parque sem consulta prévia aos povos indígenas fere não apenas o direito à consulta, mas também o direito à parcipação na tomada de decisões que afetam diretamente suas vidas e seus territórios", afirma a ministra Guajajara no documento enviado à AGU.
O governo Temer aprovou a Medida Provisória 758/2016, que diminuiu a área do parque nacional em 35% na comparação com a área original (cerca de 480 mil hectares) para a exploração mineral e para a a passagem da Ferrogrão, cujo traçado corre paralelo ao da BR-163 e é uma demanda do agronegócio brasileiro. A medida foi transformada em lei em 2017.
O andamento do projeto ferroviário, no entanto, foi paralisado em 2021 por uma decisão do Ministro Alexandre de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sobre o caso.
O PSOL, autor da ação, argumenta que a lei que reduziu os limites do parque é inconstitucional por ter sido feita por meio de Medida Provisória — e não por projeto de lei, como determina a Constituição.
Na ação, a AGU, ainda sob governo Bolsonaro, se mostrou favorável à redução da área com o entendimento de que a medida terá saldo ambiental positivo e que tramitação de projetos de lei e de Medida Provisória não possuem diferenças relevantes.
O Ministério dos Povos Indígenas apontou a necessidade de mudança no posicionamento do órgão, "uma vez que o cenário é outro e a efetividade em proteção aos povos indígenas é umas das pautas primordiais do atual governo".
O STF agendou para o dia 31 de maio o julgamento da ação.

Manguezais, corais e terras indígenas: conheça litoral no centro da discussão sobre a exploração de petróleo pela Petrobras no Rio Amazonas

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação
Biodiversidade existente na região onde acontece o encontro das águas do Rio Amazonas com o Oceano Atlântico na costa do Amapá, no extremo norte do Brasil. Biodiversidade costeira que pode ser impactada pela exploração de petróleo no Amapá
Parque Nacional do Cabo Orange/Divulgação
Com recifes de corais ainda pouco estudados e com o maior cinturão de manguezais do mundo – que se estende pela costa da Amazônia e representa 80% da cobertura do país –, a bacia da foz do Rio Amazonas é considerada uma região de grande relevância biológica.
Esta biodiversidade está no centro das discussões sobre a exploração de petróleo no extremo norte do Brasil, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas.
Infográfico mostra o local em que a Petrobras quer explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas
Editoria da Arte/g1
Na quarta-feira (17), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou licença para a Petrobras iniciar a exploração petrolífera na região.
O órgão informou que o plano da Petrobras para a área não apresenta garantias para atendimentos à fauna em possíveis acidentes com o derramamento de óleo, e que viu lacunas na previsão de impactos da atividade em três terras indígenas em Oiapoque.
A Petrobras declarou que atendeu a todos os requisitos do Ibama no processo de licenciamento e que a área em que pretende perfurar o poço está a 175 km costa do Amapá e a mais de 500 km da foz do Rio Amazonas.
O Ministério de Minas e Energia declarou que recebeu a decisão do Ibama com naturalidade e respeito, e que o poço, de pesquisa, serviria para reconhecimento do subsolo e das potencialidades da região.
Na primeira manifestação sobre o assunto, Lula (PT) disse nesta segunda-feira (22) achar difícil haver algum problema para a Amazônia, mas que ainda avaliaria o caso.
"Se explorar esse petróleo tiver problemas para a Amazônia, certamente não será explorado. Mas eu acho difícil, porque é 530 km de distância da Amazônia. Mas eu só posso saber quando eu chegar lá [no Brasil]", declarou o presidente pouco antes de deixar o Japão, onde estava para a participar da cúpula do G7 .
Lula se manifesta sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas
O g1 reuniu informações sobre a fauna, a flora e a presença de povos originários neste espaço que possui tesouros naturais ainda pouco estudados. Leia abaixo.
Compartilhe no Telegram
Compartilhe no WhatsApp
Corais da Amazônia
Corais da Amazônia
Greenpeace/Divulgação
Em 2016, recifes de corais foram descobertos na costa do Amapá em meio ao anúncio de exploração de petróleo na região. Os “corais da Amazônia”, de acordo com a organização não-governamental (ONG) internacional Greenpeace, são formações únicas e seriam diretamente ameaçadas pela atividade petrolífera.
