Centenária árvore de Florianópolis citada no hino do município não é originária do Brasil, diz pesquisa

Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples
Figueira da Praça XV é um dos principais cartões-postais da Capital de Santa Catarina. Ela foi identificada por pesquisadores da UFSC como sendo da espécie Ficus microcarpa. Árvore da Praça XV passa por processo de sequenciamento genético para descobrir origem
Tiago Ghizoni/NSC
A centenária figueira da Praça XV de Novembro, um dos cartões-postais de Florianópolis, localizada no Centro da cidade e citada inclusive no hino do município, não é originária do Brasil.
Por meio de sequenciamento genético, pesquisadores do laboratório de genética vegetal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descobriram que a árvore, na verdade, é natural de uma região entre Ásia tropical e Austrália. Ela foi identificada como sendo da espécie Ficus microcarpa.
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O professor de biotecnologia Valdir Stefenon, que conduziu o estudo, afirma que a descoberta resgata parte da história da cidade.
“Entendo que essa pesquisa revela uma importante face da ciência, ainda pouco conhecida, que é sua ligação com a história e a cultura", disse.
Tema de lendas contadas há gerações pelos moradores de Florianópolis, a figueira foi plantada por volta de 1870 na área que atualmente abriga a escadaria da Catedral, também no centro da cidade. Cerca de 20 anos depois, em 1891, ela foi transplantada para a praça e desde então serviu de sombra aos viajantes, além de palco para festividades.
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Árvore da Praça XV em Florianópolis
Tiago Ghizoni/NSC
Como foi feita a pesquisa
Para a descoberta, os pesquisadores coletaram partes pequenas da árvore quem contêm genomas de cloroplastos. A substância pode ser encontrada, por exemplo, nas folhas de plantas. A partir disso, o material foi colocado em um equipamento de alta tecnologia que identificou e mostrou o DNA da figueira da Praça XV.
Os pesquisadores, então, puderam comparar os dados da árvore da Capital com os de outras milhares espécies registradas em um banco de dados mundial.
“O DNA é sequenciado e cada uma das milhares de bases que o compõem são identificadas em fragmentos de tamanho variados. Esses fragmentos são, então, ordenados, como se estivéssemos montando um quebra-cabeças. Nesta etapa, o genoma nuclear, o genoma do cloroplasto e o genoma das mitocôndrias são separados em análises de bioinformática”, explica o professor.
Na planta, cada um desses genomas tem sua própria função:
Nuclear: principal deles. Encontrado em todas as suas células.
Cloroplasto: responsável pela cor verde e pela fotossíntese, processo pelo qual a planta produz seu próprio alimento. Está nas folhas.
Mitocôndria: estrutura da célula que transforma em energia o açúcar que a planta produz.
Sequenciamento genético da figueira
Caroline Borges/g1
Árvore será clonada
Além do trabalho de sequenciamento genético, os pesquisadores também desenvolvem uma pesquisa para clonagem da árvore. Usando filamentos mais novos da árvore, o processo vai ajudar a perpetuar as características genéticas da atual figueira.
Segundo Stefenon, os primeiros resultados são positivos:
"A clonagem de espécies arbóreas em laboratório é um processo complexo até o momento de se estabelecer os protocolos de trabalho. Por enquanto, conseguimos estabelecer dois clones no laboratório, os quais ainda estão pequenos”, revela.
Árvore da Praça 15 em Florianópolis
Tiago Ghizoni
Ações que envolvem diagnósticos fitossanitário e nutrição, por exemplo, também estão sendo realizadas para preservar a figueira. A previsão é que elas sejam concluídas no primeiro semestre deste ano.
A figueira, segundo o professor, tende a sofrer com a poluição dos carros e a menor interação com outras plantas e animais, por estar em um ambiente bastante urbanizado.
“Apesar disso, ela está bem e, com os tratamentos que foram realizados, ela tende a permanecer bela e imponente por muitos anos na Praça XV”, avalia.
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PF indicia servidora que aplicou provas por vazamento no Enem e propõe segurança adicional no CNU

Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples
Mulher que atuou na aplicação da prova admitiu ter fotografado tema da redação e enviado a uma amiga, mas a PF concluiu que o vazamento não prejudicou a prova. A Polícia Federal (PF) concluiu com o indiciamento de uma pessoa a investigação do vazamento de parte da prova do Enem, realizada em novembro de 2023.
Imagem da página da redação da prova do Enem 2023 que circulou nas redes sociais
Reprodução
A investigação partiu de uma imagem da capa da redação do teste, que circulou pelas redes sociais minutos depois dos candidatos terem acesso ao caderno de provas.
Ao todo, os trabalhos duraram seis meses, e nove pessoas foram ouvidas pelos investigadores. Uma mulher que atuou na aplicação do Enem em Belém (PA) admitiu ter feito uma fotografia enquanto a prova ainda ocorria e encaminhado a imagem que circulou nas redes sociais para uma amiga.
Ela foi indiciada por divulgar de forma indevida conteúdo sigiloso em processo seletivo – com agravante por ser uma servidora pública –, crime punível com uma pena de reclusão de até 4 anos e multa.
O coordenador- geral de Crimes Fazendários da Polícia Federal, Sérgio Mori, disse que "ficou comprovado que a primeira divulgação ocorreu quando as portas já estavam fechadas e as provas já estavam iniciadas, ou seja, todos os candidatos já tinham ciência do conteúdo da prova e da questão da redação".
Mudanças para o Concurso Nacional Unificado
Apesar dos investigadores terem concluído que o resultado do Enem não foi prejudicado, houve o entendimento de que a tentativa de fraude demonstrou a necessidade de aumentar a segurança das provas públicas.
Por causa disso, os candidatos do Concurso Nacional Unificado (CNU), apelidado de "Enem dos Concursos", terão que passar por mais duas etapas de autenticação no dia da prova com a colheita da impressão digital e autentificação pela escrita.
Perfil dos candidatos do Concurso Nacional Unificado
g1
A sugestão foi feita pelo Ministério da Gestão e Inovação, responsável pela realização dos exames. Após a divulgação do resultado, os peritos da polícia vão analisar as digitais de todos os aprovados para garantir que as provas foram feitas pelos aprovados.
A aplicação das provas do CNU estava prevista para o último dia 6 de maio, mas foi adiada por causa da tragédia no Rio Grande do Sul. O governo ainda nao divulgou a nova data oficial das provas.

Mapa do Censo 2022: veja os dados de alfabetização, população, idade, cor e raça, homens e mulheres e saneamento na sua cidade

Mapa do g1 reúne informações do Censo 2022 divulgadas pelo IBGE para todos os municípios do país até o momento. Novos dados do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram quais as taxas de alfabetização da população em cada um dos municípios do Brasil.
No recorte nacional, a pesquisa aponta que, dos 163 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade, 11,4 milhões (7%) não sabem ler e escrever um bilhete simples. Considerando só a região Nordeste, o índice de analfabetismo chega a 14% — o dobro do registrado no país.
Veja como o Censo mostrou a desigualdade na educação entre raças, regiões e faixas etárias
Consulte, no mapa abaixo, a situação de alfabetização de seu município e outros dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE até o momento (população, idade, divisão entre homens e mulheres, raça e cor e acesso a saneamento):

