Férias escolares: por quanto tempo seu filho precisa brincar para ser saudável?

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Guias da OMS, do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria dão dicas de atividades físicas para cada faixa etária e destacam que a brincadeira é importante para o desenvolvimento da criança. Crianças brincando no Parque das Crianças, em Manaus, em 2020.
Gabriel Andrade/Semjel
Que praticar atividade física traz benefícios para a saúde, todo mundo já sabe. E a infância é justamente uma etapa-chave para que isso se torne um hábito nas demais fases da vida. Mas, afinal, por quanto tempo por dia seu filho precisa se manter ativo?
O g1 consultou as principais recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, e ouviu um especialista no tema para preparar um guia que auxilie você a montar uma rotina mais saudável para seu filho, principalmente neste período de férias.
Mas, antes de ir para as orientações para os pequenos, Ricardo Barros, que coordena o Grupo de Trabalho sobre Atividade Física da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), alerta: o exemplo tem que vir dos pais.
Nos fins de semana e durante as férias, é importante que a família tenha esse momento longe dos celulares, das telas, e que vai ser um tempo para a família. Se as crianças virem os pais fazendo isso, se partir deles a motivação de ir ao parquinho, de brincar na pracinha, vai ser muito mais fácil incentivar a criança a sair de casa e ser ativa.
Intensidade das atividades físicas
O Guia da Atividade Física para a População Brasileira, de 2021, elaborado pelo Ministério da Saúde, e as Diretrizes da OMS Para Atividade Física e Comportamento Sedentário trazem recomendações de atividades para diversos perfis e idades.
Para as crianças e os adolescentes, boa parte das atividades podem ser aquelas “disfarçadas” de brincadeiras, que são os exercícios lúdicos, recreativos.
Mas, para entender as indicações dessas atividades, é preciso, antes, entender suas intensidades.
Intensidades de esforço físico
Atividades para cada idade
Criança aprende a andar de bicicleta durante aula do projeto Bike Anjo, na UFRN, em Natal
Divulgação/Redes Sociais
1 e 2 anos: mínimo de 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, podendo ser distribuídas ao longo do dia. São válidas para este cálculo andar, correr, arremessar, segurar, pular, escalar, entre outras. Essas atividades ajudam a desenvolver equilíbrio, coordenação motora e consciência corporal.
3 a 5 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, sendo, no mínimo, 1 hora de intensidade moderada a vigorosa ao longo do dia. Além das brincadeiras e jogos como andar de bicicleta, caminhar, correr, girar, chutar, arremessar, saltar e atravessar ou escalar objetos, as crianças podem também praticar natação, ginástica, lutas, danças e outros esportes.
6 a 17 anos: pelo menos 1 hora de atividade física por dia, de preferência moderada ou intensa. Em pelo menos 3 dias da semana, é recomendado fazer atividades de fortalecimento do músculo, como pular corda ou brincar de cabo de guerra, por exemplo. A musculação também é recomendada, desde que acompanhada por um especialista e com o uso de pesos livres para crianças a partir dos 8 anos.
Além disso, o manual de Promoção da Atividade Física na Infância e Adolescência da SBP recomenda que crianças menores de 1 ano também sejam estimuladas a serem ativas, mesmo que por curtos períodos ao longo do dia.
Isso pode ser feito com brincadeiras de segurar e puxar, se arrastar, mexer os membros e a cabeça, sempre suprevisionadas por um adulto.
E para crianças de até 2 anos de idade, a principal recomendação da entidade é não deixar os pequenos ter acesso a telas.
Benefícios da atividade física
Para o pediatra Ricardo Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os benefícios de atividades físicas realizadas por crianças e adolescentes vão além da saúde física.
O especialista explica que a atividade física ajuda no equilíbrio, na postura, coordenação motora e consciência corporal, mas também estimula o desenvolvimento de outras habilidades.
Uma criança tímida que entra para um time de futebol pode, além de ter os benefícios físicos, melhorar aspectos emocionais, sociais e de autoestima. Mas mesmo quem não tem nenhum tipo de dificuldade aparente também se beneficia.
