Menopausa precoce e demora em iniciar reposição hormonal podem aumentar risco de Alzheimer

‘Síndrome do desgaste’ afasta mão de obra sênior precocemente do mercado
Pesquisa mostra que tratamento beneficia as mulheres, que representam dois terços dos pacientes da doença Embora já tenha escrito sobre isso diversas vezes, sempre me assusto com a informação: dois terços dos pacientes de Doença de Alzheimer são mulheres! A entrada no climatério, a fase que abrange a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, pode ser uma das chaves para mudar esse quadro. Afinal, é quando a produção do estrogênio cai, impactando o organismo como um todo.
Mulher de meia-idade: demora em iniciar reposição hormonal pode aumentar risco de Alzheimer
Zachosine para Pixabay
Além de aumentar o risco cardiovascular e de desenvolvimento de osteoporose, a longa lista dos sintomas que antecedem a menopausa inclui ondas de calor, fadiga, confusão mental, mudança de humor, insônia, ansiedade – o cérebro não fica de fora neste cenário de hipoestrogenismo, o termo técnico para a diminuição da quantidade do hormônio.
Um novo estudo, realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, lança luz sobre a relação entre a idade da menopausa, a utilização de terapia hormonal da menopausa (popularmente conhecida como reposição hormonal) e o Alzheimer. Primeiro, é bom lembrar que a menopausa é uma espécie de marco: o diagnóstico se dá quando a mulher passa 12 meses sem menstruar. A partir daí, estamos na pós-menopausa. Os resultados, publicados ontem na revista científica “JAMA Neurology”, indicam que a menopausa precoce, que ocorre antes dos 40 anos, ou devido a uma cirurgia antes dos 45, é um fator de risco para demência. E mais: esse risco não foi detectado naquelas que se submeteram à reposição assim que pararam de menstruar.
“A terapia hormonal é o meio mais confiável para amenizar os sintomas da menopausa mas, nas últimas décadas, não se sabia exatamente que efeito causava no cérebro. Descobrimos que altos níveis da proteína tau, envolvida no processo do Alzheimer, só foram observados em mulheres que começaram a fazer reposição hormonal tardiamente, ou seja, cinco anos depois da menopausa. A ideia de que o acúmulo dessa proteína pode estar associado a uma terapia hormonal tardia e ao desenvolvimento do Alzheimer é um grande achado”, afirmou a pesquisadora Rachel Buckley, do departamento de neurologia da instituição.
Há duas décadas, o estudo conhecido como Women´s Health Initiative apontou que a reposição hormonal estava ligada a uma incidência duas vezes maior de demência entre mulheres acima dos 65 anos. Desde então, tal informação fez com que muitos médicos deixassem de prescrever o tratamento para suas pacientes. No entanto, o que chama a atenção no trabalho recém-divulgado é o risco da reposição feita com atraso, bem depois da menopausa. Buckley e seus colegas usaram imagens de tomografias por emissão de pósitrons (PET em inglês) para avaliar como a presença das proteínas beta-amiloide e tau, relacionadas com o Alzheimer, estava associada à idade e à terapia hormonal, como explicou a médica JoAnn Manson, coautora do artigo:
“Quando se trata de terapia hormonal, o timing é tudo. A reposição, se iniciada de forma precoce, não apenas protege contra a doença cardiovascular e preserva as funções cognitivas. Ela também não provoca o acúmulo de proteína tau”.

