Volta às aulas na UnB: Depois de 67 dias de greve, professores e estudantes retornam nesta quarta (26)

Professores das universidades federais decidem encerrar greve em todo o país
Calendário acadêmico vai ser definido na quinta-feira (27). Servidores técnico-administrativos, que estão em greve desde 11 de março, definem também na quinta sobre manutenção ou fim do movimento. Aula em anfiteatro da Universidade de Brasília (UnB)
Isa Lima/UnB
Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) voltam às aulas nesta quarta-feira (26). Depois de 67 dias de greve, os professores decidiram no dia 20 de junho pelo fim da paralisação da categoria e pelo retorno aos campi.
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O novo calendário acadêmico vai ser decidido na quinta-feira (27), durante reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UnB. Segundo o vice-reitor e presidente do Cepe, Enrique Huelva, todos os dias de paralisação serão repostos.
Já a greve dos servidores técnico-administrativos da universidade, que começou em 11 de março, continua. A definição sobre o fim ou manutenção do movimento também ocorre na quinta-feira (27).
Proposta aceita pelos professores
Professores durante assembleia convocada pela Adunb na UnB
Divulgação/Comunicação Adunb
Na proposta apresentada pelo governo e aceita pelos professores das universidades federais estão:
Reajuste salarial de 12,5%, sendo: 9% pago janeiro de 2025 e 3,5% em abril de 2026
Alteração da redação da IN n. 66/2022 para assegurar retroatividade de efeitos funcionais e financeiros, desde que o pedido seja feito em até 6 meses
Criação de três grupos de trabalho para discutir: reenquadramento de aposentados; reposicionamento dos professores que já estão na carreira e fizeram novos concursos e que perdem a progressão anterior e revogação da IN n. 15/2022, que trata de adicionais ocupacionais, como insalubridade.
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Festa Junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e ‘caipira’ no Brasil

Professores das universidades federais decidem encerrar greve em todo o país
As festas pagãs das antigas civilizações foram incorporadas pelo catolicismo e deram origem às festas juninas, que no Brasil acabariam sendo reinventadas com um sotaque próprio. Festas pagãs das antigas civilizações foram incorporadas pelo catolicismo e deram origem às festas juninas.
Luciano Ferreira/PCR via BBC
Para um brasileiro, pode ser difícil entender como as estações do ano são capazes de influenciar o imaginário e a própria organização da sociedade.
Mas em países de clima temperado ou frio, onde primavera, verão, outono e inverno são mais demarcados, é contagiante a alegria com que o verão é celebrado, depois de meses de dias curtos, temperaturas frequentemente negativas e poucas possibilidades de interação social.
É por isso que desde os tempos mais antigos, as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera — a volta da vida desabrochando — quanto o solstício de verão — o ápice do sol, o dia mais longo do ano.
E, segundo pesquisadores, são esses dois tipos de celebração, depois abraçados pelo catolicismo, que explicam a origem das festas juninas, que no Brasil acabariam sendo reinventadas com um sotaque próprio.
"As origens são mesmo as antigas festas pagãs das antigas civilizações, ligadas aos ciclos da natureza, às estações do ano. Sociedades antigas realizavam grandes festividades, com durações longas, até de um mês, sobretudo nos períodos de plantio e de colheita", contextualiza o pesquisador de culturas populares Alberto Tsuyoshi Ikeda, professor da Universidade de São Paulo e consultor da cátedra Kaapora: da Diversidade Cultural e Étnica na Sociedade Brasileira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
"A primavera era bastante comemorada, como o reingresso da vida mais dinâmica, o rebrotar da natureza e das atividades depois do período do inverno, sempre de muita dificuldade, luta pela sobrevivência e recolhimento", comenta ele.
Se nessa época do ano o que se via era a explosão da natureza, a vida social espelhava isso. "Os grupos humanos realizavam grandes festividades dedicadas à própria natureza, muitas vezes rendendo homenagens aos antigos deuses relacionados à natureza, à vida animal, à vida vegetal de um modo geral. Eram festas comunitárias com muita alegria, muita alimentação e reunião de pessoas em grande número: foi o que deu origem às festas juninas que a gente conhece no Brasil e em outras partes do mundo."
Autora do livro Festas Juninas: Origens, Tradições e História, a socióloga Lucia Helena Vitalli Rangel, professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que a origem das festas juninas está nos "rituais de fertilidade agrícola" de diversos povos — da Europa, do Oriente Médio e do norte da África.