Para Ricardo, o importante é que a criança tenha oportunidades de ficar ao ar livre e de se afastar das telas. Algo que uma ida ao parque ou uma volta de bicicleta no bairro pode ajudar.
Mas essa prática não deve ficar restrita às férias escolares, já que alunos que são ativos fisicamente tendem a ter melhor capacidade de concentração e melhor desempenho escolar.
"A criança ativa é uma criança saudável, feliz. Elas ficam melhores e se tornam adultos melhores graças a isso", conclui o especialista.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Como barulho de trânsito afeta saúde, aprendizado e cognição das crianças

‘Enquanto estiver vivo, vou procurar ficar ocupado’, diz candidato ao Enem de 84 anos no ES
À medida que aumenta a consciencialização sobre o impacto do ruído na saúde e na aprendizagem das crianças, algumas cidades podem servir de exemplo para a criação de espaços urbanos mais silenciosos.
Como barulho de trânsito afeta saúde, aprendizado e cognição das crianças
GETTY IMAGES via BBC
Em uma sala de aula de Nova York, nos EUA, os níveis de ruído eram tão altos que o professor precisava gritar para ser ouvido. A sala de aula ficava perto da linha de trem do metrô que passava ao lado da Public School 98, em Manhattan, cerca de 15 vezes por dia, causando interrupções constantes no processo de aprendizagem.
Durante muitos anos, as pessoas reclamaram dos níveis de ruído na Public School 98 e, em 1975, Arline Bronzaft, professora de psicologia no Lehman College, da City University of New York (Cuny), publicou um estudo analisando o impacto do ruído na capacidade de leitura das crianças.
Ela descobriu que os alunos que se sentavam no lado barulhento da escola, adjacente aos trilhos, apresentavam um desempenho aquém nos testes de leitura, em comparação com aqueles que ficavam no lado silencioso do prédio.
O nível médio das notas de leitura das turmas do lado barulhento havia sido alcançado de três a quatro meses antes pelos alunos do lado mais silencioso.
Como resultado das descobertas de Bronzaft, a Autoridade de Trânsito instalou amortecedores de borracha nos trilhos do trem para reduzir o ruído, e o Conselho de Educação equipou as salas de aula com materiais de isolamento acústico para criar um ambiente melhor de aprendizagem.
A poluição sonora é um problema global cada vez maior. À medida que a população aumenta, também aumentam os níveis de ruído que compõem a paisagem sonora urbana.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a poluição sonora urbana está se tornando uma "ameaça global à saúde pública", que já provoca 12 mil mortes prematuras por ano na União Europeia, e afeta aproximadamente 100 milhões de americanos.
O ruído ambiente — sobretudo o barulho do trânsito, mas também das aeronaves — está entre os fatores ambientais mais prejudiciais à saúde, após a poluição atmosférica.
Descobriu-se que este ruído aumenta o estresse crônico, causa distúrbios do sono e aumento da pressão arterial.
O barulho e o incômodo que ele gera têm sido associados a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, e a exposição ao ruído também tem sido associada a um maior risco de diabetes.
O som alto proveniente de fones de ouvido, motocicletas e até mesmo cortadores de grama podem, com o tempo, causar perda auditiva e zumbido (tinnitus).
Definida como sons indesejados ou perturbadores, a poluição sonora resultante do aumento do trânsito e das escolas lotadas também pode ter um impacto negativo na saúde e no desenvolvimento de bebês e crianças. Isto é particularmente verdade no caso de crianças de origens socioeconomicamente desfavorecidas, que estão expostas a níveis mais elevados de ruído ambiente.
De Buenos Aires a Barcelona, ​​as cidades começaram a introduzir medidas para combater a poluição sonora, proteger a saúde das crianças e priorizar os pedestres, ampliando os espaços verdes nos centros urbanos, reduzindo os limites de velocidade e introduzindo medidores de som.
Rodovias ensurdecedoras
Nos EUA e na União Europeia, o tráfego rodoviário, ferroviário e aéreo são as principais fontes de poluição sonora.
