Jejum intermitente: fórmula de saúde ou pura moda?

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra
Exaltada como inovação saudável, dieta baseada no ritmo alimentar é promovida como uma maneira rápida de perder peso, evitar doenças e aumentar a expectativa de vida. Alguns estudos, porém, contestam tais promessas. Jejum intermitente tem se tornado uma forma popular de perder peso
Pixabay
Parece que todo mundo está aderindo ao jejum intermitente: celebridades, meu chefe, o namorado da amiga, minha mãe. O diretor-executivo do Twitter, Jack Dorsey, só come uma vez por dia: não toma café da manhã, não almoça e faz sua única refeição entre 18h30 e 20h30.
Apesar de o método de Dorsey ser extremo demais (e não recomendável), o jejum intermitente vem sendo amplamente promovido com uma infinidade de livros que prometem "supercarregar a energia", "otimizar o peso", ativar as células-tronco" e "desacelerar o envelhecimento".
Há também aplicativos que monitoram a janela de tempo do jejum intermitente e a perda de peso. Tudo isso é parte de uma florescente indústria global de dietas que gera 189 bilhões de dólares por ano.
Apesar de o jejum ser, há muito, um ritual de purificação para muitas culturas e religiões (ainda que nesses casos voltado para o lado espiritual), sua chegada à cena moderna de wellness gera sérios questionamentos em termos de saúde. Entre eles, por que seguir uma dieta cujos adeptos dizem ser boa para humanos porque se baseia no que faziam os primitivos ancestrais.
Acima de tudo, o que é exatamente o jejum intermitente, e por que se deveria adotá-lo? Trata-se de padrão alimentar que restringe a ingestão de calorias a determinadas horas do dia ou dias por semana. Há, contudo, numerosas variações.
Um dos exemplos mais comuns, popularizado pelo jornalista científico Michael Mosley, é a dieta 5:2, onde se pode comer sem restrições por 5 dias da semana e limitar a ingestão de calorias nos outros dois, em geral para 500 quilocalorias diárias. Mosley afirma que a dieta curou sua diabetes tipo 2.
Jejum intermitente: todo mundo pode fazer?
Em outro método, a restrição da alimentação por tempo limitado comprime a ingestão para um período de algumas horas por dia (usualmente entre oito e dez horas). Já o jejum em dias alternados, como o próprio nome sugere, limita a ingestão calórica a dia sim, dia não.
Há ainda versões mais extremas, incluindo a chamada "dieta dos guerreiros", que alterna entre 20 horas de pouca alimentação e quatro horas em que se pode comer sem limites. Esse caso, porém, não chegou a ser estudado, uma vez que não é recomendado por nenhum profissional de saúde.
A ideia central do jejum intermitente é dar ao corpo tempo suficiente para reduzir o nível de insulina entre as refeições, permitindo às células adiposas liberarem o açúcar armazenado para ser utilizado como energia.
O fervor de positividade em torno da dieta aumentou exponencialmente após uma série de estudos de sucesso realizado com ratos, que tiveram perda de peso e melhoras na pressão sanguínea, colesterol e níveis de glicose no sangue, e até reduzindo o risco de diabetes tipo 2 e câncer.
Mas, ao contrário dos ratos de laboratório, é muito mais difícil seres humanos seguirem regras rígidas de dieta, o que, em parte, tem dificultado os estudos de longo prazo.
Tão eficaz quanto dietas tradicionais
Um dos estudos mais recentes sobre jejum intermitente, publicados no portal científico "Cell Metabolism", conclui que restringir a alimentação a uma janela de dez horas diárias traz benefícios à saúde dos obesos com alto nível de colesterol, índices elevados de glicose no sangue e pressão alta. Após três meses, os participantes do estudo – a quem foi pedido que não mudassem suas dietas – perderam em torno de 3% da gordura do corpo e 4% da gordura visceral no abdômen.
Isso parece sugerir que um método de jejum de ritmo circadiano 10:14 (comer entre 08h00 e 18h00, por exemplo) seria eficaz para os pacientes de síndrome metabólica, mas a questão é que o estudo foi realizado com apenas 19 participantes durante três meses.
