ICMBio anuncia interdição do acesso às praias do Sancho e Baía dos Porcos para manutenção de segurança

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia
Escadaria do Sancho fica fechada a partir do dia 23 de junho. Visitação à Baía dos Porcos é suspensa nos dias 25 e 26 de junho. Praia do Sancho faz parte do Parque Nacional Marinho
Ana Clara Marinho/TV Globo
O acesso pela escadaria à Praia do Sancho, em Fernando de Noronha, fica fechado a partir do dia 23 de junho. Além disso, a visitação à Baía dos Porcos não acontece nos dias 25 e 26 de junho, sendo permitido apenas o acesso ao mirante. Os dois locais vão passar por uma manutenção de segurança.
A informação foi divulgada pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), nesta sexta-feira (17). As duas praias fazem parte do Parque Nacional Marinho, reserva federal de responsabilidade do instituto.
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Apesar dessa manutenção, o Sancho fica liberado para visita por embarcações nos dias 23 e 24 de junho, mas as pessoas não podem ir até a praia. O ICMBio não informou qual é a previsão de conclusão do serviço na escadaria.
O g1 questionou ao instituto qual a data de reabertura da escadaria, mas não recebeu essa informação até a última atualização desta reportagem.
Riscos
Uma análise de segurança realizada em maio pelo geólogo Fábio Reis, na escadaria e na trilha da Praia do Sancho e da Baía dos Porcos, indicou um "risco alto" de desmoronamento nas duas áreas. Ele também é engenheiro civil e trabalhou na análise da área de Furnas, em Capitólio (MG), onde o desabamento de pedras em um cânion deixou dez mortos.
O profissional foi contratado para avaliação dos riscos e o ICMBio deu início, ainda em maio, ao trabalho de manutenção, quando a visitação ao Sancho foi fechada.
Eleita cinco vezes a melhor do mundo, a Praia do Sancho tem falésias que estavam sem análise geológica há 12 anos. Os paredões têm cerca de 60 metros de altura e aproximadamente 855 metros de comprimento.
No início do ano, em entrevista ao g1, a geóloga Ingrid Ferreira Lima, da Universidade de Tóquio, alertou para os riscos de acidente no Sancho e ressaltou que esse tipo de estudo deveria ser feito anualmente.
Segundo a direção do ICMBio em Fernando de Noronha, a manutenção preventiva vai ser realizada anualmente. O órgão também instalou novas placas de sinalização com informações dos riscos das áreas.
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Senado instala comissão externa para acompanhar investigações sobre assassinatos de Bruno e Dom

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia
Comissões externas são formadas quando parlamentares se juntam para uma atividade fora do Congresso. Além das mortes de Bruno e Dom, colegiado quer investigar alta da violência na Amazônia. O Senado instalou nesta segunda-feira (20) a comissão externa que vai acompanhar as investigações sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, na Amazônia.
Comissões externas têm esse nome porque são formadas quando os parlamentares se juntam para uma atividade fora do Congresso. Ainda não há data definida de quando eles vão para a Amazônia.
Bruno e Dom foram vistos pela última vez em 5 de junho, enquanto faziam uma expedição na região do Vale do Javari, no Amazonas. Os corpos dos dois foram encontrados na última quarta-feira (15). Laudo confirmou que eles foram mortos a tiros, com munição de caça.
Barco usado por Bruno Pereira e Dom Phillips é encontrado
A previsão é que o colegiado tenha 60 dias de duração. Além de acompanhar os desdobramentos sobre o caso envolvendo Bruno e Dom, a comissão tem o objetivo de apurar as causas do aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e jornalistas na região amazônica.
A comissão, formada por nove parlamentares, será presidida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Rodrigues designou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) para assumir a relatoria. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) será o vice-presidente.
Convite para ouvir ministro
A comissão externa vai atuar em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado.
Também nesta segunda, a CDH aprovou requerimentos relativos à situação na Amazônia, entre os quais um de convite ao ministro da Justiça, Anderson Torres, para dar explicações sobre a criminalidade no Norte do país.
Horas antes, o senador Nelsinho Trad disse que foi procurado por Torres, e que o ministro se colocou à disposição para prestar os esclarecimentos. A proposta inicial é a de que Torres seja ouvido já na próxima quarta-feira (22). Senadores também querem ouvir, no mesmo dia, representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).
Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE) durante reunião da comissão externa que vai investigar os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips na Amazônia
Pedro França/Agência Senado
Cronograma dos trabalhos
Nesta segunda, senadores também aprovaram o plano de trabalho da comissão externa. As atividades não têm datas definidas. Entre as medidas estão:
Ouvir o prefeito de Atalaia do Norte, Denis Paiva; o presidente da Funai, Marcelo Xavier; e os familiares de Dom e Bruno
Solicitar a conclusão do inquérito sobre o assassinato de Maxciel Pereira dos Santos, ex-servidor da Funai
Acompanhar processos no âmbito da Polícia Federal e de outros órgãos que tratem sobre a situação do narcotráfico no Norte do país
Solicitar o envio de forças de segurança para garantir a proteção física de servidores da Funai em todas as bases de proteção do Vale do Javari. A proteção também foi solicitada para a equipe de vigilância e dos coordenadores da Univaja
Durante viagem ao Amazonas, os senadores também querem se reunir com diversas entidades, entre as quais o Ministério Público e a Polícia Federal, e com os suspeitos dos assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira e os demais participantes do crime.
Três já foram presos
Três homens já foram presos por terem participação no crime. De acordo com a Polícia Federal, outros cinco homens que ajudaram a enterrar os corpos de Bruno e Dom na mata foram identificados.
A motivação do crime ainda é incerta, mas a polícia apura se há relação com a atividade de pesca ilegal na região. Segunda maior terra indígena do país, o Vale do Javari é palco de conflitos típicos da Amazônia: tráfico de drogas, roubo de madeira e avanço do garimpo.
No dia 9 de junho, a Justiça decretou a prisão temporária de Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como "Pelado", que confessou o assassinato de Pereira e Phillips no último dia 15.
Também em 15 de junho, a Justiça decretou a prisão temporária de Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Dos Santos”, irmão de Amarildo.
Na tarde de sábado, a Justiça do Amazonas decretou, a prisão temporária, por 30 dias, de Jeferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado da Dinha". Ele teve participação direta na morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, apontam as investigações.
Os três suspeitos seguem detidos na carceragem da 50ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Atalaia de Norte.
A embarcação na qual viajavam o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foi encontrada no Rio do Itacoaí, nas proximidades da comunidade de Cachoeira na noite deste domingo (19), de acordo com a Polícia Civil. A Polícia Federal também confirmou a localização da embarcação.
O local foi indicado por Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, preso no sábado (18). Ele é um dos oito suspeitos de ter assassinado Bruno e Dom — três deles já foram presos durante as investigações sobre o caso. De acordo com a polícia, a lancha foi localizada a cerca de 20 metros de profundidade, emborcada com seis sacos de areia para dificultar a flutuação, a uma distância de 30 metros da margem direita do rio.

Mesmo com índices altos de desmatamento, Guedes diz que Brasil é ‘parte decisiva da preservação ambiental’

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia
Ministro da Economia falou durante fórum que aborda a entrada do país na OCDE. Além de ser criticado internacionalmente pelo desmatamento, governo também se vê em meio a crise de violência na Amazônia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil “é a maior potência verde do planeta” e “parte decisiva da preservação ambiental”.
Ele fez a declaração em meio a mais um momento de críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro, com altos índices de desmatamento na Amazônia. Além disso, o governo passa por uma crise de violência na região da floresta, com os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.
Guedes discursou na abertura de um fórum, no Ministério das Relações Exteriores, que discute o processo de entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Número de casos de violência contra indígenas e protetores da Amazônia dispara nos últimos anos
A OCDE, com sede em Paris, reúne 38 países, a maioria economia desenvolvidas. A organização é chamada de "clube dos ricos", apesar de incluir vários emergentes, como a Colômbia ou a Costa Rica.
Guedes destacou a influência da OCDE em processos para ampliar a abertura comercial do Brasil e disse que a entidade também se beneficiará da adesão do país.
“A verdade é que nos interessa receber essa influência favorável para nossa integração tardia à economia global. E por que também é importante para OCDE que o Brasil entre? Primeiro, porque o Brasil é uma grande democracia liberal. Segundo, porque o Brasil é uma potência verde. É a maior potência verde do planeta. Nós somos parte decisiva da preservação ambiental. E o secretário-geral [da OCDE] Mathias Cormann sempre disse e reconheceu isso. E sempre me dizia isso: 'Vocês são parte da solução'”, declarou o ministro.
Guedes destacou que o Brasil preserva a maior parte de suas florestas e tem matriz energética limpa, o que faz do país, na opinião dele, um pólo para investimentos em economia sustentável.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento em São Paulo no início de junho
Flavio Corvello/Futura Press/Estadão Conteúdo
Desmatamento e mortes
Crítico do que considera um "exagero" nas ações de fiscalização ambiental, o presidente Jair Bolsonaro tem o governo marcado por altas nos índices de desmatamento na Amazônia. Ambientalistas, empresários e líderes estrangeiros costumam pedir mais engajamento do Brasil na fiscalização de crimes ambientais.
