Aulas vão retornar e mais de 500 mil estudantes não tomaram vacina da Covid-19 no ES

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’
Meta vacinal é de 90% de cobertura com o esquema primário, mas, sobretudo no caso das crianças capixabas, a realidade está muito aquém do esperado Mais de 500 mil estudantes não tomaram vacina da Covid-19
Mesmo com a circulação de novas variantes da doença, mais de 500 mil crianças e adolescentes ainda não foram vacinadas contra a Covid-19 no Espírito Santo. As aulas da rede municipal e estadual retornam na segunda-feira (5). Municípios da Grande Vitória têm opções com agendamento e por livre demanda.
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Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Espírito Santo, 526.246 crianças e adolescentes ainda não foram vacinadas contra a Covid-19 no estado. Confira, por grupo de idade, quantos ainda não se vacinaram (esquema primário):
6 meses a 2 anos: 147.632 pessoas
3 a 4 anos: 96.472 pessoas
5 a 11 anos: 199.611 pessoas
12 a 17 anos: 82.531 pessoas
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A Sesa explicou que a vacina contra a Covid-19 foi incorporada pelo Ministério da Saúde, em 2024, ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de seis meses a 4 anos e 11 meses, e que o esquema vacinal é composto por três doses (D1, D2 e D3), sendo que, entre a D1 e a D2, a aplicação deve ocorrer com intervalo de quatro semanas. Já entre a D2 e a D3, esse espaço deve ser de oito semanas.
Crianças estão com cartão vacinal incompleto
Freepik/Divulgação/Prefeitura de Cubatão
Para as demais pessoas acima dos 5 anos de idade e que não pertençam aos grupos prioritários, é facultativa a vacinação para aqueles que ainda não iniciaram o esquema ou estão com esquema vacinal primário incompleto (D1 e D2).
Mesmo sendo opcional, a Sesa orienta que crianças e adolescentes acima dos 5 anos, sobretudo os pertencentes aos grupos prioritários, sejam vacinados.
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A meta vacinal para Covid-19 é de 90% de cobertura com o esquema primário. Mas, sobretudo no caso das crianças capixabas, a realidade continua muito aquém do esperado.
6 meses a 2 anos: 2,94%
3 a 4 anos: 5,51%
5 a 11 anos: 43,41%
12 a 17 anos: 72,57%
Diante da situação, a Sesa reforçou que mmanter crianças e adolescentes imunizados diminui o risco de agravamento dos casos, que podem levar à hospitalização e morte.
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Após desistir de doutorado, sergipana que tirou nota máxima na redação do Enem 2023 é aprovada em medicina

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’
Estudante de 31 anos se dedicou aos estudos durante sete anos até chegar ao resultado almejado. Após desistir de doutorado, Indira foi aprovada em medicina
Arquivo pessoal
A estudante Indira Morgana de Araújo Silva, de 31 anos, uma dos três sergipanos que alcançaram a pontuação máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023, foi aprovada em 2º lugar em medicina da Universidade Federal de Sergipe. Ela chegou a desistir do doutorado para se dedicar às tentativas de passar no curso que almejava desde a adolescência.
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Em 2010, a sergipana tentou cursar medicina, mas logo desistiu, acreditando que não seria aprovada, e foi cursar agronomia, profissão na qual possui mestrado. Em 2017, foi aprovada no doutorado em duas universidades, sendo uma delas a Federal de Viçosa (UFV), mas o sonho a impediu de sair de Sergipe para Minas Gerais.
“Medicina é uma profissão nobre, que se dedica a cuidar do outro. A estabilidade financeira também foi uma das minhas motivações”, disse.
De acordo com Indira, se não fosse aprovada no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2024, publicado nessa quinta-feira (2), começaria a estudar para concursos e desistiria da mudança de carreira, após sete anos de estudos.
“Eu nem acreditei. A ficha só caiu quando eu comecei a receber mensagens dos amigos e familiares parabenizando pela aprovação”.
Indira durante estudos para o Enem
Arquivo pessoal
Indira irá cursar medicina no campus da UFS em Lagarto, que fica a cerca de 30 minutos da sua cidade, Simão Dias, onde mora com os pais. Urologia é uma das possíveis especializações que pretende seguir, após a graduação, que dura cerca de seis anos.
Redação nota mil
Em todo o país, 60 pessoas conseguiram tirar nota máxima. "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil” foi o tema da redação. 65.542 pessoas se inscreveram para fazer o Enem em Sergipe.
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Enem

