Sete dicas para reduzir o estresse ao estudar para uma prova

Já pensou em se tornar adubo de florestas depois de morrer?
Desenvolver hábitos saudáveis ​​para lidar com o estresse vai contribuir para o seu bem-estar psicológico e emocional e, em última análise, ajudar no seu desempenho acadêmico.
GETTY IMAGES via BBC
Ao estudar para uma prova, você pode se sentir estressado e um pouco sobrecarregado enquanto tenta se preparar.
Você não está sozinho: o estresse é parte normal da experiência humana, e fazer uma prova pode ser um momento particularmente desafiador.
Mas há maneiras de gerenciar esse estresse e manter seu bem-estar.
Desenvolver hábitos saudáveis ​​para lidar com o estresse vai contribuir para o seu bem-estar psicológico e emocional e, em última análise, ajudar no seu desempenho acadêmico.
A seguir, estão sete dicas que podem ser úteis.
1. Respire
A primeira coisa a fazer no momento que se sentir estressado é respirar fundo.
Quando você começa a se sentir estressado, a frequência cardíaca aumenta, as palmas das mãos ficam suadas e a pressão arterial sobe.
Se você respirar fundo algumas vezes quando essa sensação se instalar, você pode regular sua frequência cardíaca, e a experiência física do estresse pode ser reduzida.
Isso pode ajudar sua mente a focar e criar espaço para decidir como gerenciar esse estresse.
Depois de respirar, há outras coisas que você pode fazer para ajudar a se sentir menos estressado.
2. Estabeleça metas — e seja realista
É muito importante definir metas alcançáveis ​​com as quais se sinta confortável.
Não escreva tantas coisas em sua lista de tarefas a ponto de ficar ansioso só de olhar para elas. Pense no que é realisticamente alcançável dentro do tempo que você tem disponível, e estabeleça metas para tarefas de revisão que levem a um progresso contínuo.
Não se esqueça de levar em consideração o tempo para o autocuidado, e lembre-se de se parabenizar por suas conquistas.
3. Faça intervalos
Ninguém consegue manter o foco total em uma tarefa, como a de revisão dos estudos, para sempre. Com o tempo, a concentração nos deixa cansados ​​— e, na verdade, reduz nossa capacidade de realizar bem uma atividade.
Também pode significar que precisamos de mais energia para completar uma tarefa dentro do nosso padrão habitual, e aumenta a chance de cometer erros.
Por isso, fazer pausas regulares vai melhorar sua capacidade de estudar com afinco. Se você achar que está começando a ficar demais, faça uma outra coisa, para variar.
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4. Mantenha-se ativo — e saia de casa

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A atividade física regular é muito importante para melhorar o bem-estar e reduzir o estresse. Pode ser o que for mais conveniente para você: dar uma volta, correr ou praticar um esporte que você goste.
Não deixe de fazer a atividade porque você acha que deveria estar apenas se preparando para a prova.
Se você puder se exercitar ao ar livre, melhor ainda.
Minha pesquisa com colegas mostrou que durante a pandemia de covid-19, mesmo sem os níveis habituais de interação e apoio social, o simples ato de passar um tempo em espaços verdes, como parques, teve um impacto positivo no bem-estar dos estudantes.
5. Encontre seus amigos
A interação social é uma fonte realmente importante de bem-estar para os jovens. Você pode conversar com amigos online ao longo do dia, mas usar muito as redes sociais também pode ter um impacto negativo no bem-estar.
É importante manter relações off-line: organize encontros com os amigos na época da preparação para a prova e aproveite o tempo na companhia de outras pessoas.
As pausas regulares no estudo são a oportunidade perfeita para colocar algumas destas ideias em prática. Por que não encontrar um amigo para dar uma volta no parque ou no calçadão?
6. Faça escolhas saudáveis
Pode ser tentador tomar uma bebida energética para poder continuar estudando até tarde da noite. Mas o consumo dessas bebidas pode levar a um pior desempenho acadêmico — assim como a ingestão de álcool e o uso de vapes (cigarro eletrônico).
Em vez de tomar uma bebida energética, beba simplesmente água, ou escolha algo com teor nutritivo, como uma vitamina de frutas.
E, em vez de ficar acordado até tarde para fazer uma revisão, priorize seu sono.
