La Ninã antecipa chuvas intensas no Acre e cheias acentuadas podem ser registradas em 2022

Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon
Grupo de pesquisadores diz que os rios podem ter cheias, mas não como no início deste ano. Sugestão é fortalecer monitoramento nas cidades do interior do estado. La Ninã antecipa chuvas intensas no Acre e cheias acentuadas devem ser registradas em 2022
Juan Diaz/Arquivo pessoal
É comum no chamado “inverno amazônico”, as chuvas se potencializarem no Acre, porém, este ano essa intensidade foi registrada ainda mais cedo. O g1 consultou professores do grupo de pesquisa em recursos hídricos, meio ambiente e geografia e riscos da Universidade Federal do Acre (Ufac) para saber o motivo desse fenômeno e eles destacam os impactos causados pelos dois fenômenos que o Acre enfrente em um ano: seca severa e cheias dos rios.
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Os estudiosos explicam que o fato de estarmos passando pelo La Niña (“a menina” em espanhol) contribui para esse aumento. A principal característica do fenômeno é o resfriamento da superfície das águas do Oceano Pacífico.
“Eventos como o El Niño e La Niña modificam o padrão climático de diversas regiões do planeta, especialmente do Brasil. Na região Norte, nos anos de La Niña, aumentam-se as chances de potencialização das chuvas. Estamos atravessando, assim como aconteceu no ano passado, um evento de La Niña. Além disso, a ocorrência de uma ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) também influenciou para a antecipação de tais eventos. Com o aumento das chuvas, provoca-se, consequentemente, aumento no volume dos rios”, destaca o grupo.
Seca e cheia dos rios
Os rios também tiveram considerável aumento nos últimos dias. Em Rio Branco, por exemplo, o nível do rio chegou a 8,55 metros na manhã desta sexta-feira (17), sendo que a cota de alerta é de 13,50 metros e a de transbordo 14 metros. Já com relação a chuvas, foram 84,8 milímetros nas últimas 24 horas. A Defesa Civil Municipal de Rio Branco informou que o esperado para todo o mês de dezembro é 262,5 milímetros.
Realidade completamente diferente do registrado em 29 de agosto deste ano, quando o Rio Acre se aproximou da menor cota registrada na história, quando marcou 1,33 metro. O nível do rio chegou a 1,30 metro, menor marcação já registrada desde 1971 – ano em que o manancial começou a ser monitorado – no dia 17 de setembro de 2016.
A prefeitura chegou a decretar estado de emergência nas comunidades rurais, que ficaram desabastecidas. A Coordenação Municipal da Defesa Civil informou que, neste período de seca, foram atendidas, com abastecimento de água potável, 17 comunidades rurais e ainda dois bairros da zona urbana. Ao todo, mais de 8,3 mil pessoas foram atendidas com a operação.
Inmet emitiu mais um aviso de chuvas intensas para sexta e sábado no Acre
Reprodução/Inmet
Chuvas intensas
Em novembro, o cenário no estado começa a mudar e as chuvas começam a ser registradas de forma mais frequente. Nesta sexta, mais uma vez o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para todo o estado. O aviso vale até às 11h de sábado (18). Durante esse período, pode ocorrer chuva entre 30mm/h e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60 km/h-100 km/h). Há também risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
As regiões Norte e Nordeste tendem a ficar mais chuvosas durante a ocorrência do La Niña, enquanto que as chuvas ficam menos frequentes no Sul. Outra característica do fenômeno no Brasil é deixar as temperaturas mais amenas e o clima mais seco no Sudeste e no Centro-Oeste.
