Foguete de garrafa PET pode atravessar mais de 4 estádios de futebol; veja VÍDEO com teste

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Alunos de escolas públicas e particulares participam anualmente da Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), uma olimpíada na qual vencem os modelos mais eficientes. Inscrições vão até 1º de maio. Foguete de garrafa PET pode atravessar mais de 4 estádios de futebol; veja VÍDEO com teste
Centro de massa, 3ª Lei de Newton, ação e reação, pressão, aletas… Você se lembra desses conceitos? Acredite: fabricar e lançar um foguete de garrafa PET pode ser uma forma de relembrar (ou aprender) tudo isso (veja o vídeo acima). Mas não pense que vai dar para soltar o objeto na sua sala, viu? Ele é potente: atinge uma velocidade de mais de 100 km/h e já alcançou distâncias superiores a 480 metros.
🚀Desde 2007, alunos do ensino fundamental e do ensino médio participam dessa experiência — e tentam quebrar recordes — na Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), uma olimpíada organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB), com apoio de entidades como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
🥇Os vencedores, além de receberem troféus e medalhas, ainda podem ganhar uma viagem ao Rio de Janeiro, em Barra do Piraí, para participar da Jornada Brasileira de Foguetes.
“Como não tem prova escrita e é um trabalho manual, observamos que mesmo os alunos que tiram notas ruins em matemática podem ir bem na Mobfog — e aí, passam a se interessar pelo assunto e a se sentirem mais confiantes”, explica João Canalle, professor-adjunto da UERJ, astrônomo e presidente da Mobfog.
Mais abaixo, entenda como uma garrafa PET pode alcançar uma distância de mais de 400 metros e veja as histórias de dois vencedores da olimpíada:
um jovem que foi aprovado na USP e que participará da maior competição mundial de foguetes;
e uma aluna com deficiência visual que saiu de um pequeno município na Bahia para mostrar seu experimento no Rio de Janeiro.
🌠Como um foguete de garrafa PET pode ter um alcance tão grande?
Foguete feito de garrafa PET funciona a partir da pressão gerada no interior do recipiente
Arte/g1
A palavra mágica que faz com que uma garrafa PET, movida por ar comprimido, alcance mais de 400 metros de distância é: “pressão”. Veja a explicação do professor João Canalle abaixo:
Antes de encaixar a garrafa à base de lançamento, você deve enchê-la com água (preenchendo ⅓ do volume total).
Depois, quando seu foguetinho já estiver pronto para a “viagem”, com a base bem presa ao solo, é hora de “jogar mais ar” lá dentro, usando uma bomba de encher pneu de bicicleta.
Cabe a você escolher qual a pressão que vai ser exercida no interior da garrafa. Em pneus de carro, costuma ser de 30 PSI. No foguete, pode ser bem mais do que isso: de 100 PSI, por exemplo.
Quanto maior a pressão lá dentro, maior a força com que a água vai ser empurrada para fora. É como se ela não conseguisse mais ficar lá (o mesmo fenômeno que observamos ao estourar um champanhe e ver a rolha escapar).
Quando puxamos a corda que está amarrada à garrafa, a água é expulsa “para trás” (ação). Como bem nos ensina a 3ª Lei de Newton, a reação vai acontecer no sentido exatamente oposto: ou seja, a garrafa vai ser disparada “para frente”, como um foguete.
O voo vai depender de variáveis como: velocidade do vento, ângulo da garrafa em relação ao chão, formato do foguete e posição das aletas (aquelas abinhas que funcionam como um leme de barco, dando o direcionamento correto).
A trajetória vai ser uma parábola com a concavidade voltada para baixo.
🌎Da Mobfog à maior competição de foguetes do mundo
Pedro participou do Latin American Space Challenge 2023 e se prepara para mais uma competição internacional
Arquivo pessoal
Para os jovens que já gostavam de exatas, participar da competição pode literalmente levá-los longe. Pedro Balduci, por exemplo, de 21 anos, foi medalhista da Mobfog quando estava no ensino médio, e agora, como estudante de engenharia da Universidade de São Paulo (USP), prepara-se para a maior competição de foguetes do mundo: a Spaceport America Cup, disputada em junho nos Estados Unidos.
