Professora se veste de ‘corpo humano’ para ensinar alunos sobre órgãos e músculos

Qual o melhor esporte para a saúde de acordo com sua idade
A espanhola Verónica Duque ganhou as redes sociais com sua fantasia educativa. 'É difícil para as crianças imaginar as coisas em três dimensões', explica. Professora espanhola Verónica Duque ensina sobre o corpo humano com fantasia
Reprodução/Twitter
Uma professora de crianças com 8 e 9 anos ganhou as redes sociais por sua inovação na forma de ensinar Ciências: se vestiu de "corpo humano", com uma fantasia que mostra a posição dos órgãos internos e dos músculos.
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"É muito difícil para as crianças imaginar as coisas em três dimensões, por mais que vejam em vídeos e livros", disse a professora Verónica Duque, de 43 anos, ao jornal espanhol "La Vanguardia".
Ela dá aulas de ciências naturais, sociais, arte, inglês e espanhol a crianças do terceiro ano, em Valladolid, na Espanha, no colégio María Teresa Íñigo de Toro.
Professora Verónica Duque veste fantasia de corpo humano para ensinar os alunos, na Espanha
Reprodução/Twitter
Ela contou, ainda, ao jornal, que encontrou a fantasia em um site de vendas na internet. "Pareceu ser uma boa ideia e comprei duas peças em setembro. Guardei no armário até que tive que dar esse tema na segunda-feira na aula de [ciências] naturais", disse.
Segundo a reportagem, nenhum aluno esperava essa surpresa da professora. Ela entrou na sala coberta com um roupão e as crianças se assustaram quando ela o tirou. "Eles ficaram impactados", brinca, contando que logo em seguida explicou que a ideia era ensinar "o que temos por dentro".
Uma colega gravou vídeos e fotografou a aula, postada no Twitter pelo marido de Verónica Duque, Michael, orgulhoso da criatividade de sua esposa. O tuíte teve milhares de compartilhamentos.
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‘Meus implantes nos seios me fizeram sentir que ia morrer’

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Milhares de mulheres dizem que desenvolveram sintomas como alergias, insônia e dor crônica após colocar transplantes de silicone. Mas não há consenso médico sobre a existência de uma doença relacionada a implantes. Milhares de mulheres dizem que desenvolveram sintomas como alergias, insônia e dor crônica após colocar transplantes de silicone
Malene El Rafaey/Via BBC
"Eu pensei que estava morrendo, tinha algo horrível acontecendo e ninguém me ouvia."
Malene El Rafaey era uma modelo bem-sucedida, com contratos com revistas masculinas como FHM, Playboy e o tabloide Daily Star. Mas ela nunca se sentiu satisfeita com os seus seios.
Por isso, quando tinha 25 anos, decidiu colocar implantes. No início, Malene amou o resultado, mas seis anos depois começou a ter sérios problema de saúde.
"Eu não conseguia levantar da cama de manhã. Não conseguia trabalhar, só dormir o dia todo", disse Malene ao Newsbeat, programa de rádio da BBC. Ela também desenvolveu diversas alergias.
"Sabonete líquido, cremes… Até comer um pedaço de pão podia provocar uma reação alérgica de pele imediata. No final, eu praticamente parei de comer."
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Malene diz que estava sofrendo do que é conhecido como doença do implante de seios ou doença do implante de silicone. Milhares de mulheres acreditam sofrer dessa condição. O problema é que não há consenso médico sobre a existência dessa doença.
Pela primeira vez, porém, três grandes associações de cirurgia plástica decidiram que irão alertar mulheres dos riscos associados a implantes de seios.
A Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos (BAAPS), a Associação Britânica de Cirurgias Plásticas, Estéticas e Reconstrutivas (BAPRAS) e a Associação de Cirurgia de Seios (ABS) disseram ao Newsbeat, num comunicado, que a questão da doença do implante de seios "deve ser discutida com mulheres que planejam colocar próteses de silicone".
Malene se submeteu à cirurgia de implante nos seios aos 25 anos
BBC
O que é a 'doença dos implantes de seios'?
Por enquanto, essa doença é autodiagnosticada. Os sintomas mencionados por quem sofreu da condição- a maioria relacionados com sistema imunológico – são diversos.
Eles incluem fadiga, dor no peito, perda de cabelo, dores de cabeça, calafrios, dor crônica, insônia e sensibilidade à luz.