Em maio, a Amazônia registrou 899,64 km² de área sob alerta de desmatamento, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é o segundo maior para o mês em seis anos – atrás apenas de 2021, quando o bioma teve 1.390,12 km² desmatados.
A Amazônia também contabilizou o número mais alto de incêndios para maio desde 2004. O mês não costuma ser um dos que mais registram incêndios florestais; o pico normalmente ocorre em agosto e setembro, no meio da estação seca.
Assassinatos
Na semana passada, a Polícia Federal localizou os restos mortais do indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips. Os dois desapareceram em 5 de junho, na região do Vale do Javari, na Amazônia.
Os corpos das vítimas teriam sido esquartejados e enterrados. A motivação do crime ainda é incerta, mas a polícia apura se há relação com a atividade de pesca ilegal e tráfico de drogas na região. Segunda maior terra indígena do país, o Vale do Javari é palco de conflitos típicos da Amazônia, em razão do desmatamento e avanço do garimpo.
Entrada na OCDE
A OCDE aprovou recentemente o cronograma de adesão do Brasil. A entrada em definitivo na organização não tem data marcada para ocorrer.
Presente no evento, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, declarou que os especialistas da entidade buscarão identificar “evidências de que as políticas e práticas do Brasil em matéria de meio-ambiente, biodiversidade e mudança climática atendam aos elevados padrões da OCDE e que seus recursos naturais tenham sido bem preservados”.

Foco da raiva bovina é identificado em propriedade rural no interior do AC e 18 animais morreram com sintomas da doença

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia
Apenas um caso foi confirmado por exame de laboratório, segundo o Idaf, mas 18 animais morreram no período e a suspeita é que tenha sido com a doença transmitida pelo morcego. Foco da raiva bovina é identificado em propriedade rural no interior do AC; 18 animais morreram com sintomas da doença
Arquivo/Idaf
Um foco de raiva bovina foi detectado em uma propriedade rural, na cidade de Sena Madureira, no interior do Acre, onde 18 animais morreram com suspeita da doença. As informações foram confirmadas pelo Instituto de Defesa e Agropecuária Florestal (Idaf), que faz o monitoramento.
Ainda conforme o Idaf, só foi possível fazer a coleta de um dos animais, que teve o caso confirmado por exame laboratorial, mas considera como foco devido às outras mortes terem ocorrido no mesmo período e os animais terem apresentado sintomas.
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A raiva em bovinos é transmitida pela mordida do morcego, que além de matar o animal infectado pela doença, também pode ser transmitida para humanos.
Em junho do ano passado, o Idaf tinha registrado a morte de sete animais da área rural de quatro cidades no interior do Acre nos meses de dezembro de 2020 e maio de 2021. Os casos deste ano foram informados ao Instituto no início de junho.
“Nessa área, nós temos um foco de raiva, com um caso positivo laboratorial e na investigação foi detectado que na propriedade morreram 18. Não podemos afirmar porque não foi possível fazer o exame, mas, pelo período da doença, é detectado como raiva. Se morrer algum animal, em um período de três meses com os mesmos sintomas, a gente considera que ainda seja raiva, pelo período de incubação da doença”, disse a chefe do Programa de Combate da Raiva do Idaf, a veterinária Maria do Carmo Portela.
Quando o veterinário foi até a propriedade, foi feita a orientação aos moradores sobre a vacinação do rebanho, além de investigar se as pessoas tiveram contato com o animal infectado, com a saliva, que é o que a via de transmissão.
“A saliva é o que contém o vírus, e quem trabalha na área rural, pode ter machucado nas mãos, então, é feita a investigação para ver se a pessoa teve contato com a saliva e, no caso, é enviado para a secretaria de saúde do município para a pessoa tomar a vacina. Também é solicitado ao proprietário faça a vacinação do rebanho”, acrescentou.
O trabalho do Idaf, nestes casos é orientar quem teve contato com o animal doente busque a unidade de saúde, e também faça a vacinação do rebanho. Se tiver muitos sinais de mordidas de morcego, ainda é feita a captura dos animais para tentar amenizar a situação, com o controle da colônia dos morcegos.
A propriedade está sob monitoramento e deve receber mais uma visita técnica, com um levantamento se houve mais alguma propriedade com sinais de espoliações de morcego e ou morte com sintomas de raiva, para que seja feito um trabalho de educação sanitária na área.
