Ginkgo biloba: qual o segredo da árvore para viver mais de mil anos e o que médicos dizem sobre seu consumo

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde
Estudo recente explica como essa espécie é capaz de viver por vários séculos sem se deteriorar. O Ginkgo biloba pode viver ao longo de vários séculos
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Da próxima vez que você se sentir velho, lembre-se do ginkgo biloba. Essas árvores podem viver mais de mil anos e são concebidas para serem quase imortais.
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Um estudo recente acaba de revelar o segredo da longevidade dessa espécie milenar.
A pesquisa, considerada a mais completa realizada até hoje sobre o envelhecimento das plantas, oferece a primeira evidência genética capaz de explicar a elevada expectativa de vida do ginkgo biloba.
O estudo se concentrou na análise genética de árvores de ginkgo biloba com idades entre 15 e 667 anos, nos Estados Unidos e na China.
O exame da casca, das sementes e das folhas das árvores mostrou que seu crescimento não diminui, mesmo que tenham se passado centenas de anos. Na verdade, os pesquisadores descobriram que, em alguns casos, esse crescimento acelera.
Eles constataram ainda que o tamanho das folhas, a capacidade de fotossíntese e a qualidade das sementes tampouco são afetados pela idade.
O que explica isso?
A espécie é conhecida pelas vistosas folhas amarelas
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Eternamente jovem
O ginkgo biloba pode viver por vários séculos e, paradoxalmente, corre o risco de extinção devido ao desmatamento.
As representantes dessa espécie são nativas da China e são as últimas remanescentes de uma família antiga de árvores, que já existiam na última era dos dinossauros.
Também são conhecidas como nogueira-do-japão ou árvore-avenca e, embora estejam desaparecendo na natureza, podem ser encontradas em parques e jardins de várias partes do mundo, onde se destacam pelas vistosas folhas amarelas durante o outono.
O segredo da longevidade e boa saúde é que elas produzem substâncias químicas que as protegem contra fatores de estresse, como doenças ou secas.
A análise genética revelou que o ginkgo biloba produz seus próprios antioxidantes, antimicrobianos e hormônios protetores.
O ginkgo biloba gera suas próprias substâncias protetoras
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Além disso, os biólogos descobriram que os genes relacionados à idade não são ativados quando a árvore atinge uma certa idade, como acontece em outras espécies, como ervas ou plantas anuais (que, em geral, germinam, florescem e morrem no período de um ano).
Assim, embora a árvore seja devastada por raios ou geadas, todos os seus processos necessários para continuar crescendo saudável continuam funcionando sem problemas.
"À medida que envelhece, o ginkgo biloba não mostra sinais de enfraquecimento da sua capacidade de se defender do estresse", diz o biólogo Richard Dixon, da Universidade do Norte do Texas, nos EUA, coautor do estudo.
Segundo especialistas, esse tipo de estudo pode ser útil para desenvolver melhor os programas de reflorestamento e entender que árvores podem trazer mais benefícios aos ecossistemas ao longo do tempo.
Serve para humanos?
Em várias partes do mundo, o extrato de ginkgo biloba é vendido como um suplemento para tratar diversos tipos de doenças, como perda de memória, zumbido no ouvido e problemas circulatórios.
Os médicos alertam que não há evidências sobre os benefícios do ginkgo biloba para curar certas doenças
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Os médicos advertem, no entanto, que não há evidências suficientes dos benefícios do ginkgo biloba em seres humanos.
"O efeito do ginkgo biloba na melhora da memória apresenta resultados conflitantes", diz o site da Clínica Mayo, instituição de saúde que é referência nos EUA.
"Enquanto algumas evidências sugerem que o extrato de ginkgo biloba pode melhorar modestamente a memória em adultos saudáveis, a maioria dos estudos indica que o ginkgo não melhora a memória, a atenção ou a função cerebral."
A clínica também informa que pessoas epilépticas, propensas a convulsões, distúrbios hemorrágicos ou mulheres grávidas não devem consumir ginkgo biloba.
E adverte que as sementes cruas ou torradas podem ser venenosas.
O serviço público de saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) afirma, por sua vez, que o ginkgo biloba "não é recomendado como tratamento para pessoas que estão se recuperando de um ataque cardíaco".
