Por que os japoneses usam palavras de origem portuguesa?

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No Japão, há muitas palavras que são parecidíssimas com as de mesmo significado em português — e não é por acaso. Obra de artista japonês anônimo retrata o martírio de São Paulo Miki, samurai que se tornou catequista, e seus companheiros, em Nagasaki
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As línguas são vivas e, longe de serem estáticas, sofrem a influência de seus falantes, transformando-se com o passar do tempo e por meio do intercâmbio com outros idiomas e outras culturas.
No Japão, há muitas palavras que são parecidíssimas com as de mesmo significado em português. E isso não é por acaso.
Quase cinco séculos atrás, os japoneses incorporaram ao seu vocabulário termos específicos, muitos utilizados até hoje. Por exemplo: pan para designar pão, biroodo para veludo, tabako para tabaco e karuta para carta de baralho.
Mas 11 mil quilômetros separam Lisboa de Tóquio e, aparentemente, não há nada em comum entre essas duas culturas, uma forjada na Europa medieval, outra carregada do tradicionalismo oriental nipônico.
A explicação está na religião.
Mais especificamente, nos esforços empreendidos pela Companhia de Jesus — mesma ordem religiosa que, por meio de José de Anchieta (1534-1597) e tantos outros, encarregou-se de catequizar indígenas brasileiros durante a colonização, e mesma ordem religiosa do argentino Jorge Bergoglio, o Papa Francisco.
Esta história pode ser resumida no fato de que os portugueses foram pioneiros no contato frequente entre europeus e nipônicos. Mas suas nuances culturais e religiosas estão no cerne de uma fascinante troca linguística. E está em evidência por causa da série Xógum: A Gloriosa Saga do Japão, que estreou em fevereiro e é baseada no romance Shōgun, escrito pelo britânico James Clavell (1924-1994) e publicado originalmente em 1975.
Os primeiros portugueses a chegar ao Japão foram alguns comerciantes, em 1541 ou 1542. Desenvolveu-se, a partir dessa altura, uma importante atividade comercial que, com base em Macau, transportava produtos, principalmente seda e prata, entre a China e o Japão.
Gonçalves é ex-reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e diretor da revista La Civiltà Cattolica.
Conforme conta à reportagem a professora de japonês Monica Okamoto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), isso ocorreu precisamente em Tanegashima, uma pequena ilha ao sul do Japão.
“Foi o primeiro encontro do povo japonês com o ocidente”, relata.
“Na época, o Japão estava sob o domínio do xogunato, um sistema de governo militar, e os xoguns ficaram impressionados com algumas tecnologias apresentadas pelos portugueses, sobretudo a arma de fogo do tipo mosquete.”
“Assim, num primeiro momento, os xoguns permitiram a entrada dos portugueses com a intenção de conhecer outras inovações ocidentais nos campos militar e naval”, acrescenta Okamoto.
“Os portugueses, por outro lado, iniciaram suas missões de catequização, introduzindo o catolicismo no Japão por meio da instalação de escolas, santas casas e igrejas. Desse intenso e curto período de relações internacionais entre Japão e Portugal [até por volta de 1630], muitas palavras portuguesas acabaram sendo incorporadas ao vocabulário japonês.”
Padroado
O fumi-e, em ilustração do alemão Philipp Franz von Siebold, datada de 1850
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“O primeiro jesuíta a chegar ao Japão foi [o missionário] São Francisco Xavier [(1506-1552)], em 1549. Era navarro [na atual Espanha] e fez parte do grupo que, com Santo Inácio de Loyola [(1491-1556)], fundou a Companhia de Jesus”, contextualiza Gonçalves.
Teria sido o próprio Loyola quem havia decidido enviar Xavier para o oriente, “a pedido do rei de Portugal, dom João 3º [(1502-1557)], que pretendia desenvolver a atividade missionária nos territórios alcançados pelos navegadores portugueses”, conta o padre.
Uma curiosidade é que no mesmo ano em que Xavier desembarcou no Japão, chegou à colônia portuguesa que daria origem ao Brasil o primeiro grupo de jesuítas, cujo superior era o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570).
A chegada de Xavier foi o começo de um movimento que, ao longo dos anos, levaria dezenas de padres jesuítas ao Japão.
Segundo o padre jesuíta Nilson Maróstica, ex-reitor do Santuário Nacional São José de Anchieta, dos 95 membros da Companhia de Jesus que trabalharam no Japão até 1600, 57 eram portugueses, 20 eram espanhóis e 18, italianos.
O que os levava, segundo afirma Maróstica à BBC News Brasil, era “a esperança de levar o cristianismo e o catolicismo para o Japão”.
Mas se as nacionalidades eram um tanto difusas, a missão jesuíta no oriente tinha comando lusitano. Isto porque esses sacerdotes atuavam no âmbito do chamado padroado português. Era um acordo selado em meados dos anos 1400, início do processo conhecido como expansão marítima, em que a Santa Sé delegou à Coroa de Portugal o poder exclusivo de organização e financiamento de todas as tarefas religiosas nos domínios e nas terras conquistadas pelos portugueses.
Gonçalves comenta que o mecanismo consistia de “um conjunto de privilégios e obrigações concedidos por sucessivos papas aos reis de Portugal”.
Pelo padroado, a Coroa tornou-se a principal responsável pela missionarização nos territórios alcançados pelos navegadores portugueses. Em alguns desses territórios, estabeleceu-se uma administração portuguesa estável. Foi o caso de Goa, Malaca ou Macau, no oriente.
“Em outros territórios, existia apenas uma presença baseada nos interesses comerciais recíprocos, sem qualquer dominação política ou militar. Esse foi o caso do Japão, onde os protagonistas da presença europeia foram os comerciantes e os missionários.”
“Inicialmente, apenas missionários jesuítas. Mais tarde, também franciscanos e dominicanos”, completa Gonçalves.
Maróstica define o padroado “como iniciativa dos reis católicos de implantarem em suas terras recém-descobertas a igreja de seus reinos”.
“Os jesuítas recebiam normalmente verbas anuais para instalarem religiosos, quase sempre 18 padres, em um colégio ou em uma igreja. Ou seja, eram os reis que contratavam as congregações religiosas para instalarem a fé católica nas novas posses de seus reinos”, explica.
300 mil cristãos japoneses
Ilustração de autoria desconhecida de uma missa cristã no Japão, provavelmente do século 17
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Conforme apontam pesquisas, os jesuítas foram bem-sucedidos no trabalho de evangelização, fazendo com que o país chegasse a ter cerca de 300 mil cristãos no período.
“[Os missionários] conseguiram rapidamente muitas conversões”, ressalta Gonçalves.
“Por isso, tem-se afirmado que a chegada de Xavier […] marca o início do ‘século cristão do Japão’”. Essa expressão foi cunhada pelo historiador britânico Charles Boxer (1904-2000), autor de, entre outros, ‘The Christian Century in Japan, 1549-1650’.
A metodologia missionária dos jesuítas era chamada de “acomodação”.
