Em Piracicaba, 66% das escolas municipais não têm bibliotecas; lei prevê obrigatoriedade

Governo anuncia 100 novos campi de institutos federais de educação; veja distribuição no mapa
Em 2010, Governo Federal determinou acervo mínimo de um livro para cada aluno matriculado. Rede municipal, conforme o número de matrículas, deveria ter 36.704 títulos disponíveis aos alunos, segundo dados do Censo Escolar. Estante de livros no Sebo do Formiga, em Piracicaba
Caroline Giantomaso/g1
A rede municipal de ensino de Piracicaba (SP) contava com 66% das escolas sem biblioteca ou sala de leitura, segundo o Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). O dado é referente ao ano de 2023, o último analisado pelo levantamento nacional.
Por lei, todas as escolas do país devem ter uma biblioteca com acervo mínimo de um título para cada aluno matriculado e um bibliotecário por colégio.
A universalização das bibliotecas foi estabelecida pela Lei 12.244 em 2010. O texto previa um prazo máximo de dez anos para a instalação dos acervos nas escolas, porém, de acordo com a Câmara dos Deputados, o prazo foi adiado para 2022 por conta da pandemia de Covid-19.
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Conforme o Censo Escolar, considerando o número de matrículas em toda a Educação Básica municipal, que se divide entre Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, a rede de ensino deveria contar com pelo menos 36.704 livros disponibilizados para os alunos em 2023 em Piracicaba. Confira, abaixo, o acervo mínimo para cada faixa de ensino:
📖 Ensino Infantil: 18.276 livros distribuídos em 92 escolas da rede municipal
📖 Ensino Fundamental: 17.878 livros distribuídos em 48 escolas da rede municipal para os alunos dos anos iniciais, que compreende do 1º ao 5º ano
📖 Ensino Médio: 185 livros disponíveis na única escola da rede municipal de Piracicaba
Em Piracicaba, não há escolas municipais voltada aos anos finais do Ensino Fundamental. A rede pública desta faixa de ensino é composta exclusivamente de instituições estaduais, onde o percentual de escolas com bibliotecas ou salas de leitura é de 74,6% — mais do que o dobro da cobertura municipal (34,1%), mas ainda aquém da meta estabelecida pelo Governo Federal. Confira os dados completos abaixo.
O que diz a prefeitura?
O g1 pediu um posicionamento para a Prefeitura de Piracicaba, que informou, em nota, que dispunha de salas de leitura em 46 das 48 escolas do Ensino Fundamental em 2023, último ano base dos dados disponibilizados pelo Censo Escolar.
Além disso, a administração municipal informou também que a rede municipal contava com cerca de 17 mil alunos no Ensino Fundamental e um acervo de, pelo menos, 50 mil títulos de livros destinados ao uso nas escolas desta faixa de ensino — isso resulta em cerca de três livros disponíveis para cada aluno.
Livros, livraria, prateleira, biblioteca, bienal, literatura (imagem ilustrativa)
Jessica Ruscello / Unsplash
📚 Planos para 2024
Segundo a Secretaria de Educação de Piracicaba, está em andamento a compra de 21.348 exemplares de livros de literatura em 2024, resultando em um investimento superior a R$ 1 milhão.
Além dos livros adquiridos, as escolas também recebem títulos a partir do Programa Nacional do Livro e do Material Didático, que disponibiliza obras didáticas, pedagógicas, literárias e outros materiais de apoio à prática educativa.
A administração municipal também prevê, ao menos, duas novas salas de leitura que serão instaladas na escola de Ensino Fundamental que será construída no bairro Nova Iguaçu e na escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental do bairro Santana.
Por fim, a Secretaria também informou que o incentivo à leitura ocorre desde o berçário, por meio de projetos de leitura e também com a disponibilização de livros infantis para manuseio das crianças em escolas de Educação Infantil da rede municipal.