Hábitos para um envelhecimento saudável

O que é o peito escavado, condição que muitos pensam ser estética, mas pode matar

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde
Essa condição é frequentemente vista como um problema estético, mas ela pode esmagar o coração. Kerry Van Der Merwe tem peito escavado e quer aumentar a conscientização sobre a doença
Kerry Van Der Merwe/Arquivo pessoal/ via BBC
Respirar é uma luta diária para Kerry Van Der Merwe.
Ela tem peito escavado, uma condição médica rara que, em muitos casos, causa uma má-formação da parede torácica causada pelo afundamento do osso esterno.
Em outras palavras, é uma doença que pode esmagar o coração das pessoas que a têm.
Essa condição é frequentemente vista como um problema estético. Portanto, no Reino Unido, país onde Kerry vive, seu tratamento não é coberto pelo sistema de saúde pública (NHS, na sigla em inglês).
Kerry também é mãe e faz tratamento com antidepressivos desde o início do problema
Kerry Van Der Merwe / Arquivo pessoal via BBC
Espalhando os relatos sobre seu caso, ela quer aumentar a conscientização sobre uma condição que causa dor e angústia diariamente, para que aqueles que sofrem com ela não se sintam incompreendidos e ignorados — como se sentiu durante muito tempo.
'Estrangulada por dentro'
Kerry é cabeleireira, tem 44 anos e visitou pelo menos 10 médicos antes de encontrar o diagnóstico correto para sua falta de ar e taquicardia.
"Eu não conseguia nem mesmo abrir um pote, e eles nem me disseram que iriam estudar o caso", lembra Kerry, que também é mãe de uma menina e vive em Devon, no sul da Inglaterra.
O NHS não oferece tratamento cirúrgico para pessoas com essa condição, pois considera que não há evidências suficientes dos possíveis benefícios do processo.
De acordo com o organismo, os sintomas incluem dor no peito, falta de ar, fadiga, tontura e frequência cardíaca alta, mas não resulta em um grande impacto psicológico no paciente.
Embora Kerry não concorde com este último ponto.
"Não há como viver assim. É como se eles estivessem me estrangulando por dentro", ela diz.
"E recusar (a sentir isso) é absolutamente desagradável", diz Kerry.
"Eu tomo antidepressivos a minha vida toda, desde que a deformação começou", diz ela.
"Eu não consigo fazer coisas simples como subir ou descer escadas. Meu coração bate tão rápido que é realmente perigoso."
Segundo a Clínica Mayo, dos EUA, embora em alguns casos o único sintoma seja a deformidade no peito, em algumas pessoas o esterno pode comprimir os pulmões e o coração.
Neste último caso, alguns sintomas são menos tolerância ao exercício, palpitações ou batimentos cardíacos acelerados, infecções respiratórias recorrentes e sopro cardíaco.
Após sua peregrinação por várias consultas médicas sem obter resposta ou tratamento, Kerry procurou um especialista.
O cirurgião torácico Joel Dunning, do Hospital Universitário James Cook, em Middlesbrough, na Inglaterra, finalmente solucionou o "mistério".
"Ela nunca soube o que é ser normal", diz Dunning, que acrescenta que "sem dúvida" o coração de sua paciente está sendo "esmagado" por seu esterno.
Segundo o especialista, é "loucura" negar a cirurgia "que prolonga a vida" em casos como o dela.
"Não é preciso ser especialista para lhe dizer que, se seu peito esmaga seu pulmão e você retirar aquilo que o comprime, respirará melhor."
Graças à intervenção do cirurgião, Kerry agora deve passar por um procedimento para inserir três barras de titânio que elevarão o peito dela para uma posição normal.
Dunning chama a atenção para os benefícios psicológicos desta cirurgia, que, segundo ele, deveria ser oferecida gratuitamente.
Para o cirurgião, os adolescentes que sofrem de peito escavado seriam os mais beneficiados pela intervenção.
"São adolescentes tentando encontrar seu caminho no mundo e a condição os torna introvertidos, constantemente preocupados."
O peito escavado geralmente se desenvolve durante a puberdade e é mais frequente em homens do que em mulheres
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Uma vida em modo de espera
Mas há casos em que sofrer de peito afundado pode ter outras consequências. Katie Bruce viveu isso na própria pele.