Investimento do turismo em inclusão seria benéfico para todos

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Para o segmento, haveria um aumento significativo de receita; para as pessoas, melhora da autoestima e do sentimento de pertencimento “Será que eu consigo fazer essa viagem? As acomodações serão acessíveis? Minhas restrições alimentares serão respeitadas?”. Questões desse tipo podem afligir cerca de 20% dos habitantes do planeta que, segundo a Organização Mundial da Saúde, têm algum tipo de doença crônica: diabetes, problemas cardíacos, câncer ou distúrbios mentais. Além disso, o envelhecimento da população mundial traz desafios, como limitações físicas ou situações de declínio cognitivo, e diagnósticos de ansiedade e depressão têm sido cada vez mais frequentes. No final das contas, as dificuldades inviabilizam a oportunidade de conhecer novos lugares, povos e costumes.
Turistas em viagem: envelhecimento da população mundial traz desafios para o setor, como limitações físicas ou situações de declínio cognitivo
Mircea Iancu por Pixabay
Se o setor de turismo se dispusesse a abraçar a causa desse enorme contingente, o resultado seria benéfico para todos. Para o segmento, um aumento significativo de receita e consumidores fiéis; para as pessoas, melhora do sentimento de pertencimento e autoestima.
Foi com base nessa premissa que pesquisadores de diferentes áreas da Edith Cowan University (Austrália) – direito, negócios e medicina de precisão – criaram o conceito da “terapia de viagem” (“travel therapy”), no qual o turismo passa a ser encarado como um meio de melhorar o bem-estar e a saúde mental. Para o professor Jun Wen, a indústria turística deveria se engajar em garantir o suporte necessário para que pessoas física ou mentalmente vulneráveis se sentissem acolhidas:
“Boa parte até consegue viajar, mas há momentos nos quais as vulnerabilidades ficam expostas e demandam cuidados extras. Trata-se de um mercado importante e ignorado”.
De acordo com o estudo, publicado no “International Journal of Contemporary Hospitality Management”, diversas iniciativas ajudariam a tornar o setor mais inclusivo, passando por acomodações, alimentação, transporte, entretenimento, sempre considerando a possibilidade de esses viajantes dependerem de um cuidador. Wen afirma que educação e conscientização são fundamentais: “é preciso treinar a mão de obra e criar manuais padronizados que atendam às necessidades de pessoas com algum tipo de limitação. Há também espaço para a criação de produtos turísticos para segmentos específicos, como indivíduos portadores de distúrbios como ansiedade e até demência”.

Bom relacionamento com os pais está associado a melhores indicadores de saúde na vida adulta

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Já pessoas com um histórico de abuso físico ou psicológico têm mais chances de apresentar um quadro de transtorno de raiva A longevidade é a construção de uma vida inteira, que começa no útero: sabemos como são importantes a saúde da gestante e um bom acompanhamento pré-natal para o bem-estar de um bebê. Cada etapa da trajetória é como um tijolinho da nossa casa. Portanto, não é surpresa que pesquisa divulgada no fim de março mostre que laços fortes entre pais e filhos adolescentes estejam associados a melhores indicadores de saúde em jovens adultos.
Mãe e filha adolescente: bom relacionamento influi nos indicadores de saúde anos mais tarde
Tawny Nina Botha para Pixabay
O levantamento foi realizado pelo Children´s Hospital of Philadelphia, nos EUA, a partir dos dados de mais de 10 mil adolescentes, entre 12 e 17 anos, que participaram de um estudo por mais de uma década. Ao aceitarem cooperar com o trabalho, os jovens responderam sobre questões como a qualidade de comunicação com os pais, carinho e acolhimento em casa, tempo passado em família e expectativas acadêmicas. Quando chegaram à faixa entre 24 e 32 anos, foram convidados a relatar sobre seu nível de estresse, depressão e otimismo, além do uso de substâncias tóxicas e outros indicadores de saúde.
Comparando o antes (adolescência) e o depois (fase adulta) do grupo, aqueles que havia relatado maior satisfação no relacionamento com os pais eram os que apresentavam um quadro mais positivo de saúde.
Um outro estudo, apresentado no Congresso Europeu de Psiquiatria, mostrou que, quanto mais traumática é a infância, maior a chance de essa criança se tornar um adulto com problemas para lidar com a raiva.
O transtorno explosivo intermitente (TEI) é uma condição psicológica que se caracteriza por explosões de raiva e comportamentos agressivos, durante os quais o indivíduo não controla seus impulsos violentos, podendo partir para a agressão física ou para a destruição de objetos .
Pesquisadores holandeses entrevistaram pessoas entre 18 e 65 anos sobre sua infância e experiências traumáticas, que iam da perda dos pais a abusos físicos, emocionais ou sexuais. Os relatos correspondiam a diagnósticos de ansiedade, depressão, agressividade. A psicóloga e professora da Leiden University Nienke De Bles, líder do time, afirmou:
“Descobrimos que pessoas ansiosas ou deprimidas, com um histórico de negligência emocional e abuso físico ou psicológico, tinham uma chance aumentada entre 1.3 a 2 vezes de apresentar problemas de raiva ou de comportamento antissocial. Isso pode tornar dificultar bastante as interações interpessoais. São indivíduos que também costumam interromper o tratamento psiquiátrico, o que reduz suas possibilidades de bem-estar”.

