Após auditoria apontar R$ 3 milhões desviados de pesquisas, MP cobra explicações de Unicamp e Fapesp

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar
Fundação apura se montante pode ser ainda maior. Universidade diz que adotará todas as providências cabíveis após sua conclusão da sindicância aberta sobre o caso. Universidade Estadual de Campinas
Marcelo Gaudio/g1
O Ministério Público Estadual (MP-SP) pediu à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e à Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) explicações sobre as medidas tomadas diante dos desvio de verbas de pesquisa no Instituto de Biologia (IB), revelado em janeiro deste ano.
Inicialmente, um levantamento da universidade apontou, pelo menos, R$ 1,9 milhão em desvios de verba. A Unicamp informou à Promotoria de Justiça de Campinas, no entanto, que uma nova auditoria constatou que esse valor pode chegar a R$ 3.04 milhões.
O valor desviado, porém, pode ser ainda maior. O g1 apurou que a Fapesp detectou R$ 5 milhões em transferências suspeitas, mas ainda está averiguando se todo esse montante foi de fato apropriado indevidamente.
A principal suspeita dos desvios é a ex-funcionária da universidade Ligiane Marinho de Ávila. Ela era a responsável por operacionalizar os pagamentos dos pesquisadores. O g1 apurou que ela saiu do país em fevereiro e não tem data para voltar. Ligiane foi demitida em dezembro de 2023.
Na portaria que instaurou um procedimento para apurar possível improbidade administrativa no caso, o promotor de Justiça do caso aponta que uma eventual morosidade dos órgãos públicos envolvidos (Unicamp e Fapesp) pode "facilitar a dilapidação dos valores".
"Causa espanto que, decorridos quase 180 dias da descoberta dos fatos, ainda não foram informadas as medidas efetivamente assecuratórias ou cautelares para os fins de mitigar o prejuízo ao erário por quaisquer das instituições envolvidas", diz portaria do Ministério Público.
O que diz a Unicamp?
Procuradora pelo g1, a Unicamp repetiu que o caso é objeto de apuração em sindicância administrativa. "Sendo certo que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão", diz.
O que diz a Fapesp?
À reportagem, a Fapesp informou que atendeu plenamente a todos os pedidos feitos pelo Ministério Publico sobre o caso. "Esclarecemos que na apuração há informações que são do domínio e da responsabilidade da fundação. Outros dados, porém, dependem dos pesquisadores e de sua instituição".
Instituto de Biologia da Unicamp
Marcelo Gaudio/g1
Suspeita fora do país
Paralelo ao procedimento cível de improbidade, o caso também é investigado criminalmente pela Polícia Civil, que apura o possível crime de peculato. O g1 revelou nesta quinta-feira (27) que Ligiane Marinho de Ávila informou à Polícia Civil que está no exterior e não tem data para voltar ao Brasil.
No Inquérito Policial (IP) que investiga Ligiane, o advogado da ex-funcionária pediu para que o depoimento dela seja feito por videoconferência. "Está em viagem para o exterior, sem previsão até o presente momento da data de retorno", disse o defensor à polícia.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
O g1 apurou com uma fonte na Polícia Federal que a suspeita havia deixado o Brasil no dia 19 de fevereiro deste ano, um mês depois dos desvios terem vindo à tona. Ligiane viajou em um voo que saiu de Campinas (SP) com destino a Orly, na França.
A investigação sobre os desvios na Unicamp correm no 7º Distrito Policial de Campinas. Ao g1, a Polícia Civil informou que o delegado responsável pelo caso já ouviu três suspeitos e realiza diligências na cidade. "Demais detalhes serão preservados para garantir autonomia policial", disse a instituição.
Procurada pelo g1, a Unicamp afirmou que "os fatos estão sendo objeto de apuração em Sindicância Administrativa, sendo certo que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão". A defesa da Ligiane não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Transferências para a própria conta
O g1 apurou que a Unicamp detectou, pelo menos, 220 transferências bancárias suspeitas feitas pela funcionária. Nas notas fiscais, várias justificativas, como compra, transporte e manutenção de equipamentos e desenvolvimento de softwares e sites.
