Muamba, bunda, dengo: você usa palavras de línguas africanas sem perceber; faça ‘quiz sonoro’

Plano Nacional de Educação completa 10 anos com apenas 4 das 20 metas parcialmente cumpridas, alerta entidade
Vídeo de angolano citando exemplos de influências do quicongo, quimbundo e umbundo no português brasileiro viraliza nas redes sociais. Entenda como essa 'mistura' aconteceu na nossa história. Dengo, xingar, moleque…Palavras do nosso dia a dia vieram de línguas africanas
Dizem que os fãs brasileiros são os mais entusiasmados do mundo, e temos mais uma prova disso. Nem estamos falando de música ou de filmes, e sim de… linguística. Foi só o angolano Gio Cattuco postar um vídeo (assista acima) sobre as influências de línguas africanas no português brasileiro que, pronto, o material viralizou no TikTok.
“Meu deus, que incrível!”, “As nossas melhores palavras vieram da África!”, “Angola, OBG POR TUDOOOOO” (sim, com todas essas vogais mesmo, com bastante empolgação).
Consegue adivinhar o significado das palavras em línguas africanas? Faça 'quiz sonoro'
Entre os termos falados no post, estão:
“dengo” – vem de “ndengu”, que significa “doçura, carinho e atenção” na língua quicongo, falada no norte de Angola e na República Democrática do Congo.
“babá”- originou-se do verbo “kubaba”, que, na língua quimbundo (uma das mais usadas em Angola), significa “acalentar ou embalar uma criança para dormir”;
“beleléu” – nasceu de “mbalale”, também na língua quimbundo, para representar “sepultura” ou “lugar onde se enterram as pessoas”.
Curiosidade: As vogais não são nasais. Em vez de falar “/dêngo/”, a pronúncia fica mais próxima de “/déngo/”.
Entenda, ao longo desta reportagem, os detalhes dessa "mistureba" de idiomas:
🌍Quando as palavras africanas chegaram ao Brasil? E de que forma?
⏳O sentido das palavras continuou o mesmo ao longo do tempo?
👅Afinal, que língua se fala em Angola?
📒Dá para ter certeza da origem de cada palavra?
📺Nós também influenciamos o vocabulário dos angolanos? Spoiler: sim! "Busão", "sacanagem"…
➡️Antes de descobrir as respostas, responda ao quiz a seguir.

🌍Quando as palavras africanas chegaram ao Brasil? E de que forma?
A linguista Margarida Peter, professora da Universidade de São Paulo e uma das maiores pesquisadoras de línguas africanas do país, explica que tudo começou em 1538, quando os europeus trouxeram ao Brasil os primeiros escravos vindos da África.
“Eles chegaram aqui, saindo principalmente de Angola, e já entraram em contato com o português. Sabe quando você começa a aprender uma língua e acaba transferindo termos do seu idioma para poder se expressar? Foi o que naturalmente aconteceu”, explica.
Após o contato entre os povos, os africanos passaram a "misturar" suas línguas nativas — quicongo, quimbundo e umbundo — com o português.
🗣️As três pertencem à mesma família linguística, chamada de bantu. O português, o espanhol e o italiano, por exemplo, são de outra família: a latina. Línguas do mesmo grupo guardam similaridades entre si, mas continuam sendo idiomas diferentes e independentes.
O vocabulário africano foi sendo incorporado com o passar do tempo e com a intensificação do contato entre os povos, explica Cassiano Butti, lexicólogo e professor-doutor de língua portuguesa da PUC-SP.
“No começo, eram usadas palavras relacionadas ao que esses povos viam de novo aqui, como vegetações, animais, acidentes geográficos e práticas religiosas. Depois, principalmente no século XVIII e XIX, termos do cotidiano da matriz africana passaram a ser empregados, como canjica, caçula, cochilo, dendê, moleque e quitanda”, diz.
E não foi só o vocabulário que passou por essa mistura toda.
“Até a estrutura profunda do português brasileiro, como a sintaxe [a forma como organizamos as frases], recebeu influência africana”, afirma Cecília Farias, pesquisadora do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.
