Não minta: acertaria a questão do Pinóquio em olimpíada de matemática? Veja 3 ‘virais’ da OBMEP anteriores ao da ‘flor de Ana’

‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford
Em 2022, prova para alunos do ensino médio da rede pública 'bombou' nas redes sociais por causa de uma pergunta de lógica com o boneco de madeira. O g1 separou essa e outras duas questões da competição para testar: você conseguiria resolvê-las? Pinóquio confundiu candidatos da OBMEP em 2022
Reprodução/Pexels
A questão da flor da Ana "murchou" quem tentou resolvê-la na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), aplicada na última terça-feira (4). Mas não é a primeira vez que uma pergunta dessa competição "dá um nó" na cabeça dos candidatos e viraliza nas redes sociais.
🤥Em 2022, por exemplo, alunos ficaram com raiva até do coitado do Pinóquio, que acabou virando o grande protagonista da prova do nível 3 (voltada para alunos do ensino médio). Não vale mentir: você teria acertado o desafio matemático sobre o personagem? Tente resolvê-lo mais abaixo.
O quiz do g1 traz também outras duas questões de lógica que atormentaram os alunos em edições anteriores da OBMEP. Elas não exigem nenhuma conta. E aí, vai encarar?

Quando sairão os resultados da OBMEP 2024?
🔢 Mais de 18,5 milhões de alunos eram esperados na terça-feira (4) para a aplicação da primeira fase da 19ª OMBEP. As provas, compostas por 20 questões de múltipla escolha, são divididas em três níveis: Nível 1 (6º e 7º anos), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (ensino médio). O resultado da primeira etapa deve ser divulgado em 2 de agosto, e a segunda fase será aplicada em 19 de outubro para os candidatos classificados.
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Abaixo, veja a resolução da questão das flores da Ana, que viralizou na prova de 2024:
'Qual flor Ana vai ganhar?' Entenda a resolução do problema de lógica da OBMEP 2024

‘Qual flor Ana vai ganhar?’ Veja se você acerta questão que viralizou após prova de olimpíada de matemática

‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford
Provas da primeira fase da OBMEP foram aplicadas na terça-feira (4) em todo o país. Alunos do ensino médio ficaram confusos com uma questão de lógica que constava na prova da etapa. 'Qual flor Ana vai ganhar?' Entenda a resolução do problema de lógica da OBMEP 2024
Uma questão de lógica presente na prova de ensino médio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) 2024 deixou muitos alunos sem saber qual era a resposta correta.
🔢 Mais de 18,5 milhões de alunos eram esperados na terça-feira (4) para a aplicação da primeira fase da 19ª OMBEP. As provas, compostas por 20 questões de múltipla escolha, são divididas em três níveis: Nível 1 (6º e 7º anos), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (ensino médio). O resultado da primeira etapa deve ser divulgado em 2 de agosto, e a segunda fase será aplicada em 19 de outubro para os candidatos classificados.
Questão da OBMEP 2024 viraliza nas redes sociais.
Reprodução/X
Confusos, os estudantes recorreram às redes sociais em busca de uma explicação para a pergunta, que pedia que eles apontassem qual flor uma personagem chamada Ana ganharia.
O g1 conversou com Victor Pompeo, professor de matemática do Curso Anglo, para entender como chegar à resposta correta.
Mas, antes de conferir a explicação, faça o teste e veja se você acertaria a resposta.

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A explicação
Para entender como chegar ao resultado correto, o mais indicado é analisar as informações por parte.
Ana sabe a quantidade de pétalas, mas não sabe a cor: se Ana está confusa com a cor de sua flor, mas não com a quantidade de pétalas, é porque há duas flores com a mesma quantidade de pétalas, mas com cores diferentes, que podem ser a dela. Supondo que a flor de Ana tivesse quatro pétalas, apenas uma flor se encaixaria nesse perfil, portanto, não haveria dúvidas quanto a cor. A confusão acontece porque Ana viu mais de uma flor com a mesma quantidade de pétalas daquela que ela vai ganhar, mas com cores diferentes. Analisando essa informação, é possível reduzir as opções para as duas flores de três pétalas, a amarela e a roxa (ou vermelha, no quiz acima).
