Resultados do Prouni do 2º semestre saem nesta quarta; entenda porque os candidatos são ‘pré-selecionados’

Ensino de espanhol na educação pública vira batalha de interesses no Brasil
Na segunda edição do ano do Programa Universidade Para Todos, serão distribuídas um total de 243.850 bolsas, sendo 170.319 integrais (100%) e 73.531 parciais (50%). Resultado do 2º Prouni de 2024 sai em 31 de julho.
Vitória Guimarães/Rede Amazônica
Os resultados da edição do Prouni para o 2º semestre de 2024 serão divulgados nesta quarta-feira (31), no site https://acessounico.mec.gov.br/prouni e nas páginas das instituições de ensino participantes. É preciso utilizar o login da conta "gov.br" com CPF e senha.
📆 O que é o Prouni? Por meio do Programa Universidade Para Todos, candidatos de baixa renda utilizam as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pleitear bolsas de estudo parciais e integrais em instituições de ensino superior privadas.
📆 Quando as inscrições terminaram? A etapa de inscrição terminou em 26 de julho.
📆 O que significa ser "pré-selecionado"? Não estranhe: o sistema do Prouni não chama ninguém de "aprovado" logo de cara. A nomenclatura usada é "pré-selecionado", porque ainda haverá as etapas de:
verificação de documentos, para comprovar o que foi informado no ato da inscrição (como renda familiar);
provas adicionais (apenas em universidades que implementam essa fase extra, com a exigência de que informem aos alunos os detalhes do processo em no máximo 24 horas após a divulgação dos resultados);
formação de turmas (é preciso que haja um número mínimo de matriculados no curso para que a turma exista). Se não isso acontecer, o candidato do Prouni será reprovado.
📈Quem não foi pré-selecionado ainda tem chance? Sim. Ainda será publicada uma segunda chamada em 20 de agosto. Caso o aluno novamente seja reprovado, ele pode manifestar interesse em concorrer à lista de espera, na qual as instituições de ensino convocam candidatos para preencher bolsas não ocupadas.
📈 Quais são os critérios de desempate? No caso de notas idênticas na média aritmética das notas do Enem, o desempate entre os candidatos será determinado de acordo com a seguinte ordem de critérios:
Maior nota na prova de redação.
Maior nota na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias.
Maior nota na prova de matemática e suas tecnologias.
Maior nota na prova de ciências da natureza e suas tecnologias.
Maior nota na prova de ciências humanas e suas tecnologias.
📅 Datas do ProUni 2024 do 2º semestre
Inscrições: 23 a 26 de julho
Resultado da primeira chamada: 31 de julho
Resultado da segunda chamada: 20 de agosto
Manifestação de interesse na lista de espera: 9 e 10 de setembro
Resultado da lista de espera: 13 de setembro
📚 Quem pôde se inscrever
Pôde se inscrever o candidato que realizou o Enem 2022 ou 2023 e obteve média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação.
Além disso, era preciso atender a pelo menos um dos pontos abaixo:
Ter cursado o ensino médio em escola pública ou privada, sem diploma de educação superior; ou
Ser uma pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação, também sem ter feito graduação; ou
Exercer a função de professor da rede pública de ensino (exclusivamente para quem busca cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica).
Total de vagas e distribuição por UF
A edição do Prouni do 2º semestre de 2024 vai distribuir um total de 243.850 bolsas, sendo 170.319 integrais (100%) e 73.531 parciais (50%).
Participam desta edição do programa 901 instituições privadas de ensino superior, com 367 cursos.
Número de bolsas ofertadas por UF
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Rayssa Leal ‘travou’ na matemática: você saberia resolver questão que deixou skatista sem palavras?

Ensino de espanhol na educação pública vira batalha de interesses no Brasil
Jornalista Marcelo Barreto, do sportv, fez uma brincadeira e testou se a atleta de 16 anos ainda se lembra do que aprendeu antes das férias. Initial plugin text
Esperamos que a professora de matemática da skatista Rayssa Leal seja boazinha 🙏e tenha em mente que não é fácil fazer um Flip Smith de Back ou um Heelflip Frontside Boardslide e ainda lembrar, nas férias escolares, as fórmulas de matemática, né?
