Dá para melhorar desempenho em teste de QI estudando?

O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?
Ciência revela que, seja você uma criança ou um adulto, é possível melhorar seu desempenho em testes cognitivos, mas isso não o tornará mais inteligente. Testar alunos em diferentes disciplinas é uma maneira de determinar se eles estão aprendendo as habilidades necessárias para se tornarem cidadãos cultos, responsáveis ​​e produtivos
PA MEDIA
A maioria dos adultos nunca precisou fazer um teste de QI. Mas testes para avaliar habilidades cognitivas de estudantes, como o teste de capacidade cognitiva (CAT), são usados ​​em escolas de várias partes do mundo — e são muito semelhantes aos testes de QI. Fazê-los pode ser difícil para as crianças, mas talvez ainda mais difícil para os pais.
Coloque-se, só por um momento, no lugar de um pai cujo filho recebe uma pontuação geral no CAT abaixo da média. Uma batelada de perguntas desagradáveis ​​pode surgir em sua cabeça. Isso significa que não entrará em uma universidade de ponta? E a carreira?
Algum tempo depois de tanto ruminar ideias, outro pensamento pode surgir. Se o desempenho nesses testes importa, é possível melhorá-lo da mesma forma que melhoramos em qualquer outra coisa, ou seja, pela prática?
A ciência revela que, seja você uma criança ou um adulto, é possível melhorar seu desempenho em testes cognitivos. Mas isso não o tornará mais inteligente.
A longa história dos testes
Os testes padronizados têm uma longa história na educação e às vezes também são usados ​​por empresas como etapa de processos seletivos. O exemplo mais notável é, provavelmente, o exame do serviço civil chinês. Essa avaliação extremamente difícil foi introduzida durante a dinastia Sui (581–618 d.C.) para selecionar os candidatos para a burocracia imperial, um trabalho de alto prestígio.
Não mudou muita coisa. Assim como a China imperial, hoje em dia, instituições de educação do mundo todo testam alunos em uma variedade de habilidades, incluindo conhecimento de disciplinas e habilidades cognitivas. Nos EUA, os exames SATs são usados ​​para filtrar as inscrições em universidades de prestígio. Testar alunos em disciplinas como matemática, alfabetização e ciências faz tanto sentido hoje quanto há 14 séculos.
É uma maneira de determinar se os alunos estão aprendendo as habilidades necessárias para serem cidadãos cultos, responsáveis ​​e produtivos. Menos óbvio, e mais controverso, é o que os testes cognitivos escolares trazem à mesa.
Testes cognitivos são geralmente um conjunto de tarefas que avaliam uma variedade de capacidades intelectuais. Por exemplo, a versão mais recente do CAT mede quatro habilidades cognitivas: raciocínio verbal, raciocínio não verbal, raciocínio quantitativo e raciocínio espacial.
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A ciência diz que, seja você uma criança ou um adulto, é possível melhorar seu desempenho em testes cognitivos
GETTY IMAGES via BBC
Aqueles que se saem bem em uma tarefa cognitiva específica têm mais chance de se sair bem em outras tarefas cognitivas. As tarefas cognitivas são, portanto, vinculadas umas às outras e não exploram o conhecimento adquirido. E a capacidade mental geral para resolver problemas intelectuais desconhecidos e não relacionados a um assunto é o que chamamos de inteligência.
A pontuação em um teste cognitivo abrangente é geralmente chamada de QI. Mas as pontuações de QI são apenas indicações da inteligência das pessoas. Crucialmente, essas pontuações estão intimamente ligadas ao desempenho acadêmico.
Na verdade, o QI é de longe o melhor preditor de desempenho acadêmico e um importante preditor de sucesso profissional. O teste cognitivo é, portanto, uma maneira útil e bastante confiável de prever resultados na vida real.
Prática leva à perfeição, não à inteligência
Um bom desempenho em testes cognitivos é um sinal de inteligência. E ser inteligente é útil para atingir objetivos na vida.
O desempenho em testes cognitivos melhora com a prática. Por exemplo, um estudo descobriu que fazer um teste comum de raciocínio não verbal duas vezes aumenta as pontuações em aproximadamente o equivalente a oito pontos de QI.
Assim, é provável que uma criança que faz um teste como o CAT pela segunda vez tenha um desempenho melhor do que na primeira vez. Várias rodadas de testes repetidos produzem efeitos semelhantes ou até maiores em vários testes cognitivos, mas um platô é, claro, esperado.
Bom desempenho em testes cognitivos é sinal de inteligência
GETTY IMAGES via BBC
Da mesma forma, quando adultos fazem o mesmo teste de inteligência várias vezes, eles podem melhorar seu desempenho ao aprender a lógica por trás das perguntas. Por esse motivo, testes padronizados não estão disponíveis publicamente.