"Os [mitológicos] casais férteis Afrodite e Adonis, Tamuz e Izta, Isis e Osíris eram homenageados nesses rituais, pois representavam a reprodução humana, numa época de evocação da colheita", afirma.
"Eram rituais para que a colheita fosse farta e para abençoar o próximo período agrícola. Era período de congraçamento, de partilha e estabelecimento de alianças entre as comunidades. Eram rituais de fartura e abundância em todos os sentidos, no âmbito alimentar e na relação entre as famílias: casamentos, batizados e compadrio."
Na festa junina contemporânea, estão presentes algumas das figuras mais populares do catolicismo.
GETTY IMAGES via BBC
"No hemisfério norte o solstício de verão era o auge do período ritual e do trabalho agrícola coroado pela colheita", acrescenta a socióloga.
Vale ressaltar o óbvio, para que não fique um certo estranhamento ao leitor menos atento: no hemisfério norte, origem de tais celebrações, as estações do ano são invertidas em relação ao hemisfério sul, onde está o Brasil.
Festa junina, das tradições ou da colheita? Como a visão de evangélicos e de progressistas muda nome e formato do evento nas escolas
Apropriação cristã
Mas onde então entram os santos nessa história? Na festa junina contemporânea, estão presentes algumas das figuras mais populares do catolicismo — e isso acabou impregnado de tal forma na celebração que a religiosidade se misturou ao folclore e às tradições populares, transcendendo os ritos normatizados pela Igreja Católica.
O primeiro dos santos juninos é Antônio (? – 1231), frade franciscano de origem portuguesa que ficou conhecido pelo que fez na Itália no início do século 13. Com fama de milagreiro, foi canonizado pela Igreja onze meses depois de sua morte — trata-se de um recorde até hoje não superado na história do catolicismo.
No imaginário popular, Antônio se tornou o bonachão santo das coisas perdidas, sobretudo nos países europeus, e o casamenteiro, principalmente em Portugal e no Brasil. Simpatias, promessas e orações específicas marcam a devoção a ele. E sua presença nos festejos juninos geralmente está ligada a essas tradições — a Igreja fixou o 13 de junho, data da morte dele, como dia consagrado ao santo.
Em 24 de junho, o catolicismo celebra o nascimento de João Batista (2 a.C – 28 d.C.). É o santo máximo das comemorações juninas — há versões que apontam que originalmente eram "festas joaninas" e não festas juninas; e, sobretudo no nordeste brasileiro, a Festa de São João é um evento de dimensões impressionantes.
Festas juninas acabariam sendo reinventadas no Brasil.
GETTY IMAGES via BBC
Personagem de historicidade controversa, João Batista é apontado como primo de Jesus Cristo e aquele que o batizou.
Em seu livro 'O Ramo de Ouro', o antropólogo escocês James Frazer (1854-1941) diz que ocorreu um processo histórico "de acomodação", deslocando para a figura de São João Batista a comemoração do solstício de verão.
Por fim, o mês de junho ainda tem a data do martírio de São Pedro (? – 67 d.C) e São Paulo (5 d.C. – 67 d.C.), dois dos pioneiros do cristianismo. Pedro foi um dos 12 apóstolos de Jesus e acabou depois considerado o primeiro papa do catolicismo.
Paulo de Tarso, por sua vez, é reputado como um dos mais influentes teólogos da história. Parte significativa dos textos que compõem o Novo Testamento da Bíblia é atribuída à sua pena. É dele, portanto, a autoria de parcela considerável da ressignificação de Jesus Cristo após sua morte na cruz — em outras palavras, é possível dizer que Paulo é responsável pela transformação de Jesus em um mito.
Uma observação necessária: apesar de a Igreja celebrar em conjunto a memória do martírio de Pedro e de Paulo, por tradição este último nem sempre é associado aos festejos juninos.
À medida que o catolicismo foi se transformando em religião do status quo, sobretudo a partir da cristianização do Império Romano, no ano de 380 d.C., diversos rituais tratados como pagãos acabaram sendo abraçados e apropriados pela Igreja. "A Igreja Católica não pôde desmanchar essas práticas", reconhece Rangel.
Com os rituais de primavera e verão, não foi diferente. "Várias dessas festividades foram adaptadas", conclui Ikeda. "Aos poucos passaram a ser tratadas como festas em honra aos santos juninos."
