Racismo na escola: acusados podem ser expulsos? Quais as consequências para os envolvidos?

‘Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana’, diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO
Especialistas explicam que a instituição precisa investigar as denúncias e tomar as medidas cabíveis, que vão de suspensão a expulsão. Adolescentes e pais podem responder na Justiça. Colégio Vera Cruz, na Zona Oeste de SP, onde estudam as filhas da atriz Samara Felippo e do jogador Leandrinho.
Montagem/g1/Reprodução/Instagram
A atriz Samara Felippo denunciou, no fim de semana, que a filha de 14 anos foi vítima de racismo em uma escola particular de alto padrão na cidade de São Paulo. Samara diz que as agressoras são duas alunas da mesma escola, que escreveram ofensas de cunho racista no caderno da adolescente. A escola suspendeu por tempo indeterminado as alunas.
O caso não é isolado. Em março, uma aluna da rede municipal de Novo Horizonte, no interior de São Paulo, foi agredida física e verbalmente por cinco alunos que a chamaram de "macaca", "cabelo de bombril" e "capacete de astronauta".
Em 2023, mais 3 mil denúncias de racismo foram registradas apenas em escolas estaduais de São Paulo. No Brasil, a cada 10 pessoas que sofreram racismo, 4 foram vítimas da violência em escolas, faculdades ou universidades.
Abaixo, entenda quais os direitos e deveres das vítimas, da escola e dos agressores diante de casos como estes:
Racismo é diferente de bullying
Bullying é um tipo de violência que é praticado no ambiente escolar (da educação básica ao pós-doutorado), em clubes ou em agremiações recreativas. Bullying não é o termo usado para definir a agressão física ou psicológica, xingamento, violência, ameaça ou exclusão contínuos que acontecem no trabalho.
Em contrapartida, o racismo é uma agressão (física e/ou psicológica, recorrente ou não) com base em características de cor, raça ou etnia da vítima, que pode acontecer em qualquer lugar e ser praticado por qualquer pessoa.
Segundo Elisa Cruz, professora da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Rio), o racismo é um mecanismo de poder que pressupõe a inferiorização das vítimas, e, portanto, quem pertence a grupos majoritários de poder não podem ser vítimas desse mecanismo — o que inviabiliza a existência de um “racismo reverso”.
Desde janeiro deste ano, a Lei 14.811 acrescentou ao Código Penal o crime de bullying e cyberbullying (quando o crime acontece no ambiente virtual), que prevê penas de reclusão de 2 a 4 anos, e multa.
Já o racismo é um crime inafiançável previsto pela Lei 7.716, de 1989, e prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa.
Quando o racismo acontece na escola
Atualmente, não existe uma lei específica que pode ser aplicada quando os casos de racismo ocorrem no ambiente escolar. Nestes casos, segundo Elisa Cruz, podem ser usados o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
“Esses dois mecanismos legais dispõem tanto sobre o direito das crianças quanto sobre o sentido da educação e para que ela serve”, explica a especialista.
Toda criança e adolescente tem o direito de conviver, seja na família ou nos espaços sociais, em um ambiente livre de violência. E, no âmbito educacional, ela precisa ter seu espaço respeitado e ter garantido o direito de estar em um local de experiências sociais e de aprendizado positivas.
A partir do momento em que esses direitos são desrespeitados e o racismo acontece dentro da escola, o primeiro mecanismo de defesa deve ser da própria escola.
“A administração escolar precisa entender o que está acontecendo e agir rapidamente para recompor o ambiente saudável para todos os alunos", explica Ana Paula Siqueira, doutoranda em direito pela PUC São Paulo.
Neste caso, uma medida de precaução imediata pode ser a suspensão do estudante ou do grupo discente apontado como infrator. No entanto, essa não deve ser a única atitude tomada pela escola.
Além de proteger a vítima, garantindo a ela um ambiente de aprendizagem seguro, também é dever da escola investigar o caso e definir as medidas disciplinares que serão tomadas.
Durante a investigação, deve ser garantido aos suspeitos da infração o direito de se explicar.
No processo de decisão, segundo Elisa Cruz, a escola precisa refletir sobre três perguntas fundamentais:
O que foi praticado viola o código ético da própria escola?
Favorece o processo educacional das pessoas envolvidas e do conjunto de alunos manter todo mundo na mesma escola?
