Fumantes e ex-fumantes sentem mais dores que outras pessoas, indica estudo

Como falar de uma doença grave com uma criança?
Pesquisadora disse que a descoberta mais surpreendente foi a de que os níveis mais altos de dor foram encontrados nas faixas etárias mais jovens (entre 16 e 34 anos). Estudo mostra que fumantes e ex-fumantes relatam mais propensão a sentir dores
Getty Images/BBC
As pessoas que fumam e até as que deixaram de fumar relatam sentir mais dores do que aquelas que nunca adquiriram o hábito, indica um estudo.
As conclusões são baseadas em uma análise de dados de mais de 220 mil pessoas feita pela University College London (UCL).
Os pesquisadores dizem que o motivo é incerto, mas pode incluir o fato de que fumar causa mudanças permanentes no corpo.
O grupo de combate ao fumo Ash disse que as descobertas não devem ser vistas como surpresa.
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O estudo
Os cientistas analisaram dados de um conjunto de experimentos online no BBC Lab UK Study, no qual as pessoas foram analisadas entre 2009 e 2013.
Elas foram classificadas em três categorias: as que nunca fumaram, as que fumam diariamente e as que já fumaram, mas conseguiram deixar o hábito.
Foram, então, questionadas sobre a quantidade de dor que sentiam e isso foi convertido em uma escala de 0 a 100. Pontuações mais altas significavam mais dor.
Os fumantes e ex-fumantes obtiveram entre um a dois pontos a mais do que aqueles que nunca fumaram, mostrou o estudo da revista "Addictive Behaviors".
Em outras palavras, o tabagismo estava ligado a viver com mais dor — mesmo depois de parar de fumar.
"A principal descoberta é que os ex-fumantes ainda sentem o efeito da dor elevada", disse uma das pesquisadoras da UCL, Olga Perski, em entrevista à BBC.
Ela acrescentou: "É um conjunto de dados muito grande. Temos uma boa amostra para que possamos estar bastante confiantes de que algo está acontecendo."
"Mas não podemos dizer se isso é clinicamente significativo."
Perski disse que a descoberta mais surpreendente foi a de que os níveis mais altos de dor foram encontrados nas faixas etárias mais jovens (entre 16 e 34 anos).
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O que está acontecendo?
Não há explicação definitiva. Uma das hipóteses é a de que alguns dos milhares de produtos químicos contidos na fumaça do tabaco possam levar a danos permanentes nos tecidos, resultando em dor.
Uma outra é que fumar pode ter um efeito duradouro nos sistemas hormonais do corpo.
Essa possibilidade se concentra especificamente no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (eixo HPA), que está envolvido na maneira como reagimos à dor. Se o eixo HPA estiver desequilibrado, isso pode levar as pessoas a sentirem mais dor.
Mas permanece a possibilidade de que fumar seja um sintoma, não a causa.
Por exemplo, estudos associaram o traço de personalidade neurótico a uma dor mais intensa e a um maior risco de fumar.
Prova de que o tabagismo causa câncer de pulmão foi descoberta na década de 1950
Seciju/Divulgação
Assim, pode ser que, na média, o tipo de pessoa com maior probabilidade de relatar ter mais dor também seja o tipo de pessoa com maior probabilidade de começar a fumar.
"Esta é certamente uma questão que precisa ser investigada", disse Perski.
No entanto, ela disse que o último estudo se concentrou em pesquisas anteriores que vinculavam o tabagismo à dor crônica e à dor nas costas.
"Mesmo que você pare depois de fumar regularmente, isso pode ter efeitos duradouros na dor, é um incentivo muito bom parar o mais rápido possível", disse Perski à BBC.
A executiva-chefe da Ash, Deborah Arnott, disse que "a prova de que o tabagismo causou câncer de pulmão foi descoberta na década de 1950. Ao longo dos anos, cresceram as evidências de que quase todas as condições médicas podem ser causadas ou agravadas pelo fumo".
"Isso inclui câncer, doenças cardíacas e respiratórias, cegueira, surdez, diabetes, demência e infertilidade. Os fumantes também demoram mais para se recuperar das operações e é mais provável que o resultado seja um fracasso."
"Portanto, não é surpreendente que os fumantes também sintam mais dor do que aqueles que nunca fumaram."

