Mais de 420 escolas estaduais foram danificadas nas inundações do Rio Grande do Sul

Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
Balanço da Secretaria Estadual de Educação mostra que, até esta quinta-feira (9), quase 20% das instituições de ensino do RS sofreram prejuízos no mobiliário, nos equipamentos ou na estrutura geral. Desabrigados pelas chuvas em abrigo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 8 de maio de 2024. Entre as escolas estaduais, 75 estão servindo de local de acolhimento das vítimas das inundações
Nelson Almeida/ AFP
Além de todas as moradias que terão de ser reconstruídas após as inundações do Rio Grande do Sul, outro desafio será enfrentado pelo estado: a reestruturação de pelo menos 426 escolas estaduais que foram danificadas pela água.
🖊️O governo estadual explicou ao g1 que, como o acesso às instituições de ensino está comprometido, a Secretaria de Obras Públicas não havia conseguido, até esta quinta-feira (9), fazer a vistoria para dimensionar os estragos.
"Ainda não foi possível ter um detalhamento. Pode ser questão de mobiliário [danificado], equipamentos ou até obras [comprometidas]", informa a Secretaria de Educação Estadual.
Até a mais recente atualização desta reportagem, também não havia uma estimativa do número de colégios municipais e privados impactados pelo desastre.
De acordo com o Censo Escolar 2023, são 2.345 escolas estaduais no Rio Grande do Sul. Entre elas:
954 (40,7%) foram afetadas de alguma forma pelos temporais, em 236 municípios (estão com problemas de acesso ou foram danificadas);
do grupo acima, 426 instituições de ensino (18,2% do total) sofreram especificamente danos físicos;
75 estão servindo de abrigo para as vítimas das inundações.
📖Mais de 330 mil alunos estão sem aula; em Porto Alegre, não há previsão de volta
A Secretaria afirma também que, dos 738.749 estudantes da rede estadual, 331,2 mil (44,8%) estão com aulas suspensas.
➡️Nas regiões abaixo, não há previsão de retomada das atividades letivas:
Porto Alegre;
São Leopoldo;
Estrela;
Guaíba;
Cachoeira do Sul;
Canoas
e Gravataí.
➡️Em Pelotas e Rio Grande, as aulas estão suspensas até pelo menos sexta-feira, 10 de maio.
➡️E nas áreas abaixo, já foi possível reabrir as escolas:
Uruguaiana;
Osório;
Erechim;
Palmeira das Missões;
Três Passos;
São Luiz Gonzaga;
São Borja;
Ijuí;
Caxias do Sul;
Santa Cruz do Sul;
Passo Fundo;
Santa Maria;
Cruz Alta;
Bagé;
Santo Angelo;
Bento Gonçalves;
Santa Rosa;
Santana do Livramento;
Vacaria;
Soledade
e Carazinho.
Inundações deixaram mais de 100 mortos
O boletim da Defesa Civil do Rio Grande do Sul da manhã desta quinta-feira (9) afirma que o número de mortos subiu para 107. Há 136 desaparecidos e 374 feridos.
Segundo os meteorologistas, os temporais que ocorrem no Rio Grande do Sul desde o fim de abril são reflexo de ao menos quatro fenômenos que ocorrem na região, agravados pelas mudanças climáticas:
☀️Uma onda de calor que atinge as regiões Sudeste e Centro-Oeste forma um bloqueio que impede a a chuva de "ir embora".
💨 No fim de abril, havia um cavado, que é uma corrente intensa de vento, agindo sobre o Rio Grande do Sul e contribuindo para que o tempo ficasse instável.
💧 Isso se somou a um corredor de umidade vindo da Amazônia, que aumentou a força da chuva.
🔥Estamos também vivendo as consequências do El Niño (que começou em agosto de 2023, teve um pico em janeiro e terminou em abril de 2024). Ele aqueceu a superfície do Oceano Pacífico, adicionou calor extra à atmosfera e aumentou as temperaturas globais.
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Famoso nas redes, menino de 3 anos que já sabe ler e escrever expõe dificuldades no acesso à educação especial

Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
Bateria de testes apontaram um QI de 141 pontos em menino de São Bernardo do Campo (SP). A brincadeira preferida de Fernandinho é aprender palavras novas
Arquivo Pessoal/Via BBC
Fernandinho, como é chamado carinhosamente pelos pais, sempre apresentou interesse pela alfabetização, desde seu primeiro ano de vida.