Nesta segunda-feira (29), em uma brincadeira (muito espirituosa), o jornalista Marcelo Barreto, do sportv, disse à atleta de 16 anos que faria uma pergunta inédita. E lançou a questão:
🎤"Quero saber de você, Rayssa, qual a fórmula de Bhaskara."
A Fadinha riu, passou por aqueles segundos de tensão que qualquer um que já foi estudante conhece bem, e respondeu, levando na esportiva (perdão pelo trocadilho):
🧚"Então… a gente tá de férias, né? Não voltou a escola ainda. Aí, para a gente estar relembrando, vai ser um pouco difícil."
Tudo bem, Rayssa, seria egoísmo já ser medalhista olímpica e ainda querer o pódio nas competições de matemática. Vamos deixar algum prêmio para os amiguinhos!
🧮 Mas e você? Consegue se lembrar qual é a fórmula de Bhaskara e para que ela serve?
É o instrumento principal para resolver questões de segundo grau. Veja abaixo.
Entenda a fórmula de Bhaskara
Arte/g1
Rayssa contou ao sportv que a volta às aulas na escola onde estuda será em 1º de agosto. Por enquanto, para ela, nada de delta ou de raiz quadrada.
"Como eu vou estar aqui em Paris ainda, vou cuidar [de Bhaskara] só dia 10. Vou tirar um tempinho para passear, porque minhas férias foram de trabalho duro. Vou passear um pouquinho!"
Rayssa Leal
Angelika Warmuth/Reuters
Vídeos

Três palitos de fósforo sustentam uma garrafa com água? Entenda o experimento e saiba como ele pode cair no vestibular

Ensino de espanhol na educação pública vira batalha de interesses no Brasil
Vídeos que mostram a experiência sempre deixam internautas curiosos. Mas explicação é científica e até já apareceu em vestibulares. Veja como isso é possível. Estática: a ‘mágica’ que permite que uma garrafa de água fique pendurada por palitos
Como três palitos de fósforos e uma corda podem equilibrar o peso de uma garrafa com água? Vídeos que mostram esse “mistério” sempre surgem nas redes sociais e deixam muita gente se perguntando: isso é real ou não passa de um truque?
O g1 consultou professores de física que explicaram que sim, é real! E tudo isso se deve a um conceito físico chamado estática.
💡 Esse campo da física faz parte da mecânica e estuda o equilíbrio de corpos e objetos. Simplificando um pouco, o estudo desse campo defende que objetos com massas e tamanhos diferentes podem ficar em equilíbrio nas condições ideais.
É essa lógica que permite, por exemplo, que duas pessoas de pesos diferentes fiquem em perfeito equilíbrio em uma gangorra (veja a explicação no final dessa reportagem).
Além disso, a estática também aparece no cotidiano de outras maneiras quase imperceptíveis, especialmente na engenharia e na arquitetura.
Como outros conceitos da física, essa área também envolve fórmulas e pode ser cobrada em vestibulares (veja mais abaixo).
Experimento físico mostra como uma garrafa com água pode ser mantida suspensa por palitos de fósforo.
Rafael Leal/g1
🤔 Desvendando o experimento
Talvez seja difícil entender como os fósforos e o cordão conseguem equilibrar o peso da garrafa sem a necessidade de outro peso para manter toda a estrutura no lugar. Isso acontece porque, de maneira lógica, o cérebro entende que são necessárias duas forças para que o equilíbrio seja possível.
"Carlinhos" Carlos Marmo, professor de física do Curso Anglo, explica que, se um objeto (a garrafa) faz força para baixo por causa de seu peso, é preciso uma outra força para que ele não continue caindo.
O que muita gente não percebe é que essa outra força está presente na estrutura de uma maneira sutil. O palito na vertical que interliga os outros dois na horizontal está fazendo uma força para cima, em contraponto ao peso da garrafa.
Detalhamento do experimento da garrafa com água suspensa por palitos de fósforos.