Os corais foram citados pela primeira vez em maio de 2016 por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que explorou a costa Leste do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa.
De acordo com a pesquisa, os recifes são formados por corais, esponjas e rodolitos (algas calcárias).
Diante do estudo, os pesquisadores fizeram em janeiro de 2017 a primeira expedição que, ao longo de 16 dias, mapeou e identificou as novas descobertas.
Veja abaixo algumas imagens capturadas que revelam um ecossistema rico em texturas, cores e formatos, que sobrevive em águas profundas e com pouca luminosidade.
O ecossistema ainda pouco conhecido fica a 100 quilômetros do litoral, próximo ao encontro das águas do Rio Amazonas e do Oceano Atlântico. Ele desperta grande curiosidade sobre como acontece a adaptação da vida marítima na mistura de água doce e salgada.
Inicialmente, foi estimado que os recifes teriam pelo menos 9.500 quilômetros quadrados, mas após a expedição, os cientistas estimam que eles podem ter até 56 mil quilômetros quadrados, em uma área que vai da Guiana Francesa, passa pelo Amapá e Pará e chega ao Maranhão.
Imagem submersa dos Corais da Amazônia
Greenpeace/Divulgação
Para o Greenpeace, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados próximos ao bloco a ser explorado na bacia da foz do Amazonas.
"O Greenpeace apoiou expedições científicas em 2017 e 2018, que já indicavam a inviabilidade ambiental para essa exploração. Inclusive, esse termo é usado no parecer do Ibama, que respeita o princípio da precaução, de se evitar qualquer intervenção o meio ambiente sem as garantias de que não vai ter impacto", disse Marcelo Laterman, porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil.
Em 2018, uma petrolífera francesa que tentava explorar a mesma área teve a licença negada pelo Ibama.
Imagem submersa dos Corais da Amazônia
Greenpeace/Divulgação
Também em 2018, um projeto de lei para tornar os corais da Amazônia uma área de preservação permanente começou a tramitar na Câmara dos Deputados, mas a proposta foi rejeitada em dezembro de 2021 pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara.
Em meio à discussão sobre a possível liberação da exploração de petróleo na área próximas aos corais, ONGs, universidades e moradores da região temem as consequências de impactos ambientais ao ecossistema.
Manguezais da Amazônia
Área de mangue no Cabo Orange, no Amapá
ICMBio/Divulgação
Distribuídos pelos estados do Amapá, Pará e Maranhão, os manguezais da Amazônia correspondem a mais de 80% dos manguezais do Brasil e possui o maior cinturão ininterrupto do mundo.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Amapá é o terceiro maior estado do Brasil com uma área de 226 mil hectares de mangues, atrás do Pará (aproximadamente 390 mil hectares) e do Maranhão (505 mil hectares). O dado, segundo o instituto, consolida a importância da costa norte para a conservação da vegetação.
O mangue é um ambiente de transição entre o mar e o continente, entre a água salgada e a doce, entre os biomas terrestre e marinho, nas regiões tropicais e subtropicais.
Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO), no Amapá
Marcus Cunha/ICMBio
Na Amazônia, o ecossistema gera verdadeiras florestas com árvores de grande porte. O solo se forma a partir de uma grande quantidade de matéria orgânica em decomposição que serve de alimento e habitat para diversas espécies de crustáceos e peixes.
No Amapá, ocorre entre o Oceano Atlântico e o Rio Amazonas, onde existem as áreas de várzea, protegidas pelos manguezais.
“Ele surge com o objetivo de proteger o próprio continente de impactos possíveis, como de um tsunami, por exemplo, ou de grandes ondas. Ele também é um berçário de espécies aquáticas, onde peixes, crustáceos e camarões usam para reprodução. O mesmo peixe que a gente consome no mercado, é o mesmo peixe que um dia viveu no mangue”, destacou Paulo Silvestro, analista ambiental do ICMBio.
A maior parte dos mangues amapaenses está localizada no Parque Nacional do Cabo Orange.
Parque Nacional do Cabo Orange
Ponta do Mosquito no Cabo Orange, no Amapá
Divulgação/ICMBIo
Com uma área de aproximadamente 657.318 mil hectares, o Parque Nacional do Cabo Orange está localizado nos municípios de Calçoene e Oiapoque, no Norte do Amapá, região também conhecida como Litoral Equatorial Amazônico.