De volta a Netuno: entenda os próximos passos na exploração do Sistema Solar exterior

Como falar de uma doença grave com uma criança?
Netuno visto pela Voyager 2
Divulgação/Nasa/JPL
Depois de mais de 40 anos “esquecidos”, os gigantes Urano e Netuno voltam à cena com a proposta de duas missões interplanetárias. E, como era de se esperar, a China marca presença.
Este ano – e certamente os próximos quatro ou cinco anos – será focado na reconquista da Lua, com os projetos de missões tripuladas e construção de bases. Mas também serão anos dedicados a estreitar a exploração científica de Marte. Por enquanto, nada mais ambicioso do que recolher amostras do solo para envio à Terra, mas com foco também em futuras missões tripuladas.
Enquanto isso, as ideias de explorar planetas mais distantes vão surgindo e algumas delas, felizmente, já estão se concretizando. Em especial nas fronteiras do Sistema Solar.
Nos planetas mais distantes
As sondas Pioneer 10 e 11 e as Voyagers 1 e 2 fizeram um tour pelo Sistema Solar, estudando os gigantes gasosos distantes. Em especial a Voyager 2, que além de Júpiter e Saturno, estudou os planetas mais distantes Urano e Netuno, no final da década de 1980.
Desde então, Júpiter e Saturno ganharam missões próprias, com sondas orbitando seus sistemas por anos a fio: Júpiter teve a sonda Galileo e, atualmente, a Juno e Saturno foi estudado pela sonda Cassini por mais de 10 anos. Mas parou nisso. Urano e Netuno ficaram esquecidos desde então.
As conversas para construir uma missão de reconhecimento de Netuno começaram a convergir nos últimos dois anos e, em julho do ano passado, surgiu uma proposta concreta. A missão Trident, em alusão ao tridente de Netuno, foi apresentada numa conferência de ciências planetárias nos EUA.
Mosaico de Tritão
Divulgação/Nasa/JPL
A proposta é que a agência espacial dos EUA (Nasa) financie uma missão da classe Discovery dentro dos preceitos de “melhor, mais rápida e mais barata” que tem a "New Horizons" como um recente sucesso.
A missão, aliás, seria nas mesmas bases da "New Horizons" que fez um sobrevoo em Plutão e Caronte em 2015: a Trident irá fazer um sobrevoo rápido por Netuno e Tritão, sua enigmática lua. Em geral, é assim que as missões evoluem, com uma missão de sobrevoo de reconhecimento inicial e um mapeamento preliminar, para depois partir para uma missão para orbitar e, quem sabe, pousar no objeto.
A missão Trident seria equipada com instrumentos muito parecidos com os que fazem parte da "New Horizons" para obter o máximo de informações no menor tempo possível.
E o sobrevoo promete ser ainda mais empolgante: depois de uma viagem de quase 10 bilhões de quilômetros, a nave vai fazer uma rasante de apenas 500 quilômetros sobre Tritão! Isso é o equivalente a acertar um alvo de meio milímetro de largura em Londres, disparando uma arma em Porto Alegre!
Um dos objetivos principais é estudar Tritão em detalhes. Quando a Voyager 2 passou, ela não foi capaz de mapear por inteiro o seu hemisfério norte e o que foi visto na parte sul deixou mais perguntas do que respostas.
Mais sobre Netuno e Tritão
Tritão tem as características de um planeta anão formado no Cinturão de Kuiper e que foi capturado por Netuno. Mas também tem características de um mundo composto de muito gelo que poderia ter se formado ali mesmo, junto com Netuno. Além disso, o mapa mostrou uma calota polar no hemisfério sul, mas nenhuma evidência de que exista uma calota semelhante no polo norte.
Mas o mais empolgante: Tritão poderia ter um oceano subterrâneo! Essa lua de Netuno foi incluída no rol de corpos celestes chamados de “Mundos Oceânicos” que são: Ganimedes, Europa, Titã, Encélado, Plutão e Caronte.
Isso foi novidade até para mim, mas, de acordo, com a equipe da missão Trident, proposta pelo Instituto Lunar e Planetário no Texas, Tritão tem todas as premissas para possuir muito gelo e, com sua composição geológica e proximidade de Netuno, o gelo poderia se transformar em água no subsolo, mantendo-se nessa condição se existir amônia misturada a ela.