A maioria das transferências, cerca de 160, foi feita para a conta da própria servidora, somando um valor de R$ 1,2 milhão. Os outros 700 mil foram transferidos para duas empresas e duas pessoas físicas também alvos da investigação da Polícia Civil.
Em maio deste ano ao g1 o advogado Rafael de Azevedo, que representa Ligiane, informou que soube do inquérito no dia 27 de maio e que sua cliente não foi notificada para apresentar versão dela.
'Notas fraudulentas'
Pelo menos 27 professores do Instituto de Biologia relataram ter detectado movimentações suspeitas em verbas de pesquisa. No caso de apenas um docente, o desvio chegou a R$ 245 mil.
Em petição à polícia, os professores afirmaram que uma investigação interna apurou que a investigada utilizou uma empresa aberta por ela "para emissão de notas fiscais fraudulentas, descrevendo serviços nunca prestados, na intenção de simular contratações para aparentar irregularidade na apropriação dos valores".
E que ainda a suspeita "apresentou recibo fraudulento referente a serviço nunca prestado, emitido em nome de terceiros, que nunca tiveram relação com os docentes". Essa parte se refere às duas empresas e às duas pessoas que também receberam verba do IB transferida por Ligiane.
Unicamp investiga desvio de verbas destinadas para pesquisa no Instituto de Biologia
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região

Por que está cada vez mais difícil para estrangeiros estudar nas universidades do Reino Unido

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar
Saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e alta inflação tornaram os custos praticamente inviáveis para alunos de fora do país. São cerca de R$ 268 mil por ano. Desde o Brexit, houve uma queda significativa no número de estudantes provenientes de países da União Europeia
Getty Images/via BBC
O Reino Unido é o segundo país com maior número de ganhadores do Prêmio Nobel — e conta com quatro das 10 melhores universidades do mundo, de acordo com o renomado ranking QS World.
As instituições de ensino superior britânicas se orgulham de dizer que, em 2023, mais de um quarto dos países do mundo — 58, em particular — eram liderados por alguém educado no Reino Unido, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 65 líderes.
A alta qualidade do ensino, a reputação acadêmica e o prestígio dos seus cursos atraem todos os anos milhares de estudantes estrangeiros que competem com estudantes locais por uma vaga— e pagam uma mensalidade muito mais alta.
📢Mas as estatísticas revelam que o país está perdendo o apelo para os estudantes. O elevado custo dos cursos foi agravado pelo Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, pela alta da inflação e pelas restrições impostas pelo governo do atual primeiro-ministro, Rishi Sunak.
As mudanças nos vistos de estudante têm restringido benefícios como as condições em que os estudantes podem continuar trabalhando após se formar ou a possibilidade de levar consigo a família.
Os estudantes que já concluíram o curso podem permanecer no Reino Unido por dois anos (três anos para aqueles com doutorado) para trabalhar com um visto de pós-graduação. Mas, neste período, eles já não podem mais solicitar visto para seus familiares dependentes.
Os dependentes incluem filhos menores de 18 anos, cônjuges ou companheiros com união estável e pais idosos que necessitam de cuidados de longo prazo.
Além disso, enquanto os estudantes britânicos de graduação pagam, no máximo, cerca de R$ 63,5 mil por ano em taxas, graças ao limite imposto pelo governo, os estrangeiros podem ter que arcar com até R$ 268 mil por ano.
Alexandra Flores terminou, em junho deste ano, a graduação em marketing de moda e jornalismo na Universidade Metropolitana de Londres
Alexandra Flores
E este é apenas o custo do curso. Também é preciso acrescentar o preço do aluguel, do transporte, da alimentação e de outras despesas que, somadas, dão quase o mesmo valor ou mais.
A peruana Alexandra Flores chegou ao Reino Unido em 2021 para estudar marketing de moda e jornalismo na Universidade Metropolitana de Londres.
"Paguei US$ 17 mil (R$ 94 mil) por ano. Não é muito para o que é ser estrangeiro aqui em Londres, mas o visto custa quase US$ 800 (R$ 4,4 mil), e depois tem as despesas inesperadas como seguro de saúde. Tive que pagar US$ 22 mil (R$ 121 mil) por isso durante três anos", disse ela à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
A oscilação na taxa de conversão cambial também pode alterar a conta final. "Existe uma ideia equivocada de que muitos estudantes internacionais só vêm para ostentar. No meu caso, não foi assim. Eu tive que trabalhar muito. Para mim, era mais fácil ir para Espanha, mas aqui era um desafio."