O potencial dos canabinoides nos tratamentos de dor

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Especialista afirma que derivados da maconha podem ser uma opção para reduzir o uso de opioides No começo do mês, assisti a uma aula da médica carioca Mariana Mafra Junqueira, especialista em dor, na 4ª. Jornada de Canabinoides, promovida pela Associação Paulista de Medicina. Referência em sua área de atuação, é uma estudiosa dos canabinoides – as substâncias derivadas da Cannabis sativa, a maconha – no manejo da dor crônica e oncológica. Qualquer um que tenha convivido com alguém com câncer sabe que, principalmente em estágios mais avançados, o desconforto é enorme, e vem crescendo o consenso entre os profissionais de saúde sobre sua utilização como droga adjuvante (auxiliar), como ela explica:
Tratamentos para o manejo da dor: derivados da maconha podem ser uma opção para reduzir o uso de opioides
Epyc Wynn por Pixabay
“Introduzir os canabinoides pode ser uma opção para reduzir o uso de opioides, devido ao risco de dependência. Há pacientes que encaram a prescrição com desconfiança, fazendo perguntas como: ‘você vai me receitar maconha?’. E há outros que chegam ao consultório trazendo essa demanda”.
A médica diz que, de 2020 para cá, aumentou o número de trabalhos publicados sobre o assunto, mas as evidências ainda não são fortes e os estudos, mal desenhados, o que dificulta a tomada de decisão. No entanto, afirma que os canabinoides atuam positivamente no manejo da ansiedade e na qualidade do sono, dois aspectos relevantes num quadro de dor crônica:
“A questão da dor envolve inúmeros aspectos relacionados à qualidade de vida. Diminuir a ansiedade e melhorar o sono já trazem benefícios. A capacidade funcional do paciente deve ser preservada. Não adianta ministrar uma alta dose que comprometa essa capacidade, que o deixe sedado”.
E por que os derivados da maconha são tão promissores? Nosso cérebro tem receptores (CB1 e CB2) que são estimulados por canabinoides produzidos pelo organismo, chamados de endocanabinoides e responsáveis por uma extensa lista de funções, incluindo ansiedade e humor. A maconha, por sua vez, tem inúmeros compostos químicos, entre eles o CBD (canabidiol), o THC (tetraidrocanabinol) e o canabigerol. Tais compostos são fitocanabinoides, isto é, também são canabinoides e, por este motivo, conseguem estimular os receptores humanos com eficiência.
O CBD é capaz de atuar na dor, como antiinflamatório, ansiolítico, antipsicótico e na modulação imune. O THC age para melhorar apetite, náusea, dor, espasticidade, ansiedade e estresse pós-traumático. No evento, os especialistas enfatizaram o “efeito entourage”: a sinergia entre os canabinoides potencializa seus efeitos.
Isso ocorre em produtos conhecidos como “full spectrum”, um extrato com todos os componentes da planta. Os produtos “broad spectrum” não contêm THC, ou a substância aparece em níveis desprezíveis; além disso, está disponível o canabidiol isolado. Quando entrevistei a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, uma das autoras do “Tratado de Cannabis medicinal: fundamentos para a prática clínica”, ela foi enfática:
“A medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson ou esclerose múltipla. Ainda há poucos estudos publicados e nenhum interesse por parte da indústria farmacêutica, porque seu objetivo é sintetizar novas drogas e ganhar milhões com patentes, mas as famílias testemunham as mudanças dos pacientes. É uma revolução”.

