Educar é possibilitar o sonhar: conheça a história de quem teve sua vida transformada com uma educação de qualidade

Greve dos técnicos da UnB chega ao fim; trabalho foi retomado nesta terça-feira (2)
Camila Santos, Daniel Fragoso e Daniele dos Reis contam sua trajetória após passar pela Fundação Bradesco Fundação Bradesco – Movimento LED
Marco Flávio
Imagine ter que percorrer mais de 50 quilômetros por dia para chegar à escola mais próxima, ou viver em um local com pouca infraestrutura básica, tecnológica e de educação. A realidade é que hoje poucos têm acesso a uma educação de qualidade e acessível, principalmente em locais mais afastados do país. O acesso à educação de qualidade, principalmente nos locais de reconhecida vulnerabilidade social, ainda não é uma realidade para todos.
As histórias de Camila Santos, Daniel Fragoso e Daniele dos Reis trazem luz a essas diferentes realidades e o quanto uma educação de qualidade pode mudar uma vida e permitir sonhar, muitas vezes, inclusive, com possibilidades que antes nunca foram vislumbradas. Camila hoje vive no Canadá após passar pelo Banco Bradesco e por uma consultoria estratégica de grande porte no país. Daniel é pesquisador da Embrapa. E Daniela decidiu continuar na Fundação, atualmente como professora. Em comum, todos passaram parte de suas vidas na Fundação Bradesco e tiveram pais que entendiam que educação é o bem mais importante na vida de uma pessoa.
Só a educação transforma
O pai de Daniele dos Reis era caminhoneiro e, consciente de que só a educação transforma, foi ele quem enfrentou filas, debaixo de sol, para superar todas as etapas de seleção e garantir uma vaga para ela na Fundação Bradesco.
“Para alguém que, como eu, era de escola pública, foi um choque grande, pois tudo na Fundação Bradesco era muito diferente. Meus professores me incentivaram muito a ir além, a estudar bastante e sempre me orientaram muito. Eles foram mestres incríveis e isso teve um impacto muito positivo na minha vida”, conta Daniele, que entrou em 1994 na primeira turma da Fundação na unidade de Marília (SP) e hoje é professora na escola.
“Meu pai sempre falava que precisávamos ter conhecimento, que era a única coisa que ninguém nunca poderia tirar da gente. E ele sabia que estudar aqui nos ajudaria. Hoje, não consigo pensar em minha trajetória sem a presença da educação”, completa.
Assim como Daniele, Camila Santos também entrou na Fundação Bradesco ainda criança, e permaneceu até concluir o Ensino Médio na unidade de Osasco (SP), algo comum para os alunos da instituição, que são acompanhados durante toda a jornada de treze ano da Educação Básica. Nesse período, os alunos, além de ensino de qualidade, têm acesso a benefícios que contribuem em sua trilha de aprendizado, como material didático, uniforme escolar, acompanhamento médico-odontológico e apoio socioemocional.
“Minha mãe é manicure, foi mãe solteira e não teve oportunidade de estudar. Ela sempre me disse que, como não teria condições de me deixar nenhuma herança ou bens materiais, queria que eu tivesse uma boa educação”, lembra Camila. “Estar na Fundação Bradesco fez toda a diferença. Por meio da educação consegui conquistar tudo o que tenho. Consegui ingressar no mercado de trabalho e construir toda a minha jornada.”
Camila recorda que ao entrar no Ensino Médio, já queria muito trabalhar e, na época, alguns alunos tiveram a oportunidade de ingressar em um programa de estágio do Banco Bradesco. “Aquela possibilidade era incrível por tudo o que significava, principalmente do ponto de vista de melhoria financeira.”
Apesar de não passar na primeira oportunidade no processo seletivo, Camila conseguiu a tão sonhada vaga tempos depois. “Fiquei cinco anos trabalhando no banco, terminei o colegial e ingressei no curso de Administração da PUC por meio de financiamento estudantil. Durante minha passagem no Banco Bradesco, conheci uma consultoria que era prestadora de serviços na época e lá vislumbrei minha carreira. Consegui fazer um intercâmbio profissional e foi por causa dessa oportunidade que passei a morar no Canadá onde moro até hoje”, conta Camila.
“A Fundação me ajudou a me preparar para as oportunidades que apareceram na minha vida, desde o ingresso no mercado de trabalho e no ensino superior. Claro que houve também uma vontade pessoal de ir atrás, de se dedicar e de tentar até conseguir, mas esses meus valores foram reforçados por tudo o que aprendi na Fundação Bradesco”, afirma.