A interrupção do sono pode aumentar nossa sensação de mau humor, de forma semelhante ao jet lag — e dormir uma boa quantidade de horas está associado a um melhor desempenho nas provas.
7. 'Personalize' estas dicas
Estas dicas são respaldadas por evidências, e são um bom ponto de partida quando se trata de gerenciar o estresse em relação às provas.
Mas você também deve refletir sobre o que sabe que funciona bem para você. Pense no que deixa você feliz e ajuda você a se acalmar quando se sente sobrecarregado: talvez escrever no diário ou ouvir seu álbum de música favorito?
Combinar hábitos saudáveis ​​e atividades favoritas é uma receita para o sucesso, tanto em termos de desempenho nas provas, quanto de gerenciamento do estresse.
*Emma Palmer-Cooper é professora de psicologia do Centro de Inovação em Saúde Mental da Universidade de Southampton, no Reino Unido.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
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Governo eleva proposta de reajuste a professores para até 31% até 2026; categoria ainda vai discutir

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Ministério da Gestão apresentou elevação em faixas entre 13,3% e 31% nos salários da categoria. Discussão no sindicato e em assembleias deve ocorrer nos próximos dias. O governo federal apresentou uma nova proposta de reajuste salarial para professores de universidades e institutos federais. O aumento poderá chegar a 31% até 2026, mas só começa a ser pago – caso a proposta seja aceita – a partir do ano que vem.
Os valores foram detalhados em reunião entre o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) e o Ministério da Gestão nesta quarta-feira (15).
Ministro da Educação fala sobre negociação para fim da greve das federais
O comando nacional de greve do sindicato ainda vai discutir a proposta internamente. Portanto, ainda não há previsão de uma resposta ao governo.
A oferta feita aos docentes é superior ao que foi apresentado na negociação de abril, quando o governo prometeu um reajuste para a categoria que variaria entre 12,8% e 16,1% até 2026, a depender do cargo ocupado pelo servidor.
Dessa vez, a proposta prevê uma variação entre 13,3% e 31%, “uma boa proposta para os trabalhadores e trabalhadoras da educação”, segundo o secretário de relações de trabalho do Ministério da Gestão, Jose Lopez Feijóo.
Grevistas trancaram portão da UFPA em ato.
Reprodução/Redes Sociais
O comando nacional de greve do ANDES-SN informou que ainda vai debater o assunto e vai preparar as orientações a serem encaminhadas às seções sindicais. “A rodada de assembleias para discussão da proposta deve acontecer nos próximos dias”, declarou em nota.
“Se nós considerarmos o reajuste que foi concedido a todos os servidores e servidoras públicos federais no ano de 2023, de 9%, significa que o reajuste proposto agora para os docentes acumulará no período dos quatro anos, do mandato do governo Lula, um reajuste que vai variar entre 23% a 43%. Portanto, não só a recomposição de toda a inflação prevista para este mandato do governo Lula, que é de 15%, mas uma importante recuperação de perdas dos governos passados que sequer recebiam os trabalhadores e trabalhadoras para qualquer tipo de diálogo ou de negociação”, argumentou Feijóo.
Reajuste de benefícios
Feijóo também lembrou que, para 2024, o governo chegou a um acordo numa negociação ampla com servidores de todas as categorias que elevou os valores de benefícios:
o reajuste foi de 52% no auxílio-alimentação dos servidores públicos federais, com o valor passando de R$ 658 para R$ 1 mil a partir de 1º de junho;
aumento no auxílio saúde, de R$144,38 para cerca de R$ 215;
o auxílio-creche passa de R$ 321 para R$ 484,90.

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Dessa vez, a proposta prevê uma variação entre 13,3% e 31%, “uma boa proposta para os trabalhadores e trabalhadoras da educação”, segundo o secretário de relações de trabalho do Ministério da Gestão, Jose Lopez Feijóo.
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O comando nacional de greve do ANDES-SN informou que ainda vai debater o assunto e vai preparar as orientações a serem encaminhadas às seções sindicais. “A rodada de assembleias para discussão da proposta deve acontecer nos próximos dias”, declarou em nota.
