Os desafios e benefícios de criar um filho bilíngue (e o que fazer quando se fala apenas um idioma)

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica
Isabelle Gerretsen, que cresceu falando holandês e inglês, pesquisa o que há de mais moderno em ciência sobre como ajudar as crianças a dominar dois ou mais idiomas, incluindo conselhos para pais que falam um idioma, mas desejam que seus filhos sejam multilíngues.
GETTY IMAGES via BBC
Quando eu tinha sete anos fui pela primeira vez a um acampamento escolar. Enquanto estávamos lá, todos fomos incentivados a escrever cartas para casa. Escrevi uma carta detalhada em inglês para minha mãe, contando-lhe todas as atividades que vínhamos realizando. Em seguida, traduzi palavra por palavra para o holandês para meu pai, um falante nativo de holandês. Essa anedota ainda faz meu pai, que fala holandês e inglês fluentemente, rir.
Meus pais criaram minhas irmãs e eu de forma bilíngue desde o nascimento.
Eles pediram conselhos e foram orientados a falar conosco apenas nas suas respectivas línguas. Eles aderiram a isso tão estritamente que, durante um tempo embaraçosamente longo, não percebemos que ambos eram fluentes em holandês e inglês.
Hoje em dia, em casa falamos uma mistura de holandês e inglês, muitas vezes trocando de idioma no meio da frase.
No entanto, ainda existe uma ideia comum de que o modelo seguido pelos meus pais é a melhor garantia para criar filhos verdadeiramente bilingues: desde o nascimento, e cada progenitor adere estritamente à sua língua materna.
Entre os especialistas em idiomas, ela é conhecida como estratégia OPOL, abreviação em inglês de “um pai, um idioma”.
Mas será essa realmente a única forma de alcançar o bilinguismo? E você precisa já ter dois idiomas em sua vida quando inicia o processo, ou pode criar um filho bilíngue mesmo que você e outras pessoas ao seu redor falem apenas um idioma?
Na realidade, existem muitas maneiras diferentes de expor seu filho a dois idiomas, e nenhuma abordagem foi considerada a melhor, diz Viorica Marian, autora de Power of Language e professora de ciências e distúrbios da comunicação na Universidade Northwestern, em Illinois (Estados Unidos).
A abordagem que os meus pais adotaram (de falar conosco apenas nas respectivas línguas) pode funcionar bem para pais que falam línguas diferentes, diz Marian.
Outros pais podem optar por falar apenas uma língua em casa, muitas vezes uma língua minoritária, porque sabem que os seus filhos serão expostos a outra língua na escola. ("Minoria" neste contexto significa simplesmente que é menos falado ou está menos oficialmente estabelecido do que a outra língua, em qualquer sociedade ou sistema educacional: nos EUA e no Reino Unido, por exemplo, o espanhol seria uma língua minoritária, e o inglês , o idioma majoritário).
Com o tempo, as famílias poderão ter de fazer um esforço especial para manter a língua minoritária em uso: geralmente corre maior risco de desaparecer da vida das crianças à medida que as suas interacções fora de casa aumentam e a língua maioritária se torna mais dominante.
“Uma estratégia diferente pode ser falar com o seu filho numa língua diferente em cada dia da semana”, diz Marian. Isso às vezes é conhecido como estratégia de “tempo e lugar”, entre pesquisadores e famílias bilíngues.
Para aplicá-lo, cada idioma está associado a um horário ou local específico: toda a família pode falar um idioma nos finais de semana ou durante as refeições compartilhadas, por exemplo, e outro idioma durante a semana ou fora de casa.
As estratégias mais eficazes são aquelas que podem ser incorporadas de forma consistente e a longo prazo. “Em última análise, a estratégia que terá sucesso é aquela que funciona para a sua família em particular e torna a experiência agradável e não uma tarefa árdua”, diz ele.
A apresentadora de rádio do Serviço Mundial da BBC, Krupa Padhy, está criando seus dois filhos, de sete e nove anos, de forma bilíngue.
Padhy cresceu em uma família de língua guzerate no Reino Unido, enquanto seu marido fala hindi. Eles decidiram falar inglês e hindi em casa. “O hindi é mais útil para eles porque é compreendido por todo o subcontinente asiático”, diz ele.
“Não temos uma estratégia coerente”, diz Padhy. Seu principal objetivo é ensinar hindi conversacional aos filhos para que eles possam se apresentar, dizer às pessoas quantos anos têm e quantos irmãos têm.
