Por que sonho com uma prova para a qual não estudei?

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
'O que está acontecendo durante a noite é talvez seu cérebro dizendo… 'Eu sei que isso está te preocupando, eu sei que há coisas a serem feitas. Estou trabalhando nisso', diz professor de Oxford.
Oluwatosin sonha que não se preparou para as provas
BBC/ HAZEL SHEARING
Em meados de 2025, Oluwatosin, de 17 anos, estará realizando as chamadas A-levels, as provas que antecedem a etapa final do processo seletivo do ensino superior no Reino Unido.
E ele sabe que, à medida que esse momento se aproxima, terá o mesmo pesadelo recorrente.
Oluwatosin se encontra numa sala de exames, sua prova de matemática está à sua frente, mas ele se confundiu na revisão de estatística e mecânica, e o teste está cheio de perguntas para as quais ele não se preparou.
Ele acorda suando e com dor de cabeça, aliviado ao descobrir que tudo não passava de um sonho.
Não é possível saber o quão comum é ter esse tipo de pesadelo, já que nem todo mundo se lembra deles.
Mas por que temos esses sonhos? E há alguma maneira de evitá-los?
Colin Espie, professor de medicina do sono na Universidade de Oxford, no Reino Unido, explica que nosso cérebro está acordado mesmo quando estamos dormindo. Ele está ocupado consolidando as coisas que aprendemos, construindo nossas memórias e processando nossas emoções.
Mas ele também estará gerando situações — resultando no que conhecemos como sonhos.
"A gente costuma receber alguns poucos sinais de que nosso cérebro está processando informações", diz Espie.
Sonhos sobre as provas, portanto, deveriam ajudar a nos "tranquilizar", já que eles querem dizer que todo esse aprendizado está sendo feito — mesmo sem que saibamos.
"O que está acontecendo durante a noite é talvez seu cérebro dizendo… 'Eu sei que isso está te preocupando, eu sei que há coisas a serem feitas. Estou trabalhando nisso'", diz o professor.
"Isso não quer dizer que não devemos estudar durante o dia. O cérebro só pode consolidar as coisas que estamos tentando aprender."
Podemos ter muitas coisas acontecendo em nossas vidas, então por que é que as provas podem estar tendo destaque em nossos sonhos?
"É muito comum sonhar com qualquer coisa que seja ameaçadora", explica Espie. Apenas porque algo é ameaçador não significa que seja ruim, ele diz, mas pode significar que é desafiador — e os exames são, quase por definição, desafiadores.
"A maioria das pessoas não aguarda ansiosamente pelos seus exames, né?"
"Eles estão em sua mente durante o dia, e não deveria nos surpreender que estejam em nossa mente durante a noite."
Os sonhos com as provas são bem comuns, de acordo com Espie. "Praticamente todo mundo" tem esses sonhos, mesmo que não se lembre deles.
"Para uma parte das pessoas, esses sonhos não irão se manifestar na consciência, e então você não estará ciente deles."
"Para algumas, eles vão se manifestar um pouco mais e será ocasional. E, para outras, será um problema todas as noites."
Sonhos emocionais
Zuhal também já sonhou com questões que ela não fazia ideia como responder – algo que nunca aconteceu na realidade
BBC/ HAZEL SHEARING
Zuhal, de 19 anos, sempre sonha que está atrasada.
"Eu acordo duas ou três vezes antes de meu alarme tocar, para checar a hora", diz. "Eu penso… 'Preciso dormir por mais uma hora', mas não consigo."
Para o professor Colin Espie, de Oxford, a explicação é "simples".
"Você consegue ter noção das horas mesmo quando está dormindo", ele diz —acrescentando que os seres humanos não tinham smartphones ou mesmo relógios no passado.
Pesadelos, diz o professor, são sonhos emocionais — um sinal de que nossos sentimentos estão sendo processados enquanto dormimos.
Alguns podem persistir por anos, incluindo aqueles sobre os exames.