🧠 Uma bateria de testes apontou que o menino tem um QI (Quociente de Inteligência, métrica que busca quantificar a capacidade intelectual de uma pessoa) de 141 pontos.
Isso significa que ele é uma criança superdotada. Sua neuropsicóloga também está investigando sinais do transtorno do espectro autista grau 1.
Em um ano, 200 mil alunos com autismo foram matriculados em escolas comuns; falta de apoio a professores ainda é obstáculo
Vídeos compartilhados nas redes sociais recém-criadas pelos pais de Fernandinho têm chamado a atenção.
Neles, o bebê aparece escrevendo palavras e frases, lendo e estudando apostilas como se estivesse no primeiro ano do ensino fundamental.
No Instagram, ele já tem mais de 300 mil seguidores. No TikTok, acumula milhares de curtidas em uma conta do pai.
Nascido em São Bernardo do Campo (SP), o menino prodígio, que completou três anos no dia 6 de maio, é tão atento à gramática que não esquece de colocar acento nas palavras ou concluir frases com pontos de interrogação ao fazer perguntas.
“Ele sempre foi uma criança normal. Começou a falar com um aninho, mas foi aos dois que desenvolveu uma dicção melhor", diz o pai, Matheus de Almeida Gomes da Silva, de 28 anos.
"Seu primeiro contato com a escrita foi com aqueles livrinhos de banho que ele brincava desde os quatro meses, e depois com um tatame de letrinhas que ganhou.”
No entanto, embora o bebê demonstrasse interesse por livros ou objetos que tivessem a ver com a escrita, até então, a família não via nada de diferente.
Um episódio em uma livraria, porém, chamou a atenção do pai.
A família está em busca de uma bolsa de estudos em um colégio particular
Arquivo Pessoal/via BBC
🔠 "Um dia fomos em uma livraria – ele estava com um ano e quatro meses – e nós queríamos mostrar os brinquedos, mas ele ficou numa mesinha que tinha que encaixar as letrinhas para formar algumas palavras pequenas, e não queria sair dali", lembra Matheus.
"Eu achei aquilo muito estranho, mas pensei que ele tinha gostado porque era um brinquedo de montar. Depois, comprei uma igual para ele."
Após esse episódio, o bebê começou a assistir vídeos de alfabetização infantil no YouTube.
"Daí, ele viu como fazia o 'w', pegou um papel e começou a repetir. Isso com um ano e sem a gente falar nada. Aliás, antes mesmo de falar, ele já identificava todo o alfabeto", conta o pai.
"Nós nunca precisamos pegar na mão e ensinar nada – ele tem uma coordenação muito fácil e simplesmente foi fazendo", acrescenta.
O pai lembra que Fernandinho gostava muito do Blipp, personagem de um desenho do Youtube.
"Um dia, a gente acordou e estava escrito Blipp numa folha de caderno em casa. Outro dia estava escrito 'Drogasil' [rede de farmácias]. Ele tem uma memória muito impressionante", relata o pai.
As fases do desenvolvimento infantil
De acordo com a médica pediatra Ana Paula Scoleze Ferrer, o desenvolvimento infantil tem diversas etapas, que são esperadas em determinadas fases.
No entanto, é comum haver uma grande variabilidade entre elas.
👶 Por exemplo: alguns bebês começam a andar mais cedo do que outros, a falar primeiro, formar frases mais complexas, e assim por diante.
Em geral, isso significa que todos terão a mesma sequência de desenvolvimento, mas a velocidade com que cada criança adquire essas habilidades varia, detalha a pediatra, coordenadora do Serviço de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento e do Ambulatório Geral de Crianças com Condições Crônicas e Necessidades Especiais de Saúde do ICr – HCFMUSP (Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
"Há uma variação genética entre os indivíduos, mas, principalmente, existe uma variabilidade ambiental. O meio sociocultural em que a criança está inserida interfere muito", diz a especialista.
Segundo ela, a genética determina 20% do desenvolvimento, mas 80% se deve a fatores contextuais e ambientais.
"E quando falo em ambiente, estou falando de uma forma bem abrangente. Dependendo da cultura, essa criança pode ser mais ou menos estimulada para diferentes habilidades", explica Ferrer.
