Descendentes de aves ameaçadas de extinção resgatadas há duas décadas por causa da Usina de Porto Primavera são soltos na natureza

Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho, desenvolvido pela Cesp, permitiu a reprodução em cativeiro, com o acompanhamento de equipe técnica e qualificada. Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
Luciano Candisani
A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) concluirá neste mês de dezembro a soltura na natureza de um total de 40 aves da espécie mutum-de-penacho (Crax fasciolata) na área de influência da Usina Hidrelétrica Engenheiro (UHE) Sérgio Motta, que fica no Rio Paraná, no distrito de Porto Primavera, em Rosana (SP).
A ação faz parte do projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho, uma iniciativa da empresa, que é uma subsidiária integral da Auren Energia, para a preservação dessa espécie na região.
De acordo com o gerente de Sustentabilidade e Operações da empresa, André Rocha, os animais que estão sendo colocados na natureza são descendentes de indivíduos resgatados há cerca de duas décadas pela própria companhia, durante a construção do reservatório da usina.
Na época, foram resgatadas cerca de 140 aves, sendo a grande maioria solta na natureza e levada para instituições como zoológicos e centros de conservação.
O restante, em torno de 40 indivíduos, foi encaminhado para o Centro de Conservação de Aves Silvestres (CCAS), da Usina Hidrelétrica de Paraibuna, em Paraibuna (SP), que fica no Vale do Paraíba, a mais de 900km de distância de Rosana, visando à proteção da espécie por meio da reprodução em cativeiro, com o acompanhamento de equipe técnica e qualificada.
“A Cesp tem o compromisso com a conservação da biodiversidade e proteção dos nossos recursos naturais. Faz parte do nosso negócio. Por isso, mantemos várias ações com o objetivo de promover a preservação da fauna e da flora na região, que incluem ações de manejo e proteção de Unidades de Conservação e APPs [Áreas de Preservação Permanente] e de reflorestamento de regiões degradadas, visando, principalmente, à criação de corredores ecológicos para auxiliar na proteção de animais silvestres", destaca Rocha.
"Por isso, é com muito orgulho que dizemos que, depois de 20 anos de muita dedicação e cuidados, essas aves tão importantes para o equilíbrio ambiental dos biomas estão retornando para casa”, complementa ele.
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
Luciano Candisani
Devido aos cuidados que a operação envolve, o processo de soltura dos animais foi dividido em duas etapas.
Na primeira delas, iniciada no dia 26 de outubro, foram transferidos 20 animais da UHE Paraibuna: dez seguiram para a Área de Soltura e Manejo de Fauna da Fazenda Cisalpina, Unidade de Conservação da Cesp no município de Brasilândia (MS), e outros dez, para a Área de Soltura e Manejo de Fauna da Foz do Rio Aguapeí, em Castilho (SP).
Para receber os animais, dois viveiros semelhantes ao existente no CCAS, com 17 metros de comprimento, por 4,5 metros de altura e 7,8 metros de largura, foram construídos nas duas propriedades com o objetivo de facilitar o processo de adaptação das aves.
“Esta é uma ação bastante complexa. Vai muito além de pegar essas aves do viveiro e soltar na natureza. O projeto começou com meses de antecedência, com a construção dos viveiros, estudos e planejamento estratégico. Depois, iniciamos as avaliações constantes dos animais, incluindo exames médicos e treinamentos comportamentais, visando a garantir que eles estejam saudáveis e aptos para a soltura", salienta Rocha.
"A viagem da UHE Paraibuna, no Estado de São Paulo, até a Reserva Cisalpina também teve atenção especial, com contratação de empresa especializada no transporte de animais silvestres, e foi realizado no período noturno, tudo para reduzir qualquer estresse dos animais e garantir que eles cheguem bem e saudáveis”, detalha.
Já nas duas áreas de soltura e manejo, a equipe técnica do projeto, que envolve biólogos e veterinários, continuou com o processo de adaptação e treinamento dos animais.