Juan Silva/g1
Agora, talvez você se pergunte: "O fósforo tem capacidade de fazer uma força igual a da farrafa para que ela não caia? O palito não quebra?".
Sim, o palito pode se partir, mas isso acontece principalmente pelo modo como ele foi fabricado e qualidade do material utilizado, e não necessariamente por ser fino ou de madeira. Durante a preparação para gravação final do experimento do g1 (no vídeo mais acima), por exemplo, pelo menos três palitos foram quebrados.
"De todo modo, madeira é um material de grande resistência mecânica (três vezes mais resistente à compressão que concreto comum)", continua o professor Carlinhos. Ou seja, o material tem, sim, capacidade de retardar e até impedir a queda da garrafa.
Além disso, Enio Kaufmann, professor de física do colégio Unificado de Porto Alegre (RS), explica que a força feita pelo palito não é igual à da garrafa, mas é equivalente. Segundo ele, é preciso pensar na estrutura como todo, inclusive na mesa onde o palito da base está apoiado.
A estrutura montada com os palitos e o cordão funciona como uma continuação da mesa. Dessa forma, por mais que pareça que os palitos que estão equilibrando o peso da garrafa, é a mesa que proporciona a firmeza necessária para que a garrafa permaneça pendurada. A mesa também absorve boa parte da força feita pelo peso, então apenas uma parte dela está sobre os palitos.
Graças a tudo isso, o peso da garrafa fica bem distribuído e a experiência é possível.
📖 Estática nos vestibulares
Conhecimentos de estática podem ser cobrados em vestibulares. Inclusive, este mesmo experimento já apareceu na primeira fase da Fuvest em 2021.
A questão pedia para o estudante sinalizar a relação necessária entre o peso da garrafa e a força feita pelo palito para que a estrutura se mantivesse firme. Para chegar ao resultado correto, era preciso entender também a relação do ângulo e das distâncias formados pela estrutura.
Questão da Fuvest de 2021 sobre estática usava exemplo do experimento da garrafa.
Reprodução
Carlinhos Marma explica que a pergunta não parece uma pegadinha para quem já está familiarizado com o tema, apesar de as alternativas confundir quem não conhece o assunto.
"A mecânica da estática usa alguns termos específicos, como momento ou toque, centro de massa e centro de gravidade, alavanca, entre outros. Para explicar todos esses conceitos e exemplificar suas fórmulas, seriam necessárias duas aulas de 40 minutos cada", brinca ele.
Ainda assim, ele diz que a resposta correta era a A, e explica que a lógica de resolução da questão.
"O peso P é grande, porque é o peso da garrafa de água. No entanto, o seu braço de alavanca é pequeno (distância D até o ponto de apoio A). Já o braço de alavanca da força F é grande (distância L até o ponto de apoio A). Por isso, a força F é pouco intensa." Portanto, há um equilíbrio entre entre as forças e respectivas distâncias.
É igual ao conceito de uma gangorra. Se uma pessoa mais pesada se senta em um dos lados, e uma pessoa mais leve se senta do outro, claramente a gangorra vai ceder sob o maior peso. Mas se essa gangorra é mais extensa do lado que a pessoa mais leve vai sentar, de maneira proporcional à diferença do peso dessas duas pessoas, haverá um equilíbrio perfeito entre os dois lados.
É igual ao conceito de uma gangorra. Se uma pessoa mais pesada senta em um dos lados, e uma pessoa mais leve senta do outro, claramente a gangorra vai ceder sob o maior peso. Mas se essa gangorra é mais extensa do lado que a pessoa mais leve vai sentar, de maneira proporcional à diferença do peso dessas duas pessoas, haverá um equilíbrio perfeito entre os dois lados.
Para os professores, estes exemplos abrangem uma lógica que fica mais clara confirme o estudante toma conhecimento sobre estática. Mas deixam claro que cada conceito dentro deste assunto tem sua própria fórmula, e que os vestibulares também podem cobrar a resolução de cálculos quando necessário.