Adotaram os costumes locais, estudaram a língua e escreveram catecismos e outras obras em japonês. Adaptaram, sempre que possível, a prática cristã às tradições culturais japonesas.
Um modus operandi muito parecido com o aplicado no território colonial brasileiro.
De acordo com os registros, o primeiro japonês tornado católico foi um homem chamado Anjiro (1511-1550) — de cuja biografia pouco se sabe. Ele havia cometido um homicídio e, quando encontrou os jesuítas, acabou sendo contratado como tradutor. Maróstica afirma que, por ter sabido “do perdão dos pecados [conforme prega o cristianismo], ele se interessou em abraçar esta fé para livrar sua consciência”.
Depois de batizado, ele ganhou nome português. Tornou-se Paulo de Santa Cruz.
Xavier ganhou alguém para atuar ao seu lado na comunicação com os locais. “[Anjiro] o conduziria a outros japoneses e lhe ensinaria os rudimentos da cultura”.
Os missionários jesuítas dedicaram-se ao estudo do idioma e, depois de pouco tempo, já conseguiam ler textos cristãos em japonês nas praças públicas.
O interesse era instigado. Em carta da época, Xavier escreveu que “esses japoneses são tão curiosos que, desde a nossa chegada, não se passou um só dia sem que tivesse vindo ter conosco bonzos [monges budistas] e leigos, desde a manhã até a noite, para nos fazerem perguntas de toda espécie”.
Segundo Maróstica, como “nenhum habitante” daquelas terras havia feito ainda “a travessia do mar”, a chegada dos europeus “despertou muita curiosidade neles”.
“Essa euforia da multidão japonesa despertou o interesse do daimio [algo como senhor, uma autoridade da época] local, Shimazu Takahisa [(1514-1571)], que mandou um dos funcionários [até os jesuítas] para que eles fossem trazidos ao palácio”, relata o religioso.
Conta-se que Xavier foi recebido com presentes e toda a pompa da corte. O jesuíta presenteou a autoridade japonesa com uma encadernação da Bíblia. “E o único presente que aceitou dele foi a liberdade para poder pregar pelas cidades daquela região. O damio concedeu com alegria. E se interessou em saber o conteúdo do livro sagrado dos cristãos”, acrescenta.
Mas se os religiosos eram movidos pelo divino, Portugal tinha olhares mais terrenos. “O interesse dos portugueses nesta aproximação era puramente comercial”, resume Maróstica.
“Ao chegar, encontraram uma cultura e civilização estabelecida há milhares de anos e, assim, começaram a trocar mercadorias. Sempre em silêncio, pois nenhum falava a língua do outro, até a chegada de Francisco Xavier, como eu disse, que aprendeu rapidamente o idioma.”
“Da parte dos japoneses, o daimio, governador ou senhor local, tinha interesse nas mercadorias trazidas pelos portugueses, mas principalmente em conhecer a língua, a cultura e os conhecimentos dos europeus”, comenta o jesuíta.
“Nesse período, os reinos do Japão não viviam com muita paz. Eram tempos intranquilos. E os japoneses eram ávidos por conhecimento.”
O padre conta que eles “queriam conhecer especialmente as armas de fogo”. Por outro lado, os lusos “pagavam muito bem pelas especiarias e mercadorias de fabricação japonesa”.
A cristianização japonesa deixou de ser um movimento localizado e logo se expandiu por outras regiões.
“Até o final do século 16 era possível encontrar pessoas batizadas em praticamente todas as províncias do Japão, muitos deles organizados em comunidades. Mesmo sem a presença de sacerdotes, eles se organizavam em comunidades leigas”, conta Gonçalves.
Cruz proibida
Pintura de autoria desconhecida retrata o martírio de cristãos no Japão
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Mas a lua de mel foi gradualmente terminando.
“Estima-se que, no seu auge, tenha chegado a haver cerca de 300 mil cristãos no Japão. Mas a intromissão estrangeira em um país em fase de unificação incomodou as autoridades locais. Logo, o catolicismo foi progressivamente reprimido e martirizado em várias partes do país, até ser proibido”, diz Maróstica.
“A expulsão dos missionários e a proscrição do cristianismo foi acompanhada de violentas perseguições”, ressalta Gonçalves. “Muitos foram condenados à morte e martirizados, testemunhando com a dádiva da própria vida a fé que professavam.”
Fizeram parte desta história alguns nomes japoneses que, mais tarde, se tornaram beatos ou santos da Igreja, como é o caso de São Paulo Miki (1562-1597), samurai que se tornou catequista e tinha fama de exímio pregador.
Apesar dos esforços dos missionários para se adaptarem à cultura local, o cristianismo foi visto pelos dirigentes japoneses como uma religião estrangeira. Além disso, a presença dos missionários, no final do século 16 e princípio do século 17, coincidiu com um período de centralização e unificação política no Japão. Essa unificação incluía também uma dimensão religiosa que não era propícia à aceitação de uma religião importada.
“Espalhou-se também o receio de que os missionários fossem a guarda-avançada de uma tentativa de domínio militar e político por parte das potências europeias”, completa ele. Era soft power.
Como diz Gonçalves, “estas razões de política interna e o desejo de preservar a própria autonomia levaram ao encerramento do Japão à influência exterior”.
Os missionários foram expulsos em 1614. “E, pouco tempo depois, o próprio cristianismo foi proibido”, diz o padre.
Essa expulsão foi formalizada por documento elaborado pelo monge Konchi’in Sūden (1569-1633), encarregado de questões religiosas e relações exteriores no governo do xogum Tokugawa Hidetada (1579-1632). “Foi considerada a primeira declaração oficial e completa de proibição dos cristãos [no Japão]”, explica Maróstica.
“Tempos de martírio vieram: as torturas físicas e psicológicas foram usadas contra os cristãos. As autoridades criaram o fumi-e, que consistia em obrigar os cristãos a pisar na imagem de Cristo ou da Virgem [Maria], apostatando-se de sua fé”, conta o jesuíta.
O ponto emblemático dessa virada de mesa foi o episódio conhecido como rebelião de Shimabara, iniciada em 1637. Calcula-se que cerca de 40 mil japoneses, em boa parte católicos, tenham se revoltado contra a proibição da fé cristã no país. O movimento foi sufocado pelas tropas do governo.
A partir dali, os cristãos remanescentes passaram a celebrar na clandestinidade. Eram os chamados kakure kirishitan — “cristãos escondidos”.
“Apesar da proibição, pequenos grupos de cristãos japoneses, sem a presença de clero ou missionários, mantiveram-se em comunidades escondidas”, salienta Gonçalves.
Palavras portuguesas
👉 Os portugueses foram expulsos, mas ficaram as palavras em português. “Há muitas palavras japonesas que têm origem no vocabulário português. E uma boa parte dela foi introduzida no século 16”, diz a professora Okamoto.