Como a vítima vai se sentir se tiver que conviver com seus agressores?
As respostas para essas perguntas podem nortear a decisão da escola, que pode ser tanto pela reintegração dos alunos suspensos quanto pela expulsão dos infratores.
No caso de uma ocorrência registrada em escola pública na qual a decisão da gestão seja pela expulsão do aluno agressor, deve ser mantido o direito do estudante à educação. Portanto, deve ser garantida a ele uma vaga em outra escola da rede.
Racismo em ambiente escolar pode ser judicializado?
Além de ser necessário que haja uma investigação e uma decisão pela administração escolar, os interessados no caso, sejam os pais da vítima ou a própria escola, podem fazer um registro de ocorrência na polícia ou uma denúncia no Ministério Público em razão do racismo.
Caso os infratores tenham entre 12 e 18 anos, podem ser encaminhados para a delegacia de polícia para o registro de ato infracional análogo ao crime de racismo, ou análogo ao crime de injúria racial, a depender da conduta.
Quando é racismo? Quando a violação é objetiva, ou seja, quando características de raça são utilizadas para causar violência em outra pessoa.
Quando é injúria racial? Sempre que o elemento é subjetivo, quando a honra da vítima é ofendida.
Em ambos os casos, se o Ministério Público entender que a denúncia é procedente, os infratores podem ser responsabilizados penalmente. O processo corre na Vara da Infância e Juventude, e os próprios infratores, mesmo que menores de idade, são responsabilizados.
Os infratores ficam sujeitos a medidas socioeducativas como advertência, liberdade assistida, podendo chegar até mesmo em internação, que é uma versão penal [de reclusão] para adolescentes da Justiça Criminal dos adultos.
O caso também pode ser processado no âmbito civil, cabendo a responsabilização dos pais, na ocasião de os infratores serem menores de 18 anos, podendo resultar na decisão de indenizar financeiramente a vítima.
VEJA VÍDEO SOBRE O CASO:
Samara Felippo quer a expulsão de alunas acusadas de racismo contra filha
VÍDEOS E PODCAST DE EDUCAÇÃO

Bater em crianças é crime? Entenda o que a lei prevê em casos de agressão

‘Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana’, diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO
Qualquer tipo de castigo físico ou psicológico pode ser considerado crime. Penas podem variar de acordo com a gravidade da agressão. Menina de 11 anos apresentava hematomas nos braços e pernas após apanhar da mãe
Reprodução/WhatsApp
Qualquer tipo de agressão a crianças, seja física ou psicológica, pode ser considerado crime. De acordo com a Constituição Federal, crianças e adolescentes têm direito à dignidade e não podem ser expostos à violência, crueldade e opressão.
No fim de semana, uma mulher foi presa preventivamente após agredir sua filha de 11 anos em Pernambuco. Na abordagem, a policial militar que atendeu a ocorrência foi filmada dando um tapa no rosto da mulher após ver as marcas de espancamento no corpo da criança.
De acordo com Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direto da infância e da juventude e ex-secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em casos como esse, o responsável pode responder até por crime de tortura.
"A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) asseguram a inviolabilidade da integridade física e psicológica das crianças e adolescentes. Eles não podem ser submetidos a nenhuma forma de violência", detalha o advogado.
👉 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é o conjunto de leis que estabelece os direitos e deveres das crianças e adolescentes no Brasil. O estatuto tem como objetivo proteger a integridade física e psicológica desse grupo, garantindo seu desenvolvimento.
Além de proteger as crianças, o ECA também prevê medidas preventivas para casos de violência, além de orientação e penas para aqueles que praticam algum tipo de agressão contra crianças e adolescentes.
O que diz a lei
Iberê de Castro Dias, juiz da Vara da Infância e Juventude, explica que a Constituição sempre protegeu as crianças e adolescentes contra agressão. Mas uma legislação específica e a inclusão de leis sobre esse tema ajudaram a deixar mais claras as consequências para aqueles que protagonizam algum tipo de violência.
"No passado, se tinha muito uma visão que os filhos são propriedade dos pais e eles podem fazer o que bem entenderem na educação das crianças, mas isso vem se modificando", analisa o advogado.
Nesse contexto de mudança, a Lei Menino Bernardo, também conhecida como Lei da Palmada, é um marco importante.
Promulgada em 2014, a lei altera o ECA para "estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante".