O grupo de Pedro concorrerá com o “Pacífico”, que pesa bem mais que uma garrafa PET: 40 kg. “É um foguete com motor sólido, movido por uma mistura de açúcar com nitrato de potássio. Pode chegar ao apogeu [pico de altura] de 3 km”, diz.
“Foi a Mobfog que me apresentou a esse mundo. Antes dela, não sabia ainda se queria estudar engenharia, mas participar da olimpíada me deu certeza. Passei a procurar quais universidades tinham grupos de foguetemodelismo, por isso que cheguei à USP [a instituição tem o Projeto Júpiter]”, diz.
👨‍🚀'Tenho deficiência visual, mas tudo foi adaptado para mim', diz vencedora de olimpíada
Professor Canalle, da Mobfog, entregou o troféu à aluna Yasmim, que tem deficiência visual
Arquivo pessoal
Em geral, são os professores de matemática e de física que incentivam os alunos a participar das olimpíadas científicas.
Em Tanhaçu (BA), por exemplo, o docente Clébio Almeida, do projeto social “Ciência Para Todos”, foi quem apresentou a competição para Yasmin Silva, de 16 anos.
Ela tem deficiência visual e conseguiu, após fazer o reconhecimento tátil de cada peça, construir o foguete e lançá-lo na Mobfog. Como a equipe dela teve um dos melhores desempenhos, ainda foi convidada a ir para a Jornada de Foguetes no Rio.
“Essas experiências me ajudaram a aprender os conteúdos, criar mais responsabilidade e ser mais independente. Eu nunca tinha viajado sozinha antes! Foram 26 horas de ônibus. Conheci pessoas novas e dei o primeiro passo para o meu futuro acadêmico”, conta.
Lançamento de foguete de garrafa PET realizado pelo g1
Rafael Leal/g1
🔴Como funciona a Mobfog?
Na Mobfog, os alunos precisam construir e lançar foguetes de forma oblíqua, a partir de uma base de lançamento.
Cada equipe é formada por um professor e um, dois ou três alunos.
Há diferentes níveis de competição:
🚀Os foguetes mais simples, elaborados por crianças do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, são feitos de canudo ou de papel e impulsionados por ar comprimido.
🚀E os mais complexos, para alunos a partir do 6º ano, são fabricadas a partir de garrafas PET.
Para quem já estiver no ensino médio, o que muda é a forma de propulsão: em vez de usarem ar comprimido, os foguetes feitos de garrafa passam a ser movidos pela reação química entre vinagre e bicarbonato de sódio.
Os lançamentos acontecem na escola de cada aluno. Cabe ao professor responsável medir o alcance de cada foguete e passar os resultados para a Mobfog.
E atenção: se você for montar um foguetinho, escolha obrigatoriamente um espaço amplo, sem circulação de pessoas.
Cronograma da Mobfog
Inscrições das escolas e dos alunos: até 1º de maio de 2024
Lançamento dos foguetes nas escolas: até 17 de maio de 2024 (os professores ficam responsáveis por medir o alcance e passar os dados para os organizadores da competição)
Jornada de Foguetes: 2º semestre de 2024 (em data a ser definida)
Contato para dúvidas: oba.secretaria@gmail.com e +55 (21) 2018-5506 (Whatsapp e ligação)
Vídeos

Professores temporários deveriam ser ‘exceção’ nas redes estaduais, mas estudo mostra situação inversa

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Dados analisados pelo Todos pela Educação apontam que 43,6% dos temporários atuam há ao menos 11 anos na profissão. Estratégia garante corpo docente regular com precarização dos contratos de trabalho. Sala de aula no DF; unidade da federação é uma das que teve aumento no quadro de temporários e redução dos contratados.
TV Globo/Reprodução
O Brasil nunca teve um número tão baixo de professores concursados atuando nas redes estaduais: eram 505 mil em 2013 (68,4% do total), efetivo que caiu para 321 mil no ano passado (46,5%), aponta levantamento do Todos pela Educação. A queda ocorre paralelamente à consolidação de outro tipo de contratação nos estados, os professores temporários.