“Algumas palavras em português foram introduzidas para o japonês, para dar nomes a coisas novas que não tinham antes no país. Entraram objetos novos e então tiveram a necessidade de dar os nomes a cada uma das novidades. Havia também palavras relacionadas ao cristianismo que eram inseridas entre os fiéis e escritos nas publicações dos jesuítas”, explica à BBC News Brasil a professora Junko Ota, que leciona língua e literatura japonesa na Universidade de São Paulo (USP).
“Foi inevitável que palavras, nomes substantivos que chegaram pela primeira vez ao Japão no século 16, fossem incorporados à língua local. Estas palavras se referem a produtos que lá não havia e costumes que não pertenciam àquela cultura”, complementa Maróstica.
Botan é botão. Pan é pão. E há muitos outros exemplos, como: tabako, cigarro; kirishitan, cristão; bateren, padre; birôdo, veludo; biidoro, vidro; karuta, jogos de carta.
“Em geral, [são palavras que] correspondem a objetos ou costumes introduzidos pelos portugueses”, pontua Gonçalves.
“Antes dessa influência portuguesa, algumas dessas palavras não tinham um correspondente para o japonês porque esses elementos não existiam no Japão”, concorda Okamoto. “Por exemplo, o pão e o bolo castela [tipo de pão-de-ló, chamado de pão de Castella e, em japonês, ‘kasutera’].”
Ota relativiza, contudo, a influência dos religiosos europeus no léxico japonês. “Os jesuítas portugueses tiveram um número bastante grande de fiéis, mas isso causou a repressão bastante forte por parte da força dominante da época, resultando na retirada deles do país”, comenta. “Assim, as publicações deles caíram no esquecimento dos japoneses por séculos. Só mais tarde descobriram o valor, do ponto de vista linguístico, por exemplo, do dicionário Japonês-Português compilado no início do século 17.”
“Há uma lista enorme de palavras japonesas de origem portuguesa resultante da chegada ao Japão dos portugueses em 1543, sendo os primeiros europeus a aportar e a estabelecer um fluxo contínuo e direto de comércio entre o Japão e a Europa”, afirma Maróstica. “Os portugueses também trouxeram novos alimentos, plantas e produtos para o Japão, como o tabaco e o pão.”
O linguista Caetano Galindo, professor na UFPR e autor de, entre outros, Latim em Pó, explica à BBC News Brasil como ocorre esse tipo de influência de um idioma em outro.
A história do contato linguístico é a história do contato de culturas, de povos. E o vocabulário, muito especificamente, é a área mais suscetível a esse tipo de influência.
“Costumo dizer que o vocabulário é a epiderme da língua, é a área dos toques, onde os contatos se dão com mais facilidade”, diz. “No caso da presença portuguesa no território japonês, isso foi prolongado e algo material. Não foi só um livro que chegou. Foram pessoas, foi uma leva cultural, um processo de interpenetração cultural que deixou marcas e essas marcas vão estar na cultura japonesa assim como as marcas da imigração japonesa vão estar na cultura brasileira e a gente continua comendo sushi e usando esta palavra.”
Mas dentre as influências mais curiosas, ele lembra do tempurá, uma fritura de vegetais que se tornou prato clássico da culinária nipônica. “Isso tende a demonstrar um contato mais profundo entre as culturas”, comenta ele.
Essa comida não existia no Japão, mas quando os missionários portugueses lá estiveram acabaram criando esse prato para o período da quaresma, em que tradicionalmente católicos praticantes se abstêm do consumo de carne.
Não há um consenso para a origem do nome, se oriunda da palavra “tempero” ou da expressão latina ad tempora quadragesimae — justamente a que designa o período da quaresma.
Em texto publicado originalmente em 1975, o pesquisador Tai Whan Kim, ligado à Universidade de Coimbra, identificou que a maioria dos termos emprestados do português ao Japão são aqueles relacionados à prática religiosa cristã. Kurusu, por exemplo, é cruz; inheruno, inferno; e anjo ficou exatamente igual.
Kim também observou que a maior parte das palavras relacionadas à cultura material ocidental acabaram ficando obsoletas e hoje são consideradas arcaicas — foram substituídas por termos mais modernos. É o caso de boro, para bolo; amendo, para amêndoa; konpradoru, para comprador; e sabon, para sabão.
“Uma quantidade de palavras portuguesas sobrevivem nos dialetos de Kyushu, particularmente em Nagasaki, que foi o centro do trabalho missionário católico e das relações comerciais no século cristão”, acrescenta Kim. Exemplos são bobura, para abóbora; banco para banco; e baranda, varanda.
“A palavra mais frequentemente usada pelos japoneses, que é totalmente portuguesa, é o nosso famoso cacoete ‘né?’”, comenta Maróstica.
Impactos culturais
De acordo com o jesuíta Maróstica, a influência cultural dos portugueses sobre o Japão foi além do vocabulário.
“Por exemplo, o costume de jejuar nos tempos das grandes solenidades do cristianismo”, afirma. “Foi muito bem aceito pelos japoneses.”
Os jesuítas também levaram e traduziram para o japonês obras clássicas da literatura ocidental, como as fábulas de Esopo e as cartas de Sêneca. “E ensinaram aos japoneses o canto gregoriano e a música polifônica, bem como o uso de instrumentos musicais como o órgão, o violino e a flauta”, diz o religioso.
“Os japoneses adaptaram esses instrumentos e estilos à sua própria tradição, criando gêneros como o krishitan ongaku, a música cristã.”
Não à toa, órgão em japonês é orugan.
“Os portugueses introduziram no Japão alimentos como o açúcar, o pão, o trigo, a batata-doce e a fritura em óleo”, acrescenta.
“Finalmente, a influência portuguesa no Japão também se fez sentir na área econômica. Os portugueses foram os primeiros a abrir o comércio entre o Japão e o resto do mundo, trazendo consigo produtos valiosos como a seda, as especiarias, o açúcar e o ouro.”

Entenda por que o SUS Paulista pode causar déficit de R$ 55 milhões para o HC da Unicamp

Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos
Projeção foi feita pela própria universidade e exposta para deputados estaduais no início do mês. Segundo diretor-executivo da área da saúde, hospital já está subfinanciado. Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV1
Uma mudança na forma de remuneração pelos serviços prestados via Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo, batizada de Tabela SUS Paulista, pode causar um déficit financeiro de R$ 55 milhões para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp em 2024. Entenda todos os detalhes abaixo. 👇
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📈 A projeção foi feita pela direção da área da saúde da universidade em Campinas (SP) no início de abril. O HC, localizado no campus da Unicamp, já vive as primeiras consequências da alteração dos repasses.
"A nossa necessidade é para hoje. Nós estamos subfinanciados neste mês em mais de R$ 7 milhões", revela Oswaldo Grassiotto, diretor-executivo da área da saúde da universidade.
👀 Nesta matéria, você vai ver:
O que mudou?
Por que a mudança prejudica a Unicamp?
O que é alta complexidade?
O que é a Tabela SUS Paulista?
Por que a Unicamp não é beneficiada pelo SUS Paulista?
Como o HC funciona mesmo subfinanciado?
Por que o HC não fecha o pronto-socorro?
O que deve ser feito para solucionar o problema?
O que mudou?