Mas essa doença não é oficialmente reconhecida pela comunidade médica. A Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos (BAAPS) diz que não há evidência científica de ligação entre os sintomas mencionados acima e implantes de silicone.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também diz que "até o momento, o conhecimento científico da especialidade indica que não há estudos concretos ou baseados em evidências ou dados revisados por pares sobre a formação de uma nova síndrome, a doença do implante de silicone".
Pesquisas sobre o tema estão sendo priorizados em países como Austrália e Estados Unidos, onde alguns cientistas afirmam que a doença de implante de silicone é uma forma autoimune de enfermidade – quando o sistema imunológico ataca, por engano, células e órgãos do corpo.
O professor de Medicina e Imunologia da Universidade de Maastricht Jan Cohen-Tervaert passou mais de 25 anos pesquisando esse assunto.
"Temos evidências suficientes para mostrar que a doença do implante de seios é causada pelos implantes de silicone", defende. "Eles podem causar uma reação do organismo a um corpo estranho e é possível ver que o sistema imunológico é ativado nesses casos."
A FDA, agência americana que regula alimentos e medicamentos, recentemente pediu que alertas sobre os riscos associados a implantes de silicone nos seios sejam incluído nos pacotes que contêm os implantes.
A agência americana também reconhece que algumas mulheres que passam por esse tipo de cirurgia podem ter "sintomas que deixam de existir após a remoção dos implantes de seio".
Falta de apoio médico
Uma reclamação comum entre mulheres que dizem ter a doença dos implantes de silicone é de falta de apoio quando buscam ajuda médica.
Malene diz que precisou procurar ajuda na internet. "Eu descobri o que eu tinha quando uma menina no Instagram me contou sobre um grupo do Facebook. Eu percebi: 'Meu Deus, tenho essa doença do implante de seios. São os meus implantes'", relata.
Jan Cohen-Tervaert diz que países que não reconhecem a existência dessa doença erram ao não alertar as mulheres sobre os riscos de desenvolveram sintomas após colocar implantes de silicone.
"As mulheres têm o direito de saber. A informação é crucial."
Malene sentia tanta dor que decidiu remover os implantes de silicone. "Minhas alergias desapareceram. Hoje em dia eu nem me importo com o tamanho dos meus seios, porque estou feliz e saudável. Acho que é isso que as mulheres querem", disse.
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‘Um AVC me fez parar de falar – e acho que outro devolveu minha voz’

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Cinco anos atrás, Peter teve um derrame e perdeu a capacidade de falar. Neste ano, ele teve um segundo AVC e a voz voltou. Ilustração BBC
BBC
Peter perdeu a capacidade de falar, em 2014, depois de um acidente vascular cerebral (AVC) aos 73 anos. Mas, de repente, em 2019, ele acordou numa manhã tendo recuperado a fala.
Pouco depois, ele descobriu que havia tido outro AVC. Será que esse segundo derrame contribuiu para a volta da voz?
No dia em que isso aconteceu, Peter estava de férias com a família em Devon. "Eu acordei normalmente e Carol estava do outro lado da cama. Eu me levantei e falei com ela, mas não tive uma sensação estranha. Parecia que falar com a minha esposa era a coisa mais natural do mundo", conta.
"Eu continuei falando e o queixo dela caiu de espanto. Ela disse: 'Peter, você está falando!'." Carol diz que insistiu para que ele não parasse de falar, com medo de que o marido perdesse novamente a voz e a articulação.
O filho do casal, Jonathan, que estava no quarto ao lado, ouviu duas pessoas dialogando e entrou correndo pela porta. "O que está acontecendo, mãe?", perguntou. "Eu pensei que a voz dela tivesse engrossado. Quem seria o dono daquela voz grave?"
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Carol respondeu que quem estava falando era Peter. "Todos começamos a chorar e a rir ao mesmo tempo. Foi muito emocionante, porque a mudez durou muito tempo." O choque foi tão grande que ninguém da família se lembra quais foram as primeiras palavras de Peter após tantos anos sem falar.
"Carol não estava interessada no que eu estava dizendo, estava mais concentrada no fato de que eu conseguia falar", brinca Peter.
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Comemoração e susto
A família toda saiu para comemorar, mas Carol logo percebeu que o lado esquerdo da boca de Peter estava diferente. Mais tarde naquele mesmo dia ele reclamou de fraqueza nas pernas – estava com dificuldade para andar e o filho teve de carregá-lo.