Fernandinho, agora com 3 anos, adora brincar com letras
Arquivo Pessoal/Via BBC
Marcos do desenvolvimento
🚼 Segundo a pediatra, no primeiro ano de vida, o esperado é que a criança desenvolva mais intensamente os sentidos, como a visão e audição.
"Essa etapa também é marcada pelo maior desenvolvimento das habilidades motoras, então a criança começa a pegar os objetos e manusear, começa a ficar de pé, andar. Isso é muito marcante nesse período", observa.
Nessa primeira fase, a criança também começa a desenvolver a linguagem socioemocional, embora não seja esse o foco.
"Nesse segundo ano de vida, o mais importante é a intensificação da linguagem, porque ela adquire um vocabulário mais amplo e tem uma capacidade de compreender ordens simples e complexas", descreve a pediatra.
Depois, a criança entra no que os especialistas chamam de idade pré-escolar, entre dois e seis anos.
O que marca essa fase é, principalmente, uma ampliação do desenvolvimento socioemocional e as chamadas funções executivas, que são a capacidade de controlar impulsos, de concentração, atenção e memória.
"Isso tudo vai ser aprimorado entre os dois e seis anos de idade", destaca a especialista.
Fernandinho ao lado do pai, Matheus
Arquivo Pessoal/via BBC
Família procurou especialista
Surpresos com as habilidades do menino e também a pedido da creche, onde ele apresentava dificuldades de interação com as demais crianças, a família procurou no ano passado uma neuropsicóloga para entender o que estava acontecendo.
Matheus conta que, até então, não tinha conhecimento de crianças superdotadas.
Após passar por uma bateria de testes neuropsicológicos, Fernandinho atingiu um QI de 141 pontos.
De acordo com o laudo médico, aos dois anos, o menino tinha o raciocínio de uma criança de seis anos. Isso explica, em parte, sua irritabilidade na creche com as crianças da sua idade.
Pessoas consideradas superdotadas têm acima de 130 pontos de QI em testes utilizados no Brasil.
Assim, Fernandinho está acima da média, mesmo para um superdotado. Mas os testes revelaram mais coisas.
Ele fez 12 sessões com uma psicóloga para avaliar raciocínio, interação motora e social, com brincadeiras e outras atividades.
O resultado, além da superdotação, apontou que ele tem traços autistas, por conta da dificuldade de interação social, conta o pai da criança.
"Porém, não dá para fechar um diagnóstico e bater um martelo, porque ele ainda é muito novinho", diz Matheus.
No entanto, mesmo sem um diagnóstico conclusivo, a criança já iniciou diversas terapias, inclusive, a comportamental no método ABA, que trabalha os comportamentos relacionados ao TEA (transtorno do espectro autista), além de fonoaudiologia, musicoterapias e afins.
"A psicóloga disse que essa dificuldade de interação pode estar relacionada a essa superdotação ou pode ser que seja autismo nível 1. A gente vai precisar trabalhar mais com ele para saber ao certo", diz o pai.
Agora, a família está buscando obter uma bolsa de estudos para o menino em um colégio particular, onde acreditam que suas particularidades serão mais bem trabalhadas.
Pais de crianças como Fernandinho relatam dificuldade em encontrar esse tipo de atenção na rede pública, embora existam leis que assegurem o direito ao aprendizado especial.
Superdotação pode ser confundida com autismo?
Especialistas afirmam que sim. A princípio, a superdotação ou as altas habilidades podem ser confundidas com características presentes no TEA.
Na verdade, há uma variedade ampla entre as crianças com Transtorno do Espectro Autista, explica a médica Ana Paula Scoleze Ferrer.
"Muitas têm um desempenho cognitivo dentro do esperado, parte delas pode ter um déficit cognitivo, enquanto outras têm altas habilidades", afirma a pediatra.
"Por isso, é muito difícil fechar um diagnóstico em uma criança de dois anos. Isso depende do surgimento de outras manifestações clínicas associadas que, normalmente, só aparecem ao longo do tempo", observa.
Além disso, crianças superdotadas ou com altas habilidades podem ter muita dificuldade de lidar com outras da mesma idade, já que elas têm um raciocínio mais avançado, como é o caso de Fernandinho.
"Todo mundo que foge do padrão esperado, seja para mais ou para menos, muitas vezes, tem dificuldade de estabelecer relações interpessoais", comenta a pediatra.
Como identificar crianças superdotadas?