Bia e Carla sabem as cores de suas respectivas flores: para que essa informação seja útil para limitar as opções de Ana, é preciso que ela reduza ainda mais as alternativas que Ana tem. Se Bia ficasse com a flor amarela e Carla recebesse uma flor roxa (vermelha no quiz), por exemplo, Ana continuaria confusa sobre suas opções. O mesmo aconteceria se as duas amigas recebessem duas flores amarelas, e uma delas não fosse aquela com três pétalas. Mas se Carla sabe que ela e Bia vão ganhar flores da mesma cor, e que há apenas duas flores daquela cor, restaria apenas uma flor que poderia ser a de Ana.
Ou seja,
se Ana vai ganhar uma flor de três pétalas, e
Bia e Carla vão ganhar as flores roxas, dentre elas, uma de três pétalas,
só restaria uma flor de três pétalas que poderia ser dada a Ana, a flor amarela.
Por isso, a alternativa correta seria aquela correspondente à flor amarela de três pétalas.

Terceirização de escolas públicas é adotada nos EUA e na Inglaterra; veja diferenças para o modelo do Paraná

‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford
Estados Unidos, Chile e Inglaterra já adotam sistemas em que parte das responsabilidades do estado é transferida para empresas, ONGs ou associações de pais. Exemplo inglês parece ser bem-sucedido, mas há críticas em relação à precarização da categoria docente. 03/06/2024 – Professores, servidores e alunos da rede estadual do Paraná invadem a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) contra o projeto de lei que pretende terceirizar a gestão administrativa de 200 colégios públicos, Curitiba (PR), nesta segunda-feira, 03 de junho de 2024. O ato acabou em confusão, com quebra-quebra, fogo no saguão do prédio e intervenção da PM.
Eduardo Matysiak/Ato Press/Estadão Conteúdo
Sob protestos de professores, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, na terça-feira (4), o projeto de lei que terceiriza a gestão de 204 colégios estaduais (cerca de 10% dos estabelecimentos de ensino da rede). Para entrar em vigor, o texto ainda tem de ser sancionado pelo governador Ratinho Júnior (PSD).
🌎Abaixo, nesta reportagem, o g1 lista exemplos semelhantes, aplicados por outros países, de parcerias entre os setores público e privado na administração de escolas públicas.
✏️Inglaterra
'Academies' dominam 80% das escolas de ensino fundamental e médio; resultados melhoram.
➡️Como funcionam? Em 2001, o governo da Inglaterra implementou um projeto de transformar as escolas públicas que tinham desempenho acadêmico fraco em "academies": instituições fundadas pelo estado, mas administradas por entidades da sociedade civil (como organizações sociais ou empresas privadas).
Diante dos resultados positivos no aprendizado das crianças e adolescentes, a iniciativa foi ampliada para o restante da rede e deixou de ser exclusiva das instituições com problemas. Atualmente, cerca de 80% das escolas de ensino fundamental e médio do país já se tornaram "academies".
"A gestão passa a ser mais flexível: a escola se compromete com metas de aprendizagem e pode construir saídas mais criativas para os seus problemas. Já a instituição gestora recebe recursos para administrar [o colégio], mediante um pacto de resultados que devem ser atingidos. Está funcionando", afirma Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV.
Há, ainda, "cadeias de academies", chamadas de "multi academy trusts (MATs)", em que um mesmo "patrocinador" forma uma rede de colégios parceiros que podem compartilhar experiências, investimentos e a mesma linha de conduta educacional.
Escolas menores, principalmente, seriam beneficiadas por esse apoio (não só por aprenderem com outros exemplos, mas também por usufruírem de serviços contratados pelo grupo por um custo-benefício melhor).
Observação: O governo continua supervisionando os índices de aprendizagem e a contabilidade dos colégios.
➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. Diferentemente do projeto do Paraná, no exemplo inglês, há interferências não só financeiras, mas também pedagógicas: a intenção da "terceirização" é justamente oferecer maior liberdade para que cada colégio, de acordo com suas necessidades, adapte currículos e decida como gastar a verba pública (com professores ou com equipamentos para sala de aula, por exemplo).
Os salários dos funcionários, na Inglaterra, não são padronizados — já no Paraná, os professores receberiam a mesma remuneração dos concursados da rede pública.
➡️Está dando certo? Segundo avaliações educacionais organizadas pelo governo da Inglaterra, houve avanço significativo no desempenho dos alunos das "academies". A maior flexibilidade na gestão favoreceu o desenvolvimento de práticas pedagógicas bem-sucedidas nas escolas.