As espécies florestais mais comuns na região são as árvores mangue-branco, mangue-vermelho e o negro.
O local abriga vários animais que estão ameaçados de extinção, entre eles gato-do-mato, cuxiú-preto, tartaruga-verde, tamanduá-bandeira, onça-pintada, peixe-boi marinho e peixe-boi-da-Amazônia.
Peixe-boi ameaçado de extinção volta à natureza após seis anos de resgate
Divulgação/Ibama
Um protagonista desta região é o peixe-boi chamado "Victor Maracá". Ele foi resgatado e após viver por seis anos em uma piscina foi devolvido à natureza num rio na Aldeia do Manga, em Oiapoque.
Peixe-boi ameaçado de extinção volta à natureza, em aldeia no AP
Segundo o ICMBio, uma das visões que mais impressiona os visitantes é a grande concentração de aves, que utilizam a área para construção de ninhos nos mangues.
Aves migratórias no Cabo Orange
ICMBio/Divulgação
De acordo com o biólogo analista do ICMBio, o Amapá recebe anualmente algumas espécies de aves que fogem do inverno de países como o Canadá e os Estados Unidos e que passam o verão nesse ponto específico no Norte do Brasil.
“Tem animais que viajam milhares de quilômetros do Canadá e do Alasca (EUA) e vêm pra cá. O maçarico-rasteirinho, maçarico-de-perna-amarela. Do grande e do pequeno, vêm ficar aqui durante o inverno de lá, que tem muita neve e não tem comida", comentou Silvestro.
Caranguejos-uçá
ICMBio/Divulgação
Outros protagonistas dessa área são os caranguejos-uça, crustáceos predominantes na região. A espécie se alimenta de folhas em decomposição, sementes e frutos de mangue.
A carne do caranguejo-uça é bastante apreciada na culinária, por isso é definido anualmente o período de defeso durante a época reprodutiva da espécie.
Conhecida como "andada", essa fase acontece no início do ano, quando os caranguejos saem das tocas e andam aos montes pelos manguezais, em busca de acasalamento e para a liberação de ovos.
Caranguejos-uça na "andada"
CPRH
Esta área que compõe o Parque Nacional do Cabo Orange é apenas um recorte da rica biodiversidade existente na costa do Amapá.
Outras duas unidades de conservação litorâneas também guardam as riquezas do extremo norte do Brasil: a Reserva Biológica do Lago Piratuba e a Estação Ecológica Maracá-Jipioca, que abriga a “Ilha das Onças-Pintadas”, uma das regiões mais remotas do estado com acesso pelo município de Amapá.
‘Ilha das Onças-Pintadas’: região remota na Amazônia ajuda na conservação da espécie
Onça fotografada na Estação Ecológica Maracá-Jipioca, na chamada 'Ilha das Onças-Pintadas', no Amapá
Girlan Dias/ICMbio
Terras indígenas
Crianças e adultos participam da soltura de tracajás nas terras indígenas de Oiapoque
Marcelo Domingues/Instituto Iepé
Povos Indígenas temem a exploração de petróleo na costa do Amapá por acreditarem que a atividade deve provocar impactos ambientais em pelo menos quatro etnias que ficam ao norte do estado.
Renata Lod, vice coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), detalhou que os povos Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali' na e Palikur-Arukwayene vivem em 3 Terras Indígenas demarcadas e homologadas (TI Uaçá, TI Jumina e TI Galibi).
Comunidade indígena Açaizal
CCPIO/Divulgação
Ao todo, são cerca de 13 mil indígenas vivendo em 56 comunidades dentro de uma área contínua de 518.454 hectares, organizada em 5 regiões: BR-156, Rio Oiapoque, Rio Uaçá, Rio Urukawá e Rio Curipi.
A vice coordenadora disse que as comunidades receberam com satisfação o resultado do parecer do ibama.
"Ele apenas afirma aquilo que a gente vem tentando dialogar com a Petrobras todo esse tempo porque nós estamos tentando um diálogo para que o nosso protocolo de consulta seja respeitado, mas também para que a gente mostre os danos que isso pode trazer. Nós estamos vivendo as questões das mudanças climáticas e nós povos indígenas estamos vivendo na pele toda essa situação", disse.
