Escadaria e faixa de areia da praia do Sancho são interditadas para manutenção geológica em Noronha

Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza
Segundo ICMBio, trabalho vai ser executado na quarta (15). Visitação pode ser feita por barco. Praia do Sancho faz parte do Parque Nacional Marinho
Ana Clara Marinho/TV Globo
A escadaria e a faixa de areia da praia do Sancho vão ser interditadas, em Fernando de Noronha, na quarta (15) por causa de uma manutenção geológica preventiva. Por isso, os turistas e os moradores terão a opção de visitar o Sancho de barco.
A informação foi divulgada nesta terça (14), pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).
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Em fevereiro, a área do Sancho foi eleita a ‘melhor praia do mundo’ pela sexta vez pelos site especializado em viagens TripAdvisor. Ela faz parte do Parque Nacional Marinho.
Segundo informações da Assessoria de Comunicação do ICMBio, o trabalho de manutenção e a interdição ocorrem apenas na quarta.
Na quinta-feira (9), os geólogos iniciaram a manutenção preventiva em outros três atrativos do parque, Abreu, Pontinha-Caieira, e Capim-Açu. Os serviços não interferiram no funcionamento dos atrativos.
Manuteção gerológica é feita nos atratativos no parque
ICMBio Noronha/Divulgação
Os trabalhos preventivos começam no ano passado, quando um estudo geológico elaborado por especialistas mapeou os pontos que recebem visitação.
O estudo indicou a necessidade de limpeza regular das rochas e fragmentos que possam aumentar o risco de acidentes nas trilhas.
A análise, realizada em maio de 2022, na escadaria e na trilha da Praia do Sancho e da Baía dos Porcos indicou que existia um "risco alto" de desmoronamento.
Um dos responsáveis pelo estudo foi o geólogo Fábio Reis, que também é engenheiro civil e trabalhou na análise da área de Furnas, em Capitólio (MG), onde o desabamento de pedras em um cânion deixou dez mortos.
Os especialistas indicaram ações preventivas nas praias, que fazem parte do Parque Nacional Marinho.
O Instituto Chico Mendes informou que, ao longo dos últimos dez meses, foram feitas melhorias de redução do risco geológico, como a adoção do uso de capacete para acesso à trilha da Baía dos Porcos.
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Biodiversidade vertical: pesquisadores fazem descobertas sobre insetos que habitam copa das árvores na Amazônia

Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza
No Dia Internacional das Florestas, uma pesquisa chama atenção para a biodiversidade desconhecida dessas minúsculas criaturas que vivem bem acima do solo. Maioria das espécies e até alguns gêneros nunca foram descritos na ciência. Amostras de insetos coletadas pelos pesquisadores do INPA
Reprodução/INPA
Pequenos e muitas vezes imperceptíveis ao olhar humano, os insetos cumprem papel fundamental para os ecossistemas. O grupo mais biodiverso da natureza está na base da alimentação de outros animais, inclusive do homem.
Em alusão ao Dia Internacional das Florestas, celebrado nesta terça-feira (21), a Rede Amazônica destaca uma pesquisa que indica um longo caminho de descobertas a ser trilhado quando o assunto é a biodiversidade dos invertebrados que vivem no topo das árvores da floresta. Seres que cumprem funções imprescindíveis na natureza.
"Se eu explodisse uma bomba na Amazônia e essa bomba fosse capaz de matar só os insetos, estaria comprometendo a sobrevivência das demais espécies, inclusive a humana. Não teria mais o polinizador, por exemplo, para a castanheira, para a andiroba, para as fruteiras e, com isso, não teria também alimento para os peixes", exemplificou o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), José Albertino.
Amostras de insetos coletadas pelos pesquisadores do INPA
Reprodução/INPA
São mais frequentes pesquisas de campo sobre insetos serem realizadas próximas do solo ou em baixas altitudes. Porém, um grupo de cientistas resolveu fazer o mesmo experimento na copa das árvores no meio da Amazônia. Segundo o autor do trabalho, o entomólogo Dalton de Souza Amorim, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da Universidade de São Paulo (USP), o resultado chamou a atenção até dos pesquisadores.
