Como a Ciência explica que nunca esquecemos de algumas músicas

O bebê prematuro que teve ‘sorte’ de nascer em avião com médico e enfermeiras de UTI neonatal
A música tem um alto componente emocional em nossa vida, que está relacionado até mesmo ao modo como nossos pais falam conosco quando somos bebês e que perdura mesmo quando uma doença degenerativa nos ataca. Canções nos fazem evocar memórias ou momentos especiais
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Para ter memória, o mundo criou a música. No início das civilizações, os principais saberes de diferentes culturas eram passados ​​de geração em geração através da tradição oral. E essa tradição oral dependia da memória.
"Antes que as narrativas pudessem ser escritas, elas eram recitadas ou cantadas", diz David C. Rubin, professor de Psicologia da Universidade Duke, no livro Memory in Oral Tradition (Memória em tradição oral, em tradução livre).
É por isso que textos como A Ilíada, a Odisseia e outros grandes épicos antigos foram transmitidos pela primeira vez na forma de versos.
Então, a música ocupou esse mesmo espaço. As canções nos levam a um lugar, um momento.
Não sabemos ainda muito bem o porquê, mas a música é uma das poucas armas que os terapeutas têm para lidar com o avanço do mal de Alzheimer, a forma mais comum de demência em idosos.
Mas como a música tem esse efeito na memória? Por que nunca esquecemos de nossas músicas favoritas?
"A música tem a capacidade dupla de criar e recuperar memórias dentro do cérebro humano", diz a psicóloga Lucía Amoruso, pesquisadora da Universidade de Buenos Aires na Argentina, que investiga aspectos do comportamento e da música.
"Quando as pessoas sofrem de demência senil ou Alzheimer, em muitos casos, a música é a única chave que lhes resta para desbloquear essas memórias."
Música materna
Os pais têm um papel importante na criação de uma memória musical
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Embora existam muitas teorias, não existe uma definitiva sobre quando a música apareceu na vida do ser humano.
De todas as hipóteses, incluindo a que indica que se pretendia imitar o "canto" dos animais, há uma surpreendente: a que sugere que foi a forma que as mães encontraram para acalmar seus filhos.
"Em tempos pré-históricos, as mães tinham que se afastar de seus bebês em intervalos regulares para ter as mãos livres para outras atividades e usavam uma forma de falar como bebês, um 'tom maternal', para tranquilizá-los", explica Dean Falk, antropólogo da Universidade da Flórida no livro How Humans Achieved their Words (Como humanos conquistaram suas palavras, em tradução livre).
A tonalidade, aquela musicalidade com que nossas mães falam conosco especialmente quando somos bebês, abre nossos primeiros canais em nossa memória.
"Várias análises indicaram que o cérebro dos bebês tem a capacidade de responder à melodia muito antes que a comunicação possa ser estabelecida por meio de palavras", diz Amoruso.
"A música, de alguma forma, nos ajuda a criar nosso primeiro vínculo social, que é com nossos pais. E isso será replicado em nossos outros laços sociais no futuro e, claro, com a música."
Então, quando crescemos com essa programação, toda vez que ouvimos uma melodia, um processo impressionante ocorre em nosso cérebro: em vez de ativar uma área ou região, várias são ativadas.
"A primeira coisa que ocorre no cérebro quando ouvimos música é que nosso centro de prazer é ativado e libera dopamina, que é basicamente um neurotransmissor que nos deixa felizes", explica Robert Zatorre, que é músico, psicólogo e fundador do Centro de Pesquisa do Cérebro, Música e Som, no Canadá.
Normalmente, as músicas que memorizamos ficam no lobo frontal, onde está localizada nossa "discoteca" mental.
"No entanto, embora pareça que a música simplesmente nos dá prazer e o guardamos na memória, a verdade é que muito mais coisas acontecem em nossas cabeças", diz Zatorre.
Desde pequenos, nós temos uma forte ligação com a música
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O cérebro, para começar, compara a melodia que está ouvindo com aquela gravada em sua cabeça, o que nos permite reconhecer uma música simplesmente ouvindo suas primeiras notas.
"E outro processo que ocorre é que o cérebro deve separar a música do ruído externo. Esse processo também é bastante complexo, porque devemos iniciar vários processos cognitivos", explica Zatorre.
Músicas favoritas
Mas o que acontece quando uma música não só transmite prazer, mas também emoções (que podem até ser tristes) e desperta sentimentos?