Ainda assim, melhorar sua pontuação através da prática não provaria que sua inteligência cresceu. Como visto, testes cognitivos foram projetados para medir a inteligência expondo as pessoas a novos materiais e situações.
Se você tiver a oportunidade de se familiarizar com um teste cognitivo com antecedência, a pontuação do teste irá, até certo ponto, medir sua habilidade para realizar o teste, em vez de sua inteligência. Ou seja, praticar um teste cognitivo essencialmente torna os resultados do teste não interpretáveis.
Para apoiar a afirmação de que o treino em tarefas cognitivas específicas torna as pessoas mais inteligentes, você precisa mostrar que as pessoas apresentam melhorias em tarefas cognitivas e acadêmicas não relacionadas às tarefas treinadas.
A ideia de aumentar a inteligência treinando tarefas cognitivas tem pelo menos algumas décadas. No entanto, as evidências apontam na direção contrária. Enquanto as pessoas melhoram consistentemente em tarefas treinadas (ou tarefas semelhantes), não há efeito em tarefas não familiares relacionadas à inteligência.
Treinar seu filho para que ele tenha um bom desempenho no CAT ou em qualquer outro teste cognitivo pode ter motivos práticos. Por exemplo, algumas escolas seletivas no Reino Unido usam o CAT em seu processo de seleção. Pode ser um impulso para a confiança da criança também.
Dito isso, a inteligência não pode ser treinada.
Ainda assim, habilidades acadêmicas e de trabalho podem. Embora inteligência elevada seja uma vantagem significativa, o sucesso escolar e profissional não depende inteiramente dela. Trabalho duro, classe social, personalidade, curiosidade, criatividade e até mesmo sorte frequentemente têm um grande efeito nas vidas individuais.
* Giovanni Sala é professor da área de Psicologia na Universidade de Liverpool e Fernand Gobet é Professorial Research Fellow da London School of Economics and Political Science.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em inglês.
O que é educação permissiva?

Aprovação de mudanças do novo ensino médio divide entidades; UBES avalia apelar por veto e evitar sanção do projeto

O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas considera como uma derrota parcial o texto aprovado pelo Congresso. Em contrapartida, secretários de educação veem alívio nas mudanças aprovadas. Entenda. Congresso aprova as regras para o Novo Ensino Médio
A aprovação na Câmara da versão final do novo ensino médio dividiu ainda mais entidades do setor da Educação. Enquanto estudantes criticam o texto aprovado e se organizam para tentar barrar a sanção do projeto, outras entidades celebram o que consideram uma melhora considerável na proposta.
O novo texto definiu entre as principais mudanças:
2.400 horas para disciplinas obrigatórias.
600 horas para disciplinas optativas.
Disciplinas obrigatórias em todos os anos: português, inglês, artes, educação física, matemática, ciências da natureza (biologia, física, química) e ciências humanas (filosofia, geografia, história, sociologia).
Espanhol facultativo.
Itinerários formativos devem pertencer a uma das quatro áreas: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias ou ciências humanas e sociais aplicadas.
Cada escola deve ofertar no mínimo dois itinerários (exceto aquelas que oferecem ensino técnico).
Ensino técnico com 2.100 horas de disciplinas obrigatórias, com 300 dessas horas podendo ser destinadas a conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionados à formação técnica. As demais 900 horas serão exclusivas para ensino do curso.
Formação geral básica oferecida presencialmente, com ensino mediado por tecnologia permitido em casos excepcionais.
Em 2023, estudantes de Sorocaba pediam a revogação do Novo Ensino Médio.
Arquivo Pessoal
O que dizem as entidades
A ONG Todos Pela Educação vê a aprovação do texto como uma vitória e avalia que a nova mudança é “substancialmente melhor que a original”.
A entidade diz em nota que a decisão manteve a essência da reforma aprovada em 2017, mas corrigiu vários problemas do texto aprovado naquela ocasião.
Segundo a organização, estão entre os principais destaques positivos: o aumento do tempo para a Formação Geral Básica (FGB), mais clareza sobre o que deve ser trabalhado na FGB, mantendo possibilidade de trabalhos interdisciplinares e itinerários flexíveis que permitem, de fato, aprofundamento no currículo básico.
A Todos Pela Educação conclui que o formato não é perfeito, mas reconhece melhoras e indica um avanço.
Veja o que muda com o novo ensino médio aprovado pelo Congresso
Em contrapartida, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) considera o texto aprovado uma derrota parcial e estuda maneiras de obter um veto do projeto.
Para Hugo Silva, presidente da entidade, a decisão da Câmara desrespeita os estudantes e exclui pontos importantes defendidos pelos movimentos estudantis, como a definição do espanhol como disciplina obrigatória e a manutenção do ensino médio noturno.