Um estudo de 2022 mostrou que o barulho do trânsito a que crianças do ensino fundamental estavam expostas em Barcelona, prejudicou sua memória de trabalho e capacidade de atenção, o que é considerado essencial para muitos aspectos da aprendizagem — incluindo resolução de problemas, raciocínio, matemática e compreensão linguística.
O barulho excessivo tem um impacto negativo na saúde e no desenvolvimento das crianças
Freepik
O estudo avaliou 2,7 mil crianças, com idades entre sete e 10 anos, em 38 escolas de Barcelona, quatro vezes por ano.
Os pesquisadores mediram o ruído externo, em pontos específicos de cada sala de aula, repetindo o processo seis meses depois para determinar a nível médio de poluição sonora. 
Ao longo de um ano, a equipe realizou, a cada três meses, testes cognitivos online para avaliar a memória de curto prazo e a atenção das crianças.
O estudo de Barcelona, ​​que se baseou em pesquisas anteriores, concluiu que os níveis de ruído gerados pelo tráfego rodoviário, aéreo e ferroviário podem ter um impacto negativo na função cognitiva das crianças durante as fases cruciais de desenvolvimento do cérebro.
O barulho indesejado na sala de aula pode fazer com que a criança apresente uma série de respostas negativas, como desmotivação pelo aprendizado — baixa motivação para aprender devido à falta de controle em seu ambiente — e atenção prejudicada, concluiu o estudo.
O estudo de Barcelona foi o primeiro a analisar o impacto da exposição das crianças à oscilação do barulho.
Os pesquisadores descobriram que flutuações repentinas de ruído, provenientes do trânsito fora da sala de aula — como a buzina ou a aceleração do motor dos carros — eram mais propensas de distrair as crianças e fazer com que perdessem informações importantes, mesmo se tratando de um nível de ruído inferior à média.
Maria Foraster, principal autora do estudo, que é pesquisadora de epidemiologia e especialista em ruído e saúde, afirma que os pesquisadores decidiram se concentrar nas flutuações do ruído, uma vez que não existem diretrizes internacionais em vigor para medir isso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda menos de 35 decibéis de ruído nas salas de aula para garantir boas condições de ensino e aprendizagem. Mais da metade da população de Barcelona está exposta a níveis de ruído superiores a 65 decibéis entre as 8h e as 22h.
"As diretrizes não [mencionam] flutuações e picos. Cada vez que há um pico de ruído, é uma distração que pode afetar a atenção e a memória de trabalho das crianças", diz a pesquisadora.
Outro estudo de Foraster mostrou que a exposição excessiva ao ruído ambiente pode interferir no amadurecimento funcional do cérebro auditivo das crianças, que processa as informações sonoras.
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Um estudo de 2019 da Birkbeck, Universidade de Londres, que analisou o impacto do barulho nas salas de aula, descobriu que crianças entre 5 e 11 anos de idade são especialmente vulneráveis ​​ao ruído se tiverem menor atenção seletiva — capacidade de manter a concentração e bloquear distração indesejada — e controle inibitório, que é a capacidade de controlar impulsos e pensar antes de reagir.
"Se uma criança tem memória de trabalho fraca, e se a sua atenção seletiva ou o seu controle inibitório não são bons, então ela vai ficar muito mais distraída com o ruído à sua volta", explica Natasha Kirkham, coautora do estudo e professora de psicologia do desenvolvimento na Birkbeck.
"Quando há muito barulho em torno das crianças no ensino fundamental e médio, sabemos que o seu desempenho [acadêmico] é pior", diz ela.
A poluição sonora é muitas vezes pior nas áreas mais pobres. Um estudo de 2023 mostrou que crianças que frequentavam escolas no Texas com maior exposição ao ruído das ruas tinham uma probabilidade significativamente maior de serem negras, hispânicas e elegíveis para refeições gratuitas ou a preços reduzidos.
A exposição ao barulho, junto a outros fatores resultantes de frequentar "uma escola com poucos recursos numa área também com poucos recursos, pode ter um verdadeiro efeito dominó na aprendizagem", observa Kirkham.
E, de acordo com a pesquisa, a associação entre ruído e estresse pode ter consequências para toda a vida.