Por outro lado, críticos apontam que:
as MATs estão abarcando um número excessivo de instituições de ensino, sem dar conta de administrar todas elas cuidadosamente;
empresários do setor privado, sem a devida experiência no setor educacional, estariam envolvidos em responsabilidades importantes da gestão das escolas;
as disparidades salariais aumentaram entre os professores;
algumas "academies" adotaram processos seletivos de alunos, excluindo aqueles que não apresentavam bons desempenhos acadêmicos;
os investimentos públicos na educação têm priorizado as "academies", em detrimento das escolas independentes.
✏️Estados Unidos: 'escolas charter'
'Escolas charter' levam a melhorias quase nulas no desempenho de alunos.
➡️Como funciona? As "escolas charter", criadas na década de 1980, são instituições de ensino públicas, que recebem dinheiro do governo, mas cuja administração é inteiramente feita por uma entidade privada (seja uma ONG ou uma associação de pais de alunos).
Os detalhes do funcionamento variam de acordo com o estado americano em que estão localizadas.
➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. No caso das "escolas charter", a parte pedagógica também fica a cargo do setor privado. Já no Paraná, somente as questões administrativas e financeiras seriam terceirizadas.
➡️Tem dado certo? Depende do ponto de vista. Simielli, com parceria da ONG Todos Pela Educação, analisou os maiores estudos a respeito das escolas charter. Ao g1, ela afirmou que:
o impacto no desempenho dos estudantes foi quase nulo ou muito baixo;
o sistema educacional ficou mais segregado, já que os pais, com liberdade de escolher uma escola pública para os filhos, tendem a eleger uma de perfil socioeconômico e racial semelhante ao de sua família.
Em casos pontuais, houve melhoria na aprendizagem de crianças e jovens. Segundo um estudo da Universidade Stanford, publicado em fevereiro deste ano, os avanços foram quase que imperceptíveis nos primeiros anos de implementação das charters, entre 2000 e 2008. Mas, de 2014 a 2019, as crianças melhoraram em matemática e em leitura.
"Não é uma revolução, mas vemos pequenas melhoras a cada ano", afirma o líder da pesquisa, Macke Raymond.
Apesar disso, há os seguintes riscos reportados pela imprensa americana na cobertura jornalística de escolas charter:
desvios de dinheiro público;
precarização nas condições de trabalho dos professores (principalmente em estados com sindicatos mais enfraquecidos);
falta de critérios na contratação de docentes.
✏️Chile
Vouchers aumentaram a desigualdade na educação.
➡️Como funciona? A "privatização" da gestão escolar no Chile é uma herança da ditadura militar de Augusto Pinochet.
O país instaurou um sistema de "vouchers" — as famílias dos alunos que fazem parte do programa podem escolher se eles estudarão em uma escola particular subsidiada pelo Estado ou em um colégio público. A opção escolhida receberá o tal "voucher", ou seja, um dinheiro pago pelo governo por cada matrícula efetuada.
O objetivo é gerar uma competição entre instituições de ensino privadas e públicas, para que, em tese, todas melhorem a qualidade do serviço oferecido aos alunos.
➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. O exemplo do Paraná, da forma como foi apresentado, não menciona a emissão de vouchers. O modelo paranaense não prevê nada parecido.
➡️Está dando certo? Não. Foi esse sistema que gerou uma marcha de estudantes (movimento Pinguim) em 2006. Segundo os manifestantes, na prática, os colégios de regiões mais pobres acabam sendo sustentados integralmente pelo dinheiro dos vouchers, mantendo-se em situação precária.
Já nas escolas subsidiadas em regiões mais ricas, os pais dos alunos usam esses "cartões" apenas para abater uma parte da mensalidade, pagando o restante "do próprio bolso". Consequentemente, esses colégios recebem mais investimentos e permanecem muito à frente dos demais em questões de estrutura e de qualidade do ensino.
Foram promovidos, nos últimos anos, ajustes no programa. Ainda assim, mantêm-se a segregação socioeconômica na educação, segundo relatório da Unesco, e o encolhimento do setor público.
✏️Estados Unidos: vouchers
Cerca de 30 estados adotam vouchers; resultados são melhores que os do Chile.
➡️Como funciona? Os programas de vouchers surgiram nos EUA no início da década de 1990. Atualmente, são adotados por cerca de 30 estados e Washington, capital do país.
Parte do dinheiro público da educação é transferida para escolas particulares que participam do projeto. Dessa forma, as famílias contempladas passam a poder escolher entre matricular o aluno na rede pública ou privada.