"A fauna de insetos de copa é igual a fauna de insetos no solo? Ou seja, se eu coletar no solo, estou pegando o que tem lá em cima também? E a resposta é não. 61% das espécies nunca apareceram na amostra do solo. O que o projeto mostra é a complexidade, não só em números impressionantes, como a complexidade da fauna e da flora", disse Dalton.
Para a coleta das amostras, o grupo instalou cinco armadilhas de interceptação de voo no mesmo eixo vertical na Estação Experimental de Silvicultura Tropical, do Inpa– uma torre de mais de 50 metros de altura em uma região de floresta delimitada para estudos científicos próxima de Manaus. A mais alta estava localizada a 32 metros do chão. A cada duas semanas as amostras eram retiradas das redes.
Amostras de insetos coletadas pelos pesquisadores do INPA
Reprodução/INPA
O processo inteiro durou pouco mais de um ano, e 38 mil exemplares de insetos foram contabilizados pelos pesquisadores só na primeira coleta. O mais surpreendente é que cerca de 90% das espécies coletadas ainda não são descritas pela ciência.
"Vamos coletar de novo durante 14 meses e pegaremos várias amostras e sequenciaremos todos os resultados. Deve dar 300 mil insetos sequenciados e envolver mais de 400 pesquisadores", explicou Dalton de Souza.
O objetivo dos pesquisadores nessa nova etapa é responder perguntas, como quantas espécies de insetos vivem em um único local da floresta e qual a porcentagem de espécies de cada ordem de insetos existe em uma fauna de floresta tropical.
Carência de incentivo à pesquisas
Amostras de insetos coletadas pelos pesquisadores do INPA
Reprodução/INPA
Conforme o pesquisador do Inpa José Albertino, descobrir cada vez mais sobre a distribuição vertical dos insetos "vai possibilitar que se faça uma análise da real biodiversidade que existe na Amazônia".
Já segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, trabalhos como esse ilustram o quanto ainda se desconhece sobre a biodiversidade do bioma. E para que haja mais descobertas semelhantes, alerta para a necessidade de incentivo a novos trabalhos.
"Precisamos de fomento às pesquisas. Atualmente vemos que as árvores, que são organismos que não se movimentam e são grandes, temos descobertas de novas espécies até em regiões bastante estudadas", concluiu.
Amostras de insetos coletadas pelos pesquisadores do INPA
Reprodução/INPA

VÍDEO: filhote de ouriço que inspirou personagem ‘Sonic’ é resgatado de casa no Distrito Federal

Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza
Chamado de pigmeu africano ou hedgehog, animal não é nativo do Brasil. Batalhão Ambiental recebeu pedido para recolher um 'porco-espinho'; apesar das semelhanças, veterinária explica que espécies são totalmente diferentes. Filhote de espécie que inspirou o personagem 'Sonic' é resgatado no Distrito Federal
Um filhote de hedgehog – ou ouriço pigmeu africano –, mesma espécie que inspirou o famoso personagem Sonic, foi encontrado em uma casa no Setor Habitacional Vicente Pires, no Distrito Federal (veja vídeo acima). O animal foi resgatado pelo Batalhão de Policiamento Ambiental da PM, nesta terça-feira (4).
Segundo os militares, a moradora chamou os policiais informando que havia um "porco espinho" em sua residência.
"Apesar de semelhante, tratava-se de um hedgehog, espécie que tem fama mundial por causa do personagem de videogame Sonic", informou o batalhão ambiental.
Hedgehog, à esquerda, encontrado em residência no DF, e o personagem 'Sonic' à direita
Reprodução/Divulgação
O filhote, que não é nativo do Brasil, foi encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama, para acompanhamento veterinário. "Importante ressaltar que no Brasil comercializar, criar, reproduzir ou transferir essas espécies de animais silvestres/exóticos, é considerado uma pratica ilegal pelo Ibama", diz a PMDF.
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A espécie
O hedgehog é uma espécie africana. A única característica comum entre este animal e a espécie nativa do Brasil, o ouriço-cacheiro – chamado de porco-espinho –, é que são mamíferos com o corpo revestido de espinhos.
"São totalmente diferentes", explica Líria Queiroz Luz Hirano, médica veterinária especialista em animais silvestres.
"O nosso ouriço-cacheiro é um animal de porte médio e seus espinhos soltam com muita facilidade. E ele é um roedor. No caso dos hedgehogs, os espinhos não soltam com facilidade e não são roedores", diz a veterinária.