Isso é simplesmente "pouco demais e breve demais", aponta Tilman Kühn, epidemiologista nutricional do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer. Em sua opinião, faltou nesse estudo a comparação – crucial – com as dietas convencionais de redução de calorias. "Minha interpretação é que os participantes simplesmente se beneficiaram de um apoio dietético profissional."
Satchidananda Panda é professor do Instituto Salk e coautor do estudo. Apesar de admitir que "ainda é necessário pesquisar mais" para estabelecer se a restrição do período alimentar ou o jejum intermitente pode realmente ajudar a reverter problemas causados pelas dietas insalubres, ele afirma que foi possível descobrir que o jejum 10:14 faz dormir melhor e se sentir mais descansado pela manhã. Panda é autor de um livro cujo subtítulo é "perca peso, supercarregue suas energias e transforme sua saúde da manhã à meia-noite".
Pesquisas anteriores, porém, concluíram que o jejum intermitente não é mais eficaz para a perda de peso ou a melhora dos níveis de insulina do que uma dieta convencional de redução de calorias.
Outro estudo recente coliderado pelo alemão Kühn, realizado durante um período de 50 semanas, comparou uma dieta intermitente 5:2 com outra de redução contínua das calorias, onde os participantes reduziram a ingestões calóricas em 20%, além de um terceiro grupo que não modificou sua dieta.
Os pesquisadores concluíram que tanto o jejum intermitente quanto a redução calórica ocasionaram em perda de peso e gordura, em comparação ao grupo de controle. Alguns indicadores de saúde, como níveis de insulina e de lipídios, também melhoraram. Os resultados foram quase idênticos nas duas dietas.
"Não encontramos prova alguma de um efeito maior ou de maiores benefícios do jejum intermitente", declarou Kühn à DW. "Foi igualmente eficaz, se comparado a uma dieta tradicional moderada de redução de calorias."
Kühn ressala que "jamais confiaria em apenas um estudo". Porém duas outras pesquisas comparativas de cerca de um ano de duração, realizadas na Noruega e na Austrália na mesma época, igualmente chegaram a conclusão de que o jejum intermitente 5:2 não é mais eficaz do que a dieta de redução calórica.
Questão de simplicidade
Por sua vez, Satchidananda Panda acredita que um dos grandes atrativos do jejum 10:14 é o fato de ser mais fácil de ser seguido do que outras formas de jejum intermitente ou dieta convencional. "Mesmo se os dois métodos geram resultados semelhantes, por que alguém preferiria algo difícil de cumprir?", questiona.
O problema com as proezas alegadas pelos estudos de escala reduzida e livros sobre jejuns intermitentes é que, assim como muitas dietas da moda, o jejum é apresentado como uma solução miraculosa, quando, na verdade, o aspecto científico não está tão claro.
"Se alguém achar que um jejum intermitente está funcionando, então eu diria que é um bom método para ele ou ela. Mas, não é uma solução universal para os problemas de saúde de todo mundo", observa Kühn.
À luz dos indicadores disponíveis, ele acha que a comunidade científica deveria, antes, considerar medidas políticas como uma maneira de prevenir obesidade e hábitos alimentares insalubres (como o imposto sobre o açúcar no Reino Unido), em vez de apelar para que os indivíduos mudem seus hábitos alimentares.

‘Levava 40 segundos só para dizer meu nome’: o curso de 4 dias que reduz gagueira

Dinamarquês Daniel Tusk levava 42 segundos para falar o próprio nome; após superar seus medos em um curso, ele passou a ajudar outras pessoas. Gaguejar é uma condição neurológica que afeta mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas um programa criado nos anos 1990, que junta técnicas de respiração com ensinamentos da psicologia esportiva, oferece uma terapia intensiva de quatro dias que tem ajudado muita gente ao redor do mundo.
"O programa McGuire é para pessoas que querem mesmo trabalhar a falar", diz Daniel Tusk, que conseguiu superar sua gagueira o curso e o levou à Dinamarca. "Nós começamos bem cedo e terminamos tarde da noite. Então, fisicamente, é difícil, e fazemos muitos exercícios de respiração".
O curso ajuda pessoas com gagueira a superar o medo de falar em público e de conversar com estranhos.
A gagueira de Signora Bergland era tão severa que ela tinha dificuldades até para se apresentar a um estranho. Após participar do curso, seu progresso é motivo de alegria para sua mãe, Susan. "É lindo. Senti que foi a primeira vez que eu a estava vendo muito feliz de verdade", diz.
