Polícia Ambiental destrói armadilha destinada à caça de javalis em plantação de mandioca em fazenda

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Funcionário da propriedade rural confessou ter fabricado a estrutura próxima à margem do Rio do Peixe, em Santo Expedito (SP), e levou multa de R$ 500,00. Armadilha para caça de javalis foi encontrada em Santo Expedito (SP)
Polícia Militar Ambiental
A Polícia Militar Ambiental apreendeu e destruiu nesta quarta-feira (28) uma armadilha destinada à caça de javalis que estava montada em uma fazenda em Santo Expedito (SP).
Um homem, de 58 anos, que é funcionário da propriedade rural, confessou ter fabricado e armado a estrutura próxima à margem do Rio do Peixe e recebeu um auto de infração ambiental com multa no valor de R$ 500,00.
Os policiais encontraram dentro da armadilha espigas de milho para a ceva de animais.
Segundo a polícia, o funcionário da fazenda alegou que havia montado a armadilha para capturar javalis, em um local com plantação de mandioca, e que não sabia da necessidade de autorização para exercer tal prática.
O homem foi autuado com base no artigo 25 da Resolução 05/2021, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sima), que trata da infração administrativa de “matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”.
Depois de apreendida, a armadilha foi destruída pelos policiais.
Armadilha para caça de javalis foi encontrada em Santo Expedito (SP)
Polícia Militar Ambiental
Expansão dos javalis e caça esportiva
Não existem estatísticas sobre a quantidade exata de javalis no Brasil ou o prejuízo que causam. Mas os especialistas são unânimes em dizer que a espécie deve ser controlada.
A caça deveria ser um dos principais métodos de controle, mas o aumento do número de caçadores não está se refletindo em uma redução dos javalis no país. Pelo contrário. O animal só está se espalhando.
Em 2016, havia javalis em 563 municípios brasileiros, segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2019, o número quase triplicou e os animais apareceram em 1.536 municípios.
Em vez de controlar a expansão do animal, alguns caçadores estão, inclusive, espalhando o javali pelo país de forma ilegal.
O ritmo de expansão do javali no Brasil é bem maior do que o registrado em países vizinhos. É 11 vezes maior do que o do Uruguai, por exemplo, por onde a espécie foi introduzida no país.
Armadilha para caça de javalis foi encontrada em Santo Expedito (SP)
Polícia Militar Ambiental
Porcos selvagens
Os javalis (Sus scrofa scrofa) pertencem à família Suidae. São porcos selvagens naturais da Europa, do norte da África e da Ásia, que entraram no Brasil há mais de 100 anos. Eram criados para consumo, mas muitos escaparam do confinamento e cruzaram com porcos domésticos. Desse cruzamento surgiu um animal híbrido: o javaporco (Sus scrofa), que se desenvolveu e ficou maior. Enquanto o javali pesa em torno de 80 quilos, o javaporco pode passar de 100 quilos, e se reproduz mais de uma vez por ano, o que aumenta o risco de invasão e descontrole da espécie.
Invasões de javaporco já ocorreram em algumas áreas do Estado de São Paulo, como o Parque Estadual Vassununga, que precisou ser fechado depois que esses animais tomaram conta da mata e causaram um grande desequilíbrio ambiental. O parque, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), já foi reaberto.
A facilidade que os javalis possuem de se adaptar a ambientes diversos e até modificados pelo homem e a ausência de predadores naturais os colocam na lista das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo.
Visualmente falando, em comparação com o queixada (Tayassu pecari) e com o cateto (Pecari tajacu), os javalis e javaporcos são bem maiores, já que esses últimos podem chegar aos 200 quilos. Além disso, possuem um rabo comprido de seis a oito centímetros, enquanto os pecarídeos têm “tocos” que não ultrapassam os três centímetros. As orelhas dos javalis também são maiores e mais compridas.