O objetivo da rasante de 500 km acima da superfície de Tritão é atravessar sua tênue atmosfera para analisá-la.
Após o sobrevoo, a Trident vai poder passar pela sombra de Netuno e Tritão, para procurar plumas de vapor d’água no satélite, como as encontradas em Encélado e mais recentemente em Europa. Quem vai responder a questão sobre a existência ou não do oceano, entretanto, será uma séria de instrumentos que vão estudar o campo magnético de Tritão.
Participação chinesa e datas da Trident
Além da Nasa, quem está também se preparando para visitar Netuno é a China e, como sempre, com objetivos bem mais ambiciosos. Além de passar a uma distância de mil quilômetros de Netuno, a missão que tem o nome provisório de IHP-1, vai lançar uma sonda para penetrar sua atmosfera.
Depois disso a IHP-1 vai fazer um sobrevoo de um objeto do Cinturão de Kuiper para finalmente seguir para fora do Sistema Solar. A intenção é fazer como as Voyagers e manter a nave estudando a heliosfera, a bolha de plasma que envolve o Sistema Solar.
Apesar de as ideias estarem ainda no campo das propostas, elas têm data marcada para virarem realidade. Para que isso tudo seja possível, as missões precisam partir entre 2024-2026 para aproveitar um alinhamento planetário favorável, economizando-se combustível.
Por exemplo, sendo lançada entre 15/04 e 05/05, a Trident levaria 12 anos para chegar até Tritão, mas antes passaria de novo pela Terra por mais três vezes, uma vez perto de Vênus e uma vez por Júpiter. Nessa rápida escala em Júpiter, a configuração das órbitas seria muito ideal para estudar Io, sua lua vulcânica.
A Trident tem até data para chegar, se respeitar a janela de lançamentos: 28 de junho de 2038 e, tal qual a "New Horizons", passaria mais um ano transmitindo os dados para a Terra. Tomara que a Trident seja aprovada logo, pois seis anos para montar e lançar uma missão dessas não é muito tempo e eu gostaria muito de ver seus resultados.
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Como é ter HIV e estar em apps de paquera: ‘As pessoas dizem que eu não deveria fazer sexo’

Como falar de uma doença grave com uma criança?
Aled Osborne costuma dizer abertamente que tem HIV, mas quando usa aplicativos de relacionamento, como o Tinder, sua sinceridade se volta contra ele. Aled diz que certas perguntas chegam a provocar calafrios por dentro
BBC
Aled Osborne costuma falar abertamente que tem HIV, vírus causador da Aids. Mas, quando usa aplicativos de relacionamento, como o Tinder, sua sinceridade se volta contra ele.
Muitas vezes, ele é alvo de abusos e insultos por parte de desconhecidos, que fazem perguntas ofensivas e invasivas.
Você vai morrer? Por que você está procurando sexo? Posso ser infectado ao sentar no vaso sanitário? Estes são alguns comentários que ele costuma ouvir, conforme relatou em entrevista à BBC.
Número de mortes associadas a Aids cai 33% em quase dez anos
Por que o HIV ainda devasta regiões do país mais rico do mundo
"Um indivíduo me perguntou como eu contraí (o vírus) e depois quis saber se a pessoa (que me infectou) era mais velha. Quando perguntei por que, ele respondeu: 'Sempre me pareceu que os jovens são mais saudáveis'. E, na sequência, me perguntou se a pessoa era branca."
Graças à terapia antirretroviral, hoje sua carga viral (quantidade de HIV no sangue) é considerada indetectável — ou seja, é próxima a zero (menos de 50 cópias de HIV por mililitro de sangue). É tão baixa que nem sequer pode ser medida.
Quem tem a carga viral indetectável há pelo menos seis meses não é capaz de transmitir o vírus para outra pessoa, mesmo que tenha relação sexual com ela.
O que é a terapia antirretroviral?
É uma combinação de medicamentos que devem ser tomados diariamente para impedir a replicação do HIV no organismo.
Não é capaz de curar o HIV, mas pode reduzir a quantidade de vírus no sangue a níveis indetectáveis.
Pacientes com HIV 'indetectável' por pelo menos seis meses não transmitem o vírus
Maureen Metcalfe, Tom Hodge/CDC/AP
A maioria das pessoas com HIV toma uma pílula combinada uma vez ao dia, mas outras podem tomar até quatro, dependendo de suas necessidades específicas de saúde.