Controle da migração
Em janeiro, entrou em vigor uma parte importante da estratégia do governo Sunak para reduzir a imigração, ao "acabar com a prática irracional de estudantes estrangeiros trazerem seus familiares para o Reino Unido", disse, na época, o ministro do Interior, James Cleverly.
"Isso vai fazer com que a migração caia rapidamente em dezenas de milhares", acrescentou.
O governo britânico acredita que muitos imigrantes usam os vistos de estudante como uma via indireta para trabalhar no Reino Unido.
Como consequência disso, o custo dos vistos também aumentou e, desde abril de 2024, o valor padrão de um visto passou de quase US$ 800 (R$ 4,4 mil) para US$ 1,3 mil (R$ 7 mil).
Para Sara Valle, segunda à esquerda na foto, estudar e trabalhar ao mesmo tempo em Londres foi um desafio
Sara Valle
Para Lavina Chainani, cofundadora da Popyourbubble, empresa que facilita a movimentação e integração de expatriados, outro fator por trás da dificuldade de ingressar no ensino superior britânico é que está previsto uma aumento de 25% no segmento da população com 18 anos até 2030.
"Isso vai restringir bastante as vagas disponíveis para estrangeiros", avalia.
O governo também se comprometeu a revisar o valor dos fundos que os estrangeiros devem ter para comprovar que são capazes de cuidar de si mesmos; enquanto algumas universidades pedem que os estudantes cumpram um determinado número de horas, limitando a capacidade que eles têm de trabalhar e obter rendimentos que permitam financiar sua estadia.
Com o visto de estudante, os alunos estrangeiros podem trabalhar até 20 horas por semana, e em tempo integral durante as férias. Mas agora eles não podem mudar seu tipo de visto para um visto de trabalhador qualificado até completar os estudos, mesmo que recebam uma oferta de emprego.
Menos vistos concedidos
Flores aproveitava todas as férias para trabalhar em Lima, economizar bastante e voltar para Londres. Mas sua colega no curso de jornalismo, a espanhola Sara Valle, conciliava as aulas com o trabalho.
"No primeiro ano, consegui trabalhar porque o primeiro ano não é tão intenso. Você está começando, e tem trabalhos e muitas coisas para fazer, mas dá tempo para tudo. No segundo, tive que fazer malabarismo. Mas neste terceiro ano, que é o último, chegou um momento em que tive que reduzir minha jornada de trabalho e usar algumas economias", conta Valle.
Todos esses fatores fizeram com que, apesar do prestígio, o número de vistos de estudante concedidos até o fim de março de 2024 caísse 6% — e o número de alunos de pós-graduação diminuísse em cerca de um terço.
A Universidade de Oxford é uma das mais antigas do mundo
Getty Images/via BBC
A plataforma Enroly, que 1 em cada 3 estudantes estrangeiros utiliza para se candidatar a diferentes cursos, afirmou que 24 universidades britânicas registraram uma queda de 57% nas tacas de matrícula até maio, segundo o jornal Financial Times.
Simon Jones, um acadêmico com 30 anos de experiência trabalhando no Reino Unido e em mercados universitários internacionais, acredita que o governo conservador criou uma situação desfavorável para as universidades e os estudantes.
"Quando você começa a considerar como estudante universitário o idioma, as despesas, o custo de vida, que não vão permitir que você trabalhe e ganhe dinheiro enquanto estiver aqui… é normal que vejamos uma queda nas candidaturas. O mesmo acontece se, como estudante de pós-graduação, você não puder trazer dependentes com você", afirma Jones à BBC News Mundo.
"A reputação do ensino superior britânico continua forte. Mas o desejo dos estudantes de se aproximarem de um ambiente político potencialmente hostil está arruinando todas as perspectivas.
"Quem pode se dar ao luxo de viver como estudante em Londres, especialmente quando a sua capacidade de trabalhar é restrita? Pelo mesmo dinheiro, um estudante poderia ter uma experiência educacional semelhante na Austrália, permanecendo no país em um emprego qualificado e bem remunerado", acrescenta.