Uma das alternativas levantada por ele é apelar ao MEC e pedir que a pasta interfira na etapa final de tramitação do projeto de lei.
Hugo lembra que, antes da revisão do novo ensino médio, o movimento estudantil vinha propondo a regovação do novo formato. Agora, os estudantes preferem uma adequação dos pontos que ficaram de fora.
Esse projeto também foi construído pelas nossas mãos e, enquanto consideramos o texto que tinha sido aprovado no Senado muito mais benéfico para os estudantes, essa versão aprovada na Câmara perde muitas características que achamos importantes e fica sem a cara do estudante brasileiro.
Já Vitor de Angelo, que preside o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), recebeu a aprovação da versão final do PL com "satisfação e alívio".
Vitor avalia que os estados precisarão de um tempo para se adaptar às novas mudanças, mas que é um processo realizável.
Segundo ele, as novas diretrizes também tornam mais viável a aplicação do novo Enem — marcada para 2027 —, desde que haja a definição de um núcleo comum para a definição dos itinerários formativos.
Há uma falha de operacionalização na questão do ensino médio noturno, que agora deve ser disponibilizado quando houver demanda, e ficou como função do Estado regular [a oferta]. Eu entendendo que essa regulação se refere a definir o que é a demanda. Mas já avaliamos que vai ser algo complicado, que deve acontecer distorções nas demandas a depender do tamanho do município.
Apesar disso, Vitor vê a sanção do novo texto como algo inevitável e considera que o saldo para as secretarias estaduais é positivo.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

‘O que aprendi tentando criar meus três meninos longe da masculinidade tóxica’

O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?
A escritora e jornalista Ruth Whippman reflete sobre os desafios e os 'pontos cegos' de criar filhos homens na era do feminismo. Ruth Whippman é escritora, jornalista e mãe de Solly, Zephy e Abe.
Arquivo pessoal
Enquanto aguardava o nascimento do terceiro filho, a ideia de criar homens respeitosos, emocionalmente inteligentes e empáticos parecia, para Ruth Whippman, uma tarefa difícil como mãe.
Os livros que lia sobre como criar filhos homens não ajudavam, já que muitos foram escritos por "homens especialistas" e vinham cheios de conselhos e informações que desmoronavam diante da realidade caótica, diz Ruth.
Assim, a escritora e jornalista britânica — mãe de Solly, Zephy e Abe , de 13, 10 e 6 anos — deu-se a tarefa de tentar compreender sozinha o que significa criar os filhos sob a perspectiva de uma mãe feminista.
O resultado da reflexão foi o livro BoyMom: Raising Boys in the Age of Toxic Masculinity (BoyMum: criando meninos na era de masculinidade tóxica, em tradução livre), obra na qual mistura sua própria experiência com árdua pesquisa e aguçada crítica cultural.
Ruth, que mora na Califórnia, nos Estados Unidos, já publicou textos em veículos como The New York Times e The Guardian. Seu primeiro livro, sobre ansiedade e busca pela felicidade na cultura americana, foi muito bem recebido em 2016.
BBC – Em BoyMom você conta que, quando estava grávida do terceiro filho, o movimento #MeToo estourou na internet. Como você viveu essa experiência? Que preocupações isso gerou em você?
Ruth Whippman – Sim, eu estava grávida de 8 meses e meio, e [com] todos os hormônios que vêm com isso, quando comecei a ver as notícias que se transformavam nesse espetáculo de terror de homem após homem que tinha feito coisas terríveis.
Como feminista, fiquei muito entusiasmada. Finalmente, as mulheres tinham voz e podiam falar.
Mas, como mãe de meninos, fiquei com muito medo. Ninguém quer criar um predador sexual, ninguém tenta fazer isso, mas obviamente estávamos fazendo algo errado na forma como socializamos os meninos para que acreditassem que esse tipo de comportamento fosse normal e aceitável.
Eu também me sentia ansiosa pelos meus filhos. Eles estavam crescendo no meio dessa conversa sobre masculinidade tóxica. Como isso impactaria, psicologicamente, a ideia que eles têm de si mesmos e de quem são no mundo?
Então, eu queria me aprofundar nesses sentimentos confusos e no que significa ser uma criança do sexo masculino hoje. Quais eram esses pontos cegos? O que não estávamos vendo? O que estávamos fazendo de errado?
BBC – Você diz que, como feminista, sempre lutou contra os estereótipos de gênero e a ideia de que o sexo biológico determinaria a personalidade e os interesses dos seus filhos. No entanto, você escreveu este livro sobre crianças do sexo masculino e como é diferente e único criá-los. Como enxerga esse debate agora, sobre se a diferença entre meninos e meninas é uma questão de natureza ou de criação?
Whippman – Cresci com uma versão do feminismo que argumentava que o gênero era todo um produto da socialização, que os rapazes só se comportam mal ou agem de forma selvagem porque nós permitimos.