Como resolver o ‘enigma de Einstein’ que supostamente só 2% das pessoas conseguem solucionar

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’
O chamado "enigma de Einstein" — aquele que, supostamente, apenas 2% da população pode resolver — está rodeado de outros enigmas.
GETTY IMAGES via BBC
O chamado "enigma de Einstein" — aquele que, supostamente, apenas 2% da população pode resolver — está rodeado de outros enigmas.
Não existem fontes confiáveis, nem estudos científicos, nada que possa comprovar se foi realmente Einstein quem propôs a charada e que 98% da humanidade não é capaz de resolvê-la.
O certo é que o enigma e todas as suas variações espalharam-se rapidamente pela internet e pelos meios de comunicação. O problema chegou até a ser mencionado pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos.
O que diz o enigma?
O enunciado da questão fornece 15 pistas sobre uma rua onde há cinco casas. Cada casa é de uma cor, cada morador tem uma nacionalidade, um animal de estimação, uma bebida e uma marca de cigarro — todos, diferentes.
🧐🗝️🧠 O objetivo é descobrir quem é o dono do peixe, sabendo que:
O britânico vive na casa vermelha.
O sueco tem um cachorro.
O dinamarquês toma chá.
O norueguês mora na primeira casa.
O alemão fuma Prince.
A casa verde fica ao lado da branca, à esquerda.
O morador da casa verde toma café.
Quem fuma Pall Mall tem pássaros.
O morador da casa amarela fuma Dunhill.
O morador da casa central toma leite.
Quem fuma Blends mora ao lado de quem tem um gato.
Quem tem um cavalo mora ao lado de quem fuma Dunhill.
Quem fuma Bluemaster toma cerveja.
Quem fuma Blends mora ao lado de quem toma água.
O norueguês mora ao lado da casa azul.
O mito dos 2%
Preciso abrir um parêntese neste artigo e aproveito para incentivar você a deixar de ler e tentar resolver a charada: não é verdade que apenas 2% da humanidade consegue chegar à solução.
Com esta informação e se você achar oportuno, coloque este artigo de lado por algum tempo, pegue um lápis e papel e tente achar a resposta.
Dito isto, prosseguimos rumo à solução. Existe uma forma gráfica de resolver o enigma… usando o PowerPoint!
Se você já começou a resolver o problema, talvez tenha imaginado que é preciso preencher um quadro, usando as pistas até descobrir, afinal, quem é o dono do peixe. Este é um bom caminho. Mas, em vez de quadro, permita-me chamá-lo de tabuleiro.
No texto abaixo, existe uma explicação passo a passo sobre como resolver o problema. Confira no vídeo como funciona essa solução.

📝 Vamos primeiro inserir retângulos em uma folha em branco do PowerPoint.

BBC
Em seguida, colocamos todas as “cartas” disponíveis. A ordem, por enquanto, não importa – vamos incluindo simplesmente conforme elas aparecem.
⚠️Teremos então algo assim (atenção: esta não é a solução; recomendo copiar o tabuleiro em branco em outro slide do PowerPoint, para ir preenchendo posteriormente):

BBC
Agora, vem o X da questão.
🎥Veja no vídeo acima como resolver o problema com ajuda do PowerPoint.
Vamos usar a função Agrupar do PowerPoint para entrelaçar as cartas com as pistas que já temos.
Quando duas figuras são agrupadas, elas se fundem e se movem como se fossem uma só. Uso a tecla Control para selecionar as duas.
🕵️ Assim, agrupamos as células sabendo que a pista 1 diz: “o britânico vive na casa vermelha” e separamos essas cartas do tabuleiro.
Prosseguimos com as pistas 2 e 3, movendo as cartas para mantê-las na fila e na coluna correspondentes (observe que a opção Trazer para a Frente, do PowerPoint, também pode ajudar). O sueco tem um cachorro e o dinamarquês toma chá.
A pista 4 – “o norueguês mora na primeira casa” – é ainda mais fácil. Podemos incorporá-la diretamente ao tabuleiro final da solução.
Vamos repetindo a operação Agrupar com as pistas 5, 6, 7, 8 e 9.
A pista 10 – “o morador da casa central toma leite” – passa diretamente para o tabuleiro final.