VÍDEOS DE EDUCAÇÃO

Vídeo mostra bateria de lítio explodindo em elevador da China; saiba como evitar acidentes

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Imagens não são de 2024, mas viralizaram nas redes sociais nesta semana. Entenda como funcionam as baterias usadas em bicicletas elétricas, carros, notebooks e celulares. Bateria de lítio explode em elevador na China; veja vídeo viral
Um vídeo antigo (assista acima) que viralizou nesta semana mostra o exato momento em que uma bateria de lítio (usada em bicicletas elétricas, por exemplo) explodiu dentro de um elevador na China. O homem que a transportava foi resgatado pelos bombeiros com o corpo carbonizado.
🤔Nas redes sociais, usuários ficaram apavorados e manifestaram dúvidas como:
É arriscado usar celulares, notebooks, bikes e carros elétricos com esse tipo de bateria?
Deveria ser proibido entrar em elevadores carregando esses dispositivos?
Como evitar acidentes?
O g1 consultou especialistas, representantes do setor e professores de química e física para esclarecer essas questões (veja as respostas mais abaixo).
➡️Nos Estados Unidos, a população passou a se preocupar mais a partir da pandemia de Covid-19, quando, diante do crescimento dos serviços de delivery, entregadores começaram a procurar opções mais baratas de bicicletas elétricas.
Segundo a agência de notícias AP, no mercado "paralelo" (principalmente na internet), vendedores importavam baterias de lítio inseguras e sem certificação de segurança para reduzir os custos de produção dos veículos.
Só em Nova York, em 2022, foram cerca de 200 incêndios ligados a esses equipamentos, de acordo com as autoridades municipais.
➡️E no Brasil, há algum controle da qualidade das baterias? Ao g1, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) afirmou que o país ainda não tem uma regulamentação compulsória para as baterias de lítio.
"Elas são, em sua grande maioria, importadas. Entendemos ser de grande importância estabelecer um regramento brasileiro, pois há uma grande quantidade de produtos entrando em nosso mercado sem a devida comprovação de atendimento aos padrões mínimos de segurança", afirma o órgão.
Mas, calma, não precisa se desesperar: tomando os devidos cuidados na compra e no manuseio de aparelhos com essas baterias, é possível evitar acidentes. Os especialistas ouvidos pelo g1 reforçam que não é necessário abandonar as baterias de lítio.
Tire suas dúvidas abaixo:
Quais as vantagens do lítio?
Carros elétricos usam bateria de lítio
Mike Bird/Pexels
Para começar, vamos entender que o metal alcalino lítio é frequentemente usado em baterias por 5 motivos principais:
alta densidade de carga (mesmo com estrutura menor, mantém uma boa capacidade de armazenar energia);
disponibilidade do recurso (o Brasil é o quinto maior produtor do mundo);
baixa "autodescarga" (descarrega pouco se não estiver sendo usado);
ciclo de vida útil mais longo;
carregamento veloz.
"O principal é: o lítio é um átomo pequeno e 'leve' que, em pequena quantidade, gera uma carga alta de energia. Ele permitiu que aqueles celulares antigos, 'tijolões', virassem os modelos atuais, mais fininhos", explica João Pitoscio, professor de química do Curso Etapa (SP).
Como a bateria de lítio funciona?
O mecanismo de funcionamento é o mesmo de outras baterias: dois eletrodos (polo negativo e polo positivo) ficam separados por um eletrólito (solução que transporta íons de um lado para o outro quando o aparelho é carregado ou descarregado).
Acontece, então, um processo de oxirredução. Em palavras mais simples: por meio da transferência de elétrons, a energia química é transformada em elétrica dentro da bateria.
O que pode levar uma bateria a entrar em combustão?
Bateria de lítio explode dentro de elevador na China
Reprodução
Os especialistas reforçam que não é possível saber exatamente o que levou a bateria do vídeo a explodir.
De acordo com Leonardo Zani, professor de física do Curso Anglo (SP), as possibilidades são as seguintes:
problema de design ou de produção da bateria (se ela tiver falhas nos separadores de eletrodos, pode haver curto-circuito);
pancadas ou perfurações (sofridas em quedas ou batidas do equipamento que usa a bateria);
uso inadequado (como deixar o aparelho na tomada por mais tempo do que o indicado no manual de instruções, levando a uma sobrecarga elétrica, ou usar um carregador falsificado);
condições extremas de temperatura (ambientes muito quentes ou muito frios — dificilmente seria o caso do elevador).