Para Jones, o problema neste momento é que o governo está considerando os estudantes estrangeiros como migrantes.
Às vésperas das eleições gerais, marcadas para 4 de julho, o governo conservador tenta impor ao máximo sua agenda, especialmente no que diz respeito à imigração, e chegar ao pleito com alguns números favoráveis ​​na manga.
A luta contra a imigração ilegal é uma das bandeiras do Partido Conservador no poder — e ao tomar posse como primeiro-ministro em outubro de 2022, Rishi Sunak prometeu reduzi-la drasticamente.
"É muito mais fácil medir o número de estudantes que chegam, porque eles passam com seu passaporte pelos aeroportos, do que o número de pessoas que chegam ao Reino Unido num barco inflável vindo da França. Mas entra tudo no mesmo bolo", afirma Jones.
Ele acredita que a discussão em torno "do que é um estudante, um estudante estrangeiro e um imigrante é profundamente desonesta no discurso político do país neste momento".
E o que acontece depois?
Flores concluiu a graduação em junho deste ano, e agora enfrenta o mercado de trabalho.
Como peruana com visto de estudante, ela pode permanecer no Reino Unido, mas precisa solicitar um visto de pós-graduação de dois anos, que custa cerca de R$ 6,1 mil, além da cobertura de saúde.
Além disso, ele precisa encontrar um emprego que pague a ela pelo menos R$ 270 mil por ano, salário muito difícil de conseguir para quem acabou de se formar.
Este valor faz parte do arrocho das condições imposto pelo atual governo — anteriormente era pouco mais de R$ 180 mil.
"Tenho muitos amigos estrangeiros que estudaram comigo e que infelizmente estão voltando para seus países, porque é caro, é difícil. Talvez você possa arcar com o custo do visto, mas quem vai te contratar por R$ 270 mil?", questiona.
"Me candidatei para mais de 100 empresas, e apenas cinco me responderam no total. A incerteza é enorme”, afirma.
E o mercado de trabalho no Reino Unido para menores de 25 anos tampouco atravessa seu melhor momento.
Vídeos

Como foguete movido a açúcar colocou brasileiros no pódio de campeonato mundial; entenda

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar
Grupo de competidores do projeto Júpiter, da Escola Politécnica (Poli-USP), levou a medalha de prata na categoria que exigia lançamentos com cerca de 3 mil metros de altura. 'Vencemos todos os perrengues', conta líder da equipe. Com motor movido a açúcar, foguete coloca alunos da USP no pódio de campeonato mundial
Se você não for físico ou engenheiro, provavelmente vai se surpreender com esta informação: um foguete inteirinho fabricado por nove alunos da Universidade de São Paulo (USP) usou um motor movido a açúcar e ficou em 2º lugar na maior competição estudantil do mundo neste segmento.
🚀Qual é esse campeonato? É a Spaceport America Cup 2024, realizada entre 17 e 22 de junho no Novo México (EUA). Ao todo, participaram 156 equipes de países como Canadá, México, Estados Unidos, Tailândia, Reino Unido, Turquia, Alemanha e Austrália. Havia mais um grupo brasileiro, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
🥈Em qual categoria a equipe da USP conquistou o pódio? O grupo de competidores do projeto Júpiter, da Escola Politécnica (Poli-USP), levou a medalha de prata na categoria que exigia foguetes com:
apogeu a 10 mil pés (ou seja, que conseguissem chegar bem perto de 3 mil metros de altura);
motor de fabricação própria, sem comprar partes prontas;
propelente (mistura do combustível com oxidante) sólido.
O da USP quase cravou a marca pretendida: atingiu 2.944 metros e só ficou atrás dos campeões absolutos da "Copa", da Universidade de Maryland (EUA).
🍯Como um foguete pode funcionar a partir de… açúcar? Os estrangeiros enfrentam um obstáculo nesta competição.
"A gente não pode embarcar no avião para os EUA com o combustível [na bagagem]. Precisa chegar uns dias antes do campeonato, comprar tudo e montar lá mesmo", conta ao g1 Caio Castello, líder do grupo da USP. "Mas está provado: mesmo com perrengue, conseguimos chegar lá."