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Os dentes caninos crescem a vida toda nos javalis e saem facilmente da boca em direção à cabeça, chegando a medir até 12 centímetros. Além disso, os porcos são conhecidos pela capacidade de se “multiplicar” rapidamente, tendo em média de seis a dez filhotes por gestação.
Vivem em bandos geralmente com um macho dominante. Já a alimentação é diversa, sendo onívoros e não possuindo muitas restrições. Por esse motivo, quando há falta de oferta na natureza, esses animais podem causar estragos em lavouras, se alimentando até de galinhas e pequenos mamíferos. Eles também destroem nascentes e pisoteiam sementes.
O problema da superpopulação também acarreta outro desafio: a proliferação de doenças. Estudos ainda são escassos na área, mas porcos são flagrados com tumores e doenças de pele e não se sabe ao certo ainda quanto isso afeta outros animais nativos.
A Instrução Normativa nº 03/2013, de 31 de janeiro de 2013, do Ibama, considerou como javali a espécie exótica invasora javali-europeu, em todas as suas formas, raças, linhagens e diferentes graus de cruzamento com o porco-doméstico (Sus scrofa domesticus) para serem abrangidos pela mesma legislação.
Apesar de no Brasil ser proibida a caça, o javali, desde 2013, é a única exceção, com uma série de regras e processos a serem respeitados e seguidos. No entanto, as populações de javalis vêm aumentando e criadouros clandestinos só pioram o problema, o que prova que a caça não é um controle efetivo para o problema.
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Retomada do Fundo Amazônia ajuda no combate ao desmatamento e desenvolvimento sustentável na região, dizem entidades

Fundo está parado desde 2019, quando Bolsonaro suspendeu comitês; além disso, Alemanha e Noruega suspenderam repasses. Neste domingo (1º), Lula assinou decreto para retomar fundo. Entidades ambientalistas ouvidas nesta segunda-feira (2) pelo g1 avaliaram que a retomada do Fundo Amazônia, assinada neste domingo (1º) pelo presidente Lula, contribui para combater o desmatamento e também buscar o desenvolvimento sustentável da região.
Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização do bioma, o fundo está parado desde abril de 2019.
Na ocasião, o então presidente Jair Bolsonaro suspendeu comitês vinculados ao fundo. Além disso, em meio a uma série de polêmicas envolvendo a política ambiental do governo, Alemanha e Noruega – principais doadores do fundo – anunciaram a suspensão dos repasses.
Após a eleição de Lula, em outubro, porém, os dois países informaram que voltarão a fazer os repasses. Neste domingo (1º), em seu primeiro ato como novo presidente do Brasil, Lula assinou uma série de atos. E, entre esses atos, está um decreto que estabelece a retomada do fundo.
"Com o Fundo Amazônia funcionando, e com a decisão política do governo Lula e da ministra Marina Silva de combater primariamente o desmatamento e conseguir baixar as taxas rapidamente, entendo que o Fundo Amazônia vai voltar a ser um espaço onde a comunidade internacional pode remunerar o país pelos serviços de diminuição do desmatamento e das emissões", avaliou Raul do Valle, especialista em políticas públicas da entidade ambiental WWF-Brasil .
"Isso vai retroalimentar recursos para que você possa não só fazer financiamento de ações de comando e controle, mas, sobretudo, […] financiar atividades de desenvolvimento sustentável", completou.
Para Valle, "muita coisa" precisa ser feita na região, como a "gestão territorial das terras indígenas" e a chamada "economia da floresta". "O Fundo Amazônia vai ser uma importante fonte de financiamento. Acreditamos que poderá ter novos doadores para além da Noruega e da Alemanha", acrescentou.
Assessora do Instituto Socioambiental, Adriana Ramos entende que, com a retomada do fundo, será possível discutir a proteção ambiental da região e o desenvolvimento sustentável. Na opinião dela, sem os recursos do fundo, o governo não dá conta de promover de forma adequada as ações na região.