Antes de mais nada, é preciso entender que sinais de precocidade não definem superdotação – que só pode ser confirmada após uma bateria de testes que visam entender a capacidade de processamento intelectual.
A avaliação é feita por psicólogos, neuropsicólogos ou psicopedagogos e especialistas, e deve ser feita o mais cedo possível, a fim de diminuir impactos negativos no desenvolvimento da criança.
As crianças superdotadas não identificadas precocemente podem mostrar-se desinteressadas na escola e podem ter problemas de conduta, devido à metodologia de ensino repetitiva da escola "tradicional" — que acaba irritando os pequenos com altas habilidades e fazendo com que eles não se desenvolvam academicamente.
Algumas características apontadas pela Secretaria da Educação Especial do MEC (2006) podem indicar uma eventual superdotação. São essas:
Curiosidade aguçada;
Vocabulário avançado para a idade;
Facilidade de aprendizagem e potencial intelectual muito elevado;
Raciocínio rápido;
Liderança e autoconfiança;
Ótima memória;
Criatividade;
Habilidade para adaptar ou modificar ideias;
Observações perspicazes;
Persistência ao buscar um objetivo.
"Crianças superdotadas podem ter interesse por letras, números, contas matemáticas, bichos e, normalmente, são alfabetizadas mais cedo, por terem gosto pela leitura e outras questões que não são comuns para a idade", explica Claudia Hakim, advogada especialista em direito educacional, neurociências e psicologia aplicada.
"No entanto, não necessariamente todas os superdotados vão ter todas essas características", acrescenta.
Altas habilidades vão muito além da capacidade excepcional na matemática, podendo se revelar na liderança, criatividade, música e esportes
Getty Images/via BBC
Há crianças que têm outros tipos de altas habilidades, que também podem se manifestar cedo e que precisam ser investigadas, diz a advogada, sócia do Instituto Brasileiro de Superdotação e Dupla Excepcionalidade.
Isso porque a Política Nacional de Educação Especial (PNEE) considera como características de superdotação não somente as habilidades intelectuais e acadêmicas, mas também habilidades de liderança, criatividade, música e esportes, acrescenta ela, autora de diversos livros sobre o tema.
Inclusão educacional não saiu do papel
No Brasil, as crianças superdotadas têm o direito assegurado por lei de entrarem em um programa de inclusão educacional, a chamada educação especial, voltada a todos os indivíduos que possuem qualquer tipo de dificuldade (auditiva, visual, cognitiva) ou facilidade de aprendizagem (altas habilidades ou superdotação), em todas as fases de ensino.
"Existem várias normas do Conselho Nacional de Educação [colegiado vinculado ao Ministério da Educação] e estaduais que tratam da superdotação, prevendo várias formas de atendimento e identificação dessas crianças", destaca a advogada.
A educação especial é obrigatória nas redes pública e privada. No entanto, ela só pode ser concretizada se houver recursos.
No caso das escolas públicas, esse atendimento também pode ser feito através de núcleos e centros especializados ou parcerias com instituições de ensino superior.
"Legislação existe bastante, como a PNEE ou a LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional], mas as escolas, por não ter conhecimento, por não querer essa responsabilidade, ou mesmo por falta de capacitação profissional, não cumprem seu papel, e as crianças acabam sem atendimento", ressalta.
"A lei diz que a escola deveria identificar essas crianças, o que não acontece na prática por uma série de questões. Na verdade, a culpa toda é do sistema educacional", defende a advogada.
O Ministério da Educação foi contatado por e-mail e telefone para se posicionar, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento dessa reportagem.
Fernandinho é apaixonado pelo cantor Thiaguinho e pelos pagodes que escuta com o pai
Arquivo Pessoal/via BBC
Enquanto aguarda a tão sonhada bolsa de estudos em um colégio particular, a família de Fernandinho segue estimulando ele como pode.
O menino, assim como o pai, gosta muito do cantor Thiaguinho.
Ele já ganhou um DVD do artista de presente, o que se tornou mais um incentivo para seu desenvolvimento.
Isso porque, além de cantar, o menino também escreve o nome de suas músicas preferidas.
"Pensei que ele copiava as letras e memorizava a sequência, mas que ainda não sabia ler. Até que uma vez ele leu o nome de uma música e eu fiquei um pouco assustado, mas acabou sendo um processo natural", diz Matheus.