Tradição das festas juninas no Brasil, dança da quadrilha era tendência na França há mais de dois séculos
"Mas é importante notar que mesmo dentro do ciclo cristão, esses santos estão ligados tematicamente com aquelas mesmas ideias, os mesmos princípios das festividades [dessa época do ano] das antigas civilizações", pontua o pesquisador.
Santo Antônio, por exemplo, é o casamenteiro — em uma leitura lato sensu, poderia ser encarado como o santo da família, da unidade familiar, da reprodução humana. "São João também está ligado, sobretudo nos interiores do Brasil, a essa questão dos relacionamentos afetivos. Tradicionalmente, faz-se muito casamento no Dia de São João", diz Ikeda.
"Ele também traz a característica da fartura [que remete aos períodos de plantio e de colheita, em oposição aos rigorosos invernos], dos alimentos, das bebidas, aquilo que chamamos na antropologia de repasto ritual ou repasto cerimonial", afirma o pesquisador.
De modo geral, na leitura proposta por ele, todos os santos juninos estão ligados aos ciclos da natureza — fogo, água, fertilidade, abundância. Está aí São Pedro e a ideia de que ele é quem controla o tempo. "Vejo uma relação entre eles e os antigos rituais, uma relação ainda presente. Embora a gente não perceba mais, eles têm essa ligação com os elementos fundamentais da existência humana", comenta.
Nas festas populares essas forças da natureza se fazem representadas, muito além da mesa farta. Os mastros juninos que são erguidos representam a potência dos troncos, das árvores que resistem ao inverno. A fogueira é a luz: ilumina, aquece, afugenta animais ferozes, assa os alimentos.
Na releitura contemporânea, portanto, as festas juninas "guardam as reminiscências das ancestrais aglomerações festivas", conforme frisa Ikeda.
Tradição brasileira
Tradições regionais guardam suas especificidades também nas festas juninas.
Luciano Ferreira/PCR via BBC
Paçoca, pamonha, pipoca, bolo de fubá, canjica, curau, pé de moleque, maçã do amor. Vinho quente e quentão. Brincadeiras de pular fogueira e dançar a quadrilha. Chapéu de palha, camisa xadrez, calça com remendos. Bombinhas e rojões, fogos de artifício. Bandeirinhas coloridas penduradas em varais de barbante.
No Brasil, as festas juninas foram reinventadas e se tornaram uma exaltação das raízes caipiras. E muito além da religiosidade, tornou-se tradição, folclore. Como se o ciclo se fechasse: o que nasceu como ritual gregário, de celebração social, e depois foi apropriado por uma religião dominante, acabou na cultura popular sendo devolvido ao sentido original — ou seja, a festa pela alegria de festejar.
Não à toa, a folclorista Laura Della Mônica registrou em seu livro Os Três Santos do Mês de Junho que "respeitar as festas e orações dedicadas a cada um dos três santos do mês de junho, segundo a tradição, é obrigação e dever de todos nós, pelo menos culturalmente". O "todos nós" é o brasileiro. Porque mesmo nascida no Velho Mundo, as festas juninas assumiram uma identidade própria em território nacional.
"A colonização da América colocou novamente a questão [da apropriação cultural] para os jesuítas e todos os religiosos que se instalaram no continente sul-americano", pontua a socióloga Rangel.
"No caso do Brasil, houve uma coincidência do calendário. No inverno seco, o solstício de inverno marca o período dos trabalhos agrícolas mais importantes. Do mesmo modo que, para os povos do hemisfério norte é o período de rituais de fertilidade, [a festa por aqui também vem] com as mesmas características, congrega as famílias na evocação da abundância."
As tradições regionais guardam suas especificidades, como era de se esperar em um país de dimensões continentais. "Sempre foram festas e rituais populares", salienta Rangel.
"No Brasil temos expressões regionais muito fortes: o São João nordestino, o Boi Bumbá da região norte, o Boi de Mamão no sul, Cavalhadas no centro-oeste e as festas do Divino Espírito Santo e muitas regiões, particularmente no estado de São Paulo."
A pesquisadora comenta que "conforme os padres vão chegando nas paróquias, começam a interferir nas comemorações". É quando vem o sincretismo: a festa popular também é festa católica, a quermesse organizada pela igreja também tem os rituais populares.