Sabe quando falamos algo como “A casa está reformando”? Não é a própria casa que está fazendo a reforma, claro, mas entendemos direitinho a frase, certo? No português europeu, por exemplo, isso não faria sentido.
“Essa estrutura sintática tem a ver com uma influência das línguas bantu aqui no Brasil”, explica Farias.
⏳O sentido das palavras continuou o mesmo ao longo do tempo?
Exposição do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, trata exatamente da influência de línguas africanas no português brasileiro
Divulgação
Não. Vamos analisar a palavra “dikamba”: “di” (prefixo que indica singular) + "kamba" (amigo), em quimbundo.
Quando o termo passou a ser usado no Brasil, já não significava mais “amigo”, e sim “cambada”, em um sentido de “grupo”.
A professora Margarida Peter dá mais um exemplo: muamba.
“Em Luanda [capital de Angola], significa um prato da culinária local, uma espécie de ensopado com vários ingredientes. Mas a análise da história da palavra mostra que muamba era um cesto em que se guardavam mercadorias. E atualmente, no Brasil, é uma mercadoria ilegal, contrabandeada. Os sentidos vão se modificando.”
👅Afinal, que língua se fala em Angola?
O idioma oficial de Angola é o português (o país foi colonizado por Portugal a partir de 1482).
Mas há outras línguas também usadas no território, como as já citadas umbundo (principalmente no centro-sul), quimbundo (centro-norte), quicongo (norte), além de fiote, chocué e cuanhama, por exemplo.
“Na capital, o português é mais falado. Mas fui a algumas aldeias a 300 km de Luanda, fora do centro urbano, e aí só encontrei pessoas falando quimbundo, por exemplo, e com bastante variação”, afirma Peter. “Estão tentando implementar o ensino dessas outras línguas nas escolas ou em cursos.”
➡️Curiosidade: Na forma padrão da língua e nas gramáticas usadas pelos colégios, é mais comum usar o português lusitano. Mas, na variante falada, no dia a dia dos angolanos, o que predomina é o português mais próximo do brasileiro.
“Nós, no Brasil, falamos ‘me fala’, ‘me conta’, com o pronome [me] no começo da frase. Dizemos ‘eu vi ele’ [em vez de ‘eu o vi’]. Em Angola, nas conversas informais, também é assim”, conta a professora da USP.
📒Dá para ter certeza da origem de cada palavra?
Não pense que é fácil encontrar a correta origem das palavras em uma simples busca na internet. Até mesmo em dicionários etimológicos, pode ser que você chegue a resultados como “origem indefinida”, “origem controversa”.
Um exemplo: no vídeo que viralizou, o angolano afirma que “capanga” vem de “kubanga”, que significa “lutar” em quimbundo. Outros estudiosos dirão que vem de “kappanga”, ou seja, “sovaco” (região do corpo na qual homens carregavam, escondidos, as bolsas que transportavam diamantes).
“É difícil usar um dicionário ou uma gramática para confrontar. Os primeiros registros são dos jesuítas que enviavam relatos para Portugal. Os linguistas foram encontrando, aos poucos, pistas para compreender as línguas africanas”, afirma Butti, da PUC-SP.
A primeira gramática em quimbundo, por exemplo, foi escrita em português pelo Padre Pedro Dias, no fim do século XVII, para jesuítas que estavam aprendendo o idioma africano.
Atualmente, embora os estudos de línguas africanas tenham avançado na América nas últimas décadas, ainda não é um tema que recebe a devida atenção da academia e da sociedade em geral, afirma Clarissa Lima, assessora pedagógica da Amplia e pós-graduada em relações étnico-raciais.
"Nas escolas, os africanos são reconhecidos como os povos escravizados. (…) Pouco se tem conhecimento da arte, da cultura e da influência deles na língua portuguesa falada no Brasil", diz.
📺Nós também influenciamos o vocabulário dos angolanos?
Sim! Principalmente por causa do sucesso das novelas e das músicas brasileiras na África.