“Se você se sente constantemente estimulado pelo som, isso pode aumentar a resposta do cortisol relacionada ao estresse e, com o tempo, pode ter efeitos prejudiciais à saúde física e mental, desde a infância até a idade adulta", diz Iroise Dumontheill, professora de neurociência cognitiva na Birkbeck.
A exposição contínua ao ruído no longo prazo pode interferir no sistema nervoso central e no cérebro, aumentando a chance de desenvolver doenças cardíacas, derrames, demência e declínio cognitivo.
"Então, potencialmente, a exposição ao ruído na infância pode afetar os sistemas de memória e a saúde mental na vida adulta", explica Dumontheill.
Áreas sem carros
Para Foraster, a melhor forma de proteger as crianças do barulho excessivo é reduzir o trânsito nos arredores das escolas.
Segundo ela, um planejamento urbano melhor — separando, por exemplo, as escolas de ruas movimentadas e adicionando parques e espaços verdes em torno das áreas escolares — também poderia melhorar o ambiente de aprendizagem das crianças.
Barcelona está tentando fazer isso colocando escolas nas chamadas superquadras ("superilles" em catalão, ou superilhas), que são pequenos bairros fechados ao trânsito e repletos de espaços verdes, onde as pessoas podem se exercitar ou se reunir.
Introduzido pela primeira vez em 1993, este conceito de planejamento urbano visa reduzir a poluição atmosférica e sonora, dando prioridade aos ciclistas e aos pedestres, em vez dos carros, e aos parques infantis e às árvores, em vez das vagas para estacionamento.
Foi demonstrado que as superquadras reduziram a poluição sonora e atmosférica em bairros residenciais de Barcelona. A criação da superquadra de San Antoni diminuiu os níveis médios de ruído diurno em 3,5 decibéis, uma redução de 5,2%, segundo dados coletados ao longo de um ano por sensores e sonômetros, compilados num relatório de 2021. Também ajudou a reduzir a poluição do ar.
"As superquadras definitivamente ajudam a reduzir a poluição do ar e a exposição ao ruído" diz Foraster.
"Elas ajudam a diminuir o tráfego de uma maneira geral, tornando o uso de carros menos atraente e promovendo uma cidade mais acessível a pé."
Barcelona planeja criar 503 superquadras até 2030 como parte do seu plano de mobilidade urbana, que tem como objetivo converter uma em cada três ruas em espaços verdes com pouco trânsito, e garantir que 80% de todos os deslocamentos na cidade sejam feitos a pé, de transporte público ou bicicleta.
Cidades do mundo todo estão seguindo o exemplo de Barcelona ao implementar superquadras, incluindo Buenos Aires (Argentina), Viena (Áustria), Los Angeles (EUA) e Bogotá (Colômbia).
Escolas e bairros mais tranquilos poderiam potencialmente oferecer outro benefício: crianças mais felizes. Kirkham ressalta que o ruído não afeta apenas o aprendizado das crianças — pode afetar também a forma como se sentem.
Um estudo sobre homeschooling (educação domiciliar) realizado por Kirkham durante a pandemia de covid-19 revelou que os adolescentes que viviam em lares mais barulhentos, que passavam algum tempo em salas de aula mais barulhentas, geralmente achavam o ruído mais irritante. 
"Não é só que o barulho distrai, há um componente emocional. As crianças ficam irritadas", diz ela.
Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

O programa inovador que está transformando a educação pública no Rio

O projeto “Ciência e Gestão pela Educação”, uma parceria do Tribunal de Contas do Município do Rio com a Secretaria de Educação, selecionou 40 escolas públicas de forma aleatória. Veja os resultados! Programa inovador está transformando a educação pública no RJ
No Rio de Janeiro, 16 mil estudantes participaram de uma experiência transformadora, com medidas simples e a um custo anual muito baixo: R$ 45 por aluno. A reportagem foi exibida na GloboNews nesse domingo (7). No vídeo acima, confira uma versão estendida.
O programa “Ciência e Gestão pela Educação”, uma parceria do Tribunal de Contas do Município do Rio com a Secretaria de Educação, selecionou 40 unidades de ensino de forma aleatória.