Padhy observa que aprender estruturas de frases de cor e repetição tem sido uma grande ajuda.
A família visita a Índia a cada 18 meses e Padhy diz que é “muito enriquecedor para os meus filhos terem acesso a essa cultura de uma forma autêntica”.
“É muito bom que eles possam participar e entender o que está acontecendo ao seu redor”, acrescenta.
Aprender Hindi também permite que a família desfrute da cultura indiana em casa. “Todo sábado à noite é noite de cinema em hindi”, diz Padhy. "As crianças adoram assistir filmes em hindi. Isso realmente ajuda."
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O ambiente desempenha um papel importante e a exposição constante aos dois idiomas é fundamental
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Há uma idade perfeita para aprender um segundo idioma?
As pesquisas apontam que é uma boa ideia introduzir a segunda língua o mais cedo possível, uma vez que as crianças aprendem o som e o ritmo da sua língua nativa, conhecida como a sua fonologia, desde muito cedo.
De acordo com um estudo de 2013, os bebês começam a aprender a linguagem antes mesmo de nascerem. O estudo descobriu que nas últimas 10 semanas de gravidez, os fetos ouvem as mães falar e podem demonstrar o que ouviram quando nasceram.
Quarenta crianças americanas e suecas, com cerca de 30 horas de idade, foram expostas a sons vocálicos da sua língua nativa e de uma língua estrangeira.
A resposta deles foi medida pelo tempo que eles chuparam uma chupeta conectada a um computador. Tanto os bebês americanos como os suecos amamentaram durante mais tempo na língua estrangeira do que na sua língua nativa.
Os pesquisadores indicaram que a sucção mais prolongada de sons desconhecidos era uma evidência de aprendizagem e mostra que os bebês são capazes de diferenciar as línguas ao nascer.
Isso não significa que seja tarde demais para adicionar uma segunda língua: as crianças mais velhas e até os adultos ainda podem aprender outras línguas, e pode haver outros benefícios, como a alegria de se conectar com a sua herança. Mas as crianças mais novas podem ter mais facilidade em aprender um sotaque nativo, dizem os especialistas.
“Quanto mais cedo você começar, melhor”, diz Sirada Rochanavibhata, professora assistente do departamento de desenvolvimento infantil e adolescente da Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia. "Uma vantagem de aprender um idioma desde cedo é que é mais fácil alcançar a proficiência nativa."
“Durante os primeiros seis meses, os bebês conseguem discriminar os sons da fala de todas as línguas”, diz Rochanavibhata.
Depois disso, as crianças perdem a capacidade de distinguir sons que não são utilizados na sua língua nativa ou nas línguas a que são expostas.
"Em inglês, os sons 'r' e 'l' são distintos e podem alterar o significado de uma palavra (por exemplo, 'ler' e 'conduzir'), enquanto em japonês, os sons 'r' e 'l' são combinados em uma única categoria (o 'r' japonês).
“Os falantes de japonês que aprendem inglês podem ter dificuldade em distinguir entre ‘r’ e ‘l’ em inglês”, explica Rochanavibhata. Este processo é conhecido como estreitamento perceptivo.
Afirma que, portanto, a idade em que uma criança adquire uma segunda língua pode afectar a sua capacidade de ouvir e produzir sons da fala nessa língua.
Porém, se você ou sua família perderam essa oportunidade, ainda existem outras. “Os adultos ainda conseguem dominar outras línguas, mas o processo pode exigir mais esforço e abordagens diferentes”, acrescenta Rochanavibhata.

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A importância de motivar as crianças mais velhas
Segundo os pesquisadores, também pode haver vantagens práticas em estabelecer uma base bilíngue sólida nos primeiros anos.
Começar cedo permite que as crianças “fiquem completamente imersas” em ambas as línguas, diz Antonella Sorace, professora de linguística do desenvolvimento e fundadora do programa Bilingualism Matters, um centro de pesquisa e informação da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. promove o bilinguismo e a aprendizagem de línguas.
No entanto, não é apenas começar cedo que pode fazer uma diferença positiva. O outro desafio é manter a segunda língua, especialmente quando as crianças se tornam mais independentes.
Sorace diz que para conseguir isso é importante motivar e incentivar as crianças a falar vários idiomas.
“Isto nem sempre é fácil porque as crianças não gostam de se sentir diferentes. Muitas crianças imigrantes dizem-nos que já não querem falar a sua língua materna, porque é isso que as diferencia das outras”.