Festas de São João têm influência de tradições antigas de indígenas do Nordeste; entenda
"Até hoje as paróquias, as igrejas, realizam festas juninas. Só não estão realizando neste período em função da pandemia de covid. Mesmo que as maiores festas estejam predominantemente tendo somente o caráter festivo, mais comercial, de exploração pelo ganho financeiro, as igrejas continuam fazendo comemorações aos santos juninos", pontua Ikeda.
"Embora muitas pessoas não católicas também participem das festas, embora predomine uma visão genérica que as festas juninas não guardam mais relação com a religiosidade, há ainda um relacionamento das igrejas com esses santos juninos."
Para ele, a evolução da festividade consiste no fato de que "toda aglomeração possibilita o incentivo ao comércio". "E a alimentação está neste centro, na busca mesmo do repasto cerimonial e festividades, danças e músicas que sempre estiveram ligados aos antigos rituais."
Ikeda lembra que a as festas populares têm uma importância antropológica por serem "práticas gregárias que ciclicamente comemoram a própria constituição, a própria existência das comunidades enquanto coletividade, a reunião de grupos humanos que preservam uma história comum".
"No caso da feste junina, esse vestir-se de caipira, simbolicamente, é um instrumento de importância até emocional e psicológico para as pessoas se sentirem com a identidade ligada ao passado, aos pais e avós que praticavam aquilo, comemorando de forma parecida", analisa o pesquisador.
"Assim, a prática possibilita a guarda de uma continuidade ao longo do tempo."
Suspensão sanitária
Nunca é demais enfatizar: com a pandemia de covid-19 ainda fora de controle, seria uma péssima ideia realizar qualquer tipo de festa neste período — se quer comemorar, faça em casa somente com seu núcleo familiar.
Então, 2021 será o segundo ano consecutivo em que o Brasil não terá, ao menos de modo ostensivo, a tradição das festividades com bandeirinhas coloridas. Doutora em História das Ciências da Saúde e autora do livro A Gripe Espanhola na Bahia, a historiadora Christiane Maria Cruz de Souza afirma que esse cancelamento não ocorreu nem na epidemia de 100 anos atrás.
Isto porque a gripe chegou ao Brasil bem depois dos festejos de 1918. E, no ano seguinte, a epidemia estava controlada. "A gripe espanhola não teve nenhuma interferência no São João. Os primeiros registros da doença apareceram em setembro de 1918 e a doença foi se extinguindo aos poucos. Em Salvador, ele não avançou para o ano de 1919. Houve alguns surtos, em lugares mais remotos, até 1920, mas sem caráter epidêmico."
É de se supor, inclusive, que as festividades de 1919 tenham sido ainda mais animadas. "Passada a epidemia de gripe espanhola, tudo o que as pessoas queriam eram esquecê-la", afirma Souza.
Em 20 de junho de 1919, entretanto, surgiram os primeiros registros indicando uma epidemia de varíola na capital da Bahia.
"Começaram a aparecer um caso aqui, outro ali, mas ainda sem a força suficiente para poucos dias depois interditar os festejos de São João", nota a pesquisadora.
"As autoridades sanitárias demoraram muito para reconhecer que ocorria uma epidemia terrível de varíola. Autoridades públicas só costumam reconhecer a existência de uma epidemia quando se torna inevitável devido ao acúmulo de adoecimentos e mortes, quando o número de doentes e mortos ultrapassa a normalidade esperada para os casos da doença. Isso demora um tempo."
Rangel ressalta, inclusive, que até a primeira metade do século 20, as festas juninas eram muito menores, restritas a familiares e pequenos grupos comunitários. Muito menos do que os eventos de hoje em dia. "Eram festas de arraial, de quintais, de quermesses", diz.
"Elas só se transformaram em grandes espetáculos na segunda metade do século 20, na esteira da espetacularização do carnaval."
*Esta reportagem foi publicada originalmente em 18 de junho 2021.
Festa junina, das tradições ou da colheita?

Senado debate projeto que prevê nas escolas estudo de mulheres na história e olhar feminino em ciências e artes

Proposta ainda precisa ser analisada pela Comissão de Educação. A ideia é que escolas 'resgatem as contribuições, as vivências e as conquistas femininas'. A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, na quarta-feira (19), uma proposta que torna obrigatório o conteúdo feminista nos currículos escolares do ensino fundamental e médio.
O projeto, de autoria da deputada Tábata Amaral (PSB-SP), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O texto ainda precisa ser apreciada na Comissão de Educação antes de ir para o plenário do Senado.