“Se nós considerarmos o reajuste que foi concedido a todos os servidores e servidoras públicos federais no ano de 2023, de 9%, significa que o reajuste proposto agora para os docentes acumulará no período dos quatro anos, do mandato do governo Lula, um reajuste que vai variar entre 23% a 43%. Portanto, não só a recomposição de toda a inflação prevista para este mandato do governo Lula, que é de 15%, mas uma importante recuperação de perdas dos governos passados que sequer recebiam os trabalhadores e trabalhadoras para qualquer tipo de diálogo ou de negociação”, argumentou Feijóo.
Reajuste de benefícios
Feijóo também lembrou que, para 2024, o governo chegou a um acordo numa negociação ampla com servidores de todas as categorias que elevou os valores de benefícios:
o reajuste foi de 52% no auxílio-alimentação dos servidores públicos federais, com o valor passando de R$ 658 para R$ 1 mil a partir de 1º de junho;
aumento no auxílio saúde, de R$144,38 para cerca de R$ 215;
o auxílio-creche passa de R$ 321 para R$ 484,90.

Mais uma vez, na lama: escolas em Muçum (RS), destruídas por chuvas em 2023, haviam sido reabertas pouco antes da nova inundação

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Município gaúcho com 4,9 mil habitantes foi um dos mais afetados pelas tempestades do Vale do Taquari em setembro do ano passado. Obras de reconstrução da EMEF Castelo Branco, por exemplo, foram concluídas no fim de abril deste ano, dias antes da atual tragédia no estado. Em Muçum (RS), escolas públicas recém-inauguradas são novamente tomadas pelo lodo
A EMEI Família Feliz, escola municipal de educação infantil em Muçum (RS), havia sido reaberta em 24 de fevereiro deste ano, em um sábado ensolarado. Por cinco meses, desde as inundações que assolaram a cidade em 4 de setembro de 2023, voluntários e ONGs trabalharam para readquirir tudo o que havia sido danificado pela água – da parte elétrica até os livrinhos e brinquedos das crianças.
Mas a reinauguração foi uma festa que durou pouco: em maio de 2024, a tragédia se repetiu. O colégio está, mais uma vez, coberto pela lama das enchentes históricas que atingem o Rio Grande do Sul desde o fim de abril.
“Agora, tudo de novo, e ainda pior. Como vai ser? Vamos reformar tudo, para vir mais água? É desumano”, afirma ao g1 Alice Lorenzon, de 28 anos, diretora da EMEI. “É uma tristeza, um desespero de ver tudo o que foi conquistado de forma tão sofrida se perder.”
A menos de 2 km dali, perto do encontro entre os rios Taquari e Guaporé, a EMEF Castelo Branco também tentava se recuperar das inundações de setembro. Fazia apenas duas semanas que as obras de reconstrução haviam terminado, quando novamente a água invadiu o local.
“Quando o desastre começou, 18 alunos estavam na escola. Os mais velhos [o colégio atende crianças de até 10 anos], com lágrimas nos olhos, ajudaram a encaixotar algumas coisas. Duas meninas que moram na região foram até lá para salvar seus cadernos”, conta Ana Luísa Bettinelli, diretora da instituição.
“A gente percebeu a dor de todos. Os pequenos, de 4 a 5 anos, sempre perguntavam se ‘era a enchente’. Desde setembro do ano passado, quando perdemos tudo, o medo passou a ser presente neles.”
EMEF Castelo Branco, no centro da imagem (imóvel branco), novamente foi tomada pela inundação em Muçum (RS)
Arquivo pessoal
🔴‘A dor nos ensinou’, diz diretora de escola
Parquinho da EMEI Família Feliz está enlameado após fortes chuvas em maio de 2024
Arquivo pessoal
Nas inundações de 2023, ninguém esperava que os estragos fossem tão grandes. Neste mês, depois de “a dor nos ensinar”, como disseram os professores, todos tentaram salvar o que fosse possível antes de a água subir.
Alice, diretora da EMEI Família Feliz, conta que, desta vez, ao primeiro sinal de chuva forte, correu para a escola. Mesmo no 8º mês de gestação, juntou-se aos outros funcionários para encaixotar cadeirinhas de alimentação, livros e objetos menores.
“Em 2023, a gente até chegou a erguer algumas coisas, mas a água cobriu tudo. Perdemos ar-condicionado, mesas, cadeiras, colchões, freezer, tudo”, diz.