Ele observa que uma forma de encorajar as crianças é criar uma “minicomunidade” onde elas possam interagir regularmente com colegas que falam a sua língua. “Isso pode ser incrivelmente motivador”, observa ele.
Marian diz que é importante que as crianças ouçam os dois idiomas com frequência e que sejam falados por vários falantes nativos.
“Ter interações regulares com muitos falantes diferentes das duas línguas pode ajudar a melhorar a proficiência bilíngue, já que as crianças ficam expostas a uma maior diversidade”, afirma.
O ambiente desempenha um papel importante e a exposição constante a ambas as línguas é fundamental, concorda Elisabet García González, investigadora do Centro para o Multilinguismo na Sociedade ao Longo da Vida da Universidade de Oslo, na Noruega.
Ela observa que se uma criança nascida em uma família bilíngue parar de usar uma de suas línguas aos oito anos de idade, isso terá um impacto significativo no seu bilinguismo. “A linguagem é algo que muda ao longo da vida”, diz ele.

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Pais monolíngues com filhos bilíngues?
Mesmo que os pais não sejam totalmente multilíngues, eles ainda podem incentivar uma mistura de idiomas em casa, diz Sorace.
Indica que, por exemplo, um pai pode começar a aprender uma segunda língua e depois, ocasionalmente, utilizar essa língua com o seu filho. Isso expõe a criança a palavras ou frases em outro idioma e traz benefícios mesmo que o falante não seja perfeitamente fluente. “A perfeição não existe nas línguas”, diz Sorace.
Na opinião de Sorace, a confiança dos pais em falar uma combinação linguística em casa é mais importante do que a sua capacidade linguística. “Se estiverem confiantes, a criança ouvirá o suficiente dessa língua e aprenderá”, diz ele.
Descobrir e utilizar novas línguas torna-se então um projeto familiar em que todos se beneficiam, inclusive os pais. “Dizemos aos pais que aproveitem esta oportunidade maravilhosa [de desfrutar de outro idioma com seus filhos]”, diz ele.
“O objetivo não é você ser perfeito no idioma, mas sim aprender mais e conseguir se comunicar com seu filho”, completa.
Padhy diz que seu hindi melhorou desde que começou a falar com os filhos. “Estou aprendendo muito”, diz Padhy. “Estou falando hindi melhor do que nunca porque estou ensinando-os.”
Segundo os investigadores, também pode haver outras oportunidades para os pais monolingues encorajarem o bilinguismo na família.
Marian sugere uma variedade de opções, como escolher uma babá ou creche bilíngue ou matricular seus filhos em aulas de idiomas em um centro comunitário ou clube extracurricular onde eles ouvem vários idiomas.
“À medida que a criança cresce, fazer com que ela participe de programas de intercâmbio e de estudos no exterior, faça cursos de línguas estrangeiras e viaje para países onde a outra língua é falada apoiará e avançará ainda mais o aprendizado do idioma”, afirma.
Os cérebros das pessoas bilíngues são diferentes?
Para aqueles que se esforçam para adquirir um segundo idioma, seja quando crianças ou mais tarde, como adultos e pais, o processo pode trazer benefícios estimulantes para o cérebro, independentemente do nível de fluência alcançado.
Aprender vários idiomas leva a um aumento no volume de massa cinzenta no córtex pré-frontal, a parte frontal do cérebro que é importante para o pensamento de alto nível, como a tomada de decisões e a resolução de problemas, diz Ashley Chung-Fat-Yim , professor assistente pesquisador em bilinguismo e psicolinguística na Universidade Northwestern, em Illinois.
“Também vemos melhorias na matéria branca nas mesmas regiões do cérebro”, acrescenta.
Embora a matéria cinzenta seja onde informações importantes são processadas, a matéria branca transporta mensagens entre regiões do cérebro, explica Chung-Fat-Yim.
"Pense na massa cinzenta como estações de metrô e na matéria branca como túneis de metrô que conectam diferentes estações de metrô entre si. O multilinguismo ajuda a manter intacta a estrutura dos 'túneis de metrô' para uma transmissão de sinal mais rápida e eficiente. Em outras palavras, a comunicação entre regiões do cérebro pode ser realizada de uma forma mais otimizada", acrescenta o especialista.