No hospital, foi diagnosticado um derrame. O casal agora está convencido de que o segundo AVC de alguma maneira "deslocou" algo no cérebro de Peter, fazendo com que ele recuperasse a capacidade de falar que ele havia perdido no primeiro acidente.
No entanto, Alex Leff, professor de neurologia cognitiva e especialista em recuperação da linguagem, diz que há poucas evidências para sustentar uma conclusão científica sobre os motivos do retorno da fala de Peter.
Ele diz que é possível pensar no cérebro como um sistema e um AVC como um evento que danifica algumas das engrenagens de linguagem. Em vários casos, os pacientes "redirecionam algumas das funções de linguagem usando a parte não danificada do cérebro".
Mas quando eles sofrerem danos graves de linguagem, como Peter, esse tende a ser um processo lento, não repentino. "O caso de Peter certamente é um caso incomum", diz Leff.
Ilustração BBC
BBC
Afasia
Afasia é o termo técnico para as dificuldades com linguagem e fala que uma pessoa pode vivenciar após um derrame ou outro dano cerebral;
Há tipos diferentes de afasia;
No caso da afasia de broca, a fala é limitada à troca de menos de quatro palavras que demandam muito esforço para serem produzidas. A pessoa pode entender, falar um pouco e ler, mas normalmente tem limitações para escrever;
Pessoas que têm afasia anômica vivenciam uma persistente dificuldade para encontrar palavras para as coisas que querem dizer ou sobre as quais querem escrever, especialmente pronomes e verbos. Mas elas compreendem a fala dos outros e leem também;
Peter não teve problemas para ler e escrever durante os quase cinco anos em que não conseguiu falar.
Fontes: Associação Nacional de Afasia (Reino Unido) e NHS
O primeiro AVC de Peter
Carol estava com Peter quando ele teve o primeiro AVC. Eles tinham saído, mas Peter não se sentiu bem, então Carol decidiu dirigir de volta para a casa deles, em Gloucestershire, no Reino Unido.
"Eu perguntei que horas eram e ele não me respondeu", conta. "Eu perguntei novamente e senti que algo estava errado. Quando você vive com uma pessoa e está casada com ela por 52 anos, você sabe de tudo."
Na semana que se seguiu ao AVC, Peter sentiu sua habilidade de fala se deteriorar progressivamente. "Eu comecei achar cada vez mais difícil conversar. As palavras eram difíceis de encontrar e eu não conseguia formar frases", conta.
"No final, senti que era quase impossível falar. Eu só conseguia dizer 'sim' e 'não' e, às vezes, uma frase curta. Era o melhor que eu podia fazer."
Carol diz que foi de cortar o coração ver o marido, um engenheiro aposentado a quem descreve como "muito inteligente e eloquente", perder a capacidade de fala. A família toda sofreu junto, diz ela. A filha do casal, Jane, chegou a dizer que "sentia falta do pai".
Carol, então, respondeu: "Ele não está morto, ele não foi a lugar algum. É horrível para nós, mas é pior ainda para ele. E é isso que você tem que lembrar". Apesar de não conseguir formar palavras e frases, Peter diz que não perdeu a capacidade de compreender o que os outros diziam.
"Eu sempre soube exatamente o que estava acontecendo ao meu redor. Estava completamente consciente, mas não poder me comunicar com as pessoas era muito ruim", diz.
Comunicação por escrito e por gestos
O casal criou um sistema de comunicação entre si. Carol fazia perguntas de "sim ou não" e Peter respondia com o dedo polegar para cima ou para baixo. Ele também costumava andar com papel e lápis para escrever o que queria dizer.
"Nós nos viramos bem", diz ele.
Peter tem muito interesse por fotografia, então uma vez quando foi a uma loja de eletrônicos para comprar uma máquina, escreveu num papel as descrições técnicas antes para mostrar ao vendedor.
Às vezes, Carol tinha que explicar o motivo de usar essa forma incomum de comunicação. "Eu dizia: 'Meu marido teve um AVC. Ele não consegue falar, então vai escrever perguntas para você'."
Durante os anos em que não conseguiu falar, Peter frequentemente passava o dia todo lendo ou trabalhando em modelos matemáticos. Carol se lembra que ele vivia escrevendo algoritmos e equações em bloquinhos.