A discussão ocorre em meio a um momento de insatisfação de setores da sociedade, e do movimento feminista em especial, com uma proposta que ganhou corpo na Câmara nos últimos dias: um projeto que equipara aborto após a 22ª semana com homicídio. Depois da má repercussão na sociedade, a análise do texto foi freada.
O projeto sobre feminismo define que conteúdo feminista deve ser aplicado a disciplinas como história, ciências, artes e cultura do Brasil e do mundo.
A ideia é levar para as salas de aula o ponto de vista feminino como forma de "resgatar as contribuições, as vivências e as conquistas femininas nas áreas científica, social, artística, cultural, econômica e política", afirma o texto.
A relatora na CDH, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), enalteceu a importância da proposta como forma de valorizar a mulher na sociedade.
"Em razão dos estereótipos existentes, há uma associação de brilhantismo e genialidade muito mais aos homens do que às mulheres. A existência desses estereótipos influencia a tomada de decisões de meninas a partir dos seis anos de idade, desencorajando-as de interesses em determinadas matérias, o que, como consequência, contribui para que diversas áreas e carreiras de grande reconhecimento tenham baixa representação de mulheres", afirmou Thronicke.
A senadora ainda levantou o debate sobre a dificuldade de encontrar personagens femininas nos livros de história.
"Mulheres são menos de 10% dos personagens em livros de história usados em escolas públicas. Dos 859 personagens mencionados na coleção História, Sociedade & Cidadania, somente 70 são mulheres, que aparecem muito mais do que os homens em rodapés e caixas laterais, fora do eixo central da narrativa", completou.
O projeto ainda cria a campanha nacional "Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História", que será celebrada todos os anos na segunda semana do mês de março em todas as escolas de educação básica.
"A Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História não é uma data comemorativa, mas uma verdadeira campanha que visa à implementação de ações que objetivam concretizar o princípio constitucional de igualdade entre meninas e meninos, entre mulheres e homens", finalizou a relatora.
Daniela Lima: a reação popular acerca da proposta que equipara o aborto legal a homicídio foi tão grande que dividiu os evangélicos
Novo Ensino Médio
No mesmo dia, o Senado aprovou o projeto do Novo Ensino Médio, que determina uma carga horária de 2,4 mil horas, distribuídas em três anos, para as disciplinas obrigatórias, como português e matemática. O texto reestrutura novamente o ensino médio – última etapa da educação básica -, reformado em 2017.
A proposta inclui o espanhol como curso obrigatório, dentro da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na lei atual, apenas o inglês é exigido como língua estrangeira.
Estados apontam dificuldade para cumprir a regra, pois não terão meios para contratar novos professores. Secretários de Educação afirmaram que alguns entes estão em regime de recuperação fiscal e, por isso, "impossibilitados de criar novos cargos ou realizar concurso público".
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para acesso ao ensino superior, só vai considerar o currículo comum (BNCC), sem exigência de matérias eletivas.

Por que tanta gente acredita que o número 13 dá azar?

Professores das universidades federais decidem encerrar greve em todo o país
Este medo que se tornou uma tradição persiste, mas as suas origens não são aquilo que muitos podem acreditar. A omissão do número 13 nos edifícios persiste no século 21 em alguns países como os Estados Unidos.
BBC
O que há de tão especial em um número?
Apesar de não passar de superstição, a crença contínua na influência maligna do 13 está tão arraigada em certas culturas que até mesmo uma profissão como a construção civil é afetada por ela.
Em Cardiff, no País de Gales, um canteiro de obras no centro da capital apresenta uma omissão gritante.
Uma das torres de suporte internas que estão sendo construídas para o empreendimento Central Quay, na antiga cervejaria Brain's, tem números exibidos em todos os andares do edifício inacabado — exceto no 13º.
Isso é mais comum do que você imagina no século 21. Alguns edifícios, incluindo blocos de apartamentos e hotéis, ignoram totalmente o 13.
O 13º andar pode ser denominado de 12A ou utilizado para abrigar alguma área de manutenção em vez de apartamentos ou escritórios.
Outros, como um dos hotéis mais altos de Cardiff, saltam direto do 12º para o 14º.
Tanto o One Canada Square em Canary Wharf (centro, imagem à esquerda) quanto o London Eye evitam o número 13.