E então, de forma arrogante, eu pensava: 'Nunca deixarei que meus filhos se comportem mal. Vou exigir isso e aquilo deles. Eu os responsabilizarei por seus atos. E nunca permitirei que sejam eles que causem estragos no restaurante, na biblioteca ou em qualquer lugar'.
Então tive meus filhos, e eles eram muito selvagens e barulhentos. Foi um banho de humildade muito desagradável.
Meu trabalho como mãe rapidamente passou a ser chegar ao fim do dia com todos vivos.
Qualquer esperança de uma parentalidade de alto nível – ensinando tarefas domésticas, etiqueta, como manusear um garfo e uma faca – foi rapidamente frustrada, sem mencionar a minha intenção de falar com eles sobre o significado de consentimento e as nuances do feminismo.
Quando comecei a investigar a ciência das diferenças entre os sexos, fiquei surpresa ao constatar que uma das descobertas mais importantes não é de que os rapazes sejam mais rudes ou agressivos que as meninas, mas que sejam mais sensíveis emocionalmente e precisem de mais amor e ajuda em questões como autorregulação emocional, afeto e relacionamentos.
Na verdade, acredito que usamos o argumento da natureza para ignorar o papel da criação, especialmente quando se trata de crianças do sexo masculino. Dizemos: 'É assim que os meninos são, é assim que são programados, não podemos fazer nada'.
E, pelo contrário, acredito que, se há algo de natureza na mistura, então temos que trabalhar mais na parte da criação.
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BBC – Você diz que os meninos precisam de mais cuidados do que as meninas. Por quê?
Whippman – Ao dizer que os meninos precisam de mais cuidados, não estou dizendo para negligenciar as meninas. Não é essa a mensagem que quero passar.
Agora, um bebê do sexo masculino nasce com o hemisfério direito do cérebro, entre um mês e seis semanas, menos desenvolvido do que o de um bebê do sexo feminino. É uma descoberta neurocientífica.
E essa é a área do cérebro associada às emoções, à autorregulação emocional e à formação do vínculo de afeto.
Devido a essa imaturidade, os cérebros dos meninos são mais vulneráveis ​​ao nascer. Qualquer tipo de perturbação, como abandono, pobreza ou outras circunstâncias adversas, tende a ter um impacto maior nos bebês do sexo masculino do que nas meninas.
E isso continua a ser visto nos dados consistentemente até a idade adulta.
Os meninos tendem a lidar pior com circunstâncias adversas. Necessitam de mais apoio dos seus cuidadores nos primeiros meses de vida. As meninas tendem a ser mais resilientes e independentes.
Mas o problema é que, devido à nossa visão do que é a masculinidade, fazemos o oposto.
BBC – Ou seja, acabamos tratando-os de forma diferente por causa das nossas ideias pré-concebidas sobre o que é um menino e o que é uma menina.
Whippman – Sim, há dados que mostram que os pais costumam dizer que os meninos ficam "bravos" quando choram, enquanto vêem as meninas como "angustiadas" ou "tristes".
Então, sim, tendemos a tratá-los, ainda que de maneira sutil, visivelmente diferente. Brincamos mais rudemente com os meninos, balançamos suas pernas, jogamos-os para o alto e não damos tanto carinho.
E isso continua acontecendo durante toda a infância. Não vemos os meninos como criaturas emocionalmente complexas e vulneráveis. Nós os masculinizamos.
Dizemos a eles para serem duros e não mostrarem suas emoções. Não falamos tanto com eles sobre seus sentimentos. E até usamos vocabulário diferente quando falamos com eles.
O patriarcado beneficia meninos e homens de muitas maneiras. Dá poder e privilégios. Mas também causa danos. Torna difícil para meninos e homens acessarem suas emoções.
Sob o patriarcado, rapazes e homens têm tudo, exceto o que mais vale a pena ter, que é a conexão humana.
BBC – No livro você se pergunta se talvez esteja inconscientemente socializando seus filhos para que sejam meninos normativamente masculinos. Como você fez para detectar se isso estava acontecendo?
Whippman – Acho que muitas vezes buscamos nos lugares errados. Percebi que a socialização que meus filhos estavam tendo como meninos tinha menos a ver com o que eu fazia, do que com o que eu não fazia, com o que faltava.
Um exemplo disso é o tipo de modelos a que meus filhos e todos os meninos são expostos, especialmente em filmes, programas de TV, livros, etc.
No meu livro eu conto, por exemplo, que um dia me deparei com uma revista claramente voltada para meninas, com capa rosa e brilhante. E havia uma história nessa revista sobre uma garota que foi convidada para duas festas de aniversário que aconteceriam ao mesmo tempo.