🤔 Como era antes? Antes, o financiamento dos hospitais pelo SUS em São Paulo era feito a partir de um teto estabelecido em R$ 186 milhões anuais, aproximadamente R$ 15,4 milhões mensais. Esse valor era fixo: independentemente de quantos procedimentos o HC realizasse, eles recebiam esse pagamento.
👉 Ou seja, quando a Unicamp relata um subfinanciamento de R$ 7 milhões no mês de março, isso quer dizer que o HC está operando com aproximadamente metade dos recursos que ele costumava receber.
🤔 Como é agora? Com o SUS Paulista, o pagamento é baseado nos procedimentos feitos. Simplificando, isso significa que se o hospital realizar mais procedimentos, ele recebe mais dinheiro. No entanto, os valores são estabelecidos com base na complexidade dos procedimentos realizados, e isso é justamente o fator que prejudica o HC da Unicamp.
Mutirão de pacientes da fila de cirurgias do SUS para avaliação pré-operatória no HC da Unicamp
Elaine Ataide
Por que a mudança prejudica a Unicamp?
O HC atende muitos casos de urgência, e a maioria destes casos são de baixa remuneração e geralmente resultam em internações prolongadas. Isso ocupa os leitos do hospital e dificulta a realização de procedimentos mais complexos e mais bem remunerados, que seriam, em teoria, a principal função do HC Unicamp.
🤔 E por que o HC atende esses casos? A unidade é do tipo "porta aberta", ou seja, que está sempre disponível para receber pacientes. Independentemente do horário, condição médica, agendamento ou encaminhamento médico, o hospital oferece serviços de emergência e pronto-socorro que operam ininterruptamente.
Esses casos de urgência ocupam 80% dos leitos e geram superlotação, mas não era para ser assim, segundo a diretoria da área de saúde. Tanto porque o HC foi idealizado para atender casos de alta complexidade quanto porque a maioria dos casos poderia ser resolvidos em outras unidades de saúde. 🩺
"Na chegada, a gente vê que três a cada quatro casos que chegam de urgência não precisariam vir para a Unicamp. Poderiam ter sido resolvido em um hospital pequeno, lá na cidade de origem do paciente", diz Grassiotto. "Mas chegou na urgência, você vai ter que atender, vai ter que dar algum destino".
HC da Unicamp enfrentou mais um dia de superlotação
Heitor Moreira/EPTV
🤔 O que é alta complexidade?
São procedimentos que exigem um alto nível de especialização técnica, estrutura adequada e, muitas vezes, tecnologia de ponta. Alguns exemplos: cirurgias no coração, cirurgias em bebês e transplantes de órgãos.
O que remediava a situação do HC era justamente o financiamento do SUS pelo teto de R$ 186 milhões anuais. 💊
O contrato anterior permitia que a Unicamp realizasse até 80% dos procedimentos de baixa e média complexidade sem afetar o repasse de verbas.
O que é a Tabela SUS Paulista?
Segundo o governo do Estado de São Paulo, a Tabela SUS Paulista é uma iniciativa inédita cujo objetivo é aumentar o atendimento na rede pública de saúde e reduzir filas de espera. Ela foi implementada em 1º de janeiro de 2024. 📆
⏩ Para isso, além de mudar critérios para o repasse das verbas, a estratégia da Secretaria Estadual de Saúde é complementar o valor encaminhado pelo Ministério da Saúde pelos procedimentos hospitalares.
O governo estadual defende que isso possibilita que as unidades de saúde recebam até cinco vezes a tabela adicional do SUS. Veja exemplos de procedimentos reajustados no gráfico abaixo. 👇

A iniciativa, segundo o governo, visa corrigir uma subvalorização destes procedimentos mais simples, já que os valores da tabela federal do SUS não são reajustados há, pelo menos, dez anos.
O governo também afirma que o sistema de remuneração deve beneficiar 354 hospitais em todo o estado, entre eles Santas Casas, entidades filantrópicas e autárquicas, que representam 50% do atendimento hospitalar na rede pública paulista. 🏥
Hospital de Clínicas (SP) da Unicamp
Reprodução/EPTV
Por que a Unicamp não é beneficiada pelo SUS Paulista?
O complemento de verba estadual sobre o valor do SUS federal beneficia hospitais privados filantrópicos e alguns hospitais públicos específicos, os autárquicos. No caso do HC, mesmo tendo um grande volume de atendimento, ele não se enquadra nesses critérios.
Hospitais filantrópicos são instituições sem fins lucrativos que recebem incentivos do governo para prestarem serviços de saúde à população carente. Já os hospitais autárquicos são unidades públicas com autonomia administrativa, muitas vezes ligadas a órgãos governamentais.
🚫 No entanto, no caso da Unicamp, o HC é parte integrante da universidade e do governo estadual. Por isso, ele não se enquadra nos critérios estabelecidos para receber o benefício adicional do SUS Paulista.
"A Unicamp ter um déficit, do que ela poderia receber, comparado com o que ela está recebendo, de no mínimo R$ 50 milhões, porque nós vamos continuar trabalhando. Nós não vamos fechar leitos, não vamos diminuir o pronto-socorro, simplesmente porque não dá pra fazer. Mas nós estamos sendo punidos duas vezes", afirma Grassiotto.
Essa dupla punição a que Grassiotto se refere ocorre pelos seguintes motivos:
pelos atendimentos que o HC presta via pronto-socorro, que aumenta a realização de procedimentos de baixa e média complexidade e são menos remunerados,
pelo fato do HC ser um hospital público ligado ao governo estadual, sem uma fundação que administre a unidade de saúde — o que o caracterizaria como hospital autárquico.
Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o HC da Unicamp tem o orçamento vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia.
Além disso, a SES também informou que as pastas de Saúde, Ciência e Tecnologia e a reitoria da Unicamp vêm estudando maneiras de complementar a receita utilizando a Tabela SUS Paulista, com recurso estadual. (Veja a nota na íntegra no fim da reportagem.)
💰 Caso a Unicamp fosse contemplada pela tabela SUS Paulista, segundo a projeção da própria universidade, ela deveria receber R$ 264 milhões anuais, R$ 78 milhões a mais que o teto de gastos previsto pelo contato anterior.
👉 Isso permitiria que o HC seguisse realizando os procedimentos de baixa e média complexidade e operando o pronto-socorro com um equilíbrio financeiro bom o suficiente para, inclusive, melhorar o atendimento e desfazer filas de espera por cirurgias.
Fila para atendimentos via SUS no HC da Unicamp, em Campinas
Reprodução/EPTV
Como o HC funciona mesmo subfinanciado?
💲 O diretor-executivo da área de saúde da Unicamp explica que para cada R$ 1 que o SUS investe no HC, a universidade investe R$ 3. Pelo menos 20% de todos os recursos repassados para a instituição de ensino é direcionado ao Hospital de Clínicas.