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‘Como reitora, passei por situações nas quais eu tive que colocar o homem no lugar dele’, diz Márcia Abrahão da UnB

Governo anuncia 100 novos campi de institutos federais de educação; veja distribuição no mapa
Primeira reitora da UnB e atual presidente da Andifes, Márcia Abrahão conta que enfrentou situações de machismo e assédio durante trajetória profissional e que, por suas reações, foi chamada de autoritária. Reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão
Beto Monteiro / Secom UnB
Na semana em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, o g1 conversou com duas mulheres que ocupam cargos de destaque no Distrito Federal para falar sobre um tema polêmico: poder e assédio.
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No sábado (9), a entrevistada foi a vice-governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP) . Neste domingo (10), a primeira reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, conta sua experiência.
"Como reitora, passei por situações que eu tive que colocar o homem no lugar dele. E aí a gente é chamada de autoritária. […]. Se o homem faz isso, ele é firme. Se a mulher faz, ela é autoritária, ela é grosseira", diz a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão.
Por ter ingressado na área de geologia, em 1982 – um curso majoritariamente masculino na época – e ter traçado uma carreira que a levou a ser a primeira reitora da UnB, Márcia Abrahão conta que durante toda a sua trajetória acadêmica e profissional enfrentou o machismo. Atual presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), ela diz que precisou lidar com "microagressões de gênero" incansavelmente.
“Tive que lutar por cada detalhe. Por exemplo, na UnB, na Reitoria, a placa da frente da da sala é reitor. Foi um custo para eu conseguir mudar para reitora."
Leia abaixo a entrevista com Márcia Abrahão.
Poder x assédio
g1: A relação entre poder e assédio é muito presente em diversos âmbitos da sociedade. Como a senhora percebe esse contexto? Ao longo da sua vida, passou por situações em que se sentiu assediada? Se estiver confortável, pode nos contar como foi?
Márcia Abrahão: Eu já passei por essa situação em vários momentos, em várias fases da minha vida: como estudante, com um professor que não aceitava a mulher ainda mais geóloga, como profissional, por exemplo, na Petrobras, quando estávamos em campo e era uma equipe sísmica, que eu era geofísica da Petrobras no interior da Bahia, e era um acampamento só de homens.
Nós chegamos três mulheres, três mulheres geólogas, as três formadas na UnB, com o "espírito da UnB" que não aceita preconceito, e tivemos que nos rebelar dentro da equipe sísmica, conversar com o chefe por causa da atitude dos homens que andavam de toalha no meio do acampamento.
Na vida profissional ouvi homens que falavam "Ah, não, deixa que eu dirijo" ou "Você, não precisa dirigir, deixa que eu vou para andar num lugar mais difícil". Então, há esse tipo de coisa na vida de uma geóloga.
Mas também tive pessoas incríveis, como o meu orientador. Por exemplo, eu estava morrendo de medo de falar que eu estava grávida da minha filha, já estava terminando o mestrado. Aí ele falou "Poxa, que bom. Parabéns!". Então, há homens que têm um outro olhar.
Como reitora, passei por situações que eu tive que colocar o homem no lugar dele. E aí a gente é chamada de autoritária. Quando a gente fala "Olha aqui, pode deixar que eu sei o que eu tô fazendo" – se o homem faz isso, ele é firme. Se a mulher faz, ela é autoritária, ela é grosseira. E eu já passei por isso como reitora e até como presidente da Andifes.
Já passei por situação de machismo de tentar inverter o que a gente está fazendo para trazer uma imagem, que não é uma imagem verdadeira. Mas é porque no fundo ele não aceita que uma mulher esteja no comando.
g1: Como ser mãe durante o mestrado e o doutorado influenciaram na sua carreira e na sua visão de gestora?
Márcia Abrahão: Ser mãe e para mim, hoje como gestora, é muito importante eu ter passado pelo que eu passei, até pra ver o que as pessoas sentem e o que as mulheres passam. Então, por exemplo, quando eu fui fazer minha prova de mestrado, eu tinha acabado de ter o exame de gravidez do meu filho. Tinha entrevista e eu morria de medo, porque a geologia é um curso muito de homens, até hoje tem muita resistência em várias áreas, não em todas, mas em outras têm.