Terras indígenas podem ser afetadas por exploração na costa do Amapá
Maksuel Martins/Secom
Outra preocupação é a movimentação de aeronaves na região. Segundo Lod, o barulho pode causar transtornos nas aldeias, que não estão acostumadas com sobrevoos.
Adaptações no aeródromo de Oiapoque para auxílio na exploração petrolífera
"A questão das aeronaves que passavam quase que diariamente em cima das nossas aldeias trazendo consequências tanto para as nossas crianças que se assustavam, quanto para a caça. Isso assustava as caças, tanto pássaros, quanto animais terrestres […] os nossos territórios vai sendo impactados com isso", completou.
VEJA TAMBÉM:
Perfuração marítima na foz do rio Amazonas pode afetar comunidades quilombolas e ribeirinhas no Pará
Ministro de Minas e Energia pede para Petrobras não retirar sondas da bacia da foz do Amazonas
Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Candiru: conheça mitos e verdades por trás do ‘peixe-vampiro’ que penetra orifícios do corpo humano

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação
Popularmente, existe a teoria de que o candiru é atraído pelo odor da urina, mas pesquisador explica que não há comprovação científica para essa teoria. Montagem candiru
João Cordeiro / Instagram
O candiru, conhecido como “peixe-vampiro”, é temido por banhistas da Amazônia pela sua capacidade de entrar em orifícios do corpo humano, como o pênis. Mas sabia que não são todos os candirus que possuem esse comportamento? E o que atrai esse animal até o corpo humano?
O g1 conversou com o pesquisador e especialista em diversidade e biogeografia de peixes de água doce, Fernando Dagosta, que explicou um pouco sobre o comportamentos desses animais.
Um entre tantos
Primeiro é importante entender que existem várias espécies de candirus: alguns deles são “carniceiros” (se alimentam da carne de outros peixes) e os outros são apenas hematófagos (se contentam apenas com o sangue).
“Os candirus verdadeiros [hematófogos] não são animais que têm preferência por alguma espécie específica. Então o candiru ataca praticamente quase todo tipo de peixe que tenha sangue o suficiente pra ele conseguir se nutrir”, explica Fernando.
Candiru alimentado de sangue – Paracanthopoma parva
Fernando Dagosta
E complementa: “os candirus hematofágos funcionam, ecologicamente, como se fossem pernilongos: se alimentam do sangue do hospedeiro e vão embora. O pernilongo não fica grudado na gente todo tempo; ele vem, pica e vai embora. É a mesma coisa que o candiru faz no peixe”.
Pelo comportamento de se alimentar de outros animais, o candiru é considerado um parasita. Na pesca, sobretudo nos rios da Amazônia, não é incomum que se pesque um peixe e ele venha com um candiru de brinde grudado nas brânquias do hospedeiro.
Entenda como o candiru, o 'peixe-vampiro', pode causar lesões graves em banhistas
O candiru se atrai pela urina?
Depois de ter conhecimento das diferentes espécies de candirus, é importante entender que somente os hematófagos têm o comportamento de entrar nos canais da uretra de humanos. Mas o que atrai esse peixe até lá?
Popularmente, existe a teoria de que o candiru é atraído pelo odor da urina. No entanto, segundo Dagosta, não existe comprovação científica de que isso realmente aconteça.
Em uma pesquisa feita em 2001, pesquisadores brasileiros e norte-americanos da Universidade de Connecticut (The University of Connecticut at Avery Point, em inglês) e do Instituto Nacional de Pesquisas de Amazônia fizeram um estudo para analisar o comportamento do candiru hematófago. O artigo foi publicado no jornal acadêmico Biologia Ambiental de Peixes (Environmental Biology of Fishes, em inglês).
LEIA TAMBÉM:
Conheça o peixe transparente do rio Madeira que tem a bexiga no formato da letra grega Pi; vídeo
Quem é o temido 'peixe vampiro' e por que ele ameaça banhistas de rios da Amazônia
Bico de furar bambu, ninhos nunca vistos: conheça a ave rara e exclusiva da Amazônia ameaçada de extinção
“Em um ambiente controlado, que era um aquário, eles colocaram os candirus e observaram as respostas de acordo com substâncias que eles colocavam nesse aquário. Então eles colocaram, por exemplo, amônia, aminoácidos, muco de peixe, urina humana… em nenhum dos casos eles obtiveram respostas significativas de forma estatística que possam indicar que o candiru se atraia por alguma dessas coisas”, explica Dagosta.