Esse investimento da Unicamp, segundo Grassiotto, é o que paga salários, compra insumos e financia outras atividades essenciais para o funcionamento do HC. No ano passado, segundo o diretor, a universidade investiu R$ 550 milhões apenas em procedimentos de média e alta complexidade. 🩺
"Funcionamos assim, meio apertado do ponto de vista financeiro, mas passamos o ano de 2023 e a Unicamp não mexe no recurso que ela coloca, apenas corrige todos os anos conforme as receitas que vem do governo do Estado", explica.
No entanto, esses 20% de recursos investidos na área de saúde pela Unicamp — é uma espécie de 'ponto de honra' para a universidade nunca deixar o orçamento abaixo deste índice, segundo Grassiotto — é dividido em 12 parcelas mensais, tal qual uma mesada. O problema é que com o subfinanciamento via SUS, essa reserva tem meses contados. 📅
"Nós estamos gastando a parcela de dezembro nesse momento. Com a falta de dinheiro tão grande em janeiro, fevereiro e março, nós tivemos que antecipar as parcelas. A Unicamp está adiantando a mesada e quando chegar agora no mês de maio, junho, nós estaremos sem dinheiro da universidade para tocar o HC. Nós vamos tocar com aquele dinheiro do SUS que está com um déficit de R$ 7 milhões a cada mês", lamenta o diretor.
O diretor executivo da Área da Saúde da Universidade, Oswaldo Grassiotto durante apresentação dos dados aos deputados estaduais
Antônio Scarpinetti
Por que o HC não fecha o pronto-socorro?
Grassiotto diz que o HC da Unicamp é a 'ponta da linha de urgência-emergência'. Em outras palavras, quem chega até lá é porque não conseguiu atendimento em outros lugares e foi encaminhado para o hospital. E esse é o principal motivo pelo qual não é possível fechar o pronto-socorro do HC. 🏥
🥼 O diretor da área de saúde do HC explica que a região de Campinas não tem capacidade ou não está organizada para fazer atendimentos de média complexidade ou de urgência-emergência, e por isso os tratamentos que poderiam, em tese, serem feitos em hospitais menores ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), vão para a Unicamp.
"Isso vem acontecendo desde que se tem um pronto-socorro aberto, e sempre que a gente tenta corrigir e fechar o pronto-socorro, como a rede regional não dá conta de atender porque ela não está organizada, a Unicamp recebe uma pressão muito forte para reabri-lo no dia seguinte. Essa pressão é irresistível, porque vem prefeito, governador, autoridades em geral falar 'doutor, abre e depois nós vamos dar uma solução pra isso'", relata Grassiotto.
Mas a solução não vem, e o HC da Unicamp segue superlotado de casos de baixa e média complexidade. No fim, isso gera dois efeitos negativos: a superlotação e o baixo retorno financeiro via SUS.
"Isso desloca muito a nossa capacidade de produzir a alta complexidade, que é reduzida, e aumenta muito a nossa produção na baixa e média complexidade. O resultado disso é que o valor financeiro do que nós fazemos é pequeno", resume Grassiotto.
O que deve ser feito para solucionar o problema?
Os representantes do HC Unicamp expuseram esse problema aos deputados estaduais durante uma reunião com 12 políticos no campus de Barão Geraldo, em Campinas, no início de abril. A universidade defende que o SUS Paulista seja ampliado para contemplar mais hospitais para garantir um atendimento adequado a todos os pacientes.
"O paciente não quer saber se ele está sendo atendido em um hospital filantrópico ou autárquico, ele quer que a saúde dele seja cuidada como um cidadão brasileiro com direito ao SUS. É pra não ter esse tratamento diferenciado e negativo para o usuário da Unicamp que a gente vem se movimentando", afirma Grassiotto.
Além da inserção do HC na Tabela SUS Paulista, outra pauta que a Unicamp levanta há tempos é a reorganização do sistema de saúde regional, sendo necessário, segundo a universidade, a construção de um hospital regional em Campinas dedicado ao atendimento de urgência.
A expectativa é que a construção deste hospital regional permita que o HC se concentre em procedimentos de alta complexidade. "A Unicamp dá o terreno e opera o hospital. Ela só não financia o hospital porque ela já está financiando o nosso", diz Grassiotto.
Além disso, enquanto a construção do hospital regional não acontece, a Unicamp sugere que seja criada uma infraestrutura mínima de atendimento de urgência, como a abertura UPAs ou a utilização de pequenos hospitais regionais com leitos disponíveis para desafogar o HC.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que está comprometida com a busca de uma solução que não traga impactos para o atendimento da população. Veja, abaixo, o texto na íntegra. ⏬
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que a Tabela SUS Paulista, implantada em janeiro de 2024, foi criada para aumentar os repasses aos hospitais filantrópicos, em razão da defasagem na tabela federal do Ministério da Saúde.
O HC de Campinas, diferente dos outros hospitais universitários , é ligado à Unicamp cujo orçamento é vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia. As pastas de Saúde, Ciência e Tecnologia e a reitoria da Unicamp vêm estudando maneiras de complementar a receita utilizando a Tabela SUS Paulista, com recurso estadual.
A SES está comprometida com a busca de uma solução que não traga impactos para o atendimento da população.
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Greve nas universidades: servidores de instituições federais marcham na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos
Ao menos 51 universidades e 79 institutos estão em greve no Brasil por reestruturação de carreira. Servidores cobraram Ministério da Gestão, que disse que apresentará proposta até final da semana. Servidores de universidades e institutos federais protestam em Brasília
Servidores públicos de universidades e institutos federais se reuniram, na manhã desta quarta-feira (17), em Brasília, para uma marcha em direção ao Ministério da Gestão, na Esplanada dos Ministérios (veja vídeo acima).
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Ao menos 51 universidades e 79 institutos federais estão em greve no Brasil por reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro, segundo levantamento feito pelo g1.
Na manifestação desta quarta-feira, os servidores carregavam faixas com as principais reivindicações dos docentes, e cobraram um resposta do governo federal. Procurado pelo g1, o Ministério da Gestão disse que a reestruturação de carreiras na área da educação é um "compromisso prioritário" da pasta e que vai apresentar uma proposta até sexta-feira (19) (veja íntegra mais abaixo).
“Não vamos aceitar que a nossa categoria seja dividida em classes, e que uma ganhe mais que a outra. Queremos reajuste para todos, ativos, aposentados e pensionistas", disse um representante da Federação de Sindicatos de trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições de ensino superior públicas do Brasil (Fasubra).
Os docentes da Universidade de Brasília (UnB) estão em greve desde segunda-feira (15), por tempo indeterminado (veja detalhes abaixo). Os servidores técnico-administrativos da universidade estão paralisados desde o dia 11 de março.
Greve na UnB
Professores da UnB votam pela greve na universidade
Fernanda Bastos/g1
O início da greve dos professores da UnB foi aprovado por 257 votos a favor e 213 contra em Assembleia Geral Extraordinária convocada pela Associação de Docentes da UnB (Adunb) no dia 8 de abril. A ação é motivada pela falta de reajustes salariais e nos auxílios alimentação, saúde e creche.