Para o grupo, com base no atual cenário há a possibilidade de o estado registrar cheias acentuadas no ano que vem.
Em dezembro, chuvas se intensificam em todo o Acre
Iryá Rodrigues/g1
“Com o aumento das chuvas e o consequente aumento do volume de água nos rios, há sim perspectiva de cheias nos rios acreanos para os meses de janeiro/fevereiro de 2022. Dada a intensidade do evento La Niña e de outros fatores que interferem no regime hidrológico, a expectativa é que não seja tão intensa quando no início de 2021. Mas deve, sim, causar perturbações de ordem social e econômica”, destaca.
Reforço do monitoramento
Para tentar amenizar os impactos à população, os pesquisadores sugerem que os órgãos públicos usem a estrutura da melhor forma, inclusive, reforçando esse monitoramento nas cidades do interior do estado, que, às vezes, acabam não tendo um monitoramento mais detalhado como ocorre na capital.
“O estado do Acre já dispõe de uma estrutura bastante eficiente de monitoramento de eventos extremos. Porém, com maior concentração em Rio Branco e cidades vizinhas do baixo Acre. Com isso, a criação de um grupo de monitoramento e resposta nos demais municípios pode atenuar os impactos causados pelos eventos extremos (tanto de cheia quanto de seca).”
Porém, além das medidas públicas, é preciso consciência coletiva de quem ocupa esses espaços. Os estudiosos alertam que muitas ações humanas acabam contribuindo para a piora de eventos extremos no nosso estado.
“Desmatamento, ocupação desordenada, ocupação das margens e poluição dos rios e igarapés, desperdício de água etc. Dessa forma, é preciso que haja um planejamento em longo prazo no intuito de envolver governos e a sociedade para o uso racional dos recursos”, pontua.
Tempo Acre, nublado Acre, rio Acre
Juan Diaz/Arquivo pessoal
Eventos extremos
Devido a esses fenômenos, o regime hidrológico da região apresenta bastante variabilidade sazonal. Isso a caracteriza com duas estações bem definidas (seca e chuvosa), explica o grupo de estudiosos. Ou seja, os acreanos saem do chamado "verão amazônico", que castiga com altas temperaturas e ainda queimadas constantes, para o "inverno amazônico", quando as chuvas intensas ficam recorrentes e as cheias dos rios atingem grande parte da população.
“A região amazônica possui alta umidade, além das massas equatoriais que entram pelo leste da Amazônia, que tende a aumentar à medida que passa sobre a grande área de floresta, potencializada pela evapotranspiração. Isso influencia na ocorrência de muitas chuvas. Já as secas ocorrem devido à ausência de movimentação tal umidade, provocada por outros fenômenos.”
Os estudiosos destacam ainda que existe um leque de ações que pode ser colocado em prática nas esferas governamentais; uma delas é a apostar em profissionais qualificados e preocupados com a questão ambiental que possam dar melhor direcionamento nas políticas públicas voltadas à gestão e ao manejo racional desses recursos.
“Outras medidas, como ações de infraestrutura em larga escala, a exemplo da construção de reservatórios ou obras de contenção de cheias, podem ser alternativas viáveis. Adicionalmente, a recuperação de nascentes e reconstrução de matas ciliares também podem auxiliar na atenuação dos eventos extremos. Deve-se destacar que quaisquer intervenções precisam de análise técnica e científica, com vistas à viabilidade econômica, social e ambiental”, finaliza.
Instruções durante chuvas intensas
Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda)
Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193)
Temperaturas ficam mais amenas durante o fim do ano
Murilo Lima/Rede Amazônica Acre
Notícias do Acre