“O projeto busca melhorar a eficiência das escolas no cuidado com seus professores e com seus alunos na melhoria da entrega de aprendizado que a escola provê para as crianças. Isso a partir de práticas de gestão já consolidadas na literatura acadêmica mundial”, destaca, Felipe Puccioni, conselheiro do Tribunal de Contas.
O conselheiro do Tribunal de Contas é especialista em políticas públicas e foi na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que buscou referências para o projeto. Na sua pesquisa de doutorado, ele analisou casos espalhados pelo mundo que comprovam a importância da gestão nas escolas.
"O Brasil tem um investimento baixo por aluno, em comparação com os países da Europa, por exemplo. Além de um gasto baixo, o Brasil também tem um gasto ineficiente", ressalta Felipe.
O programa
O programa prevê 23 melhores práticas de gestão, entre elas, análise de dados, estabelecimento de metas e orientação de educadores, principalmente os que atuam na liderança.
Técnicos do programa treinaram a direção das escolas para entender melhor os dados de uma plataforma digital da Secretaria de Educação que já existia, mas era pouco usada.
"A plataforma divide os alunos em quatro níveis: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Quando você abre a plataforma, você tem o aluno e em qual nível ele se encontra", diz Flávia Lima – Adjunta.
Redução da evasão escolar e aumento de produtividade
Nas escolas que passaram pelo programa, houve uma redução de 29% no número de evasão escolar. e um aumento de 60% de produtividade – de professores a alunos. Além disso, o nível de aprendizado impressiona:
"Em dois anos de aprendizado, eles aprenderam que uma escola – ou que uma criança em uma escola do Rio de Janeiro aprenderia em quatro", conta o conselheiro do Tribunal de Contas.
Em sua pesquisa, Felipe concluiu que, se as 136 mil escolas públicas brasileiras implementassem todas as práticas do programa, o nível de aprendizado ficaria equiparado ao de países europeus.
"Muitas vezes os municípios não é que eles não têm boas práticas porque não desejam ter. Muitas vezes eles não sabem nem os caminhos para fazer isso", pontua Cláudia Constin.
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Estudantes criam ‘voz’ para colega com paralisia cerebral participar das aulas; entenda

‘Enquanto estiver vivo, vou procurar ficar ocupado’, diz candidato ao Enem de 84 anos no ES
Alunas da rede pública do Distrito Federal desenvolveram sistema de programação de voz para incluir Ana nas aulas. Por meio de um teclado, menina de 12 anos digita textos que viram 'A voz de Ana'; veja vídeo. Estudantes que se uniram para realização do projeto 'A Voz da Ana' acompanham o uso do equipamento, que facilita a comunicação de Ana Vitória
André Amendoeira/ SEEDF
Estudantes do 7º ano do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 213 de Santa Maria, uma escola pública do Distrito Federal, criaram uma solução para driblar as dificuldades de comunicação de uma colega com paralisia cerebral. A "Voz de Ana", como foi chamado o protótipo, permite que Ana Vitória, de 12 anos, se comunique com os colegas (veja vídeo mais abaixo).
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A paralisia cerebral é uma deficiência caracterizada por alterações neurológicas permanentes que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo. No caso de Ana Vitória, que está em uma classe regular de ensino, a inclusão contou com a junção do projeto Roboticraf, da unidade de ensino, e o M²CE, da Universidade de Brasília (UnB), que estimula mulheres a se interessarem pelas ciências exatas, promovendo maior presença delas nesta área do conhecimento.
O professor William Viera percebeu que mesmo sem falar, Ana Vitória tem extrema facilidade com a escrita e a leitura. A partir daí, a menina passou a usar um tablet da escola e o professor propôs um desafio às colegas: Que tal dar voz à Ana, por meio de um dispositivo tecnológico, e permitir uma maior interação em sala de aula?
"Ao trazer o tablet para a Ana, percebi a habilidade que ela tinha em escrever e ler rapidamente com o programa […] eu levei essa questão para as meninas do projeto, e elas já se empolgaram em tentar resolver essa situação. Começamos a estudar sobre o programa mais profundamente", conta o professor.