Embora não exista "cura" para a gagueira, muitos evoluíram consideravelmente depois de participar do programa.
Assista ao vídeo.
VÍDEO SOBRE GAGUEIRA NA INFÂNCIA
Gagueira do desenvolvimento da fala deve sumir em seis meses

Após ‘racha’ familiar no ano passado, saiba como evitar brigas nas festas de fim de ano em 2019

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra
Especialistas afirmam ao G1 que é preciso reconhecer que as relações humanas implicam em tensões e que discordar de pontos de vista não significa brigar com o familiar. Imagens de famílias felizes nem sempre mostram a tensão do convívio; especialistas destacam que é importante ter em mente que discordar não é brigar
Tyler Nix/Unsplash
O reencontro entre familiares e amigos nas festas de fim de ano guarda uma tensão a mais em 2019: como refazer laços após as brigas do ano passado, causadas por divergências de valores e posições políticas? Para alguns grupos familiares que se reúnem apenas uma vez ao ano, esta pode ser a chance de desfazer mal-entendidos. Mas é preciso estar preparado.
O G1 ouviu especialistas para saber quais são as dicas sobre como evitar novos conflitos e refazer laços. Confira:
Reconheça as diferenças
Saber que o seu familiar é outra pessoa, com vivência e valores diferentes, é um dos pontos levantados pelo psicólogo clínico José Alberto Roza Júnior. O conceito pode parecer simples mas, na prática, esconde a base da maioria dos conflitos.
"As pessoas querem que os outros pensem como elas. Se a gente vai para uma conversa, sem respeitar que o outro tem um ponto de vista diferente, não há diálogo" – José Alberto Roza Júnior, psicólogo.
"As festas de fim de ano não são festas com os amigos. Elas costumam reunir parentes que não convivem diariamente, então o ideal é falar de assuntos mais amenos e respeitar o que o outro diz. Não é hora de convencê-lo do contrário", diz.
Discordar não é brigar
"As relações humanas implicam em tensões", afirma o psiquiatra Daniel Barros, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Para ele, é importante ir à festa sabendo que pode haver conflito.
"Pode parecer paradoxal [pensar no conflito], porque nesta época do ano a gente só quer paz e harmonia. Mas, se você achar que será tudo às mil maravilhas e surgir uma tensão, você pode ser pego de surpresa e não reagir bem", afirma.
"Essa é a grande vantagem de já ter tido discussões no ano passado. Você não precisa mais marcar seu ponto de vista, tudo mundo já sabe. Às vezes, a paz vem quando a gente concorda em discordar" – Daniel Barros, psiquiatra
A psicopedagoga da Escola de Inteligência Maria Rita Grandi Gullo destaca que, por trás de uma discussão, há sempre um motivo além daquele que está sendo dito.
"Por trás de alguém que fere, sempre tem alguém ferido. Tente entender por que essa pessoa está fazendo tanto barulho, e construa mais pontes [entre os familiares] e menos muros [que os distanciem]", diz.
Não tente convencer o outro
Daniel Barros alerta para o risco de tentar convencer o familiar sobre o seu ponto de vista. "Às vezes a gente pensa que o outro só não concorda porque não te entendeu. Mas o outro pensa igual sobre você. E, nessas conversas, o tom sobe", afirma Barros.
"Se a gente pensar que todo mundo já entendeu e só não concordou, o conflito acaba" – Daniel Barros, psiquiatra
Outro modo de gerenciar o conflito é pensar que toda ação é reflexo de uma necessidade, de algo que a pessoa quer preservar.
Discussões sobre direitos humanos e segurança, por exemplo, podem ser sobre valores como justiça, equidade e equilíbrio e sobre manter a ordem e a coerência, afirma Liliane Sant’Anna, co-fundadora do Instituto Comunicação Não-Violenta (CNV) Brasil.
"Isso tira a imagem de vilão e traz de volta ao familiar a imagem de uma pessoa que quer preservar algumas coisas. O que e o como podem ser diferentes, mas nas 'necessidades', não há conflito", relata.