São três tipos de vouchers possíveis (nem todos os estados oferecem o "cardápio" completo):
Programas de vouchers tradicionais: o estado separa uma quantia que iria para escolas públicas e a direciona para o custeio de mensalidades em escolas privadas. Em geral, há pré-requisitos impostos aos colégios participantes e aos alunos beneficiados.
Poupanças educacionais: diferentemente dos vouchers, esse dinheiro pode ser usado em qualquer escola particular, mesmo em uma que não aderiu ao programa. Neste caso, o estado coloca o dinheiro em uma conta individual por estudante, e o valor pode ser usado para bancar (parcial ou totalmente) a mensalidade em uma escola particular ou as despesas do homeschooling (educação domiciliar). Caso opte por uma escola privada cuja mensalidade seja maior que o valor do benefício, caberá à família arcar com a diferença de valor.
Bolsas de crédito fiscal: o estado concede créditos fiscais (como desconto ou isenção de impostos) a empresas que doarem dinheiro para uma organização que gerencia bolsas escolares. Os alunos que atenderem aos requisitos e forem beneficiados pelo programa podem usar o dinheiro da bolsa para pagar mensalidades em uma escola particular.
➡️Quem é beneficiado? Importante: as instituições de ensino não são obrigadas a admitir qualquer estudante.
Em muitos casos, o programa só aceita alunos inscritos que se encaixa em uma das categorias:
pessoas com deficiência;
crianças de famílias de baixa renda;
alunos matriculados em escola pública que tenha um sistema educacional falho.
➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. Como afirmado mais acima, o Paraná não menciona a emissão de vouchers.
➡️Tem dado certo? Para Lara Simielli, professora do Departamento de Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) e autora de dois artigos que analisam programas educacionais dos EUA, a política pode, sim, ser positiva para o cenário educacional do país.
“Entre voucher e charter [entenda mais abaixo], o voucher tem mais impacto, porque é possível selecionar os alunos que serão beneficiados. Pode ser um critério de renda, por exemplo, ou de deficiência, fazendo uma classificação de quem precisa [do auxílio]”, avalia.
Projeto que permite terceirização da gestão de escolas públicas é aprovado

São Paulo terá ‘Olímpiada de Redação’ corrigida com auxílio de inteligência artificial

‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford
Competição será destinada para estudantes da rede pública estadual de ensino. Professores terão apoio de tecnologia presente na plataforma Redação Paulista. São Paulo terá 'Olimpíada de Redação'
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A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (Seduc-SP) irá realizar uma "Olimpíada de Redação" com o uso de inteligência artificial para auxiliar na correção de textos. Uma resolução com o tema foi publicada na terça-feira (4).
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De acordo com a secretaria, o objetivo da olimpíada será estimular a escrita dos estudantes de escolas públicas do estado, além de desenvolver a habilidade dos alunos em Língua Portuguesa e Produção Textual.
A Coordenadoria Pedagógica será responsável pela formulação dos temas das redações. Os textos serão produzidos pelos estudantes dentro da plataforma Redação Paulista. A ferramenta conta com inteligência artificial, que funciona como um assistente de correção virtual. Entenda mais abaixo.
As redações que participarem da olimpíada serão avaliadas em duas etapas:
Na primeira etapa, os professores terão de classificar 10% dos textos de cada escola, por ano ou série. Nesta fase, os avaliadores farão a análise dos textos com o apoio de inteligência artificial.
Na segunda etapa, os textos aprovados passarão por uma nova seleção a nível municipal. Nesta fase, 5% das redações serão classificadas por meio de uma banca avaliadora composta por professores.
As redações escolhidas pela banca avaliadora serão premiadas.
Poderão participar da Olímpiada de Redação estudantes do 6º ao 9º do Ensino Fundamental, além dos alunos do Ensino Médio.
O governo do estado ainda não divulgou uma data para a realização da olimpíada.
Inteligência artificial
Inteligência artificial está sendo testada para produzir material didático
A ferramenta de inteligência artificial implementada dentro da plataforma Redação Paulista começou a funcionar em novembro de 2023. Dados obtidos pela TV Globo apontam que, até março deste ano, mais de 400 mil redações foram corrigidas com o auxílio do recurso.