GETTY IMAGES via BBC
As casas com número 13 são geralmente mais baratas, enquanto no passado algumas subprefeituras proibiram novos conjuntos habitacionais de usar o número porque as pessoas não gostam de morar lá.
Uma pesquisa na Grã-Bretanha indicou que 14% dos entrevistados acreditavam que o número 13 era inerentemente azarado, enquanto outros 9% não sabiam.
Sarah Thomas, de Grangetown, em Cardiff, avistou a torre na região do Brain's quando ela estava saindo de seu escritório na Network Rail, nas proximidades.
"Despertou minha curiosidade quando vi que estava faltando", disse ela.
"Presumi que fosse superstição, mas pesquisei no Google para confirmar e só então percebi o quanto isso é amplamente praticado. Muitos amigos disseram que estiveram em prédios ou elevadores onde não havia o número 13."
Ela se descreve como não supersticiosa, mas sente que alguns hábitos decorrem do bom senso. "Prefiro não passar por baixo de uma escada, se possível, para evitar o risco de acidentes."
"Acho interessante a história por trás das superstições, pois elas nos dão uma ideia de como as pessoas conectavam eventos específicos com atividades mais cotidianas."
Alguns dos endereços mais importantes do Reino Unido mantêm a superstição.
Quando o Canary Wharf de Londres foi remodelado e a icônica torre One Canada Square foi construída em 1990 — na época o edifício mais alto do Reino Unido — abriu as suas portas sem o 13º andar e permanece assim até hoje.
E se você quiser dar uma volta em uma das 32 cabines da famosa roda gigante London Eye, em Londres, ficará surpreso ao saber que pode reservar o número 33. Ele, naturalmente, substitui o 13 que falta.
Por que o número 13 é considerado azarado?
Na última ceia, Cristo viu 13 pessoas jantando juntas antes de ele ser preso e executado.
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Ao longo do tempo, várias fontes foram apontadas como "culpadas" pela suposta má sorte do 13.
Uma delas está ligada ao Cristianismo — havia 13 pessoas na última ceia de Jesus Cristo, que aconteceu pouco antes de ele ser traído por Judas Iscariotes, o 13º a sentar-se e preso por blasfêmia.
Da mesma forma, na mitologia nórdica, Loki, o deus da maldade e do engano, é o 13º convidado em um jantar dos deuses, onde engana um dos filhos de Odin para que mate outro.
O medo do 13 — oficialmente chamado de triscaidecafobia — aumenta quando é associado à sexta-feira, que também é constantemente associada à má sorte porque foi o dia em que Cristo morreu.
Mas por que as pessoas em sociedades supostamente esclarecidas ainda se apegam a tal crença?
Talvez porque, surpreendentemente, seja uma crença bastante moderna e não com séculos de tradição, de acordo com a professora da Universidade de Cardiff, Juliette Wood, especialista em mitologia e folclore.
"Não é folclore no sentido de que não é uma tradição antiga. Não tem nada a ver com o fato de haver 13 pessoas na última ceia", disse ela.
Em vez disso, ela acredita que é essencialmente uma criação midiática que se tornou popular por volta da virada do século 20, que se tornou uma espécie de folclore moderno por direito próprio e é reforçada através dos meios de comunicação, incluindo filmes como Sexta-feira 13.
Pesquisas posteriores a essa época não produziram referências ao "azarado número 13".
Mas as pessoas olham para trás em busca de histórias que se encaixem na criação de um mito e se apegam aos exemplos mais famosos.
"Faz muito sentido, principalmente por causa do elo da última ceia, que está travado", explica Wood.
A ideia de Loki como fonte provavelmente seja ainda mais recente.
"Essa noção da mitologia nórdica como uma espécie de pedra de toque para a cultura é, na verdade, bastante recente", acrescenta ela.
"Isso remonta ao interesse que encontramos na Grã-Bretanha do século 19 em descobrir a herança germânica dos britânicos e vários estudiosos da região traduziram os mitos nórdicos pela primeira vez."
"E agora, é claro, até nos filmes da Marvel, Loki é um herói. Então você tem motivos para focar em uma figura específica e consegue esse tipo de transferência."
Como surgiu a superstição da sexta-feira 13?
Dias de azar
A ideia de dias de azar é de fato uma convenção muito mais antiga — pense nos idos romanos de Março (15), que foi reforçado na crença romana após o assassinato de Júlio César nesse dia, e popularizado pela tragédia shakespeariana que conta a história dele.