“Uma coisa que eu vou levar para sempre é que não foi só a minha história que a Fundação Bradesco transformou. Quantos alunos já não passaram por ela nesses quase 70 anos? O trabalho que a Fundação faz é muito bonito e transformador”, diz Camila. Anualmente são mais de 42 mil alunos, nas 40 escolas próprias da Fundação Bradesco, nos 26 estados brasileiros e Distrito Federal.
Do técnico ao pesquisador
Daniel Fragoso teve sua trajetória na Fundação Bradesco um pouco diferente de Camila e Daniele, mas ainda assim transformada como tantos outros jovens que passaram por lá.
“Sou de origem humilde, minha infância toda foi na Ilha do Bananal, no Tocantins, minha mãe ficou viúva muito cedo e com nove filhos para criar. Consegui minha vaga no Ensino Técnico e pude realizar meu sonho de estudar na Fundação Bradesco”, conta Daniel.
O sonho de Daniel vinha de um histórico de referência da unidade Canuanã da Fundação Bradesco, localizada às margens do Rio Javaés, no Tocantins, que, assim como a escola de Bodoquena, no pantanal do Estado de Mato Grosso do Sul, possui um modelo único no Brasil. As duas são escolas-fazenda que funcionam como internato e são os lares dos alunos durante a maior parte do ano. Além das moradias, alimentação, acompanhamento médico-odontológico e suporte socioemocional, os pequenos moradores dispõem de atividades extracurriculares como natação, aulas de música, dança e esportes.
Além do currículo escolar da Educação Básica, as escolas-fazenda oferecem atividades práticas relacionadas à agricultura sustentável, criação de animais, conservação ambiental e gestão de recursos naturais, formando alguns dos profissionais mais qualificados do país em agropecuária.
“Os alunos entravam nas séries iniciais do ensino fundamental e saiam com o certificado profissional de técnico em agropecuária, e na maioria dos casos já com propostas de trabalho. Entres os ex-alunos hoje temos cientistas, professores universitários, juízes, empresários e outros excelentes profissionais. Todos beneficiados pela visão de um homem que acreditava na educação como um instrumento de transformação de pessoas.”
Daniel se refere à Amador Aguiar, fundador da Fundação Bradesco, que se comprometeu em contribuir positivamente para o desenvolvimento da sociedade brasileira proporcionando o que lhe faltou durante a infância: o acesso a uma educação de qualidade. Aguiar estudou até o antigo quarto ano no ensino primário, quando precisou interromper os estudos e trabalhar para ajudar sua família.
“Tudo nessa experiência e vivência na escola foi marcante na minha vida, e certamente, na vida dos outros alunos que estudaram em Canuanã. A qualidade da formação é notável principalmente por causa da oferta de trabalho para quem se forma lá. Eu terminei o curso e tive que escolher logo de cara entre duas ofertas de trabalho”, conta.
Depois da Fundação Bradesco, Daniel decidiu ingressar no ensino superior. Desde então, não parou de estudar e transformar sua realidade. Fez mestrado, doutorado e ainda teve oportunidade de ser pesquisador na Universidade do Tocantins e de ser Cientista Visitante na Kansas State University. Hoje é pesquisador da Embrapa, casado, com dois filhos e um incentivador da educação. “Como pai, valorizo e procuro proporcionar uma educação de qualidade, um dos bens mais valiosos que posso deixar de legado a eles”, finaliza

‘Qualquer tipo de mãe é capaz de abandonar seus filhos. É uma questão de circunstância’

Greve dos técnicos da UnB chega ao fim; trabalho foi retomado nesta terça-feira (2)
Escritora espanhola conta no livro 'As Abandonadoras' a história de mulheres, famosas e anônimas, para tentar entender as motivações que as levaram a deixar seus filhos. A jornalista e escritora catalã Begoña Gómez, em uma livraria em São Paulo
Lúcio Telles/BBC
No século passado, a educadora Maria Montessori criou um método revolucionário de ensino para crianças pobres na Itália que hoje está atrelado a móveis e escolas caras para as classes mais abastadas.
Em 2007, a escritora Doris Lessing ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, aos 87 anos, consagrando-se como a escritora mais velha a receber o mais prestigiado prêmio da literatura mundial.
Ao longo de sua carreira, a atriz Ingrid Bergman recebeu quatro Oscar por suas atuações.
➡️O que essas três mulheres têm em comum, além do sucesso profissional, é a ausência dos filhos. Ao menos ao lado delas, já que as três pariram, e, igualmente, deixaram as proles para trás.
"Que tipo de mãe abandona seu filho?". A pergunta foi o que motivou a jornalista e escritora catalã Begoña Gómez Urzaiz a escrever o livro As Abandonadoras (Zahar), lançado recentemente no Brasil.