Recentemente, por ocasião do Dia Mundial da Luta contra a Doença de Alzheimer, perguntamos aos leitores sobre as canções que pensavam que nunca iriam esquecer.
E embora muitas delas estivessem relacionadas ao amor, a verdade é que a maioria era determinada por um momento preciso da vida: o nascimento de um filho, a primeira viagem ao exterior, a morte de um amigo, a libertação da prisão.
Na ciência, essa correlação também é explicada pela conexão das melodias com a memória.
"Existem vários sistemas de memória: episódica, temporal, semântica, de curto prazo, de longo prazo", enumera Amoruso.
A música está relacionada ao prazer, mas também está ligada às emoções
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Assim como uma música pode fazer parte de um momento específico, como uma viagem inesquecível, o momento em que nos apaixonamos por alguém, uma conquista importante, o artista que interpreta a música ou a letra da música também desempenha um papel importante.
"Uma viagem, um momento, fazem parte da memória episódica, mas acontece que a música é interpretada por um artista que conhecemos bem, suas características, história… Aí também se ativa a memória semântica", afirma o especialista.
"Para ser armazenada em nosso cérebro, a música depende de todos esses sistemas de memória", acrescenta.
'Toque de novo'
Para Zatorre, além desse processo, com a música, também existe um fenômeno associado à repetição.
"O que acontece quando gostamos muito de uma música? Nós a repetimos", diz ele.
"E não apenas por um breve período. Por exemplo, uma música que nos marcou quando tínhamos 15 anos, podemos ouvi-la muitas vezes pelo resto de nossas vidas. Ela acaba gravada na nossa memória de forma excepcional", explica Zatorre.
"Algo que não acontece da mesma forma com outras coisas que nos dão prazer: comer nossa comida favorita ou visitar nosso lugar preferido", completa.
E aí vem outro fator: a música não só cria memórias e evoca emoções, mas também condiciona nosso comportamento e nossas memórias.
Um dos principais estudos de Amoruso examinou como, por meio da música, as pessoas podem antecipar o comportamento dos outros.
Em sua pesquisa, intitulada "O tempo do tango: experiência e antecipação contextual durante a observação da ação", a neurologista destaca que as pessoas estudadas que ouviam tango há muitos anos (e também o dançavam) podiam antecipar, em apenas milissegundos, o erros que quem nunca tinha ouvido a famosa melodia argentina ia cometer ao dançar pela primeira vez.
"O que os resultados deste estudo mostram é que as reações no cérebro que permitiram antecipar esse erro foram inteiramente devidas à experiência de quem ouvia e dançava tango há muitos anos", explica.
Miguel Nicolelis fala sobre bailarina com Alzheimer que despertou com a música
Até o último suspiro
Recentemente, viralizou um vídeo de uma idosa sentada em uma cadeira, que depois que alguém a fez ouvir a famosa peça de balé O Lago dos Cisnes, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, parece começar a dançar.
Em sua cadeira de rodas, com os olhos fechados, como se evocassem uma luz, realiza movimentos de balé com as mãos, quase como se estivesse diante de um auditório lotado.
Mas a verdade é que ela estava em uma casa de repouso. Seu nome era Marta González, e ela sofria de Alzheimer (faleceu em 2019, logo após a gravação do vídeo). Mas ela havia estudado balé em Cuba e não havia esquecido aqueles belos movimentos do Lago dos Cisnes, apesar do avanço da doença. E eles foram ativados ao ouvir música.
Nem todos os pacientes que têm Alzheimer reagem da mesma forma à música
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Como isso pode acontecer, se um dos locais mais afetados pelo Alzheimer é o lobo frontal?
"É algo que ainda não podemos responder de forma conclusiva. O que poderíamos afirmar é que a música é a chave para muitas memórias que ainda estão na nossa memória, apesar de sofrermos de uma doença degenerativa", explica Amoruso.
No entanto, nem qualquer música pode ser usada para tratar pessoas afetadas por demência senil ou Alzheimer.
"Não se pode dizer com certeza que a música é a última coisa que esquecemos. Muitos pacientes com Alzheimer não reagem aos tratamentos com música", diz Zatorre.
Mas o especialista aponta uma diferença: quando a música para o tratamento é escolhida pelo paciente é quando há os melhores resultados.
"O vínculo com a música e a memória tem um alto grau emocional. Muitos desses pacientes acessam essas memórias graças à música. Na verdade, às vezes, é o último recurso para acessar essas memórias", nota Amoruso.