Eles podem às vezes ser "desencadeados" por emoções semelhantes e "sensações de um impasse", diz Espie — embora também possam ocorrer aleatoriamente.
"Nossos cérebros categorizam coisas", diz.
"Quando as pessoas se deparam com outras situações difíceis, elas vão refletir e pensar, 'sim, tive algo semelhante quando estava na escola e realizava provas'. Então esses sonhos sobre as provas podem não estar relacionados a um exame em si, mas com o fato de ser testado de alguma forma".
Desacelerar (e como voltar a dormir)
Então, o que podemos fazer para evitar os angustiantes sonhos sobre as provas?
Bem, se você realmente tiver exames chegando, o professor Colin Espie recomenda ter um bom cronograma de estudos com pausas regulares para que você possa "se tranquilizar, sabendo que tem um plano e o está colocando em prática".
E evite estudar intensivamente até tarde da noite.
"Se você se jogar na cama com fórmulas de matemática rodando sem parar na sua cabeça, há uma boa chance de você acabar acordando com elas ainda na sua mente no meio da madrugada", diz Espie. "Dê a si mesmo um período de desaceleração."
Rose assiste à sua série favorita para pegar no sono
BBC
Você também pode tentar ser mais "compreensivo" consigo mesmo quando acordar de um sonho ruim.
"A ansiedade, em geral — quer seja durante a noite ou durante o dia — tende a assumir a mesma forma, que é a de 'e se?'", diz o professor Espie, que também é especialista na relação entre sonhos e saúde mental.
É por isso que você pode sonhar com situações como chegar atrasado para um exame ou não saber nenhuma das respostas.
"Precisamos pensar sobre nossa resposta a isso", diz.
"Se estamos fazendo essa pergunta a nós mesmos, provavelmente pensaríamos, 'bem, então você está ferrado, não está?'. Mas você nunca diria isso a outra pessoa."
Rose, 19 anos, não sonha com as provas — ou não se lembra —, mas os exames ainda perturbam seu sono. Muitas vezes ela fica acordada até as 2 da manhã.
A única solução que ela encontrou até agora é assistir Rick and Morty, um de seus programas de TV favoritos. "Isso me acalma [e me ajuda] a pegar no sono mais facilmente", ela diz.
O professor Colin Espie explica que é impossível "fazer-se" dormir — você só consegue realmente adormecer.
Se você se pegar olhando para o teto às 4 da manhã, ele recomenda mudar a maneira de encarar isso. Tente ficar aliviado que você pode dormir por mais três horas, em vez de se preocupar que não terá horas de sono suficientes antes do exame.
Se não conseguir, tire 10 minutos (sem olhar para o celular ou relógio para contar) para se permitir voltar a dormir.
E, se ainda assim, não conseguir?
"Saia um pouco da cama, até você se sentir sonolento de novo. Volte para a cama e permita-se adormecer, dizendo a si mesmo que tudo bem se você acordou no meio da noite", aconselha Espie.
"Apenas não entre num ciclo vicioso de tentar demais."
Ele afirma que, se for de madrugada, você provavelmente ainda precisará dormir e o sono virá.
"Não reaja exageradamente aos eventos que acontecem durante a noite. Confie no seu sono."

Ao menos 54 universidades federais e 51 institutos estão em greve

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
Servidores federais reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Professores das universidades federais do Ceará seguem em greve após recusarem propostas do governo.
ADUFC/Reprodução
Ao menos 54 universidades, 51 institutos federais (IFs) e o Colégio Pedro II continuam em greve desde abril, de acordo com levantamento do g1. Professores e servidores das instituições reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro.
Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andres), há uma defasagem de 22,71% no salário dos professores, acumulada desde 2016. A entidade pede uma reposição salarial que considere essa diferença.
Os níveis de paralisação variam — em algumas instituições, professores e técnicos-administrativos aderiram à greve. Em outros casos, apenas os professores ou técnicos estão paralisados. No caso dos institutos federais, a greve atinge pelo menos 400 campi espalhados pelo país.
Na segunda-feira (27), o governo chegou a assinar um acordo com a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação).