Peter diz que o alívio de recuperar a fala é extasiante a ponto de não poder conter as lágrimas quando comenta sobre o assunto.
"Quando perdi a capacidade de me comunicar, senti que uma parte grande de mim e da minha família tinha desaparecido. Não é possível demonstrar emoções só dizendo 'sim' e 'não'", diz.
O gosto por debates
A família tentava incluir Peter nas conversas e se esforçava para diverti-lo, mas nem sempre era fácil.
A parte mais desafiadora, diz Peter, era ouvir as pessoas dizendo coisas com as quais ele não concordava. "Eu achava frustrante quando as pessoas discutiam sobre um assunto e eu não conseguia me inserir no debate. Era como perder todas as discussões", define.
"É bom poder discordar e debater novamente."
A primeira grande discussão dele depois de recuperar a fala foi sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. "Meus amigos disseram estavam felizes de 'me ver de volta'", recorda.
"Peter adora uma discussão. Ele poderia debater com um quarto vazio", diz Carol. A fala de Peter agora é quase perfeita. Ele arrasta as palavras apenas de noite, quando está muito cansado. Mas todos os que conhecem o engenheiro aposentado dizem que ele mudou o sotaque.
"As pessoas dizem que estou com um sotaque mais sofisticado agora", diz. "Eu respondo que eu sempre fui sofisticado, mas que tentava esconder isso de todos", brinca.
Carol diz que acabou se acostumando demais a falar pelo marido e que agora tem de se controlar. "É um hábito. Eu tenho de aprender a fechar a boca. Tive um certo monopólio da fala nos últimos anos."
No dia em que conseguiu retomar a fala, Peter chegou a brincar com as enfermeiras: "Acho que Carol vai se arrepender disso". "Às vezes eu me arrependo. Eu falei para você ficar quieto outro dia e você não obedeceu", brinca a esposa de Peter.
Mas a verdade é que ambos temem que Peter perca a habilidade recém-recuperada. "É um equilíbrio delicado", diz Peter. "É como ver alguém ser nocauteado com um martelo e depois voltar. Ele pode sofrer outro golpe e não voltar mais."
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O economista que ajudou milhares de pessoas a conseguirem um rim

Qual o melhor esporte para a saúde de acordo com sua idade
O 'mercado de rins' de Alvin Roth mudou a doação do órgão ao redor do mundo e rendeu a ele um prêmio Nobel. Alvin Roth revolucionou a doação de rins no mundo ao utilizar a teoria econômica para aumentar a disponibilidade de órgãos
Medicina Sistematizada/Reprodução
Quem precisou de um transplante de rim nos últimos anos viu suas chances de conseguir um aumentarem exponencialmente graças a um economista chamado Alvin Roth.
Roth revolucionou a doação de rins no mundo ao utilizar a teoria econômica para aumentar a disponibilidade de órgãos.
Sem sua atuação, milhares de pessoas que hoje vivem bem com um novo rim estariam sofrendo, passando por sessões frequentes de hemodiálise ou mortas.
A doação de rins é diferente das outras porque os seres humanos possuem dois destes órgãos, mas só precisam de um para viver. Por isso, é possível doar em vida.
Há, porém, um obstáculo: os rins do doador e do receptor devem ser compatíveis, o que significa que você pode não conseguir doar o seu para um familiar que esteja enfrentando problemas de saúde, por exemplo.
Antes da intervenção do professor Roth, o seu familiar precisaria esperar a doação de alguém que acabou de morrer, ou continuar sem o órgão.
O economista, então, criou um "mercado de rins", um banco de dados que reunisse as informações de todos os pares que não possuíam compatibilidade entre si, criando novas combinações e garantindo que todos encontrassem um doador.
A venda de rins é ilegal em todos os países com exceção do Irã.
"Em quase todo o mundo, nós não permitimos que preços desempenhem qualquer papel no mercado de rins", diz Roth. Questionado sobre o impacto de sua criação, ele conta que, por causa dela, cerca de mil pessoas conseguem um doador a cada ano nos Estados Unidos – e esse é apenas um exemplo.
Como resultado, ele recebeu o prêmio Nobel de Economia, em 2012.
Problemas na Alemanha
A BBC entrevistou Roth em Berlim, na Alemanha. Sua visita se deve, em parte, ao fato de que o país é um dos únicos entre as nações desenvolvidas em que o seu "mercado de rins" não é legal.