Os professores pedem, além da recomposição salarial, a equiparação dos benefícios e auxílios com os servidores do Legislativo e do Judiciário ainda em 2024 e também a revogação de atos normativos criados durante governos anteriores que impactam a carreira dos docentes (entenda abaixo).
Segundo o MEC, no ano passado, o governo federal promoveu reajuste de 9% para todos os servidores. "Equipes da pasta vêm participando da mesa nacional de negociação e das mesas específicas de técnicos e docentes instituídas pelo MGI, e da mesa setorial que trata de condições de trabalho", diz a pasta.
Reivindicações dos professores
Os professores da UnB pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%, divididos em três parcelas:
2024: 7,06%
2025: 7,06%
2026: 7,06%
O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), propôs um reajuste de 9% dividido em duas parcelas:
2024: sem reajuste
2025: 4,5%
2026: 4,5%
O governo também apresentou uma proposta de reajuste dos auxílios alimentação, saúde e creche que não contempla aposentados e pensionistas. O texto que o governo colocou na mesa reajusta já a partir de maio deste ano:
o auxílio alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (alta de 51,9%)
a assistência à saúde complementar per capita média (auxílio saúde) de R$ 144 para R$ 215
a assistência pré-escolar (auxílio creche) de R$ 321 para R$ 484,90
O que diz o Ministério da Gestão
"A reestruturação de carreiras na área de Educação é um compromisso prioritário do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Na sexta-feira (19/5) o governo apresentará uma proposta convergente com o relatório do Grupo de Trabalho formado por representantes dos Ministérios da Educação e da Gestão, das universidades e instituições de ensino, além de entidades sindicais representantes dos servidores do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). O Ministério da Gestão segue aberto ao diálogo com os servidores da área de educação e de todas as outras áreas."
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Ferramenta de inteligência artificial do governo paulista já corrigiu mais de 400 mil redações desde dezembro

Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram ainda que a Secretaria Estadual da Educação prevê gastar R$ 900 mil por mês pela ferramenta de 'assistente de correção virtual' da plataforma Redação Paulista. Inteligência artificial está sendo testada para produzir material didático
Implementada em 30 de novembro de 2023, uma ferramenta de assistência virtual de correção de redações criada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo (Seduc-SP) já corrigiu, até 25 de março, 405.410 redações escritas por estudantes da rede e inseridas na plataforma Redação Paulista.
Pelo menos 23.375 professores em 4.210 escolas estaduais usaram a ferramenta no mínimo uma vez.
Os dados foram obtidos pelo SP2 via Lei de Acesso à Informação (LAI), e mostram que o governo prevê gastar uma média de R$ 900 mil por mês pelo uso do "assistente de correção virtual", ou cerca de R$ 10 mil em todo o ano de 2024.
Em dezembro de 2023, primeiro mês de operação da ferramenta, foram gastos R$ 350 mil.
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IA da Seduc corrige, professor revisa
A ferramenta funciona na plataforma Redação Paulista, que já existia antes da adoção de inteligência artificial. Segundo dados da própria secretaria, "mais de 2,4 milhões de estudantes submeteram 3,5 milhões de redações" apenas no segundo semestre de 2023.
Com a assistente virtual, a pasta afirmou, em dezembro, que a ideia é agilizar e facilitar essas revisões.
A Seduc-SP informou, via LAI, que a "correção é apresentada apenas para o professor, que pode editar os comentários e a nota apresentada".
A TV Globo procurou a Seduc para saber se a revisão é obrigatória para todas as redações. Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria atualizou os números informados via Lei de Acesso à Informação e disse que "com o encerramento do 1º bimestre, 1,9 milhão redações foram corrigidas com o apoio do assistente".
A pasta disse ainda que "realizou formações virtuais e presenciais com os professores" e que a plataforma Redação Paulista realiza automaticamente uma correção ortográfica e gramatical do texto de cada estudante antes que ele seja enviado, "que servem para alertar o aluno a forma correta da escrita".
"Para fazer as mudanças necessárias no texto, o estudante precisa reescrever a palavra e, só aí, fica liberada a função de envio do texto para o professor. Quando o docente recebe o texto, a plataforma aponta automaticamente se foram seguidos os critérios avaliativos obrigatórios, como coerência, argumentação e adesão ao tema. Cada um desses tópicos deve ser validado pelo professor, a quem cabe, após o uso do recurso, a avaliação final quanto a intepretação textual e a correta adesão ao tema da redação, até atingir a completa correção e nota", explicou a Seduc.
Professora de 'redações nota mil' ainda não adotou IA
Sharlene Leite, professora que se especializou em aulas de redação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), afirmou ao SP2 que está estudando como usar tecnologias como a inteligência artificial no processo pedagógico de corrigir e avaliar os textos de seus alunos, mas ainda não adotou nenhuma delas.
"Não nós estamos usando a inteligência artificial, embora já estejamos estudando todos esses processos", afirmou ela, que atualmente é diretora de Redação do Grupo Fleming Educação, um curso pré-vestibular com unidades em Brasília, Curitiba, Santa Catarina e Porto Alegre.
Atualmente, ela coordena uma equipe de 100 professores que corrigem uma média de 4 mil redações por semana. E já deu aulas para cinco estudantes que obtiveram a nota mil na redação do Enem.
De professora de redação a candidata do Enem: após ter duas alunas com nota mil na redação do Enem, Sharlene Leite, de Brasília, decidiu fazer a prova para se colocar no lugar de seus alunos
Arquivo pessoal/Sharlene Leite
Os motivos para essas revisões ainda serem feitas manualmente envolvem o próprio estado atual da tecnologia, que ainda não atingiram um grau de autonomia suficiente para economizar o tempo dos corretores, mas garantir o aprimoramento específico dos estudantes nessa habilidade.
"A inteligência artificial ainda apresenta muitas inconsistências, principalmente na interpretação mais fina. Ela já tem sido muito eficiente no que diz respeito a questões objetivas, cujas respostas estão fechadas", explica a especialista.
"A redação é a única parte da prova [de vestibulares como o Enem] na qual o aluno consegue colocar alguma subjetividade. Então, a inteligência artificial ainda não está apta a interpretar com tanta acurácia as especificidades da nota, principalmente considerando que a redação pode equivaler até 33% da aprovação de um estudante pelo Enem", avalia Sharlene Leite, professora especialista em redação.
E completa: "Uma correção mais genérica pode ser eficiente em larga escala, de repente. Mas uma correção com aprimoramento específico a inteligência artificial ainda não entrega".
A conclusão da professora vem de várias ferramentas que ela tem testado. "Várias plataformas já oferecem, a gente já fez vários testes. Mas, para a alta performance, nós não conseguimos substituir a correção de um professor pela correção do robô", disse Sharlene.
"E outro ponto relevante é que, se o professor tem de fazer uma revisão, ele precisa ler esse texto. Então acaba ficando um retrabalho dentro desse contexto de revisão."