Para tentar responder ao seu questionamento, a própria autora, mãe de duas crianças, teve que cometer “microabandonos” como ela mesma classifica sua ausência nos fins de semana e outros momentos com a família.
“A primeira coisa que meus filhos aprenderam foi a puxar o cabo de alimentação do meu Mac”, contou ela à BBC News Brasil em uma rápida passagem pelo Brasil em junho. “Para eles, meu computador era um inimigo”.
Para escrever seu livro — longe dos filhos — Begoña fez uma pesquisa profunda pelas histórias dessas famosas mulheres e suas motivações.
“Percebi que na minha cabeça já havia uma espécie de lista de mulheres abandonadoras, com as quais eu me sentia desconfortável”, conta ela. “Foi então que comecei a me questionar por que isso me incomodava tanto”.
A partir de então, ela tenta responder à própria pergunta jogando luz sobre uma parte da história dessas mulheres que, normalmente, não costuma ser revelada.
“Eu conto sobre a vida dessas mulheres por meio de suas maternidades e o que isso significou para elas”, afirma. “E normalmente não estamos acostumados a contar sobre essas vidas assim, ainda mais sobre mulheres que fizeram coisas importantes”.
🎬No filme Que horas ela volta? (2015), a diretora Anna Muylaert conta a história de Val (Regina Casé), uma pernambucana que vai para São Paulo para trabalhar em uma casa de família com o intuito de proporcionar melhores condições de vida para a filha Jéssica, que fica em Pernambuco.
Passado um tempo, Jéssica pede para ir morar com a mãe e a trama fica mais intensa. A relação da empregada com os filhos da patroa, a crítica social ao tratamento corriqueiro dado a funcionários domésticos como se fossem “da família” estão presentes no filme, cujo título em inglês é The second mother (A segunda mãe).
Durante sua pesquisa, Begoña encontrou casos parecidos com o da personagem vivida por Regina Casé. Especialmente de mulheres latinas que foram para a Europa em busca de trabalho, que, em muitos casos, consistia em cuidar dos filhos de outras mulheres.
Por isso, o livro de Begoña não se debruça somente sobre histórias de mulheres famosas, que deixam seus filhos em busca de uma carreira de sucesso. Há uma nuance econômica e social quando se fala em abandono materno e esse tema também é delicadamente tratado em As Abandonadoras.
Ela conta que quando passou a buscar mães anônimas e suas histórias, teve que tocar, obrigatoriamente, no tema da migração. Há um capítulo somente sobre essas histórias, de mães que mudaram de país, sozinhas, em busca de melhores oportunidades. “99% dessas mulheres abandonaram seus filhos por falta de dinheiro e oportunidades em seus países de origem”, conta a escritora.
'DNA do abandono'
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê direito da mulher entregar bebê para a adoção, preservando sua identidade
Getty Images/via BBC
Até mais ou menos a metade do século passado, para abandonar uma criança era necessário apenas um recurso: um cilindro giratório de madeira, normalmente instalado nas portas de instituições como as Santas Casas.
A roda dos expostos, ou dos enjeitados, foi uma prática iniciada na Idade Média e que atravessou séculos e continentes.
Recentemente, a Europa fez ressurgir o mecanismo, mas com uma nova roupagem. Os bebês são deixados em uma escotilha chamada “Babywiege” (berço, em português). O local é seguro e com uma temperatura ideal para os bebês.
No Brasil, a questão passou a ser tratada de forma mais humana a partir da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê o direito da mulher realizar a entrega do bebê para a adoção, preservando sua identidade.
A psicóloga Carolina Santos Soejima realizou um estudo com algumas dessas mulheres para saber se havia histórico comum na dinâmica familiar durante a infância delas.
A pesquisa foi realizada para a sua tese de mestrado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2004, intitulada "o que leva uma mãe a abandonar um filho?". Para tentar responder a essa pergunta, ela conseguiu reunir uma amostra de 21 mulheres que entregaram bebês para a adoção. Cada uma delas indicou outra mulher, do mesmo círculo social, com filhos, para que pudesse ser feito um comparativo.
A pesquisadora avaliou então a qualidade das interações familiares a partir de indicativos como envolvimento dos pais na infância, regras, comunicação, clima conjugal, punições, dentre outros.
"A conclusão foi que havia diferença na qualidade da interação familiar entre esses dois grupos", conta a psicóloga. As mulheres que, independentemente da razão, entregaram os bebês para a adoção não vivenciaram "relações afetivas, envolvimento parental e não receberam reforços positivos, influenciando diretamente em sua auto-estima e afeto", diz o estudo de Carolina.