⛔ "Esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino", afirma a Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.
Os dados analisados pelo Todos, extraídos da base do Ministério da Educação, apontam que quase metade (43,6%) dos temporários trabalha há ao menos 11 anos na profissão. "(Isso indica) que esse tipo de contratação tem sido utilizado não apenas para suprir uma demanda pontual, mas também para compor o corpo docente fixo de algumas redes de ensino", analisa o Todos em seu relatório.
👨🏼‍🏫 🧑🏼‍🏫 Segundo levantamento do Todos, o total de temporários supera o de concursados desde 2022. "Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55% em uma década), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36% no mesmo período)", analisa o levantamento.
SP tem 57% de professores não concursados na rede estadual de ensino, aponta Censo Escolar 2023
🏫 Ao longo destes 10 anos, o total de professores em atuação (concursados ou temporários) teve uma redução de 57 mil docentes, o que o Todos pela Educação aponta estar alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica, uma consequência da dinâmica demográfica brasileira, do aumento das taxas de aprovação e da redução da evasão escolar.
A quantidade de professores temporário e efetivos também varia bastante de acordo com a Unidade Federativa. O levantamento mostra que, em 2023, 14 estados e o Distrito Federal possuíam mais efetivos do que temporários.
Nesse cenário, Minas Gerais é o estado com maior porcentagem de temporários na rede estadual, com cerca de 80% dos professores sendo contratados nessa modalidade. A porcentagem também supera os 70% em estados como Tocantins, Acre, Espírito Santo e Santa Catarina. (veja no gráfico abaixo)
Já o Rio de Janeiro é o estado com a maior taxa de professores efetivos (96%). Na Bahia, Pará e Rio Grande do Norte, as porcentagens também são elevadas, superando os 90%.

Precarização do trabalho
O modelo de contratação de temporários significa custos menores para estados: na remuneração, há 15 redes em que o salário dos professores temporários, calculados por hora, é menor que o de professores efetivos em início de carreira, chegando a uma diferença de até 140%, no caso de Pernambuco. Nas outras 10 redes analisadas, não há diferença.
💵"Essa diferença pode ser, inclusive, um dos motivos relacionados ao aumento no número de professores temporários, que podem ser menos onerosos para o estado, já que estes docentes não estão dentro da carreira e, ao se aposentar, não entram na previdência estadual. Além disso, em algumas redes, é comum que professores temporários não tenham os mesmos direitos trabalhistas e benefícios dos efetivos", analisa o estudo do Todos.
A precarização do trabalho aparece ainda no tempo de contrato: em nove redes estaduais, o tempo de contrato de professores temporários é de apenas 24 meses, o que obriga que os professores enfrentem um processo de seleção a cada 2 anos, sem garantia de remuneração no intervalo entre os contratos.
"É essencial avançar a discussão em duas frentes: aumentar a frequência de realização de concursos e, sobretudo, a qualidade deles, com a melhoria dos instrumentos de seleção e a inclusão de provas práticas; e o investimento em políticas de valorização e profissionalização dos docentes temporários”, afirma Gontijo.

VÍDEO: Professora da rede pública do RJ viraliza ensinando pontuação para os alunos com música

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Vídeo de Carliene Gerald, de Volta Redonda, foi publicado em 15 de abril e já tem mais de 20 milhões de visualizações. Professora conta que a ideia é facilitar o aprendizado dos alunos. Professora da rede pública viraliza ensinando pontuação para alunos com música
Uma professora da rede pública de Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais ao mostrar como ensina pontuação através da música para os seus alunos do 3° ano do ensino fundamental. O vídeo, publicado no Instagram no dia 15 de abril, já soma mais de 20 milhões de visualizações (veja acima).
Carliene Gerald tem 29 anos e é professora há mais de uma década. Desde 2021, ela dá aula na Escola Municipal Fernando de Noronha, no bairro Vila Brasília.
A ideia de juntar música e educação vem de muito tempo, quando a professora ainda cursava magistério.
"Eram muitos conteúdos. Eu já transformava os conteúdos em música e eu aprendia com maior facilidade. Na hora de realizar as provas, era mais fácil", explicou.