No entanto, essa proposta não foi aceita pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe).
O Ministério da Saúde disse em nota que "as demais instituições que não assinaram o acordo terão mais prazo para levarem novamente a proposta para suas bases e poderão assinar o acordo posteriormente."
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Acordo com Proifes e negativa de sindicatos
O acordo firmado entre o governo e o Proifes prevê a reestruturação da carreira docente, um reajuste de salário de 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026. Além disso, o acordo também detalha o que a entidade define como “reestruturação na progressão entre os diferentes níveis da carreira”, que garantiria uma elevação de salário para profissionais em início de carreira.
Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andres), no entanto, essa valorização aconteceria “às custas de mais uma desestruturação”, pois haveria uma redução no número de graus que a carreira possui atualmente, passando de 13 para 10.
Em comunicado na terça-feira (28), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) declarou que “a greve não acabou”.
Ainda em nota, o MEC afirmou que reforça que a pasta está “sempre aberta ao diálogo, franco e respeitoso, pela valorização dos servidores”.
Com a negativa dos dois sindicatos, a greve continua em muitas instituições pelo Brasil.
Veja a lista abaixo:
Norte
Amazonas: servidores técnico-administrativos dos 18 campi do Ifam entraram em greve no dia 15 de abril de 2024.
Pará: professores e servidores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) continuam em greve. Também continuam paralisados os 18 campi do IFPA.
Acre: na Universidade Federal do Acre (UFAC), técnicos-administrativos e professores continuam em greve, assim como 6 campi do IF do estado.
Roraima: professores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) continuam paralisado desde o dia 22 de abril.
Rondônia: na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), docentes e técnicos administrativos continuam em greve. Onze campi do IF do estado também continuam paralisados.
Amapá: técnicos e docentes da Universidade Federal do Amapá estão em greve. Os trabalhos em 5 campi do IFAP também estão suspensos.
Tocantins: na Universidade Federal do Tocantis, professores e técnicos continuam em greve. Três unidades do Instituto Federal também estão paralisados.
Nordeste
Alagoas: técnicos e professores continuam em greve na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). 17 campi do IF do estado também estão paralisados.
Bahia: na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Recôncavo da Bahia (UFRB) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) professores e servidores continuam em greve; Todos os 24 campi do Instituto Federal da Bahia (IFBA), e os 14 do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano) estão parados.
Ceará: a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Cariri (UFCA), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) estão em greve. Assim como 33 campi do Instituto Federal do estado.
Maranhão: técnicos e professores continuam em greve na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e em todos os 25 campi do IF do estado.
Paraíba: técnicos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) estão em greve. Todos os 21 campi do IF da Paraíba também seguem paralisados.
Pernambuco: a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e 5 campi do IFSertãoPE continuam paralisados.
Piauí: técnicos e docentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e de 17 campis do IF do estado continuam paralisados.
Rio Grande do Norte: docentes e técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa) e o Instituto Federal do RN continuam em greve.
Sergipe: técnicos e docentes da Universidade Federal do Sergipe e de 10 campi do IF do estado continuam paralisados.
Sul
Paraná: técnicos e docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de 28 campi do IF do estado seguem em greve.
Rio Grande do Sul: universidades e institutos federais suspenderam total ou parcialmente as atividades acadêmicas devido às cheias, portanto, não foram incluídos no levantamento.
Santa Catarina: treze dos 15 campi do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e os 22 campi do Instituto Federal Catarinense (IFC) estão em greve total ou parcial; a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está em greve parcial.
Sudeste
Espírito Santo: professores e servidores da Universidade Federal do Espírito Santos (UFES) estão em greve desde o dia 15 de abril.
Minas Gerais: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ ), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) continuam em greve. 28 campi do IFMG e Norte do estado.
São Paulo: docentes da Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de São Carlos e (UFSCar) e de pelo menos 6 institutos federais não estão trabalhando.
Rio de Janeiro: professores e servidores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Unirio, Universidade Federal Fluminense (UFF) e de 15 campi da Instituto Federal do estado segue com os trabalhos paralisados.