Observe, fale, conte sua necessidade, faça um pedido
Liliane Sant’Anna, co-fundadora do CNV Brasil, e a psicopedagoga da Escola de Inteligência Maria Rita Grandi Gullo sugerem um roteiro da teoria da comunicação não-violenta para escapar de conflitos:
Observe sem julgar: é importante ouvir a opinião do familiar sem julgamento de valores, tendo em mente que cada pessoa tem uma história, um passado, e um repertório de informação e educação diferentes. Neste momento, é importante refletir se vale a pena entrar em uma discussão e calcular os prós e contras da situação.
Fale como se sente: caso tenha algum ponto de tensão, fale o que incomodou: se foi uma opinião política ou uma briga por motivos familiares, explique como aquilo causa impacto em você.
Conte sua necessidade: ao dizer como se sente, fale também sobre o que você precisa para que os conflitos não apareçam novamente. Se é uma questão familiar, como em relação ao cuidado com os mais idosos, proponha uma reflexão em conjunto sobre o que cada familiar precisa para dar atenção àquele parente que inspira cuidados.
Faça um pedido: chegue a um acordo com o seu familiar sobre os passos seguintes. Ao reconhecer como se sentiu e quais as suas necessidades, peça para que haja alguma mudança para que o caso não se repita no futuro.
E se não der certo?
Se, após ler estas dicas, você não se sentir disposto a restaurar relações com algum familiar, não se sinta obrigado. A psicóloga Juliana Bonetti Simão destaca que há relações que são difíceis e não se resolvem em um encontro de fim de ano.
"Se você acreditar que não dá, que é um vínculo muito difícil – até porque muitas relações familiares são tóxicas –, se respeite. Está tudo bem não ter que se dar bem com todo mundo" – Juliana Bonetti Simão
Outro ponto, lembra Liliane Sant’Anna, do CNV Brasil, é saber exatamente o que está em jogo neste encontro familiar.
"Quando não dá para manter a conexão, temos que pensar o que queremos preservar – a harmonia, a paz, o bem estar – e escolher. Você pode mudar de grupinho na roda de família, ou escolher meditar. Buscar estratégias que te liguem ao que você valoriza" – Liliane Sant’Anna, co-fundadora do Instituto CNV Brasil
VÍDEOS SOBRE RAIVA E PERDÃO
O programa Bem Estar fez algumas reportagens sobre os temas. Nos vídeos de arquivo, abaixo, é possível rever os conteúdos. Confira:
Do que você tem raiva?
Perdoar faz bem para a saúde
Como a raiva afeta a nossa saúde?
Entenda os fatores que fazem a raiva transbordar

Descubra quais alimentos em excesso são inimigos do rim

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra
Manter uma dieta equilibrada é a melhor receita, mas evitar o exagero de alguns ingredientes é importante para a saúde renal. Sobrepeso e doenças cardiovasculares, como diabetes e hipertensão, são fatores de risco para a saúde renal, e a alimentação é um elemento-chave para o controle de todos esses fatores.
“Embora eventualmente surjam alguns estudos destacando propriedades de alimentos específicos para a saúde renal, cada vez mais as evidências científicas indicam que manter uma dieta equilibrada é a melhor maneira de evitar complicações”, destaca a nefrologista Andrea Pio de Abreu, diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia e professora da Faculdade de Medicina da USP.
Nesse sentido, ter cuidado com o excesso de sódio e carboidratos é a principal recomendação. “Uma dieta que ajude tanto na prevenção quanto no controle dessas doenças deve ser baseada no consumo de alimentos in-natura e na restrição de alimentos industrializados, com elevado teor de sódio e gorduras trans”, resume a nutricionista nutricionista Paula Zubiaurre, do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da PUCRS.
Entenda por que, em exagero, alguns alimentos podem prejudicar o funcionamento dos rins:
Congelados, enlatados e embutidos
Sódio, presente em embutidos como presunto, é fator de risco para a formação de cálculo renal quando consumido em excesso
Shutterstock
O consumo excessivo de sódio é um dos elementos mais determinantes para hipertensão arterial. “A pressão alta pode causar dano vascular no glomérulo, que é uma estrutura interna do rim para filtragem do sangue”, explica a nefrologista Andrea.