Para os brasileiros, há ainda um outro desafio: o perclorato de amônio, usado pelas equipes americanas (inclusive pela vencedora), não é permitido no Brasil. Aqui no país, seria possível utilizar uma substância parecida, o nitrato de amônio. Mas aí… ele é proibido nos Estados Unidos.
Na competição, quatro grupos acabaram optando pela solução alternativa (e curiosa) de misturar nitrato de potássio (um fertilizante purificado) com sorbitol (açúcar). Os dois são misturados em um "cooktop" de indução, para não gerar grandes chamas de calor, enquanto a equipe inteira está paramentada para não se queimar (ou seja: não tente em casa!).
"O açúcar vai caramelizando e vira uma pasta branca. Aí, a gente coloca em um molde para ficar no formato certo do motor", conta Castello.
"Para o fogo acontecer, precisamos sempre de calor, combustível e oxigênio. E o nitrato de potássio, como é uma molécula de KNO3, tem 'muito oxigênio'. Dentro do motor, com pressão alta, o processo de queimar fica ainda mais forte", diz.
Alunos mostram como ficou o foguete após o lançamento (resistiu bem!)
Arquivo pessoal
🚀Qual era o tamanho do foguete? Chamado de "Pacífico", ele tem 2,57 metros de comprimento e 6 polegadas de diâmetro, e pesa 38 kg. Foi fabricado a partir de fibras de vidro (na parte externa), com tubos feitos na própria USP, módulos de alumínio, peças impressas em 3D e "muitos parafusos", diz Castello.
É claro que, antes do disparo oficial, o foguete foi testado (primeiro, em simulações no computador; depois, no "mundo real" mesmo, na USP de Pirassununga, no interior de São Paulo).
"A universidade tem cursos da área de agronomia. Marcamos antes o teste, para que tirem os bois do pasto e abram espaço para o foguete ser lançado com segurança", explica o líder do grupo.
Alunos da USP fazem últimos ajustes no foguete 'Pacífico'
Arquivo pessoal
🧮Como a pontuação é medida? São dois critérios principais:
performance de voo -> avalia o alcance (o objetivo é atingir o apogeu a exatamente 10 mil ou 30 mil pés, dependendo da categoria) e a capacidade de recuperação (se mais combustível for colocado para um 2º lançamento, o foguete ainda funcionará ou exigirá reparos?);
projeto técnico -> mede o progresso do grupo, os relatórios entregues ao longo da montagem, as decisões tomadas pelos alunos e o desempenho da equipe diante das perguntas feitas pelos juízes.
👊Quem eram os participantes do grupo? Os seguintes integrantes do projeto Júpiter levaram o prêmio: Caio Castello (líder do time) Pedro Henrique Balduci (líder de segurança), Leonardo Valente (líder de lançamento), Felipe Baptista, Felipe Fonseca, Samuel Santos, Orlando Rui Filho, Arthur Almeida e Mateus Pimenta.
🏆Qual é a premiação? Neste ano, não houve prêmio em dinheiro. Mas não importa: a sensação de vitória compensa todo o esforço de um ano de projeto, conta Castello.
"Participar da competição e da equipe entrega um conhecimento que nenhum curso de engenharia nos daria. Precisamos colocar a mão na massa de verdade. Ver o resultado final e perceber que o Brasil está mandando bem é demais."
Registro do lançamento do "Pacífico" na competição
Arquivo pessoal
Outros vídeos
Foguete de garrafa PET pode atravessar mais de 4 estádios de futebol; veja VÍDEO com teste

UnB terá 58 dias a mais de aulas após greve; calendário do segundo semestre vai até 2025

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar
Primeiro semestre termina em 21 de setembro; segundo semestre começa em outubro e termina em fevereiro de 2025. Técnicos-administrativos continuam em greve. Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro
Isa Lima/Secom UnB
A Universidade de Brasília (UnB) aprovou, na tarde desta quinta-feira (27), o novo calendário acadêmico para o primeiro e segundo semestre de 2024 (veja mais abaixo)📅. Os professores da instituição ficaram 67 dias de greve e as aulas retornaram na quarta (26).