‘Síndrome do desgaste’ afasta mão de obra sênior precocemente do mercado

‘Síndrome do desgaste’ afasta mão de obra sênior precocemente do mercado
Profissionais maduros se preocupam em como são vistos por seus pares, achando que talvez não tenham mais as habilidades necessárias para continuar executando suas funções. Na Europa Ocidental, a valorização da mão de obra sênior é uma política de Estado. Um cenário bem diferente do que ocorre no Brasil, onde o mercado ainda fecha as portas para os trabalhadores acima dos 50. No entanto, mesmo sem sofrer com um etarismo pesado como aqui, idosos europeus têm abandonado seus empregos por se sentirem ultrapassados. O nome disso? “Síndrome do desgaste”, dizem pesquisadores do Copenhagen Centre for Health Research in the Humanities, ligado à Universidade de Copenhagen. O mundo corporativo já lida com duas síndromes bastante conhecidas. A do impostor, citada pela primeira vez em 1978 e associada a um sentimento de mulheres bem-sucedidas que se viam como uma fraude, aponta para uma discrepância entre o reconhecimento externo e o julgamento interno. A do burnout, ou esgotamento, é provocada pelo excesso de trabalho e cobrança e leva a um estado de exaustão extrema.
Mão de obra sênior: estereótipos afastam trabalhadores do mercado prematuramente
Pasja1000 para Pixabay
Por sua vez, na “Síndrome do desgaste” (em inglês, “worn-out”), profissionais maduros, ainda que tenham consciência do seu valor, começam a se preocupar em como são vistos por seus pares, muitas vezes achando que talvez não tenham mais as habilidades necessárias para continuar executando suas funções.
As mensagens que a sociedade como um todo envia são tão poderosas que acabam sendo introjetadas. Comentários do tipo: “afinal, quando você vai se aposentar?” sempre soam discriminatórias – e são! Funcionam como uma crítica velada de que as pessoas são menos produtivas, engajadas ou passaram da idade para ocupar sua posição. Os pesquisadores listaram as três situações mais frequentes da “Síndrome do desgaste”:
O temor de não se sentir tão capaz quanto antes para atender às expectativas que envolvem a atividade. Nesse caso, há semelhanças com a síndrome do impostor, no que diz respeito ao sentimento de inadequação.
A preocupação de que colegas e chefes possam estar avaliando negativamente seu desempenho, mesmo quando o indivíduo acredita que domina em sua competência. Os pesquisadores atribuem o quadro ao conceito de metaestereótipos de idade, isto é, a pessoa se angustia com o que acha que os outros estão pensando.
O receio de não perceber o momento de parar é como um fantasma ameaçador: o medo é de um declínio futuro e, principalmente, da falta de consciência da situação.
O estudo foi realizado entre 2019 e 2021, com trabalhadores da indústria e do mercado financeiro – esses últimos eram os mais afetados. Nas entrevistas realizadas, ficou patente a angústia de estarem sendo julgados como ultrapassados por seus pares, em reflexões como: será que não está na hora de sair de cena? Vou conseguir acompanhar as mudanças e atender às expectativas? Meus companheiros e chefes me alertarão se tiver chegado a ocasião? Estou me expondo ao continuar? Não há respostas fáceis, mas ajudaria muito se as empresas se empenhassem em incluir os funcionários idosos nos programas de treinamento e reciclagem, mostrando que apostam neles.