Ela tinha 21 anos quando desmaiou por conta da síndrome do peito escavado e foi atropelada por um carro.
Ele perdeu quatro dos dentes da frente e sofreu várias fraturas no rosto. Um lado de sua mandíbula se desprendeu do crânio e "nunca mais voltou ao normal".
A jovem graduada em bioquímica conseguiu se submeter à cirurgia em março, apenas um ano após solicitar sua primeira cirurgia — que tinha sido rejeitada.
Como o afundamento no peito era profundo, os cirurgiões só puderam inserir uma barra de metal. A peça acabou virando e a jovem de 26 anos ficou de cama enquanto esperava outra cirurgia para corrigir a complicação.
"Sinto como se estivessem me esfaqueando repetidas vezes entre as costelas. Nenhum analgésico pode aliviar isso", diz ela.
"Tenho 26 anos, um diploma universitário e não posso fazer nada. Não posso conseguir um emprego, não consigo pensar em pagar o financiamento de uma casa ou formar uma família. Minha vida parece estar em modo de espera."
Katie diz que essas complicações não teriam ocorrido se ela tivesse sido submetida à operação quando era mais jovem e sua estrutura óssea ainda estivesse se formando.
"Se eles tivessem mais consciência disso e eu fosse tratada mais cedo, eu nunca teria sido atropelada por aquele carro."
Katie também teve sintomas como falta de ar e taquicardia, mas, como Kerry, levou muitos anos até receber o diagnóstico correto.
"Estou surpresa com o número de médicos que visitei e nenhum deles sabia nada a respeito do assunto."
Enquanto isso, Kerry aguarda a cirurgia com a esperança de que o procedimento traga uma mudança em sua vida. Embora esteja nervosa, ela sabe que precisa da operação.
"Estou com medo, mas sei que vai salvar minha vida."
Materiais e ajustes prometem tornar a operação para peito escavado mais eficaz

Caso Belorizontina: como distinguir uma intoxicação alimentar comum de algo mais grave?

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde
Se surgirem quaisquer sintomas é importante procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação do quadro. Apurações iniciais de autoridades de saúde apontam a cerveja Belorizontina como provável origem de síndrome que matou duas pessoas
Divulgação/Backer Cervejaria via BBC
Os relatos apontam que os primeiros sintomas começaram com dores abdominais, náuseas e vômitos. Eles poderiam ser facilmente associados a uma típica intoxicação alimentar entre alguns moradores de Minas Gerais. No entanto, trata-se de uma grave intoxicação que pode ter levado à síndrome nefroneural, caracterizada por sintomas como insuficiência renal e alterações neurológicas como paralisia da face e problemas na visão.
Ministério da Agricultura encontra água contaminada com dietilenoglicol na fábrica da Backer
Diretora de marketing da Backer: 'Não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote'
Até o momento, existe a suspeita de que 17 pessoas — 16 homens e uma mulher — possam ter desenvolvido a síndrome. Desses casos, quatro foram confirmados — duas dessas pessoas morreram — e os outros estão sendo analisados.
As primeiras notificações sobre a síndrome ocorreram em 30 de dezembro passado, segundo a Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Na data, foi relatado o caso de uma paciente com quadro de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas. No dia seguinte, houve uma nova notificação sobre a enfermidade, até então desconhecida. A partir de então, logo surgiram outros casos suspeitos.
Depois das primeiras notificações, diversos exames foram solicitados e excluíram mazelas como arboviroses, febres hemorrágicas (febre amarela, hantavirose, leptospirose e riquetisioses), infecções bacterianas e fúngicas sistêmicas. O diagnóstico da síndrome veio dias depois dos primeiros registros.
As apurações iniciais feitas por equipes da Secretaria de Saúde de Minas Gerais e do Ministério da Saúde apontam que os pacientes tiveram problemas de saúde após consumir a cerveja Belorizontina, da Backer. Os sintomas apontaram intoxicação por dietilenoglicol, um solvente que é utilizado, por exemplo, como aditivo em radiadores.
Na tarde desta quarta-feira (15), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que análises apontaram que a água utilizada pela Backer na fabricação das cervejas estava contaminada – ao menos sete lotes, seis da Belorizontina e um de outra marca da empresa, a Capixaba, foram afetados.