No entanto, o pesquisador esclarece que a pesquisa foi feita em ambiente controlado e o comportamento do candiru nos rios pode se diferenciar do que foi observado.
“Então o candiru é atraído por urina? Cientificamente não existe evidência de que isso aconteça. Por outro lado, a gente sabe que pelas brânquias dos peixes, eles eliminam amônia, que é um composto que tem nitrogênio em sua forma. Os candirus verdadeiros precisam entrar nas brânquias dos peixes para chupar o sangue. É possível que eles utilizem a amônia como um indicador de onde estão as brânquias. Então se uma pessoa está fazendo xixi – e os seres humanos não excretam amônia, mas excretam ureia, que também tem o nitrogênio em sua forma – então existe a possibilidade de que o candiru entre na uretra por confundirem o cheiro da amônia com o da ureia. Isso é só uma suposição, porque cientificamente não foi comprovado”.
Visão espetacular
Paracanthopoma truculenta, espécie de candiru
Estudo de Fernando Cesar Paiva Dagosta e Mário de Pinna/Reprodução
De acordo com Dagosta e a pesquisa feita na Universidade pública em Groton, uma característica cientificamente comprovado sobre o candirus é que eles possuem uma visão muito boa. Isso também pode ser uma explicação de como eles enxergam humanos como “vítimas”.
“Os pesquisadores descobriram que o candiru responde visualmente aos estímulos no sentido de que quando eles colocavam um peixinho dentro do aquário com os candirus verdadeiros, os candirus eles olhavam esse peixinho e iam em direção a ele: o que significa que os candirus enxergam muito bem. Então tá confirmado cientificamente que os candirus são atraídos visualmente por objetos. Então se uma pessoa entrou na água, os candirus podem ser atraídos por ter um corpo grande perto deles e eles vão até as pessoas”, teoriza Fernando.

Organizações indígenas se manifestam contra a exploração de petróleo pela Petrobras na Bacia da Foz do Rio Amazonas

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação
Declaração foi divulgada em um documento que destacou o impacto nas terras indígenas e as mudanças climáticas globais em função da exploração petrolífera. Dança do Turé na aldeia Manga, etnia Karipuna, em Oiapoque
Mário Vilela/Funai
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) se manifestaram contra a exploração de petróleo pela Petrobras na bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá, extremo norte do Brasil.
A declaração foi divulgada em um documento que destacou o impacto socioambiental nas terras indígenas e as mudanças climáticas globais em função da exploração petrolífera.
Manguezais, corais e terras indígenas: conheça a foz do Amazonas alvo da disputa
As organizações disseram que este tipo de empreendimento não converge com o discurso de valorização da região amazônica e fizeram críticas aos apoiadores.
"Para nós, é impossível que um governo se comprometa em ter uma política ambiental que combate as mudanças climáticas e, ainda assim, se posiciona a favor do licenciamento de projetos que terão impacto socioambiental e aumento do uso de combustíveis fósseis, um dos maiores gargalos para barrar a crise climática", escreveram.
Em 14 de maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou licença para a Petrobras iniciar a exploração petrolífera na bacia da Foz do Rio Amazonas.
O órgão informou que o plano da Petrobras para a área não apresenta garantias para atendimentos à fauna em possíveis acidentes com o derramamento de óleo, e que viu lacunas na previsão de impactos da atividade em três terras indígenas em Oiapoque.
Infográfico mostra o local em que a Petrobras quer explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas
Editoria da Arte/g1
A Petrobras declarou que atendeu a todos os requisitos do Ibama no processo de licenciamento e que a área em que pretende perfurar o poço está a 175 km costa do Amapá e a mais de 500 km da foz do Rio Amazonas.
O Ministério de Minas e Energia declarou que recebeu a decisão do Ibama com naturalidade e respeito, e que o poço, de pesquisa, serviria para reconhecimento do subsolo e das potencialidades da região.
Na primeira manifestação sobre o assunto, Lula (PT) disse nesta segunda-feira (22) achar difícil haver algum problema para a Amazônia, mas que ainda avaliaria o caso.