Na escola em que trabalha, antes de assumir o ensino fundamental, passou pela educação infantil. E a música sempre esteve presente.
Carliene Gerald
Arquivo pessoal
"Desde a educação infantil, eu já canto com as crianças. Quando eu vim para o fundamental, eu vim com esse hábito. Eu resolvi permanecer com esse jeito de cantar com as crianças, essa relação mais afetiva com as crianças", explicou Carliene.
A professora está com a mesma turma há três anos. Desde o 1° ano do fundamental, quando passou a dar aula para os alunos, continuou usando a música como ferramenta de aprendizado. Como deu certo, optou por manter a didática.
"Eu comecei a perceber que eles começaram a gostar muito dessas musiquinhas. Acompanhei essa turminha do primeiro ano para o segundo, permanecemos assim, do segundo para o terceiro, permanecemos também com as músicas. Chega no terceiro ano o conteúdo fica um pouco mais complexo e é assim: do primeiro para o segundo o conteúdo vai aumentando e do segundo para o terceiro é a mesma coisa, já entendendo que, afinal, é o fim do ciclo da alfabetização", explicou ela.
Initial plugin text
Carliene afirmou que a ideia principal não é apenas cantar, e sim passar "um momento lúdico onde as crianças possam memorizar o conteúdo com mais facilidade".
"Eu sempre canto as músicas com gestos. Não são músicas isoladas. Sempre tem gestos, sempre tem muita brincadeira. Para que quando a criança se lembre daquele conteúdo, ela se lembre daquela música que era uma música legal, uma música alegre. E além de facilitar a memorização, a música tem esse poder, a melodia tem esse poder", comentou.
"Às vezes, a gente passa num lugar, escuta uma musiquinha e aquilo fica gravado na nossa cabeça. Com as crianças, é a mesma coisa. Eles escutam tanta coisa, né, tantas músicas, e aí eu achei que tava dando certo. Deu certo trazer esses conteúdos que são um pouco mais complexos não só da língua portuguesa, mas também de outras matérias, como ciências, histórias e geografia", completou.
Carliene Gerald
Arquivo pessoal
Repercussão
Com mais de 20 milhões de visualizações e mais de 1 milhão de curtidas, o vídeo de Carliene chegou à atriz Nanda Costa, que a definiu como "maravilhosa".
O post tem ainda outros milhares de comentários elogiando a didática da professora. Ela afirmou que não esperava toda essa repercussão.
"Eu não acreditei. Foi um susto, porque o meu número de seguidores cresceu muito. Quando eu postei o vídeo tinha 26 mil seguidores. Em dois dias, eu já tinha batido mais de 150", afirmou ela.
O número só foi subindo. No momento da publicação desta reportagem, Carliene já tinha mais de 225 mil seguidores no Instagram.
Na escola, logo após o viral, a professora foi recebida pelos seus alunos em êxtase e com uma série de perguntas.
"As crianças já vieram com uma enxurrada de perguntas: 'Tia, como foi? Eu vi você. E aí, como é que foi? Foi legal. Conta pra gente. Nós vimos você", relembrou.
O momento foi gravado e, claro, divulgado no Instagram da professora (assista abaixo).
Initial plugin text
O carinho recebido por Carliene ultrapassou os muros da escola. Os familiares dos alunos ficaram encantados e valorizaram o trabalho da professora.
"Os familiares das crianças começaram a ver, mandaram pras famílias, e eles ficaram assim, nessa euforia. As mães sempre me apoiando, minha família sempre me apoiando, as professoras aqui da minha escola, minha diretora, todo mundo sempre me apoiando, me incentivando", completou
Outro viral
Initial plugin text
Esse não foi o primeiro vídeo da professora que viralizou nas redes sociais. No dia 23 de fevereiro, Carliene publicou um outro dando sugestão para professoras de como trabalhar o combate à dengue com alunos da educação infantil e ensino fundamental por meio da música.
O vídeo já soma mais de 720 mil reproduções. A professora contou que não acreditou quando percebeu o tamanho da repercussão.