Já em relação aos hábitos, os hedgehogs são animais noturnos e solitários. "Só vão ter companhia geralmente em época reprodutiva", conta a especialista.
Além disso, é preciso ter autorização do Ibama para ter um hedgehog, que tem importação, reprodução, comercialização e posse ilegais no país.
Ao g1, o Ibama informou que o hedgehog encontrado em Vicente Pires chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-DF) e, por se tratar de uma espécie exótica, a soltura em habitat natural é proibida por lei. "Portanto, até o momento, não há uma destinação definida para o animal", disse o instituto.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Receptor acústico na Praia do Sueste vai monitorar tubarões em Fernando de Noronha

Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza
Equipamento pode identificar tubarões marcados pelos pesquisadores da UFRPE. Trabalho é aprovado pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Pesquisadores e profissionais do ICMBio colocaram o equipamento no Suste
Bruna Roveri/ICMBio
Os pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) instalaram um receptor acústico na Praia do Sueste, em Fernando de Noronha, para monitorar os tubarões na área. O equipamento tem a função de captar pulsos sonoros emitidos por transmissores acústicos que foram colocados em tubarões limão e tigre.
O trabalho tem a aprovação do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio). O Sueste é a praia onde ocorreram dois incidentes considerados mais graves que envolveram tubarões e banhistas.
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Em 2015, o turista Márcio de Castro foi atacado por um tubarão e perdeu um braço. Em janeiro de 2022, uma garota de oito anos foi mordida por um tubarão e perdeu uma perna.
A UFRPE tem realizado estudo em Noronha desde 2016, quando os tubarões passaram a ser marcados e receberam transmissores acústicos para monitoramento.
O trabalho é coordenada pelo pesquisador Paulo Oliveira e conta com a participação da pesquisadora Daniele Viana, que detalhou o uso do equipamento.
“Nós usamos um sistema de telemetria acústica, composto por transmissores colocados nos tubarões e receptores que detectam os sinais enviados pelos transmissores. Com esse sistema conseguimos identificar a localização do animal marcado num raio de 700 metros”, informou Daniele Viana.
Receptor acústico capta sinais de tubarões marcados
Rihel Venuto/ICMBio
O estudo conta com 13 receptores em pontos da ilha. Os pesquisadores afirmaram que dois receptores foram instalados anteriormente no Sueste, mas os equipamentos sumiram. Desde 2021 não havia informações desta área.
“Temos um intervalo grande sem dados do Sueste. Os dois últimos receptores colocados na área sumiram; foram retirados do local. Esses equipamentos estavam numa região baixa, visível. Possivelmente alguém foi lá e retirou esse material. Era uma área protegida, o equipamento não poderia ter sumido apenas por uma ação marinha”, declarou Daniele Viana.
O chefe do setor de pesquisa do ICMBio Noronha, Ricardo Araújo, afirmou que órgão vai fazer um acompanhamento rotineiro para evitar a perda do equipamento instalado no dia 29 de março no Sueste.
Praia fechada
A Praia do Sueste foi fechada para uso público desde o incidente registrado em 2022.
O ICMBio liberou o mergulho, a partir de março deste ano, mas a área voltou a ser fechada porque foram identificados riscos.
A pesquisadora Daniele Viana disse que a Praia do Sueste deveria permanecer fechada.
“Seria interessante para Fernando de Noronha manter uma área como o Sueste fechada. Não apenas para evitar incidentes com tubarões, mas para evitar poluição. Substâncias usadas nos filtros solares estão causados danos genômicos nos tubarões e outras espécies de Noronha. Manter a área fechada seria interessante ecologicamente falando. Torço que essa área permaneça fechada para sempre”, declarou a pesquisadora.
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Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza

Em declaração, Brasil e China veem necessidade de ‘ação urgente’ para conservação da natureza
Comunicado conjunto foi divulgado após encontro entre os presidentes Lula e Xi Jinping. Países também dizem reconhecer que a mudança climática é um dos principais desafios da atualidade. Lula e Xi Jiping assinam 15 acordos de parceria em Pequim
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Os governos do Brasil e da China emitiram nesta sexta-feira (14) uma declaração conjunta em que dizem reconhecer que a mudança climática é um dos "principais desafios" da atualidade e que veem necessidade de "ação urgente" para a conservação da natureza.