Com todas essas nuances, a pergunta feita pela psicóloga, muito parecida com a que Begoña fez a si mesma para escrever o livro, não tem uma resposta simples. Para Carolina, são comportamentos que se repetem.
Para Begoña, são circunstâncias.
“Qualquer tipo de mãe é capaz de abandonar seus filhos nas circunstâncias que a levam a fazê-lo”, diz. “Não há um gene, não há um DNA de uma mulher abandonadora. O que existem são circunstâncias”.
➡️Enquanto o abandono materno é tema de teses acadêmicas, livros, filmes e toda a sorte de conteúdo, o mesmo não ocorre quando se trata do pai, cuja ausência sempre foi naturalizada.
Pablo Neruda, como lembra a escritora no início do livro, abandonou sua única filha, Malva Marina, aos dois anos. A menina tinha hidrocefalia, uma doença congênita, e ficou aos cuidados da mãe até falecer, aos oito anos.
O poeta chileno ignorou pedidos de ajuda, inclusive financeira, da ex-mulher e mãe da menina, Maria Antonieta Hagenaar.
No Brasil, somente no ano passado, 172 mil crianças foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento.
“A lista é infinita”, diz a escritora sobre os pais que abandonam seus filhos. “Até porque não sabemos sobre aqueles pais que não vão embora, mas que não praticam uma paternidade responsável”. Para os pais, é possível ser ausente mesmo sem que haja o abandono físico, uma opção que só cabe a mulheres mais abastadas, defende a autora.
“Para uma mulher, é impossível desistir [da maternidade] estando presente”, afirma. “A não ser que você seja muito rica e tenha muitos empregados”, diz ela. "Mas, neste caso, também não há um desejo ou um tabu de ter que fugir para poder ser [alguém], porque elas já poderiam ser, graças a essa rede de apoio paga”.
Qual é o custo de ser mãe?
Pesquisadora diz que estudo indicou desigualdade entre mulheres casadas e mães solo
Getty Images/via BBC
O livro de Begoña toca bastante nos custos emocionais, tanto de permanecer, quanto de abandonar um filho.
Mas a maternidade tem outros custos. Alguns, inclusive, mais palpáveis.
Em maio deste ano, as pesquisadoras do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da USP, Amanda Resende, Tainari Taioka, Clara Saliba e Luiza Nassif tentaram calcular o custo de ser mãe no Brasil. Para isso, elas traçaram alguns perfis, com base nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2022, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“O que mais nos chamou a atenção foi a desigualdade entre mulheres casadas e mães solo”, afirmou Amanda Resende. “Existe um diferencial significativo de pobreza e de tempo entre elas”. Ela explica que mães solo muitas vezes deixam o trabalho porque os custos de terceirizar os serviços de cuidado doméstico não compensam.
“Já as mulheres casadas escolhem continuar no mercado quando elas têm uma renda alta suficiente”, explica Amanda. “No caso de mães com filhos com até dois anos de idade, mulheres casadas chegam a ganhar até o dobro em relação às mães solo”.
De acordo com ela, conforme a criança vai crescendo, essa diferença vai diminuindo. “O que nos faz pensar que existe um custo da maternidade, especialmente para as mães solo”.
Na pesquisa, o recorte racial também ficou evidente: a maior parcela de famílias monoparentais são negras. “E mães solo negras são as que mais se aproximam da linha da pobreza. Isso em qualquer idade dos filhos”, diz a pesquisadora.
Vídeos

O que é ‘woke’ e por que o termo gera uma batalha cultural e política nos EUA

Greve dos técnicos da UnB chega ao fim; trabalho foi retomado nesta terça-feira (2)
Ser ou ser 'woke' é considerado um distintivo de honra para grande parte da população americana, e um insulto para a outra.
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"Acordei."
Este é o significado literal da palavra woke, passado do verbo wake, que significa "acordar, despertar".
Mas, recentemente, o termo ganhou significados bem mais amplos. Na gíria norte-americana, ser ou estar woke pode indicar com quais posturas políticas você se mais se identifica.
O uso de woke surgiu na comunidade afro-americana. Originalmente, ele queria dizer "estar alerta para a injustiça racial".
"Muitas pessoas acreditam que quem o cunhou foi (o romancista) William Melvin Kelley (1937-2017)", afirma Elijah Watson, editor de notícias e cultura do website de música norte-americana Okayplayer e autor de uma série de artigos sobre a origem do termo woke.
Em 1962, Kelley publicou um artigo no jornal The New York Times com o título If You're Woke, You Dig it ("Se você estiver acordado, entenderá", em tradução livre), segundo Watson.