Para Zatorre e Amoruso, a música também tem sido um elemento fundamental para lidar com o confinamento. E talvez seja assim que nos lembramos de 2020 e do contexto da pandemia do coronavírus.
"Muitos dos pacientes que tratei me confessaram que nem sexo, nem comida, nem bebida alcoólica ajudaram muito a lidar com o confinamento e as circunstâncias que nos levaram a viver a pandemia", disse Zatorre .
"A maioria indica que a música tem sido sua maior aliada. Que essa tem sido uma forma de aguentar o que está acontecendo. E tenho certeza que muitas memórias foram criadas a partir dessa combinação."
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Como o isolamento na pandemia pode estar afetando nossa memória

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Fadiga, ansiedade, falta de pistas e de interação social são alguns fatores que explicam por que nossas memórias estão nos deixando na mão. Muita gente desenvolveu uma rotina de isolamento durante a pandemia — e, ao que parece, isso não é muito bom para nossa memória
Sean Gladwell/Getty Images
Se, desde o lockdown, você tem sentido dificuldade de lembrar de enviar e-mails, de encontrar a palavra certa ou, mais uma vez, se esqueceu de comprar leite — você não está sozinho. Perdi a conta do número de vezes que ouvi amigos reclamando recentemente de como suas memórias pioraram.
É claro que isso não é evidência científica, e é cedo demais para uma pesquisa comparando nossa capacidade de memória antes e depois da pandemia de covid-19.
Mas em um questionário conduzido pela Alzheimer's Society, metade dos familiares afirmou que a memória de seus entes queridos piorou depois que eles começaram a viver mais isolados.
As restrições de socialização em lares de idosos e, em alguns casos, a proibição de qualquer visitante por vários meses parecem ter cobrado um preço alto.
A Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, está começando a fazer uma pesquisa sobre como o lockdown afetou a memória das pessoas.
Há relatos de que mesmo aquelas que costumam se lembrar de eventos como comprar um ingresso de cinema 20 anos atrás, porque têm uma memória autobiográfica mais ativa, estão descobrindo que estão esquecendo coisas.
Existem, é claro, vários tipos diferentes de memória. Esquecer o que você pretendia comprar é diferente de esquecer o nome de alguém ou o que você fez na quarta-feira passada.
Mas pesquisas sobre como a memória funciona apontam várias maneiras pelas quais o ambiente restrito imposto pela pandemia poderia estar impactando-a.
O fator mais óbvio é o isolamento. Sabemos que a falta de contato social pode afetar negativamente o cérebro, e que o efeito é mais sério em quem já tem problema de memória. Para aqueles com doença de Alzheimer, os níveis de solidão podem até afetar o curso da doença.
É claro que nem todo mundo se sentiu sozinho durante a pandemia, e os resultados de alguns estudos mostraram que os níveis de sensação de solidão se estabilizaram com o tempo.
Mas mesmo que a gente não se sinta angustiado com a redução do contato humano, muitos de nós ainda estamos vendo menos pessoas do que o normal. Estamos perdendo aquelas conversas no café do escritório ou em festas onde podemos bater papo com dezenas de pessoas em uma noite, trocando ideias sobre o que temos feito.
A repetição de histórias nos ajuda a consolidar nossas memórias do que aconteceu — as chamadas memórias episódicas. Se não podemos nos socializar tanto, talvez não seja surpreendente que essas memórias não pareçam tão claras como de costume.
Quando temos a chance de conversar, também temos menos histórias para contar. Como viagens são canceladas, casamentos são adiados, shows e eventos esportivos acontecem sem a presença do público, temos menos sobre o que falar. E as lamúrias no trabalho são principalmente sobre as frustrações da tecnologia nos deixando na mão.
É verdade que você pode compensar socializando mais online. Mas essas conversas não são exatamente as mesmas. É menos provável que você mencione fatos "irrelevantes".
Para valer a pena preservá-la, sua história precisa valer a pena ser contada. Se o seu nível de exigência para o que é considerado interessante o suficiente para ser dito aumentou, então, mais uma vez, você deixa de enfatizar essas memórias.
Mas há algo além da falta de socialização. Muitas pessoas mencionam agora uma sensação de ansiedade. Mesmo que você agradeça a sorte que tem, já que outros estão em situação pior, pode ser difícil se livrar da sensação de que o mundo se tornou um lugar mais incerto.