A partir daí, o menino começou realmente a ler, aos dois anos.
"Depois ele começou a ler coisas no supermercado e agora já está lendo tudo muito rápido”, comenta o pai, já bem mais aliviado.
Em um ano, 200 mil alunos com autismo foram matriculados em escolas comuns

6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil

Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
O fim da escravidão no Brasil completa 136 anos hoje. Conheça a história de personalidades que tiveram papel importante neste processo. Batalha pela abolição já ocorria nas províncias brasileiras anos antes da assinatura da Lei Áurea, e reunia escravizados, negros libertos, pessoas da classe média e da alta sociedade
André Valente/BBC
O fim da escravidão no Brasil completa 136 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição – sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravizados.
A decisão veio após mais de três séculos de escravidão, que resultaram em 4,9 milhões de africanos traficados para o Brasil, sendo que mais de 600 mil morreram no caminho.
Mas a abolição no Brasil está longe de ter sido uma benevolência da monarquia. Na verdade, foi resultado de diversos fatores, entre eles, o crescimento do movimento abolicionista na década de 1880, cuja força não podia mais ser contida.
Abolição da escravatura: o que mudou no debate sobre o 13 de maio
Entre as formas de resistência, estavam grandes embates parlamentares, manifestações artísticas, até revoltas e fugas massivas de escravizados, que a polícia e o Exército não conseguiam – e, a partir de certo ponto, não queriam – reprimir. Em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão, dando ainda mais força para o movimento.
A disputa continuou no pós-libertação, para que novas políticas fossem criadas destinando terras e indenizações aos ex-escravizados – o que nunca ocorreu.
Calcula-se que Luís Gama tenha ajudado a libertar cerca de 500 escravizados
Acervo da Biblioteca Nacional
13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura: é para celebrar?
Luís Gama, o ex-escravizado que se tornou advogado
Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 1830, em Salvador, filho de mãe africana livre e pai branco de origem portuguesa. Quando o menino tinha quatro anos, sua mãe, Luísa, teria participado revolta dos Malês, na Bahia, pelo fim da escravidão.
Uma reviravolta ocorreu quando Gama tinha dez anos: ficou sob cuidados de um amigo do pai, que o vendeu como escravizado. O menino "embarcou livre em Salvador e desembarcou escravizado no Rio de Janeiro", escreve a socióloga Angela Alonso no livro Flores, Votos e Balas, sobre o movimento abolicionista. Depois, foi levado para São Paulo, onde trabalhou como escravizado doméstico. "Aprendi a copeiro, sapateiro, a lavar e a engomar roupa e a costurar", escreveu o baiano.
Aos 17 anos, Gama aprendeu a ler e escrever com um estudante de direito. E reivindicou sua liberdade ao seu proprietário, afinal, nascera livre, livre era.
Em São Paulo, Gama se tornou rábula (advogado autodidata, sem diploma) e criou uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com ações na Justiça para libertar escravizados. Calcula-se que tenha ajudado a conseguir a liberdade de cerca de 500 pessoas.
Gama usava diversos argumentos para obter a alforria. O principal deles era que os africanos trazidos ao Brasil depois de 1831 tinham sido escravizados ilegalmente. Isso porque naquele ano foi assinado um tratado de proibição do tráfico de pessoas escravizadas. Mais de 700 mil pessoas tinham entrado no país nessas condições. Apenas em 1850 o tráfico de escravizados foi abolido definitivamente.
"As vozes dos abolicionistas têm posto em relevo um fato altamente criminoso e assaz defendido pelas nossas indignas autoridades. A maior parte dos escravos africanos (…) foram importados depois da lei proibitiva do tráfico promulgada em 1831", disse Gama na época.
O advogado ainda entrou com diversos pedidos de habeas corpus para soltar escravizados que estavam presos, acusados, sobretudo, de fuga. Ainda trabalhou em ações de liberdade, quando o escravizado fazia um pedido judicial para comprar sua própria alforria – o que passou a ser permitido em 1871, em um dos artigos da Lei do Ventre Livre.
Luís Gama morreu em 1882, sem ver a abolição. Seu funeral, em São Paulo, foi seguido por uma multidão. "Quanto galgara Luís Gama, de ex-escravo a morto ilustre, em cujo funeral todas as classes representavam-se. Comércio de porta fechada, bandeira a meio mastro, de tempos em tempos, um discurso; nas sacadas, debruçavam-se tapeçarias, como nas procissões da Semana Santa", relata Alonso.