Programação Voz da Ana 2.0 📣
Com muita facilidade, Ana se comunica escrevendo no tablet e interage em sala de aula
Divulgação/SEEDF
Para produzir o equipamento, a base foi o programa Scratch – uma linguagem de programação que permite a criação de histórias, animações, jogos e outras produções. Coube às colegas de Ana desenvolver habilidades em programação e pensar também na engenharia do equipamento, que no começo foi feito com papelão (veja imagem mais abaixo).
Um grupo formado por 11 adolescentes criou o dispositivo de voz que foi adaptado a um teclado. Por meio do teclado, Ana pode tanto digitar o que quiser quanto apertar botões na interface inicial, que dão respostas usadas frequentemente de maneira mais ágil.
“Quando nós apresentamos o equipamento, ela [Ana} rapidamente começou a digitar e escrever coisas que estavam na cabecinha dela, e nós percebemos como a Ana enxergava o mundo. Ela começou a interagir em sala de aula, conversar com os professores, falar o nome dos colegas", diz o professor.
Equipamento desenvolvido pelas alunas teve versão teste em papelão para criar a "Voz da Ana"
TV Globo
Com o tempo, Ana passou a interagir tanto com a turma que até ajudava a fazer a chamada. "Isso fez com que ela começasse a entender melhor e participar mais do processo de ensino-aprendizagem", diz o professor William Viera.
"Um exemplo inspirador de inclusão, que reflete o poder da tecnologia e da colaboração na transformação de realidades e na construção de um ambiente educacional mais acolhedor", diz o professor.
Para a mãe da Ana, Rejane Soares, o projeto traz benefícios que vão além da sala de aula.
"É gratificante ver que ela está inclusa e junto com a turma. Ela tem mais vontade de estar na escola, quer fazer as atividades”, afirma Rejane.
📺 VEJA VÍDEO: 'A voz de Ana'
Alunas de escola pública criam programa que 'dá voz' a colega com paralisia
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‘Enquanto estiver vivo, vou procurar ficar ocupado’, diz candidato ao Enem de 84 anos no ES

‘Enquanto estiver vivo, vou procurar ficar ocupado’, diz candidato ao Enem de 84 anos no ES
João Guerra Pinto retomou os estudos há um ano. Agora, ele se prepara para o exame nacional e não descarta entrar em uma faculdade. Ele estuda até com uma professora particular de redação. Aposentado de 84 anos volta a estudar e se prepara para o Enem
Nascido em Portugal, no dia 13 de março de 1940, João Guerra Pinto, de 84 anos, veio para o Brasil ainda adolescente, aos 15 anos, para ficar com o pai e a família, e também trabalhar. As condições de vida nunca possibilitaram que ele estudasse, pelo menos não até agora.
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Aposentado desde o final da década de 1980, seu João também foi dono de um bar a maior parte da vida, no Centro de Vitória, onde também mora. Foi assim que sustentou a família, criou os quatro filhos e oito netos. Até que resolveu parar de trabalhar. Com mais tempo livre, colocou em prática a máxima que diz que "nunca é tarde para começar".
"Há três anos, quando eu tive a ideia de parar e passar o bar para um neto, eu fiquei livre, com tempo para poder estudar, o que sempre foi um sonho!", revelou.
João Guerra Pinto vai fazer a prova do Enem em 2024, aos 84 anos.
Kaique Dias
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O aposentado se matriculou em uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e concluiu o ensino médio este ano. Agora, o próximo plano é testar os seus conhecimentos na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece no final do ano.
A advogada Rosa Maria Gomes Pinto, filha do João, se assustou com a ideia no começo, mas logo tomou providências para auxiliar no desejo do pai.
"Chegou o mês passado e ele falou: 'Terminei, me formei, tá aqui o meu diploma!'. Eu falei: 'Que ótimo, parabéns, vamos comemorar!'. Mas o que eu ouvi de volta foi ele dizendo que agora faria o Enem! […] Peguei as apostilas do meu filho que ainda estavam lá em casa e trouxe para ele, para dar suporte no estudo", lembrou a filha.
Preocupação com a redação
'Enquanto eu estiver vivo vou procurar ficar ocupado!', diz candidato ao Enem de 84 anos no Espírito Santo.