Animal espoliado por morcego
Arquivo/Idaf
Sintomas
Entre os sintomas estão o isolamento do animal, perda de apetite, salivação abundante, perda de equilíbrio, quedas e estiramento do pescoço.
Caso um animal apresente os sintomas, o caso deve ser comunicado ao Idaf e as pessoas devem evitar o contato.
Além disso, a veterinária orienta a população que em caso de agressão do animal, e vale até mesmo para cães e gatos, procure a unidade de saúde para tomar a vacina.
Reveja os telejornais

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia

Do banho ao acasalamento de harpias: como voluntários trabalham para evitar a extinção do gavião-real em Rondônia
Projeto Núcleo RO monitora ninhos de harpias para saber mais sobre o comportamento da espécie. Em cena rara, uma harpia foi filmada tomando banho em rio no meio da floresta. Cena rara: harpia é filmada tomando banho em rio de Rondônia
Há 14 anos atuando em Rondônia, o Projeto Harpia Núcleo RO já fez os mais diversos flagrantes do gavião-real no meio da floresta. Um dos mais recentes (e raros) foi o banho de uma harpia dentro de um pequeno rio (veja no vídeo acima).
Dos 21 ninhos de harpias monitorados pelo projeto no estado, atualmente há 10 em atividade. De acordo com o coordenador do projeto, Carlos Tuyama, além da coleta de dados sobre os hábitos do animal, a pesquisa busca evitar a extinção dessa que é considerada uma das maiores aves de rapina do mundo.
O projeto é formado por 15 voluntários que possuem especializações nas mais diversas áreas, como biologia e medicina veterinária. Professores e estudantes de outras áreas também ajudam na preservação.
Projeto Harpia Núcleo Rondônia monitora os ninhos de uma das maiores aves de rapina
Projeto Núcleo Rondônia
O coordenador do projeto em Rondônia, Carlos Tuyama, conta que antes de surgir o Núcleo de Rondônia, os primeiros estudos sobre as harpias no Brasil foram realizados por cientistas ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia( INPA). À época, o projeto levava o nome de Programa de Conservação do Gavião-Real.
"Em 2008, um grupo de graduandos de biologia de Cacoal fundou um grupo de trabalho que posteriormente veio a integrar o projeto nacional, tornando-se o Núcleo Rondônia, que é composto por 15 colaboradores voluntários, que de acordo com a possibilidade de cada um, contribui com as ações do projeto. Não é uma atividade remunerada, cada um faz por amor a causa", conta.
Dos 21 ninhos mapeados pelo Projeto Núcleo Rondônia, apenas 10 estão em atividade
Carlos Tuyama/Divulgação
Além dos 15 colaboradores em Rondônia, o projeto tem o apoio de outros grupos ligados a instituições de pesquisa e universidades em outros estados da Amazônia e da Mata Atlântica.
"São biólogos, veterinários, professores, estudantes e pessoas sem formação específica na área, porém que desejam contribuir com a conservação ambiental e da fauna da região", fala Tuyama.
Mesmo com os 14 anos do Núcleo Rondônia mostram, Tuyama diz que o projeto é novo. Segundo ele, por haver poucos estudos sobre a ave de rapina (que é uma espécie de baixíssima densidade populacional) e por ela ter hábitos discretos em um território vasto, isso acaba dificultando a captação dos dados.
"Estudar espécies assim é por si só um enorme desafio. Existem aspectos do comportamento que ainda são desconhecidos em função da dificuldade de se observar ou registrar. Além disso, dada a raridade da espécie, algumas conclusões só são possíveis com alguns anos de estudo, já que o número amostral sempre tende a ser bastante baixo. Nesse aspecto, qualquer dado coletado pode ser importante para pesquisas atuais ou futuras, pesquisas essas que em alguns casos nem estão planejadas, mas que surgem em função de descobertas ou evidências que se apresentam até inesperadamente".
GPS carregados pelo filhotes que tenham sido capturados (ou resgatados), marcados e soltos novamente na natureza, são estratégias para fazer o acompanhamento da ave
Carlos Tuyama/Divulgação
Quanto mais informação, ressalta o coordenador, mais estratégias podem ser adotadas na luta contra a extinção da harpia.
"Evidentemente, a coleção do máximo de aspectos permite um raio-x cada vez mais apurado das características da espécie e da sua relação com o seu habitat, o que é de grande importância também para desenvolver estratégias de ação, visando a conservação".