O termo ressurgiu na última década com o movimento Black Lives Matter, criado para denunciar a brutalidade policial contra as pessoas afrodescendentes. Mas, desta vez, seu uso se espalhou para além da comunidade negra e passou a ser empregado com significado mais amplo.
Até que, em 2017, o dicionário inglês Oxford acrescentou este novo significado de woke, definido como: "estar consciente sobre temas sociais e políticos, especialmente o racismo".
Parece algo positivo, certo? Mas isso depende da pessoa a quem se faz essa pergunta.
O direito ao voto é uma das causas emblemáticas dos ativistas woke.
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Assim como algumas pessoas se autodefinem com muito orgulho como alguém woke, ou atento contra a discriminação e a injustiça, outros utilizam o termo como insulto.
O próprio dicionário Oxford faz esta distinção. Após a definição, ele acrescenta: "esta palavra é frequentemente empregada com desaprovação por pessoas que pensam que outros se incomodam muito facilmente com estes assuntos, ou falam demais sobre eles, sem promover nenhuma mudança".
Segundo o dicionário americano Merriam-Webster, o termo é usado com desaprovação para referir-se a alguém politicamente liberal (em temas como justiça racial e social), especialmente de forma considerada insensata ou extremista.
Ou seja, para algumas pessoas, ser woke é ter consciência social e racial, questionando paradigmas e normas opressores historicamente impostos pela sociedade. Já para outros, o termo descreve hipócritas que acreditam que são moralmente superiores e querem impor suas ideias progressistas sobre os demais.
Os críticos da cultura woke questionam principalmente os métodos coercitivos adotados por pessoas que eles acusam ser "policiais da linguagem" — sobretudo em expressões e ideias consideradas misóginas, homofóbicas ou racistas.
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Um método que vem gerando muito mal estar é o "cancelamento": o boicote social e profissional, normalmente realizado por meio das redes sociais, contra indivíduos que cometeram ou disseram algo que, para eles, é intolerável.
Para as pessoas woke, trata-se de uma forma de protesto não violento que permite empoderar grupos historicamente marginalizados da sociedade e corrigir comportamentos, especialmente nos setores mais privilegiados que, até agora, eram parte do status quo e persistiam sem punição, nem mudança.
Mas os críticos afirmam que o cancelamento é a correção política levada ao extremo e que ele atenta contra a liberdade de expressão e "os valores tradicionais norte-americanos".
Batalha política
O ex-presidente americano Donald Trump é o maior crítico da cultura 'woke', que ele associa ao atual mandatário, Joe Biden.
Reuters
O que começou como um choque cultural foi se transformando em um enfrentamento político.
O termo woke tornou-se sinônimo de políticas liberais ou de esquerda, que defendem temas como igualdade racial e social, feminismo, o movimento LGBTQIA+, o uso de pronomes de gênero neutro, o multiculturalismo, a vacinação, o ativismo ecológico e o direito ao aborto.
São políticas associadas, nos Estados Unidos, ao Partido Democrata do presidente Joe Biden e à ala mais liberal, que inclui políticos americanos como os congressistas Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez.
Por outro lado, a ala mais extrema do Partido Republicano, liderada pelo ex-presidente americano Donald Trump, acredita que essas políticas representam não só uma ameaça aos "valores da família", mas também à própria democracia, que se pretenderia "substituir por uma tirania woke".
Em 2020, um dos eixos centrais da campanha para a reeleição de Trump — na qual foi derrotado por Biden — foi combater os chamados woke lefties ("esquerdistas despertos") que, segundo ele, praticam o "fascismo da extrema esquerda".
O então presidente afirmou que a "cultura do cancelamento" estava "expulsando as pessoas dos seus trabalhos, envergonhando os dissidentes e exigindo a total submissão de qualquer pessoa que não esteja de acordo".
"É a própria definição de totalitarismo", acusou o líder republicano.
Trump, que vai enfrentar Biden nas urnas novamente em 2024, também falou na pré-campanha deste ano sobre os woke.
No fim de maio, ele criticou o governador da Flórida, o também republicano Ron DeSantis, por não conseguir evitar que a Disney se tornasse woke. No início de junho, disse em uma entrevista que quer expulsar generais e militares woke.
Trump falou sobre a 'cultura woke' na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês) de 2022.
GETTY IMAGES via BBC
Já para os democratas, o autoritário é Trump, algo que, segundo eles, ficou demonstrado quando ele se recusou a deixar o poder após sua derrota eleitoral e seus simpatizantes invadiram o Capitólio.
DeSantis, que chegou a concorrer nas primárias republicanas para a eleição presidencial de 2024 mas recuou, também tem sido um crítico vocal ao movimento woke.