"A retomada do fundo é fundamental, porque não haveria condições de o governo enfrentar essa questão do desmatamento e da proteção sem o Fundo Amazônia. E o governo sinaliza, também, a possibilidade de enfrentar dilemas, inclusive os relacionados à questão socioeconômica da região", avalia.
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Reestruturação da política ambiental
Para Adriana Ramos, a retomada do Fundo Amazônia deve ser acompanhada de uma reestruturação da política ambiental do governo.
No domingo, na mesma cerimônia em que assinou o decreto de retomada do fundo, Lula assinou um despacho no qual determinou ao Ministério do Meio Ambiente a elaboração de uma proposta que haja uma nova regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
No governo Bolsonaro, o Conama deixou de ter 96 conselheiros para ter 23, dos quais somente quatro seriam indicados pela sociedade civil.
"O fundo é um instrumento financeiro atrelado à existência de uma política. E a retomada pressupõe que também haja a reestruturação da política ambiental, que o governo sinalizou ao editar o decreto de combate ao desmatamento, não só na Amazônia, ampliando para outros biomas. O fundo pressupõe uma política, e o pacote do que será essa política já veio sinalizado", afirmou.
Ações de fiscalização
Conforme o especialista do WWF-Brasil, o Fundo Amazônia deverá ser "reorganizado" a partir de agora, passando a ter decisões "novamente transparentes" e "acordadas entre os diversos setores" da sociedade. Para ele, se isto acontecer, os doadores internacionais voltarão a liberar recursos
"Esses recursos, a nossa expectativa é que financiem imediatamente ações de fiscalização, de comando e controle que possam ajudar o país a diminuir o desmatamento", afirmou.

Para comemorar 40 anos do Parque Zoobotânico da Ufac, livro vai reunir depoimentos de envolvidos no início do projeto

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Livro de memórias deve ficar pronto em 2023 com fotos e depoimentos de ex-servidores, professores e alunos que passaram pelo parque. Na primeira fase, os estudiosos tentam encontrar 300 pessoas que tiveram participação na plantação das primeiras árvores. Parque Zoobotânico da Ufac guarda uma grande variedade espécies de árvores em Rio Branco
Arquivo/Ufac
Em comemoração aos 40 anos do Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, um grupo de pesquisadores está coletando depoimentos, relatos, fotografias e manuscritos que devem compor um livro de memórias dos trabalhos desenvolvidos no parque.
O livro deve conter depoimentos de ex-professores, ex-alunos, ex-servidores e pesquisadores que ajudaram a construir a história do espaço que apoia ações de ensino, pesquisa e extensão dentro do Campuz da Ufac. O PZ possui cerca de 115 hectares de extensão com uma variada fauna e fez 40 anos em 2020.
A estrutura tem arboreto, herbário, viveiro de produção de mudas, laboratório de análise de sementes florestais, educação ambiental, laboratório de entomologia, Setor de Estudos de Uso da Terra e Mudanças Globais (Setem) e Setor de Conservação e Manejo.
Para reunir o material de pesquisa e relatos, professores e técnicos do PZ criaram o Projeto Memórias do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac: 40 Anos Contribuindo na Geração de Conhecimento, Conservação da Biodiversidade e na Formação de Profissionais na Área Ambiental no Estado do Acre.
Livro vai resgatar história de construção do parque e homenagear as pessoas que participaram
Arquivo/Parque Zoobotânico
Na primeira fase, os estudiosos tentam encontrar 300 pessoas que tiveram participação na plantação das primeiras árvores e construção de toda estrutura. Destas, 150 já foram encontradas e contaram suas histórias.
O coordenador do projeto e dos fundadores do PZ, professor Carlos Edegard de Deus, disse que os pesquisadores têm pelo menos mais três meses para juntar esses relatos e fotografias.