“Agora, conseguimos chamar um caminhão e salvar uma parte do material e as coisinhas que compramos com rifas. Mas a pintura, a estrutura… tudo foi arrancado. Só com maquinário que vai dar para tirar todo o lodo. É uma parte nossa que foi destruída.”
Na Castelo Branco, a estratégia também foi tirar todos os itens possíveis da escola. O que sobrou de mobiliário e de objetos foi levado para o segundo piso, na esperança de que o nível da água não subisse tanto. O desastre, no entanto, foi maior do que o previsto: só o telhado não ficou submerso.
“Perdemos armário, carteiras de madeira, datashows. Deu para salvar a impressora, pelo menos, que tínhamos perdido da outra vez”, conta Ana Luísa.
Mapa das escolas de Muçum (RS)
Luiza Rivas/Arte g1
🔴'Tudo foi bem mais agressivo agora': o medo de as crianças não voltarem
Voluntários buscam retirar móveis da EMEI Família Feliz
Arquivo pessoal
➡️Em setembro do ano passado, antes da inundação, eram 83 alunos matriculados na EMEI Família Feliz. Quando a escola foi reaberta, em fevereiro de 2024, passaram a ser apenas 52.
“Caiu uma ponte que ajudava os pais a levarem as crianças, e ela não foi reconstruída. Fora todas as famílias que perderam suas casas e foram embora da cidade, né?”, explica a diretora.
Sabrina Zamboni, presidente da associação de pais e alunos da Família Feliz, levava 3 minutos de carro para sair de Voca Sales, cidade vizinha onde morava, e chegar a Muçum. Sem a ponte, o trajeto passou a tomar 1 hora.
“Estava levando minha filha [Ana Beatriz, de 1 ano e 11 meses] só 3 vezes na semana, porque ficava muito cansativo para ela”, conta.
O temor é que a situação se repita após a tragédia atual – e que mais alunos deixem de frequentar a educação infantil.
➡️Segundo a Secretaria de Educação de Muçum, já que os danos causados pela chuva na “Família Feliz” foram severos, não há previsão de reabertura. Como da outra vez, os bebês e crianças serão atendidos na Pingo de Gente, a única outra EMEI do município (e que tem salas disponíveis).
“Tudo foi bem mais agressivo agora: a parte estrutural, elétrica e hidráulica [foram prejudicadas]. Por isso que a gente nem tem como saber quando vai reabrir. É muita coisa para ser reconstruída; o pátio está intransitável de tanto lodo”, diz Jucéli Baldasso, secretária de Educação.
A prioridade, segundo ela, será reabrir a Castelo Branco, onde estudam também alunos da pré-escola e do ensino fundamental que, por falta de espaço, dificilmente conseguiriam ser realocados na outra EMEF de Muçum (Jardim Cidade Alta).
“Estamos focando na limpeza, mas ainda há a necessidade de reformas e de reposição do mobiliário”, explica a secretária.
🔴‘A parte material vai ser reconstruída, mas uma vida não será trazida de volta’
Cadeiras e mesas da EMEF Família Feliz foram danificadas em inundação
Arquivo pessoal
Sabrina Zamboni, presidente da associação de pais e alunos da Família Feliz, fez parte da força-tarefa para reconstruir a escola após setembro.
“A comunidade abraçou a ideia [de reerguer tudo], e demos a volta por cima. Os pais precisavam deixar as crianças lá para trabalhar. Agora, nem sei o tamanho do nosso prejuízo, porque estou isolada com a minha família [a estrada que leva a Muçum tem três trechos interrompidos]. Preciso esperar a chuva parar para o solo estabilizar e eu conseguir ir até a escola”, diz.
A comunidade escolar da EMEI Família Feliz reforça que a tarefa vai muito além de reconstruir um prédio. “É um lugar com amor e carinho, muito especial para nós. Vamos, mais uma vez, reerguer tudo e dar qualidade para o espaço que faz parte da nossa vida. A Família Feliz vai voltar a ser como era”, diz Sabrina.
Na Castelo Branco, a comunidade escolar também acredita no movimento coletivo para limpar o lodo e equipar o colégio mais uma vez. A dor maior, no momento, é pela perda de Ariel Soares, um aluno de 5 anos que morreu soterrado com a mãe, Silvane Soares, na comunidade Pinheirinho, em Roca Sales.