Segundo a Seduc-SP, a plataforma Redação Paulista realiza automaticamente uma correção ortográfica e gramatical do texto de cada estudante antes que ele seja enviado, "que servem para alertar o aluno a forma correta da escrita".
Depois que o texto é enviado, os professores recebem informações da plataforma que indicam se foram seguidos os critérios avaliativos obrigatórios, como coerência, argumentação e adesão ao tema.
A secretaria informou que todos os tópicos apontados pela inteligência artificial precisam ser validados pelo professor, que é responsável pela avaliação final da redação.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram ainda que a Secretaria Estadual da Educação prevê gastar R$ 900 mil por mês pela ferramenta.
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‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford

‘Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento’, diz matemático de Oxford
Os seres humanos inventaram os jogos não só para se entreter, mas para ensinar coisas sobre o nosso mundo interior e exterior.
GETTY IMAGES via BBC
"Em uma época mais feliz, ousamos chamar a nossa espécie pelo nome de Homo sapiens", escreveu o renomado historiador cultural holandês Johan Huizinga.
Ele se referia ao termo introduzido por Carl von Linné em 1758 para diferenciar os seres humanos das outras espécies animais: sapiens era aquele que sabe, o homem sábio.
"Com o passar do tempo, percebemos que, no fim das contas, não somos tão racionais ​quanto o século 18, com seu culto à razão e seu ingênuo otimismo, pensava."
Mais tarde, surgiu a designação de Homo faber, o homem que faz, que — para Huizinga, não era a mais apropriada.
Ele propôs Homo ludens, o homem que joga, porque, na sua opinião, "sem um certo desenvolvimento de uma atitude lúdica, nenhuma cultura é possível".
Embora "o jogo seja mais antigo que a cultura", afirmou ele em seu livro de 1938, pressupõe uma sociedade humana, ele destacou, "e os animais não esperavam que os humanos os ensinassem a jogar".
Mas, entre os Homo sapiens, "o jogo era parte integrante da civilização em suas primeiras fases".
"A civilização surge com o jogo e como um jogo, para nunca mais se separar dele".
Apaixonado por jogos, Marcus du Sautoy, professor de matemática da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concorda que "é a capacidade de jogar, e não de pensar, que tem sido crucial no nosso desenvolvimento", como escreve em Around the World in Eighty Games ("A Volta ao Mundo em 80 jogos", em tradução livre).
O livro é uma jornada singular inspirada no romance de Júlio Verne "dos vários jogos loucos, fantásticos e viciantes que a nossa espécie criou".
Ele se refere aos "jogos da mente" porque, embora se declare apaixonado por futebol, deixou de fora aqueles que são classificados como esporte, com uma exceção: "Não resisti à vontade de incluir o jogo de bola mesoamericano pitz".
Em sua jornada, Du Sautoy revela como ganhar em diversos jogos, e como eles sempre estiveram profundamente ligados à matemática.
Tabuleiro de jogo datado de por volta de 2.600-2.400 a.C. encontrado no Cemitério Real de Ur, no sul do Iraque.
GETTY IMAGES via BBC
Para ele, "os jogos são passaportes para outros mundos", e sua jornada não se dá apenas por lugares geográficos, mas pelo tempo.
Do Jogo Real de Ur — "é extraordinário poder jogar o mesmo jogo que entretinha os babilônios há 5 mil anos" — ao jogo online de palavras Wordle, que se tornou um fenômeno em 2021, e já havia sido jogado 4,8 bilhões de vezes em 2023.
Mas vamos começar do início…
As regras do jogo
Uma pergunta que vários pensadores fizeram é por que jogamos.
Alguns, diz Du Sautoy, argumentaram que ao entender que o Universo era regido por regras, começamos a criar jogos como espaços seguros para explorá-las.
Já outros sugeriram que, na verdade, são uma ferramenta para explorar o nosso mundo interior.
"Acho que talvez o elemento mais importante seja o elemento social, porque os seres humanos são uma espécie altamente social", diz o professor.
"Nossa consciência exige que tentemos explorar a mente do outro, porque eu tenho um mundo interno, e suponho que você também. Mas se estamos sentindo dor, a sua dor é semelhante à minha dor, o seu êxtase, o mesmo?"
"Por isso, precisávamos de ferramentas para tentar explorar nosso mundo interior, e os jogos são um lugar muito interessante e seguro para fazer isso", avalia.