BBC
Com a pista 11 (“quem fuma Blends mora ao lado de um gato”), é preciso ter mais cuidado: “gato” vai ao lado de “Blends”, mas de qual lado?
Precisamos deixar as duas opções disponíveis (esquerda ou direita) no tabuleiro.
🟨 E, para não esquecer que as duas opções são da mesma combinação, deixamos com fundo amarelo.
O mesmo acontece com a pista 12 (o cavalo ao lado de Dunhill). O fato de que Dunhill já esteja agrupado com a casa amarela não chega a ser um problema – o cigarro é devolvido ao tabuleiro para manter as distâncias.
A esta altura, já não é preciso muito esforço para incluir a pista 13, que indica que Bluemaster vai com a cerveja.
Mas é preciso prestar atenção na pista 14: “quem fuma Blends mora ao lado de quem toma água”. Com “Blends”, já tínhamos duas opções no quadro amarelo. Quem toma água pode ficar de um lado ou do outro e, por isso, surgem quatro possibilidades.
E, por último, vem a pista 15 – “o norueguês mora ao lado da casa azul”. Esta passa diretamente para o tabuleiro final.
Depois de analisadas todas as pistas (o peixe, por sinal, não aparece em nenhuma delas), passamos a jogar para ver onde entra cada uma elas.
Para isso, trazemos o tabuleiro final para o primeiro slide (ou o contrário, não serei eu a dizer como jogar).
Agora, vamos tentar. Primeiro, vamos incluir as palavras que têm apenas uma opção. Por exemplo, os grupos “Pall Mall – pássaros” e “britânico – vermelha” cabem em vários locais, mas “verde – branca – café” só se encaixa em um.

BBC
O que nos deixa apenas uma opção para o grupo “britânico – vermelha”. Vamos colocar!
O espaço vazio na linha das cores só pode ser “amarela”, que tinha duas opções de inclusão no tabuleiro. Como não pode haver nada à esquerda, será a opção de cima.

BBC
A partir de agora, tudo se complica, principalmente para quem tentou resolver com lápis e papel. Isso porque todos os grupos têm várias opções.
Nossa única alternativa é o conhecido “azar de goleiro” – ou seja, fazer suposições, como se estivéssemos resolvendo um sudoku. Vamos supor, por exemplo, que o grupo “cerveja – Bluemaster” entre na casa azul.
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Com isso, ficamos apenas com as opções “dinamarquês – chá” na casa branca e “alemão – café”, na verde.
Mas atenção! Agora, não temos onde colocar o grupo “sueco – cachorro”. Por isso, a hipótese “cerveja – Bluemaster” na casa azul está errada. Ela deve ir para a casa branca. É preciso desfazer tudo…
Agora, sim. Podemos começar a preencher novamente.

BBC
🟢🔎E atenção! Habemus dono do peixe! Bingo!

BBC
Afinal, quem é o dono do peixe?
A conclusão é que o dono do peixe é um alemão que mora em uma casa verde, toma café e fuma Prince. Viva!
Espero que tenha sido interessante e incentivo você a desafiar seus amigos a tentar resolver o problema.
Receba um abraço enigmático!
* José María Manzano Crespo é professor de sistemas e automação da Universidade Loyola Andaluzia, na Espanha.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em espanhol.
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Guerra na Ucrânia: as escolas que mudaram para o subterrâneo para continuar funcionando