Dos 21 ninhos conhecidos pelo Projeto Núcleo Rondônia, somente 10 estão ativos e seguem sendo suporte para a reprodução da espécie. O coordenado destaca que esforços são concentrados para que ninhos alternativos, próximas as localidades, sejam descobertos para serem mapeados.
"Nos sítios reprodutivos ativos fazemos o monitoramento, buscando acompanhar as nidificação [que a ação de construir o ninho] e conhecer o índice de sucesso ou não de cada uma dessas áreas".
Na luta contra a extinção
A harpia é uma ave em extinção. O objetivo principal do projeto é evitar o fim da espécie. Pra isso, o estudo realizado no projeto analisa os hábitos da ave, que segundo Tuyama, é uma das mais lentas quando se refere a reposição.
"Um casal de harpia cria, em média, um único filhote a cada três anos. O nascimento é apenas uma etapa do desafio. Nos 14 anos que monitoramos ninhos, contabilizamos cerca de duas dezenas de nascimentos ou descobrimentos de ninhos com filhotes", diz.
Os dados coletados pelo projeto analisam as informações e buscam alguns pontos como: época de acasalamento, nascimento, dispersão do filhote, dieta usada na alimentação, qualidade da floresta do entorno, e interação com as outras espécies.
Os ninhos das harpias ficam em lugares remotos e de difícil acesso, as câmeras ajudam na captura de informações os hábitos dessa ave
Carlos Tuyama/Divulgação
O monitoramento dos ninhos acontece de forma individualizada por causa de suas localizações. Alguns deles mais distantes acabam recebendo a visita dos especialistas uma vez por ano.
"Existem também alguns poucos ninhos que nos permitem fazer uma visita por semana. Portanto, são situações que requerem métodos diferentes de trabalho", diz Tuyama.
Métodos esses que tem a tecnologia como principal aliada. Câmeras instaladas perto dos ninhos, GPS carregados pelo filhotes que tenham sido capturados (ou resgatados), marcados e soltos novamente na natureza, telemetria ou rádio transmissor são alguns dos equipamentos utilizados pelo grupo.
"Esses diferentes métodos nos trazem informações que nem sempre podem ser comparáveis, contudo, permite-nos uma visão de como a espécie se comporta e quais os riscos que ela corre em ambientes mais ou menos alterados pela ação humana".
Além das câmeras instaladas próximas dos ninhos, equipamentos tecnológicos são colocados nos filhotes capturados (ou resgatados), para acompanhamento.
Carlos Tuyama/Divulgação
Diante de todo o esforço, dedicação aos estudos, e o objetivo na luta contra a extinção da harpia em Rondônia, quando há o nascimento de um filhote, a equipe de voluntários vibra e comemora.
"É uma vitória da natureza. Afinal, na grande maioria dos casos, essas aves deparam-se com enormes desafios para criar com sucesso seus filhotes. A caça e a perda de habitat promovida pelos desmatamento são os principais motivos do declínio populacional da espécie, o que tem levado a extinção em vários estados do Brasil e em algumas regiões do estado", fala Tuyama.
Desmatamento que destrói
Além das dificuldades de logísticas, apoio para manutenção de equipamentos, questões financeiras, o desmatamento é a principal ameaça para a extinção do gavião-real.
O coordenador pontua que trabalhar com ações que visam diminuir o risco da extinção do animal em Rondônia é um desafio.
"Estamos encarando hoje exatamente as situações que levaram à extinção da harpia em outras regiões do país, algumas décadas atrás. As causas principais continuam sendo as mesmas: o desmatamento, a caça e o desconhecimento", revela
O desmatamento é um dos principais fatores que contribuem para a extinção da harpia, ressalta o coordenador do projeto Carlos Tuyama
Carlos Tuyama/Divulgação
Desde o inicio do projeto foram monitorados 21 ninhos da ave. No entanto, com o aumento do desmatamento nas áreas de floresta, cerca da metade desses ninhos foram destruídos.
"Em alguns deles ocorreram a queda da árvore ou o desmatamento da floresta onde se localizavam. Existem ainda aqueles ninhos que não se têm mais a presença das aves. Atualmente, dos 21 ninhos conhecidos, somente 10 estão ativos e seguem sendo suporte para a reprodução da espécie", pontua.
Harpia tomando banho é registro raro realizado em Rondônia
Carlos Tuyama
A principal estratégia no combate da extinção dessas aves está em atividades de educação ambiental e sensibilização que, segundo Tuyama, é promovido pelo Projeto.
"Talvez estejam entre as mais importantes para que possamos, no futuro, continuarmos tendo as harpias voando entre as copas das árvores nas nossas florestas", pontua.
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