"É um trabalho muito bonito que está sendo feito porque estamos resgatando a história de 40 anos de trabalho do Parque Zoobotânico e uma das coisas que já estamos constando é que muitas das pessoas que passaram pelo parque hoje estão em cargos de chaves na gestão ambiental do estado. O Parque Zoobotânico começou esse movimento ambiental aqui no Acre, claro, junto com outras organizações. Mas, foi um dos primeiros, então, queremos destacar isso também ", explicou o professor.
Homenagens
O projeto tem outras linhas de frente também, conforme o professor, já que será produzido também um artigo científico contando a história de cada setor e espaço do parque. As equipes vão ainda reorganizar os arquivos do PZ, documentos que têm 40 anos e que vão construir uma linha do tempo da história.
"Passaram por vários diretores e estamos fazendo uma linha do tempo com os principais documentos do parque. Uma das coisas que a gente pretende fazer também é uma revitalização do site do parque que está no portal da Ufac e vamos refazer um vídeo institucional com os depoimentos", descreveu.
Espaço tem ainda laboratório que é usado por alunos e pesquisadores do estado
Arquivo/Parque Zoobotânico
O coordenador disse ainda que haverá uma homenagem para as pessoas que ajudaram na construção do espaço e já morreram. "Vamos fazer também uma homenagem para aqueles que faleceram, tanto homens e mulheres que trabalharam no parque. Vamos prestar uma homenagem coletiva para eles", resumiu.
Atraso
O Parque Zoobotânico completou 40 anos em 2020. Inicialmente, o projeto de pesquisa iria terminar entre o final de 2022 e início de 2023, mas, com a pandemia de Covid-19, os trabalhos atrasaram e devem ser concluídos em até seis meses.
"Concluímos em 2023, com certeza. Tem bastante coisa avançada no ponto de vista da sistematização. O parque tem uma área remanescente de floresta, uma estrada de seringa que é utilizada pelos alunos e também as visitas que vão lá. Tem ainda a sede onde funcionam os trabalhos de educação ambiental e recebe alunos e professores da rede de ensino", concluiu.
Reveja os telejornais do Acre

‘Pantaninho Paulista’: onde a natureza gera e ganha vida

VÍDEO: Gata adota filhotes de gambá abandonados no ES
Série de reportagens especiais produzidas pela TV Fronteira aborda o cenário da foz do Rio do Peixe junto ao Rio Paraná, na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP). Série 'Pantaninho Paulista' mostra em três reportagens especiais da TV Fronteira a situação da foz do Rio do Peixe na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP)
Luís Augusto Pires Batista/ TV Fronteira
A TV Fronteira lança nesta terça-feira (3) “Pantaninho Paulista”, uma série de reportagens especiais que abordam o cenário da foz do Rio do Peixe junto ao Rio Paraná, na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP), no Oeste Paulista. Os episódios vão ao ar no Fronteira Notícias 2ª Edição, o FN2, a partir das 19h, e dividem-se em três partes.
A primeira parte faz uma viagem ao Parque Estadual do Rio do Peixe, uma reserva protetora do rio homônimo, fundada há 20 anos. Já a segunda, na quarta-feira (4), mergulha na biodiversidade do lugar conhecido como "Pantaninho Paulista". A terceira, por fim, vai ao ar na quinta-feira (5) e discute o impacto das ações humanas sobre a região, em uma conversa com ambientalistas, pesquisadores, autoridades e população local.
“É uma série que vai mostrar uma região que está muito próxima da gente, que é a foz do Rio do Peixe, e que está bastante modificada. Virou um labirinto, assim, na boca do rio. E a gente conheceu essa riqueza, de muitas aves, muitos répteis, muitos anfíbios”, ressaltou ao g1 o gerente de Jornalismo e Esporte da TV Fronteira, Luís Augusto Pires Batista.