Ainda que seja comumente associado ao sal, o sódio está presente em uma série de outros produtos, inclusive bebidas adocicadas, como refrigerantes e sucos artificiais. Alimentos industrializados em geral costumam ter grande concentração de sódio, caso de produtos como macarrão instantâneo, comidas prontas congeladas, enlatados e embutidos.
Além das complicações ligadas à hipertensão, que afeta os rins de maneira indireta, o sódio em excesso também é fator de risco para a formação de cálculo renal.
Pães, massas e doces
Alimentos ricos em açúcar e carboidratos pode corroborar para o sobrepeso, o que impacta na saúde renal
Shutterstock
O consumo de alimentos ricos em açúcar e carboidratos pode corroborar para o sobrepeso, que também impacta na saúde renal, pois os rins precisam trabalhar mais para dar conta de filtrar o sangue e manter o equilíbrio nutricional do organismo. Esses ingredientes são mais perigosos para quem sofre com diabetes.
“No diabetes, o elevado consumo de carboidratos está associado à hiperglicemia (glicose elevada), o que piora a resistência insulínica e desencadeia vasoconstrição (diminuição dos vasos sanguíneos) e retenção de sódio”, explica a nutricionista Paula.
São alimentos ricos em carboidratos pães, biscoitos, bolos, massas, batatas e açúcares de todos os tipos (lactose, frutose, açúcar cristal ou refinado, açúcar mascavo, melado, caldo de cana, etc).
“Há diferença entre os tipos de carboidratos, sendo as versões integrais uma melhor escolha, mas igualmente, para haver um bom controle do diabetes, esses alimentos devem ser consumidos com moderação”, complementa a especialista.
Carnes, ovos, leite e queijo
Corpo pode ter dificuldade em processar carnes, ovos, leite e queijo em casos de insuficiência renal
Shutterstock
Conforme a nutricionista Paula, quem já sofre com a perda de função renal, deve ter maior cuidado com as fontes de proteína, como carnes, ovos, leite e queijo. “Devido ao baixo funcionamento do rim, ele pode apresentar dificuldade no processamento desse nutriente”, explica.
A especialista destaca que não se trata de restringir totalmente esses alimentos, mas reduzir a quantidade, que deve ser planejada por um nutricionista, levando em conta o estágio de insuficiência renal do paciente no planejamento do cardápio.
Outros nutrientes importantes na insuficiência renal são potássio e fósforo. Carne bovina é rica em potássio, já o fósforo está mais presente em laticínios. Frutas como abacate e banana, e legumes como beterraba, batata doce, espinafre e couve também são fontes de potássio. Uma das alternativas para reduzir a concentração do nutriente é preparar esses alimentos com fervura ou deixá-los de molho. Mas a necessidade de restrição deve ser avaliada por um especialista.
VÍDEO
Em novembro, uma pesquisa mostrou que os brasileiros consumiam sal em excesso, um dos agravantes para a saúde do rim. Confira no vídeo abaixo:
Pesquisa mostra que brasileiros consomem sal em excesso

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra

Sol se prepara para novo ciclo com chance de mais erupções que podem afetar a Terra
Mistura de duas imagens do Sol capturadas pelo observatório dinâmico da Nasa
Divulgação/Nasa/SDO
Faltam poucos dias para chegar 2020, mas ao que tudo indica o Sol já está no seu novo ciclo de vida, o ciclo 25.
Segue o fio que a história é assim:
O nosso Sol é uma estrela de tipo espectral G2 de meia idade, ainda com uns 5 bilhões de anos de vida. Estima-se que seu tempo de vida seja de 10 bilhões de anos e ao fim desse período ele deve se tornar uma gigante vermelha expulsando suas camadas mais exteriores.
Missão espacial tenta descobrir por que o plasma ao redor do Sol é 300 vezes mais quente do que a superfície dele
A descoberta do novo planeta que pode dar pistas sobre a morte do Sol
Mas durante seu tempo de vida, o Sol apresenta um ciclo periódico de aumento e diminuição de manchas solares. As manchas são, na realidade, a parte mais visível do ciclo de atividade magnética da nossa estrela. Elas são observadas desde o tempo dos astrônomos chineses há quase 2 mil anos e desde o século XVII são monitoradas e contabilizadas todos os dias.