Ele propôs no fim de 2021 uma lei chamada de Stop-Woke (algo com "Parem os woke"), que agora é alvo de uma disputa judicial. A lei, entre outras mudanças, regula como o conteúdo sobre raça e gênero pode ser apresentado nas escolas da Flórida.
Em vários discursos, o governador já afirmou que "woke é a nova religião da esquerda".
Neste contexto, alguns democratas — especialmente os mais moderados — alertaram que o chamado "wokeísmo" está prejudicando seu partido, fornecendo armas para que os republicanos os ataquem.
"O woke é um problema e todos (do Partido Democrata) sabem disso", afirmou o consultor político democrata James Carville, que liderou a vitoriosa campanha presidencial de Bill Clinton nos anos 1990, ao site Vox.
Para Carville, o problema são algumas das propostas mais extremistas que excluem os setores conservadores da sociedade e são usadas pelos trumpistas para assustar o eleitorado.
Como exemplo, ele mencionou a iniciativa para "retirar o financiamento da polícia" e usar esses fundos para programas de ajuda comunitária. Essa ideia surgiu após o assassinato de George Floyd em 2020 e procura pôr fim ao chamado "racismo sistêmico nas forças de segurança".
Embora muitos democratas, incluindo o presidente Biden, tenham se manifestado contra essa ideia, alguns a apoiaram, o que fez com que diversos candidatos republicanos associassem todo o partido à proposta, que é impopular entre grande parte da população.
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Obama e AOC
A cultura woke também já gerou críticas internas na liderança do Partido Democrata. E um dos seus detratores mais famosos e ativos é o ex-presidente Barack Obama.
Em 2019, às vésperas da escolha de Joe Biden como o candidato democrata para as eleições presidenciais do ano seguinte, Obama criticou que especialmente os mais jovens estivessem se concentrando em verificar o grau de wokeness de cada pessoa.
Ele se manifestou depois que diversos pré-candidatos democratas foram forçados a pedir desculpas em público por declarações feitas no passado.
O ex-presidente americano Barack Obama: 'Se tudo o que você faz é atirar pedras, provavelmente não irá muito longe'.
EPA-EFE
"Tenho a sensação de que alguns jovens nas redes sociais acreditam que a forma de gerar mudanças é julgar as outras pessoas o máximo possível", afirmou o ex-presidente durante um encontro anual da Fundação Obama.
"Se eu posto um tuíte ou publico uma hashtag sobre como você não fez algo direito ou usou o verbo incorreto, posso sentar-me e me sentir muito bem comigo mesmo: 'Viu como fui woke? Peguei você!'", afirmou Obama.
"Chega! Se tudo o que você faz é atirar pedras, provavelmente não irá muito longe", acrescentou ele.
"O mundo é desordenado. Existem ambiguidades. As pessoas que fazem coisas muito boas têm defeitos."
Mas uma das parlamentares mais jovens da Câmara dos Representantes, a carismática democrata Alexandria Ocasio-Cortez, saiu em defesa do "wokeísmo".
AOC, como é conhecida, destacou que, se o partido se sair mal nas próximas eleições, terá sido porque o Congresso não conseguiu aprovar leis sobre o direito ao voto, uma das causas emblemáticas dos ativistas woke.
Os democratas mais jovens, como a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, são os que mais alimentam a chamada cultura 'woke'.
EPA
"Woke é um termo que os especialistas vêm usando como eufemismo pejorativo de direitos civis e justiça", publicou ela na sua conta no Twitter em novembro de 2021.
"Inventar um problema woke tem como resultado colocar em segundo plano os direitos civis e de voto", alerta AOC.
Em março de 2023, a parlamentar voltou a reclamar do uso político do termo pela oposição na Câmara.
"Estamos tendo uma sessão nesse momento, e ela é sobre o quê? Sobre o governo federal ser woke demais? Não há uma definição sobre o que é woke", afirmou, reclamando que projetos sobre trabalho remoto para funcionários federais e pessoas com deficiência estivessem sendo classificados como agenda woke.
'Capitalismo woke'
Os debates sobre o "wokeísmo" não dominam apenas a agenda política e cultural americana. Eles também ingressaram no mundo empresarial.
Algumas empresas passaram a ser atacadas ao adotarem mudanças que são interpretadas — para o bem ou para o mal — como woke.
Um caso conhecido é o da Gillette, que gerou polêmica em 2019 com uma publicidade chamada "o melhor que os homens podem ser", criticando comportamentos masculinos tóxicos, como o bullying, o assédio sexual e o sexismo.
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O anúncio foi aplaudido por muitos, mas também chegou a tornar-se um dos vídeos mais reprovados do YouTube, provocando um boicote contra a fabricante de lâminas de barbear.