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’
Com a guerra da Rússia contra a Ucrânia entrando em seu terceiro ano, salas de aula foram construídas junto às plataformas do metrô, no subsolo de Kharkiv. Nika, de seis anos, agora frequenta o jardim de infância subterrâneo
BBC
A guerra da Rússia transformou tudo na cidade de Kharkiv, incluindo a forma de viver a infância.
Mísseis são disparados contra a segunda principal cidade da Ucrânia desde o outro lado da fronteira russa, que está tão perto que há poucos segundos para detê-los.
Se eles forem direcionados para Kharkiv, a probabilidade de caírem é grande – e são poucas as chances de alcançar um abrigo em tempo.
Os prédios das escolas e dos jardins de infância estão fechados há quase dois anos por medida de segurança, e os playgrounds estão vazios.
Agora, à medida que a guerra em grande escala se aproxima de seu terceiro ano, partes da vida em Kharkiv estão migrando para o subsolo.
No fundo do metrô, salas de aula foram construídas de forma paralela às plataformas em cinco estações.
Autoridades locais começaram a oferecer as aulas subterrâneas há vários meses. Mais recentemente, adicionaram horários para crianças da pré-escola nos fins de semana.
A história de Nika
Para Nika Bondarenko, de 6 anos, é uma oportunidade de estar com outras crianças novamente. Depois de dois anos estudando on-line, ela vai saltitante para sua estação de metrô vestindo galochas cor-de-rosa.
O trajeto passa pelas ruínas bombardeadas de escritórios militares, destruídos no início da invasão e localizados em frente à sua casa. Há vidros quebrados e prédios despedaçados por toda parte.
Mas quando Nika está no trem, indo para a aula, sua mãe pode parar de se preocupar.
Os pais podem ter certeza de que nada vai acontecer com seus filhos e que uma criança pode continuar sua vida mais ou menos normal.
"O inimigo não pode nos pegar aqui."
Ela diz que Nika sentiu muita falta do jardim de infância.
"É tão importante. Do contrário, uma criança não consegue ver nenhuma outra, porque não há qualquer criança nas ruas e (há) sirenes de ataque aéreo o tempo todo."
Kharkiv agora oferece cerca de 700 vagas de jardim de infância no subsolo para crianças de até 6 anos. O total de alunos que frequenta aulas escolares no mesmo espaço é três vezes esse.
Alguns perderam os pais na luta, ou viveram em áreas sob fogo pesado, e precisam de apoio extra dos psicólogos junto aos professores.
No dia em que visitamos, há música, movimento e muitas risadas. Um grupo pré-escolar está vestido como médicos e enfermeiros; outros estão cantando e brincando com tijolos de plástico.
Tentando ser normal
A equipe fez de tudo para tornar as coisas o mais normal possível. Nas paredes, ao lado de imagens coloridas de flores e lagartas gigantes, há cartazes sobre o perigo das minas. Mas quando as sirenes tocam alertando para mísseis, ninguém precisa se mexer.
A família Bondarenko fugiu de sua cidade no início da guerra, quando as tropas russas estavam pressionando para tomar Kharkiv e o bombardeio era constante.
Milhares de famílias estavam vivendo no metrô naquela época. Em março de 2022, a equipe da BBC reportou a presença de senhoras idosas dormindo em vagões de trem e bebês nas plataformas com seus pais.
Quando as forças russas foram forçadas a recuar, em setembro, a cidade voltou a respirar mais aliviada e Olha e seus filhos voltaram para casa. O marido dela está no Exército. Para ela, estar em Kharkiv significava ficar perto dele.
Quando pergunto à irmã de Nika se ela tem medo dos ataques aéreos, Viktoria balança a cabeça.
"A sirene significa que um míssil pode atingir, ou não. É 50-50. Você só precisa acreditar que tudo ficará bem." Ela tem 11 anos.
Os planos
O maior problema de Kharkiv é a localização: a fronteira russa fica a apenas 40 quilômetros.
"Precisamos de sistemas modernos de defesa aérea. Se os mísseis estão atingindo agora, isso significa que não temos o suficiente", argumenta o prefeito Ihor Terekhov.
Mas mesmo os sistemas ocidentais mais atualizados teriam dificuldades com tamanha proximidade.
A intensidade dos ataques aéreos aumentou desde dezembro e a escola no metrô está enchendo de crianças.