Na hora do enterro, alguém gritou pedindo que a multidão jurasse sobre o corpo de Gama que não deixaria morrer a ideia pela qual ele combatera. E juraram todos.
Nesta pintura da sessão parlamentar que aboliu a escravidão no Ceará, em 1884, é possível ver diversas mulheres entre os homens
Acervo da Biblioteca Nacional
Maria Tomásia Figueira Lima, a aristocrata que lutou para adiantar a abolição no Ceará
Filha de uma família tradicional de Sobral (CE), Maria Tomásia foi para Fortaleza depois de se casar com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Na capital, tornou-se uma das principais articuladoras do movimento que levou o Estado a decretar a libertação dos escravizados quatro anos antes da Lei Áurea.
Segundo o Dicionário de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e a primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de famílias influentes para argumentar a favor da abolição.
Ao fim de sua primeira reunião, elas mesmas assinaram 12 cartas de alforria e, em seguida, conseguiram que senhores de engenho assinassem mais 72.
As mulheres conseguiram, inclusive, o apoio financeiro do imperador Pedro 2º para a iniciativa. Juntamente com outras sociedades abolicionistas da época, elas organizaram reuniões abertas com a população, promoviam a libertação de escravizados em municípios do interior do Ceará e publicavam textos nos jornais pedindo a abolição em toda a província.
Maria Tomásia estava presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de março de 1884, quando foi realizado o ato oficial de libertação dos escravizados do Ceará, que deu força à campanha abolicionista no país.
André Rebouças era adepto de uma reforma agrária que concedesse terras para os ex-escravizados
Museu Afro Brasil
André Rebouças, o engenheiro que queria dar terras aos libertos
André Rebouças nasceu na Bahia, em 1838, em uma família negra, livre, e incluída na sociedade imperial. Quando jovem, estudou engenharia e começou a trabalhar na área. Foi responsável por diversas obras de engenharia importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. Conquistou posição social e respeito na corte. A Avenida Rebouças, importante via em São Paulo, é uma homenagem a André e a seu irmão Antonio, também engenheiro.
Em uma das obras de que participou, outro engenheiro pediu que Rebouças libertasse o escravizado Chico, que era operário e tinha sido responsável pelos trabalhos hidráulicos. "Foi quando sua atenção recaiu sobre o assunto", escreve Angela Alonso, também em Flores, Votos e Balas. Chico foi, então, libertado.
"Sou abolicionista de coração. Não me acusa a consciência ter deixado uma só ocasião de fazer propaganda para a abolição dos escravos, e espero em Deus não morrer sem ter dado ao meu país as mais exuberantes provas da minha dedicação à santa causa da emancipação", discursou certa vez Rebouças, na presença do imperador Pedro 2º.
Na década de 1870, Rebouças se engajou na campanha pelo fim da escravidão. Participou de diversas sociedades abolicionistas e acabou se tornando um dos principais articuladores do movimento. Um de seus papéis foi fazer lobby – uma ponte entre os abolicionistas da elite e as instituições políticas, para quem executava obras de engenharia.
As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os libertos tivessem acesso à terra e a direitos, para serem integrados, não marginalizados. "É preciso dar terra ao negro. A escravidão é um crime. O latifúndio é uma atrocidade. (…) Não há comunismo na minha nacionalização do solo. É pura e simplesmente democracia rural", proclamou Rebouças.
O engenheiro também se opunha ao pagamento de indenização para os senhores de escravizados em troca da liberdade – para Rebouças, isso seria uma forma de validar que uma pessoa fosse propriedade da outra.
Apoiador da monarquia e da família real brasileira, Rebouças foi ainda um dos responsáveis pela exaltação da Princesa Isabel como patrona da abolição.
Como não há registros fotográficos de Adelina, a charuteira, ilustração foi baseada em fotografias de escravizadas que viviam no Maranhão na época
André Valente/BBC
Adelina, a charuteira que atuava como 'espiã'
Filha bastarda e escravizada do próprio pai, Adelina passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de São Luís (MA). Suas datas de nascimento e morte não são conhecidas. Seu sobrenome, também não.
Como escravizada criada na casa grande, Adelina aprendeu a ler e escrever. Trabalhando nas ruas, assistia a discursos de abolicionistas e decidiu se envolver na causa.