A segunda fase do projeto está prevista iniciar neste mês e consistirá na transferência de mais 20 indivíduos de mutum-de-penacho. Assim como na primeira etapa, serão soltos dez em Brasilândia e outros dez em Castilho.
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
Luciano Candisani
Soltura branda
No dia 26 novembro, após um período de quarentena das aves, foi iniciada a ação de soltura branda. Nesta etapa, as portas do viveiro foram abertas e as aves continuam recebendo alimentação dos tratadores – os alimentos são escondidos na mata para incentivar a integração dos pássaros ao ambiente – até que o viveiro seja por fim fechado.
Antes disso, porém, todos os indivíduos receberam equipamentos radiotransmissores no dorso, para que possam ser monitorados pela equipe responsável.
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
Luciano Candisani
Ameaça de extinção
Para o pesquisador Sérgio Posso, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especialista em ornitologia e coordenador do projeto, a ação de soltura dos mutuns-de-penacho só tem a enriquecer a fauna das regiões leste de Mato Grosso do Sul e oeste de São Paulo.
O pesquisador explica que essa espécie já é considerada ameaçada em diversas regiões do país, principalmente na região Sudeste, em estados como Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, onde a classificação é de criticamente em perigo.
Em outras regiões, sobrevivem somente pequenos grupos, o que aumenta as chances de extinção, uma vez que, além da redução da variabilidade genética, a ave também é alvo de caça predatória e de ataques de animais domésticos.
“Como existem somente pequenos grupos, se reproduzindo entre si, podem ocorrer problemas genéticos e o enfraquecimento dos indivíduos, o que, somado aos outros riscos, entre eles a caça predatória, pode levar ao seu desaparecimento. A vinda de novos indivíduos, com novos genes, só tem a agregar para a diversidade genética e aumentar a população dessa espécie na região”, reforça o pesquisador.
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
Luciano Candisani
Reflorestador natural
Com cerca de 60 centímetros de altura e pesando de 2,5 a 3 quilos, o mutum-de-penacho também é conhecido por ser um excelente dispersor de sementes.
Como se trata de um animal de solo – ele sobe em árvores somente para dormir –, o mutum se alimenta de pequenos insetos e de sementes de árvores, o que ajuda a disseminá-las pela região.
“Além de extremamente bonita, essa ave é muito importante para o equilíbrio ambiental. Por isso, ações como esta da Cesp são extremamente importantes para a conservação e o aumento da população da espécie e da biodiversidade como um todo, levando em consideração a importância dessa ave para o reflorestamento. Hoje, em Mato Grosso do Sul, ainda há muitos animais, mas não podemos repetir os mesmos erros cometidos por outras regiões no passado”, salienta Posso.
Projeto de Soltura do Mutum-de-Penacho é uma iniciativa para a preservação da espécie na área de influência da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera
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Chico, Juçara, Nadi, Nanã e Raoni são os nomes escolhidos para batizar onças-pintadas da Mata Atlântica paulista

Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção
Enquete realizada pela Fundação Florestal contou com mais de 700 votos e envolveu felinos que vivem no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP). Onça-pintada fêmea recebeu o nome de Juçara com 32% dos votos
Fundação Florestal
A Fundação Florestal do Estado de São Paulo (FF) divulgou, nesta sexta-feira (9), o resultado da enquete nas redes sociais para escolher os nomes de onças-pintadas que vivem no bioma da Mata Atlântica no Estado de São Paulo, incluindo o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP).
A enquete foi realizada durante dez dias e contou, no total, com mais de 700 votos.
Os vencedores são:
Chico (macho) – 36%;
Juçara (fêmea) – 32%;
Nadi (fêmea) – 30%;
Nanã (fêmea) – 35,2%; e
Raoni (macho) – 35%.
A bióloga e pesquisadora científica Andréa Soares Pires conversou com o g1 e explicou que a escolha das onças participantes da enquete foi feita a partir das câmeras de monitoramento instaladas na reserva ambiental.