⚖️ A lei especifica o que é considerado castigo físico e tratamento cruel ou degradante:
Castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física aplicada sobre a criança ou o adolescente que resulte em sofrimento físico ou lesão;
Tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize.
Segundo Iberê, com essa lei houve pela primeira vez a explicitação da proibição desse tipo de violência, o que contribuiu para o maior debate do tema na sociedade, além de especificar as punições para esse tipo de situação.
Ariel de Castro Alves, que também é membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-SP, ressalta que a lei traz alterações fundamentais no ECA, auxiliando na proteção desse grupo.
"Ela [a lei] foi criada para enfrentar a cultura e tradição de violência contra crianças e adolescentes sobre o pretexto 'educacional', entendendo que quem sofre violência pratica violência", afirma.
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Educação positiva
Os especialistas explicam que um dos principais motivos pelos quais a proibição desse tipo de violência existe é porque qualquer castigo físico ou psicológico contra crianças e adolescentes tem consequências maléficas diretas em seu desenvolvimento.
🧸 Irene Gaeta, membro da Associação Internacional de Psicologia Analítica (IAAP), lista que entre as principais consequências das agressões estão:
Ansiedade
Transtornos depressivos
Baixo desempenho na escola
Comportamento agressivo e violento
Síndrome do pânico
Quadros depressivos
A psicóloga e professora Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Isabel Kahn, comenta que as agressões podem levar à reprodução desses comportamentos agressivos por parte dessas crianças e adolescentes em outras relações no futuro.
"Eles podem repetir essa forma de domínio diante daqueles que se sentem mais fortes, é um padrão de agressividade que se reproduz para alguns", explica.
As especialistas também lembram que os pais e cuidadores devem sempre estar cientes que suas experiências passadas influenciam suas atitudes frente à educação. Elas reforçam a necessidade dos pais e cuidadores serem firmes na educação, mas sempre tendo em mente a importância da escuta.
"A comunicação é a base para estabelecer limites na educação dos filhos. Ao se comunicar de forma clara e calma, os pais podem criar um ambiente de entendimento e respeito mútuo", aconselha Irene Gaeta.
Isabel ainda comenta que os limites vêm para proteger as crianças, e que escutar não significa fazer todas as suas vontades. "É preciso entender quais são seus princípios e seus valores e que não se pode fazer valer uma regra na base da força", afirma.
Consequências para os agressores
Além de explicitar a proibição do uso de violência na educação de crianças, o ECA também determina as punições que devem ser aplicadas nessas situações.
"A rigor, o limite para se definir o que é ou não agressão é zero. Nenhuma agressão verbal ou física é permitida. Mas a forma como isso ecoa na criança vai determinar as consequências para aquele que promoveu a agressão", analisa Iberê Dias.
👨🏻‍⚖️ A lei prevê que os responsáveis que utilizarem castigos físicos ou psicológicos estão sujeitos às seguintes medidas, que serão aplicados de acordo com a gravidade do caso:
Encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de proteção à família;
Encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
Encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
Advertência.
A depender do nível da agressão, pode ser configurada nos crimes de tortura e maus tratos. Ambos preveem pena de detenção e multa e têm a pena aumentada quando a vítima é criança ou adolescente.
"Só punir não resolve. É preciso educar mães, pais e responsáveis para que exerçam seu papel de educadores da maneira correta, com cuidado e sem violência", alerta Iberê Dias.
Denúncia
Os especialistas ainda ressaltam a importância da denúncia nos casos de violência contra crianças e adolescentes. Aqueles que presenciarem qualquer tipo de agressão contra esse grupo pode realizar uma denúncia anônima no Disque 100 (Disque Direitos Humanos).
Além disso, é possível acionar o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Polícia Militar.
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Projeto de xadrez ensina história, matemática e até educação física para estudantes de escola pública no ES

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Estudantes de colégio em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, participam da projeto 'Xadrez na Escola', que relaciona o esporte com diversas disciplinas da grade curricular. Xadrez em sala de aula ajuda no desempenho de alunos em São Mateus
'Ajuda na nossa concentração e no nosso aprendizado. A gente passou a prestar mais atenção nas aulas'. Esta é a afirmação de Rhyane Coelho, aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Doutor Arnóbio Alves de Holanda, localizada em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. O colégio utiliza o esporte para ensinar narrativas de história, raciocínio lógico da matemática e até fundamentos básicos da educação física.