Falar mais de um idioma e o exercício mental que isso implica também podem aumentar a resiliência do cérebro e ajudar a retardar o aparecimento dos sintomas de Alzheimer, sugerem pesquisas.
De acordo com uma revisão de 2020 de mais de 20 estudos existentes, ser bilíngue pode atrasar os sintomas de Alzheimer em até cinco anos. Os pesquisadores concluíram que o bilinguismo não previne o aparecimento do Alzheimer, mas ajuda a evitar os sintomas por mais tempo.
Eles descreveram o bilinguismo como uma forma de reserva cognitiva que fortalece e reorganiza os circuitos cerebrais.
“Assim como o exercício fortalece os músculos, o multilinguismo fortalece o cérebro para manter o funcionamento cognitivo”, diz Chung-Fat-Yim.
A pesquisa sugere que os benefícios cognitivos também podem ser obtidos mais cedo na vida.
De acordo com um estudo, crianças bilíngues podem, por exemplo, alternar melhor as tarefas do que falantes monolíngues.
Mais de 100 crianças foram chamadas para classificar imagens de cores ou animais em um computador. Os pesquisadores concluíram que as crianças que falavam uma segunda língua (francês, espanhol ou chinês) alternavam melhor entre as duas categorias, indicando a sua capacidade de realizar multitarefas.
“Aprender outro idioma é sempre bom”, diz Sorace. "Isso enriquece o seu mundo do ponto de vista cultural e beneficia o cérebro."
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‘A era dos matemáticos chegou’: por que universidades e empresas disputam profissionais no Brasil

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica
Carreira tem crescimento previsto de 30% na próxima década nos EUA; indústria de tecnologia é responsável por boa parte da demanda. Ao receber convite com vantagens para ingressar em universidade, a jovem Paula Eduarda de Lima achou que 'era golpe'
Arquivo pessoal/via BBC
Quatro anos depois se formar em matemática aplicada, Fernanda Scovino ainda frequenta a faculdade onde estudou, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas não como aluna — ela vai agora em busca de novos talentos para suas equipes.
Ela lidera aos 25 anos uma equipe de seis analistas de dados na Prefeitura do Rio de Janeiro, e tem uma ONG, a Base de Dados, que reúne e facilita o acesso a uma série de informações.
“A disputa pelos matemáticos é muito grande", diz Fernanda.
"Quando eu estudava, as empresas promoviam visitas aos seus escritórios, éramos muito abordados por bancos, consultorias, startups e empresas de tecnologia", ela acrescenta.
A professora Maria Soledad Aronna diz que esse tipo de movimento é bem comum.
Ela dá aulas no curso de Ciências de Dados e Inteligência Artificial da FGV desde 2012 e conta que já viu vários ex-alunos voltarem alguns anos depois em cargos de chefia e atrás de estagiários.
A professora conta que as empresas chegam a recrutar estudantes até mesmo do segundo ano, quando eles nem sabem o básico da profissão.
"O índice de empregabilidade dos alunos é 100%, e o crescimento na carreira tem sido aceleradíssimo", diz Aronna.
O mercado está mesmo aquecido para quem domina matemática e em áreas afins — como estatística, ciência de dados, computação e algoritmos.
Essas pessoas são valorizadas porque têm habilidades que vão muito além de fazer cálculos e contas difíceis.
Elas desenvolvem também uma capacidade de pensar problemas de forma abstrata e sair em busca de soluções.
Mas o número de pessoas que formam nestas áreas no Brasil não parece estar dando conta da demanda.
A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, um setor onde vão trabalhar muitos destes profissionais, calcula, por exemplo, que são criadas quase 160 mil novas vagas por ano.
Mas só se formam a cada ano 53 mil com as habilidades que as empresas buscam, pelas contas da associação — ou seja, há em torno de três vagas para cada novo profissional.
O salário gira na casa de R$ 6 mil por mês, quase quatro vezes a média nacional, de R$ 1,6 mil.
Mas há empregos no mercado que pagam o dobro, triplo ou mais para profissionais mais experientes e qualificados.
"A era dos matemáticos chegou", cravou Keith McNulty, diretor global de ciências, tecnologia e digital da consultoria McKinsey & Company, em um post na rede social LinkedIn em outubro do ano passado.
McNulty explica à BBC News Brasil que a procura começou a aumentar nos últimos dez anos graças a popularização de novas tecnologias.
“Multiplicaram-se as oportunidades para matemáticos”, diz McNulty.