“Elas foram escolhidas do projeto de monitoramento. Existe um trabalho sendo feito no Vale do Ribeira há alguns anos, com o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e com o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], mas, para o Estado de São Paulo, a gente não tinha nada ainda. Então, quando a gente começou a fazer o monitoramento em 2021, de cara apareceram sete onças aqui no Morro. A gente precisa de nomes para identificar as onças, e aí a gente pensou: ‘Por que não disponibilizar [a enquete] para toda a população poder participar e entender a importância da onça-pintada?’. Porque, quando você dá nome, ela faz parte da sua vida, é legal isso”, comentou ao g1 a bióloga.
Onça-pintada macho recebeu o nome de Raoni com 35% dos votos
Fundação Florestal
Segundo a pesquisadora, a enquete incluiu a participação de animais dos parques estaduais do Morro do Diabo e da Serra do Mar.
Sobre as alternativas de nomes, Andréa disse que foi um processo de escolha que envolveu muitas pessoas e sugestões.
“A gente recebeu uma enxurrada de nomes de sugestões. Então, a gente fez uma enquete, dentro da Secretaria de Meio Ambiente, na própria Fundação Florestal, com todos os funcionários, que são mais de 300, e escolhemos cinco [nomes] para cada um. Nós trabalhamos com o pessoal de uma aldeia indígena em Ubatuba [SP], que também faz monitoramento junto com a gente, eles fizeram uma votação, e saiu um nome para cada onça”, detalhou Andréa ao g1.
Segundo a bióloga, as câmeras de monitoramento, que registraram as imagens das cinco onças que foram nomeadas, são fundamentais para a proteção dos animais.
“Apesar de no Estado de São Paulo estar criticamente ameaçada [a espécie], aqui no Morro do Diabo, por ser uma unidade de conservação, tem fiscalização com o pessoal da Polícia Ambiental, da segurança do parque, que estão aqui para proteger os animais nas matas. Então, aqui, ela está conservada”, salientou.
“A maior ameaça é a rodovia [Arlindo Béttio]. O pessoal do DER [Departamento de Estradas de Rodagem] monitora a rodovia com câmeras. Nós temos 40 pontos de câmeras no Morro do Diabo. Se por algum motivo tiver um incêndio ou algum caçador, por exemplo, e isso for detectado pelas câmeras, a gente passa essa informação para a Polícia Ambiental e eles tomam as providências”, enfatizou a pesquisadora.
Onça-pintada fêmea recebeu o nome de Nadi com 30% dos votos
Fundação Florestal
Bebês
A bióloga também contou uma importante novidade ao g1: as câmeras registraram, recentemente, dois filhotes de onça-pintada andando pelo Morro do Diabo.
“Nós temos, pelo menos, dois filhotes de onça-pintada circulando aqui no Morro do Diabo. A gente usa elas [câmeras] durante 120 dias, 24 horas por dia, e aí recolhemos esse material e fazemos a análise estatística dessa informação. A partir do momento que a gente fecha esses 120 dias, a gente instala câmeras dos dois lados da trilha, para poder mapear melhor as onças. Então, nós estamos com cinco conjuntos instalados, de dez câmeras, em pontos estratégicos, para poder ver se a gente pega detalhes desses filhotes”, disse Andréa, empolgada com a situação.
Onça-pintada macho recebeu o nome de Chico com 36% dos votos
Fundação Florestal
Risco de extinção da onça-pintada
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino do continente americano. Tem até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros de altura. Os machos pesam cerca de 20% a mais do que as fêmeas, podendo chegar a 135 quilos.
A onça-pintada pode viver em vários tipos de hábitats, desde que uma parte da vegetação seja densa. É um animal solitário e territorial. Tem hábitos noturnos. Pode ocupar áreas de 22 km² a mais de 150 km² (dependendo da disponibilidade de presas). A espécie era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Mas está oficialmente extinta nos Estados Unidos e já é uma raridade no México.
Na onça-pintada, ocorre também o fenômeno do melanismo, comum em outros felinos. A coloração amarela é substituída por uma pelagem preta. Dependendo da luz em que o animal se encontra, percebem-se as rosetas. O animal na forma melânica é chamado de onça-preta.