Na University College London (UCL), a psicobióloga Daisy Fancourt e sua equipe têm realizado pesquisas sobre como as pessoas se sentem durante a pandemia no Reino Unido.
Embora os níveis de ansiedade tenham atingido o pico quando o lockdown começou e tenham diminuído gradualmente, a média permaneceu mais alta do que em tempos normais, especialmente em pessoas que são jovens, moram sozinhas, vivem com filhos, se mantém com baixa renda ou habitam áreas urbanas.
Enquanto isso, o Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido identificou que as taxas de depressão dobraram.
Sabe-se que tanto a depressão quanto a ansiedade têm impacto na memória. As preocupações sobrecarregam nossa memória de trabalho, nos deixando com menos capacidade disponível para lembrar de listas de compras ou do que precisamos fazer no trabalho.
Tudo isso se torna ainda mais difícil devido à falta de pistas para auxiliar nossas memórias. Se você sai para trabalhar, sua jornada, a mudança de cenário e as pausas que você faz pontuam o dia, dando a você marcações no tempo para ancorar suas memórias.
Mas, quando você trabalha de casa, cada reunião online é muito semelhante às demais, porque você tende a se sentar exatamente no mesmo lugar, em frente à mesma tela. Há menos coisas para marcar suas memórias e ajudá-lo a distingui-las.
"Tentar lembrar o que aconteceu com você quando há pouca distinção entre os diferentes dias, é como tentar tocar um piano em que não há teclas pretas para ajudá-lo a se encontrar", afirma Catherine Loveday, professora de neurociência cognitiva da Universidade de Westminster, em Londres.
Assim como os dias se fundem em um, as coisas que você faz nesses dias também.
No escritório, você pode passar por uma sala onde teve uma reunião específica, que te faz lembrar que precisava enviar um e-mail para alguém sobre aquilo.
Em casa, não há pistas para ajudar você a lembrar as diferentes partes do trabalho. Cada memória é marcada para ficar no seu computador. No escritório, você pode se lembrar exatamente onde teve determinada conversa — no elevador ou na cafeteria — e isso ajuda a não esquecer.
Há ainda uma fadiga generalizada, que também não ajuda nossas memórias. As reuniões do Zoom são cansativas, alguns trabalhos são muito mais difíceis de fazer de casa, e viagens de férias estão sendo canceladas. A falta de rotina e a ansiedade em relação à pandemia podem perturbar nosso sono. Junte tudo isso — e basicamente estamos constantemente cansados.
Portanto, com essa combinação de fadiga, ansiedade, falta de pistas e menos interações sociais, não é de se espantar que alguns de nós sintam que nossas memórias estão nos deixando na mão.
E Loveday acredita que há um fator adicional envolvido — que talvez nem tenhamos notado. Diz respeito ao impacto em nossos cérebros e em nossas memórias em particular, de passar o tempo em diferentes localizações geográficas.
Encontrar o caminho de volta para casa sempre foi importante para nossa sobrevivência. Assim que saímos de casa, começamos a prestar atenção. Quer estejamos caminhando em uma floresta ou pela cidade, usamos mais a região do cérebro conhecida como hipocampo.
Você se lembra dos estudos que mostram que motoristas de táxi em Londres conhecem todas as ruas? Esses motoristas acabam com um hipocampo maior.
Precisamos envolver o hipocampo para lembrar informações novas, mas Veronique Bohbot, neurocientista da McGill University, no Canadá, descobriu que, se a vida das pessoas se torna mais confinada e repetitiva à medida que envelhecem, o uso do hipocampo diminui.
Da mesma forma, ela constatou que motoristas que dependem de sistemas de navegação por satélite, em vez de encontrar o caminho por conta própria, geram menos memórias espaciais, o tipo de memória que depende principalmente do hipocampo.
Se ficamos em casa a maior parte do tempo por vários meses devido à pandemia, perdemos aquele estímulo extra que vem de encontrar nosso caminho.
A boa notícia é que há coisas que podemos fazer a respeito. Dar uma caminhada, especialmente em ruas que não nos são familiares, vai trazer a atenção de volta ao cérebro. E até mesmo se mexer faz diferença. Você precisa estar sentado à sua mesa em todas as reuniões? Se for um telefonema, será que você não pode andar pela rua conversando?
Garantir que os dias da semana e os fins de semana sejam diferentes o suficiente para não se fundirem em um só, pode ajudar com as distorções que nossa nova vida pode ter em nossa percepção do tempo.