“Muitas empresas e organizações passaram a trabalhar com grandes quantidades de dados, sendo que antes costumavam se restringir a pequenas planilhas."
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‘Achei que era golpe’
Essa alta demanda por profissionais da matemática e áreas correlatas produz um efeito em cascata em que as universidades saem à caça de jovens promissores nas salas de aula das escolas.
"Quando recebi o e-mail, não acreditei. Achei que era golpe", diz Paula Eduarda de Lima, de 18 anos, que recebeu um convite da FGV para participar de uma preparação para o vestibular.
Caso fosse aprovada, ela tinha a garantia de que receberia uma ajuda financeira para se mudar de Jaboti, no interior do Paraná, para estudar sobre ciência de dados e inteligência artificial no Rio.
Ela não foi o único caso. A FGV tem oferecido uma série de benefícios a estudantes de todo o Brasil que sejam medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
Indústrias tecnológicas têm puxado a demanda por profissionais ligados à matemática
Getty Images/ via BBC
Paula Eduarda havia chamado a atenção ao ganhar a prata em 2021. Por dois anos seguidos, ela também foi ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA).
Filha de pequenos agricultores, Paula Eduarda aceitou o convite. Hoje, está no segundo ano do curso.
"Moro com os outros bolsistas em um hotel e recebo R$ 2,4 mil por mês de apoio", conta a estudante, que vê na matemática uma forma de "crescer na vida".
No futuro, ela diz se vê trabalhando com análise de dados em uma grande empresa ou como pesquisadora em uma universidade.
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Como a matemática movimenta a economia
Os rendimentos de empregos ligados à Matemática compõem 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo um estudo do instituto Itaú Social feito em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
De acordo com o estudo, homem e pessoas brancas ocupam a maioria dos empregos intensivos em matemática, com participação de 69% e 62%, respectivamente, embora sejam minoria na população em geral, com uma representação de 48,5% e 43,5% entre os brasileiros como um todo.
Divulgado no final do ano passado, esse foi o primeiro levantamento feito para estimar como estas profissões movimentam a economia do país.
Em outros países essa participação é ainda maior, diz Marcelo Viana, presidente do Impa.
Na Inglaterra, 15% do PIB é representado pela matemática e suas aplicações, aponta Viana. Na França, são 18%.
“Algoritmos, a ciência de dados e campos relacionados progridem rapidamente por serem cada vez mais presentes no dia a dia, nos produtos e softwares que usamos, com grande peso na economia", explica Viana.
Nos Estados Unidos, o governo estima que o número de vagas para matemáticos e estatísticos no mercado vai crescer 30% entre 2022 e 2032.
A média salarial está hoje na faixa dos US$ 100 mil por ano (quase R$ 500 mil) — aproximadamente o dobro do ganho médio de um americano.
Um profissional da área tem, em geral, mestrado em matemática ou estatística, segundo o levantamento do governo americano, mas algumas vagas aceitam apenas diploma em graduação.
É uma realidade bem diferente do que a que Keith McNulty, diretor da McKinsey, encontrou no passado.
"Quando me formei no doutorado, há 25 anos, saí perdido porque, naquela época, a única opção para matemáticos parecia ser ir para o meio acadêmico, algo que eu não achava gratificante", comenta McNulty.
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Quanto ganha um matemático no Brasil?
Na área, são os professores de ensino fundamental que têm a menor média salarial
Getty Images/via BBC
O levantamento do Itaú Social e do Impa apontou que, no Brasil, os salários mais baixos são justamente os de professores de matemática do ensino fundamental, em torno de R$ 2,5 mil.
Já as vagas nas áreas de pesquisa e engenharia giram em torno de R$ 8,3 mil por mês.
Os executivos em empresas públicas, categoria com o maior salário médio do estudo, recebem cerca de R$ 14,4 mil reais.
Os salários no mercado privado podem ir ainda mais além. Uma empresa de inteligência artificial de São Paulo, por exemplo, paga entre R$ 15 mil e R$ 20 mil para profissionais mais experientes, com doutorado e alguma experiência corporativa, segundo apurou a reportagem.
Mas, de acordo com um executivo da empresa, esses valores ainda assim ficam “abaixo da média” do setor, e é preciso sinalizar que isso será compensado por futuros bônus e opções de ações para conseguir recrutar os melhores.
Isso ajuda a entender porque a grande maioria dos colegas de Fernanda Escovino que também estudaram matemática trabalham na área de dados de grandes empresas e do mercado financeiro.
