Embraer oferece mais de 160 bolsas de estudos em tecnologia exclusivas para pessoas com mais de 50 anos; veja como se inscrever

Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
As inscrições começam na próxima segunda-feira (5) e vão até setembro. Os alunos vão compor o banco de talentos da Embraer e de empresas parceiras em futuros processos seletivos. Embraer oferece mais de 160 bolsas de estudos em tecnologia exclusivas para pessoas com mais de 50 anos; veja como se inscrever
Divulgação/Embraer
A Embraer, fabricante de aviões com sede em São José dos Campos, anunciou nesta sexta-feira (2) que vai oferecer 165 bolsas de estudos exclusivas para profissionais de 50 anos ou mais. Pessoas de todas as regiões do Brasil podem se inscrever.
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Segundo a Embraer, as inscrições abrem na próxima segunda-feira (5) e seguem até 6 de setembro. A divulgação do resultado do processo seletivo será no fim do mês. A capacitação é online e começa no dia 30 de setembro, com duração de 12 semanas.
Do total de bolsas de estudos oferecidas, 100 estarão disponível para o público geral, e as outras 65 serão direcionadas a funcionários da Embraer. Para concorrer, os interessados devem acessar o site da Embraer Social Tech Careers e fazer a inscrição para participar do processo seletivo.
Além da idade, a seleção vai considerar aspectos relacionados a gênero, raça, deficiências e orientação sexual, com o objetivo de aumentar a diversidade no mercado de tecnologia.
A jornada do curso de 240 horas será distribuída em aulas ao vivo de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 22h30. Ao longo do período, os alunos aprenderão a trabalhar com dados e plataformas low code, passando pela linguagem de programação Python.
Após a conclusão, todos os alunos passarão a fazer parte do banco de talentos da Embraer e de empresas parceiras. O programa, em três edições concluídas, já capacitou mais de 1,4 mil profissionais.
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Como experimento racial com bonecas contribuiu para fim de segregação nas escolas dos EUA

Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
Pesquisa dos psicólogos Kenneth e Mamie Clark revelou impactos negativos nas crianças negras e foi crucial na decisão da Suprema Corte no caso Brown versus Board of Education.
Os Clark demonstraram em seus estudos como a segregação gerava danos psicológicos, emocionais e intelectuais em crianças negras. Na foto, escola segregada no Estado da Geórgia em 1941
Biblioteca do Congresso dos EUA
Entre os argumentos que influenciaram a histórica decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso "Brown versus Board of Education", que declarou a inconstitucionalidade da segregação racial nas escolas públicas e completou 70 anos em maio, um experimento psicológico chama a atenção.
No início dos anos 1940, mais de uma década antes da decisão dos juízes, o casal de psicólogos americanos Kenneth e Mamie Clark elaborou um teste para analisar as atitudes de crianças negras em relação à raça e como desenvolviam seu senso de identidade e autoestima.
➡️O experimento envolvia bonecas de plástico idênticas a não ser pela cor e mostrava que a maioria das crianças negras rejeitava as bonecas pretas.
Reproduzido ao longo dos anos em diversas partes do país, o estudo ficou conhecido como "o teste das bonecas", e seus resultados chamaram a atenção para os danos psicológicos, emocionais e intelectuais causados pela segregação em crianças negras.
Quando a equipe legal que lutava para derrubar as leis de segregação nas escolas americanas defendeu seus argumentos diante dos juízes da Suprema Corte, o teste das bonecas e as pesquisas dos Clark tiveram papel importante, assim como seu testemunho.
Seus estudos também serviriam de base para pesquisas futuras sobre como crianças constroem e compreendem sua identidade racial e como absorvem preconceitos.
Quem eram os pesquisadores
Kenneth Bancroft Clark (1914-2005) e Mamie Phipps Clark (1917-1983) construíram carreiras destacadas na psicologia e quebraram várias barreiras raciais.
Ele foi o primeiro estudante negro a receber um doutorado em psicologia pela prestigiosa Universidade Columbia, em Nova York, em 1940.
Três anos depois, Mamie Clark se tornou a segunda pessoa negra a receber o mesmo título pela universidade.
Kenneth Clark também foi:
o primeiro professor negro a ocupar uma cátedra permanente no City College de Nova York
e o primeiro presidente negro da Associação Americana de Psicologia, entre outros títulos importantes.
Ambos se conheceram quando frequentavam a Universidade Howard, em Washington, na década de 1930.
Foi nessa época que Mamie Clark iniciou suas pesquisas acadêmicas explorando o processo de construção de identidade em crianças negras.
Kenneth e Mamie Clark elaboraram o teste das bonecas para analisar como crianças negras desenvolviam seu senso de identidade e autoestima
Biblioteca do Congresso dos EUA
Seus estudos buscavam determinar em que momento essas crianças começavam a ter consciência sobre sua identidade racial.
Essa linha de pesquisa foi aprofundada durante o Doutorado em Nova York e serviu de base para o casal desenvolver o experimento das bonecas.
Em 1946, o casal fundou o Centro Northside para o Desenvolvimento Infantil, que oferecia terapia e serviços educacionais e sociais para crianças no bairro nova-iorquino do Harlem.
Ao longo de suas carreiras, os Clark ganharam respeito como autoridades no tema da integração em diferentes setores da sociedade americana e como figuras influentes no movimento de luta por direitos civis.
"Ambos fizeram contribuições significativas para o campo da psicologia e para o movimento social de sua época", diz a Associação Americana de Psicologia.
Como era o teste
O experimento com as bonecas foi projetado e conduzido inicialmente na década de 1940, para testar a percepção racial de crianças negras e medir os efeitos psicológicos da segregação em sua autoestima.
Os testes foram repetidos nos anos seguintes com alunos de escolas segregadas em diferentes partes do país, com resultados semelhantes.
Durante os testes, quatro bonecas de plástico eram mostradas a crianças negras de três a sete anos.
As bonecas estavam vestidas com fraldas, e a única diferença entre elas era sua cor: duas eram brancas com cabelo loiro, e duas eram pintadas de marrom e tinham cabelo preto.
As crianças tinham de identificar a raça das bonecas, dizer a de que cor preferiam e qual se parecia mais com elas.
"O teste das bonecas era uma tentativa minha e de minha esposa de tentar entender como crianças negras viam a si mesmas, se elas se viam como iguais aos outros", disse Kenneth Clark em uma entrevista à emissora americana PBS em 1985.
"Tínhamos cerca de três ou quatro perguntas relacionadas ao conhecimento (sobre a diferença na cor das bonecas) e outras relacionadas à preferência", lembrou o psicólogo.
Entre as perguntas feitas aos participantes, estavam as seguintes:
Me dê a boneca com a qual você quer brincar.
Me dê a boneca que é uma boneca agradável.
Me dê a boneca que é feia.
Me dê a boneca que tem uma cor bonita.
Me dê a boneca que se parece com uma criança branca.
Me dê a boneca que se parece com uma criança negra.
Me dê a boneca que se parece com uma criança negra.
Me dê a boneca que se parece com você.
Quase todas as crianças conseguiam identificar a raça das bonecas.
A maioria queria brincar com a boneca branca e também atribuía a ela características positivas, como ser "agradável" e ter "cor bonita". Ao mesmo tempo, a maioria atribuía à boneca preta características negativas. Para Kenneth Clark, a parte mais "perturbadora" era a pergunta final.
"Muitas crianças ficavam emocionalmente perturbadas por terem que se identificar com a boneca que haviam rejeitado. Algumas saíam da sala ou se recusavam a responder àquela pergunta", observou o psicólogo em 1985.
"Interpretamos isso como indicação de que a cor, em uma sociedade racista, era um componente muito perturbador e traumático do senso de autoestima e valor de um indivíduo."
Em artigo científico publicado nos anos 1950 apresentando os resultados, os Clark concluíram que "preconceito, discriminação e segregação" prejudicavam a autoestima das crianças negras, gerando um sentimento de inferioridade e desprezo por si mesmas.
Décadas depois, na entrevista à PBS, o psicólogo reforçou que os resultados dos estudos indicavam "o impacto desumanizante e cruel do racismo na nossa sociedade supostamente democrática".
As origens do caso Brown versus Board of Education
Na mesma entrevista, Kenneth Clark salientou que os testes das bonecas foram iniciados 14 anos antes da decisão da Suprema Corte, e que, na época, ele e Mamie não tinham ideia de que seus resultados teriam um papel tão importante.
Mas as pesquisas do casal com crianças negras e seu testemunho como especialistas acabariam se tornando uma peça crucial na decisão da Suprema Corte.
Durante décadas, muitos Estados, principalmente no Sul do país, seguiam rígidas leis de segregação racial, várias delas adotadas depois da Guerra Civil (1861-1865) e da abolição da escravidão.
A legitimidade dessas leis havia sido confirmada pela Suprema Corte, a mais alta instância da Justiça do país, em 1896, no caso Plessy versus Ferguson.
Aquela decisão estabeleceu a doutrina legal "separate but equal", segundo a qual a segregação racial era constitucional, desde que fossem oferecidos serviços "separados, mas iguais" a pessoas brancas e negras.
No entanto, assim como em outros setores, também na educação era comum que as escolas para estudantes negros não tivessem a mesma qualidade que as instituições reservadas a alunos brancos.
Levaria mais de meio século até que a decisão em Plessy versus Ferguson e aquela doutrina legal fossem rejeitadas.
Isso só aconteceu em 1954, na decisão do caso Brown versus Board of Education, quando a Suprema Corte decidiu por unanimidade que a segregação racial em escolas públicas era inconstitucional.
A nova decisão ocorreu após anos de esforços de ativistas e acadêmicos, envolvendo o Legal Defense Fund (Fundo de Defesa Jurídica, ou LDF, na sigla em inglês), organização de direitos civis que tem sua origem na National Association for the Advancement of Colored People (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, ou NAACP, na sigla em inglês).
O impacto das pesquisas dos Clark
Estudantes na escola primária Barnard, em Washington, uma das primeiras a serem dessegregadas após a decisão da Suprema Corte
Biblioteca do Congresso dos EUA
Quando chegou à Suprema Corte, o caso Brown versus Board of Education combinava cinco ações judiciais contra distritos escolares no Kansas, Carolina do Sul, Delaware, Virgínia e no Distrito de Columbia.
O argumento para a anulação da doutrina "separate but equal" era o de que a segregação racial violava a garantia de igualdade de proteção perante à lei, presente na 14ª Emenda à Constituição.
Esse argumento foi reforçado com exemplos de estudos de historiadores, cientistas sociais e outros especialistas, alguns deles chamados como testemunhas para ressaltar os impactos negativos da segregação nas crianças e famílias negras.
Os Clark, que já haviam testemunhado em outros casos envolvendo segregação, estavam entre esses especialistas, apresentando não apenas os resultados do teste das bonecas, mas também analisando outros estudos sobre o tema.
Em artigo de 1950, os Clark afirmavam que "está claro que a criança negra, aos cinco anos, (já) está ciente do fato de que ser negra na sociedade americana contemporânea é um sinal de status inferior".
Segundo eles, o sentimento de inferioridade vivido por crianças negras em escolas segregadas as impedia de receber uma educação igual.
Essa conclusão fortalecia o argumento que questionava a constitucionalidade de escolas "separadas, mas iguais".
Ao anunciar a decisão unânime, o então presidente da Suprema Corte, juiz Earl Warren, citou um artigo dos Clark e suas conclusões.
"Separar (crianças negras) de outras de idade e qualificações semelhantes somente por causa de sua raça gera um sentimento de inferioridade quanto ao seu status na comunidade, que pode afetar seus corações e mentes de maneira que provavelmente jamais será desfeita", disse Warren.
A integração nas escolas não foi imediata após a decisão de 1954, e ainda foram necessários vários anos e novos processos judiciais para conquistar esse objetivo.
"Ainda hoje, o trabalho de Brown (versus Board of Education) está longe de terminar. Mais de 200 casos envolvendo dessegregação em escolas permanecem abertos em processos judiciais federais", diz o LDF em seus arquivos relacionados ao caso.
"A vitória legal em Brown não transformou o país da noite para o dia, e ainda há muito trabalho a fazer. Mas (a decisão de) acabar com a segregação nas escolas públicas do país forneceu um grande catalisador para o movimento pelos direitos civis, possibilitando avanços na desagregação de moradias, acomodações públicas e instituições de ensino superior."

Cresce a demanda por detectores confiáveis de textos gerados por Inteligência Artificial

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O uso de mecanismos de análise específicos para o ambiente acadêmico se faz cada vez mais necessário, mas demanda cuidados. O logotipo OpenAI é exibido em um telefone celular com uma imagem em um monitor de computador gerada pelo modelo de texto para imagem Dall-E do ChatGPT, 8 de dezembro de 2023, em Boston.
AP/Michael Dwyer
A inteligência artificial (IA) é cada vez mais usada na produção de textos – o sucesso de programas como o ChatGPT que o diga. Mas isso também está se tornando um problema, especialmente em ambientes acadêmicos, em que autenticidade e originalidade são fatores essenciais. Assim, também cresce a demanda por detectores de textos gerados por IA, o que exige cuidados por professores, pesquisadores e editores.
A função principal dos detectores de textos gerados por IA é analisar vários recursos linguísticos, como estrutura de frases, escolha de palavras e elementos estilísticos. Essas ferramentas geralmente empregam algoritmos de aprendizado de máquina treinados em grandes conjuntos de dados para reconhecer padrões típicos de textos produzidos por inteligência artificial.
Alguns padrões são relacionados à medida de quão imprevisível é um texto, ou quão provável é que ele deixe perplexo (confuso) um leitor. Textos gerados por IA têm maior probabilidade de fazer sentido e serem lidos sem problemas, mas também são mais previsíveis. Já a escrita humana tende a apresentar maior complexidade, com linguagem mais criativa, mas também pode conter erros de digitação ou de gramática.
Outro padrão que pode ser avaliado é a variação na estrutura e comprimento das frases. Um texto com poucas variações deste tipo tem alta probabilidade de ter sido gerado por IA. Já um texto com maior variação provavelmente foi escrito por um humano. Os modelos de linguagem tendem a produzir frases de comprimento médio (10 a 20 palavras) e com estruturas convencionais. É por isso que a escrita da IA às vezes pode parecer monótona.
A precisão desses detectores, no entanto, pode variar significativamente dependendo da complexidade do texto, da língua, e da sofisticação da IA que o gerou. Uma das principais questões discutidas no meio acadêmico é o potencial para falsos positivos e falsos negativos. Falsos positivos ocorrem quando um detector identifica incorretamente um texto escrito por humanos como gerado por IA, enquanto falsos negativos acontecem quando o conteúdo gerado por IA é classificado erroneamente como escrito por humanos.
Estes erros podem ter implicações graves, particularmente em contextos acadêmicos onde as acusações de plágio podem prejudicar reputações e carreiras, gerar ações legais por danos morais, e criar um mal-estar em sala de aula. Consequentemente, não é aconselhável fazer acusações sem provas contundentes de má conduta. Isso significa que o indivíduo deve, além de ferramentas de detecção, verificar a concordância entre essas ferramentas e seu julgamento pessoal usando sua experiência.
Conheça o GPT-4o, novo modelo de IA usado pelo ChatGPT
Corrida armamentista
O desafio de manter os detectores atualizados com o cenário em rápida evolução do conteúdo gerado por IA também é um problema. À medida que os modelos de IA se tornam mais avançados, seus resultados assemelham-se cada vez mais à escrita humana, tornando mais difícil para os detectores discernirem as diferenças.
Essa corrida armamentista entre geradores e detectores de conteúdo de IA exige melhorias e atualizações contínuas nos algoritmos de detecção. Até o momento, é difícil encontrar uma ferramenta que identifique de forma 100% confiável textos gerados por IA e por humanos. A detecção de IA ainda está em seus estágios iniciais de desenvolvimento, e atualmente os desenvolvedores dessas ferramentas estão correndo atrás das IAs geradoras de textos. Portanto, é importante não substituir o julgamento humano, especialmente quando jovens estudantes e pesquisadores são avaliados por potenciais más condutas.
Além disso, é importante considerar algumas questões éticas que envolvem o uso de detectores de IA, tais como privacidade, segurança de dados e o uso indevido de ferramentas de detecção, violando a confidencialidade e os direitos de propriedade do autor. Portanto, também é importante ter transparência na implantação e utilização de detectores, garantindo que os usuários estejam cientes de que os seus dados estão sendo checados, utilizados e protegidos.
Do lado da confiabilidade, os detectores de IA precisam ser examinados a priori, por meio de testes empíricos e estudos de caso, antes de serem utilizados em situações reais. Vários experimentos podem ser conduzidos para avaliar o desempenho dos detectores de IA atualmente em uso, revelando resultados concordantes ou uma mistura de resultados que descordam entre si. Alguns detectores mostram altas taxas de precisão em ambientes controlados, mas têm dificuldades em identificar textos humanizados ou parafraseados gerados por IA. Esta variabilidade destaca a necessidade de testes e validação contínuos das ferramentas de detecção.
Opção gratuita e disponível
Levando tudo isso em conta, desenvolvi com o aluno João Gabriel Gralha, do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), o sistema computacional Gotcha-GPT. Gratuito e disponível no repositório Github, este sistema já pode detectar textos científicos em inglês gerados por IA e por humanos, e pode ser facilmente treinado em pouco tempo para avaliar qualquer texto, inclusive em português e em qualquer nível de complexidade. A única limitação é o tamanho do texto, que tem que ter até 1024 tokens, ou aproximadamente 700 palavras.
O Gotcha-GPT também pode ser utilizado em conjunto com outros detectores de textos gerados por IA, tais como Originality AI, Copyleaks, ZeroGPT, GPTZero, Writer AI, Hive AI, Detector Content At Scale e Giant Language Model Test Room. É importante destacar, porém, que não endossamos nenhuma das ferramentas acima, nas quais os usuários precisam testar e serem treinados para ganhar experiência.
* André Silva Pimentel – Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e professor associado do Departamento de Química do Centro Técnico Científico, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
** Publicado originalmente no site The Conversation Brasil

Ex-funcionária suspeita de desviar verbas da Unicamp recebeu R$ 5 milhões em transferências, aponta Fapesp

Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
Auditoria identificou transferências de recurso destinado ao financiamento de pesquisas na universidade feitas diretamente para conta da investigada; Polícia Civil e MP apuram o caso. Entenda suspeita de desvio milionário de verbas de pesquisas da Fapesp na Unicamp
Uma auditoria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) identificou que R$ 5.092.925,88 de verbas de pesquisas do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp foram transferidos para Ligiane Marinho de Ávila, ex-funcionária da universidade suspeita de ter desviado dinheiro destinado aos estudos científicos.
O caso veio à tona em janeiro deste ano, após a Unicamp detectar transferências suspeitas das contas bancárias de pesquisas. À época, Ligiane foi demitida da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), onde era lotada. O g1 apurou que a ex-funcionária saiu do país em fevereiro.

Procurada pelo g1, a defesa de Ligiane informou que teve "ciência sobre o inquérito policial em maio, mas não foi notificada para apresentar sua versão, e que a defesa "compareceu a delegacia para agendar seu depoimento, porém até o presente momento não fora marcada".
Segundo o advogado Rafael de Azevedo, "o montante não consta na investigação" e "a defesa pretende esclarecer sobre toda a acusação assim que for marcada a oitiva de Ligiane".
Verbas de 36 pesquisadores
Segundo a Fapesp, os R$ 5 milhões saíram de 75 destinações de verbas a 36 pesquisadores do IB diretamente para a ex-funcionária. O valor aferido foi informado pela Fundação ao Ministério Público Estadual (MP-SP), que investiga o caso no âmbito cível e criminal.
O trabalho de auditoria, no entanto, ainda não foi concluído pela Fapesp, que agora apura qual valor, desses R$ 5 milhões, foi efetivamente extraviado dos pesquisadores. Isso porque, Ligiane era a responsável por operacionalizar o pagamento de serviços e compras no IB e, em alguns casos, fazia a transferência para a própria conta para "agilizar o trabalho".
Ligiane Marinho de Ávila, investigada pela Polícia Civil por suspeita de desviar verbas de pesquisa da Unicamp
Reprodução/EPTV
Outra auditoria, feita pela Unicamp, apontou que, do valor movimentado pela ex-funcionária, R$ 3.04 milhões não foram reconhecidos pelos pesquisadores como serviços realizados. O trabalho de análise da Unicamp, contudo, também não foi concluído.
O g1 apurou que a Unicamp detectou, pelo menos, 220 transferências bancárias suspeitas feitas pela funcionária. Nas notas fiscais, várias justificativas, como compra, transporte e manutenção de equipamentos e desenvolvimento de softwares e sites.
A Promotoria de Justiça de Campinas expediu ofícios neste mês dando novo prazo para que Unicamp e Fapesp informem a conclusão de suas apurações internas e forneçam detalhes adicionais para a investigação.
O que diz a Fapesp?
Ao g1, a Fapesp confirmou que, com o avanço das apurações, constatou que valores em torno de R$ 5 milhões transitaram pela conta da funcionária da Unicamp suspeita pelos desvios. "Contudo, ainda não está claro qual parte deste montante foi de fato aplicada nos projetos de pesquisa e quanto foi desviado", explicou.
"No momento, uma auditoria fina está sendo conduzida para esclarecer a questão. Ao mesmo tempo, a FAPESP segue cobrando dos pesquisadores a prestação de contas documentada e os esclarecimentos pertinentes, que são de sua responsabilidade"., afirmou a Fundação.
Instituto de Biologia da Unicamp
Reprodução/EPTV
O que diz a Unicamp?
Procurada pela reportagem, a Unicamp destacou que "os fatos estão sendo objeto de apuração em Sindicância Administrativa" e a universidade reitera "que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão".
Suspeita fora do país
Paralelo ao procedimento cível de improbidade, o caso também é investigado criminalmente pela Polícia Civil, que apura o possível crime de peculato. O g1 revelou que Ligiane Marinho de Ávila informou à Polícia Civil que está no exterior e não tem data para voltar ao Brasil.
No Inquérito Policial (IP) que investiga Ligiane, o advogado da ex-funcionária pediu para que o depoimento dela seja feito por videoconferência. "Está em viagem para o exterior, sem previsão até o presente momento da data de retorno", disse o defensor à polícia.
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O g1 apurou com uma fonte na Polícia Federal que a suspeita havia deixado o Brasil no dia 19 de fevereiro deste ano, um mês depois dos desvios terem vindo à tona. Ligiane viajou em um voo que saiu de Campinas (SP) com destino a Orly, na França.
A investigação sobre os desvios na Unicamp correm no 7º Distrito Policial de Campinas. Ao g1, a Polícia Civil informou que o delegado responsável pelo caso já ouviu três suspeitos e realiza diligências na cidade. "Demais detalhes serão preservados para garantir autonomia policial", disse a instituição.
Procurada pelo g1, a Unicamp afirmou que "os fatos estão sendo objeto de apuração em Sindicância Administrativa, sendo certo que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão". A defesa da Ligiane não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Transferências para a própria conta
Das 220 transferências bancárias suspeitas feitas pela funcionária, a maioria, cerca de 160, foi feita para a conta da própria servidora. As outras foram para duas empresas e duas pessoas físicas também alvos da investigação da Polícia Civil.
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Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso

Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
As redes de ensino terão até o fim de 2024 para adequar a oferta de professores à nova lei. Lula sanciona reforma do Ensino Médio
O presidente Lula sancionou nesta quinta-feira (1º) a reforma do Ensino Médio e vetou mudanças no Enem. As redes de ensino terão até o fim de 2024 para adequar a oferta de professores à nova lei.
"Está sendo tudo rápido essas mudanças. Mas eu estou achando interessante em partes”, diz Caio de Abreu, de 17 anos.
Em 2025, os alunos que entrarem em salas de aula do primeiro ano do Ensino Médio não vão precisar se preocupar com mudanças no Enem. O presidente Lula vetou as alterações aprovadas pelo Congresso. Com isso, as provas do Enem seguem cobrando apenas o conteúdo básico, que é igual para todos.
Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
Reprodução/TV Globo
Nos três anos do Ensino Médio, a carga horária não muda – permanece como é hoje, com 3 mil horas. Mas a divisão entre as disciplinas obrigatórias e as optativas – de aprofundamento de conhecimento em áreas específicas – vai mudar. Hoje, são 1,8 mil horas para as obrigatórias e 1,2 mil para as optativas. As obrigatórias crescem para 2,4 mil horas e optativas passam para 600 horas.
A lista de disciplinas obrigatórias aumentou. Além de Português, Matemática, Educação Física, Arte, Sociologia e Filosofia, entram Inglês, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. O Espanhol segue sendo matéria optativa.
Nas matérias opcionais, cada escola terá de oferecer disciplinas em ao menos duas áreas dos chamados trilhos de conhecimento – como Linguagens, Matemática e Ciências.
Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
Reprodução/TV Globo
No ensino técnico-profissional, a carga total de 3 mil horas também fica igual. As matérias obrigatórias subiram de 1,8 mil para 2,1 mil horas.
Lula sanciona a reforma do Ensino Médio e veta mudanças no Enem propostas pelo Congresso
Reprodução/TV Globo
O ensino à distância só vai funcionar de forma excepcional e temporária. O critério deverá ser estabelecido pelos estados.
"Com o aumento da carga horária, da formação geral básica, a retomada de cada componente curricular em cada ano do ensino médio, isso, então, me parece, vai ser convergente com o que os estudantes pediam, reclamavam ou criticava, demandavam", diz o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Vitor de Angelo.
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