De acordo com o Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, de Clóvis Moura (Edusp), Adelina enviava à associação Clube dos Mortos – que escondia escravizados e promovia sua fuga – informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas.
Aos 17 anos, Adelina seria alforriada, segundo a promessa que seu senhor fez a sua mãe. Mas, segundo o Dicionário, isso não aconteceu.
Francisco José do Nascimento se recusou a transportar escravizados das praias de Fortaleza para navios negreiros
André Valente/BBC
Dragão do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravizados para os navios
O jangadeiro e prático (condutor de embarcações) Francisco José do Nascimento (1839-1914), um homem pardo conhecido como Dragão do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da província, a primeira do Brasil a abolir a escravidão.
Em 1881, o Dragão do Mar comandou, em Fortaleza, uma greve de jangadeiros que transportavam os negros e negras escravizados para navios que iriam para outros Estados do Nordeste e para o Sul do Brasil. O movimento conseguiu paralisar o tráfico negreiro por alguns dias.
Com o comércio de escravizados impedido nas praias do Ceará, Nascimento foi exonerado do cargo, segundo o registro de Clóvis Moura. E se tornou símbolo da batalha pela libertação dos escravizados.
Depois da abolição, ele tornou-se Major Ajudante de Ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Ceará e morreu como primeiro-tenente honorário da Armada, em 1914.
Romance de Maria Firmina dos Reis é considerado o primeiro a trazer o ponto de vista de personagens negros no Brasil escravocrata
André Valente/BBC
Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista
A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, "filha bastarda", mas formou-se professora primária e publicou, em 1859, o que é considerado por alguns historiadores o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula. O livro conta a história de um triângulo amoroso, mas três dos principais personagens são negros que questionam o sistema escravocrata.
A escritora assinava o livro apenas como "Uma maranhense", um expediente comum entre mulheres da época que se aventuravam no mercado editorial, e só agora começa a ser descoberto pelas universidades, segundo a professora de literatura brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Constância Lima Duarte.
Maria Firmina também publicava contos, poemas e artigos sobre a escravidão em revistas de denúncia no Maranhão.
De acordo com o Dicionário de Mulheres do Brasil: de 1500 Até a Atualidade (Ed. Zahar), ela criou, aos 55 anos de idade, uma escola gratuita e mista para crianças pobres, na qual lecionava. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escravizada.

Enem 2024 será em 3 e 10 de novembro; saiba quando se inscrever e veja todas as datas

Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
Candidatos que obtiveram isenção da taxa de pagamento também precisam se inscrever. Quem não tem direito à gratuidade precisa pagar uma taxa de R$ 85. Edital do Enem 2024 é publicado. Na imagem, tela da página de inscrição do Enem 2023.
Reprodução
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 será aplicado em 3 e 10 de novembro. O cronograma completo foi divulgado no edital da prova, na edição desta segunda-feira (13) do Diário Oficial da União.
Os candidatos deverão se inscrever entre 27 de maio e 7 de junho, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Abaixo, confira as principais informações do exame:
💻 Em que site fazer a inscrição? É só entrar na Página do Participante, em enem.inep.gov.br/participante.
💰 Qual é o valor da taxa de inscrição? Ela custa R$ 85 e deverá ser quitada de 27 de maio a 12 de junho. Somente após o pagamento, a inscrição estará confirmada.
💲 Quais as formas de pagamento? A taxa deve ser paga por boleto, PIX ou cartão de crédito.
🚨 Quem está isento da taxa precisa se inscrever no Enem? SIM! Mesmo quem conseguiu a isenção (como os alunos da rede pública) precisa se inscrever. Somente quem concluir a etapa de inscrição poderá fazer a prova.
🖊️ Para que serve o Enem? Ele é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção, além de ser um requisito para programas governamentais de auxílio estudantil. Não há como se inscrever no Sisu, no Prouni e no Fies sem ter feito o Enem.
🗓️ Quando as provas serão aplicadas? Em 3 e 10 de novembro.
LEIA TAMBÉM: REDAÇÕES NOTA MIL DO ENEM 2023
Dados necessários e etapas da inscrição
Os principais passos para realizar a inscrição no Enem são:
Informe seus dados pessoais: Durante a inscrição, você deverá informar o número do CPF e a data de nascimento.