Segundo a pesquisa de Larissa Gama, em monografia apresentada à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, as seguintes palavras/expressões em português brasileiro são atualmente usadas em conversas informais de angolanos:
galera
busão
bagulho
dando duro
geladeira
cantada
capricho
gozar
calcinha
legal
apê
pegar
cara
brigar
boteco
bacana
ventar
sacanagem
pega leve
mané
Outros exemplos de palavras do português brasileiro que vieram de línguas africanas:
(Não vale colar! Só leia esta parte depois do quiz)
Bunda
Origem: “mbunda”
Língua: quimbundo
Sentido: “ânus, nádega, traseiro”
Minhoca
Origem: “nyoka”
Língua: quimbundo
Sentido: "vermes, anelídeos" (no plural)
Xingar
Origem: "xinga"
Língua: quimbundo
Sentido: "insultar"
Moleque
Origem: "muleke"
Língua: quimbundo
Sentido: "garoto"
Cambada
Origem: “dikamba”
Língua: quimbundo
Sentido: “amigo ou companheiro”
Capanga
Origem: “kubanga”
Língua: quimbundo
Sentido: “lutar”
Caçamba
Origem: “kisambu”
Língua: quimbundo
Sentido: “cesto grande”
Caçula
Origem: “kazuli”
Língua: quimbundo
Sentido: “o último da família”
Vídeos

Jovem capixaba cria jogos de tabuleiro para ensinar matemática de forma lúdica e divertida

Plano Nacional de Educação completa 10 anos com apenas 4 das 20 metas parcialmente cumpridas, alerta entidade
Tulio Koneçny já criou 15 jogos com as mais diversas temáticas, como ficção científica, faroeste e extraterrestres. O matemático Tulio Koneçny desenvolve jogos para tornar aprendizado divertido
FGV/Divulgação
Fatoração, probabilidade, raciocínio lógico e outros conceitos matemáticos podem, de cara, assustar muitos estudantes. Mas um jovem do Espírito Santo está mostrando que é possível aprender essas matérias tanto na sala de aula quanto na sala de casa. Tulio Koneçny, de 23 anos, cria jogos de tabuleiro de temáticas diversas, como extraterrestres, poções mágicas e faroeste, com o objetivo de tornar a matemática mais empolgante.
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"Eu sempre gostei de jogos. Em certo momento, eu queria ter o controle criativo do que as pessoas estivessem jogando. Agora, alunos e professores me passam problemas que estão tendo em sala de aula e eu tento pensar em um jogo", explicou Tulio.
Tulio Koneçny, 23 anos, cria jogos de tabuleiro para ensinar matemática de forma divertida
Divulgação/FGV
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Tulio é formado em Matemática Aplicada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro e cursa mestrado na Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) desde março de 2024. No entanto, o desenvolvimento de jogos começou ainda quando o estudante estava no ensino médio e estudava no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
"Em 2019, o Ifes inaugurou um laboratório de Matemática, o LabMat.ca, e o professor responsável não queria que o uso fosse exclusivo dos alunos, mas que outras escolas pudessem ir. Quando começamos com um projeto de receber alunos de escolas públicas, percebemos que o conhecimento deles em relação à divisão estava bem defasado.
''No mesmo dia, a gente se reuniu para falar sobre soluções possíveis e eu propus para o professor a criação de um jogo que pudesse auxiliar neste ensino", comentou.
Estudantes aprendem matemática jogando. Matemático Tulio Koneçny desenvolve jogos específicos para ajudar nesse processo.
Arquivo pessoal
Foram nove meses dedicados ao desenvolvimento do jogo, desde o design, a metodologia, a temática até o conceito. Em abril de 2020, o Resto Ataque nasceu.
"O jogo foi desenvolvido para atender à necessidade de proporcionar aos alunos um método de treinamento em divisão euclidiana. Também conta com momentos da partida onde o aluno pratica o raciocino lógico, tem o contato com grafos questionando opções de caminho e levanta questões probabilísticas", diz a descrição do jogo.
15 jogos disponíveis gratuitamente
Capixaba Tulio Koneçny desevolveu 15 jogos para ajudar no processo de aprendizagem da matemática
FGV/Divulgação
De lá pra cá, Tulio foi selecionado pelo projeto ‘Seleção de Talentos’ do Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC), que identifica jovens talentos com histórico de medalhistas em olimpíadas nacionais em escolas públicas de todo o Brasil. A instituição, então, ofereceu a eles a possibilidade de fazer cursos de graduação e pós-graduação no Rio de Janeiro.