Uma amiga minha falou "Não fale que está grávida. Se você falar que está grávida na entrevista, você não vai passar". E eu fiz uma péssima entrevista e eu não falei que estava grávida. Também não me perguntaram, né? "Você está grávida?’" [risos].
Mas foi difícil. Assim que eu comecei o mestrado, tinham disciplinas que eu tinha que fazer trabalho de campo e eu não pude ir. Depois, isso acabou prejudicando. […] No doutorado, a minha filha tinha acabado de nascer e eu tinha que ir para o campo, que era no norte de Mato Grosso – uma área que tinha muita malária na época – e eu amamentava. […] Então, eu só pude ir para o campo no ano seguinte, em julho do ano seguinte.
Acabou atrasando o meu campo e quando eu fui, eu amamentava ainda porque ela não queria parar de mamar. E eu fui daqui de Brasília de carro até Mato Grosso, tirando leite no caminho para ir desmamando. Foi assim que eu desmamei ela, nesse período, nesse caminho.
Então, tem várias situações. Por exemplo, tanto no mestrado, quanto no doutorado e depois, com os filhos pequenos. Eu estava no laboratório, fazendo uma análise e eu tinha que parar de repente, porque a escola ligava falando que criança tinha passado mal.
Já como professora, eu dava aulas às quartas, durante a tarde, e eles faziam as oficinas infantis que tinham lá na UnB, no CO [Centro Olímpico]. Na hora do intervalo da minha aula, eu levava eles, ia dar aula, depois buscava no intervalo, deixava em casa correndo e voltava para dar aula. Não tinha tempo nem de beber água. Era uma logística danada, sorte que eu morava ali perto, na 205 Norte. Então, tem muitas situações que as mulheres passam. E aí você escuta o colega com piadinha, como se a gente tivesse de corpo mole e esse tipo de coisa.
g1: Então a senhora enfrentou o machismo durante todo percurso, de estudante, pós-graduanda, mestre, doutora, no mercado de trabalho, como reitora e como presidente da Andifes?
Márcia Abrahão: Durante todo o percurso. Na verdade, nós temos que estar o tempo inteiro atentas, porque todo dia tem um homem que não aceita uma mulher num cargo de destaque, seja como gestora, seja como profissional, como colega. Uma colega que se sobressai, têm homens que não aceitam. Ainda bem que têm homens que aceitam e que ensinam isso para outros homens.
Hoje em dia, as mulheres estão mais atentas. Quando a mulher não está atenta, ela tem uma amiga, ela tem uma prima, ela tem uma irmã que faz ela abrir os olhos. E isso é muito importante. Mas acho que, infelizmente, a nossa sociedade brasileira ainda é muito machista.
Ainda é uma sociedade que tem muitos homens que não aceitam mulheres que estudam, mulheres que têm cargos, e isso a gente tem que combater no dia a dia. Mas o que eu vejo hoje é que as mulheres estão mais atentas e mais donas das suas vidas.
g1: Conte um pouco de sua trajetória na universidade e na comunidade acadêmica. Ao longo desse tempo, como foram as suas experiências, em um ambiente que, por muito anos, foi dominado por homens.
Márcia Abrahão: Tive que lutar por cada detalhe. Por exemplo, na UnB, na Reitoria, a placa da frente da da sala é reitor. Foi um custo para eu conseguir mudar para reitora. Há pouco tempo, eu consegui mudar uma outra placa para gabinete da reitora, mas somente no segundo mandato. As assinaturas no Sei, que é o nosso sistema de assinaturas online, todas no masculino.