“Vamos nos reconstruir; somos todos muito unidos. Mas a vida do Ariel não será trazida de volta. Não sabemos ainda como vamos dar a notícia para as crianças”, diz a diretora.

Já pensou em se tornar adubo de florestas depois de morrer?

Já pensou em se tornar adubo de florestas depois de morrer?
Compostagem humana vem ganhando adeptos e ampliando mercado nos Estados Unidos Quando era estudante de arquitetura, Katrina Spade já buscava uma solução para a escassez de espaços em centros urbanos e o alto custo para enterrar os entes queridos. Em Manhattan, por exemplo, um túmulo pode custar R$ 1 milhão, sem contar as demais despesas relativas a um funeral. A cremação, embora mais em conta, também não era uma opção que lhe agradasse, uma vez que o processo utiliza combustível fóssil suficiente para percorrer 800 quilômetros de carro e libera poluentes tóxicos. Foi quando passou a se dedicar à compostagem humana. Antes de você ficar de cabelos em pé com a ideia de virar adubo – ideia que me fascinou – vale entender como funciona uma redução orgânica natural (NOR em inglês), como seus criadores preferem chamar, que não agride o meio ambiente.
Compostagem humana: microorganismos se encarregam da decomposição orgânica do corpo, processo que leva cerca de 30 dias
Divulgação
A empresa de Spade, Recompose, funciona em Seattle, no estado norte-americano de Washington, o primeiro a permitir o serviço, em 2019. Em seguida, vieram Colorado e Oregon (2021); Vermont e Califórnia (2022); e, no dia 30 de dezembro, Nova York passou a integrar o grupo. Em primeiro lugar, recapitulemos as aulas de biologia: a decomposição da matéria orgânica, realizada por fungos e bactérias, é essencial para um solo saudável, capaz de filtrar a água da chuva, garantir nutrientes para a plantas, retirar gás carbônico da atmosfera e regular a temperatura. Optar pela compostagem humana significa integrar o ciclo da natureza, como explico nesse passo a passo do processo:
O corpo da pessoa morta, envolvo numa mortalha de algodão, fica numa espécie de cama feita de lascas de madeira, serragem, palha e alfafa. Parentes e amigos participam da cerimônia de despedida, depositando flores ou outros materiais orgânicos.
Em seguida, ele é colocado numa urna cilíndrica (são 54 no total), onde permanece durante cerca de 30 dias, durante os quais os microorganismos se encarregam da decomposição do corpo. A temperatura é controlada, as urnas são giradas regularmente e ar é injetado no local para garantir as condições adequadas para o trabalho de fungos e bactérias.
No final, restam fragmentos de ossos e implantes, como próteses, além de um rico composto orgânico, que é testado para se ter certeza de que não há elementos químicos nocivos. Os fragmentos são triturados num cremulador – usado em cremações – e os implantes são destinados à reciclagem.
O solo resultante atravessa ainda mais uma etapa de secagem, que dura de duas a quatro semanas, resultando num volume de um metro cúbico, o suficiente para encher 36 sacos. O material pode ser levado pelos familiares, para ser utilizado no seu próprio jardim ou quintal, ou doado.
Urnas para compostagem humana: a Recompose dispõe de 54 compartimentos
Divulgação
Segundo a assessoria da Recompose, 60% das famílias doam a compostagem para uma área de conservação chamada Bells Mountains, com a qual mantém parceria, guardando apenas uma pequena quantidade de solo como lembrança. A empresa atende clientes de outros estados, onde o serviço não é permitido, e há até um plano de prestações antecipadas para cobrir os custos de US$ 7 mil (cerca de R$ 37 mil), com cerca de mil participantes. O mercado vem crescendo com outras modalidades. A Transcend, por exemplo, optou por algo mais simples, batizado de “Tree Burial” – na verdade, o enterro sob uma árvore. Através de convênios com propriedades que disponham de cobertura florestal, oferece inclusive o funeral para animais domésticos. The living urn desenvolveu um modelo de urnas biodegradáveis de bambu, com diferentes tipos de mudas de árvores e um compartimento para as cinzas da cremação. Basta transferir os restos mortais para o vaso e enterrá-lo – e eles se misturarão com a terra alimentando o ciclo da vida.