A menina estava muito preocupada em não decepcionar nenhum de seus amigos. Ela então corria entre os dois lugares, fingindo estar totalmente presente em ambos e ficava exausta com todo aquele trabalho emocional.
E enquanto eu lia aquela história, pensava: 'Nunca haveria uma história em que um menino desempenhasse o papel principal de se preocupar com os sentimentos de todos, analisando-os e tentando compensá-los'.
O tipo de relacionamento humano que meus filhos veem refletido nas histórias é sobre batalhas e competições; um é herói, o outro vilão; um é morto, o outro é coroado herói glorioso. E não expomos as crianças a outros modelos a seguir.
Também ouço muita gente que acredita que as crianças são essencialmente simples, que só precisam de comida e exercício, e que basta cansá-las com alguma atividade física.
Não reconhecemos nem nos comprometemos com sua complexidade emocional. É por isso que eles também não aprendem a se ver dessa forma.
BBC – E os pais têm a capacidade de mudar isso? Ou todo o sistema, que você mesmo descreve como algo muito obscuro e poderoso, precisa mudar?
Whippman – Eu acho que tem que ser os dois.
Nos EUA, por exemplo, há muita ênfase na responsabilidade individual. O fardo de corrigir o sistema recai muitas vezes sobre os pais e, claro, especialmente sobre as mães.
Existe uma crença profundamente enraizada de que podemos socializar a criança da maneira que quisermos, fazendo todas as coisas certas. E acho que isso não ajuda.
Sim, temos algum poder. Os pais são importantes. As decisões que tomamos são importantes.
Mas precisamos ter um debate mais amplo. Temos que começar a perceber essas coisas, a nomear o problema.
Acredito que a mudança cultural é possível. Acho que com as meninas, por exemplo, fizemos um trabalho muito bom.
Penso nas mensagens sexistas que eram comuns quando eu era criança e que começamos a superar com muitas, muitas pequenas mudanças culturais e conversas. Coisas que seriam aceitáveis ​​naquela época não são aceitáveis ​​agora de forma alguma.
A cultura pode mudar, mas acho que temos que começar a falar sobre isso e fazer a nossa parte.
BBC – Você se define como feminista. E você menciona que às vezes você sente que seus princípios feministas podem entrar em conflito com o fato de você estar criando meninos. Você diria que a maternidade feminista é possível quando você tem filhos meninos?
Whippman – Especialmente na era pós #MeToo, acho que nós, mulheres, perdemos a boa vontade para com meninos e homens.
Sentimos que havíamos sido complacentes durante tanto tempo e sofrido tantos danos que foi muito fácil enquadrar a conversa em torno da ideia de que, se você é feminista, está do lado das mulheres e das meninas.
Foi uma espécie de dicotomia estranha e falsa. Havia quase uma divisão tribal em que cuidar das crianças era entendido como uma causa antifeminista de direita.
Mas, na realidade, existe uma tradição muito forte e bonita dentro do feminismo de reconhecer que o patriarcado também prejudica os homens e os rapazes.
Ajudar homens e meninos não vai contra o projeto feminista. Faz parte dele. Não só porque ter homens emocionalmente mais saudáveis ​​beneficia as mulheres, o que é claro que acontece, mas também porque o patriarcado prejudica a todos nós. Estamos todos presos em um sistema tóxico.
BBC – Seu livro é muito engraçado e usa o humor para abrir uma discussão que muitos acham difícil de navegar. Você acha que o humor desempenha um papel importante na criação dos filhos meninos?
Whippman – Sim, penso que, como mãe e como ser humano no mundo em geral, é importante poder ver o absurdo e não apenas cair no desespero.
Todas as crianças respondem ao humor, mas acho que mais os filhos meninos, porque não têm permissão social para ter outro tipo de conversa sincera, mais vulnerável, mais pessoal.
Uma das coisas que percebi ao conversar com muitos meninos e adolescentes para o livro é que eles são muito, muito engraçados. E eles constroem esses músculos em parte porque precisam. Suas conversas entre irmãos e amigos giram em torno de piadas.
Às vezes é uma forma de evitar a intimidade, mas às vezes também é uma forma de construí-la.
BBC – As mães estão sempre carregadas de muitas expectativas. Você mesmo descreve a parentalidade como um processo difícil, pesado e até cruel. Se você pudesse dar um conselho às mães que criam meninos, qual seria?
Whippman – Permita-se um respiro. Não cabe a você corrigir a masculinidade tóxica em sua própria casa.
Tente abordar seu filho com generosidade e vê-lo como um ser humano emocional complexo e como alguém com quem você pode se conectar exatamente da mesma maneira que faria com uma filha. Ele não é um ser extraterrestre.
Concentre-se realmente na conexão. Concentre-se no lado emocional do relacionamento, nos sentimentos deles e nos seus.