Loveday aconselha adicionar mais diversidade às nossas vidas, o que pode envolver alguma criatividade. Se você não puder sair, ela sugere encontrar uma atividade completamente nova dentro de casa, e depois contar a alguém sobre ela para ajudá-lo a se lembrar melhor.
Refletir deliberadamente sobre o seu dia todas as noites também pode contribuir para consolidar suas memórias. Você pode até escrever um diário. É verdade que acontece menos coisas dignas de registro atualmente, mas ainda assim pode ser interessante fazer a retrospectiva do dia. Pode ajudar sua memória.
E, se você está se esquecendo de fazer alguma coisa, então criar listas e botar alertas no celular pode fazer mais diferença do que você imagina.
Você também pode aproveitar sua própria imaginação. Se quiser se lembrar de comprar leite, pão e ovos, antes de sair de casa, se imagine visitando cada um dos corredores do mercado onde estão os produtos da lista.
Quando chegar lá, essa ida ao mercado imaginária voltará à sua cabeça — e você terá mais chances de se lembrar de tudo que precisa.

Os exercícios que ajudam a viver melhor depois dos 30 anos

O bebê prematuro que teve ‘sorte’ de nascer em avião com médico e enfermeiras de UTI neonatal
Fazer atividades aeróbicas que aumentam a resistência do coração e dos pulmões é importante, mas não se esqueça de outros tipos de exercícios menos intenso que são fundamentais para a sua saúde. A partir dos 30 anos, começa o declínio natural de nossa força muscular e óssea
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Os exercícios ajudam a manter a forma e a evitar doenças cardiovasculares, mas há um tipo de atividades-chave que nos ajudam a envelhecer melhor que parecem ter sido esquecidas. São os exercícios para fortalecer os músculos e ossos e atividades que melhoram nosso equilíbrio.
Há muitos benefícios para a manutenção e melhoria da saúde que esse tipo de exercício produzem em todos os adultos, não apenas nos idosos, e recomenda-se incorporá-los à rotina pelo menos duas vezes por semana.
"Além de exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, todos os adultos devem tentar fazer atividades de equilíbrio e fortalecimento duas vezes por semana", diz Alison Tedstone, diretor do Departamento de Dieta, Obesidade e Atividade Física da Agência de Saúde Pública da Inglaterra.
"Em média, todos vivemos mais tempo, e esta combinação de atividades físicas nos ajudará a estar bem na juventude e a permanecer independentes à medida que envelhecemos."
Músculos, ossos e equilíbrio
Muitas pessoas não têm clareza sobre a importância de cuidar da força do corpo, em particular dos músculos e ossos, para uma saúde geral. De acordo com especialistas, a massa óssea e a massa muscular tendem a atingir o pico antes de chegarmos aos 30 anos.
Os exercícios de força e equilíbrio ajudam a melhorar o humor, os padrões de sono, aumentar os níveis de energia e reduzir o risco de morte prematura
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A partir dessa idade começa um declínio natural. Entre as idades de 18 e 30 anos, esse tipo de exercício aumenta a força muscular e óssea. Entre 30 e 60 anos, eles mantêm a força e reduzem o declínio natural. A partir dos 65 anos, eles preservam nossa força e independência.
Além disso, os exercícios de força e equilíbrio também podem melhorar os resultados futuros após momentos importantes em nossas vidas, como gravidez, menopausa, diagnóstico de doenças, aposentadoria ou período pós-operatório.
Por outro lado, essas atividades ajudam a melhorar o humor, os padrões de sono, aumentam os níveis de energia e reduzem o risco de morte prematura.
Em que consistem esses exercícios?
São recomendados:
exercícios de resistência, como levantamento de peso ou usando o próprio peso corporal;
jogos com raquetes, como tênis, pingue-pongue ou badminton;
dança;
jogos com bola;
fazer trilhas.
Os exercícios específicos e sua intensidade devem ser adaptados à saúde e à condição física de cada indivíduo.
Além disso, os especialistas afirmam que atividades como ioga ou tai chi são boas para os ossos, músculos e equilíbrio. Isso pode prevenir quedas, que causam 95% das fraturas de quadril, de acordo com dados do governo britânico.
Por outro lado, a fraqueza muscular aumenta o risco de quedas em 76%, e aqueles que já caíram uma vez têm três vezes mais chances de cair novamente.