Segundo ele, na década de 1990, a região que contempla a foz já era pantanosa. Com o passar dos anos, a mudança do curso do rio formou “vários canais” dentro dele. A curiosidade em explorar as mudanças do local trouxe, ainda, a preocupação em discutir medidas de preservação do lugar que, hoje, é um berço da fauna e da flora paulistas.
"O rio, que passava por um lugar, mudou de curso, e ali é uma região que tem uma vegetação muito rica e uma fauna também muito rica. É um material que, especialmente na última reportagem, procura fazer uma discussão em cima disso e levantar o que pode ser feito para preservar”, afirmou Pires Batista.
Para o editor-chefe do FN2, Vinícius Pacheco, a proposta das reportagens especiais consistiu em descobrir como estava a situação do rio e mostrar os pontos "a que o telespectador não teria acesso em nenhuma ocasião".
“Quando a gente mostra que isso está tão perto da gente, mas que a gente não tem nenhuma iniciativa para preservar ou que não existe uma política pública tão abrangente em relação a isso, é uma possibilidade de trazer esse tema para toda a região discutir novamente e de buscar novos caminhos”, declarou Pacheco ao g1.
Assista abaixo à primeira reportagem da série:
'Pantaninho Paulista’: primeiro episódio
Onde a natureza ganha vida
Para contar essa história, que teve produção e edição da jornalista Mariana Gouveia e contou com a edição de imagens de José Henrique Botti, foram necessários dois meses de produção e mais três dias de viagem a barco pela faixa dos aproximadamente 15 quilômetros que abraçam parte do Rio do Peixe e seus arredores, entre 14 de novembro e 22 de dezembro.
Durante as expedições, a equipe, composta pelo gerente de Jornalismo e Esporte da TV Fronteira, Luís Augusto Pires Batista, pelo repórter Murilo Zara e pelos cinegrafistas Betto Lopes, Luciano Silva e Rildo Silva, viu o pântano dar espaço a um lugar rico e diverso, cheio de belezas naturais.
“Foi uma experiência reveladora, eu diria, porque mesmo eu sendo da região, trabalhando há tanto tempo com jornalismo, já fiz muita matéria de meio ambiente, mas eu não tinha tido a oportunidade de fazer essa jornada pelo Rio do Peixe, de entrar, subir a área da antiga foz, conhecer toda a beleza e riqueza dessa área chamada de Pantaninho Paulista. Eu acho que grande parte da população sequer faz ideia de que a gente tem esse tipo de ecossistema, de biodiversidade, de aves, de répteis, enfim. É muito bonito”, enfatizou ao g1 o repórter Murilo Zara.
E, ainda sem saber qual rumo o barco tomaria em meio às vegetações, deu para ver o voo do tuiuiú, das anhumas e dos guachos, que pintaram o céu e a vegetação que cerca o local. Até mesmo no Parque Estadual do Rio do Peixe foi possível contemplar a natureza gerando e ganhando vida.
“No trecho do parque, a gente pôde presenciar a recuperação da floresta. Foi bonito demais ver a floresta sendo plantada para recuperar parte da mata ciliar, da mata que dá proteção ao pantaninho e ao Rio do Peixe, então, isso traz um alento, traz um conforto de saber que o futuro pode ser melhor para esse ecossistema”, salientou Zara.
Para o cinegrafista Betto Lopes, olhar além das lentes das câmeras proporcionou a contemplação de paisagens únicas, mas, ao mesmo tempo, despertou a preocupação com o destino do Pantaninho Paulista.
“Acredito que, com esse material, as pessoas vão conseguir entender a importância de preservar a natureza, de olhar para ela como de fato ela é, como a mãe da gente, por isso que se chama ‘mãe natureza’, porque sem ela não tem vida. A vida não teria vida”, disse ao g1.
“A importância, para mim, foi tentar trazer boas imagens para as pessoas conhecerem um pouco mais a beleza e a importância do pantaninho. Com isso, conscientizar todos a cuidar do nosso Pantaninho Paulista”, afirmou o cinegrafista Luciano Silva.