As populações vêm diminuindo devido ao confronto com atividades humanas, como a pecuária. A espécie é classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Ibama como vulnerável e está no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites).
Ou seja, o risco de extinção está associado ao comércio e sua comercialização só é permitida em casos excepcionais, mediante autorização expressa.
Onça-pintada fêmea recebeu o nome de Nanã com 35,2% dos votos
Fundação Florestal
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Invasão de nova espécie de lagarto a Fernando de Noronha é investigada por pesquisadores

Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção
Espécie encontrada na ilha pode causar desequilíbrio ecológico, segundo pesquisadores da Unicap e Unicamp. 'É preciso cuidado com as espécies endêmicas, ameaçadas de extinção', diz biólogo. Nova espécie de lagarto foi identificada em Fernando de Noronha
Damião Rabelo/ICMBio
Uma nova espécie invasora em Fernando de Noronha é investigada por pesquisadores. Eles constataram que existe, na ilha, uma invasão de lagartos Tropidurus, espécie que pode causar um desequilíbrio ecológico.
Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) derem início a um estudo de campo e deixaram Noronha no segundo final de semana de dezembro, depois de realizar uma coleta de informações sobre o animal.
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Fotos dos lagartos dessa espécie foram repassadas pela direção do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) para as duas universidades.
“Neste ano, foram feitos três registros desse lagarto em locais diferentes. Nós entendemos que existe uma invasão, não é uma situação isolada. Por isso, visitamos Noronha para entender o que está acontecendo”, disse o biólogo Felipe Toledo, professor da Unicamp e especialista em anfíbios e répteis.
Os pesquisadores têm uma hipótese sobre a forma de chegada da espécie exótica à ilha. “Nós achamos que esse lagarto chegou ao arquipélago junto com o transporte de madeira ou material de construção ao acaso. Agora, esse animal está espalhando em Noronha”, declarou Felipe Toledo.
Os estudiosos analisam as ações a serem tomadas. “Nós queremos saber se é possível conter a invasão, controlar, ou se existe uma situação mais difícil”, afirmou o pesquisador.
O biólogo também contou que é preciso analisar os riscos, pois Noronha tem um ecossistema delicado e espécies endêmicas, que só existem na ilha, como as mabuyas. Ele também afirmou que há a possibilidade de competição entre as mabuyas e o novo lagarto invasor na disputa por espaço e alimentos.
“É preciso cuidado com as espécies endêmicas, ameaçadas de extinção. Uma nova espécie pode prejudicar o ecossistema. Elas vão se alimentar de insetos e podem transmitir doenças para mabuyas e outras espécies nativas”, explicou o pesquisador.
Monitoramento
Os pesquisadores querem o apoio dos moradores para localizar a espécie invasora. “É importante que as pessoas que encontrarem esse lagarto fotografem e repassem a informação ao ICMBio ou para nossa equipe de pesquisa. Com isso, vamos saber onde está o animal e se essa população está crescendo”, declarou Felipe Toledo.
No período em que Noronha foi administrada por militares, no século passado, foram introduzidos tejus para conter os ratos na ilha. Como têm horários de alimentação distintos, os tejus passaram a se alimentar de ovos de aves marinhas. Como existe um plano de monitoramento que está sem execução, a equipe da pesquisa disse que será elaborada uma proposta para encaminhar ao ICMBio.
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Artistas plásticos do Acre montam presépio sustentável com peças de papelão

Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção
Luiz Carlos Gomes e Darci Seles utilizaram também papel craft, conhecido como papel madeira ou pardo, e cola quente para montar os três reis magos, Maria, José, o burrinho e a manjedoura com o menino Jesus. Presépio ficará no Memorial dos Autonomistas para visitação do público
Fhaidy Acosta/FEM
O papelão pode parecer um material sem muita utilidade após ser descartado, mas, a quem diga que ele tem mil e uma utilidades. Nas mãos dos artistas plásticos Luiz Carlos Gomes e Darci Seles ele virou arte. Os dois montaram um presépio sustentável de Natal com peças que chegam até 2 metros utilizando apenas papel madeira, papelão e cola quente.