"Eu chorei muito. Chorei muito, porque eu comecei a ver outras crianças de outras escolas cantando. Eu pensei: 'Meu Deus do céu! Como assim uma musiquinha que eu fiz há tantos anos atrás os alunos de outras escolas estão cantando?'. Foi uma sensação de algo que eu compartilhei que tá dando certo pelo Brasil. As escolas começaram a postar nos stories e me marcavam. Aí, eu chorava, chorava, chorava, chorava…", relembrou ela.
Trajetória na educação
Carliene concluiu o magistério em 2012. Atualmente, ela está cursando pedagogia, com previsão de se formar no final deste ano.
Em 2013, começou no seu primeiro emprego como professora. Foi auxiliar de educação em uma creche particular, onde ficou por quatro meses.
"Dava muito banho nas crianças. Amava! Ficava com os bebês, ficava com os pequenininhos, tirava a criança de natação, colocava a criança para natação", relembrou.
Depois, Carliene assumiu sua primeira turma em uma escola particular, ficando nela por nove anos.
Saiu da instituição em 2021, quando começou a dar aula na Escola Municipal Fernando de Noronha. Ela foi convocada pela prefeitura dois anos após ter sido aprovada em um concurso público.
"Amo a escola pública. Quando você entende realmente as propostas, o que ela se dispõe a fazer, você se apaixona. Aqui nessa mesma escola onde eu estou, eu já atuei também na gestão, fui convidada pela minha diretora. Trabalhei na parte de gestão da escola por seis meses. Nesse ano, eu estou só com a minha turma de manhã e no projeto sábado na escola, aos sábados", disse a professora.
Importância da música
Carliene cantando na igreja
Reprodução/Arquivo pessoal
Neta de maestro, e filha e irmã de professores de música, Carliene cresceu no meio musical. Ela canta na igreja junto com o marido e percebeu que essa arte casaria muito bem com a educação.
"Eu enxergo a música como uma ferramenta, uma ferramenta para os professores. A música tem o poder de gerar em nós vários sentimentos. Tem música que a gente escuta que a gente fica triste. Tem música que a gente escuta que a gente fica feliz, que a gente fica animado. E usando essa ferramenta dentro de sala de aula, eu sinto que eu consigo alcançar um número maior de alunos", contou.
Siga o g1 no Instagram | Receba as notícias no WhatsApp
VÍDEOS: as notícias que foram ao ar na TV Rio Sul

O aristocrata francês que entendeu a evolução 100 anos antes de Darwin

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Se você ainda não ouviu falar dele, ficará surpreso, pois com suas observações ele compreendeu muito do que ainda consideramos ciência de vanguarda. Na imagem, ilustração de Louis Leclerc, francês que pautou a evolução antes de Darwin. Leclerc diferenciou-se por suas contribuições ao cálculo infinitesima.
Getty Images (via BBC)
Charles Darwin publicou sua obra-prima A Origem das Espécies em 1859, na qual descreveu um mundo antigo em que a vida mudava gradualmente de uma forma a outra sem a necessidade de intervenção sobrenatural.
E quando a fúria desencadeada por suas ideias radicais ainda não estava apaziguada, o naturalista começou a ler um livro de um sujeito chamado Georges-Louis Leclerc, um aristocrata francês cujo título de nobreza era conde de Buffon.
👉🏽 Ele havia morrido cerca de 80 anos antes e, quando despertou o interesse do pioneiro da teoria da evolução, já não era tão conhecido.
Darwin ficou muito surpreso.
"Páginas inteiras (do livro de Buffon) são ridiculamente parecidas com as minhas", escreveu ele a um amigo. "É surpreendente ver o seu ponto de vista nas palavras de outro homem."
Tal foi o impacto que em edições posteriores de A Origem das Espécies, Darwin reconheceu Buffon como uma das "poucas" pessoas que tinham compreendido, antes dele, que as espécies mudam e evoluem.