Já na graduação, o estudante desenvolveu outros 14 jogos com as mais variadas temáticas. A iniciativa se tornou tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do matemático, que lançou, inclusive, o site Matemática é para Todos, onde todos os jogos são disponibilizados gratuitamente com o intuito de aliar aprendizado com diversão.
Ao entrar na plataforma, o usuário se depara com vários tipos de jogos desenvolvidos pelo próprio Tulio. A jornada criativa começa com o aparecimento de um problema de Matemática, observado em sala de aula por um professor.
Professores durante o curso de formação 'Matemática para Todos', em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo
Arquivo pessoal
Depois, vem a etapa de concepção do jogo e esboço das artes até os balanceamentos de mecânicas, culminando na versão teste. O modelo é aplicado a um grupo, que testa os jogos e ajudam o criador a lapidar o necessário por meio de comentários e dicas. A partir daí, Tulio também é o responsável pelos ajustes e a execução dos pormenores.
Quando pronto, o jogo é disponibilizado ao usuário para fazer o download, imprimir e sugerir as modificações que julgar necessárias.
“A ideia do site é deixar tudo totalmente aberto. Quem quiser baixar, pode jogar. Se quiser modificar, pode modificar. A ideia é criar esse ambiente para produzir mais jogos”, esclareceu o mestrando.
A preferência não foi por criar jogos virtuais. Para Tulio, o mundo dos games palpáveis, materiais, de tabuleiro e de cartas é uma excelente maneira de ensinar Matemática – e a ideia do projeto o acompanha desde a adolescência.
“Eu gosto mais de jogos físicos. Nunca fui muito do jogo digital. Sempre preferi que as pessoas ficassem ao redor da mesa, socializando. Então, prezamos muito por essa socialização nos jogos. A gente quer que os alunos peguem na carta e tenham essa experiência de jogar e aprender", comentou.
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Formação de professores
Tulio Koneçny cria jogos para tornar o ensino da matemática mais leve e divertido
Arquivo pessoal
O projeto de Tulio já chegou na forma de cursos para centros de formação de professores do Espírito Santo e do Ceará.
No Ceará, a iniciativa é on-line de forma a reunir um maior contingente durante a apresentação. Já no Espírito Santo, o mestrando realiza a prática presencialmente de maneira a ‘trocar figurinhas’ com os professores das turmas.
“Tem sido uma experiência ótima. No online, eu consigo ter contato com mais pessoas. Em uma só formação, por exemplo, conseguimos reunir 90 pessoas. Já no presencial, tem a graça de eu explicar e os professores colocarem a ‘mão na massa’ e dar sugestões de como melhorar os jogos. Está sendo uma ótima troca, pois muitas pessoas entraram em contato e sugeriram a criação de novos jogos ou mudanças em alguns existentes”, completou.
Túlio Koneçny ofereceu curso de formação para professores de Jaguaré, no Norte do Espírito Santo. Estudante desenvolve e
Arquivo pessoal
O jovem espera que, no futuro, os board games tenham o mesmo reconhecimento cultural que os livros sempre tiveram no ambiente escolar.
“De todas as vezes que foram testados, os jogos foram bem recebidos pelos alunos. E a gente procura hoje colocar no site não somente jogos, mas listas temáticas de exercícios, materiais complementares, justamente para não ficar só na diversão, mas não esquecer da prioridade da matemática em si no problema. Que o aluno possa ter um momento na aula para jogar, se divertir e aprender”, concluiu.
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Governo inclui meta de financiamento para a educação no novo PNE; meta anterior não foi cumprida

Plano atual perde a vigência nesta terça-feira (25). Maioria dos objetivos não foi cumprida; e 4 foram cumpridos parcialmente. O governo federal incluiu no novo Plano Nacional de Educação uma meta para investimento público na área.
O PNE é um projeto de lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A lei atual, composta por 20 metas, foi aprovada em junho de 2014 e venceu nesta semana. O país não cumpriu totalmente nenhuma meta (veja mais abaixo).