O documento foi divulgado após os encontros bilaterais entre representantes do Brasil e do país asiático – o principal deles entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping. O petista está na China desde o início da semana em visita oficial, acompanhado de uma numerosa comitiva.
"Os presidentes Lula e Xi reconheceram que a mudança climática representa um dos maiores desafios de nosso tempo e que o enfrentamento desta crise contribui para construir um futuro compartilhado de prosperidade equitativa e comum para a humanidade", diz trecho do comunicado conjunto.
"O Brasil e a China enfatizam a necessidade de combinar uma ação urgente para o clima com a conservação da natureza para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a erradicação da pobreza e da fome, sem deixar ninguém para trás", acrescenta a nota dos dois países.
Brasil e China estão entre os cinco países que mais emitiram gases do efeito estufa, segundo levantamento foi feito pelo think tank internacional Carbon Brief.
Dividida em 14 pontos, a declaração diz também que os dois países se comprometem a "ampliar, aprofundar e diversificar a cooperação bilateral sobre o clima".
Cobrança aos países desenvolvidos
China e Brasil dizem ainda que os países desenvolvidos têm "responsabilidade histórica" pela emissão de gases do efeito estufa e devem assumir um papel de liderança na ampliação de ações climáticas, como o financiamento de medidas relacionadas ao tema.
"Continuamos muito preocupados com que o financiamento climático fornecido pelos países desenvolvidos continue a ficar aquém do compromisso de US$ 100 bilhões por ano, como tem acontecido todos os anos desde que a meta foi estabelecida em 2009, mesmo quando o montante real necessário ultrapassava de longe esse compromisso", afirmam Brasil e China.
"Exortamos os países desenvolvidos a honrarem suas obrigações não cumpridas de financiamento climático e a se comprometerem com sua nova meta quantificada coletiva que vai muito além do limite de US$ 100 bilhões por ano", completam os países no comunicado.
O documento diz ainda que Brasil e China "pretendem se engajar" na colaboração à eliminação do desmatamento e da exploração de madeira ilegal.
'Ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China', diz Lula em reunião com presidente chinês
Íntegra
Leia a íntegra da declaração conjunta dos dois países:
1. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping reuniram-se em Pequim em 14 de abril de 2023. Durante sua conversa, os presidentes Lula e Xi reconheceram que a mudança climática representa um dos maiores desafios de nosso tempo e que o enfrentamento desta crise contribui para construir um futuro compartilhado de prosperidade equitativa e comum para a humanidade.
2. A comunidade científica internacional tem mostrado, de maneira inequívoca, que a atividade humana está mudando o sistema climático global e criando novos desafios para o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento. Os países desenvolvidos têm responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa e devem assumir a liderança na ampliação das ações climáticas, alcançando a neutralidade climática antes de 2050, fornecendo financiamento climático e respeitando o direito ao desenvolvimento e o espaço político dos países em desenvolvimento.
3. O Brasil e a China enfatizam a necessidade de combinar uma ação urgente para o clima com a conservação da natureza para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a erradicação da pobreza e da fome, sem deixar ninguém para trás.
4. Brasil e China comprometem-se a ampliar, aprofundar e diversificar a cooperação bilateral sobre o clima, bem como esforços conjuntos para uma melhor governança global no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), de acordo com a equidade e o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas e respectivas capacidades, à luz das diferentes circunstâncias nacionais, no contexto do desenvolvimento sustentável, do inalienável Direito ao Desenvolvimento e dos esforços para erradicar a pobreza e a fome.
5. Sob a égide da UNFCCC, o Acordo de Paris nos oferece um guia para coletivamente manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais e para perseguir esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Estamos determinados a fortalecer ainda mais o multilateralismo, inclusive com todos os nossos parceiros dentro do Grupo dos 77 e da China (G77+China), com vistas a um modelo de solidariedade climática que seja coletivo, que rejeite o unilateralismo e as barreiras comerciais verdes, e que esteja firmemente fundamentado em valores de solidariedade e cooperação em nossa comunidade internacional.