O levantamento da pasta apontou que em quatro dos lotes havia, além do dietilenoglicol, a substância monoetilenoglicol, ou etilenoglicol – solvente usado em formulações de fluídos hidráulicos resistentes ao fogo. A principal suspeita é de que as substâncias levaram a quadros de síndrome nefroneural.
Especialistas consultados pela BBC News Brasil explicam que a síndrome, de fato, pode levar a quadros graves e até mesmo à morte.
Para tentar reduzir os danos, o ideal é que a doença seja descoberta cedo. Mas, afinal, como diferenciar uma intoxicação alimentar comum de algo mais grave?
Segundo especialistas, intoxicação alimentar comum passa em algumas horas
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Intoxicação
Há algumas características que podem mostrar uma típica intoxicação alimentar.
"Nesses casos, são algumas horas, entre três ou seis, em que a pessoa pode passar mal. É uma forma de o organismo se livrar daquilo que lhe faz mal, por meio de vômito ou diarreia", explica o médico toxicologista Eduardo Mello De Capitani, do Centro de Informações e Assistência Toxicológicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Capitani ressalta que é importante buscar ajuda médica se o paciente passar mal repetidas vezes. "É bom procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação e também para a pessoa não ficar desidratada. Principalmente quando a pessoa tem um sintoma como febre, é fundamental procurar ajuda médica", diz.
"Mas às vezes é apenas um caso em que a pessoa comeu algo que lhe fez mal. É uma situação que vai ser resolvida após ela vomitar e se hidratar corretamente", completa.
No caso específico da cervejaria, especialistas apontam que foi possível perceber que não se tratava de uma intoxicação alimentar simples, principalmente, quando apareceram sintomas como insuficiência renal grave — que pode aparecer em até 72 horas em casos da síndrome — e alterações neurológicas.
"Nesses casos como o de Minas, é possível notar problemas além do quadro gastrointestinal, habitual em casos de intoxicação alimentar. A síndrome nefroneural traz, junto com problemas no aparelho digestivo, dificuldades no sistema nervoso central e periférico, além da insuficiência renal", afirma o infectologista Rogério Valls de Souza, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"No caso da intoxicação alimentar, como é popularmente conhecida, a infecção é causada por alguma bactéria. Mas no caso da intoxicação da cerveja, trata-se de substâncias químicas que não deveriam estar naquele ambiente ou alimento e não poderiam ser consumidos por seres humanos", diz Capitani.
O toxicologista lembra que pode ser difícil diagnosticar rapidamente casos de síndrome nefroneural.
"Os sintomas específicos da síndrome podem demorar a aparecer. O mal-estar pode, por exemplo, ser confundido com embriaguez. Pode ser difícil para o médico, a princípio, diferenciar. São quadros que podem ter diagnósticos difíceis, por isso é preciso uma avaliação mais aprofundada", declara Capitani.
Os médicos apontam que quanto antes houver o diagnóstico e o início do tratamento, mais chances de que a síndrome não traga graves consequências aos pacientes.
"Se demorar muito para haver uma intervenção, pode causar quadro de insuficiência renal prolongado, caso neurológico com sequela ou cegueira", diz Souza.
Polícia Civil de Minas Gerais encontrou dietilenoglicol em amostras da cerveja
Divulgação/Polícia Civil de MG via BBC
Cervejas recolhidas
Após o início das suspeitas sobre a contaminação das cervejas, o Ministério da Agricultura determinou o recolhimento de todos os produtos da Backer e a suspensão da fabricação das cervejas após apontar que outras marcas da empresa também podem estar contaminadas.
Uma força-tarefa foi criada para apurar o caso. Os processos de fabricação das bebidas estão sendo investigados. O ministério informou que há três hipóteses: sabotagem, vazamento ou uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no processo de refrigeração do sistema de fabricação.
Ainda segundo a pasta, a fiscalização apontou um uso elevado de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração da cervejaria — a substância é muito utilizada como anticongelante.
O levantamento mostrou que 15 toneladas do insumo foram comprados pela empresa desde 2018, com picos em novembro e dezembro passado. "Como a refrigeração é um sistema fechado, em princípio, não haveria justificativa para essa aquisição em grande escala", informou a pasta.