Além disso, faça com que ele assuma a responsabilidade pelos sentimentos das outras pessoas – acho que tendemos a deixar os meninos escaparem impunes – e tente corrigir essa lacuna em suas habilidades emocionais e sociais.
BBC – Por fim, depois de toda a pesquisa que você fez e da sua própria experiência criando três filhos, como você diria que é, em poucas frases, criar meninos neste contexto histórico?
Whippman – Parece uma grande oportunidade para mudar as coisas. Temos uma revolução inacabada em termos de gênero. Acredito que a geração das nossas mães fez um excelente trabalho ao expandir as possibilidades e os papéis das meninas.
Agora chegou o momento de fazer o mesmo com os meninos. Acredito que estamos vivendo o início de um novo capítulo emocionante.

Método que elimina poluentes tóxicos da água que podem afetar a saúde é criado pela USP

O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?
Feito com lã de aço e água oxigenada, processo elimina fenol, bifenol A e tetrabromobisfenol A das águas dos rios. Método criado pela USP São Carlos elimina poluentes tóxicos da água
Reprodução/USP
Um processo feito com lã de aço e água oxigenada, criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), conseguiu degradar poluentes tóxicos presentes na água que podem impactar na saúde humana.
O método, que é simples, mas eficaz, tem potencial para ser aplicado em larga escala e combater a poluição gerada pelas atividades humanas e substâncias comuns em produtos industriais como o fenol, bifenol A e tetrabromobisfenol A.
➖ Fenol: está presente no efluente de vários tipos de indústrias, inclusive no meio estético;
➖ Bisfenol A: é encontrado em plásticos;
➖ Tetrabromobisfenol A: é um retardante de chama aplicado em diversos produtos.
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Nova tecnologia desenvolvida pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC) utiliza silicone em sua composição, o que permite que o material seja mais flexível e resistente a umidade
Reprodução/Google Maps
Embora esses compostos apareçam em concentrações muito baixas em rios e no meio ambiente em geral, eles podem se acumular e causar sérios impactos à natureza e à saúde humana, podendo desregular o sistema endócrino, responsável pela produção de hormônios.
“Estudos indicam que essas substâncias podem afetar negativamente a tireoide, as mamas e o sistema reprodutor masculino, incluindo a próstata, além de causar alterações hormonais em peixes”, explicou Vanessa Labriola, pesquisadora do Instituto de Química de São Carlos (IQSC).
Como funciona
Método criado pela USP São Carlos elimina poluentes tóxicos da água
Reprodução/USP
Para degradar os contaminantes, os pesquisadores do IQSC criaram um processo dividido em duas etapas:
A lã de aço é colocada na água e libera partículas de ferro lentamente, as quais reagem com os compostos tóxicos os quebrando em moléculas menores;
A água oxigenada é adicionada à solução transformando os restos de poluentes em gás carbônico e água.
👍🏻 Em poucos minutos é possível degradar 100% dos contaminantes. A mistura final pode ser usada como irrigação e em atividades industriais.
👍🏻 Este método se destaca por sua automatização já que é realizado em um único ciclo, ao contrário de outros que requerem várias etapas. Isso possibilita um tratamento contínuo, similar ao das estações de tratamento de água, e não gera resíduos como o lodo, pois a lã de aço libera o ferro de forma gradual.
💡 A ideia é que o novo procedimento seja acrescentado como uma etapa complementar de tratamento junto às estações.
De acordo com os cientistas, o método desenvolvido representa um avanço significativo na capacidade de tratamento de poluentes emergentes ao oferecer uma solução mais sustentável e econômica.
Os próximos passos da pesquisa envolvem avaliar a eficácia do tratamento em diferentes tipos de água, validar a qualidade da água tratada através da realização de outros tipos de testes e estudar o aumento de escala do método.
Monitoramento
O professor do IQSC da USP de São Carlos Eduardo Bessa Azevedo
Henrique Fontes/IQSC
O professor do IQSC Eduardo Bessa Azevedo, orientador da pesquisa, alertou para a importância do monitoramento desses contaminantes, pois além de não haver legislação que limite seu descarte, os sistemas atuais de tratamento de água não conseguem removê-los de maneira eficaz.
“Esses sistemas foram originalmente projetados para remover contaminantes conhecidos na época de sua construção. Apenas recentemente, com os avanços nas metodologias analíticas, passamos a detectar esse tipo de poluente”, concluiu.
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O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?

O que é a educação permissiva praticada por pais em casa e por que ela está ‘enlouquecendo’ professores?
Docente da rede pública publicou desabafo nas redes sociais e ganhou apoio de centenas de outros educadores: 'As crianças não sabem mais o que é regra e o que é autoridade', afirma. Especialistas explicam que a permissividade vem de uma interpretação errada de outra filosofia: a educação positiva. O que é educação permissiva?