A recomendação é que todos os pacientes iniciem o tratamento imediatamente após serem diagnosticados.
Atualmente, 36,9 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo, de acordo com o programa conjunto da Organização das Nações Unidas para a HIV/Aids (Unaids).
'Você está limpo?'
"Uma coisa que me dá arrepios e me faz revirar os olhos é quando as pessoas fazem a seguinte pergunta no aplicativo: 'Você está limpo?'"
O que elas querem saber, acrescenta Aled, é se você "está livre" de qualquer doença sexualmente transmissível.
"(Mas) o contrário de 'limpo' é 'sujo'. Você vai querer me dizer agora que eu sou 'sujo'?", questiona.
Ele conta que também recebe mensagens mais agressivas, como: "O que você está fazendo aqui?", "você não deveria estar aqui", "não deveria fazer sexo" ou "não deveria estar em busca de um relacionamento".
'Você está limpo?' é uma das perguntas que mais incomoda Aled
BBC
Aled, que se define em seu perfil no Twitter como um ativista na luta contra o HIV/AIDS, afirma que foi se fortalecendo contra esse tipo de comentário no decorrer dos anos.
"Já consigo antecipar algumas perguntas que as pessoas vão fazer, e me fortaleci para poder respondê-las constantemente".
Ele dá um conselho para quem faz esse tipo de pergunta:
"Simplesmente lembre-se de que você está se comunicando com outra pessoa. É outro ser humano que está recebendo essas informações, não apenas uma foto na tela do seu celular".
"Pergunte a si mesmo se você faria essa pergunta ao vivo."
"E se a resposta for 'não', talvez você também não deva formulá-la por meio de um aplicativo".
Aled prefere falar abertamente sobre sua condição
BBC
8 coisas que você não deveria dizer a alguém com HIV / AIDS:
A BBC entrevistou várias pessoas portadoras do vírus, e elas disseram que estes são os comentários que mais fazem… e que mais geram desconforto:
Como você foi infectado?
Quanto tempo você tem de vida?
Então você não pode voltar a fazer sexo?
Você deveria dizer às pessoas diretamente
Se eu compartilhar uma bebida com você, vou ser infectado?
Você deve ser promíscuo
Você nunca vai poder ter uma família?
Você preferia que isso nunca tivesse acontecido
Fonte: BBC Ideas

Qual foi a estranha 1ª fobia registrada pela ciência

Como falar de uma doença grave com uma criança?
Ela foi descrita há 2.500 anos por Hipócrates, o grego 'pai da medicina'. O termo pogonofobia é usado desde 1851 para descrever um medo persistente, desproporcional e irracional em relação às barbas
Getty Images/BBC
A sua respiração acelera, seu coração bate mais rápido, você transpira, seus músculos tensionam… O que acontece no seu organismo quando você tem uma reação fóbica?
No cérebro, a amígdala reconhece uma situação como perigosa.
O hipotálamo desencadeia sua resposta de luta ou fuga.
E o hipocampo registra o seu medo, para lembrá-lo da próxima vez que enfrentar algo semelhante.
Há mais glicose no sangue, o que aumenta sua energia.
Na maioria dos casos, o córtex pré-frontal, a parte racional e exclusivamente humana do cérebro, pode acalmar a amígdala.
Mas se você tem uma fobia, esse processo não funciona muito bem e seu cérebro fica preso no modo de ataque/defesa.
De onde vêm as fobias?
A primeira fobia registrada foi sentida por um homem que ficava aterrorizado com a música de uma flauta, mas apenas se ele a ouvisse à noite.
Ela foi descrita há 2.500 anos pelo grego Hipócrates, o "pai da medicina". Ele não usava, ainda, a palavra "fobia" — isso aconteceu 500 anos depois, quando o autor romano Celso a usou em 30 d.C.
Ele descreveu a hidrofobia como "uma doença muito infeliz na qual a pessoa doente é atormentada ao mesmo tempo pela sede e medo da água, e para a qual há pouca esperança".
Embora Celso, como outros autores clássicos, soubessem que a hidrofobia e a raiva estavam relacionadas, eles usaram o termo "raiva" para a doença que atacava os animais, enquanto a hidrofobia era o nome da versão humana da doença.