Na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UnB, ficou decidido que os alunos terão 58 dias de reposição de aulas.
Veja como ficou calendário aprovado
📅1º semestre de 2024: termina no dia 21 de setembro
📅Férias: 22 de setembro a 13 de outubro
📅2º semestre de 2024: começa em 14 de outubro e termina em 22 de fevereiro de 2025.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp.
Em assembleia nesta quinta, os técnicos-administrativos da universidade resolveram continuar com a paralisação. Nova reunião acontece na segunda-feira (1°) (saiba mais abaixo).
Calendário
O novo calendário acadêmico foi aprovado, com 33 votos favoráveis e 4 abstenções, durante a reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UnB. Na proposta, o Decanato de Ensino de Graduação apontou que as mudanças visam atender as necessidades técnicas.
A proposta aponta ainda o cancelamento do semestre de verão de 2025.
Greve dos técnicos continua
Reunião de técnicos da UnB.
Reprodução/TV Globo
A greve dos técnico-administrativos começou no dia 11 de março. A categoria realizou uma assembleia na manhã desta quinta e decidiu dar continuidade ao ato. Uma nova assembleia será realizada na manhã de segunda-feira (1°).
No último sábado (22), professores da rede de ensino básico e técnico aceitaram a proposta do governo e decidiram suspender a greve nacional nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs). No dia seguinte, docentes das demais universidades federais também decidiram encerrar a greve.
Se as entidades assinarem o Termo de Acordo com o governo, previsto para esta quinta, a orientação do Comando Nacional de Greve (CNG) é que a nova assembleia dos técnicos decida pelo retorno unificado ao trabalho na terça-feira (2).
Aulas são retomadas na UnB
LEIA TAMBÉM:
FIM DA GREVE: Termina greve dos professores da UnB; aulas retornam em 26 de junho
PARALISAÇÃO NACIONAL: Professores de ensino básico e técnico de instituições federais aceitam proposta e anunciam suspensão de greve
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar

Suspeita de desviar verbas da Unicamp diz à polícia que está no exterior e não tem data para voltar
Investigada pediu à Polícia Civil, por meio do advogado, para ser ouvida por videoconferência no inquérito que investiga o caso. Laboratório na Unicamp
Arquivo/Antonio Scarpinetti
A ex-funcionária da Universidade de Campinas (Unicamp), Ligiane Marinho de Ávila, suspeita de ter desviado até 1,9 milhão de verbas de pesquisa destinadas pela Fapesp ao Instituto de Biologia (IB), informou à Polícia Civil que está no exterior e não tem data para voltar ao Brasil.
No Inquérito Policial (IP) que investiga Ligiane pelo crime de peculado, o advogado da ex-funcionária pediu para que o depoimento dela seja feito por videoconferência. "Está em viagem para o exterior, sem previsão até o presente momento da data de retorno", disse o defensor à polícia.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
O g1 apurou com uma fonte na Polícia Federal que a suspeita havia deixado o Brasil no dia 19 de fevereiro deste ano, um mês depois dos desvios terem vindo à tona. Ligiane viajou em um voo que saiu de Campinas (SP) com destino a Orly, na França.
A investigação sobre os desvios na Unicamp correm no 7º Distrito Policial de Campinas. Ao g1, a Polícia Civil informou que o delegado responsável pelo caso já ouviu três suspeitos e realiza diligências na cidade. "Demais detalhes serão preservados para garantir autonomia policial", disse a instituição.
Procurada pelo g1, a Unicamp afirmou que "os fatos estão sendo objeto de apuração em Sindicância Administrativa, sendo certo que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão". A defesa da Ligiane não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
R$ 1,9 milhão em desvios
Os desvios de verbas da Fapesp para pesquisa IB, revelados em janeiro deste ano, podem chegar a R$ 1,9 milhão, segundo uma apuração interna da universidade. Ligiane foi demitida em dezembro de 2023 e, desde fevereiro deste ano, é investigada pela Polícia Civil.
O g1 apurou que a Unicamp detectou cerca de 220 transferências bancárias suspeitas feitas pela servidora. Ela era a responsável por cuidar da parte de pagamento dos recursos obtidos com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) pelos pesquisadores do IB.