O trabalho demorou três semanas para ser concluído e a exposição deve ser aberta para o público no Memorial dos Autonomistas, no Centro de Rio Branco, até o final desta semana. O presépio foi desenvolvido na sede da Fundação Elias Mansour (FEM).
As peças já foram levadas para o memorial, contudo, falta montar a parte do chão onde ficaram os três reis magos, o burrinho, Maria, José, a manjedoura com o menino Jesus e também a iluminação. O material usado para o chão será de papelão picado.
Darci Seles (esq) e Luiz Carlos Gomes (dir.) montaram presépio usando apenas papelão, papel madeira e cola quente
Arquivo pessoal
Ao g1, o artista plástico Luiz Carlos Gomes explicou que a estrutura das peças foi montada com papelão. Ele usou papel craft, também conhecido como papel madeira ou pardo, apenas para simbolizar o manto usado pelos magos e Maria.
"Os reis magos estão com aproximadamente 2 metros. Eu já faço há muito tempo trabalho utilizando papéis e papelão, fazendo esculturas de papelão e levamos essa sugestão para o Correinha [presidente da FEM] e ele achou bacana, apoiou, acreditou muito em nosso potencial", relembrou Luiz Carlos.
Reis magos têm cerca de 2 metros e foram montados com papelão
Fhaidy Acosta/FEM
Gomes disse que não sabe o quanto de papel e papelão foi utilizado na produção do presépio. Ele recordou que teve ajuda de conhecidos que ajuntaram caixas de papelão.
"Usamos várias caixas, o rapaz do almoxarifado juntou caixas de ar-condicionado, a gente passava por uma loja, via alguma caixa e parava. Saímos garimpando por caixa, espero que as pessoas gostem”, brincou.
Peças foram confeccionadas com papelão
Fhaidy Acosta/FEM
Trabalho demorou pelo menos 20 dias para ser finalizado
Fhaidy Acosta/FEM
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Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção

Adamantina instala ninhos artificiais para incentivar a reprodução da arara-canindé, espécie ameaçada de extinção
Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente destinou estruturas para praças públicas e também as colocou à disposição de moradores interessados em fazer a instalação. Ave traz na plumária as cores da bandeira do Brasil. Ninhos artificiais são instalados em Adamantina (SP) para a reprodução da arara-canindé
Divulgação
A Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (Saama) deu início a um projeto que pretende incentivar, em Adamantina (SP), a reprodução de aves da espécie arara-canindé (Ara ararauna), que está ameaçada de extinção.
A iniciativa consiste na instalação de ninhos artificiais em espaços públicos e privados da cidade com o objetivo de oferecer para as araras uma ferramenta para que elas possam se reproduzir de forma segura e livre dos perigos dos predadores.
Foi feita a abertura de brechas nas palmeiras mortas da Praça Vereador José Parrilla, facilitando a formação de novos ninhos e onde já é possível observar filhotes, já que as araras-canindé, que têm presença certa no céu de Adamantina, diariamente, no começo da manhã ou no fim da tarde, nidificam entre dezembro e maio.
As aves costumam conviver em grupo, mas, para a reprodução, diferentemente do que ocorre com outras espécies, vivem com o mesmo parceiro a vida toda.
Elas se alimentam de frutas, sementes e cocos de palmeiras.
Inicialmente, foram confeccionados seis ninhos artificiais que serão instalados em áreas públicas da cidade: nas praças Vereador José Parrilla e Élio Micheloni, nos parques dos Pioneiros e Caldeira e na frente de duas residências.
“Caso algum morador tenha o interesse de instalar o ninho artificial, basta entrar em contato, pois a Saama fará a instalação ou, se tiver palmeiras mortas plantadas, serão abertas brechas para que novos ninhos se formem”, afirma o secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Adamantina, Thiago Ribeiro Benetão.