"E mais: no 100º aniversário de Darwin, houve uma série de homenagens em que se disse que o trabalho de Darwin não pode ser subestimado, mas que cada ingrediente necessário para a teoria da evolução já estava presente nas idéias de Buffon", disse o escritor Jason Roberts à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Uma conquista enorme, mas que Buffon não podia apresentar abertamente em seu tempo: ele tinha que disfarçar, observou Roberts, que investigou a vida e obra de Darwin para o livro Every Living Thing ("Cada Ser Vivo", em tradução livre),
"Vários historiadores dizem que (Buffon) sabia que não era o momento adequado para divulgar essas informações, pois o tempo todo ele tinha problemas com a igreja.
"Foi Buffon quem disse pela primeira vez que a Terra tinha talvez bilhões de anos, e a escala de tempo era tão grande que a vida poderia ter evoluído a partir de um único ancestral."
Dizer algo assim o expôs e fez com que fosse chamado de herege, por apontar que a Terra era mais antiga do que dizia a Bíblia.
"Ele sabia que era radical. Por isso, assim que escreveu, acrescentou um parágrafo dizendo: 'Mas esta é, claro, uma especulação ridícula, porque o Livro de Gênesis nos diz o contrário'."
Não foi a única vez que ele usou essa estratégia de expor suas idéias e depois atenuá-las em suas obras, particularmente em sua magistral História Natural, Geral e Particular (1749-88).
São ideias que surpreendem hoje tanto quanto surpreenderam Darwin há mais de um século e meio, pois a compreensão do cientista francês ia muito além da teoria da evolução.
Da mudança climática…
Jason Roberts escreveu livro sobre as visões opostas de Buffon e Carl Linneo. Na imagem, a capa do livro ao lado de uma foto do autor.
Divulgação (via Getty Images)
Embora Buffon seja lembrado como um aristocrata, ele só recebeu seu título de nobreza aos 65 anos, além de um lugar fixo na intelectualidade francesa como um matemático, escritor e erudito brilhante.
Sua origem, na verdade, era muito mais humilde: era filho de um cobrador de impostos na Borgonha rural, e a expectativa era que também se tornasse um funcionário público menor.
"Mas quando seu tio-avô morreu, deixou-lhe uma fortuna. De repente, aos 11 anos, seu mundo mudou, e ele foi criado para ser um aristocrata presunçoso, embora tenha acabado com muito mais interesse na aristocracia da mente, das ideias."
E dedicou grande parte de sua fortuna a criar o que Roberts descreve como "a primeira reserva ecológica".
Ela comprou 40 hectares de terra, plantou árvores e preparou-se para observar não só como elas cresciam, mas também quais espécies surgiam.
"Foi talvez a primeira pessoa a estudar a natureza no seu contexto, em vez de espécimes mortos isolados, e, como sabia que tudo demoraria a amadurecer, quando tinha 27 anos, impôs-se um rigoroso regime físico para se manter na melhor forma possível durante o maior tempo possível."
Aparentemente, surtiu efeito porque "viveu mais de 80 anos, e as pessoas diziam que até morrer parecia ser 20 anos mais jovem".
Foi também em sua propriedade onde ocorreu um experimento conhecido: ele aqueceu e deixou em vermelho vivo bolas sólidas de ferro de diferentes tamanhos e observou quanto tempo demoravam para esfriar.
💡 Com os dados que obteve, extraiu uma equação sobre a relação entre o tempo de resfriamento e o volume, e usou-a para calcular a idade da Terra.
Seu resultado foi sem sentido, mas tinha lógica: se, como tinham indagado pensadores como Isaac Newton, a Terra poderia ter começado como um pedaço de ferro vermelho brilhante, talvez um remanescente da colisão de um cometa com o Sol, quanto tempo teria demorado para que esfriasse até que pudesse ser habitada, no ponto em que a água não evaporasse?
"Nunca ficou totalmente claro se ele realmente fez essa experiência, ou se foi uma experiência hipotética para que as pessoas entendessem o conceito. Ele chegou à conclusão de que foi um tempo muito longo", diz Roberts.
"E, escrevendo na década de 1750, ele disse que a mudança climática era uma realidade, que os humanos estavam mudando indelevelmente o meio ambiente do planeta. Ele não previu especificamente o aquecimento global, porque era uma era pré-industrial, mas advertiu que pensássemos mais profundamente sobre por que estávamos explorando recursos e nos assentando em grande escala sem ser necessário."