Festival gastronômico ‘Gosto da Amazônia’ divulga pratos gourmet com pirarucu selvagem

Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon
Evento serviu para incentivar o consumo do peixe e gerar renda às comunidades ribeirinhas. Um dos vencedores do festival, o chef Diego Jacob ensina o passo a passo de uma receita estrelada pelo peixe símbolo da Amazônia. Pirarucu curado e defumado em lenha
Restaurante-escola Senac Downtown
O pirarucu selvagem, um dos símbolos da Amazônia, vem ganhando cada vez mais espaço na alta gastronomia. Tanto que fez sucesso e estrelou pratos sofisticados do festival "Gosto da Amazônia", em Brasília. O objetivo foi incentivar o consumo do maior peixe de escamas de água doce do mundo, além de gerar renda às comunidades tradicionais que contribuem com a conservação da floresta. Cerca de 50 restaurantes participaram do evento na capital federal e cada um criou um cardápio especial com o peixe amazônico.
Dois estabelecimentos foram os campeões de vendas: o restaurante-escola Senac Downtown e o Dona Lenha. Como prêmio, os chefs criadores dos pratos com o peixe foram convidados para conhecer uma comunidade dedicada ao manejo sustentável do pirarucu na Amazônia.
O Gosto da Amazônia é fruto de uma parceria internacional entre o Brasil e os Estados Unidos, executada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com recursos da Agência para Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID/Brasil). Além de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo já receberam edições do festival.
"Quando a gente consegue agregar valor a esse produto nesse mercado de uma gastronomia que valoriza mais, o preço pago pelos consumidores, ao longo da cadeia, vai ser revertido a preços melhores para essas pessoas que estão pescando, manejando. Então, o nosso intuito é melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Acessando novos mercados que valorizam esse produto, o preço pago aos manejadores ele duplica, triplica", explicou Pedro Constantino, coordenador de projetos do Serviço Florestal dos EUA.
Pirarucu Curado e Defumado em Lenha
Mayara Subtil/Rede Amazônica
E para você ter um pedaço do Gosto da Amazônia aí na sua casa, o chef Diego Jacob, do Senac Downtown, refez o passo a passo do requintado prato Pirarucu Curado e Defumado em Lenha, que compôs um dos cardápios vencedores. Segundo o Chef, o tempo de preparo da receita é de pelo menos três horas e serve uma pessoa.
Vamos à receita:
Ingredientes
200 g de pirarucu
100 g de chips de madeira para defumação
1,5 kg de banana da terra
1 L de leite de coco
300 g de manteiga (opcional)
200 g de gengibre
500 ml de água
100 g de feijão manteiguinha cozido
80 g de manga
80 g de pepino caipira
1 g de coentro (a gosto)
20 ml de azeite
10 ml de limão
Sal refinado (a gosto)
60 g de pimenta de cheiro
300 g de óleo de soja
50 g de leite integral
200 g de pão francês amanhecido
150 g de bacon
15 g de alho descascado (opcional)
Ingredientes que compõem prato Pirarucu Curado e Defumado em Lenha
Mayara Subtil/Rede Amazônica
Modo de preparo
Defumação do pirarucu
Tempere o peixe com sal refinado. Você pode acrescentar outros tipos de temperos, mas segundo o chef Diego Jacob, a ideia de usar apenas sal é para acentuar o gosto natural do pirarucu.
Depois, acenda os chips de madeira para defumação e a coloque em um local fechado, como um forno convencional, um forno de pizza, defumador ou até uma churrasqueira de alvenaria. É importante lembrar que o local em que você vai acender os chips para defumação deve estar desligado, senão há risco de formar labaredas.
Deixe o pirarucu defumando por cerca de 40 minutos. Na sequência, asse ou grelhe o peixe por cerca de 15 minutos a 160 graus já sem os chips de madeira.
Farofa de pão com bacon
Primeiro, esquente o bacon (sem couro) no forno até ficar bem tostadinho. Depois, coloque o pão francês amanhecido junto e deixe no forno até que o pão fique seco. Caso você goste de alho, pode colocá-lo junto no forno. Na sequência, bata tudo no liquidificador até obter uma farofinha. Reserve para a montagem do prato.
Maionese de pimenta de cheiro
Esquente o óleo e coloque a pimenta de cheiro cortada em pedaços maiores. Depois que você ouvir aquele barulhinho de tostar do óleo com a pimenta, deixe-a esfriar ainda dentro da frigideira e depois bata no liquidificador ou mixer. Na sequência, acrescente o leite integral no liquidificador ou mixer e bata "pulsando" e acrescentando mais óleo aos poucos. Se bater a mistura de uma vez, a textura ficará semelhante a de um molho, não de uma maionese, segundo o chef Diego Jacob. Pulse o preparo até obter uma textura de maionese. Por fim, coloque sal e reserve para a montagem do prato.
Relish de feijão manteiguinha
Separe o feijão manteiguinha cozido, a manga, a pepino caipira, os limão, o azeite, um pouquinho de coentro para começar o relish. Primeiro, corte a manga e o pepino em cubos pequenos ou médios. Depois, corte o coentro, esprema o sumo de limão e misture todos os ingredientes, incluindo o feijão manteiguinha e o azeite. Acrescente sal e reserve para a montagem do prato.
Purê de banana da terra com gengibre
Coloque a banana para assar ou cozinhar ainda com a casca. Depois desse processo, retire a casca ainda quente e com cuidado. Na sequência, esprema a banana colocando leite de coco e a infusão de gengibre preparada antes, aos poucos. Conforme o chef, você pode usar qualquer processador comum, amassar com o garfo ou até usar um espremedor de batata para fazer o purê.