Centro-Oeste
Goiás: técnicos da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Catalão (UFCat) e Universidade Federal de Jataí (UFJ) continuam em greve. O IFGO e IF Goiano também continuam paralisados.
Mato Grosso: docentes e funcionários da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e de um campi do IFMT continuam em greve.
Mato Grosso do Sul: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de Campo Grande continua em greve. 10 campi do instituto federal do estado também estão em greve.
Distrito Federal: docentes e técnicos da Universidade de Brasília (UnB) também estão em greve.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Enem 2024: PF investiga golpe de site que simulava canal oficial para roubar taxa de inscrição

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
Golpistas criaram site que simulava página de inscrição e levava para página de pagamento. Taxa do Enem é de R$ 85 e Inep alerta sobre cuidados para não cair em golpe. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acionou a Polícia Federal para investigar um falso site que imita o canal oficial de inscrições do Enem 2024. A página leva o estudante para uma aba de pagamentos, onde o golpe é aplicado.
🖊️ O exame é uma das principais portas de entrada para a educação superior, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção. Além de ser requisito para programas como Sisu, Prouni e Fies.
Nesta sexta-feira, o instituto emitiu uma nota alertando para um golpe envolvendo a inscrição do exame.
Pedido de taxa de isenção no Enem 2024 vai até o dia 26 de abril
Reprodução/Redes Sociais
Como o golpe funciona?
Os golpistas colocaram no ar uma página falsa que imita a Página do Participante do Enem. No site, o estudante só precisava preencher o CPF e era levado para uma página de pagamentos, simulando a taxa de inscrição.
❗ O Enem tem taxa de inscrição de R$ 85 e em 2023, por exemplo, recebeu 2,7 milhões de inscrições. Com isso, a meta dos golpistas era fazer com que estudantes se confundissem e pagassem a taxa pelo falso site.
Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas
Investigação da PF
O Inep emitiu uma nota com o alerta aos alunos sobre o golpe e informando que acionou a Polícia Federal para investigar os responsáveis pela página e derrubar o site.
O g1 apurou que às 12h a página denunciada já não estava mais no ar.
Página oficial do Inep para inscrição do Enem 2024
Reprodução
Alerta aos alunos
Antes de se inscrever, é preciso checar alguns pontos para evitar cair em golpes. Veja abaixo os cuidados:
As inscrições só são feitas pelo enem.inep.gov.br/participante.
A inscrição depende de um cadastro, que dá ao aluno login e senha do sistema do Inep. É por ele que, depois, é possível consultar local de prova e resultado.
O boleto para o pagamento só é disponibilizado após acesso ao sistema do Inep com o login e a senha criados.
O boleto emitido é do Banco do Brasil.
Enem 2024: inscrições começam nesta segunda; confira o cronograma completo, valor da taxa e outros detalhes

6 ÷ 2 (1 + 2) é igual a 1 ou 9? Saiba qual a resposta correta para a ‘expressão numérica da discórdia’

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
Tanto no Brasil quanto no exterior, usuários das redes sociais voltam constantemente neste problema matemático que parece ter duas respostas diferentes — mas só uma delas está correta. Probleminha da discórdia: você consegue resolver essa expressão numérica?
6 ÷ 2 (1 + 2) = 1 ou 9?
A discussão sobre essa expressão numérica é quase um evento sazonal nas redes sociais. Pode ter certeza que, mais cedo ou mais tarde, algum internauta vai levantar novamente o debate.
Expressão numérica gera confusão na internet.
Reprodução/X (antigo Twitter)
E, embora haja quem defenda que o resultado é 1, a verdade é que a única resposta possível é 9.
🤔 Se você, como boa parte da internet, está confuso com essa descoberta, confira abaixo ou no vídeo acima a explicação sobre como resolver essa e outras expressões numéricas parecidas. E se você acertou o resultado, confira se o seu raciocínio estava correto.