… até o DNA
Como se isso não bastasse, suas observações o levaram a intuir a existência do DNA, o ácido nucleico que contém as informações genéticas usadas no desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos, responsável pela transmissão hereditária.
"O conceito de Buffon era que, se toda a vida tinha evoluído a partir de um ancestral único, isso significava que os componentes básicos da vida eram os mesmos, que havia moléculas orgânicas que se montavam para criar organismos", conta Roberts.
"Então ele disse, basicamente, 'tem que haver algo no processo de reprodução que mudou com o tempo, de maneira que as regras de montagem tenham sido diferentes'."
"Se fosse esse o caso, ele questionou, então fazia sentido que houvesse algum tipo de matriz interna, um 'molde' ou um conjunto de instruções que dessem aos organismos sua forma particular."
Como no caso de Darwin, que sem dúvida merece o crédito pela teoria da evolução, Gregor Mendel merece o crédito por ter resolvido os aspectos das regras da genética na herança vegetal.
"Mas Buffon lançou a ideia. E não podemos afirmar com certeza que tenha inspirado Mendel, embora tenhamos o livro que ele leu quando começou a experimentar e ele contenha uma passagem sobre Buffon que está sublinhada", afirma o escritor.
Todas essas ideias, por mais que as disfarçasse, levaram Buffon a ser oficialmente censurado por instituições da Igreja Católica e pela Universidade da Sorbonne, que na época era controlada pela igreja.
"Ameaçado apresentar acusações formais contra ele se não renegasse suas afirmações. Ele escreveu uma declaração dizendo: 'Eu me cubro de pó e cinzas e renego qualquer coisa no meu livro que seja contra os ensinamentos da igreja'. Ele pegou essa carta e a colocou na próxima edição de sua obra, e não mudou uma palavra. E disse: 'É melhor ser recatado do que ser enforcado'."
Os motivos do esquecimento
Tendo feito tudo isso e muito mais, por que Buffon não é mais conhecido?
"Ele era", diz Roberts.
"Quando Buffon morreu, ela era uma das pessoas mais famosas do mundo. Em Paris havia uma enorme estátua em sua homenagem e cerca de 20 mil pessoas saíram às ruas em seu funeral. Seus escritos foram tão populares que durante o século seguinte seguiu sendo o autor francês mais popular."
Estátua do naturalista Georges-Louis Leclerc de Buffon (1707-1788), no Jardin des Plantes, em Paris.
Getty Images (via BBC)
As razões para o esquecimento são várias, incluindo o fervor anti-aristocrático da Revolução Francesa.
Mas, acima de tudo, a rivalidade com outro pioneiro científico que foi seu contemporâneo e também se dedicou à tarefa de explorar a vida: o sueco Carl Linneo, pai da taxonomia.
Era seu oposto, inclusive na maneira de encarar sua vida pública. Linneu cultivava a admiração (chamava seus pupilos de "apóstolos"), enquanto Buffon enxergava elogios públicos como "um espectro vão e enganoso".
No entanto, o que mais favoreceu Linneu foi uma competição ideológica póstuma incomum na qual sua visão de mundo estava mais em sintonia com as aspirações das potências europeias.
"Linneo foi o grande classificador e taxônomo que quis categorizar e rotular tudo. Com a ascensão do colonialismo global, o conceito de apagar os nomes indígenas para as espécies, ou qualquer conhecimento prévio sobre a vida, e essencialmente colonizar conceitualmente através da concessão de novos 'nomes científicos', que muitas vezes imortalizavam quem 'descobria', apelava à mentalidade da época", explica Roberts.
"Isso, e a ideia de que a própria natureza poderia ser domesticada."
Buffon concordou que o conceito de espécie era necessário para se garantir que se falava do mesmo animal. Mas não era necessário colocar tudo em hierarquias ordenadas, pois isso implicava impor à natureza uma ordem que não existia, explica Roberts.
"Ele disse: 'não finjamos que estamos domesticando a natureza colocando essa estrutura artificial sobre ela'."