Kaique Dias
Desde o anúncio de que iria fazer o exame, seu João passa a maior parte do tempo em casa, estudando até 4 horas por dia. Segundo ele, o foco principal é se preparar para a redação. E, para isso, a professora Eliana Senna Bof, que dá aulas há mais de 50 anos, foi chamada para reforçar a preparação do candidato.
"O meu filho mais novo e o mais velho fizeram aula com ela de redação. Um tirou 980 e, o outro, 960 em um total de 1000. Então, eu não tive dúvidas de que seria a hora de acionar a Tia Eliana novamente!", lembrou Rosa Maria orgulhosa dos filhos e também do novo candidato da família.
A missão dada a Eliana gerou também uma relação de amizade e admiração.
"O seu João para mim é uma força, um personagem de garra, de competência e, sobretudo, de crença, de acreditar que tudo é possível", falou a professora Eliana.
'Velhinho inteligente'
'Enquanto eu estiver vivo vou procurar ficar ocupado!', diz candidato ao Enem de 84 anos no Espírito Santo.
Kaique Dias
A esposa dele, que também aposentada, Rosa Maria Gomes Pinto, é casada com João há quase 60 anos e revelou que o desejo de aprender não é novo.
"Quando ele falou que iria fazer o Enem, eu dei força. Quando ele começa a estudar, esquece de tudo. Ele é inteligente, é um velhinho inteligente, ele gosta de estudar!", garantiu a esposa e também uma das maiores incentivadoras.
Demonstrando que tudo tem o seu tempo e a importância é correr atrás de um sonho, seu João não descarta a faculdade, dependendo do resultado que alcançar no exame.
João Guerra Pinto vai fazer a prova do Enem em 2024, aos 84 anos. Espírito Santo
Kaique Dias
"Tenho disposição para tudo, isso me traz muita alegria. Pode vir uma faculdade amanhã? Pode! Enquanto eu estiver vivo, vou procurar ficar ocupado! Vou desperdiçar o tempo?! […] A área de tecnologia é a bola da vez, eu acho que eu poderia tentar algo nesse sentido, aprender a tirar proveito dos equipamentos que a gente já usa no dia a dia, algo que me permita trabalhar por conta própria e, quem sabe, ganhar um trocadinho e pagar as despesas!", contou cheio de planos.
Dicas para se preparar para a redação
Folha de rascunho da Redação do Enem.
g1
O g1 conversou com uma professora de redação para saber quais são as principais dicas que podem ser praticadas pelo Seu João e por qualquer outro candidato preocupado com essa avaliação que vai acontecer daqui a pouco mais de quatro meses.
Na avaliação da professora Isabella Colmanetti, não é interessante apostar em assuntos específicos e sim investir em estudos por eixos temáticos.
"O Enem trabalha com uma gama de possibilidades, que vão desde problemas urbanos, meio ambiente, questões de minorias. Tentar adivinhar o tema da prova pode ser uma aposta arriscada, você pode tanto chegar muito perto como passar longe. Se você faz o estudo por eixos temáticos acaba sendo mais produtivo, abrindo mais o repertório, contribuindo até com o uso da coletânea de textos que a prova disponibiliza", explicou a professora.
Ainda de acordo com Isabella, além de estar informado sobre o que está acontecendo e conseguir observar a sociedade, é fundamental que o candidato tenha conhecimento da estrutura do texto dissertativo, para conseguir desenvolver da maneira correta o repertório.
"Ideias mais subjetivas, em primeira pessoa, não se adequam nesse tipo de texto. É preciso ter um ponto de vista crítico, com linguagem impessoal, que consiga mobilizar introdução, desenvolvimento e proposta de intervenção para solucionar problemas debatidos no texto", disse.
João Guerra Pinto vai fazer a prova do Enem em 2024, aos 84 anos. Espírito Santo
Kaique Dias
Dicas da professora de redação:
Boa leitura de coletânea;
Escrever redação semanalmente;
Ter um processo de revisão do que é feito, avaliar o que está errando mais e menos;
Investir no tempo de revisar o texto antes de mandar para correção e, inclusive, no dia do Enem;
Conhecer a estrutura do texto dissertativo;
Ler, ouvir podcast, trabalhar com atualidades, se informar.