Lutei para conseguir mudar, para colocar pelo menos o "azinho" [ª]. Hoje em dia, por exemplo nessa trajetória toda – e até por eu ter uma profissão que eu tive que me impor também profissionalmente como geóloga – eu vejo que as pessoas me respeitam. Mas vejo também que muitas pessoas usam o fato de eu ser mulher, de eu falar mais firme, para dizer que "Tá vendo, é autoritária", ou "Tá vendo, tem que ser do jeito dela", e eu faço gestões super democráticas, tanto na UnB como na Andifes.
Mas o que a gente percebe é que ainda tem muitos homens que tentam usar qualquer detalhe para desqualificar a mulher, no fundo, o que eles querem é desqualificar. […] A gente ainda tem homens, e eu vivo isso ainda hoje como presidente da Andifes, já vivi com reitores homens, por exemplo, deles me interromperem o tempo inteiro quando estou falando. Então, eu passei por isso, e olha que eu sou presidente há menos de um ano, passei por isso como reitora na UnB com diretor de faculdade me interrompendo o tempo inteiro e interrompendo outras mulheres, e passei por isso na Andifes com reitores que também não aceitam.
Muitas vezes são homens que tentam passar uma imagem de homens que são modernos, que respeitam a mulher. Mas eles escorregam porque eles não são.
Responsabilidade
A reitora Márcia Abrahão em cerimônia de posse
Wilson Dias/Agência Brasil
g1: Como a senhora se sente hoje, sendo uma mulher na posição em que ocupa como reitora da Universidade de Brasília e presidente da Andifes?
Márcia Abrahão: Eu já passei da fase de ficar muito feliz e orgulhosa. Hoje, eu vejo isso com uma imensa responsabilidade, então é uma imensa responsabilidade para outras mulheres. Recentemente eu recebi umas pessoas para uma reunião, para tratar do Conselho de Saúde do Brasil, da Conferência Nacional de Saúde, e eu escuto de outras mulheres "Olha, é muito bom te conhecer, muito bom falar com você, você tem sido um exemplo, eu fico feliz que você está aí". Então eu vejo a proporção da minha responsabilidade. E agora eu tenho uma responsabilidade muito maior, porque eu sou avó. Então eu vejo como que eu tenho que ser um exemplo para a minha neta, sou avó de uma mulher.
g1: Que conselho a senhora daria para mulheres que querem cargos de liderança no meio acadêmico?
Márcia Abrahão: Primeiro é acreditar no seu próprio potencial. Não escutar as pessoas que dizem que você não tem condições, que você não vai conseguir, que você vai ser mãe. A pessoa fala "Você tem filho, você não consegue fazer isso porque você tem que cuidar do seu filho". Sim, nós temos que cuidar dos nossos filhos, mas podemos também optar por não ter filhos. Essa tem que ser uma opção da mulher, não pode ser uma imposição da sociedade. E a outra coisa que eu acho fundamental é a gente sempre ter mulheres aliadas. As pessoas costumam dizer que a mulher não é aliada de mulher, mas mulher é muito aliada de mulher.
É muito importante nós termos as nossas redes de amigas, continuarmos com as nossas amigas, saindo com as nossas amigas, conversando com as nossas amigas. Não deixarmos que os homens impeçam a gente de ter amizades. Esse é um primeiro sinal de violência. É naquele relacionamento de mulher e homem em que o homem não permite que ela tenha amigas e que não estude e que não trabalhe. Então, é ficar atenta a todos os sinais, confiar nas mães e confiar em outras mulheres e persistir, isso é fundamental.
Quem é Márcia Abrahão
Márcia Abrahão, reitora da UnB, fala sobre quem é e como quer ser lembrada no cargo que ocupa
Márcia Abrahão nasceu no Rio de Janeiro, em 1964, mas cresceu em Brasília. Em 1982, passou no vestibular da UnB para o curso de Geologia e, após finalizar a graduação, passou no concurso da Petrobras, em 1987.
Pediu demissão após um ano e meio e, quando se casou, voltou para Brasília. Em 1988, passou no mestrado na área de Geologia na UnB. Seu primeiro filho, Tomás, nasceu depois de um ano.