Com a guerra chegando ao seu terceiro ano, Kharkiv construi escolas subterrâneas mais permanentes
BBC
Assim, a cidade começou a preparar estruturas subterrâneas mais permanentes.
No distrito de Industrialny, gravemente danificado por ataques de mísseis, uma nova escola inteira ganha forma debaixo de uma quadra esportiva.
As salas de aula serão instaladas cinco metros abaixo da superfície, com capacidade para 900 alunos em dois turnos.
Por enquanto, é uma estrutura que ainda passar por reforma, com construtores soldando, rebocando e martelando por todos os lados.
O chefe da construção me contou que, antes da invasão, sua empresa construiu um novo zoológico e redesenhou um parque central. "Agora estamos fazendo isso", diz, dando de ombros.
👉 A construção da escola subterrânea o lembra dos bunkers nucleares construídos nas fábricas soviéticas durante a Guerra Fria.
"Eu realmente não quero que nos mudemos para o subsolo. Essa é uma medida de segurança forçada", explica o prefeito, durante uma inspeção no local.
A escola deve estar pronta até o final de março, embora o prazo pareça otimista.
O prefeito planeja estruturas semelhantes em todos os distritos. É um grande investimento.
"Os mísseis usados com mais frequência para arruinar nossa cidade levam 40 segundos para chegar aqui", aponta Terekhov. Não é tempo suficiente para evacuar uma escola normal.
Esta guerra vai acabar quando vencermos. Mas, enquanto isso, as crianças têm o direito de estudar. Então estamos construindo essas escolas.
A história de Maryna
Pouco antes de viajarmos para Kharkiv, uma enxurrada de mísseis atingiu áreas residenciais da cidade. Onze pessoas foram mortas.
Um míssil atingiu o conjunto de prédios de Maryna Ovcharenko, destruindo todos os apartamentos da seção final.
A jovem de 18 anos e seus pais haviam saído de casa apenas dois minutos antes. Maryna diz que viu o míssil chegando. Ela foi arremessada pela onda de choque, mas não se machucou.
A adolescente ainda não consegue acreditar que está viva quando tantos de seus vizinhos morreram, incluindo uma criança.
Procurando pelas ruínas de seu próprio apartamento, Maryna tenta recuperar pertences pessoais. Ela encontrou sua certidão de nascimento. Sua mãe, Anastasia, encontrou uma mala contendo vestidos de festa.
De alguma forma, a família ainda está sorrindo. "Nós temos um ao outro, estamos vivos – e não estamos feridos!", diz Anastasia, puxando sua filha para perto. "É um milagre."
No dia seguinte ao ataque de míssil, o pai de Maryna subiu nas ruínas do prédio e colocou uma bandeira ucraniana no telhado.
"Estamos aqui e seguimos, não importa o que a Rússia faça conosco. Eles podem nos matar e assassinar, mas estamos de pé", diz Maryna. "Nós seguimos em frente."
Os professores
Do outro lado da cidade, na escola no metrô, Olha Bondarenko também fala muito sobre desafio e resiliência. Eles chamam Kharkiv de "cidade inquebrável".
"Em Kharkiv acontece um ataque aéreo, você se estressa um pouco, depois enxuga suas lágrimas e continua. É assim que todo mundo vive aqui", diz a mãe de dois filhos.
Mas a diferença entre a vida e a morte pode ser uma questão de segundos ou metros.
Olha tem pesadelos em que fica presa sob as ruínas de sua casa com os filhos. "Tenho muito medo disso. Eu tenho ataques de pânico de estar debaixo dos escombros."
As escolas subterrâneas contam uma história de adaptação – e sobrevivência.
"Claro que é estranho, mas o que mais podemos fazer? Queremos que nossos filhos cresçam em nosso país. Na Ucrânia", me diz Natalia Bilohryshchenko.
O prefeito de Kharkiv planeja estruturas semelhantes em todos os distritos
BBC
Ela dirige o departamento de educação pré-escolar no conselho da cidade e diz que os professores estavam "pulando de alegria" por voltarem ao trabalho. "Os olhos deles brilhavam. Eles sentiram falta das crianças."
De repente, Natalia começa a chorar. "Quando houver paz, venha visitar e mostraremos nossos jardins de infância normais", ela me diz, em lágrimas. "É tudo tão triste… Mas está tudo bem. Tudo ficará bem."
Com pesquisas e reportagem adicional de Hanna Chornous, Paul Pradier e Anastasia Levchenko.
Moradores de Kiev ficam presos em estação de metrô durante bombardeio russo na cidade