"E se você pensar bem, um jogo praticamente precisa de uma teoria da mente. Você tem que entender que a pessoa sentada à sua frente tem uma mente diferente da sua, e vai tomar decisões diferentes. Você tem que pensar: 'Se eu fizer isso isso, o que eles vão fazer?' É um nível muito sofisticado de processo de pensamento."
"Então talvez os jogos sejam tão importantes para a nossa espécie devido à nossa consciência."
Mas há outra pergunta importante: o que é um jogo.
"Definir o que é um jogo tem sido uma questão filosófica muito profunda, na qual (Ludwig) Wittgenstein estava muito interessado", observa Du Sautoy em conversa com a BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
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O renomado filósofo austríaco (1889-1951), especializado em lógica, filosofia da matemática, mente e linguagem, "acreditava que era impossível definir o que é um jogo".
"'Jogo' era seu principal exemplo de palavra que só podia ser entendida pelo ato de usá-la: isso é um jogo, aquilo não é", explica Du Sautoy em seu livro.
No entanto, diz ele à BBC News Mundo, "algo que podemos concordar é que o jogo tem um conjunto de regras e, de certa forma, cada vez que você joga, você explora as consequências destas regras e tenta otimizar a maneira de alcançar um objetivo".
Ele acrescenta que "um dos aspectos belos dos jogos, e é algo que alguns antropólogos e filósofos tentaram incluir na definição de um grande jogo, é que deve estar separado da vida real, ter seus próprios tempos e seu próprio senso de lugar".
"Essa separação é importante: embora (os jogos) possam te ajudar a entender as coisas da vida real, você de alguma forma sai dela, e passa algum tempo naquele mundo imaginário do jogo."
"É semelhante à música, com seu próprio tipo de mundo autônomo para o qual você escapa ou mergulha, e à matemática, que embora nos ajude a compreender o mundo físico que nos rodeia, é um mundo à parte e pode criar universos que não têm nada a ver com a realidade física, mas continuam sendo emocionantes de explorar por sua própria beleza interior."
Para ele, isso os torna irresistíveis.
"Os jogos, para mim, são uma forma de jogar matemática."
A matemática é ideal para calcular as implicações das regras, por isso é uma aliada bastante natural.
E está presente de uma série de maneiras nos jogos, mesmo que nem sempre seja óbvio.
Em jogos como Escadas e Serpentes, em que nenhuma estratégia é usada para vencer, a matemática é importante no design do jogo.
"Você tem que decidir quantas serpentes e escadas vai ter. Com serpentes demais, o jogo será impossível de ganhar, mas com escadas demais, talvez termine muito rápido."
"E existe uma forma matemática de analisar um jogo como este e muitos outros, em que você lança um dado e se move pelo tabuleiro, para calcular quanto tempo leva para ganhar o jogo."
Mas jogos deste tipo — incluindo os jogos de azar — não são os favoritos do matemático.
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Os melhores?
Du Sautoy admite que adora jogos de estratégia.
"Tenho uma vantagem incrível porque minhas habilidades matemáticas me permitem ganhar com frequência", afirma.
"Mas meus filhos não jogam mais esses jogos comigo: preferem um em que tenham mais chance de ganhar, e isso é importante."
"Eu diria que a incerteza é absolutamente essencial para o jogo."
Esta é uma das cinco características que ele identificou para estabelecer quais são os melhores jogos.
Um jogo nunca deve terminar antes de ter começado. Mesmo que você não seja tão bom quanto seu oponente, deve existir a possibilidade de que você ainda possa ganhar;
É muito importante que o jogo não termine antes do final. Os melhores jogos são aqueles em que até o último momento existe a possibilidade de qualquer um ganhar;
Embora deva haver um elemento de sorte no jogo, ele deve ser baseado em estratégia. Se não houver estratégia, o jogador se torna nada mais que uma máquina que coloca em prática as regras do jogo;
Os melhores jogos são aqueles com regras simples que dão lugar a resultados complexos, ricos e variados;
Um jogo precisa de uma boa história. Isso não significa que você precisa ter castelos e duendes, mas deve haver uma narrativa subjacente agradável que pode ser abstrata.
Um dos jogos que reúne todas estas qualidades, destaca Du Sautoy, é o gamão.
“É um dos mais antigos e um dos primeiros jogos de corrida."
"Ele combina essas belas qualidades de ter um pouco de incerteza e aleatoriedade por causa dos dados, mas mesmo se você lançar mal os dados, ainda pode usar a estratégia para vencer."