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Escola do Norte do ES relaciona xadrez com disciplinas da grade curricular.
Reprodução/TV Gazeta
O projeto 'Xadrez na Escola' foi implantado em 2024 e é destinados a alunos do 6º ao 9°. Ao todo, 40 estudantes participam das atividades que acontecem na biblioteca da escola.
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Os gêmeos Daniel e Miguel Pereira participam do projeto desde o início. Segundo Daniel, o silêncio é fundamental para a prática do xadrez.
"É muito cálculo. Se não tiver concentração, não tem como", comentou.
Estudantes de escola do Norte do Espírito Santo disseram que melhoram o desempenho nas disciplinas após aulas de xadrez
Reprodução/TV Gazeta
Miguel afirmou que uma das melhorias que percebeu foi no próprio racíocinio lógico.
"Eu tô gostando muito. O meu desempenho já melhorou ", destacou.
Além das estratégias de jogo
Xadrez cotribui para melhoria do desempenho de estudantes do escola do Norte do Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
De acordo com o professor de história, Ytalo Pimenta, além do tempo dedicado a pensar nas estratégias de jogo, o xadrez já melhorou o desempenho dos adolescentes como estudantes.
"Existe uma ideia de que o xadrez pertence somente a lógica da matemática, mas, na verdade, ele tem uma gama de conhecimentos vinculados à história. Se você reparar, o xadrez é um jogo feudal, com reis, rainhas, bispos e, através das aulas, os estudantes perceberam essa relação", explicou o professor.
Estudantes de escola do Norte do Espírito Santo dizem que perceberam melhoria no raciocínio lógicc após aulas de xadrez
Reprodução/TV Gazeta
Ytalo, que também é coordenador de história, divide a instrução de xadrez para os alunos com o professor de educação física.
É desta forma que o Cleber Caliman ensina sobre fundamentos de vitória e derrotas dentro da prática esportiva.
"Você amadurece a partir do momento que você perde no xadrez. A gente aprender com os erros. Você perdeu por quê? Porque você errou. Então, o aluno consegue fazer uma avaliação para melhorar o próprio desempenho", disse o professor Caliman.
Fundamentos da matemática com o xadrez
Professora de Matemática de escola do Norte do Espírito Santo usa xadrez para ensinar conceitos da disciplina
Reprodução/TV Gazeta
O projeto também ensina fundamentos da matemática por meio do xadrez. De acordo com a professora Luysa Freitas, o esporte e a matéria caminham juntas e essa relação em sala de torna o aprendizado mais dinâmico.
"A gente trabalha a concentração, o raciocínio lógico e os conceitos do conteúdos. Mas também tudo que a gente pode ensinar ao aluno que vai contribuir para a sua vida, como respeito ao próximo, a gente ensina", pontuou a professora.
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Ampliação do projeto
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Reprodução/TV Gazeta
De acordo com a diretora Eliane Roncatto, a adesão dos alunos ao projeto 'Xadrez na Escola' cresce a cada dia e, por isso, o colégio já estuda a possibilidade de expandir a área em que os estudantes jogam.
"A biblioteca já está ficando pequena. A demanda e o interesse dos alunos está aumentando a cada dia. As famílias também estão amando e apoiando o projeto na escola", disse Eliane.
A secretária de Municipal de Educação Simone Cassini destacou que estudantes e familiares passaram a enxergar o projeto de forma diferente.
"É uma atividade diferente que envolve uma disciplina da escola e também a família", comentou a secretária.
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Educa2030: Pacto Global da ONU e Unicef lançam iniciativa para incentivar investimento em educação e empregabilidade

‘Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana’, diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO
Objetivo é estimular empresas a investirem em oportunidades para os funcionários, especialmente jovens e mulheres. Iniciativa conta com parceria estratégica do Ministério do Trabalho e Emprego e tem a Globo como embaixadora. Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU na Rede Brasil, em lançamento do Movimento Educa2030.
Emily Santos/g1
O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, no Parque Ibirapuera, recebeu na terça-feira (8) o lançamento do Movimento Educa2030, uma iniciativa em defesa da escolaridade e da especialização de mulheres, jovens e adultos, e do fortalecimento de oportunidades para os jovens.