Preencha seus dados de contato: Forneça um endereço de e-mail único e válido, assim como um número de telefone fixo e/ou celular válido. O Inep poderá utilizar o e-mail cadastrado para enviar informações sobre o exame.
Escolha onde quer fazer a prova: Indique o estado e município onde deseja realizar o exame.
Língua estrangeira: Selecione a língua estrangeira (inglês ou espanhol) na qual realizará a prova.
Crie seu cadastro e senha: Utilize o endereço https://sso.acesso.gov.br/ para criar um cadastro e senha de acesso que irá utilizar na Página do Participante.
Anote a senha em um local seguro, pois você precisará dela para: gerar o boleto com a taxa, que o Inep chama de Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança); realizar alterações nos dados cadastrais; acompanhar a inscrição e obter resultados e outras funcionalidades.
Verifique seus dados e anexe sua foto: Certifique-se de preencher corretamente todas as informações solicitadas, incluindo o Questionário Socioeconômico. Você também terá a opção de anexar uma foto atual, nítida e individual, seguindo as orientações fornecidas.
Confirme os dados e acompanhe a situação da inscrição: Após concluir a inscrição, verifique se todos os dados estão corretos.
Disciplinas e horários
Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos.
1º domingo: 3 de novembro
O candidato deverá fazer:
45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);
45 questões de ciências humanas;
redação.
2º domingo: 10 de novembro
A prova trará:
45 questões de matemática;
45 questões de ciências da natureza.
Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 1º dia: 19h
Término das provas no 2º dia: 18h30
Cronograma completo
Inscrições: de 27/5 a 7/6/2024
Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 12/6/2024
Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 7/6/2024
Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 7/6/2024
Resultado das solicitações de atendimento especializado: 17/6/2024
Recurso para pedidos negados: de 17/6 a 21/6/2024
Resultado do recurso: 27/6/2024
Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada
Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024
Divulgação do gabarito: 20/11/2024
Divulgação do resultado: 13/1/2025
Governo anuncia Enem 2024 ainda sem adaptação ao novo Ensino Médio
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Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul

Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
Novo período começa nesta segunda-feira (13) e vai até 24 de maio. Objetivo é garantir que pessoas afetadas pela tragédia climática que atinge o estado tenham chance de realizar as provas. Encceja, exame em busca de certificação de ensino
Rede Globo/Reprodução
Pessoas que residem no Rio Grande do Sul e querem prestar o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2024 terão mais uma oportunidade de se inscreverem.
O novo período começa nesta segunda-feira (13) e vai até 24 de maio. Para o restante do país, o prazo de inscrição foi encerrado em 10 de maio. A inscrição deve ser feita no site enccejanacional.inep.gov.br/encceja/#!/inicial. As provas serão aplicadas em 25 de agosto em todo o país.
A decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pelo exame, foi divulgada nesta segunda. Ela acontece diante dos temporais e cheias que atingem o estado desde o final de abril, e que já deixou 147 mortos, 127 desaparecidos e 806 feridos.
O Encceja é uma prova voluntária e gratuita que serve para certificar jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade apropriada. A certificação para o ensino fundamental é feita para estudantes acima de 15 anos. Para o ensino médio, é preciso ter mais de 18 anos.
O certificado é o equivalente ao diploma de conclusão dessas etapas do ensino.
Cronograma do Encceja 2024
Inscrições iniciais: 29 e abril a 10 de maio (encerrada).
Inscrições específicas para o RS: 13 a 24 de maio.
Provas: 25 de agosto.
Divulgação do gabarito: os gabaritos oficiais das provas objetivas serão divulgados no Portal do Inep em até 10 dias úteis após a aplicação do exame.
Resultados: 23 de dezembro.
Sobre as provas
O Encceja é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha. Provas também incluem uma redação de até 30 linhas. O modelo é de texto dissertativo-argumentativo, o mesmo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
As provas para certificado do ensino fundamental são:
ciências naturais;
matemática;
língua portuguesa, língua estrangeira, artes, educação física e redação
história e geografia;
No ensino médio, são provas de:
ciências da natureza e suas tecnologias;
matemática e suas tecnologias;
linguagens, códigos e suas tecnologias e redação;
ciências humanas e suas tecnologias;
Para obter o certificado, o participante deverá atingir no mínimo 100 pontos em cada uma das provas, em uma escala de 60 a 180. Na redação, é preciso ter nota igual ou acima de 5.
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