Wood diz: "Adoramos superstições. Adoramos poder neste mundo altamente mecanicista e altamente incerto dizer 'ah, bem, é uma tradição'.”
Parece ir contra todo o sentido, mas ser capaz de atribuir algo a um poder exterior, não malévolo, mas certamente fatalista, de alguma forma nos faz sentir mais confortáveis ​​e menos inseguros.
Katie Griffin, da agência imobiliária Propertymark, que administra seu próprio negócio no condado inglês de Devon, confirma que evitar o número 13 ainda pode ser uma realidade na construção de casas.
“Eu não diria que isso diminuiria o valor (de uma casa), mas às vezes, para impedir isso, os desenvolvedores omitem completamente o número 13. Já foi no passado que você iria para 11, 12, 14”, ela diz.
“Não recebo especificamente pessoas que chegam e dizem ‘sou supersticioso e não quero estar no número 13’, mas podem dizer ‘não quero estar perto de um cemitério ou de uma igreja’.
Odessa Barthorpe, de Cardiff, acredita que a superstição é o resultado da cultura ou da educação, mas pessoalmente viveria feliz num 13º andar, acrescentando: "Acho que é provavelmente uma ressaca dos tempos em que não sabíamos como o mundo funcionava e tínhamos que inventar coisas.
"É interessante. Mas em termos de viver sua vida de acordo com isso, não."
Carmen Abad de Rhoose, no Vale de Glamorgan, cresceu no Sudeste Asiático, onde existem “muitas superstições”, mas ela não acredita nelas.
"Então, pessoalmente, eu não me importaria em morar no 13º andar. Se fosse um apartamento mais barato, eu escolheria", diz ela.
Para os futuros residentes da torre de Cardiff – a administradora confirmou que haverá o 13º andar com esse número nos apartamentos para alugar assim que estiver pronto.
Mais barato? Isso já seria muita sorte.

Professores das universidades federais decidem encerrar greve em todo o país

Professores das universidades federais decidem encerrar greve em todo o país
Paralisações deverão ser encerradas até o dia 3 de julho. Categoria aceitou proposta de reajuste e reestruturação da carreira enviada pelo governo Lula no início deste mês; técnicos-administrativos do ensino superior ainda mantém paralisação Professores das universidades federais do Ceará votaram pelo fim da greve iniciada em abril
ADUFC/Divulgação
Os professores das universidades federais decidiram encerrar neste domingo (23) a greve nacional, deflagrada em abril deste ano em instituições de ensino superior de todo país.
A decisão foi tomada após assembleias estaduais, que reuniram maioria favorável de votos à aceitação de uma proposta de reajuste enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início deste mês.
Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o comando nacional da greve decidiu encerrar as paralisações a partir desta quarta-feira (26), quando a entidade deve assinar um acordo junto ao Ministério da Gestão e Inovação a fim de consolidar os termos da proposta.
As paralisações deverão ser finalizadas até o próximo dia 3 de julho, ainda de acordo com a Andes.
O retorno às aulas dependerá de decisão interna de cada instituição federal de ensino do Brasil, que tem prerrogativa para definir o próprio calendário acadêmico.
O posicionamento da Andes põe fim a uma greve que durou mais de 60 dias. Também confirma um movimento de abandono à paralisação por parte de professores de instituições ao redor do país. A Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, já havia decidido retomar as aulas no último dia 20.
Greve na educação federal
Além dos professores das universidades federais, também paralisaram os trabalhos:
professores de ensino básico e técnico de instituições federais de ensino
técnicos-administrativos das instituições federais de ensino básico e técnico
e técnicos-administrativos das universidades
Neste domingo, o sindicato que representa os professores e técnicos-administrativos de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e outras unidades de ensino básico, técnico e tecnológico anunciaram acordo para encerrar a greve.
Somente os técnicos-administrativos vinculados às universidades federais ainda não decidiram pelo encerramento do movimento grevista.
A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) rejeitou a proposta encaminhada pelo governo na última sexta (21). A entidade deve se reunir nesta segunda (24) para reavaliar as estratégias em relação à categoria.
Reajuste
A proposta acatada pelos professores de universidades federais prevê reajustes em 2025 e 2026, com percentuais diferentes para cada classe profissional.
O acordo proposto pelo governo ainda prevê a revogação de uma portaria, editada em 2020, que elevou a carga horária mínima semanal para professores.