“São pouquíssimos os que viram professores e pesquisadores", diz ela.
Ela conta que, antes de entrar na faculdade, pensava cursar engenharia "justamente pelo preconceito que se tem de achar que a única opção para matemáticos é se tornar professor".
Mas Fernanda diz que se apaixonou pela matemática depois de assistir a uma aula na faculdade.
"O ponto de vista da matemática ensina sobre um tipo de raciocínio lógico que é importante em muitas carreiras, ainda mais nos dias atuais, com a popularidade da ciência de dados", diz Fernanda, que é diretora de dados e inovação.
"As pessoas ao redor estranham, mas os cargos nos quais estão os matemáticos têm títulos que para alguns não lembram a nossa disciplina."
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Os gargalos para o Brasil se tornar potência da Matemática
Carências do Brasil na educação em matemática colocam em questão o ritmo com o qual país conseguirá atender a demanda por profissionais
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Se por um lado as novas profissões viraram um chamariz para a matemática, isso virou um problema para a formação de novos professores.
Os baixos salários pagos para quem dá expediente na sala de aula faz com que menos matemáticos procurem a licenciatura, diz Marcelo Viana, do Impa.
Isso cria um gargalo importante no Brasil e em outros países.
Em 2022, o matemático Christophe Besse, presidente do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), apontou para uma tendência paralela.
"Há uma diminuição no número de professores e pesquisadores e, assim, uma menor capacidade de ensino", alertou Besse.
Outro problema, diz Viana, é que o Brasil "não tem acompanhado a demanda" na formação dos estudantes.
Uma evidência disso, aponta o presidente do Impa, são os resultados do Pisa, a principal avaliação de educação básica no mundo.
Enquanto os 38 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apelidada de "clube dos ricos", tem em média 31% dos alunos com baixo desempenho em matemática, o índice é de 73% no Brasil.
Isso quer dizer que sete em cada dez jovens do país não conseguem fazer os cálculos mais simples.
"Se considerar aqueles que alcançaram um nível mínimo de conhecimento para ambicionar ingressar em profissões que exigem o domínio da Matemática, aí a porcentagem é ínfima, de 4%", diz Viana.
"O Brasil tem uma carência enorme, por consequência de problemas estruturais de nosso ensino, que inclusive faz com que a matemática seja vista como um bicho-papão pelos estudantes.”
A bióloga Cristina Caldas, diretora de ciência do Instituto Serrapilheira, dedicado à valorização do conhecimento científico, defende ser preciso mais estímulo público e privado para ampliar a formação na área.
"Iniciativas que mostrem como modelos matemáticos, algoritmos e afins estão por trás de grandes avanços que atendem demandas atuais, como o combate a epidemias e o progresso da computação", diz Caldas.
O Brasil pode com isso se tornar “um país rico em ideias que possam solucionar problemas urgentes da sociedade atual", defende a bióloga.
O Serrapilheira está com agora em sua 7ª Chamada Pública de Apoio à Ciência, destinada ao financiamento de pesquisadores nas áreas de ciências naturais, computação e matemática em início de carreira interessados em resolver grandes questões nos campos em que atuam.
Desde 2018, 24 projetos foram aprovados na área da matemática, com um total de investimentos na casa de R$ 7,5 milhões.
Em ciências da computação, foram outros 15 projetos, com investimento de R$ 3,1 milhões.
Keith McNulty, da McKinsey, ressalta, para quem quer ganhar a vida com a Matemática, que o mercado mudou bastante nos últimos 25 anos.
“A diferença agora está na grande quantidade de dados com a qual temos de trabalhar e na complexidade dos problemas matemáticos enfrentados", diz o executivo.
McNulty ressalta, no entanto, que no contexto atual de alta procura pela indústria da tecnologia, não basta ter formação na área.
Por isso, ele aconselha: "Torne-se competente em linguagem de programação, caso queira tirar o melhor de suas habilidades matemáticas em sua futura carreira”.
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Fuvest divulga datas do vestibular 2025

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica
Provas da 1ª e 2ª fase acontecem no segundo semestre deste ano, nos meses de novembro e dezembro. Fuvest 2024 em Ribeirão Preto
Érico Andrade/g1
A Fuvest divulgou nesta segunda-feira (18) o calendário de provas do vestibular 2025, que será realizado no segundo semestre deste ano.