Hoje, a hidrofobia — o medo de água — é usada no contexto da doença da raiva, pois é um sintoma característico daqueles que sofrem dela.
O medo irracional e doentio da água ou da natação é chamado de aquafobia.
Celso pegou a palavra fobia do deus grego Fobos, que era tão assustador que os guerreiros o pintavam nos escudos para amedrontar seus inimigos.
Medo + desejo = fobia
Um dos casos mais famosos da psicanálise é o que Sigmund Freud descreveu em Análise da Fobia de Uma Criança de Cinco Anos, em 1909.
Fobias foram descritas ao longo da história como medos 'irracionais e doentios'
Getty Images/BBC
O garoto, conhecido como O Pequeno Hans, testemunhou aos 4 anos de idade um evento que o aterrorizou quando ele estava em um parque com uma empregada da família.
Uma carruagem puxando uma carga pesada desabou.
Isso o levou a ter medo de sair de casa, centrado no terror a cavalos — a equinofobia — e a cargas pesadas.
Para Freud, era um medo inconsciente de seu pai e relacionado a sentimentos sexuais por sua mãe.
Psicanalistas modernos ainda acreditam que as fobias podem ser causadas por conflitos internos como esse.
Mesas não tão planas
Outra teoria é de que pelo menos alguns medos são inatos. A ideia central é que o medo nos deu uma vantagem evolutiva.
Em um estudo que parece corroborar essa teoria, os pesquisadores mostraram imagens de aranhas e cobras a bebês pequenos e descobriram que suas pupilas estavam dilatando — um sinal de medo ou de intensa concentração.
Cerca de 5% das pessoas têm essas fobias.
E talvez o mesmo mecanismo tenha nos deixado outras fobias comuns, como medo de altura, escuridão, espaços confinados, todos perigosos quando estávamos evoluindo.
Psicóloga explica como identificar fobia social na infância
Sem raízes
Desde a época do Pequeno Hans, um grande número de fobias foram detectadas e nomeadas, desde iatrofobia (medo de médicos), pogonofobia (de barbas) e até deipnofobia (o medo irracional e patológico de interagir com outras pessoas durante uma refeição).
E embora possamos não conhecer a causa principal das fobias, sabemos como elas se desenvolvem.
Você pode ter uma fobia vendo o medo de outras pessoas.
Uma fobia também pode ser adquirida pelo aprendizado: saber mais sobre germes, por exemplo, pode levar à bacilofobia.
Ou você pode desenvolver uma fobia depois de ter uma experiência traumática, especialmente na infância.
Curiosamente, as fobias comuns são muito semelhantes em todas as culturas. Mas uma das poucas culturalmente específicas é a taijin kyofusho, a fobia japonesa de envergonhar outras pessoas.
Simples e complexas
Todas as fobias que mencionamos são classificadas como fobias simples, ou seja, elas são medos de coisas específicas.
Mas existem duas fobias complexas.
A fobia social é desencadeada por estar perto de pessoas desconhecidas e a agorafobia por estar fora de casa, especialmente em um local sem rotas de fuga.
Embora essas sejam condições graves, elas podem ser tratadas com terapia e medicamentos.
Fobias simples, apesar do sofrimento que causam, são mais fáceis de tratar.
Muitos médicos recomendam a terapia cognitiva-comportamental, com um terapeuta que ajude a se acostumar gradualmente ao que causa terror.
Então, se uma fobia o incomoda, você pode ir ao médico… A menos que você seja iatrofóbico, é claro.
Biomédica explica fobia de injeção

Como falar de uma doença grave com uma criança?

Como falar de uma doença grave com uma criança?
Abordar a questão de uma patologia grave com uma criança exige tato e comunicação adequada. A vítima pode ser ela mesma ou um pessoa próxima, mas, em ambos os casos, é fundamental o acompanhamento de um profissional. Criança aprendendo lendo estudando
Stephen Andrews / Unsplash
Existe uma maneira ideal de contar para uma criança que ela sofre de um câncer ou de uma outra doença grave? Esta é uma situação vivenciada com frequência pela pediatra Béatrice Pellegrino, presidente da rede de hemato-oncologia e cuidados paliativos pediátricos, ambos na região parisiense.