Com essa vigilância toda, sabemos que o período do ciclo de manchas solares é de 11 anos, mais ou menos, alterando períodos de baixa atividade magnética (o mínimo solar) e períodos de máxima atividade (o máximo solar). Durante o mínimo, o número de mancha solares é muito pequeno, passam-se semanas sem que uma sequer seja avistada. Já nos períodos de máximo é o contrário, são muitas manchas que trazem junto tempestades solares intensas.
O estudo dos ciclos solares tem ficado cada vez mais importante para a sociedade moderna, por causa da dependência de energia elétrica e de equipamentos eletroeletrônicos. Quando ocorrem tempestades violentas há ejeção de massa coronal, uma grande nuvem de plasma, que se atingir a Terra pode causar muitos estragos.
Em geral, as tempestades no Sol causam auroras visíveis em altas latitudes terrestres, mas se houver mesmo um choque com o plasma solar ejetado, as correntes induzidas em estações de energia elétrica, satélites e equipamentos elétricos podem torrar os circuitos. Isso já aconteceu várias vezes e existe até um plano de contingência para essas épocas, a fim de minimizar os estragos.
Imagem de 2018 mostra registro da aurora boreal na Finlândia
Alexander Kuznetsov/Reuters
Atualmente o Sol está em seu período de mínimo saindo do ciclo 24 e entrando no ciclo 25. Não é fácil saber exatamente quando termina um ciclo e começa outro, ou melhor, a transição entre um e outro não é abrupta. Ainda mais no atual ciclo.
Esse é um dos mínimos mais mínimos já registrados.
No início de 2019 o Sol vinha se comportando como o esperado pelos modelos, mas no meio do ano o número de manchas despencou. Somando os dias em que nenhuma mancha foi observada no atual ciclo, temos o total de 948. Esse é o terceiro menor registro desde 1856! Apenas nos mínimos em 1878 (1028 dias) e 1913 (1015 dias) a atividade solar foi mais baixa.
Mesmo o pico do atual ciclo já foi fraco: o máximo teve muito menos manchas do que o pico do ciclo 23. Aliás essa característica vem sendo observada pelo menos nos últimos 3 ciclos: o pico do ciclo é menor do que o pico anterior.
Ninguém sabe ao certo o que se passa no interior do Sol para dizer por que isto está acontecendo. O mais provável é que seja um ciclo natural do Sol e que, se tivéssemos registros precisos obtidos há mais tempo, veríamos esse comportamento peculiar.
Não sabemos as causas, mas desconfiamos dos efeitos. As baixas contagens de manchas solares fazem com que a temperatura global diminua. A relação entre ambos é intermediada pela magnetosfera terrestre que permite a passagem de mais partículas carregadas, inclusive raios cósmicos. Já está provado que a incidência maior de raios cósmicos favorece a formação de nuvens que por sua vez refletem a luz do Sol. No fim das contas, com uma menor incidência de luz solar na superfície, o planeta acaba esfriando.
Existe um período entre 1645 e 1715 em que o número de manchas solares registradas foi muito pequeno. Pequeno mesmo. Por exemplo, em 1640 e 1670 nenhuma mancha foi registrada no Sol! Durante esse período, conhecido por Mínimo de Maunder, a temperatura média na Europa foi mais baixa do que o usual. A coincidência entre os dois fatos levou muita gente a associar as duas coisas. Ainda que não haja consenso entre os pesquisadores de que realmente haja uma relação de causa-consequência neste caso, muita gente acredita que o motivo das baixas temperaturas esteja de fato relacionada com a baixíssima atividade solar.
Essa semana já apareceu uma mancha com as características esperadas para o novo ciclo. Em outras palavras, o ciclo 25 de fato está para começar. Como a transição é bem discreta, é possível que 2020 ainda seja um ano com pouquíssimas manchas, podendo até mesmo bater 2019 que registrou 277 dias sem manchas. Estaremos aqui para conferir!
Imagem divulgada pela Nasa em 2016 mostra uma mancha solar gigante. A região do Sol onde a mancha foi encontrada está sendo chamada de 'monstro benevolente' pelos cientistas.
AP/Nasa
VÍDEO: SOL
Em 2018, a Nasa lançou uma sonda para estudar o Sol. Confira no vídeo abaixo:
Nasa lança sonda que vai tocar no Sol