📊 O Movimento Educa2030 faz parte da estratégia Ambição 2030 do Pacto Global da ONU, e quer estimular empresas a assumirem metas ambiciosas para o avanço da educação e empregabilidade no país, por meio de três pilares principais:
aumento da escolaridade de funcionários e terceiros nas empresas;
inclusão produtiva de jovens, com foco em Jovem Aprendiz; e
desenvolvimento profissional de mulheres em áreas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
💡 Na prática, a ideia é convencer as empresas a pensarem em políticas internas e de organização para investir, inspirar e possibilitar a constante atualização de seus funcionários por meio da educação com foco no mercado de trabalho. Dessa forma, os profissionais estarão sempre se especializando alinhados com as funções que desempenham ou querem desempenhar profissionalmente.
A iniciativa conta com o UNICEF e o Ministério do Trabalho e Emprego como parceiros estratégicos, e com a Globo e o Yduqs — grupo de educação superior que reúne marcas como Ibmec, Estácio e Wyden — como embaixadoras.
De acordo com Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU na Rede Brasil, cada pilar do Movimento tem um motivo para estar ali, e é importante para o objetivo final.
Segundo o especialista, a iniciativa nasceu da reflexão combinada sobre vários problemas do cenário nacional — como a falta de mão de obra especializada em empresas, o número exorbitante de jovens fora da escola e sem emprego, a ausência de mulheres em áreas STEM (campo do conhecimento composto por ciências, tecnologia, engenharia e matemática) — e da conclusão de como a atuação do setor empresarial poderia ajudar a corrigir este cenário.
O Educa2030 vem nesse sentido de trazer as empresas para que capacitem seus funcionários, para que melhorem a escolaridade deles, para que tenhamos mais mulheres e jovens em cargos [de destaque] e também se capacitem em posições de tecnologia, além de garantir a inclusão produtiva dos jovens.
Para Magno Lavigne, secretário de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério de Trabalho e Emprego, as empresas que se comprometerem com a iniciativa estarão fomentando a vontade de estudar entre seus funcionários e promovendo a valorização desses profissionais.
Ele defende que é importante manter discussões como as propostas pelo Educa2030 porque o mercado de trabalho sempre passa por modificações, muitas delas permanentes. Assim, tanto o poder público quanto o setor privado precisam repensar e reconhecer suas responsabilidades.
O Movimento é também uma oportunidade para o setor privado refletir sobre as próprias políticas, de acordo com Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo.
Além de destacar o orgulho de ter a empresa como embaixadora da iniciativa, ele diz entender o pacto como uma oportunidade para olhar não somente para ações externas voltadas para educação e empregabilidade, mas para estimular ações dentro da própria Globo. E, através disso, inspirar outras empresas.

‘Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana’, diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO

‘Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana’, diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO
No Bom Dia PE desta quinta-feira (9), ministro Camilo Santana também falou sobre a abertura de novos institutos federais em Pernambuco e sobre o programa 'Pé-de-meia'. Ministro da Educação fala sobre negociação para fim da greve das federais
As negociações para acabar com a greve das universidades e institutos federais foi um dos assuntos abordados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em entrevista ao Bom Dia PE, na manhã desta quinta-feira (9). De acordo com ele, o governo federal deve apresentar uma nova proposta de negociação com os servidores na próxima semana (veja vídeo acima).
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"Estive discutindo uma nova proposta para ser apresentada na próxima semana e que a gente espera que possa chegar num consenso com transparência, com diálogo, reconhecendo o valor dos servidores da educação federal nesse país. Então, esperamos que a gente possa superar, até porque isso é um prejuízo para os alunos, para a academia, e a gente espera que a gente possa, após uma semana, chegar a um acordo e retornarmos aí as atividades nas unidades que foram suspensas", disse o ministro.
Deflagrada no início de abril, a greve afetou, ao menos, 52 universidades, 79 institutos federais (IFs) e 14 campus do Colégio Pedro II. Na entrevista, Camilo Santana também falou sobre a implementação do programa "Pé-de-meia" em Pernambuco (entenda mais abaixo) e sobre a expansão de institutos federais no estado.
Ministro da Educação Camilo Santana em entrevista ao Bom Dia PE, nesta quinta (9)
Reprodução/TV Globo
A última proposta oferecida pelo governo federal era de um reajuste de 9%, sendo 4,5% em 2025 e 4,5% em 2026. Ou seja, sem previsão de aumento para este ano. O ministro comentou a negativa da categoria e disse que o valor não é baixo, mas sim um reflexo da falta de investimentos na educação.