Serão mais de 8 mil vagas disponíveis para ingresso via processo seletivo.
📆 1ª fase: 17 de novembro
📆 2ª fase: 15 e 16 de dezembro
O calendário completo ainda será disponibilizado pela Fuvest.
Leituras obrigatórias 📚
"Marília de Dirceu" – Tomás Antônio Gonzaga
"Quincas Borba" – Machado de Assis
"Os ratos" – Dyonélio Machado
"Alguma Poesia" – Carlos Drummond de Andrade
"A Ilustre Casa de Ramires" – Eça de Queirós
"Nós matamos o cão tinhoso!" – Luís Bernardo Honwana
"Água Funda" – Ruth Guimarães
"Romanceiro da Inconfidência" – Cecília Meireles
"Dois irmãos" – Milton Hatoum

Unicamp 2025: veja quando será o vestibular, data das inscrições e como pedir isenção de taxa

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica
Comissão responsável pelo processo seletivo divulgou calendário nesta segunda. Primeira fase acontece em 20 de outubro e a segunda nos dias 1º e 2 de dezembro. Inscrições serão de 1º a 30 de agosto. Alunos concentrados durante o vestibular da Unicamp 2024
Leandro Ferreira/g1
A Unicamp divulgou, nesta segunda-feira (18), o calendário com as principais data do vestibular 2025 da instituição. De acordo com a comissão responsável pelo processo seletivo, um dos principais e mais concorridos do país, a primeira fase acontece em 20 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais no Brasil. A segunda fase será nos dias 1º e 2 de dezembro.
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Ainda segundo a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), o período de inscrições será entre 1º e 30 de agosto. A universidade tem 69 cursos nos campi de Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Veja abaixo detalhes do calendário. 📆
Antes da primeira fase, haverá, em setembro, as provas de habilidades específicas para os cursos de Música. Já as demais faculdades que também exigem o conhecimento segmentado (Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais e Dança) terão o vestibular em dezembro, após a segunda fase. A primeira lista de aprovados está prevista para 24 de janeiro de 2025.
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Como pedir isenção da taxa de inscrição? 💰
Os candidatos que atendem os requisitos para pedir a isenção da taxa de inscrição do vestibular, que vale tanto para a modalidade tradicional para as vagas via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), podem fazer a solicitação a partir de 13 de maio.
Os pedidos e o envio de documentos, que vão constar no edital divulgado "em breve", segundo a comissão, devem ser feitos até 7 de junho exclusivamente pela internet, na página da Comvest. A lista de beneficiados sai no dia 30 de julho.
De acordo com a Convest, o calendário foi definido em reunião com as outras universidades públicas de São Paulo para que as datas não coincidam.
Calendário da Unicamp 2025 📆
💰 Inscrições e pagamento da Taxa de Inscrição – 1/8 a 31/8/2024
🎻 Prova de Habilidades Específicas de Música – Setembro
✏️ 1ª fase – 20/10/2024
✏️ 2ª fase – 1 e 2/12/2024
🔨 Provas de Habilidades Específicas: Dez/2024
✅ Divulgação dos aprovados em primeira chamada: 24/01/2025
VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias da região no g1 Campinas

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica

Enem 2023: ‘espelhos’ da redação estão disponíveis para vista pedagógica
Inep libera, em todas as edições, a versão digitalizada do texto entregue pelo candidato. Folha de rascunho da Redação do Enem.
g1
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 já podem consultar, a partir desta segunda-feira (18), os "espelhos" da redação — ou seja, as versões digitalizadas dos textos que eles entregaram no dia da prova. É necessário entrar na Página do Participante, neste endereço.
A divulgação dos espelhos foi relatada por candidatos nas redes sociais e verificada também diretamente pela equipe de reportagem no perfil de inscritos. O g1 entrou em contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mas o órgão não deu detalhes sobre a divulgação dos espelhos.
LEIA EXEMPLOS DE REDAÇÕES NOTA MIL NO ENEM 2022
Essa etapa é chamada de "vista pedagógica", porque permite que os estudantes entendam os critérios de correção e as notas que receberam em cada uma das cinco competências avaliadas no Enem (mais abaixo, veja quais são elas).
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Trecho de espelho da redação de uma candidata do Enem 2022
Reprodução
Competências avaliadas na redação
A redação do Enem vale 1.000 pontos. Cada uma das competências explicadas abaixo, portanto, representa 200 pontos.
Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
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