A discordância entre os dois não se reduzia à natureza que rodeava os humanos, mas a eles próprios.
Linneu acreditava que os humanos deveriam ser classificados de acordo com os valores europeus. É por isso que lhe é atribuído ter estabelecido categorias raciais para as pessoas.
Ele colocou os europeus brancos claramente no topo. O Homo europaeus, como ele o chamava, era loiro, de olhos azuis, "gentil, agudo e inventivo".
O Homo africanus era escuro e "lento, malicioso e negligente" enquanto o Homo americanus era de pele vermelha e "inflexível e alegre", e o amarelo Homo asiaticus, "severo, altivo, ganancioso".
Buffon rejeitou essa hierarquia racial.
"As diferenças são meramente externas", escreveu ele em 1758. "As alterações da natureza são superficiais."
"Além disso, pensava que os humanos provavelmente evoluíram para sua forma atual não na Europa, a crença comum, mas sim em algum próximo ao (à linha do) Equador, e certificou-se de que incluísse o norte da África e a China. Isso quando se assumia que os brancos eram o homem original e todos os outros eram uma cópia ruim", afirma Roberts.
"Muitos cientistas no século XIX incomodavam-se com a abordagem de Buffon."
É por isso que ele foi relegado para o segundo plano.
Mas, pouco a pouco, desde o século XX, a visão de Buffon e a importância das suas ideias começaram a ser redescobertas.
Com o avanço da ciência, foi-se confirmando o quão pertinente muito do que o aristocrata francês escreveu, e cada vez mais se reafirma o lugar que merece na história.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar

Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Candidatos que tiveram isenção no Enem 2023 e não compareceram à prova precisam justificar a ausência para ter direito ao não pagamento em 2024. Pedidos de isenção para o Enem 2024 devem ser feitos até 26 de abril. Na imagem, parcitipante acessa página do Enem
Divulgação/Depositphotos
Esta sexta-feira (26) é o último dia para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 solicitarem a isenção do pagamento da taxa de inscrição.
Como, até a mais recente atualização desta reportagem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ainda não havia publicado o edital da prova, não é possível saber quanto será cobrado de quem não obtiver essa gratuidade. Na edição de 2023, assim como em anos anteriores, a quantia era de R$ 85.
👉 Os pedidos de isenção devem ser feitos na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante), com o login da conta "gov.br".
No X (antigo Twitter), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, citou o novo álbum da cantora Anitta para convocar os alunos:
Initial plugin text
Abaixo, confira as respostas para as principais dúvidas sobre o Enem 2024.
💰 Quem tem direito à isenção da taxa de inscrição?
Podem pedir a isenção os candidatos que:
estiverem no 3º ano do ensino médio de escolas públicas em 2024;
estudaram durante todo o ensino médio na rede pública ou como bolsistas integrais da rede privada, desde que tenham renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 1.980);
sejam membros de família de baixa renda com inscrição no Cadastro Único para programas sociais do governo federal (CadÚnico).
💻 Como solicitar a isenção?
É preciso entrar na Página do Participante e informar o CPF, a data de nascimento, o e-mail e um número de telefone válido.
☹️ E quem estava isento no Enem 2023, mas não fez a prova?
Neste caso, é necessário entrar na Página do Participante e justificar a ausência (anexando um atestado médico que comprove que o candidato estava doente no dia da prova ou um boletim de ocorrência que prove algum imprevisto, por exemplo). Caso contrário, perderá o direito à isenção.
✉️ Quando sairão os resultados da isenção?
Em 13 de maio. Caso o pedido seja negado, é possível entrar com recurso entre 13 e 17 de maio.
📝 Quem conseguir a isenção precisa se inscrever no Enem?
Sim. Todos, isentos ou não, deverão fazer a inscrição no Enem 2024, no período que ainda vai ser divulgado pelo Inep.
Datas do período de isenção e justificativa
15 a 26 de abril: justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024.
13 de maio: resultado da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024.
13 a 17 de maio: recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024.
24 de maio: resultado do recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024.
Redação nota mil no Enem: alunos de escola pública que atingiram pontuação dão dicas
Vídeos