Márcia Abrahão passou no concurso do Banco Central durante o período da pós-graduação e, no início do doutorado, a filha Renata nasceu. Depois de pedir demissão do Banco Central, ela passou, em março de 1995, para ser professora substituta da UnB, e em julho entrou como professora permanente.
"Estou lá [na UnB] até hoje, e assim comecei a minha história", diz Márcia Abrahão.
Graduada, mestra e doutora em Geologia pela UnB, é docente do Instituto de Geociências (IG) desde 1995. Entre 2008 e 2011, foi decana de Ensino de Graduação e coordenou o Reuni – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.
Em 2016, tornou-se a primeira mulher eleita reitora da UnB e, em 2020, foi reconduzida ao cargo por mais quatro anos. Em 2023, foi eleita presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Casada pela segunda vez – com o mesmo marido, Antônio – atualmente diz que um dos seus títulos preferidos é "ser avó da Olívia".
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73% dos jovens sem educação básica completa querem voltar a estudar, aponta levantamento

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'Não seremos uma nação justa e economicamente forte se permitirmos que dois em cada dez jovens cheguem à vida adulta sem ao menos o ensino médio', alerta Rosalina Soares, especialista da Fundação Roberto Marinho. 7 milhões de jovens de 15 a 29 anos têm vontade de voltar a estudar, segundo pesquisa.
Divulgação
Dos mais de 9 milhões de jovens fora da escola que não concluíram a educação básica, cerca de 7 milhões ainda têm a intenção de retomar os estudos, o que equivale a 73% do total. É o que mostra a pesquisa Juventudes fora da escola, da Fundação Roberto Marinho e do Itaú Educação e Trabalho divulgada nesta segunda-feira (11).
O desejo é maior entre as mulheres (78%), mas também é alto entre os homens (69%). Para a maioria, a vontade é de retornar para o ensino médio técnico, que permite combinar a educação básica com um curso de tecnólogo.
“O fato de termos mais de 9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não frequentam a escola e não concluíram a educação básica revela uma preocupante 'tolerância' da sociedade brasileira em relação à exclusão educacional dos mais vulneráveis", afirma Rosalina Soares, a assessora de pesquisa e avaliação da Fundação Roberto Marinho.
Segundo ela, a maioria desses jovens vem de famílias com renda per capita de até 1 salário-mínimo, sendo que sete em cada 10 são negros.
"É alarmante constatar que 86% deles já ultrapassaram a faixa etária adequada para frequentar o ensino regular. Enquanto para os jovens das camadas mais privilegiadas é praticamente uma formalidade concluir o ensino médio, para as juventudes mais vulneráveis, a violação do direito à educação não tem recebido o devido cuidado", completa Rosalina.
Entre as principais razões apontadas por aqueles que ainda pretendem terminar o ensino médio estão:
a perspectiva de melhora da condição profissional, seja para ter um emprego melhor (37%) ou arrumar um emprego (15%),
seguido pelo desejo de cursar uma faculdade (28%).
"Não seremos uma nação justa e economicamente forte se permitirmos que dois em cada dez jovens cheguem à vida adulta sem ao menos o ensino médio", conclui a especialista da Fundação Roberto Marinho.
Ainda de acordo com o levantamento, 77% dos jovens que saíram da escola e pretendem concluir o ensino médio têm intenção de cursar o ensino técnico. Na visão dos pesquisadores, é uma sinalização da importância do preparo para o mundo do trabalho na escola para que os que estão fora retornem à sala de aula.
Para Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, a pesquisa reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas intersetoriais para garantir educação de qualidade e preparo para o mundo do trabalho para as juventudes.
Ana afirma que os dados revelam a questão do mundo do trabalho como central na decisão desses jovens que estão fora da escola, seja na tomada de decisão para interromper os estudos, seja para retomá-los.