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’

Filha de gari e vigia passa em medicina após estudar com livros doados: ‘Minhas maiores motivações’
Mãe de Angélica comprava uma borracha todos os dias e apagava as respostas escritas pelo antigo dono dos livros para que filha pudesse estudar. Angélica Oton e os pais comemorando a aprovação dela em Medicina na UFPB
Angélica Oton/Arquivo pessoal
Todos os dias na volta do trabalho exaustivo de gari, Maria do Rosário comprava uma borracha. Em casa, ela apagava todas as respostas escritas pelo antigo dono dos livros doados para a filha dela, Angélica Oton. Assim, a jovem de 20 anos, construía novas repostas e estudava para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a nota da prova, ela foi aprovada pelo Sisu 2024 para o curso de medicina, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
"Fiquei muito feliz quando eu vi o meu nome. Deu uma sensação de alívio e de dever cumprido. Corri e abracei meu pai. Corri e abracei minha mãe. Os vizinhos chegando. Todo mundo tava torcendo por isso, e a gente ficou muito feliz", lembrou.
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Mas antes de realizar esse sonho coletivo, um longo caminho precisou ser percorrido pela jovem sertaneja, que mora em Boa Ventura. Ela foi bolsista em uma escola localizada na cidade vizinha, Itaporanga. Acordava antes do sol nascer, ainda na madrugada. Para que ela pudesse assistir às aulas, os pais pagavam uma taxa de cerca de R$ 150 com o transporte em um ônibus. Isso já pesava no orçamento da família.
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Quando terminou o ensino médio, a aprovação não veio na primeira tentativa. Nem na segunda. Na terceira, todo o esforço de Angélica e da família dela foram recompensados. Só que até isso acontecer, foram dias e mais dias de estudos. Em alguns deles, ela chegou a passar até 11 horas na frente dos livros, apostilas e provas.
"Todos os dias não eram iguais. Estudava até 11 horas, mas variava. Teve dia que de tão cansada estudei 40 minutos. Mas no meu plano de estudos, devia fechar as 10 horas por dia", explicou.
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Como os cursinhos eram caros, a estudante não conseguiu contratar nenhum. Os livros e apostilas recebidos por meio de doação se tornaram a principal estratégia de estudos de Angélica, que se identifica com dedicação à teoria.
"Minha mãe ia apagando as repostas e eu ia estudando", recordou.
Espaço onde Angélica Oton, aprovada em Medicina, estudou em casa por dois anos
Angélica Oton/Arquivo pessoal
As aulas eram acompanhadas pelo Youtube. Além da teoria, ainda houve espaço para a prática com a resolução de questões, produção de resumos e revisões semanais. A agora "fera" em medicina também dividiu a mensalidade de uma assinatura de plataforma de correção de redações com uma amiga.
Encher as paredes de pedaços de papel colorido também teve o seu valor. Com o que estudou a distância de um piscar de olhos, a jovem revisava de forma mais rápida o que era mais pontual. A ótima memória fotográfica ajudou na hora da prova. Tudo isso fez com que ela alcançasse uma média de 877,55 no Sisu, na modalidade ampla concorrência com bônus regional.
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'Nossa casa praticamente não tem móveis porque minha mãe tava investindo na minha educação'
Muitas coisas motivaram Angélica na escolha da profissão que deve seguir pelo resto da vida.
"Sempre gostei muito de servir as pessoas, de cuidar. Eu quero ajudar pessoas como fui ajudada de alguma forma", destacou.
Mas um incentivo foi o maior de todos: proporcionar uma vida melhor para os pais, que ela considera essenciais na conquista da vaga na universidade.
"Uma das minhas maiores motivações sempre foi ver eles ali trabalhando, se esforçando. Sempre arrumavam outros empregos pra completar a renda da família. Muita gente falava 'por que não compra isso? Por que não compra aquilo?'. Porque nossa casa casa praticamente não tem móveis porque minha mãe tava investindo na minha educação. Eles [os pais] foram essenciais. Sem eles eu não teria como conseguir", reforçou.
Enquanto a mãe de Angélica deixava os livros prontos para ela estudar, o pai pedia autorização para imprimir provas antigas do Enem e simulados no segundo emprego, em uma secretaria de escola.
"Meu pai sempre disse que o sonho dele era ter uma fazenda. E desde pequena eu digo que vou arrumar um emprego pra realizar. Sempre pensei em tirar minha mãe do trabalho dela, que é muito cansativo. Não tem como retribuir a um pai e uma mãe, mas ajudar eles a mudar de vida. E a minha família como um todo. Dar qualidade de vida para eles, uma casa melhor para morar", sonhou.
Filha de gari e vigia, Angélica Oton passa para medicina em casa com livros doados
Angélica Oton/Arquivo pessoal
'Estar focado no que você quer muda tudo'
Para quem vai encarar a maratona de estudos para o Enem, Angélica diz que "estar focado no que você quer muda tudo" e outros três fatores são fundamentais:
Escolher o método de estudo que mais funcione para cada um;
Selecionar um bom material para estudar;
Não desistir.
"O processo é solitário por mais que tenha gente ao redor. Algumas pessoas acham que não são capazes de fazer determinado curso, mas os estudos são o que tornam isso palpável. Eu não imaginava passar em medicina vindo da realidade que eu tenho. Mas o estudo torna isso possível", concluiu.
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