"O mais provável é que tenha havido um curto-circuito por algum problema no separador dos eletrodos [que deveriam ficar isolados]. Isso levou à ignição [fase inicial do incêndio] e à explosão", explica Zani.
Como evitar os acidentes?
Antes de tudo, um esclarecimento: nas redes sociais, usuários compartilharam o vídeo com um alerta de "jamais transporte baterias de lítio em elevadores".
Os professores explicam, no entanto, que o elevador não oferece nenhuma condição específica que aumente o risco de incêndio. O problema é ser um espaço fechado, em que não há rota de fuga para a vítima.
"A bateria provavelmente já estava danificada e explodiria de qualquer forma", diz o docente de física.
Veja recomendações para evitar acidentes:
Preste atenção ao tempo de carregamento. Dependendo da tecnologia e da qualidade do aparelho, fornecer energia em excesso à bateria pode fazer com que ela superaqueça e exploda.
"É algo raro nos produtos atuais, porque costumam ter o sistema BMS [battery management system] de gerenciamento de bateria. Ele reconhece quando o nível máximo é atingido e interrompe o carregamento", explica Carlos Roma, diretor técnico da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
"Em itens mais antigos, se o tempo de carregamento for de 4 horas, por exemplo, mas você deixar 8h, a energia vai sendo injetada sem parar, aumentando a temperatura e causando problemas."
O melhor é não arriscar. Deixe o aparelho na tomada apenas pelo tempo especificado no manual de instruções.
Fique atento também ao tipo de carregador usado: escolha sempre o indicado pelo fabricante e jamais compre um falsificado.
Pesquise sobre a qualidade do fabricante antes de comprar o produto. Duvide de preços muito baixos.
Observe se há danos externos na bateria. Se ela sofrer uma queda em uma bicicleta elétrica, por exemplo, verifique se está rachada ou se manifesta algum outro prejuízo aparente. Nunca tente consertá-la de maneira amadora, com fitas adesivas, nem a conecte ao carregador antes de uma inspeção.
Submeta a bateria a vistorias técnicas regulares, porque possíveis problemas internos só serão detectados por um especialista.
Armazene a bateria (e o equipamento) em ambientes com temperatura adequada. Condições extremas de frio e calor podem gerar prejuízos graves.
Se a bateria estiver muito quente, inchada ou ruidosa (com estalos e assobios), interrompa o uso e procure assistência técnica. No caso de fumaça, ligue para o Corpo de Bombeiros imediatamente.
Não deixe o equipamento exposto à luz solar direta.
Evite carregar baterias de lítio em superfícies como camas, sofás, carpetes e cobertores, que podem elevar a temperatura do aparelho.
Nunca carregue a bateria em locais próximos a saídas de incêndio, para que haja rota de fuga em caso de acidente.
Vídeos

Ensino de espanhol na educação pública vira batalha de interesses no Brasil

Ensino de espanhol na educação pública vira batalha de interesses no Brasil
Embaixadas estrangeiras, entidades de professores e parlamentares divergem sobre obrigatoriedade do idioma do Novo Ensino Médio. Vizinhos da América do Sul defendem a língua, enquanto países europeus são contrários. Sala de aula em colégio estadual no Paraná
Reprodução/RPC
O ensino de língua estrangeira na educação básica brasileira virou uma batalha de interesses de embaixadas estrangeiras, entidades de professores e parlamentares. O estopim foi a aprovação do texto do Novo Ensino Médio, no dia 9 de julho, na Câmara dos Deputados.
O texto aprovado aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, enquanto isso, está sob escrutínio de entidades de educação e professores. De autoria do deputado federal e relator Mendonça Filho (União-PE), o documento substitui a versão acatada pelo Senado e, entre outras medidas, suprime a obrigatoriedade do ensino de espanhol. Pelo texto aprovado pela Câmara, apenas o inglês é obrigatório.
A decisão ocorreu após lobby contra e a favor de pelo menos 10 embaixadas de países hispano falantes e de representantes diplomáticos de França, Alemanha e Itália.
➡️De um lado, os países da América do Sul que falam espanhol defendem a importância do ensino do idioma no Brasil para a integração regional.
➡️De outro, algumas embaixadas que fizeram lobby defendem que, sem a obrigatoriedade do espanhol, haveria a possibilidade de ofertar, caso as escolas queiram ou haja uma determinação estadual ou municipal, uma segunda língua.
"Na realidade brasileira, a gente tem um padrão de aprendizagem no final do ensino médio muito baixo, inclusive para o português. Se você incluir o espanhol, você vai criar ainda mais dificuldade para que o aluno possa ter o domínio da língua materna", justifica Mendonça Filho em entrevista à DW.
Segundo o deputado federal, também foi considerada na decisão a "ascendência de colônias importantes" de pessoas que migraram da Europa para o Brasil no século 20, como italianos, alemães, ucranianos e poloneses. "Evidentemente que se houver espaço para uma segunda língua, essas comunidades terão como preferência a língua da origem cultural dos seus antepassados", acrescentou.
Em 2005, o Brasil tornou o espanhol obrigatório no ensino médio por meio da Lei 11.161. No entanto, a regra foi revogada com a reforma do ensino médio, em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer.
Apesar disso, a obrigatoriedade estava prevista no documento que passou no Senado, em 2023.
"A retirada do espanhol foi um grande equívoco da Câmara, atendendo a um sentimento de comodidade dos secretários estaduais", destaca a senadora Dorinha Seabra (União-TO), relatora do projeto no Senado.
Segundo Seabra, deveriam ter sido levados em consideração os acordos internacionais que o país têm com países latino-americanos, bem como as fronteiras brasileiras na América do Sul.
"E uma coisa que é mais grave ainda: espanhol é a língua escolhida pela maioria dos estudantes na hora de fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)", acrescentou.
De acordo com dados de 2020 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 60% dos candidatos escolhem espanhol como opção de língua estrangeira no Enem.
Um novo projeto de lei, de autoria do deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE), tramita na Câmara, em caráter de urgência, pela reincorporação do espanhol como língua estrangeira obrigatória na fase final da educação básica.
Congresso aprova as regras para o Novo Ensino Médio
Cabo de guerra entre embaixadas
A decisão pelos idiomas estrangeiros inseridos como disciplina obrigatória no Novo Ensino Médio desencadeou um cabo de guerra entre as embaixadas e representantes diplomáticos junto ao Congresso Nacional. De acordo com uma reportagem publicada pela CNN Brasil, a embaixada da França no Brasil encabeçou um movimento de pressão na Câmara dos Deputados, com as representações da Itália e da Alemanha, pela retirada da obrigatoriedade do espanhol do currículo.
De acordo com o texto, a adida de cooperação educativa da embaixada francesa no Brasil, Hélène Ducret, teria afirmado que se o espanhol fosse tornado segundo idioma obrigatório nas escolas brasileiras, as "consequências seriam tremendas". Procuradas pela DW, as embaixadas da França e da Itália afirmaram que não iriam se pronunciar. A embaixada da Alemanha não respondeu ao pedido.
Um levantamento realizado pela DW usando a ferramenta Agenda Transparente, da Fiquem Sabendo (ONG que trabalha com transparência e acesso a informações públicas), mostra que Hélène Ducret participou de duas reuniões com o Ministério da Educação (MEC) neste ano, em 20 de janeiro e em 14 de junho.
As agendas mais recentes da embaixada da Alemanha com o MEC ocorreram em 28 de fevereiro de 2024, para tratar de cooperações, e em 24 de março de 2023, para tratar de parcerias educacionais.
No dia 2 de março do ano passado, representantes das embaixadas da Espanha, Peru, Paraguai, México, Chile e Argentina se encontraram com o ministro da Educação, Camilo Santana, para tratar da inserção do espanhol no ensino médio.