V
Outros dados do Censo 2022
As informações do Censo 2022 começaram a ser divulgadas em junho de 2023. Desde então, foi possível saber que:
O Brasil tem 203 milhões de habitantes, número menor do que era estimado pelas projeções iniciais;
O país segue se tornando cada vez mais feminino e mais velho. A idade mediana do brasileiro passou de 29 anos (em 2010) para 35 anos (em 2022). Isso significa que metade da população tem até 35 anos, e a outra metade é mais velha que isso. Há cerca de 104,5 milhões de mulheres, 51,5% do total de brasileiros;
1,3 milhão de pessoas que se identificam como quilombolas (0,65% do total) – foi a primeira vez na história em que o Censo incluiu em seus questionários perguntas para identificar esse grupo;
O número de indígenas cresceu 89%, para 1,7 milhão, em relação ao Censo de 2010. Isso pode ser explicado pela mudança no mapeamento e na metodologia da pesquisa para os povos indígenas, que permitiu identificar mais pessoas;
Pela primeira vez, os brasileiros se declararam mais pardos que brancos, e a população preta cresceu.
Também pela primeira vez, o instituto mapeou todas as coordenadas geográficas e os tipos de edificações que compõem os 111 milhões de endereços do país, e constatou que o Brasil tem mais templos religiosos do que hospitais e escolas juntos.
Após 50 anos, termo favela voltou a ser usado no Censo.
O Brasil tinha, em 2022, 49 milhões de pessoas vivendo em lares sem descarte adequado de esgoto. Esse número equivale a 24% da população brasileira. Já A falta de um abastecimento adequado de água atingia 6,2 milhões de brasileiros.
Mais da metade dos 203 milhões de brasileiros – 54,8% – mora a até 150 km em linha reta do litoral.

Fies: prazo de convocação da lista de espera termina nesta sexta; MEC diz que está atento à situação no RS, mas não altera datas

Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples
Mesmo diante da tragédia nas inundações do Rio Grande do Sul, MEC não havia esticado calendário até a manhã desta sexta, último dia do processo seletivo. Pelo Fies, candidatos podem financiar mensalidades de faculdades privadas. Fies oferecerá 112.168 vagas nos dois processos seletivos de 2024.
Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) confirmou, na manhã desta sexta-feira (17), que termina à meia-noite o prazo para as convocações da lista de espera do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do primeiro semestre de 2024.
➡️Na última quarta-feira (15), quando questionado pelo g1 sobre um possível adiamento do calendário devido à tragédia no Rio Grande do Sul, o órgão afirmou que estava "atento à situação do Estado para todos os prazos". No entanto, até a mais recente atualização desta reportagem, nenhuma alteração no cronograma havia sido informada.
Uma nota publicada no site do MEC, às 9h desta sexta, apenas reforça que é o último dia para a convocação do Fies, sem mencionar os estudantes que podem ter sido prejudicados pelas inundações no Sul.
📱Como o mecanismo de seleção e de chamada dos alunos exige entrega de documentação e formalização de contratos por meios digitais, instituições de ensino e estudantes do RS podem ter enfrentado dificuldades para concluir os processos nas regiões afetadas pelas inundações (como falta de luz e impossibilidade de entrar na própria moradia).
O Fies oferece, neste 1º semestre, 67 mil vagas para que estudantes possam financiar as mensalidades de faculdades privadas e só pagá-las após a formatura.
🗓️Enem 2024: No caso da próxima edição do Exame Nacional do Ensino Médio, o ministro da Educação, Camilo Santana, postou nas redes sociais que a pasta estuda prorrogar o prazo para estudantes do Rio Grande do Sul se inscreverem na prova e solicitarem a isenção da taxa de inscrição.
Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas
Prazo do Fies havia sido prorrogado em abril, por falhas técnicas do sistema
Em 26 de abril, o MEC anunciou que adiaria o prazo previsto inicialmente pelo edital para convocar alunos na lista de espera do Fies.
A decisão da pasta foi comunicada após reclamações de estudantes sobre falhas técnicas e demora excessiva para a lista de espera "rodar" (ou seja, chamar novos nomes, considerando quem desistiu da vaga).
Em resumo, as queixas do estudantes eram as seguintes:
💻O sistema eletrônico pelo qual eles enviam os documentos na matrícula apresentou problemas técnicos desde o início do processo, atrasando todas as etapas seguintes;
📋As listas de espera não estavam "rodando" no ritmo esperado, por isso, milhares de alunos que não foram aprovados na 1ª chamada ainda aguardavam a convocação;
📝A mesma pessoa estava sendo aprovada em mais de uma opção de curso (algo vetado pelo edital do Fies).
Além disso, houve as seguintes reclamações:
O edital do Fies 2024 foi publicado apenas em 7 de março, quase dois meses após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em 2023, o documento saiu em 27 de janeiro, antes das notas da prova.
As inscrições do Fies terminaram em 18 de março, após algumas universidades já terem iniciado o ano letivo. Isso fez com que os aprovados, que ainda teriam todo o trâmite da pré-aprovação e da matrícula, perdessem as primeiras semanas de aula.
Abaixo, entenda os detalhes dos problemas:
💻Problema 1: sistema de entrega de documentos com falhas
🔴Os alunos que foram pré-selecionados na 1ª chamada (divulgada em 28 de março) tinham de enviar, como é de praxe, uma série de documentos para a universidade. O sistema eletrônico usado pelas instituições de ensino, no entanto, apresentou problemas técnicos e atrasou esse processo.
Por isso, o MEC aumentou o prazo para a etapa de conferência de dados pessoais. Segundo relatos enviados à reportagem, mesmo assim, as falhas não foram corrigidas e continuaram atrasando as matrículas.
"O sistema de acesso das faculdades oscilou muito, falhou e comprometeu os prazos. Foi uma correria gigante [desde o início]", explica Rogério*, coordenador de bolsas e financiamento de uma instituição de ensino privada.
"É comum termos intercorrências no Fies, mas, neste ano, foram muitas mudanças [nas regras do programa] em pouco de espaço de tempo. É como trocar o pneu com o carro andando", diz.
📋Problema 2: a lista de espera não estava 'rodando'
Aconteceu, então, um efeito cascata:
🔴Quando um candidato que passou na 1ª chamada não efetiva a matrícula ou não entrega os documentos a tempo, a vaga é transferida para a lista de espera (todos os reprovados disputam essa segunda chance). Em geral, a lista "roda" várias vezes, e novos alunos vão sendo convocados. O período para essa "repescagem", segundo o edital, originalmente iria de 28 de março a 30 de abril.
🔴No entanto, jovens ouvidos pelo g1 afirmaram que a lista de espera não estava "rodando" como em anos anteriores. A primeira saiu em 28 de março, como era previsto, mas a segunda só foi divulgada em 18 de abril.
🔴Provavelmente, o que explica essa lentidão foi justamente o problema no sistema de entrega dos documentos.
Formou-se um ciclo: os candidatos pré-selecionados não conseguiam completar a matrícula -> o MEC prorrogava o prazo para esses alunos entregarem os documentos –> as vagas ficavam "represadas" e não eram liberadas para as listas de espera.
"Durante os 20 dias em que a lista não 'rodou', tive crises de ansiedade constantes, e não consegui ser produtiva nem no trabalho, nem nos estudos", conta Alice Rêgo, de 20 anos, de Xinguara (PA).
Ela busca uma vaga em medicina. "Acho que o pessoal do MEC não tem noção do quão difícil é, porque isso mexe com um sonho gigante. Tento vestibular há 5 anos, e o Fies é minha esperança de realizar isso. Estão acabando com a minha saúde mental."
Maria Eduarda Souza, de 24 anos, também ficou aflita com a lentidão das listas de espera.
"Estou arrasada, porque só tem uma pessoa na minha frente [na 'fila']. Conversei com alguns alunos que foram convocados para essa mesma faculdade [em Maceió] e que não se matricularam, mas as vagas deles não foram disponibilizadas para mais ninguém depois", conta.
🔴Diante do problema nos mecanismos de matrícula, instituições de ensino ficaram com vagas do Fies ociosas: nem foram ocupadas pelos convocados na 1ª chamada, nem foram para a lista de espera.
"Se continuar dessa forma, muitas vagas não serão preenchidas e muitos vão perder a oportunidade de estudar e conseguir concretizar um direito fundamental e garantido pela Constituição Federal de 1988", escreveram candidatos em um e-mail enviado ao MEC. "Precisamos ter uma prorrogação no prazo final para divulgação das listas de espera."
A pasta, primeiramente, respondeu aos estudantes, em mensagem obtida pelo g1, que “não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Depois, mudou de posicionamento e postergou a data.
Jhessyka Neves, de 33 anos, havia ficado desnorteada com esse retorno.
"A gente fica aguardando, paga cursinho, não sabe se vai pra frente ou pra trás, e a lista não roda. Estou vendo pelo site que tem vaga ociosa, que não tá sendo preenchida", conta a candidata a medicina.
📝Problema 3: aprovação dupla de um mesmo candidato
Na segunda lista de espera divulgada pelo MEC, há elementos que não respeitam determinadas regras do programa.
O Fies permite que cada candidato se inscreva em até 3 opções (A, B e C) de curso/faculdade, em ordem de preferência. Se, na 1ª chamada, a pessoa for convocada para a alternativa C, por exemplo, não terá o direito a concorrer na lista de espera para a A ou a B.
➡️Resumindo: passou em alguma das suas opções de graduação? Você pode se matricular nela ou abrir mão do Fies neste semestre. Não há chance de disputar a "repescagem" nas suas outras alternativas.
Essa regra existe justamente para dar mais chance a todos os alunos que disputam o financiamento. No entanto, o sistema falhou: há registros de candidatos que já tinham sido aprovados na primeira chamada e que, ainda assim, foram selecionados novamente na lista de espera.
É o caso de Marina*, que passou "direto" em uma vaga de medicina pelo Fies, mas não quis se matricular e, por isso, nem entregou os documentos para o financiamento.
Automaticamente, ela já deveria ter sido excluída do processo seletivo. Só que… seu nome apareceu novamente na lista de espera do Fies, em outra opção de graduação. Ou seja: foi aprovada duas vezes.
"Quando vi o e-mail com essa segunda convocação, fiquei preocupada e nervosa, porque sabia de um monte de gente que precisava da vaga e que estava apreensiva. Confrontei a faculdade, já que isso não poderia ter acontecido pelas regras do Fies. Confirmaram que meu nome estava entre os selecionados [de novo]. Enquanto isso, outras pessoas estão tentando se matricular", conta ao g1.
* A pedido dos entrevistados, os nomes verdadeiros foram trocados por fictícios.
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Estudantes relatam problemas no processo seletivo do Fies

Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples

Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples
Dados do Censo foram divulgados nesta sexta-feira (17). Índices de alfabetização melhoraram no país em relação à última edição do estudo, de 2010, mas disparidades regionais, raciais e etárias persistem. Entre os indígenas, por exemplo, a parcela de analfabetos é quatro vezes maior que entre os brancos, mostra IBGE.
No Brasil, 11,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever uma carta simples – o equivalente a 7% da população nessa faixa etária. Ainda que o problema tenha sido atenuado nas últimas décadas [veja mais abaixo], o Nordeste continua sendo a região com o índice de analfabetismo mais alto do país: 14,2%, o dobro da média nacional.
Os dados, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico 2022, foram divulgados nesta sexta-feira (17).
➡️Em comparação à última edição da pesquisa, de 2010, houve relativa melhora: um salto de 80,9% de alfabetizados no Nordeste para 85,79%.
➡️A disparidade regional, no entanto, continua acentuada: o Sul, com o melhor índice do país, chegou ao patamar de 96,6% de moradores que sabem ler e escrever.

Além dessa desigualdade geográfica, há também diferenças gritantes dependendo:
da raça – As taxas de analfabetismo de indígenas (16,1%), pretos (10,1%) e pardos (8,8%) são bem mais altas do que de brancos (4,3%).
da idade – O índice nacional é menor entre os jovens de 15 a 19 anos (1,5%) e maior entre os idosos com mais de 65 anos (20,3%).
Veja mais dados ao longo desta reportagem.
Onde estão os piores índices de analfabetismo?

✏️No Brasil, 50 municípios têm índices de analfabetismo iguais ou superiores a 30%— 48 dessas cidades estão no Nordeste. As únicas exceções do grupo são Alto Alegre e Amajari, em Roraima, no Norte.
✏️Entre os estados, os piores números foram registrados em Alagoas (17,7%) e no Piauí (17,2%).
10 maiores índices de analfabetismo do país (entre pessoas com 15 anos ou mais)
Onde há maior porcentagem de alfabetizados?
Censo mostra que índice de analfabetismo no Brasil vem caindo, mas ainda é preocupante principalmente na região Nordeste
Liza Summer/Pexels
📒No outro extremo, estão os 50 municípios com os menores índices de analfabetismo do país — todos no Sul e no Sudeste.
📒Já no ranking de estados e do Distrito Federal, os melhores desempenhos são de Santa Catarina (2,7% de analfabetos e 97,3% de alfabetizados) e do próprio DF (2,8% de analfabetos e 97,2% de alfabetizados).
10 menores índices de analfabetismo do país
Entre a população preta, percentual de analfabetos é mais do que o dobro do registrado entre brancos

📝A taxa de analfabetismo entre brancos, no resultado nacional, é de 4,3%. Pretos (10,1%) e pardos (8,8%) apresentam mais do que o dobro desse percentual.
📝Entre indígenas, o índice é o quádruplo do apresentado pelos brancos: 16,1% de analfabetos, afirma o Censo.
📝De 2010 para 2022, a taxa de analfabetismo das pessoas indígenas caiu de 23,4% para 15,1%. A queda mais expressiva foi observada na região Norte (de 31,3% para 15,3%). Quanto às faixas etárias, a maior redução ocorreu entre pessoas de 35 e 44 anos (de 22,9% para 12%).

Taxa de analfabetismo é mais alta entre os mais velhos por 'dívida educacional brasileira', diz IBGE
📖Considerando as faixas etárias dos brasileiros com mais de 15 anos, a maior taxa de analfabetos é detectada entre os idosos de 65 anos ou mais (20,3%).
Segundo o IBGE, a “elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação”.
📖Nas últimas décadas, esse grupo tem apresentado uma melhoria nos números: em 2000, 38% não sabiam ler e escrever cartas simples.
“Nas [gerações] mais velhas, as taxas caem mais rápido, pelo processo natural de substituição e pela dinâmica demográfica de envelhecimento e morte da população”, afirma o órgão de pesquisa.
📖A tendência geral é: quanto mais nova for a pessoa, maior a probabilidade de ela ser alfabetizada. Entre jovens de 15 e 19 anos, por exemplo, o índice de analfabetismo é de 1,5%.

Como o Censo funciona?
🤔 O que é o Censo? É uma pesquisa realizada pelo IBGE para coletar dados sobre a população brasileira. Ela permite traçar um perfil socioeconômico do país.
🚨 Por que ele é importante? O Censo identifica informações essenciais para a criação de políticas públicas. A partir delas, é possível direcionar os recursos financeiros da União para estados e municípios, como nas áreas de saúde, educação, habitação, transportes e energia.
📝Como os dados foram coletados? Foram três formas de participação: entrevista presencial (98,9% dos casos), por telefone (entrevistas feitas por recenseadores) ou preenchimento de formulário on-line.
O Censo entrevista os brasileiros na residência habitual, seja um lar particular, coletivo (asilos) ou improvisado (nas ruas, por exemplo).