"É preciso entender que ninguém pode recuperar tudo de uma só vez. Foram seis anos que o governo federal não deu nada, um centavo, de reajuste para o servidor federal. No primeiro ano [do governo Lula], em 2023, foi dado 9%; aí você chega a 18% nesse período, tentando corrigir o prejuízo causado pelos anos anteriores", disse.
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Na entrevista, o ministro também falou sobre os projetos para a criação de novos institutos federais em Pernambuco. "A gente acredita que o instituto federal é uma grande política assertiva e teve grande resultados para a educação técnica e profissional e o governo federal quer ampliar a matrícula de tempo integral, do ponto de vista técnico profissionalizante", contou.
O projeto foi anunciado pelo presidente Lula em março e deve ter o investimento de R$ 150 milhões, com 8,4 mil novas vagas. As unidades estão previstas para as cidades do Recife, de Goiana (Mata Norte); Santa Cruz do Capibaribe, Bezerros, Águas Belas (Agreste); e Araripina (Sertão).
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Programa 'Pé-de-meia'
O ministro veio a Pernambuco para o lançamento do programa "Pé-de-meia" no estado, na manhã desta quinta-feira (9), na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife.
O programa irá oferecer incentivo financeiro para estudantes do ensino médio por meio de pagamento de bolsas ao longo dos anos da escola. De acordo com o ministro, cerca de 177 mil alunos serão beneficiados pelo programa em Pernambuco.
No "Pé-de-méia", os estudantes terão uma conta aberta na Caixa Econômica Federal, onde serão depositados R$ 200 mensais. Os alunos podem sacar esse dinheiro a qualquer momento. Também serão feitos depósitos de R$ 1 mil ao final de cada ano letivo, mas esse valor só será recebido após a conclusão dos estudos.
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Com esses aportes, o governo irá pagar até R$ 9,2 mil para os estudantes que concluírem os estudos. Inicialmente, o benefício era apenas para estudantes cadastrados no Bolsa Família, mas foi expandido para alunos que estão no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
"O grande motivo do abandono escolar é a questão financeira. É aquela idade que chega que o jovem passa a trabalhar, a querer trabalhar, querer ajudar a família, e falta de expectativa com a escola. É uma política ousada e inovadora. Claro que ela vem se somar com outras políticas públicas que os estados e municípios estão implementando, mas exatamente é para dizer que nós não queremos perder nenhum jovem na escola pública brasileira", afirmou.
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Vagas em creches
Ministro Camilo Santana em evento de abertura de 2 mil vagas em creches e pré-escolas no Recife
Reprodução/TV Globo
À tarde, o ministro participou de um evento de abertura de 2 mil vagas em creches e pré-escolas da rede municipal do Recife, que tem cerca de 4,5 mil crianças na fila por uma vaga. O evento aconteceu no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.
Ao todo, são 1,3 mil vagas em creches, para bebês e crianças de até 3 anos, e 700 em pré-escolas, para crianças de 4 e 5 anos. O acréscimo de 2 mil vagas será suficiente para atender a menos da metade do déficit na capital pernambucana, já que representa 44,4% da demanda.
"Aqui no Recife, hoje, nós temos ainda uma fila de cerca de 4,5 mil crianças, em diversas etapas de ensino, ou seja, em diversas séries, em diversos momentos, que muitas vezes você tem a vaga disponível mas a mãe quer naquela localidade específica", afirmou o secretário de Educação do Recife, Fred Amâncio.
De acordo com a gestão, as vagas serão preenchidas à medida que a prefeitura entrar em contato com os pais e responsáveis. As aberturas serão possíveis com a entrega, neste mês, da construção de uma nova unidade, no bairro do Monteiro, na Zona Norte, e quatro ampliações e obras, contemplando os bairros do Ibura e Jordão, na Zona Sul, e Guabiraba e Vasco da Gama, na Zona Norte.
Além disso, serão abertas cinco novas vagas em creches em parceria com a prefeitura, distribuídas nos bairros de Areia, Jiquiá, Iputinga e Várzea, na Zona Oeste, e Córrego do Jenipapo, na Zona Norte.
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