6. Saudamos a mensagem política central da COP27, em particular a necessidade de meios de implementação para os países em desenvolvimento, em momento em que o Acordo de Paris está sendo implementado em conformidade com a melhor ciência disponível e com base na equidade e no princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, e respectivas capacidades, à luz das diferentes circunstâncias nacionais.
7. Os países em desenvolvimento requerem apoio previsível e adequado dos países desenvolvidos, incluindo financiamento climático com escopo, escala e velocidade necessários e comensuráveis, bem como acesso à tecnologia e aos mercados para garantir e possibilitar seu desenvolvimento sustentável. Considerando que a implementação de uma transição justa para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima nos países em desenvolvimento custará trilhões de dólares, como apresentado no primeiro Relatório sobre a determinação das necessidades dos países em desenvolvimento relacionadas à implementação da UNFCCC e de seu Acordo de Paris, continuamos muito preocupados com que o financiamento climático fornecido pelos países desenvolvidos continue a ficar aquém do compromisso de US$ 100 bilhões por ano, como tem acontecido todos os anos desde que a meta foi estabelecida em 2009, mesmo quando o montante real necessário ultrapassava de longe esse compromisso. Exortamos os países desenvolvidos a honrarem suas obrigações não cumpridas de financiamento climático e a se comprometerem com sua nova meta quantificada coletiva que vai muito além do limite de US$ 100 bilhões por ano e fornecer um roteiro claro de duplicação do financiamento da adaptação. Tal provisão de meios de implementação para os países em desenvolvimento é a ambição climática que o mundo precisa para fortalecer a implementação da UNFCCC e de seu Acordo de Paris.
8. Estamos determinados a contribuir para uma COP28 bem sucedida com o foco na implementação, em Dubai, no final deste ano. Como principal mecanismo para promover a implementação e ambição em todos os aspectos do Acordo de Paris sob a UNFCCC, o Estoque Global deve ser eficaz na avaliação e identificação de lacunas de implementação no âmbito do regime climático, enquanto prospectivamente lança as bases para que os países desenvolvidos assumam a liderança na redução de emissões e preencham as lacunas pendentes nos meios de implementação para os países em desenvolvimento.
9. Os resultados do Estoque Global e do 6º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) (AR6) serão importantes para informar os países na apresentação de sua próxima rodada de contribuições determinadas nacionalmente (NDCs) ao Acordo de Paris em 2025, de forma determinada nacionalmente e levando em conta as diferentes circunstâncias nacionais, na COP30. A China apoia a candidatura brasileira para sediar a COP30, já que a cúpula de 2025 será fundamental para o próprio futuro da resposta global às mudanças climáticas.
10. Saudamos os esforços de cientistas brasileiros e chineses para participar ativamente da eleição do Escritório AR7 do IPCC e sua dedicação às avaliações científicas sobre a mudança climática global.
11. Congratulamo-nos e estamos determinados a continuar nossos respectivos e ambiciosos esforços e progresso climático em nossos países, e nos comprometemos a ampliar, aprofundar e diversificar nossa cooperação bilateral em questões climáticas, em áreas como transição para uma economia global sustentável e de baixo carbono; cidades inteligentes; infraestrutura verde; desenvolvimento de indústrias verdes; energias renováveis, incluindo acesso e apoio a comunidades isoladas; mobilidade elétrica; inovação, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias verdes; e finanças e investimentos verdes. Pretendemos nos engajar de forma colaborativa no apoio à eliminação do desmatamento e da exploração madeireira ilegal global através da aplicação efetiva de suas respectivas leis de proibição de importações e exportações ilegais. Continuaremos a cooperar no desenvolvimento e compartilhamento de tecnologias, incluindo o novo satélite CBERS 6, que permitirá um melhor monitoramento da cobertura florestal. Além disso, promoveremos o intercâmbio de conhecimentos, melhores práticas e outras formas de cooperação para conservação e manejo sustentável das florestas, regeneração e reflorestamento de áreas degradadas.
12. O Brasil e a China promoverão diálogos políticos e compartilhamento de experiências sobre investimentos e finanças climáticas.
13. O Brasil e a China decidem estabelecer um Subcomitê de Meio Ambiente e Mudança Climática sob o Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil (COSBAN).
14. O Presidente Lula agradeceu ao Presidente Xi e ao governo chinês pela calorosa acolhida dada à delegação brasileira durante sua visita.