O golpe econômico sofrido pela dona da empresa, a Procter & Gamble, levou à criação de um meme que se popularizou entre a direita: "Get woke, go broke" ("vire woke, vá à falência").
Nos últimos tempos, a empresa que recebeu mais elogios e críticas por ser considerada woke é a Disney, como mostra a declaração recente de Trump.
Em abril de 2022, o governador DeSantis assinou uma lei para retirar o status legal especial da Walt Disney Company, que retira o status especial da empresa no Estado da Flórida.
E legisladores republicanos ameaçaram não prorrogar os direitos autorais da Disney sobre o seu principal personagem, Mickey, que vence em 2024.
Tudo isso se deu em represália à oposição dos executivos da empresa a uma lei que proíbe aulas sobre sexualidade, orientação sexual e diversidade de gênero nas escolas primárias da Flórida, apelidada pelos críticos de lei "Não Diga Gay".
Pressionada pelos funcionários que protestaram e deflagraram greve frente ao silêncio inicial da empresa, a Disney publicou um comunicado contrário a essa norma.
"Nossos funcionários veem o poder desta grande empresa como uma oportunidade de fazer o bem. Estou de acordo", disse, na época, o diretor-executivo (CEO) da Disney, Bob Chapek.
A empresa também foi acusada por alguns setores conservadores de "fazer ativismo woke", quando escolheu uma atriz negra como protagonista da nova versão do clássico A Pequena Sereia.
No desenho original, a personagem Ariel (baseada no conto de fadas de Hans Christian Andersen) é retratada como uma sereia de pele branca e olhos azuis (Ariel é ruiva nas duas versões).
Por outro lado, a escolha de uma atriz de pele escura foi elogiada por muitas vozes que não só se sentiram representadas, mas também consideram que, como as sereias são personagens mitológicos, elas podem ter qualquer cor de pele.
DeSantis e outros republicanos também criticaram as empresas que priorizam os investimentos com impacto ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês), classificando-as como "capitalismo woke".
A Disney é uma das principais empresas acusadas de ser woke.
GETTY IMAGES via BBC
Em julho de 2022, o governador da Flórida afirmou que os investimentos ESG — que costumam priorizar temas como mudanças climáticas ou a diversidade — "ameaçam a vitalidade da economia norte-americana e a liberdade econômica dos americanos, ao indicar indivíduos e indústrias desfavorecidas para promover uma agenda ideológica woke".
Segundo o site MarketWatch, se os republicanos assumirem o controle do Congresso nestas eleições, "é provável que eles combatam o capitalismo woke".
"Os investidores devem esperar desaprovação significativa dos republicanos contra as políticas ESG, tanto as determinadas pelos órgãos governamentais de controle, quanto as impostas pelo próprio setor privado", adverte o analista Brian Gardner, da consultoria financeira americana Stifel.
*Esta reportagem foi publicada originalmente em 8 de novembro de 2022 e republicada em junho de 2024 com atualizações.
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Crase é ‘lésbica e monogâmica’? Entenda vídeo viral sobre regra de português

Em brincadeira no TikTok, professor usa brincadeira para ensinar que não há crase antes de palavras femininas, por exemplo. Mas, atenção: há exceções! 'A crase é lésbica e monogâmica', brinca professor de português
"A crase só gosta de menina, e de uma menina de cada vez. É lésbica e monogâmica", afirma o professor Maurício da Silva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em um vídeo bem-humorado que viralizou no TikTok (assista acima).
✏️Ele menciona a brincadeira para ajudar os brasileiros em uma missão que normalmente os tortura desde os tempos de escola: entender quando devemos usar o acento grave em textos escritos.
🤔A dica que o docente dá realmente funciona? Depende. Ela pode ajudar bastante em casos gerais (a técnica de humanizar a crase é boa, convenhamos), mas não serve para todas as situações. A monogamia, especialmente, vira um "relacionamento aberto" em exceções da língua portuguesa.
Entenda mais abaixo.
🔴Vamos, primeiro, a uma explicação geral: o que é crase?
Em termos mais técnicos, ela é a junção da preposição "a" (como em "vou a algum lugar") e do artigo "a" ("a praia é bonita"). Quando essa dupla se aproxima, forma o famoso "à".
Exemplo: "Vou à (a + a) praia bonita que você me recomendou outro dia".
🌈💍Quais são as regras gerais para utilizar a crase? Ela é 'lésbica e monogâmica'?
1- 🌈Lésbica? Aqui, entra a brincadeira do professor Maurício. O acento grave só pode ser usado, em geral, antes de palavras femininas (já que, antes das masculinas, o artigo "a" não existe). A duplinha "a + a" fica sem uma de suas integrantes, e a crase deixa de ser usada.