A Backer pediu na terça-feira (14), por meio de seus representantes, que os clientes não consumam as cervejas Belorizontina e Capixaba até que o caso seja apurado.
A empresa informou ainda que não sabe a origem das substâncias encontradas nos produtos e disse que aguarda as apurações do caso.
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Água usada na cervejaria Backer estava contaminada, diz Ministério da Agricultura

Nova técnica ‘devolve’ rosto a brasileira sobrevivente de câncer

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde
Denise perdeu um olho e parte da mandíbula por causa de um tumor facial, mas agora pode sorrir novamente. Nova técnica 'devolve' rosto a brasileira sobrevivente de câncer
BBC
Denise Vicentin perdeu um olho e parte da mandíbula por causa de um tumor facial que desenvolveu há 30 anos.
Veja o vídeo.
Graças a uma prótese de baixo custo, porém, ela voltou a sorrir. Cientistas brasileiros, da Universidade Paulista, usaram smartphones e impressoras 3D para produzir sua prótese facial de silicone.
Eles dizem que o método diminui os custos e corta pela metade o tempo de produção.
Agora, Denise quer voltar para sua vida normal.
“Já cheguei a lugares como um boliche e sentia olhares repugnantes, e uma pessoa acabou se retirando do local”, diz ela.
“Mas hoje eu posso dizer o quão melhor é andar na rua. Não tem comparação.”
O próximo passo é um tratamento para restaurar sua mandíbula e seu lábio superior.
Nova técnica 'devolve' rosto a brasileira sobrevivente de câncer
BBC
VÍDEOS SOBRE TRANSPLANTES
Trinta e cinco mil pessoas esperam por transplante de órgãos no Brasil
Gêmeos que fizeram transplante de coração se reencontram
Jovem com leucemia consegue doador, mas falta de leitos impede transplante

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde
Novas descobertas sugerem que sofrer bullying no trabalho não apenas nos afeta emocionalmente, mas também pode ter sérias consequências para nossa saúde. Dados mostraram que humilhações no trabalho têm impacto também no lado físico
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Em 2015, pouco depois de Soma Ghosh começar um novo emprego como consultora de carreiras, começou a sentir medo todos os dias no escritório.
Um colega criticava constantemente seu desempenho, culpando-a pelos erros dos outros e a humilhando. O bullying constante logo começou a pesar sobre ela.
Ghosh desenvolveu ansiedade e depressão, mas também houve efeitos em sua saúde física, incluindo problemas para dormir, sintomas recorrentes de gripes e resfriados, o surgimento de um caroço na axila e dores nos dedos, mãos e ombros, causadas pela pressão de trabalhar horas extras sem os intervalos adequados.
Pesquisadores sabem há muito tempo quais são os efeitos adversos à saúde mental do bullying no local de trabalho. Mas apenas recentemente — graças a estudos que utilizam os registros de saúde pública dos países escandinavos — eles começaram a fazer descobertas que indicam que esse bullying também pode ter efeitos sérios na saúde física.
Perigo para o coração
Um artigo de 2018, escrito por um grupo liderado por Tianwei Xu, da Universidade de Copenhague, analisou dados de quase 80 mil trabalhadores na Suécia e na Dinamarca.
Os pesquisadores acessaram relatórios para averiguar se os participantes sofreram bullying no trabalho e, em seguida, procuraram registros de saúde para ver se haviam desenvolvido alguma doença cardiovascular nos quatro anos seguintes.
Um padrão claro emergiu dos dados daqueles milhares de homens e mulheres. Os 8% a 13% dos entrevistados que disseram que sofreram bullying tiveram 1,59 vezes mais chances do que os outros participantes de desenvolver uma doença cardíaca ou ter um derrame.
A incidência de problemas relacionados ao coração aumentou em 59% nos que foram vítimas de bullying, em comparação com os que não haviam sido intimidados.
O coração não é a única parte do corpo que pode ser afetada pelo assédio moral no local de trabalho
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Isso se manteve mesmo depois que os pesquisadores controlaram fatores que poderiam gerar confusão, como índice de massa corporal e tabagismo. Eles também descobriram uma relação dose-resposta: quanto mais os participantes disseram que haviam sido intimidados, maior o risco de desenvolver problemas cardíacos.