"Acredito que as regras e regulações burocráticas que tratam de rins devem ser revistas de tempos em tempos, à luz de novos acontecimentos, e devem ser modernizadas e adaptadas às possibilidades atuais", afirma.
O Ministério da Saúde alemão diz que pretende organizar uma audiência pública sobre o tema, mas ainda não há data para isso acontecer.
Roth diz que entende as preocupações que justificam a proibição no país.
"Eles temem o tráfico de órgãos. Acreditam que, se eu apareço querendo doar um rim a você, isso significa que estou recebendo dinheiro por isso – e eu posso ser uma pessoa pobre e desesperada. Mas, por outro lado, se o seu irmão decide doar, isso não os preocupa."
Vender rins?
Roth, entretanto, acredita que no futuro as pessoas poderão ser pagas para doar seus rins.
Ele compara o debate sobre o tema ao que teve nos Estados Unidos após a Guerra do Vietnã, quando o país tornou seu serviço militar voluntário – antes, ele era compulsório.
O economista vislumbra um futuro em que as pessoas que desejem doar um rim por dinheiro poderiam ser vistas como "heroínas" pelo Estado, que se responsabilizaria por coletar os rins e distribuí-los utilizando as regras já existentes – assim, os rins seriam dados a quem mais precisa, não a quem pode pagar mais.
Oferecer incentivos financeiros em troca de órgãos, porém, envolve uma discussão ética. E a maioria da comunidade médica, e da população em geral, é contrária à ideia.
Um programa piloto, cuja proposta era a de cobrir os custos médicos de doadores de rins e permitir a doação entre receptores de países ricos e doadores de nações pobres, não obteve o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O filósofo australiano Peter Singer, que escreveu recentemente um artigo para o periódico The Lancet em que defendia o projeto, afirmou à BBC que uma doação ocorreu por meio dele.
Roth apoia o programa. "É uma vergonha quando as pessoas morrem em razão da burocracia."
Esse texto foi produzido por uma parceria entre a Nobel Media AB e a BBC.

Qual o melhor esporte para a saúde de acordo com sua idade

Qual o melhor esporte para a saúde de acordo com sua idade
Nossa capacidade física não é a mesma aos 20 e aos 40, mas isso não significa que devamos deixar os exercícios de lado, só é necessário escolher o mais adequado. Aos 20 anos, estamos em nosso melhor condicionamento físico, mas podemos nos manter ativos ao longo de toda a vida
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Os efeitos benéficos que o esporte tem sobre nossa saúde são muitos e já comprovados.
Encaixar uma atividade física na rotina pode reduzir o risco de problemas cardiovasculares, alguns tipos de câncer e ajuda a combater diabetes do tipo 2, por exemplo.
Além disso, contribui para preservar nossa saúde mental: ao aumentar o nível de endorfinas em nosso corpo, exercícios impactam nosso estado de ânimo e nossa autoestima.
Pode soar óbvio dizer que ter 20 anos não é o mesmo que ter 40. Mas também é lógico pensar que nem todos os esportes são adequados para todas as faixas etárias.
Não saber adequar a atividade física aos anos que vamos somando ao calendário pode, de fato, acarretar certos riscos ao nosso bem estar físico (e mental, se considerarmos a frustração de perceber esse desgaste físico), dizem especialistas.
A professora de fisioterapia Julie Broderick, do Trinity College de Dublin, na Irlanda, elenca em um artigo no The Conversation, publicação online aberta sobre discussões acadêmicas, quais tipos de esporte são mais adequados de acordo com cada fase da vida.
Estas são suas recomendações gerais.
Na infância
Fazer exercícios ajuda as crianças a manter um bom peso, contribui para a formação de músculos mais fortes, estimula a autoconfiança e ajuda a desenvolver padrões de sono regulares.
Durante essa etapa da vida, é recomendável provar diferentes esportes para fortalecer habilidades diferentes – desde natação até esportes com bola ou luta.
Especialistas também aconselham que crianças pratiquem atividades físicas não programadas ao ar livre, como brincar no parque ou no quintal.
Durante a infância, é importante dedicar algum tempo a atividades ao ar livre não programadas
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Na adolescência
Durante a adolescência, costuma-se perder o interesse em esportes, como destaca Broderick.