"Tem uma boa narrativa, porque a história pode mudar dramaticamente: você acha que está ganhando e, de repente, capturam uma peça sua e te colocam de volta ao início, e seu oponente começa a ganhar."
Mas há outro mais recente que ele considera um dos melhores: Catan, que vendeu dezenas de milhões de cópias desde seu lançamento em 1995.
O objetivo é povoar uma ilha composta por 19 peças em forma de hexágono. Os jogadores lançam dados e competem por território enquanto constroem cidades e negociam recursos.
"Um bom jogo é também aquele em que todos estão envolvidos o tempo todo."
"Alguns jogos deixam você esperando enquanto os outros fazem suas jogadas. Em Catan, quando outra pessoa está jogando, [a jogada dela] pode gerar coisas sobre as quais você precisa tomar uma decisão, e assim todos estão jogando em todo momento do jogo."
Catan foi concebido por Klaus Teuber, um técnico em prótese dentária na Alemanha, país que Du Sautoy chama de "a Meca moderna dos jogos".
A cidade de Nuremberg e sua "tradição na fabricação de brinquedos", diz ele, assim como a proibição após o nazismo na Alemanha de importar brinquedos de guerra, "atuaram como um catalisador para um fluxo de jogos completamente novos".
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A volta ao mundo em cinco jogos
Por fim, pedimos a Du Sautoy que nos levasse em uma viagem: a volta ao mundo em cinco jogos, sem passar pela Europa, nem pelo norte da América do Norte.
Ele aceitou o desafio, entusiasmado. E nos guia por esta jornada em primeira pessoa:
"A Índia é um dos meus lugares favoritos, porque muitos jogos maravilhosos saíram de lá."
"Há uma ligação entre uma cultura que ama matemática e ama jogos, e não acredito que seja coincidência."
"Escolho o xadrez porque é um dos grandes jogos de estratégia que criamos e parece ter origem na Índia."
"Mas era um jogo muito diferente: tinha quatro jogadores, com quatro exércitos, e você tinha que capturar o exército de outra pessoa e torná-lo seu. Por isso, agora há duas torres, dois cavalos e dois bispos — é a fusão de dois exércitos diferentes", explica.
"Então que tal irmos para a China? Eu provavelmente escolheria o Go, que é outro grande jogo de estratégia."
"Mas é um estilo diferente de guerra, porque no xadrez você tem muito combate corpo a corpo por meio de suas peças, nocauteando o cavalo e derrubando-o do tabuleiro, enquanto o Go é jogado em um tabuleiro de 19×19, e pouco a pouco você vai conquistando território."
"É uma guerra mais lenta. E acho isso interessante, porque reflete a natureza diferente entre a Índia e a China."
"Se eu tivesse que escolher um terceiro grande jogo de estratégia, seria Mancala, do continente africano."
"Parece ter cerca de 6 mil anos. São pequenos poços cheios de pedras, sementes ou bolinhas de gude, que você coleta e "semeia" em outros poços, tentando capturar gradativamente mais peças que seus oponentes."
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"É realmente um jogo bonito, simples, mas complexo, que, acredito eu, representa não tanto a guerra, mas a capacidade de fazer uma boa troca."
"Agora, a América do Sul foi um desafio interessante: me esforcei muito para encontrar jogos anteriores à chegada dos colonizadores, pois muitos têm origem na Europa."
Entre eles, há um com um atributo bastante interessante, chamado Adugo, que significa onça (na língua da tribo Bororo, na região do Pantanal brasileiro).
"É um pouco como damas, mas o que chama a atenção é a assimetria do jogo, porque só há uma peça preta, e ela pode se mover de forma muito dramática pelo tabuleiro, enquanto as peças brancas só podem dar um passo."
“O desafio é que a onça preta está sendo perseguida por cães brancos, que têm que capturá-la; a onça tem que saltar sobre os cachorros e basicamente matá-los."
"Achei fascinante porque não tinha visto a ideia de assimetria."
"Precisamos de um 5º jogo. Vamos para a Nova Zelândia?"
"Lá também tive o desafio de encontrar um jogo antes da chegada dos europeus, e descobri um jogo maori chamado Mu Torere. É jogado sobre um desenho que lembra uma estrela, e tem uma estratégia muito interessante, que os jogadores maori conheciam muito bem, por isso sempre conseguiam ganhar dos europeus que desafiavam."
Aí está: a volta ao mundo em cinco jogos!
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