Ao traduzir suas descobertas para toda a população, Xu explica que, se houver um nexo de causalidade entre o assédio moral no trabalho e as doenças cardíacas, "a remoção do assédio moral no local de trabalho significaria que poderíamos evitar 5% de todos os casos de doenças cardiovasculares". Embora o estudo não prove isso, seria uma perspectiva impressionante.
O coração não é a única parte do corpo que pode ser afetada pelo assédio moral no local de trabalho. Em um estudo semelhante com participantes da Suécia, Dinamarca e Finlândia, os pesquisadores descobriram que um histórico recente de intimidação no trabalho estava associado a um risco 1,46 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2 na década seguinte.
É verdade que esses estudos observacionais não podem provar totalmente que o assédio moral no local de trabalho causa problemas cardíacos e diabetes. É possível, por exemplo, que vulnerabilidades preexistentes aumentem o risco de uma pessoa sofrer bullying e o risco de desenvolver problemas de saúde mais tarde.
No entanto, Xu e seus colegas acreditam que existem mecanismos plausíveis que poderiam explicar como o bullying leva diretamente a doenças físicas. Isso inclui níveis altos de hormônios do estresse e a reação de vítimas de bullying, que podem adotar comportamentos prejudiciais, como comer em excesso ou beber muito álcool.
Os pesquisadores planejam explorar essas possibilidades em trabalhos futuros.
Por enquanto, porém, Xu diz que "os empregadores devem estar cientes das consequências adversas para seus funcionários ao sofrerem bullying no local de trabalho".
Ela aconselha as vítimas de bullying a "procurar ajuda o mais rápido possível".
Consequências para testemunhas
Não é apenas para o bem da vítima que os empregadores criam programas e sistemas para impedir o assédio moral no local de trabalho. Os funcionários que testemunham bullying com outros colegas também podem sofrer efeitos adversos na saúde.
Pesquisadores do Instituto de Psicologia do Trabalho da Universidade de Sheffield descobriram que, mesmo sem sofrer bullying direto, a equipe que observou o comportamento sofreu um declínio no seu bem-estar relacionado ao trabalho, se sentindo mais deprimida.
Pesquisas anteriores da Singapore Management University também concluíram que a estar em contato, mesmo que indireto, com o assédio moral afeta a saúde mental, o que, por sua vez, afeta sua saúde física.
Outra pesquisa da Universidade de Sheffield também mostra que testemunhar o bullying pode prejudicar funcionários que não têm apoio social ou que têm tendência ao pessimismo.
O professor Jeremy Dawson, coautor do estudo, aconselha que, se você observou o assédio moral no local de trabalho, deve falar a respeito.
"Isso pode ser com a vítima (por exemplo, perguntando como ela está) ou com outras pessoas (e as conversas podem ser sobre a formação de um plano para abordar o problema ou apenas uma troca de experiências)", ele escreve.
Ele também incentiva os funcionários a denunciar o bullying de todas as maneiras possíveis — por meio de canais oficiais, chefes ou outros colegas de confiança.
Dados os efeitos aparentemente amplos e prejudiciais do assédio moral no local de trabalho — tanto para vítimas quanto para testemunhas —, é mais importante do que nunca criar uma cultura colaborativa na qual o assédio moral seja eliminado antes de se enraizar.
Soma Ghosh, que desde então estabeleceu seu próprio negócio como consultora de carreira para mulheres, diz que os empregadores deveriam fazer mais para proteger seus funcionários do assédio moral no local de trabalho e que, se soubesse dessas descobertas, teria largado o emprego ainda mais cedo.
Ela incentiva qualquer pessoa que acredite estar passando por problemas de saúde mental ou física como resultado do bullying a falar com alguém, como um clínico geral ou um psicólogo.
"Não é algo que vai desaparecer", alerta ela.
Este artigo não foi escrito por um funcionário da BBC. Seu autor é o dr. Christian Jarrett, editor sênior da revista Aeon. Seu próximo livro, sobre mudança de personalidade, será publicado em 2021. Veja a versão original aqui, no site da BBC Worklife.
Psicóloga orienta pais, alunos e professores a lidarem com o bullying