Em maio deste ano ao g1 o advogado Rafael de Azevedo, que representa Ligiane, informou que soube do inquérito no dia 27 de maio e que sua cliente não foi notificada para apresentar versão dela.
Transferências para a própria conta
A maioria das transferências, cerca de 160, foi feita para a conta da própria servidora, somando um valor de R$ 1,2 milhão. Os outros 700 mil foram transferidos para duas empresas e duas pessoas físicas também alvos da investigação da Polícia Civil.
Nas notas fiscais, várias justificativas, como compra, transporte e manutenção de equipamentos e desenvolvimento de softwares e sites.
'Notas fraudulentas'
Pelo menos 27 professores do Instituto de Biologia relataram ter detectado movimentações suspeitas em verbas de pesquisa. No caso de apenas um docente, o desvio chegou a R$ 245 mil.
Em petição à polícia, os professores afirmaram que uma investigação interna apurou que a investigada utilizou uma empresa aberta por ela "para emissão de notas fiscais fraudulentas, descrevendo serviços nunca prestados, na intenção de simular contratações para aparentar irregularidade na apropriação dos valores".
E que ainda a suspeita "apresentou recibo fraudulento referente a serviço nunca prestado, emitido em nome de terceiros, que nunca tiveram relação com os docentes". Essa parte se refere às duas empresas e às duas pessoas que também receberam verba do IB transferida por Ligiane.
Unicamp investiga desvio de verbas destinadas para pesquisa no Instituto de Biologia
Verbas da Fapesp
A apuração sobre desvios de verbas iniciou na Unicamp em dezembro de 2023. Recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) destinados a 27 pesquisadores que atuam no instituto podem ter sido afetados.
A funcionária foi demitida durante a apuração da universidade pelos seguintes motivos:
Segundo a diretoria do instituto, Ligiane possuía uma empresa de prestação de serviços desde 2018 e, por isso, foi demitida por justa causa em 18 de janeiro deste ano;
A funcionária incluía notas fiscais da própria empresa e de duas outras, além de recibos forjados, nas prestações de contas dos docentes;
Além disso, a funcionária fazia transferência de valores para a própria conta.
O que diz a Fapesp?
Em nota enviada ao g1 à época, a Fapesp declarou que, caso eventuais irregularidades nas prestações de contas sejam verificadas, cobrará dos pesquisadores a devolução dos recursos. Além disso, a fundação afirmou que vai acompanhar as providências legais que estão sendo tomadas.
👇 Leia a nota da Fapesp na íntegra:
"1) No ano passado, a auditoria da FAPESP detectou possíveis irregularidades num processo de prestação de contas de um pesquisador e, ao fazer pedidos de esclarecimentos, chamou atenção deste e dos outros pesquisadores para o que, posteriormente, foi identificado como um problema pela direção do IB-Unicamp. A FAPESP segue analisando as prestações de contas já realizadas por parte dos pesquisadores em questão.
2) As providências que incumbem à FAPESP consistem em apontar aos pesquisadores possíveis irregularidades nas prestações de contas. Caso eventuais irregularidades se comprovem e não sejam sanadas, a FAPESP cobrará dos pesquisadores a devolução dos recursos. Ao mesmo tempo, a FAPESP vai acompanhar as providências legais que os pesquisadores e a instituição de pesquisa à qual estão vinculados estão tomando, enquanto vítimas do apontado crime.
3) Todos os pesquisadores que recebem recursos da FAPESP devem prestar contas, segundo regras estritas constantes das normas da FAPESP. Cabe aos pesquisadores fazer a gestão financeira dos recursos que recebem e prestar contas à FAPESP sobre o uso dos recursos e sobre os resultados das pesquisas. Os pesquisadores, para executar os projetos de pesquisa, podem contar com apoio administrativo das instituições de pesquisa à qual estão vinculados, inclusive, como no caso, fundação de apoio da instituição de pesquisa. Se a instituição de pesquisa, ou sua fundação de apoio, por meio de seus servidores ou empregados, descumprem seus compromissos em relação ao combinado com os pesquisadores, naturalmente surge uma relação de responsabilidade dessas instituições para com o pesquisador".
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no g1 Campinas