Exemplo: Eu vou à praia (praia é feminino, tem crase). E vou ao hotel em seguida (hotel é masculino, não tem crase).
Por isso que o tiktoker brinca que a crase é lésbica: "ela só gosta de meninas", diz.
➡️Exceções ao "lesbianismo": Em alguns casos pontuais, a crase dá uma olhadinha para os meninos, sim. Como em:
"Ele está com um tanquinho à Cauã Reymond." A crase é usada porque um termo no feminino ("à moda de") está implícito. Seria um "Ele está com um tanquinho (à moda de) Cauã Reymond".
2- 💍Monogâmica? A outra parte da piada está aqui: só usamos o "à" antes de palavras no singular. "A crase só gosta de uma menina por vez", afirma Maurício.
Exemplo: Eu irei à aula amanhã (aula está no singular).
➡️Exceções à "monogamia":
a) Se, em vez de usarmos "à", escolhermos "às", vai haver crase antes de plural, sim.
Exemplo: "Vou às aulas de matemática amanhã." "Abri uma exceção às regras combinadas no início do ano."
2- Em locuções formadas por substantivos femininos no plural, também haverá crase.
Exemplos: "Às vezes, gosto de comer um sanduíche." "Ela o traiu às claras!"
Outra regra ensinada no vídeo: antes de pronomes de tratamento
No TikTok, o professor também menciona que, antes de pronomes de tratamento (vossa senhoria, por exemplo), não há crase.
"Esses pronomes referem-se a homens e a mulheres. E a crase só gosta de menina", brinca.
Exemplo: "Refiro-me a vossa senhoria." (não importa se a pessoa é um homem ou uma mulher. Não haverá crase.).
➡️Observação: As situações de uso da crase não se restringem aos exemplos citados acima. Há outras regras, como:
não usar antes de verbos no infinitivo: "Ela está tentada a comer um doce";
não usar antes de pronomes pessoais (mesmo que no feminino): "Vou entregar isso a ela" [afinal de contas, não existe artigo para "ela", certo? Ninguém diz "A ela foi ao shopping".)
não usar antes dos pronomes relativos "que", "quem", "cuja': "A explicação a que me refiro é esta aqui";
escolher entre usar ou não usar quando estamos falando de nomes próprios (vai depender da sua intimidade com o sujeito): "Ela referiu-se à Maria, nossa irmã" ou "Ela referiu-se a Dilma Rousseff, ex-presidente.";
escolher entre usar ou não usar antes de pronomes possessivos femininos: "A juíza rebateu as alfinetadas à sua decisão/a sua decisão".
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Greve dos técnicos da UnB chega ao fim; trabalho foi retomado nesta terça-feira (2)

Greve dos técnicos da UnB chega ao fim; trabalho foi retomado nesta terça-feira (2)
Aulas na UnB foram retomadas em 26 de junho, após fim da greve dos professores. Técnicos estavam paralisados desde 11 de março. Assembleia do SINTFUB.
Reprodução/SINTFUB
A greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade de Brasília (UnB), que começou no dia 11 de março, terminou nesta segunda-feira (1º). Nesta terça (2), e trabalhos foram retomados em todos os campi..
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De acordo com Maurício Sabino, diretor do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Fundação Universidade de Brasília (SINTFUB), a decisão foi tomada em assembleia. Segundo ele, alguns objetivos da categoria não foram alcançados, como o reajuste de salário ainda em 2024, mas o acordo com o governo foi "razoável" e trouxe avanços importantes.
"Servidores passam no concurso mas não ficam nem um ano, a evasão é muito grande e prejudicial para a universidade", diz Maurício Sabino sobre baixos salários.
Os professores da universidade, que também estiveram em greve, encerraram a paralisação no dia 20 de junho, e aulas foram retomadas seis dias depois. Os professores tinham iniciado a paralisação em abril, depois dos técnicos.
Reposição de aulas na UnB após a greve
Instituto Central de Ciências (ICC), localizado no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília
TV Globo
Na última quinta-feira (27), a UnB aprovou o novo calendário acadêmico para o primeiro e segundo semestre de 2024. As novas datas buscam "compensar" o período que os alunos ficaram sem aulas, devido a greve dos professores.
Ficou decidido que os estudantes terão 58 dias de reposição para encerrar o primeiro semestre do ano. Veja o calendário aprovado:
📅 1º semestre de 2024: termina no dia 21 de setembro;
📅 Férias: 22 de setembro a 13 de outubro;
📅 2º semestre de 2024: começa em 14 de outubro e termina em 22 de fevereiro de 2025.
A proposta aponta ainda o cancelamento do semestre de verão de 2025.
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