A cada 10 anos, o governo federal precisa rever o Plano Nacional de Educação. A nova versão só passa a valer quando for aprovada em definitivo pelo Congresso e sancionada por Lula. Se essa tramitação demorar, o país pode passar meses, ou até anos, sem um plano em vigor.
A meta prevê a ampliação de modo a atingir o equivalente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) até o sexto ano de vigência do plano e 10% do PIB até o fim dos dez anos. O texto deve ser encaminhado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (26).
O novo plano possui 18 objetivos para a educação no Brasil nos próximos 10 anos. Para cada objetivo, foram estabelecidas 58 metas quantitativas.
Plano de educação faz 10 anos sem atingir nenhuma meta
O plano também prevê a ampliação do acesso de indígenas, quilombolas e moradores de áreas rurais a todos níveis da educação escolar.
A meta é atender, no mínimo, 50% das crianças de 0 a 3 anos, no campo e em territórios de comunidades tradicionais e universalizar o atendimento a essas crianças na pré-escola, no ensino fundamental e no ensino médio.
Outra novidade é a oferta de atendimento educacional especializado para aprimorar a educação especial.
Estão previstas a universalização do acesso e a garantia da permanência de alunos de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na educação básica com a garantia de sistema educacional inclusivo.
Além disso, o texto estabelece como meta a conectividade à internet de alta velocidade para uso pedagógico em 50% das escolas públicas da educação básica em até 5 anos e em 100% até o final dos dez anos de vigência do plano.
Poucos avanços
A Campanha Nacional Pelo Direito à Educação apresentou nesta terça-feira (25), em audiência na Câmara dos Deputados, o relatório "10 anos do Plano Nacional de Educação".
O documento mostra que, das 20 metas previstas na Lei 13.005/2014 — como melhorar os índices de alfabetização e universalizar a educação infantil —, apenas 4 foram atingidas ou parcialmente atingidas no período

Governo inclui meta de financiamento para educação no novo PNE

Plano atual perde a vigência nesta terça-feira (25). Maioria dos objetivos não foi cumprida; e 4 foram cumpridos parcialmente. O governo federal incluiu no novo Plano Nacional de Educação uma meta para investimento público na área.
O PNE é um projeto de lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A lei atual, composta por 20 metas, foi aprovada em junho de 2014 e venceu nesta semana. O país não cumpriu totalmente nenhuma meta (veja mais abaixo).
A cada 10 anos, o governo federal precisa rever o Plano Nacional de Educação.
A meta prevê a ampliação de modo a atingir o equivalente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) até o sexto ano de vigência do plano e 10% do PIB até o fim dos dez anos. O texto deve ser encaminhado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (26).
O novo plano possui 18 objetivos para a educação no Brasil nos próximos 10 anos. Para cada objetivo, foram estabelecidas 58 metas quantitativas.
Plano de educação faz 10 anos sem atingir nenhuma meta
O plano também prevê a ampliação do acesso de indígenas, quilombolas e moradores de áreas rurais a todos níveis da educação escolar.
A meta é atender, no mínimo, 50% das crianças de 0 a 3 anos, no campo e em territórios de comunidades tradicionais e universalizar o atendimento a essas crianças na pré-escola, no ensino fundamental e no ensino médio.
Outra novidade é a oferta de atendimento educacional especializado para aprimorar a educação especial.
Estão previstas a universalização do acesso e a garantia da permanência de alunos de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na educação básica com a garantia de sistema educacional inclusivo.
Além disso, o texto estabelece como meta a conectividade à internet de alta velocidade para uso pedagógico em 50% das escolas públicas da educação básica em até 5 anos e em 100% até o final dos dez anos de vigência do plano.
Poucos avanços
A Campanha Nacional Pelo Direito à Educação apresentou nesta terça-feira (25), em audiência na Câmara dos Deputados, o relatório "10 anos do Plano Nacional de Educação".
O documento mostra que, das 20 metas previstas na Lei 13.005/2014 — como melhorar os índices de alfabetização e universalizar a educação infantil —, apenas 4 foram atingidas ou parcialmente atingidas no período

Plano Nacional de Educação completa 10 anos com apenas 4 das 20 metas parcialmente cumpridas, alerta entidade

Plano Nacional de Educação completa 10 anos com apenas 4 das 20 metas parcialmente cumpridas, alerta entidade
Plano Nacional de Educação determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional a cada 10 anos. Alfabetização de crianças, erradicação do analfabetismo e universalização do acesso ao ensino fundamental estão longe de serem cumpridas.