"Temos o compromisso constitucional de, na escola, formarmos profissionalmente os jovens, para que eles tenham condições de garantir inserção produtiva digna e dar sequência na carreira que desejarem optar. Fortalecer a Educação Profissional e Tecnológica é fundamental nesse sentido, para que os jovens tenham formação adequada e alinhada às tendências do mundo do trabalho, assim como é urgente criarmos condições para que essa parcela da população estude e tenha oportunidades profissionais”, avalia Ana Inoue.
Sem vontade de retomar os estudos
Apesar de termos 73% do grupo interessado em voltar para a escola, outros 27% dos jovens de 15 a 29 anos sem a etapa de ensino completa (cerca de 2,5 milhões) não têm vontade de voltar a estudar.
Os motivos variam entre homens e mulheres, mas os principais são a necessidade de trabalhar (para 40% deles) e a necessidade de cuidar da família (para 35% delas).
Outras respostas como falta de vontade ou de tempo e vergonha da própria idade também apareceram como motivos para os jovens não voltarem a estudar (confira na imagem abaixo).
Motivos dos jovens para não quererem voltar a estudar.
Pesquisa Juventudes fora da escola sem a educação básica, 2024.
A pesquisa ouviu mais de 1,6 mil jovens de todo o país, realizou entrevistas em profundidade e contou com grupos de discussões de jovens para chegar aos resultados. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
Outros destaques da pesquisa
O levantamento, lançado oficialmente nesta terça-feira (12), também traçou um perfil de quem é o jovem de 15 a 29 anos que está fora da escola.
Os homens (58%) e negros (70%) são maioria. Ente eles, 43% não chegou nem a concluir o ensino fundamental e 84% trabalham e 69% ocupam algum cargo informal (sem carteira assinada ou vínculo empregatício).
Os que têm filhos também são maioria. Entre os homens, 6 a cada 10 são pais. Entre as mulheres, 8 a cada 10 são mães.
E quase 8 a cada 10 desses jovens sem educação básica completa possuem renda per capita de até um salário-mínimo por pessoa.
Perfil dos jovens fora da escola.
Pesquisa Juventudes fora da escola sem a educação básica, 2024
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Fies abre inscrições; veja as regras e quem têm direito às vagas do Fies Social

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Programa vai oferecer financiamento estudantil para alunos de baixa renda com condições especiais de pagamento. Alunos podem se inscrever até o dia 15 de março. Nova modalidade do Fies quer facilitar o acesso de estudantes de baixa renda ao programa
Reprodução/RBS TV
Começam nesta terça-feira (12) as inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do governo federal possibilita o financiamento de cursos superiores em faculdades particulares.
Pela primeira vez, o programa vai contar também com o Fies Social, categoria que oferece condições especiais de financiamento para alunos de baixa renda financiarem o curso em até 100%.
🗓️ As inscrições podem ser feitas pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, no site do governo federal, até a sexta-feira (15). O resultado vai ser divulgado no dia 21 de março.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), este ano o Fies vai oferecer 112 mil vagas em várias áreas do conhecimento no país. Metade delas vão ser destinadas à versão social do programa. (Veja mais abaixo a diferença entre as duas categorias.)
Quem pode participar do Fies Social?
O programa foi anunciado pelo governo no início deste ano como uma forma de atender os alunos de baixa renda com financiamento para cursos de graduação em universidades particulares.
Podem participar do programa alunos que:
estejam inscritos no Cadastro Único (CadÚnico);
e que tenham renda familiar per capita de até meio salário mínimo (R$ 706).
Fies Social garantirá mais acesso para pessoas de baixa renda
Qual a diferença entre o Fies e o Fies social?
A principal mudança é que, nesta modalidade, o governo pode financiar até 100% do curso.
➡️Como era antes? Desde 2016, o programa havia deixado de fornecer empréstimos que cobriam integralmente os encargos educacionais. Quanto menor o salário médio da família, maior era a fatia da mensalidade que poderia ser paga só depois da formatura — mas era impossível alcançar os 100% de financiamento.