Aldeia Manga, Amapá, Oiapoque
Ibge/Divulgação
O texto, que também carrega a logo da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), descreve que "não há lógica em possuir um discurso de sustentabilidade e desejar 'explorar' recursos em detrimento da vida de toda a humanidade".
As organizações citam também que apenas a preservação das florestas em pé não deve ser suficiente para impedir que o planeta ultrapasse o aumento de 1,5º, considerado o “limite seguro” das mudanças climáticas.
Terras indígenas localizadas no extremo norte do Amapá
Crianças e adultos participam da soltura de tracajás nas terras indígenas de Oiapoque
Marcelo Domingues/Instituto Iepé
De acordo com Renata Lod, vice coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), 4 povos vivem no litoral do estado: Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali' na e Palikur-Arukwayene.
Ao todo, são cerca de 13 mil indígenas vivendo em 3 Terras demarcadas e homologadas (TI Uaçá, TI Jumina e TI Galibi).
As TIs são compostas por 56 comunidades dentro de uma área contínua de 518.454 hectares, organizada em 5 regiões: BR-156, Rio Oiapoque, Rio Uaçá, Rio Urukawá e Rio Curipi.
Terras indígenas podem ser afetadas por exploração na costa do Amapá
Maksuel Martins/Secom
Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação

Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação
Eventos acontecem a partir da quinta (1º) e seguem até o dia 7 de junho em vários locais da ilha. Imagem de arquivo mostra o meio ambiente em Fernando de Noronha
Admistração de Fernando de Noronha/Divulgação

Fernando de Noronha comemora a Semana do Meio Ambiente com uma programação gratuita que começa na quinta-feira (1º) e segue até o dia 7 de junho. São realizadas expedições, gincanas, trilhas e debates. Segundo os organizadores, o objetivo do evento é colocar o tema da conservação em pauta.
📱Compartilhe no WhatsApp
A abertura da programação acontece às 17h no Forte Nossa Senhora dos Remédios. Participam a administradora da ilha, Thallyta Figuerôa; a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Fernando de Noronha, Ana Luiza Ferreira; e a chefe do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Carla Guaitanele.
Programação
Sexta-feira (2):
🛬 Às 8h: O Aeroporto Carlos Wilson recebe uma ação de divulgação do programa Plástico Zero. O programa, criado em 2019, determina a redução do uso de descartáveis e plásticos na ilha. Os turistas vão receber informações do trabalho em Noronha para reduzir a geração de resíduos.
🐬Às 17h: O painel interativo “Conservação oceânica: o desafio perante o aumento do lixo marinho” é realizado no Forte dos Remédios. O encontro conta com a participação do oceanógrafo do Projeto Golfinho Rotador, José Martins.
Sábado (3):
🌳 Das 8h às 11h: A Gincana Ambiental ocorre na Praia da Conceição, com atividades ambientais para crianças.
🐢 Das 16h às 18h: Uma roda de conversa acontece na Praça Tamar, com contos de temas ecológicos.
Domingo (4):
🏝️ Das 8h às 12h: Expedição à Ilha Rata, a segunda maior do arquipélago, que faz parte do Parque Nacional Marinho e só pode receber visitação com autorização especial do ICMBio.
5 de junho:
☕ A partir das 6h: No Dia Mundial do Meio Ambiente, as atividades começam com ioga e café da manhã, no Mirante do Boldró. Temas ambientais são abordados com os alunos da Escola Arquipélago, durante o dia de aula.
🌊 A partir das 18h: Comemoração dos 37 anos da Área de Proteção Ambiental, também no Mirante do Boldró.
6 de junho:
🦈 A partir das 17h: O painel "Desafio na conservação da biodiversidade marinha: dos tubarões ao peixe-leão" é realizado no Forte dos Remédios, com a participação de especialistas como Rhiel Venuto, representante do ICMBio.
7 de junho:
🌤️ Às 17h: O Forte dos Remédios recebe o painel "Necessidade da resiliência e adaptação às mudanças do clima", com a participação de Dalla Bell, representante da Secretaria de Meio Ambiente.
A programação é realizada em parceria pela Administração da Ilha, pelo ICMBio, pela Secretaria do Meio Ambiente, pelo Forte Noronha, pela Escola de Surfe Alma Solar, pelo Projeto Golfinho Rotador, pela Escola Arquipélago e pelo Projeto Tamar.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias