Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi morto porque suspeito se incomodava com presença do indígena em bar, revela delegado da PF

2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas
De acordo com a Polícia Federal em Rondônia, força-tarefa concluiu que assassinato do professor Ari não está relacionado a crimes ambientais e, por isso, caso foi enviado para Justiça Estadual. Ari Uru-eu-wau-wau foi encontrado morto em RO
Reprodução/Kanindé
Responsável pela investigação do assassinato do professor indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau, o delegado Jorge Florêncio de Oliveira, da Polícia Federal (PF), falou pela 1ª vez sobre a decisão de declínio de competência da investigação do crime, que agora segue com a justiça estadual.
De acordo com o delegado, o assassinato do professor Ari não está relacionado a crimes ambientais. Isso porque a força-tarefa de investigação da PF apontou que a motivação do crime foi banal.
"Esse indivíduo, suspeito de ter praticado o crime, é uma pessoa com histórico criminal. Ele já é investigado e processado por outro crime contra a vida. Tem histórico de violência doméstica, inclusive já tentou matar pessoas que ele teve relacionamento amoroso. É uma pessoa, em tese, violenta, principalmente quando ingere bebida alcoólica", revela.
O delegado Jorge Florêncio de Oliveira lembra que quando Ari foi achado morto, em abril de 2020, o caso começou a ser investigado pela Polícia Civil. Uma linha de investigação apontada na época, pela Civil de Jaru (RO), era de que o homicídio pudesse ser motivado pelo trabalho feito pelo indígena na defesa do meio ambiente.
Por causa disso o caso foi enviado à PF de Ji-Paraná, no entanto o assassinato não foi relacionado a crimes ambientais e o delegado explicou o motivo.
"O que motivou a morte de Ari foi algo fútil. O autor do crime que morava na região tinha um bar e ele tava incomodado com o Ari. A vítima às vezes passava lá e o suspeito se incomodava. A própria presença do indígena ali gerava um desconforto no suspeito. Não havia interesse relacionado com madeireiro. O que concluímos é que o autor do crime, pelo simples fato de não gostar do Ari, decidiu matar o indígena", afirma Jorge Florêncio de Oliveira.
Delegado da PF fala sobre conclusão do relatório do assassinato do indígena Ari
Ainda segundo o delegado da PF, o suspeito inclusive havia dito a algumas pessoas que iria matar Ari caso ele passasse pelo bar, pois o achava chato. No dia do crime, o indígena passou pelo estabelecimento e aceitou ingerir bebida alcoólica ofertada pelo suspeito.
"Devido à promessa que havia feito a algumas pessoas, sobre tirar a vida de Ari, o suspeito ofereceu um pouco mais de bebida pro indígena naquele dia", conta Jorge Florêncio de Oliveira.
De acordo com o delegado, Ari-Uru-Eu-Wau-Wau aceitou a bebida pois confiava no autor do crime, inclusive já tinha dormido no bar em outras ocasiões.
"Ari então ficou inconsciente, e o suspeito o levou para um lugar perto do bar e, de forma brutal, tirou a vida da vítima, sem chance de defesa. Pra tentar dificultar os trabalhos investigativos, o suspeito levou o corpo de Ari a outro local. Um dos sinais mais evidentes de que isso aconteceu foi porque Ari estava sem chinelo, indicando que o corpo foi arrastado", ressalta o delegado.
Segundo a PF, o autor do crime não confessou o crime em depoimento, mas afirmou para várias outras pessoas, de maneira informal, que tinha matado Ari-Uru-Eu-Wau-Wau.
Essas informações confirmadas por terceiros também foram confirmadas no laudo pericial. "A PF concluiu no final que o motivo foi fútil, que foi um homicídio qualificado e não há presença de algum critério que fixe a competência do caso na Justiça Federal", afirma.
O caso do líder indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau retornou para responsabilidade da Justiça Estadual na semana passada.
O pedido de declínio foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF), e acatado pela Justiça Federal, se baseando no relatório final da PF sobre a morte.
"Foi uma investigação parcial, técnica, e concluiu que o motivo que levou a morte de Ari não foi interesse federal. Qualquer pessoa que incomodava o suspeito poderia ser vítima, nesse caso foi o indígena", ressalta o delegado Jorge Florêncio de Oliveira.
Homicídio de Ari
Ari foi morto durante a noite de 17 de abril de 2020 em um distrito de Jaru (RO) e o corpo foi encontrado na manhã seguinte, com sinais de lesão contundente na região do pescoço, que ocasionou uma hemorragia aguda.
A PF informou que o corpo de Ari não tinha sinais de autodefesa. Com base nessa constatação, uma das hipóteses é que o suspeito dopou o líder indígena e o agrediu até a morte, depois moveu o corpo para outro local.
O suspeito foi preso no dia 13 de julho deste ano e permanece detido. Ele não quis prestar depoimento e só deve falar em Juízo.
O legado
O nome do professor Ari continua a ecoar dentro e fora de Rondônia. Ele foi lembrado na abertura oficial da Conferência da Cúpula do Clima (COP26) na Escócia, durante discurso da ativista indígena Txai Suruí, em novembro do ano passado.
"Enquanto vocês fecham os olhos para a realidade, o defensor da terra Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo desde que eu era criança, foi assassinado por defender a floresta. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática e nós precisamos estar no centro das decisões tomadas aqui", disse Txai durante discurso (assista abaixo).
Txai Suruí, ativista de 24 anos, fala na abertura da COP26
Txai foi a única brasileira a discursar na abertura oficial da conferência, que aconteceu em Glasgow, cidade da Escócia. Lideranças de todo o mundo escutaram seu discurso.

Concessionária do Parque Nacional Marinho de Noronha recebe certificação socioambiental

2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas
EcoNoronha recebeu certificado do “Sistema B”, concedido a empresas que visam o desenvolvimento social e do meio ambiente, além do lucro gerado pelas vendas. EcoNoronha é responsável pelos serviços turístico do parque, que inclui a Praia do Sancho
Zaira Matheus/Acervo pessoal
A concessionária responsável pelo serviços turísticos do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha , a EcoNoronha, recebeu o certificado do “Sistema B”. O selo é concedido a empresas que visam o desenvolvimento socioambiental, além do lucro gerado pelas vendas.
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Em setembro de 2022, a EcoNoronha completou dez anos de operação na ilha. Ela é responsável pela manutenção dos equipamentos de apoio e visitação da reserva ambiental.
A concessionária conta com 54 funcionários, sendo 50 moradores de Noronha. Uma das exigências do contrato da licitação da área era que é a concessionária tivesse, ao menos, 70% de moradores no quadro de pessoal.
“Nosso compromisso, por contrato, era ter 70% de moradores e nós contamos com cerca de 90% de ilhéus. O principal motivo do resultado positivo do nosso trabalho é ter o morador em nossa atividade”, declarou a gerente da EcoNoronha, Alice Grossman.
Alice foi a primeira funcionária da empresa na ilha e uma das homenageadas na festa de celebração dos dez anos da concessionária e da certificação, que ocorreu no sábado (17).
O processo de certificação do "Sistema B" exige uma auditoria que comprove o impacto positivo do serviço na sociedade.
“Nós temos uma operação que visa sustentabilidade, uma mulher na liderança e o apoio da comunidade local. Isso valida os impactos positivos. Atualmente, 254 empresas do Brasil têm esse certificado, no setor de turismo são menos de dez empresas. O trabalho realizado em Noronha é um modelo”, explicou a gerente de sustentabilidade do Grupo Cataratas, Talita Uzeda.
Presidente do Grupo Cataratas, Pablo Mórbis, e a gerente da EcoNoronha, Alice Grossman, mostram a certificação
Ana Clara Marinho/TV Globo
A concessionária faz a cobrança dos ingressos de acesso ao Parque Nacional Marinho, que atualmente custam R$ 330, para estrangeiros, e R$ 165, para brasileiros.
A empresa implantou e faz a manutenção da infraestrutura e os Postos de Informações e Controle (Pics), instalados nas praias do Sueste, Sancho e Leão.
A EcoNoronha faz parte do Grupo Cataratas, que também é responsável pelos serviços turísticos nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, entre outros.
O Parque Nacional Marinho é uma reserva federal, criada há 34 anos e corresponde a 70% do arquipélago.
A área é de responsabilidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio). A representa do órgão enfatizou a importância da parceria com a concessionária.
“É uma parceria, uma equipe única em prol do mesmo objetivo, que é trabalhar com a conservação do Parque Nacional Marinho. Nós comemoramos dez anos de parceria, um casamento”, avaliou a chefe do ICMBio, Carla Guaitanele .
O contrato de concessão é de 15 anos de atividade com a possibilidade de renovação por mais 5 anos.
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Entidades científicas rebatem políticos do agro sobre críticas ao Enem e chamam de ‘censura’ pedido de anulação de questões

2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas
Políticos ligados ao setor do agronegócio protestaram contra o que chamaram de 'ideologização' do Enem. Eles pedem que o Inep anule três perguntas da prova (sobre exploração do Cerrado, desmatamento da Amazônia e corrida espacial). Capa do caderno de provas do Enem 2023
Reprodução/g1
Entidades acadêmicas chamaram de "tentativa de censura" o pedido da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para que sejam anuladas três questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023, aplicadas no último domingo (5):
▶️uma sobre a exploração do Cerrado e os prejuízos do agronegócio para os camponeses;
▶️outra acerca do desmatamento da Amazônia no cultivo da soja;
▶️e uma terceira a respeito da corrida espacial.
A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (Anpege), que representa mais de 70 programas acadêmicos, e a Associação dos Geógrafos Brasileiros referem-se especialmente às duas primeiras perguntas da lista acima, que trazem excertos de artigos científicos.
Por meio de nota de repúdio, as entidades defendem a credibilidade dos autores das pesquisas e dizem que "a insatisfação e a manifestação barulhenta de parte dos congressistas" traz "ranços do negacionismo científico" do governo Bolsonaro e demonstram um "comportamento rancoroso". Leia mais abaixo.
📈Contexto: A bancada do agro criticou a "ideologização do Enem" no governo Lula e a escolha de perguntas consideradas por deputados como enviesadas e contrárias às práticas capitalistas no campo. O presidente da FPA e deputado federal do PP, Pedro Lupión, pediu que o ministro da Educação, Camilo Santana, falasse a respeito "da falta de honestidade intelectual".
🔈Postura do Inep: Em audiência na Comissão de Educação da Câmara, nesta quarta-feira (8), o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Manuel Palácios, afirmou que os candidatos tinham apenas de interpretar os textos e responder às questões, sem necessariamente concordar com o que os autores dos trechos escreveram.
"A resposta correta não depende de opinião, atitude, visão de mundo. Depende da capacidade de compreender um texto", disse.
Ao g1, o órgão reforçou que não interfere nas ações dos colaboradores selecionados para compor o Banco Nacional de Itens (de onde são selecionadas as perguntas).
EM TEMPO REAL: g1 corrigirá, ao vivo, questões do 2º dia de Enem; veja vídeos do 1º domingo
'Inversão absurda e tragicômica da realidade', dizem acadêmicos
As entidades científicas afirmam que:
➡️as pesquisas citadas nas perguntas do Enem foram produzidas a partir de "minuciosa investigação", com visitas a campo, coleta de depoimentos e mapeamento de áreas;
➡️esses estudos confirmam o que a comunidade científica internacional vem alertando: que "o avanço do agronegócio violenta e desterritorializa comunidades tradicionais que dominam o manejo sustentável da biodiversidade, especialmente nos biomas Cerrado e Amazônia";
➡️os autores dos textos são "doutores com vasta experiência acadêmica e científica, com larga publicação de livros e artigos, carreira consolidada e premiados por suas respectivas comunidade".
"Este comportamento rancoroso [de pedir a anulação das questões], sim, precisa ser compreendido como manifestação de uma ideologia extemporânea, classista e excludente, que sentencia o Brasil a ser uma nação socialmente injusta e com desigualdades econômicas (…)", aponta o texto.
"A nota de ameaça e censura publicada pela Frente Parlamentar da Agropecuária usa a noção de negacionismo científico contra os próprios cientistas e os resultados das suas pesquisas, em uma inversão absurda e tragicômica da realidade."
Políticos apontaram 'incitação ao ódio'
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirma que as três questões do Enem "são mal formuladas, de comprovação unicamente ideológica" e permitem "que o aluno marque qualquer resposta, dependendo do seu ponto de vista". Diz também que foram elaboradas "sem critério científico ou acadêmico".
No X (antigo Twitter), o deputado Zucco (Republicanos), presidente da CPI do MST, escreveu que a questão é "absurda" por "incitar o ódio ao agronegócio". "O uso da máquina pública para fins ideológicos precisa ser explicado e exige retratação".
Já o agrônomo Xico Graziano (sem partido) criticou a defesa da "recampenização". "Manter os pequenos produtores rurais plantando sementes crioulas, carpindo na enxada e vendendo ovo caipira na feirinha significa negar a evolução tecnológica no campo. Negacionismo puro."
O que diziam as questões do Enem?
Pergunta sobre o Cerrado ( 89 na prova branca, 48 na azul, 81 na amarela e 57 na rosa):
A questão apontava fatores negativos do agronegócio no Cerrado, a partir de um trecho do artigo científico "Territorialização do agronegócio e subordinação do campesinato no Cerrado", publicado em 2021 na revista de geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG).
O excerto mencionava, em resumo, que:
➡️o "capital impõe os conhecimentos biotecnológicos" às práticas agrícolas;
➡️os homens e mulheres ficam "subordinados à lógica do mercado";
➡️"as águas, as sementes, os minerais e as terras tornam-se propriedade privada";
➡️o agronegócio provoca violência simbólica, superexploração dos trabalhadores, "chuvas de veneno" (em referência ao uso de agrotóxicos) e "pragatização" dos seres humanos.
A alternativa correta, segundo o gabarito extraoficial do g1, apontava que, de acordo com o texto, há "um cerco aos camponeses, inviabilizando a manutenção das condições para a vida" (letra "a").
Questão do Enem abordava o agronegócio no Cerrado
Reprodução/Inep/Anglo
Pergunta sobre a Amazônia (70 na prova branca, 71 na azul, 57 na amarela e 81 na rosa)
A questão trazia um trecho do estudo "A Amazônia e a nova geografia da produção da soja", publicado em 2006 pelo departamento de geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH – USP).
O excerto associava a produção da soja à retomada do desmatamento:
Resposta comentada da questão 70 do caderno branco, 1º dia de Enem 2023.
Anglo
Pergunta sobre a corrida espacial (questão 71 na prova branca, 72 na azul, 58 na amarela e 82 na rosa):
A terceira questão criticada pela FPA não traz trechos de artigos científicos, e sim um parágrafo de uma reportagem jornalística e uma charge. Por isso, não foi mencionada pelas entidades acadêmicas.
Resposta comentada da questão 71 do caderno branco, 1º dia de Enem 2023.
Anglo
2º dia do Enem
No próximo domingo (12), os candidatos farão as provas de matemática e ciências da natureza. Confira os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 2º dia: 18h30
O candidato só poderá sair com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos de prova.
📽️ No vídeo abaixo, veja se macetes de matemática realmente ajudam no Enem:
Veja se macetes de matemática realmente ajudam no Enem

Enem ou Tinder? Candidatos aproveitam prova para flertar: ‘Precisa chegar cedo para escolher o cara certo’

2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas
Influenciadora de 63 anos viralizou ao dar dicas de como 'achar um boy' no Enem. Jovens contam que prestam atenção quando o fiscal do local de prova diz, em voz alta, os nomes dos outros participantes. Influencer de 63 anos ensina como 'arrumar boy no Enem'
"Chegue cedo ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)", recomenda um vídeo com mais de meio milhão de visualizações no TikTok, gravado por Célia Seno, de 63 anos. Você deve pensar que é mais uma professora tentando garantir que os estudantes não percam a prova, certo?
Mas não é essa a justificativa de Célia, não. "É para escolher o cara certo. Ter tempo de ver o boy e colar nele", recomenda a influenciadora, que mora em Birigui (SP) e faz sucesso com dicas de conquista.
Ela indica os três "mandamentos" para arrumar um par (veja o vídeo acima), direcionados especificamente para quem não está tão focado na aprovação, mas quer gabaritar no flerte:
não se atrasar (afinal, é preciso analisar com calma os outros candidatos);
ir "arrumadinho" (com direito a jogadas no cabelo)
e pegar o Instagram de quem parecer interessante (para depois puxar assunto por mensagem: "e aí, foi bem na prova?").
❤️‍🔥Não pense que Célia está lançando uma nova tendência — o que ela faz é explicar (e incentivar) a faceta "Tinder" do Enem. Como os celulares são vetados nos locais de prova, o cupido passa a ser o fiscal, que obrigatoriamente fala em voz alta o nome de cada candidato ao entregar os cadernos de questões.
"A gente vê uma pessoa bonita, espera ouvir o nome dela e, quando recebe a prova, antes de olhar o tema da redação, a primeira coisa que faz é já escrever no papel, para não esquecer depois", diz Gabriel Fonseca, de 25 anos, que fez o Enem 2023 no último domingo (5).
"Mas é difícil de achar no Instagram, dependendo do sobrenome. Nunca deu certo comigo."
É questão de sorte. Para Luana Matos*, de 17 anos, que fez o Enem 2022 como treineira, "deu match".
"Olhei para um menino e pensei: 'nossa, que lindo, estou apaixonada'. Quando falaram o nome dele, gravei para mim e procurei depois nas redes. Esperei dois dias para mandar mensagem. Eu enrolo muito, mas, quando quero, vou na lata", brinca.
A relação deu certo por dois meses — ela e Lucas* viram todos os jogos da Copa do Mundo juntos, foram ao cinema e conversaram sobre os objetivos de carreira. Só se separaram "por contingências da vida", sem brigas, conta Luana. "Foi graças a ele que me encontrei e descobri que também queria estudar medicina. Ele é muito focado e me ajudou a acreditar em mim."
Depois de dar entrevista, a jovem procurou Lucas para saber se ele aceitaria que a história do ex-casal fosse contada nesta reportagem. E descobriu que, neste ano, os dois fariam o Enem no mesmo local novamente. "Ele virou meu concorrente, tadinho. Mas a gente vai passar [na faculdade]; vai passar junto! E se a gente voltar [a namorar], vou falar que o g1 que me ajudou!".
👩‍❤️‍👨'Conheci um menino no Enem, de máscara. Já faz 3 anos que namoramos'
Bianca conheceu o namorado no Enem
Arquivo pessoal
Você olha para um garoto bonitinho no Enem 2020, traça ali seu objetivo, mas não consegue entender o nome do menino quando o fiscal entrega a prova (o uso da máscara, em tempos de pandemia, dava aquela abafada no som e atrapalhava a leitura labial). O que fazer? Conformar-se com a "reprovação"?
Jamais. Bianca Stephane, hoje com 19 anos, foi atrás da vaga de namorada de Edson Cabral, de 22 anos, em Americana (SP). Esperou a hora de ir embora, viu que ele estava sozinho e lançou um truque infalível: fazer-se de desentendida.
"Você é o _____ (insira qualquer nome aqui)? Parece um amigo meu." Ele respondeu: "Vish, não, acho que você está me confundindo, sou o Edson". Ela, então, aproveitou para pontuar no flerte: "Ah, Edson, tudo bem? O que você achou da prova?".
A conversa improvisada durou poucos minutos, porque as mães dos dois chegaram para buscá-los. Mas Bianca conseguiu passar seu número de celular para o jovem, que, horas depois, mandou uma mensagem.
"Todo mundo de máscara, né? Nem dava ainda para marcar encontro [por causa da pandemia]. Um mês depois, a gente finalmente conseguiu se encontrar e saiu uma vez. Aí, já convidei para o meu aniversário", diz Bianca, 1º lugar em atitude.
"Ele se enturmou com a minha família, e começamos a namorar. Eu ainda estou fazendo o Enem, porque quero medicina. Hoje, é ele que me leva para a prova!".
🔎Com ajuda da neta, influencer de 63 anos dá dicas de 'como arrumar o boy' no Enem
Aos 63 anos, Célia dá conselhos de como "arrumar um boy"
Arquivo pessoal
Célia já bombou no Instagram e no TikTok com outras dicas de "como arrumar um boy": no supermercado (ela diz que a seção de vinhos é garantia de sucesso), na fila da hamburgueria, no shopping… Especificamente para o post do Enem, contou com a ajuda da neta, que busca uma vaga em medicina.
"Eu sou mais velha, nunca tinha feito [o exame]", conta Célia. "Mas ela é intelectual, está focada, aí me explicou como a prova funciona. Pensei nas dicas [de conquista], com meu toque especial, para ajudar quem está indo para o Enem só porque a mãe mandou. Você não estudou? Aproveite para conseguir um date", brinca.
A influenciadora conta que há quem a critique por dar conselhos amorosos aos 63 anos. "Uns 'mimizentos' falam que sou velha, só que minha cabeça é de jovem, sou moderna. Meu direct está cheio de mensagens. Estou sozinha, mas tenho experiência. As meninas estão muito bobinhas, aí os homens as fazem de gato e sapato. Colem em mim que é sucesso."
2º dia de Enem
No próximo domingo (12), os candidatos farão as provas de matemática e ciências da natureza. Confira os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
Término das provas no 2º dia: 18h30
O candidato só poderá sair com o Caderno de Questões nos últimos 30 minutos de prova.
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2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas

2º dia de Enem 2023: é melhor ‘chutar’ ou deixar em branco? Onde fazer as contas? Pode usar lápis? Tire dúvidas
Professores explicam que, por causa do método de correção (TRI), é importante garantir os acertos das perguntas mais fáceis. Caderno de prova do primeiro dia do Enem 2023
Érico Andrade/g1
No primeiro domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023, os candidatos tiveram de se organizar para redigir a redação e resolver questões de linguagens e ciências humanas. Nesta segunda etapa, em 12 de novembro, o desafio é outro: dar conta (perdão pelo trocadilho) das 90 perguntas de matemática, física, química e biologia, em apenas 5 horas.
g1 vai fazer a correção ao vivo das questões e terá gabarito extraoficial; siga cobertura
Como se organizar? Onde escrever os cálculos? O que fazer se não souber responder? Quantos minutos gastar por pergunta? Tire suas dúvidas abaixo.
1- 🤔Por quais questões começar?
No Enem, dois candidatos podem acertar exatamente o mesmo número de questões, mas tirar notas diferentes. Pode parecer estranho ou injusto, mas a explicação é o modelo de correção adotado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep): Teoria de Resposta ao Item (TRI).
A TRI beneficia quem realmente se preparou para o exame. Por exemplo: se alguém acerta as questões mais difíceis, mas erra aquelas consideradas fáceis, tirará uma nota menor do que o aluno que foi mais "coerente" e só errou as complexas. Ou seja, é basicamente um sistema que tenta detectar os "chutes".
Por isso mesmo, é importante garantir que as perguntas mais simples estejam corretas. Melhor, então, começar por elas, antes que o cansaço aumente.
Na 1ª leitura: resolva todas as questões que podem ser solucionadas rapidamente.
Na 2ª leitura: encare as questões que deixaram apenas uma dúvida pontual.
Na 3ª leitura: faça as mais longas ou sobre assuntos não tão comuns no Enem.
2- 👟E se não souber responder? É melhor "chutar" ou deixar em branco?
Por mais que a TRI, como explicamos acima, atribua menos pontos ao candidato que "chuta" as respostas (em comparação ao que tem um desempenho "coerente"), nunca deixe o gabarito em branco, explica João Pitoscio Filho, coordenador pedagógico do Curso Etapa.
"É melhor arriscar um 'chute cego' do que deixar uma questão sem resposta", afirma.
Qualquer pontinho é melhor do que nada, certo?
3- ✒️Quando passar as respostas a limpo? Só no fim?
O coordenador do Etapa recomenda que os candidatos façam a prova por partes, intercalando com o preenchimento do gabarito.
"Uma dica é dividir por blocos, ou seja, fazer entre 10 e 15 questões, passar as respostas para o gabarito e depois 'atacar' outro bloco", afirma.
Atenção: seguindo a dica número 1, o aluno não vai resolver a prova de forma linear. É preciso tomar cuidado, então, para não esquecer alguma questão e só perceber na hora de passar as respostas a limpo.
Quando decidir "pular" alguma pergunta, o ideal é fazer algum sinal gráfico ao lado do enunciado (pode ser um "x" ou um asterisco, por exemplo).
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4- ⏳Quantos minutos gastar por questão?
No segundo domingo, serão 5 horas de prova. Para dar tempo de resolver as 45 questões de matemática e as 45 de ciências da natureza, a recomendação é que o aluno gaste, em média, 3 minutos por pergunta.
Mas não se desespere se levar mais do que isso para terminar alguma delas — as mais difíceis vão, sim, ser mais demoradas. Se perceber que está há muito tempo na mesma parte, passe para a próxima, de modo que garanta os acertos das mais fáceis. Depois, retome o desafio.
"O essencial é ter treinado durante o ano para entrar na prova com uma estratégia definida e testada", diz Pitoscio Filho.
E lembre-se: não é permitido usar relógio. Use como referência o que estiver na sala de aula.
5- ✏️Posso usar lápis para o rascunho das contas? Onde fazer os cálculos?
À esquerda, folha de rascunho do Enem 2022. À direita, espaços em branco que podem ser usados para contas.
Reprodução/Inep
O Inep só permite que você use caneta preta, de tubo transparente, tanto para resolver as questões quanto para passá-las a limpo no gabarito. Nada de lápis, lapiseira, borracha ou corretivo — nem para fazer as contas!
É um desafio, de fato, não poder apagar nada, ainda mais com tão pouco espaço: o candidato só tem uma folha em branco para o rascunho, no fim do caderno de questões.
O coordenador do Etapa recomenda que sejam aproveitados aqueles pedacinhos em branco nas margens das provas. "E é melhor evitar rabiscar desnecessariamente", diz.
Enem ou Tinder? Candidatos aproveitam prova para flertar: 'Precisa chegar cedo para escolher o cara certo'
🗓️ 2º domingo de Enem
12 de novembro
45 questões de matemática; e
45 questões de ciências da natureza.
⌚ Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):
A que horas os portões do Enem abrem: 12h
A que horas os portões do Enem fecham: 13h
Quando começam as provas: 13h30
Até que horário é possível fazer o Enem:18h30
Quem pode sair com o caderno de questões? Os que ficarem até os últimos 30 minutos.
🖋️ O que levar no dia da prova
RG ou outro documento oficial com foto (documentos digitais também são válidos);
Álcool em gel;
Máscara de proteção facial (só não é obrigatória em locais que liberaram o uso em ambientes fechados);
Caneta esferográfica transparente com tinta na cor preta (leve pelo menos duas para o caso de uma falhar);
Cartão de confirmação de inscrição;
Lanche (ideal é levar alimentos que deem energia, como chocolates, castanhas e barras de cereal) e água em garrafa transparente (a embalagem não deve ter rótulo). Tudo poderá ser vistoriado pelo fiscal de sala.
Exemplos de documentos digitais de identificação que serão aceitos pelo Inep:
e-Título,
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital; e
RG Digital.
O candidato deve apresentar o aplicativo oficial ao fiscal — capturas de tela não serão válidas. Após a entrada na sala de aula, o uso do celular continuará vetado.
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❌ O que não levar no dia prova
Telefones celulares, calculadoras ou qualquer equipamento eletrônico devem ser desligados e guardados no envelope porta-objetos antes de entrar na sala de provas. Caso algum som seja emitido dos aparelhos durante a prova, o candidato será eliminado;
Qualquer dispositivo que receba imagens, vídeos ou mensagens;
Óculos escuros, bonés, chapéus, viseiras ou gorros;
Bebidas alcoólicas, cigarro e/ou drogas ilícitas.
🚨 Atenção: O envelope porta-objetos, lacrado e identificado, deve ser mantido debaixo da carteira desde o ingresso na sala de provas até a saída definitiva do local de provas.
A partir das 13h (horário de Brasília), é permitido ir ao banheiro, desde que acompanhado pelo fiscal.
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Vídeos
Abaixo, veja um vídeo sobre os macetes de matemática ensinados no TikTok:
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