O Assunto #618: Cerrado, bioma sob ameaça

Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon
Ele é o segundo maior do Brasil e ocupa uma área de quase um quarto do território nacional, mas está em vias de ser deixado à mercê do desmatamento. A partir de abril, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) irá encerrar o projeto que monitora a destruição do Cerrado – cujo custo anual é de R$ 2,5 milhões. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio.
Ele é o segundo maior do Brasil e ocupa uma área de quase um quarto do território nacional, mas está em vias de ser deixado à mercê do desmatamento. A partir de abril, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) irá encerrar o projeto que monitora a destruição do Cerrado – cujo custo anual é de R$ 2,5 milhões. “Falta visão estratégica”, resume Mercedes Bustamante, professora do departamento de ecologia da UnB e integrante da Academia Brasileira de Ciências, em relação ao fim do monitoramento. Ela explica que a “savana mais biodiversa do mundo” tem uma importância hidrológica que impacta todas as regiões do país. “Garante a segurança hídrica, energética e alimentar do Brasil”. E conclui que o avanço do agronegócio na conversão de terras é um “tiro no pé”. Também neste episódio, Natura Nery entrevista o jornalista Fábio Campos, da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, que há duas décadas trabalha no Cerrado. Ele descreve a paisagem local, com suas “árvores baixas, troncos retorcidos e coloração amarelada” e conta por que os pesquisadores têm tanta urgência em estudar a região – que, informa, está sendo dizimada. “Hoje, as unidades de conservação representam 3% do que é o bioma”, informa. “O resto do Cerrado já não existe mais”.
O que você precisa saber:
Fim do monitoramento: Brasil vai deixar de medir desmatamento no Cerrado
Importância: bioma é fundamental no abastecimento do país
Desmatamento: Cerrado já perdeu 50% da vegetação original
VÍDEO: Globo Repórter mostra o Cerrado, um lugar fascinante e ameaçado
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Arthur Stabile, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Eto Osclighter. Neste episódio colaborou também: Ana Flávia Paula. Apresentação: Natuza Nery.

Comunicação/Globo

Amazônia Bonita: conheça a história do padre Mássimo, que leva devoção e fé a comunidades carentes há mais de 40 anos

Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon
Quadro Amazônia Bonita, que começa a ser exibido neste sábado (15), é um projeto da Rede Amazônica onde vão ser contadas histórias de pessoas que fazem a diferença na vida de quem mora na região Amazônica. Conheça a história do padre Mássimo que saiu da Itália evangelizar e morar no Acre
O padre Mássimo Lombardi é exemplo de fé, devoção e amor ao próximo. Ele é um personagem que faz parte da história dos acreanos. O religioso saiu da Itália e veio morar no Acre há 47 anos e, desde então, se doa em ajudar famílias carentes do estado.
O quadro Amazônia Bonita é um projeto da Rede Amazônica onde vão ser contadas, todos os sábados, histórias de pessoas que fazem a diferença na vida de quem mora na região Amazônica.
O religioso faz de uma rede do bem que transmite amor por onde passa. De origem italiana, o padre Mássimo nasceu em uma cidadezinha chamada Borgo a Mozzano, tem 52 anos de sacerdócio e vive no Acre há 47 anos. A trajetória dele é inspiradora.
“Quando comecei a descobrir o mundo, eu passava horas olhando o mapa geográfico, eu dizia, vou em um lugar em que realmente eu possa me sentir bem, com o sol nascendo às 5 horas, enfim, encontrei o meu paraíso aqui no Acre.”
Padre Mássimo Lombardi vive no Acre há mais de 40 anos
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Um padre que já encontrou o paraíso, Mássimo participou até da formação da capital do Acre. Quando ele chegou na cidade havia o conflito entre fazendeiros e famílias eram expulsas de seringais na região.
“Havia famílias ocupando os bairros ou invadindo, ou como se dizia ocupando áreas abandonadas, então, houve um trabalho muito importante de estar ao lado desta famílias”, afirma.
O padre foi responsável pelo projeto Pastoral Urbana, que levava a palavra de Deus para fora da Catedral Nossa Senhora de Nazaré.
Após oito anos como reitor da igreja, o religioso assumiu os trabalhos religiosos para as famílias que vivem em uma das regiões que mais sofrem com a violência na capital do Acre, a Cidade do Povo.
O padre atua no bairro desde que as primeiras casas do conjunto habitacional foram entregues, em 2014, ajudando várias pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Padre Mássimo em comunidade da capital acreana
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Ele começou com um projeto de distribuição de cestas básicas para famílias mais carentes e durante a pandemia coordenou um trabalho para confecção de máscaras e distribuição de álcool em gel. O padre também faz acompanhamento de presos monitorados.
“Nós temos, inclusive, uma Pastoral dos Monitorados, aí quando alguém sai do presídio a gente visita, acolhe, cadastra, convida para participar de algumas atividades, ajuda quando precisa, temos alguns projetos para eles não ficarem sem fazer nada, um projeto que leva esperança”, explica.
De segunda à sexta são distribuídas sopas para as famílias carentes na Paróquia da Cidade do Povo. Na casa da dona Maria de Fátima, a sopa é muito aguardada.
E como para fazer o bem ao próximo não tem idade, porque não começar logo cedo? A Janielle Silva tem 14 anos e é voluntária na entrega de sopas. “Acho muito bom conseguir ajudar o próximo, é muito bonito.”
O gesto de ajuda ao próximo é muito bonito, mas, acima de tudo, revela uma característica, a humanidade, humanidade essa que representa o respeito ao outro e para fazer algo por alguém às vezes é só plantar.
Projeto Horta Comunitária leva esperança e renda extra para a comunidade da Cidade do Povo
Reprodução/Rede Amazônica Acre
A dona Maria das Graças trabalha na horta comunitária do Projeto Plantado pelo padre Mássimo. É de lá que ela consegue completar a renda. “Ajuda, porque a gente vende até verdura para o pessoal da comunidade, vende na igreja, vende quando a gente está aqui mesmo.”
Na casa dela moram sete pessoas que sobrevivem com Auxílio Brasil e a horta comunitária serve para toda a comunidade.
E a costura? A costura começa com agulha e linha. Depois do primeiro ponto tudo parece mais fácil, essa lição a Auxiliadora aprendeu no curso de corte e costura na Paróquia da Cidade do Povo. Lá, as mulheres fazem peças para familiares que estão presos e quem criou o projeto foi o padre Mássimo.
Curso de corte e costura realizado na Paróquia da Cidade do Povo
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Contra a intolerância
Atualmente, o padre Mássimo também coordena o Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre, entidade que reúne membros de diversas religiões combatendo a intolerância religiosa.
“Tolerância é algo que eu suporto, quer dizer que você não vale nada, eu te suporto, mas não é assim, você vale para mim, você é importante, porque o teu testemunho é importante para mim”, fala o religioso.
Os frutos dos projetos do padre Mássimo se multiplicaram em uma rede do bem, seja na entrega de alimentos, em uma horta comunitária, ou com linha e agulha, ele mostra que é sempre possível olhar para o lado e enxergar alguém.
“A pandemia nos ensinou que só você não pode se salvar sozinho, você pode se salvar juntamente com os demais, então, nada de egoísmo, nada de individualismo, você pode trabalhar a coletividade, a solidariedade, generosidade e a partilha”, finaliza.
Padre Mássimo é contra a intolerância
Reprodução/Rede Amazônica Acre
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Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon

Rondônia registrou maior desmatamento dos últimos 10 anos em 2021, diz Imazon
Rondônia ocupa a quarta posição no ranking dos nove estados mais desmatados em 2021. Ao todo, a Amazônia Legal perdeu 10.362 km² de mata nativa em um ano. Desmatamento em região perto de Porto Velho (RO)
Arquivo/Ueslei Marcelino/Reuters
A área desmatada em Rondônia bateu recordes negativos em 2021 e se tornou a maior dos últimos 10 anos. Os dados são do relatório divulgado nesta semana pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O levantamento analisou a situação dos estados da Amazônia Legal e indicou que 2021 foi o "pior ano de uma década" não só para Rondônia, mas para toda a floresta amazônica. Ao todo, foram destruídos 10.362 km² de mata nativa.
Rondônia ocupa a quarta posição no ranking dos nove estados mais desmatados em 2021, com uma destruição de 1.290 km².
Em 2012, o desmatamento acumulado em Rondônia, entre janeiro e dezembro, foi de 782 km². Já em 2021, o número multiplicou mais de seis vezes, correspondendo a um aumento de 497,2%.
Do total de desflorestamento acumulado nos 12 meses de 2021, 631 km² foram registrados nas florestas públicas federais e 163 km² nas florestas públicas estaduais.
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