O bebê prematuro que teve ‘sorte’ de nascer em avião com médico e enfermeiras de UTI neonatal

O bebê prematuro que teve ‘sorte’ de nascer em avião com médico e enfermeiras de UTI neonatal
Lavinia “Lavi” Mounga estava em um voo de Salt Lake City, nos EUA, para o Havaí, quando entrou em trabalho de parto. Lavinia "Lavi" Mounga, seu bebê Raymond e o médico Dale Glenn
Carissa Glenn
Um bebê que já nasceu com a sorte grande. Lavinia "Lavi" Mounga estava em um voo de Salt Lake City, nos EUA, para o Havaí, quando entrou em trabalho de parto.
Para a sorte dela e de seu bebê, havia três enfermeiras de unidade de terapia intensiva neonatal estavam no avião, além de um médico de família. Raymond, seu bebê, nasceu com apenas 29 semanas, e ainda restava três horas de voo.
Pesquisadores criam ferramenta para analisar cérebro de bebês recém-nascidos com objetivo de prevenir doenças
"Cheguei no banheiro e lá estava Lavi segurando o bebê. Ela tinha dado à luz provavelmente um ou dois segundos antes", conta a enfermeira Lani Bamfield ao Newshour, programa de rádio de notícias da BBC. Ela viu que o bebê era muito pequeno. Imediatamente, diz, começou a agir.
"Comecei a fazer estímulos nele com um cobertor, para tentar fazê-lo chorar e respirar fundo. Também o sequei, porque o controle de temperatura é muito importante."
As enfermeiras de UTI neonatal que cuidaram de Lavi e Raymond
Hawaii Pacific Health
Outra enfermeira, Amanda Beeding, cuidou da mãe, que ainda não havia parido a placenta. Além disso, um passageiro do voo lhe deu um cadarço, que ela usou para amarrar o cordão umbilical e cortá-lo. A equipe trabalhou no chão, em frente ao banheiro.
O grupo teve ajuda de mais uma enfermeira e de um médico de família, Dale Glenn. "Minha filha me disse: 'pai, eles acabaram de pedir por um médico'", lembra Glenn à BBC. Ele dirigiu-se ao banheiro do avião e viu a equipe de enfermeiras já trabalhando com o bebê, que pesava menos de 1,5 quilos. "Era muito prematuro."
"O bebê Raymond não estava respirando muito bem e tentávamos ressuscitá-lo." Os comissários de bordo forneceram equipamentos de oxigênio que a equipe usou, embora fossem muito grandes para um bebê tão pequeno.
A equipe também improvisou para avaliar seus batimentos cardíacos, usando um relógio de pulso para medi-los.
Depois de quase três horas trabalhando sem parar no bebê e na mãe, o avião pousou. E foi aí que se ouviu, pela primeira vez, o choro do bebê.
Irmãs fizeram 'vaquinha' para custear gastos com hospital em Honolulu, já que Raymond deve ficar internado até fim de maio/junho
Hawaii Pacific Health
O caso viralizou com um vídeo gravado por uma das passageiras e publicado no TikTok. Ele mostra o capitão do avião anunciando que um bebê nasceu no avião e pedindo aplausos para a mãe – os passageiros respondem com palmas e gritos para celebrar o nascimento de Raymond.
Quando o avião pousa, uma equipe médica entra para buscar Lavi e Raymond. É possível ouvir seu choro.
As irmãs de Lavi fizeram uma vaquinha online para levantar dinheiro e cobrir gastos da hospitalização de Raymond que, segundo elas, ficará internado até o fim de maio/junho. "Nós estávamos no avião quando Lavi deu à luz. Nosso sobrinho milagroso nasceu com 29 semanas e foi muito forte", escreveram no site da campanha.
O médico e as enfermeiras de UTI neonatal improvisaram para cuidar do bebê no voo: usaram um cadarço para cortar o cordão umbilical e um relógio de pulso para medir os batimentos do bebê
Hawaii Pacific Health
"Nossa irmã não sabia que estava grávida, então ela estava tão chocada quanto a gente quando nosso sobrinho nasceu. Ele está na UTI neonatal se fortalecendo mais a cada dia que passa."
Segundo o jornal The Guardian, as enfermeiras visitaram Lavi e o bebê no hospital em Honolulu e disseram que foi um reencontro "emotivo".
"Ficamos com lágrimas nos olhos. Ela nos chamou de família e disse que somos todas suas tias", disse ao jornal a terceira enfermeira que cuidou de Lavi e Raymond, Mimi Ho.