Exemplo: na mesma faculdade, que custava R$ 10 mil por mês, um estudante com renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo poderia conseguir cerca de 85% de financiamento (e não 100%). Com 3 salários mínimos (o máximo permitido para o programa), seriam só 58% financiados. Diante disso, alunos diziam que estava insustentável continuar na universidade: pagar a parte não financiada tornava-se cada mais difícil, ainda mais para quem estudava em cursos integrais e não poderia trabalhar.
🔔Mas, atenção: Apesar da mudança com o financiamento de 100% do curso, os "tetos" do Fies continuam valendo para a versão social. Isso significa que o programa não vai financiar mais do que R$ 42,9 mil por semestre (no caso de medicina, o limite é de R$ 60 mil). O valor que exceder essa quantia deverá ser pago a cada mês pelo estudante.
Outra mudança foi a possibilidade de se inscrever em cursos de várias áreas do conhecimento.
➡️Como era antes? Se o aluno escolhesse entre uma das opções o curso de engenharia, que é das exatas, todas as demais opções deveriam ser também nesta área do conhecimento. Ele não poderia escolher direito ou letras, que são de humanas. Agora, o aluno pode se inscrever em cursos de várias áreas, o que permite mais possibilidades de aprovação.
VÍDEOS: notícias de Educação
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Governo anuncia 100 novos campi de institutos federais de educação; veja distribuição no mapa

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Segundo MEC, investimento permitirá a criação de 140 mil novas vagas para alunos. Institutos oferecem cursos técnicos e de graduação e pós-graduação. Governo anuncia ampliação da rede de Institutos Federais
O governo federal anunciou nesta terça-feira (12) a criação de 100 novos campi de institutos federais (IFs) de educação, ciência e tecnologia. O Nordeste é a região que receberá o maior número de novas unidades, segundo o Ministério da Educação (MEC). Veja os números abaixo:
Norte: 12 campi
Nordeste: 38 campi
Centro-Oeste: 10 campi
Sudeste: 27 campi
Sul: 13 campi

O ministro da Educação, Camilo Santana, informou que a expansão das unidades criará 140 mil novas vagas para alunos no país, a maioria em cursos técnicos integrados ao ensino médio.
O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Investimento em educação
As instituições de educação profissional e tecnológica (EPT) oferecem cursos gratuitos de qualificação profissional, técnicos e de graduação e pós-graduação.
O aumento do número de campi e de matrículas nos institutos federais é defendido por Lula desde o começo do terceiro mandato. O investimento nas novas unidades faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo o MEC, serão investidos R$ 3,9 bilhões nos próximos anos: R$ 2,5 bilhões para as novas unidades e R$ 1,4 bilhão para melhorias nos demais institutos.
Os institutos integram a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, criada em 2008 a partir das antigas escolas técnicas.
Atualmente, a rede é composta por:
38 institutos federais;
dois centros federais de educação tecnológica (Cefets);
22 escolas técnicas vinculadas às universidades; o Colégio Pedro II; e
a Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Mil gols
Presidente Lula em cerimônia de anúncio de 100 novos campi de institutos federais
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Na cerimônia de lançamento, Lula relembrou jogadores de futebol como Pelé e Romário, que marcaram mais de mil gols, e afirmou no discurso que definiu a meta de chegar a mil campi de institutos federais – serão 702 com os anunciados nesta terça.
"Temos uma meta, marcar mil gols. Nossos mil gols vai ser construir mil institutos federais neste país", disse o presidente.
Segundo o presidente, é importante investir para que jovens tenham profissões e, por meio da educação, se tornem "cidadãos de primeira classe".
Lula voltou a criticar quem chama de "gasto" os recursos aplicados na educação.
É proibido no meu governo falar que dinheiro de educação é gasto. Dinheiro de educação é o mais importante investimento que um país pode fazer. O que é gasto é dinheiro em cadeia, gastar fortuna para combater droga, contrabando, o crime organizado. Isso é gasto.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que faz oposição ao governo e foi eleito presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, também esteve no evento. Sem atuação na área, a eleição dele para o comando do colegiado preocupa a Frente Parlamentar de Educação.