IA para produzir material didático
O governo estadual também pretende adotar ferramentas de inteligência artificial na produção do material didático digital, as aulas em slides introduzidas em 2023 pela gestão de Renato Feder à frente da pasta.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (17) pelo jornal Folha de S. Paulo. A TV Globo teve acesso, na tarde desta quarta, ao documento que, segundo fontes ouvidas pela reportagem, ainda tinha circulação restrita à coordenação pedagógica, e ainda não havia sido distribuída para as diretorias regionais de ensino e às escolas.
Uma captura de tela do documento mostra que se trata da produção de aulas digitais com "em torno de 18 slides de conteúdo, excetuando slides padrão (capa, referências etc.)". O trabalho deve ser feito por cerca de 90 professores chamados de "curriculistas", que elaboram o material posteriormente distribuído aos docentes que atuam em sala de aula.
Ainda de acordo com o documento, o processo de trabalho seria feito em cinco etapas:
A primeira etapa é a "versão original" da aula. Segundo o documento, uma "ferramenta de IA gera a primeira versão da aula com base nos temas pré-definidos e referências concedidas pela Secretaria".
Depois há uma etapa de "edição". O texto diz ao professor que ele é "responsável por avaliar a aula gerada e realizar todos os ajustes necessários para que ela se adeque aos padrões pedagógicos e de qualidade definidos no Guia de premissas pedagógicas e de padronização".
O processo não termina aí. Uma terceira etapa é a "revisão técnica", na qual outra equipe interna da Secretaria "revisa o material e realiza os ajustes necessários", podendo devolver ao professor curriculista para que ele adeque o conteúdo.
A quarta etapa é de "pré-produção": uma vez que o conteúdo seja considerado adequado, ele passa por "revisão linguística, formatação e produção de recursos didáticos inéditos (como gráficos, tabelas, infográficos entre outros)".
Por fim, vem a etapa final, de "aprovação", realizada mais uma vez pelo "time interno da Secretaria, que valida a aula para ser divulgada para a rede de escolas estaduais".
O projeto-piloto, ainda de acordo com o documento, tem previsão de início na próxima segunda-feira (22), com uma semana de formações e treinamentos on-line. E a previsão é que os professores participantes entreguem três aulas a cada dois dias úteis, e sejam contratados como prestadores de serviço à secretaria.
Em nota ao g1, a Seduc negou que substituiria os professores por inteligência artificial. "É o professor que vai transmitir esse conhecimento para o aluno", explicou, no fim da tarde, o secretário-executivo da pasta, Vinicius Neiva, em informações encaminhadas à TV Globo.
"O que a gente pretende com isso é simplesmente aperfeiçoar esse processo, e trazer um processo mais interativo, um processo mais ágil, mais eficiente e que seja voltado para o aprendizado do aluno, de uma forma mais interessante e mais estimulante para ele." (Vinicius Neiva, secretário-executivo da Seduc-SP)
*Sob supervisão de Ana Carolina Moreno
*Com supervisão de Ana Carolina Moreno.

Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos

Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos
No ensino médio, alunos temem atraso no diploma e defasagem de conteúdos cobrados no Enem. Já no ensino superior, interrupção de serviços de assistência estudantil pode prejudicar especialmente os mais pobres, afirmam entrevistados. Servidores da educação de mais de 40 universidades e institutos federais estão em greve
Milhares de alunos de 51 universidades e de 79 institutos federais já avaliam quais serão os impactos da greve de professores e técnicos deflagrada nestas instituições. Mesmo compreendendo as reivindicações dos funcionários (entenda mais abaixo), estudantes entrevistados pelo g1 relatam, em resumo, as seguintes preocupações:
perda de conteúdo pedagógico, especialmente entre quem cursa o ensino médio nos institutos federais e já carrega defasagens do período da pandemia;
"calendário corrido" depois do fim da greve, com reposição de aulas nas férias e excesso de matéria ensinada em um período curto após a normalização;
incerteza sobre a data da formatura, incluindo o risco de atrasar a inserção no mercado de trabalho formal;
demora maior em receber o diploma e possibilidade de ficar de fora dos processos seletivos para universidades no ano que vem, como Sisu e Prouni (caso de quem está cursando no ensino médio nos institutos federais);
ansiedade com gastos extras e problemas na alimentação, já que restaurantes/bandejões universitários, que oferecem pratos a menos de R$ 1, estão fechados em alguns locais;
prejuízo em projetos de pesquisa, porque há instituições que limitaram o funcionamento das bibliotecas ou interromperam as mentorias dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC);
atraso na concessão de novos auxílios estudantis, devido à paralisação do setor administrativo;
risco de evasão dos alunos mais vulneráveis, caso a greve se estenda por muitos meses.
Os níveis de adesão ao movimento grevista são diferentes em cada instituição de ensino — nem sempre todos os setores das universidades e dos institutos estão paralisados. Em algumas universidades, parte dos professores não aderiu à greve; em outras, só os técnicos interromperam as atividades.
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, todos os docentes estão trabalhando, mas o restaurante universitário ficou fechado por três semanas (agora, abre apenas no jantar, de 3ª a 5ª feira). Luísa Cattabriga, aluna da instituição, diz que não tem mais dinheiro para pagar pelas refeições.
"Sou aluna pobre e estava contando com R$ 0,70 cobrados no restaurante da faculdade. Agora, estou tendo de gastar o que não tenho para poder me alimentar, sendo que fico o dia inteiro tendo aula, das 9h às 22h. Tem gente que nem está conseguindo comer. Sou a favor da greve, mas falta empatia com a situação dos estudantes", afirma.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Manuella Mirella, preocupa-se exatamente com os alunos mais vulneráveis.
"Quanto mais o governo demorar para apresentar uma proposta para atender demandas, maior vai ser o risco de evasão dos estudantes, porque fica difícil de se manterem. A gente defende uma reforma completa e entende as reivindicações, mas a universidade precisa voltar a funcionar."
Mais abaixo, nesta reportagem, leia depoimentos de alunos afetados pela greve.
🔴O que querem os grevistas?
O movimento de paralisação começou em março, mas ganhou fôlego nesta semana, quando as tentativas de negociação com o governo federal para reajustar salários e aumentar o orçamento da educação não trouxeram os resultados esperados pelos grevistas.
"Se eu chegasse para vocês e dissesse que a greve não traz prejuízos, seria cinismo da minha parte. Mas estamos tentando ao máximo dialogar com o governo para resolver isso o mais rápido possível. E as reitorias devem congelar o calendário para cumprir depois o número obrigatório de dias letivos", afirma David Lobão, coordenador geral da Sinasefe (sindicato nacional dos servidores federais da educação).
"Não é a greve que causa o maior prejuízo, e sim a falta de investimentos. Precisamos da recomposição orçamentária [na educação]. Antes, os filhos dos trabalhadores chegavam [aos institutos federais] e eram aprovados nas melhores universidades depois. Era um nível de excelência que se perdeu nos últimos anos", diz Lobão.
Durante o governo Bolsonaro, as universidades e institutos federais enfrentaram sucessivos cortes e congelamentos orçamentários. Em novembro de 2022, por exemplo, essas instituições sofreram um bloqueio de R$ 366 milhões.