“Sempre chamo os pais de lado para conversar e anunciar o diagnóstico. Isso é essencial antes de conversar com a criança, para conhecê-la melhor”, diz. Isso também evita que eles se emocionem na frente dos filhos, explica.
“O que deixa a criança preocupada é ver seus pais chorarem. E os adultos têm questionamentos que só podem ser feitos longe dos filhos", diz.
Uma das dificuldades, explica, é que essa conversa sempre acontece em uma situação de emergência – a cirurgia ou tratamento devem ser realizados rapidamente para aumentar as chances do paciente. A família deve compreender e assimilar as informações em um curto espaço de tempo. “O ponto-chave é utilizar palavras compreensíveis, esquecer os jargões médicos”, observa.
Os profissionais utilizam desenhos para explicar os sintomas e o diagnóstico. Em seguida, recolhem informações sobre o cotidiano da família, sua estrutura, a profissão dos pais e a percepção que eles têm sobre o próprio filho. A ideia, diz a médica francesa, é adaptar o discurso em função da personalidade da criança. “Tentamos gerenciar a situação com toda a empatia possível, dizendo a verdade mas também dando esperança, valorizando os pontos positivos”, salienta.
Palavras certas, no momento certo
A questão da idade também é um ponto importante a ser considerado na hora do diagnóstico. Como descomplicar o nome de certas doenças, como é o caso de certos tipos de linfomas ou leucemias? Para a pediatra, é importante nomear a patologia sem rodeios.
“Temos muitos livros para crianças, sobre anatomia, que mostram onde estão situadas as lesões, e qual órgão foi atingido”, detalha. "Isso vai ajudar a criança a compreender seus sintomas e mal-estar."
Em geral, diz a pediatra, a reação do paciente varia muito, mas o interesse em relação à própria doença é relativo. Para uma criança pequena, o que importa é como isso vai afetar seu cotidiano. O esforço das equipes médicas consiste, desta forma, a inserir ou adaptar o tratamento dentro do dia a dia, permitindo que elas continuem a frequentar a escola, por exemplo.
Com frequência, os irmãos são convidados a participar dos cuidados hospitalares para ajudar e entender o que está acontecendo. Desta forma, questões sobre a morte, por exemplo, poderão ser abordadas com os profissionais, longe do paciente.
Pediatra Marcela Noronha ajuda o menino Isaac a se alimentar melhor
Livro desmistifica câncer
A professora de teatro francesa Camille Genié é autora do livro “Comment maman a tué le chef des pamplemousses” (“Como mamãe matou o chefe das toranjas”, em tradução livre).
A “toranja”, fruta pouco conhecida no Brasil mas que se parece com uma laranja Bahia, citada no título, faz alusão ao linfoma descoberto em Camille – um tumor situado perto do coração.
Os médicos, ao anunciarem o diagnóstico, fizeram uma analogia com a fruta para explicar a gravidade do caso. Isso não impediu a francesa, com a ajuda da ilustradora Pascale Bougeault, de dar um tom bem-humorado ao livro. Pelo contrário: ela se apropriou do exemplo médico para construir sua história.
A obra narra seu combate contra o câncer e maneira como seu filho, que tinha três anos e meio quando ela foi diagnosticada, vivenciou a situação. O narrador é a própria criança, que compartilha com o leitor seus medos, dúvida e incertezas – uma experiência que ajudou os dois a superarem o drama.
“As palavras usadas para falar sobre o diagnóstico com as crianças são essenciais e indispensáveis”, diz a francesa. O fato de ser atriz, diz, também a ajudou a entrar em um processo criativo e se distanciar da dura realidade. O público-alvo da obra são crianças que vivem situações parecidas.
Na capa do livro, Camille é representada em um desenho vestida de cacique, pronta para combater o mal, ao lado do filho. “O humor é um traço de personalidade meu, que existe desde antes de eu ficar doente”, conta.
“A cumplicidade com meu filho sempre existiu”, completa. Hoje Camille está em remissão e seu filho tem oito anos. “A doença é uma lembrança. Ele tem orgulho do livro que fizemos juntos e foi o primeiro a pegar a obra e levar para a escola.”
*As entrevistas foram concedidas ao programa da RFI em francês, "Priorité Santé."
Pediatra fala sobre os principais exames que os bebês devem fazer