"É incrível ver como a natureza é forte e se renova sempre para vencer os obstáculos naturais e os causados pelo homem. A natureza é incrível! A série 'Pantaninho Paulista' mostra isso em detalhes", enalteceu o cinegrafista Rildo Silva.
Assista abaixo à segunda reportagem da série:
'Pantaninho Paulista’: segundo episódio
Meio ambiente e sociedade
De acordo com o gestor do Parque Estadual do Rio do Peixe, Jeferson Bolzan, a possibilidade do turismo ecológico no local é um dos desafios para os próximos anos. Uma forma de aproximar as pessoas das belezas naturais da região e, ao mesmo tempo, evidenciar o trabalho de preservação do rio e de recuperação da mata ciliar no seu entorno, realizado pelos agentes do parque.
“A gente sempre recebe todos de braços abertos. Esse é o nosso objetivo, o nosso trabalho, e explicando, expondo a importância do Parque Estadual do Rio do Peixe, desse remanescente de Mata Atlântica para o nosso interior, o oeste do Estado”, reforçou.
Parque Estadual do Rio do Peixe é abordado na série de reportagens especiais 'Pantaninho Paulista', da TV Fronteira
Videografismo/TV Fronteira
Para alcançar esse objetivo, o envolvimento das pessoas é essencial. Mas nem sempre ele é benéfico, segundo o ambientalista e presidente da Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena), Djalma Weffort. Para ele, a foz do rio vem sofrendo as consequências da ação humana, já que “têm havido pressões exteriores na região, no ecossistema, que são os assoreamentos, o mau uso do solo, o uso de agrotóxicos no entorno, a entrada de gado e de animais domésticos”.
“É uma região que está muito distante da política pública, tanto estadual quanto federal. Em parte, porque não há, ainda, uma mobilização maior da sociedade, do poder público… As entidades, as ONGs [Organizações Não-governamentais] têm feito o seu papel, a imprensa tem destaque muito importante nisso, mas precisa, realmente, de mais ações. Porque, aqui, não basta só conservar o que existe, tem que restaurar, porque nós estamos com índices muito abaixo do necessário para a conservação, muito abaixo, inclusive, da própria legislação. Então, o desafio nosso, aqui, é muito maior. Vai precisar dessa intervenção proativa da sociedade”, afirmou Weffort.
Assista abaixo à terceira reportagem da série:
‘Pantaninho Paulista’: terceiro episódio
Fiscalização coletiva
Peter Mix é pesquisador e fotógrafo. Nos seus registros, a fauna e a flora paulistas são documentadas e percebidas de forma singular pelo profissional, bem como as dificuldades que as cercam. Para ele, a intensificação da fiscalização no entorno do Rio do Peixe é essencial, mas esse deve ser um trabalho coletivo.
“Está havendo, hoje, até uma renascença de amor e gosto pela natureza dentro do público em geral. Eles estão, realmente, começando a dar valor a essa restauração. Mas é uma coisa, por enquanto, muito pequena. É preciso ter um envolvimento público muito maior, precisa se expressar e precisa pressionar proprietários e prefeituras para que todo mundo venha trabalhar junto. Uma coisa é plantar e voltar à fauna. A outra coisa, que está faltando, é a fiscalização disso tudo”, enfatizou Mix.
Assim como Peter Mix, documentar é o que vem fazendo o doutor em Ciências Ambientais e pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Paulo César Rocha. Tendo como objeto de estudo o Rio do Peixe, as constatações, ainda preliminares, demonstram que as mudanças no curso do rio são claras, no entanto, podem ter sofrido com a ação humana.
“Não é uma lição muito fácil separar o que é mudança climática do que é alteração natural, mas a gente tem visto bastante efeitos, em especial, de alterações humanas, principalmente pelo fato de problemas no uso da terra que podem levar a uma maior situação de escoamento superficial, onde chega mais água para o rio e, com mais água, mais sedimento para o rio, e isso pode ser um problema para esses sistemas que são meandrantes. Eles têm pouca energia e tendem a depositar o excesso de carga sedimentar”, constatou o professor.