“Está um inferno dar aula para o seu filho. Não dá para negociar com 30 ou 40 crianças ao mesmo tempo. Precisa ter ideia de respeito ao próximo, de igualdade."
➡️O desabafo é de uma professora da rede pública de São Paulo, que diz ter chegado ao seu limite: está desesperada por ter de lidar com crianças que não seguem regras nem aceitam a autoridade (mesmo que respeitosa) dos docentes.
Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, Rebeca Café, de 29 anos, atribui esse caos à “educação permissiva”. É a aplicação malsucedida da “educação positiva”, que está em voga nas redes sociais por pregar noções de respeito, diálogo e negociação na educação dos filhos, sem autoritarismo [veja detalhes ao longo da reportagem].
Você está cometendo esse deslize em casa e sendo muito permissivo? Ou, no outro extremo, anda muito autoritário? Faça o quiz mais abaixo e descubra seu perfil.
🧑‍🏫Para a professora, a tentativa de os pais “camuflarem” as regras e sempre permitirem que a criança tome decisões está inviabilizando o trabalho dos professores. São casos em que os familiares, em vez de falarem, por exemplo, “João, é hora de almoçar”, dizem: “João, você prefere almoçar com o garfo amarelo ou com o azul?”.
Ao g1, Rebeca conta que não se opõe à educação respeitosa — inclusive, chega a aplicá-la com o filho, em casa. Mas percebe que uma interpretação errada do conceito está tomando a internet e gerando indivíduos com dificuldade de viver em sociedade. Os alunos não aceitam mais, por exemplo, que haja um horário fixo para terminar o recreio, mesmo que outra turma precise ocupar o parquinho em seguida.
“Só no ‘achismo’, sem o embasamento correto, teremos a permissividade. Em casa, a criança não sabe mais o que é regra e o que é autoridade. Na escola, portanto, não vai entender que existem normas e que os adultos são responsáveis por ela. Vira uma pessoa egocêntrica, que não se desenvolve bem no coletivo e que quer toda a atenção para si. Atrapalha o rendimento dos colegas”, afirma Rebeca.
Descubra seu perfil como pai/mãe e, em seguida, entenda:
a diferença entre educação positiva e permissiva;
se tudo realmente precisa ser negociado com a criança (até a hora de tomar banho);
quais os desdobramentos na escola;
como evitar cair na permissividade ou no autoritarismo.

Mas, afinal, qual é a diferença entre educação positiva e permissiva?
Segundo a pedagoga Ariella Warner, especialista na abordagem cognitivo-comportamental na infância e na adolescência, a educação positiva nasceu para se opor à educação violenta, à opressão e ao silenciamento das crianças. Deixar de castigo, fazer ameaças, gritar ou usar força física são práticas que devem ser abandonadas.
“O problema é que as pessoas que pregam essa filosofia do respeito estão se perdendo no personagem. Confundem ser ‘respeitoso’ com ser ‘permissivo’. Precisamos fazer as pazes com a nossa autoridade e entender que estamos guiando nossos filhos, dando a mão para eles e mostrando o caminho”, diz.
“Isso é diferente de ir andando atrás deles e reduzindo os danos. É importante fugir do autoritarismo, mas sem esquecer que as crianças não têm maturidade para gerenciar tudo”, afirma.
Maya Eigenmann, neuropedagoga focada em educação positiva, acrescenta que os adultos devem ser os guias das crianças, sempre estabelecendo limites.
“Não posso me ausentar das minhas responsabilidades e deixar uma criança que ainda está em desenvolvimento ‘largada’. Para se sentir segura, ela precisa de referências e de um adulto em quem confie”, afirma.
É verdade que, na educação positiva, tudo é negociado?
🚿Está na hora do banho.
Você pergunta: “João, prefere tomar banho agora ou daqui a 5 minutos?”
🍽️Está na hora do almoço, e a criança necessita de mais ferro na alimentação.
“João, você prefere comer feijão ao lado ou em cima do arroz?”.
São formas de disfarçar as regras, para que a criança as obedeça ao sentir que está tomando decisões importantes.
Isso é educação positiva? Não. É educação permissiva, explica Warner.
“Isso não é uma negociação com a abordagem correta. É possível ter um diálogo, mas sem abrir mão da regra. Por exemplo: ‘precisamos tomar banho; vamos pensar em um jeito divertido? Que tal levar seus pratinhos para o chuveiro? Tem outra ideia?’. Se a criança não entrar no jogo, terei de dizer: ‘Puxa, você não está mesmo no clima de um banho divertido. Vamos, então, tomar o banho normal mesmo.”
O importante, afirma a pedagoga, é não abrir mão de que é, sim, hora de ir para o chuveiro.
“Se chorar, a gente espera, acalma, diz que está tudo bem e explica que, mesmo depois do banho, os brinquedos continuarão ali. É preciso ‘congelar’ a cena, ser carinhoso e acolher.”