A iniciativa recebeu o nome de Projeto Arara-Canindé, mas a Saama também prevê que os ninhos artificiais poderão servir ainda para a reprodução de aves de outras espécies, como pica-paus e tucanos.
Aves da espécie arara-canindé estão ameaçadas de extinção
Divulgação
“Essa ação busca diminuir os impactos ambientais causados pelas ações humanas resultantes do desenvolvimento e industrialização. A biodiversidade encontra-se ameaçada pela intensificação da fragmentação dos biomas que ocorrem diante das ações, como exploração florestal, pecuária, agricultura, urbanização, construção de estradas, entre outras, afetando diretamente na migração de animais para a área urbana em busca de alimento e local seguro para reproduzir”, afirmou Benetão ao g1.
Ele explicou que a população pode contribuir com essa iniciativa doando material para a confecção de novos ninhos, não permitindo que os ninhos instalados sejam depredados, coibindo qualquer ação predatória do homem e denunciando-a.
Ainda segundo o secretário, a importância da preservação da espécie em Adamantina é manter o equilíbrio do ecossistema, já que as araras-canindé estão envolvidas na dispersão de sementes e, como grandes voadoras, percorrem longas distâncias entre os locais de repouso e nidificação e os de alimento.
Benetão detalhou ao g1 que o projeto tem os seguintes motivos e objetivos:
Oferecer abrigo e local seguro para a reprodução das araras-canindé, que ocorre entre dezembro e maio, sendo a postura de um a três ovos. Quando formam casal, não mais se separam.
Coibir o declínio que já vem ocorrendo em razão da destruição de seu ambiente e do comércio intenso e geralmente ilegal.
Manter o equilíbrio do ecossistema, vez que a canindé está envolvida na dispersão de sementes.
Incentivar o “Turismo de Observação”, que é uma excelente opção de passeio e que, além de uma atividade de recreação, é educacional, pois reforça o interesse das pessoas pelo meio ambiente.
Cores da bandeira do Brasil
A arara-canindé, ave que traz na plumária as cores da bandeira do Brasil e que também é conhecida como arara-de-barriga-amarela ou simplesmente arara-amarela, está ameaçada de extinção, com sua conservação em perigo.
Talvez uma das razões para essa condição seja o fato de ela deslocar-se a grandes distâncias durante o dia, entre os locais de descanso e de alimentação, e ser, por isso, uma presa fácil.
Quando esses animais são caçados para a venda, as árvores com os ninhos costumam ser derrubadas. Isso não só prejudica a reprodução de diversas espécies de aves, que utilizam o mesmo ninho em épocas reprodutivas diferentes, como altera por completo o hábitat desses bichos.
A arara-canindé costuma fazer seus ninhos em buracos nos troncos, onde põe seus ovos. Os filhotes permanecem no ninho até a 13ª semana, período no qual são alimentados pelos pais, que regurgitam a comida em seus bicos.
O bico forte dessas aves costuma ser usado também para ingerir pedrinhas, que auxiliam na trituração de sementes de algumas das palmeiras que fazem parte da dieta dessas araras. São os casos de buriti, tucum, bocaiuva, carandá e acuri.
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As araras-canindé são consideradas “predadoras” de algumas palmeiras, porque, ao triturar suas sementes, impedem a dispersão das plantas.
Mas vale dizer: desde a chegada dos exploradores portugueses ao país, no século 16, as araras (bem como papagaios, periquitos, jandaias e maracanãs) são responsáveis pela alcunha dada ao Brasil de “Terra dos Papagaios”.
Geralmente elas voam em pares ou grupos de três indivíduos. A mesma combinação é mantida quando estão em bando (de até 30 indivíduos).
Também é muito encontrada em cativeiro, onde chega a durar 60 anos.
No Brasil, a espécie é encontrada desde a Amazônia até o Paraná. Além disso, também é vista no Panamá, na Colômbia, nas Guianas, no Equador, no Peru, na Bolívia, no Paraguai e na Argentina, entre florestas úmidas, matas de galeria, buritizais e palmais.
O período de incubação dura aproximadamente 28 dias, botando de um a três ovos.
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