Em nota à TV Fronteira, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo informou que as ações no Rio do Peixe são norteadas pelo Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Aguapeí e do Peixe.
O Parque Estadual do Rio do Peixe protege cerca de 10% da extensão total do rio, abrange os municípios de Ouro Verde (SP), Dracena (SP), Presidente Venceslau e Piquerobi (SP) e, em conjunto com o Parque Estadual do Rio Aguapeí, cumpre a função de preservar os últimos trechos de ecossistemas de várzeas.
Entre as ações de proteção e conservação desenvolvidas pela Fundação Florestal, responsável pela gestão das Unidades de Conservação (UCs), estão a contratação de equipes de vigilância, manutenção de áreas verdes e compra de equipamentos de combate a incêndios.
A UC recebeu, ainda, mais de R$ 4,5 milhões de investimentos focados na restauração ecológica, tão importante para a regeneração da mata ciliar e a preservação da fauna da região. Ao todo, são mais de 230 hectares contemplados e 360 mil mudas plantadas.
“Vale lembrar que os 62 municípios atendidos pela Sabesp [Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo] na região de Presidente Prudente [SP] têm 100% de água tratada e de esgoto coletado e tratado nas sedes municipais, contribuindo com a qualidade de rios e córregos da região, sendo o Rio do Peixe um dos beneficiados por este trabalho”, concluiu a pasta estadual.
Série 'Pantaninho Paulista' mostra em três reportagens especiais da TV Fronteira a situação da foz do Rio do Peixe na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP)
Luís Augusto Pires Batista/ TV Fronteira
Série 'Pantaninho Paulista' mostra em três reportagens especiais da TV Fronteira a situação da foz do Rio do Peixe na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP)
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Série 'Pantaninho Paulista' mostra em três reportagens especiais da TV Fronteira a situação da foz do Rio do Peixe na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP)
Luís Augusto Pires Batista/ TV Fronteira
Série 'Pantaninho Paulista' mostra em três reportagens especiais da TV Fronteira a situação da foz do Rio do Peixe na divisa entre Presidente Epitácio (SP) e Panorama (SP)
Luís Augusto Pires Batista/ TV Fronteira
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VÍDEO: Gata adota filhotes de gambá abandonados no ES

VÍDEO: Gata adota filhotes de gambá abandonados no ES
De acordo com o professor de Biologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o comportamento de adoção entre os mamíferos não é incomum. Gata adota filhotes de gambás abandonados no ES
O instinto materno foi responsável por uma adoção inusitada em Vila Velha, na Grande Vitória. De acordo com a Guarda Municipal da cidade, uma gata, que estava amamentando, adicionou a sua prole dois filhotes de gambá que foram abandonados pela mãe com outros seis irmãos.
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Os gambás adotados pela gata foram resgatados na manhã desta quarta-feira (4) e entregues ao Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM).
Ainda de acordo com a guarda, os outros seis filhotes não resistiram e morreram.
Filhotes de gambá foram adotados por gata que amamentava no ES
Guarda Municipal de Vila Velha/Divulgação
Comportamento não é incomum
Segundo o professor de Biologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Marcelo Teixeira, o comportamento de adoção de outros filhotes entre os mamíferos não é incomum.
"Vemos isso com certa frequência, de cachorro adotando gato, porco adotando cachorro, entre outros exemplos. O que difere nessa situação é que o gambá é um mamífero marsupial, ou seja, terminam o desevolvimento no interior das bolsas das mães", disse.
Teixeira explicou ainda que o comportamento é influenciado pelos hormônios da fêmea.
"Muitas vezes, a fêmea está no momento de cuidar da prole e acaba cuidando de outros filhotes também por influência hormonal", explicou.
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