Neste ano, no dia 21 de fevereiro, o embaixador da Colômbia no Brasil também se reuniu com o ministro, mas o assunto do encontro não foi especificado na agenda. Procuradas para falar sobre a retirada do espanhol do currículo, as embaixadas da Espanha e do Uruguai responderam que não iriam se posicionar.
Mendonça Filho confirmou que foi procurado por mais de dez representantes de embaixadas de países hispano-falantes, bem como de representantes diplomáticos da Itália, França e Alemanha. "Acho legítimo que esses países possam expressar a defesa da sua identidade cultural e da sua língua", afirmou o parlamentar.
De acordo com ele, os argumentos a favor da manutenção do espanhol defendiam a integração do Brasil na região, já os contra reforçavam a presença das comunidades de ascendência europeia no país. "Respeito todos, mas eu entendo que tecnicamente e tendo em vista o interesse dos jovens brasileiros, a decisão do parlamento foi a mais acertada", defende.
Já a senadora Dorinha Seabra (União-TO), relatora do projeto no Senado, afirmou que durante a fase de tramitação do projeto recebeu representantes da Secretaria de Estado para Ibero-América e o Caribe e o Espanhol no Mundo do Ministério de Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação na Espanha, e das embaixadas da Espanha, Panamá, Cuba, Paraguai, Uruguai, Equador, Peru, Colômbia, Argentina, Chile e República Dominicana.
Contraofensiva das entidades de professores
Enquanto o texto do Novo Ensino Médio aguarda sanção presidencial, representantes de associações de professores de língua espanhola de 21 estados, de Associações de Linguística e Hispanistas, além de coletivos de defesa da educação, emitiram uma nota pública questionando a decisão da Câmara dos Deputados.
"É preciso ressaltar o papel do Brasil na América Latina, levando em conta sua posição geopolítica no continente e, especificamente, sua liderança na economia, com relações comerciais que contribuem para o crescimento de diversos segmentos, como a indústria, o comércio, o turismo e o ramo de serviços", destaca o texto.
As entidades afirmam que o Brasil realizou um investimento, desde 2005, na formação de docentes, abertura de novas graduações em letras português-espanhol e na compra de material didático.
"A decisão da Câmara foi superdecepcionante. Na educação, quanto mais você lê, mais você melhora o aprendizado, independentemente do idioma. Então, não faz sentido o argumento que irá atrapalhar o português", afirma a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Mônica Nariño, criadora do movimento Fica Espanhol.
Para ela, a decisão irá desestimular o interesse na formação de professores de espanhol em programas de licenciatura. "Eles acham que a gente vai virar uma Venezuela, uma Cuba. Eles têm medo dessa resistência", acrescenta Nariño. Mendonça Filho refuta que tenha havido motivação ideológica na decisão.
O movimento de professores a favor do espanhol afirma que buscará articulações estaduais para que o ensino do idioma seja obrigatório por meio de legislações e emendas. A DW encontrou proposições em vários estados e cidades que versam sobre a obrigatoriedade do espanhol no ensino médio, incluindo no Distrito Federal, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
"O espanhol é uma língua de integração regional das comunidades latinas. Agora, temos que nos articular, pois isso vai abrir uma porta para a precarização da nossa profissão", afirma Danio Rebouças, diretor de divulgação da Associação de Professores de Espanhol do Estado do Ceará (Apeece).
Em nota, o Ministério da Educação (MEC) se recusou a comentar a questão das embaixadas, tampouco divulgou se tem parcerias com essas organizações para fomento do ensino de línguas estrangeiras. A pasta também não divulgou dados de quantas línguas estrangeiras são ofertadas na rede de educação básica brasileira e a quantidade de alunos que estudam cada uma delas.
O ministério também destacou, em nota, que estados, municípios e o Distrito Federal têm autonomia para organizar seus próprios sistemas de ensino.
"Assim, podem estabelecer, nos seus currículos: a obrigatoriedade da língua inglesa como componente curricular na educação infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental e/ou estabelecer a obrigatoriedade de componentes curriculares na forma de outras línguas estrangeiras ao longo de todo o ensino fundamental e médio”.
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