As orientações da professora Isabella já estão sendo seguidas pelo Seu João e pela Tia Eliana, como, por exemplo, a importância de escrever com frequência e correção.
"Ela sabe o que faz e eu obedeço. As nossas aulas acontecem uma vez por semana, ela sugere o tema em uma aula, eu faço, entrego para correção no encontro seguinte e já recebo outro. Tenho que treinar para melhorar", disse o candidato.
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EJA na Grande Vitória
A Educação para Jovens e Adultos (EJA) é uma forma de ensino da rede pública no Brasil, que tem como objetivo de desenvolver o ensino fundamental e médio com qualidade para as pessoas que não possuem idade escolar e não tiveram a oportunidade de estudar.
Na Grande Vitória, as matrículas para alunos interessados – assim como o seu João fez – ficam abertas durante todo o ano, para facilitar o acesso ao programa. Podem se inscrever jovens acima dos 15 anos.
Atualmente, mais de 4 mil pessoas estão cursando o EJA na Grande Vitória, apenas nas cidades de Cariacica, Serra e Vila Velha.
Confira:
Cariacica
Educação de Jovens e Adultos (EJA) Cariacica.
Divulgação/PMC
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é oferecida em 12 escolas do município. Em 2024, no início do ano letivo foram realizadas matrículas de 847 alunos. Atualmente esse número está em 1.143 alunos.
As matrículas permanecem abertas ao longo de todo o ano, permitindo que interessados se inscrevam em qualquer período do ano letivo, essa abordagem visa a remover barreiras tradicionais de ingresso, possibilitando que jovens e adultos tenham acesso à educação de forma mais acessível.
Saiba mais
Serra
Educação de Jovens e Adultos (EJA) Serra. Espírito Santo
Divulgação/Prefeitura da Serra
Doze escolas municipais ofertam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Serra, no turno noturno, e estão matriculados 1527 alunos. As aulas acontecem de segunda a sexta, das 17h50 às 22h. O modelo é semestral, ou seja, o estudante completa uma série a cada seis meses.
Todos os estudantes têm acesso à alimentação escolar, uniforme, acervo de livros, salas climatizadas, aulas diversificadas com suporte tecnológico e inclusão digital, por meio da plataforma gamificada Jovens Gênios. Pode se inscrever quem tem mais de 15 anos e não concluiu o Ensino Fundamental. Na rede municipal da Serra, a EJA oferta o Ensino Fundamental completo, do 1º ao 9º ano, no turno noturno.
Saiba mais
Vila Velha
Educação de Jovens e Adultos (EJA) Vila Velha. Espírito Santo
Divulgação/PMVV
A rede municipal de ensino de Vila Velha disponibilizou, para este ano de 2024, a oferta de 3.385 vagas na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Atualmente há 1.658 alunos matriculados nessa modalidade de ensino. As matrículas para a EJA podem ser efetuadas durante todo o ano. As vagas estão distribuídas em 13 escolas, que abrangem as cinco regiões do município.
Saiba mais
Vitória
Educação de Jovens e Adultos (EJA) Vitória. Espírito Santo
Divulgação/PMV
Na capital, a partir dos 15 anos, as pessoas podem ser atendidas pelo programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), ofertada em 13 unidades de ensino no turno noturno.
A Secretaria Municipal de Educação realiza busca ativa, desde o contato por telefone até chamadas públicas, em parceria com as unidades de ensino da capital, para tentar localizar possíveis alunos. Não foram informados quantos alunos são atendidos atualmente.
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Reprodução/Redes Sociais
Provas: 3 e 10 de novembro
Gabarito oficial: 20 de novembro
Resultado da prova: 13 de janeiro de 2025
No primeiro dia do exame, serão aplicadas as provas de linguagens; redação; códigos, ciências humanas e suas tecnologias. Os candidatos terão cinco horas e 30 minutos para responderem as questões.
O segundo dia será dedicado à aplicação das provas de ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. A aplicação terá cinco horas de duração.
Mais informações podem ser consultadas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
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