Segundo Lobão, os grevistas esperam que o governo Lula esteja mais aberto ao diálogo com os trabalhadores. "Não votamos nele para agora ficarmos parados em casa. Os avanços até agora foram tímidos; queremos disputar o que é 'disputável' no orçamento", afirma.
➡️O Ministério da Educação (MEC) afirma que "está atento às demandas e segue em diálogo franco e respeitoso em busca de acordo".
"Equipes da pasta trabalham com o governo para apresentar proposta de reestruturação da carreira de técnicos e construir alternativas de valorização dos quadros de servidores públicos das instituições, participando de todas as rodadas nas mesas de negociação", diz o MEC. Uma reunião nesta sexta-feira (19) discutirá as possíveis soluções.
🔴'Posso perder uma vaga de emprego se o calendário acadêmico for alterado', diz jovem
Alunos ouvidos pelo g1 se dividem entre reconhecer a necessidade de valorizar professores e funcionários e o desejo de concluir a graduação sem prejuízos.
Fernando Bisi, de 22 anos, por exemplo, estuda publicidade e propaganda na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta que não é contrário à greve, mas fica preocupado com "as incertezas".
"Se for uma greve de uma semana, duas ou três, eu não vejo com um problema. O problema é se ela se estender por meses, [porque] eu teria de adiar minha formatura", diz. "Eu me inscrevi em um processo seletivo de uma vaga de empresa em que preciso estar formado até o meio do ano. Posso perder [a oportunidade] se o calendário acadêmico for alterado."
Yasmin Santos, de 18 anos, aluna do 4º ano do ensino médio no Instituto Federal da Paraíba (IFPB), também se preocupa com o atraso do cronograma.
"É um terror psicológico ficar em casa sem saber quando vamos voltar. Estamos perdendo conteúdos e, se as aulas forem repostas só no ano que vem, não vamos ter o diploma nem poder entrar na faculdade. Vai ter sido um ano inteiro estudando para o Enem jogado no lixo", conta.
Professores do IFPI deflagram greve e UFPI ainda define data;
Eric Souza/g1
🔴'Depois, vai ser aquela pressa para passar os conteúdos', teme estudante
Rayanderson Silva, de 18 anos, estuda design de moda na Universidade Federal do Ceará (UFCE) e diz que está com receio do ritmo que as aulas terão após a greve.
"Sei que os professores veem a greve como algo necessário para chamar a atenção do governo, mas, querendo ou não, isso causa malefícios no aprendizado dos alunos. Já que não estamos tendo conteúdos, nem aulas e nem nada, tudo vai ficar para depois da greve, e vai ser muito corrido, tudo em cima da hora", conta.
Ele mora em Horizonte, a 55 km do campus de Fortaleza, onde estuda.
"Minha rotina era acordar às 3h30 manhã, pegar o ônibus às 5h e voltar pra casa às 21h. Meu maior receio é quando voltarem as aulas, porque vai juntar essa rotina cansativa com a pressa dos professores em aplicar conteúdos e passar seminários", relata.
Anabelle de Amorim, estudante do curso de história da Universidade Federal de Brasília (UnB), também faz a mesma ponderação: ressalta que os incômodos são um efeito colateral de uma reivindicação justa dos profissionais, mas se incomoda com o impacto no acúmulo de atividades.
"A greve acaba bagunçando bastante a nossa vida. O calendário acadêmico tinha finalmente sido normalizado depois dos atrasos devido à pandemia e a universidade estava voltando ao ritmo normal. Agora vamos voltar a ter um calendário mais corrido, o que atrapalha bastante nossos estudos e outras atividades, como a pesquisa e a extensão", comenta Anabelle.
Antônio Guimarães, estudante de engenharia de produção da mesma universidade, diz que os diferentes níveis de adesão à greve também atrapalham a organização do cronograma.
"A greve vem me afetando principalmente do ponto de vista de rotina, porque alguns professores mantiveram as aulas e outros suspenderam. Quando forem repor as aulas terei de ir novamente apenas para algumas matérias, tendo um gasto maior com transporte", conta.
🔴'Não consigo usar a biblioteca', afirma estudante de instituto federal
Álvaro Dantas, de 18 anos, está no 4º ano do ensino médio do IFPB e precisa entregar o TCC. A biblioteca, no entanto, está funcionando apenas para a devolução de livros, e não para empréstimos, segundo ele.
"Não consigo acessar os arquivos e estou sem a mentoria do TCC. Ficamos de mãos atadas. Precisamos dos professores e de aulas de qualidade. Alguns ainda conseguem pagar um cursinho por fora para ter o conteúdo, mas e os mais pobres, que precisam exclusivamente do ensino público? Vão ficar prejudicados no Enem?", questiona.
🔴Quando aconteceram as últimas greves nas federais?
Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o histórico de greves em universidades e institutos federais nos últimos 20 anos foi o seguinte:
2005: 112 dias de paralisação pelo reajuste de salários (40 universidades aderiram);
2008: 112 dias de paralisação pela reivindicação de verba para o orçamento (39 universidades aderiram);
2012: 125 dias de paralisação pelo reajuste de salários e de planos de carreira (60 universidades aderiram);
2015: 139 dias de paralisação pelo reajuste de salários (39 universidades aderiram);
2016: 26 dias de paralisação para impedir a aprovação da emenda constitucional 95 (44 universidades aderiram).
🔴Entre os grevistas, há divergências nos percentuais de reajuste
Professores e servidores das instituições reivindicam:
reestruturação das carreiras;
recomposição salarial;
revogação de normas relacionadas à educação que foram aprovadas nos governos Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019-2022), como o novo ensino médio;
reforço no orçamento das instituições de ensino e reajuste imediato de auxílios estudantis.
Os percentuais de reajuste estão em debate.
Na UNB, os professores pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%, divididos em três parcelas:
2024: 7,06%
2025: 7,06%
2026: 7,06%
O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), propôs um reajuste de 9% dividido em duas parcelas:
2024: sem reajuste
2025: 4,5%
2026: 4,5%
O governo também apresentou uma proposta de reajuste dos auxílios alimentação, saúde e creche que não contempla aposentados e pensionistas. O texto que o governo colocou na mesa reajusta já a partir de maio deste ano:
o auxílio alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (alta de 51,9%)
a assistência à saúde complementar per capita média (auxílio saúde) de R$ 144 para R$ 215
a assistência pré-escolar (auxílio creche) de R$ 321 para R$ 484,90
Ministério da Gestão anunciará proposta
Em nota, o Ministério da Gestão informou que apresentará, na sexta-feira (19), uma "proposta convergente" com o relatório do grupo de trabalho formado por representantes dos Ministérios da Educação e da Gestão, das universidades e instituições de ensino, além de entidades sindicais representantes dos servidores do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE).
"A reestruturação de carreiras na área de Educação é um compromisso prioritário do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. (…) O Ministério da Gestão segue aberto ao diálogo com os servidores da área de educação e de todas as outras áreas", informou o ministério.
Educação em greve: 48 universidades e 71 institutos federais aderiram à paralisação