🔣 Como entender o cálculo
Antes de colocar a mão na massa, vamos relembrar o que é PEMDAS, que resume a regra da ordem de resolução para expressões numéricas.
PEMDAS é uma sigla formada a partir das iniciais de parênteses, expoentes, multiplicação ou divisão, e adição ou subtração. E a ordem das palavras não é aleatória, já que é a mesma que deve ser seguida para resolver problemas matemáticos como o apresentado acima.
Isso significa que, primeiro, é resolvido o cálculo dentro dos parênteses, depois os expoentes (se houver), seguidos pela multiplicação ou divisão, e, por fim, a adição ou subtração.
Quando é colocado multiplicação ou divisão, e adição ou subtração, isso quer dizer que a primeira e a segunda operação têm pesos iguais. Ou seja, diferente do que muita gente acredita, a multiplicação não tem prioridade de resolução sobre a divisão, e vice-versa, nem a adição é prioritária à subtração.
"Como divisão e multiplicação que têm a mesma hierarquia, o mesmo grau de complexidade, as operações são resolvidas na ordem em que elas aparecem", explica Thiago Dutra, autor do Sistema Anglo de Ensino e professor de matemática.
✅ Chegando ao resultado correto
Na prática, voltando à expressão apresentada acima, a resolução seria:
6 ÷ 2 (1 + 2)
6 ÷ 2 x (3)
6 ÷ 2 x 3
3 x 3
9
❎ E o resultado incorreto?
Apesar disso, é compreensível que muita gente acredite que o resultado deveria ser 1. De acordo com Thiago Dutra, isso acontece porque as pessoas esquecem da regra de resolução das operações, e também porque o resultado de fato seria esse se houvesse uma mudança simples na apresentação do problema.
"Se a ideia fosse fazer primeiro a multiplicação e depois a divisão, o que levaria ao resultado 1, seria bom colocar [a multiplicação] entre parênteses. Aí, ficaria 6 ÷ (2 x 3), e o parênteses daria a prioridade para a multiplicação", explica o professor.
O cálculo seria assim:
6 ÷ (2 (1 + 2))
6 ÷ (2 x (3)
6 ÷ (2 x 3)
6 ÷ 6
1

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual

Plano com metas da educação ‘caduca’ em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
Plano Nacional de Educação determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional a cada 10 anos. Expectativa na Câmara e no Senado é de que o Plano atual seja prorrogado, mas há preocupação pela falta de atualização nas metas para a educação. Novo Plano Nacional de Educação ainda não foi enviado à Câmara. Na imagem, sala de aula vazia em Cujubim Grande (RO).
Jaíne Quele Cruz/g1
Falta cerca de um mês para a atual versão do Plano Nacional de Educação expirar. Ainda assim, o Ministério da Educação (MEC) não enviou ao Congresso uma nova proposta de texto para esse documento, que é essencial na definição de metas para combater o analfabetismo, universalizar a educação básica e elevar a escolaridade média da população, por exemplo.
📝 O PNE é um projeto de lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A Lei atual, composta por 20 metas, foi aprovada em junho de 2014 e tem vigência válida até o final de junho de 2024.
📊 Foi com base na meta 11 do PNE 2014-2024, por exemplo, que nasceu uma parte da política do novo ensino médio que integra a etapa ao ensino técnico. Essa meta objetivava triplicar as matrículas da educação profissional técnica (EPT) de nível médio, expandindo em pelo menos 50% da oferta nas redes públicas.
Sem uma nova proposta em pauta, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou na terça-feira (28) um PL que pede a prorrogação do atual PNE até dezembro de 2025, o que permitiria um período de apreciação do novo plano — que ainda deve ser enviado pelo MEC. Agora, o texto segue para a Câmara.
👉🏾 A legislação é importante porque guia as prioridades para investimento dos governos nos âmbitos federal, estadual e municipal para a educação.
Sem um novo PNE, que seria válido de 2024 a 2034, a corrida é para evitar que haja um vácuo entre o plano atual e o seguinte, de acordo com congressistas ouvidos pelo g1. Abaixo, entenda o que está em jogo e o que se sabe do novo PNE.