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A Campanha Nacional Pelo Direito à Educação apresentou nesta terça-feira (25), em audiência na Câmara dos Deputados, o relatório "10 anos do Plano Nacional de Educação". O documento mostra que, das 20 metas previstas na Lei 13.005/2014 — como melhorar os índices de alfabetização e universalizar a educação infantil —, apenas 4 foram atingidas ou parcialmente atingidas no período.
São elas:
meta 7: melhorar o fluxo de aprendizagem e aumentar as médias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – parcialmente cumprida;
meta 11: triplicar as matrículas no ensino profissional e técnico – parcialmente cumprida;
meta 13: aumentar a qualidade de formação dos professores de ensino superior – parcialmente cumprida.
Observação: A meta 14, que determina que ao menos 60 mil pessoas recebam o título de mestres, chegou a ser superada em 2017, mas teve uma leve queda após a revisão de dados em 2022 (59.374). Será preciso aguardar a contagem até o fim de 2024 para considerar que o objetivo foi alcançado.
“Há avanços importantes, porém insuficientes para as populações negra e feminina”, afirmou Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha.
Os maiores obstáculos foram:
corrigir os problemas de alfabetização dos alunos;
universalizar o acesso de crianças de 6 a 14 anos ao ensino fundamental (a situação piorou após a evasão escolar na pandemia);
recuperar as matrículas perdidas na Educação de Jovens e Adultos (EJA);
reduzir as distorções de idade-série dos alunos;
diminuir o analfabetismo funcional;
melhorar as condições de trabalho dos professores.
E houve os seguintes avanços importantes, segundo a campanha:
o número de alunos pretos em creches aumentou 13,7% ao longo do PNE;
a desigualdade entre brancos e negros na conclusão do ensino fundamental diminuiu;
a parcela de pretos e pardos no ensino superior cresceu sensivelmente.
O documento afirma que "a avaliação de 11 das 20 metas e seis estratégias do PNE foi afetada pela restrição na abertura dos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) implementada em 2022".
Problemas políticos e econômicos atrasaram cumprimento de metas, afirma campanha
Entre os 38 dispositivos (estratégias mais específicas) mencionados dentro das metas do PNE, 90% não foram cumpridos, 13% estão em retrocesso e 30% apresentam lacuna de dados.
"Por que o plano não tem sido cumprido? Tem uma série de motivos. A agenda econômica não caminha alinhada aos direitos fundamentais e não caminha alinhada ao direto ao acesso à educação. Temos várias agendas que andam na contramão do plano: militarização escolar, perseguição de professores, censura, etc.", afirma Andressa.
No último ciclo do PNE, de 2014-2024, havia 20 metas, como:
universalizar o acesso à educação infantil até 2016 (objetivo ainda não alcançado; índice atual é de 93%);
oferecer educação integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas (patamar de 2022 era de 34,4%);
elevar a taxa de alfabetização da população para mais de 93,5% até 2015 (meta alcançada em 2017);
aumentar a escolaridade média dos brasileiros de 18 a 29 anos para no mínimo 12 anos de estudo (resultado de 2022 foi de 11,7 anos).
O que é o PNE?
📝 O PNE é um projeto de lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A Lei atual, composta por 20 metas, foi aprovada em junho de 2014 e tem vigência válida até o final de junho de 2024.
Ainda assim, o Ministério da Educação (MEC) não enviou ao Congresso uma nova proposta de texto para esse documento, que é essencial na definição de metas para combater o analfabetismo, universalizar a educação básica e elevar a escolaridade média da população, por exemplo.
Sem uma nova proposta em pauta, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou na terça-feira (28) um PL que pede a prorrogação do atual PNE até dezembro de 2025, o que permitiria um período de apreciação do novo plano — que ainda deve ser enviado pelo MEC. Agora, o texto segue para a Câmara.
👉🏾 A legislação é importante porque guia as prioridades para investimento dos governos nos âmbitos federal, estadual e municipal para a educação.
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