Mas continuar ligado a alguma atividade física, nessa fase de mudanças, é muito benéfico para manter um bom condicionamento físico e, ainda, ajuda a controlar o estresse e a ansiedade.
Na medida do possível, é recomendável que adolescentes participem de alguma atividade em equipe. Isso os mantém motivados, ampliando seu círculo social e desenvolvendo a disciplina.
Se não for possível, esportes completos como a natação e o atletismo podem ajudar a manter a forma, segundo as recomendações de Broderick.
Aos 20
Essa é a década da nossa vida em que podemos alcançar nosso melhor nível físico, conforme apontam especialistas.
Os tempos de reação e de recuperação chegam ao seu ápice nessa fase e o corpo bombeia oxigênio para os músculos de forma mais rápida que nunca.
Tente obter o máximo rendimento de sua capacidade física, provando diferentes tipos de esporte: rugby, remo ou mesmo levantamento de peso na academia.
Faça ainda com que seus treinos sejam variados e tente combinar o trabalho aeróbico, anaeróbico e de resistência.
Aos 30
Manter a força e a saúde cardiovascular é um passo importante, mas também desafiador. A realização de trabalhos sedentários ou de obrigações familiares podem fazer com que seja difícil reservar um espaço para o esporte em nossas vidas nessa idade.
Por isso, é necessário usar a inteligência.
Os especialistas recomendam treinos curtos, mas de alta intensidade (conhecidos como HIIT, na sigla em inglês) fazendo sprints, em bicicleta, correndo ou reduzindo os tempos de descanso ao fazer circuitos de resistência.
Para as mulheres, especialmente depois de ter filhos, é recomendável fazer exercícios de Kegel para fortalecer os músculos do assoalho pélvico.
Além disso, é importante fazer mudanças na rotina para manter os treinos interessantes – já que, com uma agenda carregada de compromissos, pode ser fácil se esquecer do esporte.
Os treinos de alta intensidade permitem realizar um bom volume de exercícios sem exigir muito tempo
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Aos 40
É nessa idade que a maioria de nós começa a ganhar peso. E, segundo os cientistas, os treinos de resistência (aqueles que utilizam a força) são os melhores para vencer essa batalha contra a balança.
O uso da força durante os treinos mira o acúmulo de gordura e reverte a perda de massa muscular, que acontece entre 3 e 8% por década de vida.
Uma sugestão seria começar a incluir mais exercícios de força feitos com halteres nos treinos para, depois, apostar nas máquinas de musculação.
Essa é também boa fase para começar a correr, o que ajuda o coração, como aponta Broderick. E, ao acrescentar pilates, é possível fortalecer as costas, que podem começar a apresentar sinais de problema.
Aos 50
O desgaste físico se acentua nesta década: podem aparecer dores, desconfortos e mesmo doenças crônicas, como as relacionadas ao coração e à diabetes do tipo 2.
No caso das mulheres, a redução dos níveis de estrógeno faz crescer o risco de doenças cardiovasculares.
O conselho seria, então, incluir em sua atividade física semanal duas sessões focadas em resistência para manter a massa muscular. E, ainda, realizar exercícios cardiovasculares como caminhar ou correr, usando pesos para tornozelos, ou mesmo algo completamente diferente, como tai chi chuan e ioga, que trabalham o equilíbrio.
Aos 60
A partir dos 60, há mais riscos de enfermidades crônicas. Investir nos exercícios reduz a possibilidade de que esses problemas apareçam, como defendem os cientistas.
Os mais aconselháveis nesta idade são as danças de salão e exercícios leves de força e flexibilidade, uma ou duas vezes por semana, que não tenham tanto impacto nas articulações.
A hidroginástica é uma opção ideal, já que seu impacto é mínimo e trabalha os músculos com a resistência da água.
Não se deve esquecer, ainda, do exercício cardiovascular, que pode ser, por exemplo, uma caminhada de ritmo leve.
Aos 70 anos ou mais
Ao chegar neste ponto, o objetivo é se manter levemente ativo e prevenir a fragilidade e as quedas. Além disso, a atividade física ajuda em termos cognitivos.
Vale caminhar e incluir algum exercício de força na semana, mas sempre sob orientação médica.
O importante, no fim das contas, é manter um nível de atividade física equilibrado ao longo da vida.
Vídeo sobre benefícios que a corrida traz para a saúde:
Saiba quais benefícios a corrida traz para a saúde de quem pratica esse esporte