PLs na Câmara e no Senado
Com o atraso da apresentação da nova proposta pelo MEC, tanto a Câmara quanto o Senado apresentaram Projetos de Lei (PL) que pedem a prorrogação do PNE vigente.
Na Câmara, foi apresentado o PL 6087/2023, de coautoria dos deputados Adriana Ventura (NOVO/SP), Soraya Santos (PL/RJ) e Filipe Martins (PL/TO).
No Senado, corre o PL 5665/2023, da senadora Professora Dorinha (União/TO).
O projeto da Câmara não andou, e nem chegou a ter relator definido. Já PL do Senado está em tramitação avançada, e foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura em sessão na terça-feira (28).
Inicialmente, o texto pedia a prorrogação do PNE até 2028. No entanto, projeto foi aprovado com uma emenda que define a prorrogação até dezembro de 2025. Agora, o texto segue para a Câmara.
Metas do Plano Nacional da Educação para a próxima década ainda não chegaram ao Congresso Nacional
Apesar de ser a autora do PL em tramitação, a senadora Professora Dorinha diz que o cenário ideal seria um em que o novo PNE fosse aprovado o quanto antes. No entanto, ela não acredita que isso aconteça com menos de um ano.
"Espero que o próximo PNE seja votado o quanto antes. O que não podemos é deixar que haja um vácuo sem metas vigentes até a aprovação", diz Dorinha.
O deputado Idilvan Alencar, do PDT do Ceará, também acredita que este seja o segundo melhor cenário para que a educação do país não seja prejudicada.
O ideal mesmo era que a gente já tivesse o texto do novo PNE em apreciação. Não acho que a tramitação demore o mesmo que o primeiro Plano, aprovado em 2014, mas precisamos avaliar as metas com atenção, e não votar na correria sem conhecer o Projeto. E isso deve demorar pelo menos alguns meses.
A preocupação em relação ao tempo se dá pelo contexto da aprovação do PNE 2014-2024. O texto foi apresentado em 2010 e ficou em discussão até 2014, quando foi aprovado.
Comparativamente, apenas em março deste ano o MEC sinalizou o início da elaboração Projeto de Lei do Plano 2024-2034.
"O PNE de 2014 foi o primeiro, não havia precedentes, o que demandou mais tempo de discussão do Congresso. Mas o Plano que devemos votar agora também não é simples, porque estamos vindo de um contexto de pandemia, que impactou a educação no país, e muitas metas do PNE anterior não foram atingidas", explica Idilvan Alencar.
Se o PL 5665 for aprovado em plenário do Senado, o texto será enviado para votação na Câmara e, se aprovado, segue para sanção presidencial.
Novo PNE
Por ora, pouco se sabe a respeito do conteúdo do novo PNE, que ainda vai ser enviado pelo MEC à Câmara dos Deputados. A expectativa de membros do Congresso é de que o documento reúna 58 novas metas.
Procurado pela reportagem, o MEC informou que o texto foi elaborado e "já está no Ministério da Fazenda e no Ministério do Planejamento, para avaliação e trâmite para a Casa Civil.”
No entanto, essa etapa marca apenas o início do processo de tramitação do texto, que deve ser devolvido ao MEC, e só então, enviado à Câmara para apreciação.
A preocupação dos congressistas é justamente pelo tempo de tramitação do PL nas duas casas que compõem o Congresso.
“Quando se fala que o primeiro PNE passou 4 anos em discussão, não tínhamos [em 2010] esse contexto de disputa ideológica que temos hoje no Congresso”, avalia Idilvan.
Para a senadora Professora Dorinha, o processo só será agilizado caso haja a criação de uma comissão especial conjunta entre Câmara e Senado para realizar a apreciação do texto.
Essa divisão permitiria que as duas Casas entrassem em um consenso a partir do trabalho dessa comissão. Assim, quando o texto seguisse para votação nos respectivos plenários, seria mais improvável a solicitação de alterações PL.
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