Quando a criança estiver mais “regulada”, deve cumprir a ordem dos pais, sem negociações de “mais 5 minutinhos” ou “só mais um desenho animado”.
“Elas precisam aprender a negociar, sim, mas não de um jeito fake. Se você quiser ouvir Beatles no carro, mas ela preferir Galinha Pintadinha, dá para chegar a um consenso e colocar 5 músicas de cada. Isso é negociação. Mas se for uma ordem disfarçada, não faz sentido. Ela precisa entender que existem regras”, reforça a pedagoga Warner.
➡️De acordo com a psicóloga Rita Calegari, os pais andam tão preocupados em não desagradar aos filhos que evitam ao máximo qualquer tipo de embate. Não querem que sintam raiva deles. É uma geração de pais inseguros, que foram muito reprimidos na infância e que agora, para não repetir os mesmos erros dos quais foram vítimas, vão para o outro extremo, diz a especialista.
“Se a criança não obedecer, uma coisa é bater nela [que seria algo autoritário e agressivo]. Outra é aceitar que ela não está feliz, acolher o choro, dar um abraço e manter a orientação inicial, sem voltar atrás. Os pais que evitam embate acabam criando indivíduos sem resiliência”, afirma.
E o que acontece na escola?
Professores queixam-se da falta de respeito das crianças nas escolas
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📢A palavra “autoridade” não significa “autoritarismo”, ok? É possível estabelecer que os adultos são os “guias” da criança, que vão dar as orientações corretas para que ela esteja sempre em segurança, sem que essa “hierarquia” venha acompanhada de gritos, ameaças e castigos.
Se, em casa, os filhos não entenderem que precisam obedecer aos pais, não será na escola que respeitarão os professores, afirma Warner.
“É uma transferência de autoridade. É a professora que deve ser ouvida. A criança pode perguntar, dialogar, mas o que for dito precisa ser aceito. Caso não haja esse tipo de relação em casa, ela vai ficar totalmente desregulada nas frustrações do dia a dia”, afirma a pedagoga.
Aí é que entra o caos descrito pela professora no vídeo que viralizou.
Imagine só, em uma escola pública, 30 alunos de 9 anos que, ao mesmo tempo, dizem que não vão aceitar que acabou a hora do recreio. Todos querem negociar mais 10 minutos ou mais uma brincadeira.
“Fica inviável para a gente, com salas superlotadas. Não dá para lidar com essas demandas socioemocionais, apagando incêndios o tempo todo. Precisamos dar conta de ensinar o conteúdo, de preencher todas as plataformas do governo, de medir o desempenho da turma, de incluir alunos atípicos… Conciliar tudo isso com crianças que não aceitam regras leva ao nosso colapso. Não estamos dando conta”, afirma Rebeca ao g1.
“Não tem como, sem um professor auxiliar ou sem um apoio para a inclusão, colocar em prática essa negociação a todo tempo. Existem questões de funcionamento da sociedade. Na vida adulta, nem tudo será negociado”, diz.
Como aplicar a educação positiva sem cair na permissividade?
É importante abraçar seu filho e ouvi-lo, mas sem abrir mão das regras
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Construa uma noção de autoridade que seja afetuosa e serena, sem caos e violência (verbal ou física). A criança vai enxergar, aos poucos, que você é o “farol” dela. Saberá que, se os pais estão falando que precisa fazer determinada tarefa, é pelo bem dela.
Essa consciência só será manifestada a partir dos 4-5 anos. Até lá, seu filho vai agir de forma mais instintiva. Por isso, é importante não mudar a regra depois de um choro ou de uma reclamação.
Diga que entende a insatisfação da criança, ofereça colo, dê um abraço, mas não mude a regra. A noção de respeito à sua autoridade vai ser construída aos pouquinhos.
Não iniba seu filho quando ele demonstrar revolta ou tristeza. Não tem problema se ele chorar ou se disser que não ama mais a família. Evite frases como “engole esse choro!”. O importante aqui é que ele se sinta acolhido, perceba que está em um ambiente seguro e que, mesmo assim, note que as regras não serão modificadas.
Gritos e castigos traumáticos não devem jamais fazer parte da rotina da família.
A educação não pode ser focada apenas no “eu”. É preciso pensar em educar um indivíduo para o coletivo. Saber lidar com frustrações faz parte disso. Aos 17 anos, por exemplo, em um primeiro namoro, será preciso respeitar a vontade do parceiro/parceira. No vestibular, também não será possível “negociar” a aprovação com a universidade.
Quer exemplos práticos do que fazer em cada situação, como um choro no parque? Faça o quiz mais acima, descubra seu perfil de pai/mãe e veja as dicas de como agir para buscar o equilíbrio.
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